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Governo Anastasia: 3ª geração do Choque de Gestão já obtém resultados positivos em regiões mais carentes de Minas

Estado em Rede, Gestão Regionalizada, Gestão Participativa, Gestão Cidadã

Fonte: Agência Minas

Modelo de Gestão para a Cidadania já colhe frutos no Rio Doce e no Norte de Minas

José Carlos Paiva/Secom MG

Secretária Renata Vilhena abordou propostas para o desenvolvimento do Norte

Secretária Renata Vilhena abordou propostas para o desenvolvimento do Norte

BELO HORIZONTE (28/12/11) – Em 2011, os representantes da sociedade civil organizada do Rio Doce e do Norte de Minas definiram 20 prioridades para suas regiões, a partir das estratégias propostas pelo Governo Antonio Anastasia. Nos dias 17 e 18 de agosto, em Governador Valadares (Leste do Estado), e em 17 e 18 de outubro, em Montes Claros (Norte), foram realizados os encontros regionais, em que o Governo de Minas compartilhou as propostas apontadas no Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG), que prevê ações para o desenvolvimento de Minas Gerais até 2015, e também no Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI), cujas metas estão previstas até 2030.

Esses encontros integram o Estado em Rede, idealizado para viabilizar o modelo de Gestão para a Cidadania – a terceira geração do Choque de Gestão – que busca dar continuidade aos avanços já alcançados, integrando a sociedade no planejamento das ações do Estado. O novo modelo de gestão pública busca a aproximação da estratégia central com as necessidades e particularidades regionais, por meio da Gestão Regionalizada e Gestão Participativa.

Após os encontros regionais, que inserem a sociedade civil no processo, são realizados, a cada três meses, os comitês regionais, compostos por representantes do governo, e os fóruns regionais, com a presença do governo e os representantes da sociedade civil organizada. Nos comitês são discutidos problemas e soluções para as demandas locais, com a proposição de metas para o alcance das estratégias regionais traçadas. E nos fóruns, a sociedade civil escolhe cinco prioridades, dentre as 20 eleitas no encontro regional, para fazer parte de um caderno de prioridades estratégicas, com acompanhamento intensivo nas instâncias governamentais.

No Rio Doce e no Norte do Estado, a implementação do modelo foi iniciada em forma de projeto-piloto. A escolha dessas regiões obedece a algumas particularidades: o Rio Doce congrega as disparidades regionais representativas de Minas Gerais, enquanto que o Norte de Minas concentra as principais carências sociais do Estado.

Em cada encontro regional foram discutidos projetos nas seguintes redes transversais de desenvolvimento: Saúde; Cidades; Ciência; Tecnologia e Inovação; Defesa e Segurança; Desenvolvimento Econômico Sustentável; Desenvolvimento Rural; Desenvolvimento Social e Proteção; Educação e Desenvolvimento do Capital Humano e também Identidade Mineira e Infraestrutura.

Além da definição das 20 prioridades (duas por rede), cada grupo de rede transversal de desenvolvimento também elegeu um representante, que acompanhará a implementação das estratégias escolhidas nas instâncias governamentais.

Em Governador Valadares, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, destacou o início da implementação do programa. “Minas inova, chamando toda a sociedade civil organizada para trabalhar conosco na definição dessas estratégias. O governador Antonio Anastasia tem nos incitado a ousar, sempre com responsabilidade. Que então nós possamos, aqui, ousar para construir essa agenda comum, para que a voz dos mineiros possa ser implementada em todas as nossas ações, buscando o desenvolvimento econômico e social do Estado”, disse.

Na etapa seguinte, a reunião da Câmara Multissetorial analisou as demandas regionais priorizadas. Formada pelos secretários-adjuntos, a Câmara discute e busca soluções para os problemas apontados; garante o alinhamento estratégico entre as instâncias de desenvolvimento regional; produz e divulga informações e dados regionais para os comitês e público geral. Os encontros ordinários são trimestrais.

Resultados

Os resultados do projeto piloto foram encaminhados ao governador de Minas, Antonio Anastasia, em reunião do Comitê Estratégico, formado pelos secretários das pastas representadas na rede. Suas atribuições incluem: definição da estratégia governamental e seus reflexos para as regionais e deliberação sobre as demandas regionais.

A Gestão Regionalizada leva em conta as dez regiões de planejamento, indicadas pela Fundação João Pinheiro (FJP). Também são dez os comitês regionais: Central; da Mata; do Rio Doce; do Jequitinhonha e Mucuri; do Norte de Minas; do Noroeste de Minas; do Alto Paranaíba; do Triângulo; do Centro-Oeste de Minas; do Sul de Minas. Além da adoção da divisão territorial do Estado em dez regiões de planejamento, a regionalização incorpora também as 66 microrregiões de Minas Gerais identificadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A coordenação técnica dos comitês regionais, a elaboração da metodologia de trabalho e a condução da experiência piloto são de competência conjunta da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), da Secretaria de Estado de Casa Civil e de Relações Institucionais (Seccri), da Secretaria de Estado de Governo (Segov) e da Ouvidoria-Geral do Estado (OGE). O Estado em Rede será estendido a todo o Estado. Em 2012, está prevista a formação de comitês regionais para as demais regiões.

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Vale quer entrar no mercado de carvão da Índia e investe R$ 15 milhões em laboratório e coqueria piloto em Nova Lima

Economia, Desenvolvimento Econômico, Minas Gerais

Fonte: Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

Vale aposta na Índia para vender carvão de Moatize

Um comissão de técnicos da Vale viaja esta semana para a Índia para prospectar clientes para o carvão que começou a produzir em Moçambique. A Índia é vista pela empresa como um importante potencial cliente. O país tem grandes grupos siderúrgicos e necessidade crescente de carvão. A Vale, no entanto, conhece pouco do perfil do mercado indiano.

A mina de carvão de Moatize, na província de Tete, Moçambique, começou a produzir em agosto. O primeiro carregamento foi vendido para um fundo de investimentos e a empresa diz que já há embarques programados para o Sudeste Asiático e para o Japão. Mas é a Índia merece atenção especial.

“Queremos desbravar o mercado da Índia. A exportação de carvão para lá traria uma vantagem logística pela proximidade com Moçambique”, disse Rogério Tales Silva Carneiro, gerente-geral de pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos da Vale. O país tem grandes siderúrgicas, entre elas a Tata e Jindal Steel, e depende de importações de carvão.

O Ministério do Carvão indiano, segundo informa em seu site, prevê que até o ano que vem a demanda pelo insumo terá atingido 713 milhões de toneladas, enquanto a produção nacional será de 630 milhões. As 83 milhões de toneladas restantes provavelmente terão ser importadas, diz o ministério. Indonésia e China são alguns dos grandes fornecedores para a Índia.

A Vale pretende se tornar um “player” global no setor e está investindo US$ 1,65 bilhão na mina africana, cuja capacidade de produção nominal será de 11 milhões de toneladas por ano de carvão mineral e térmico. É o maior empreendimento da empresa em carvão. Suas principais concorrentes em minério de ferro, a BHP Billiton e a Rio Tinto, já exploram carvão e estão a sua frente neste segmento.

A Vale tem pouco know-how na Índia. “Não vendemos minério de ferro para a Índia e, portanto, é um mercado que não conhecemos bem”, diz o executivo. O país concorre com a Vale em minério.

Esta é a primeira missão técnica que empresa envia para lá para tratar de carvão. O objetivo é avaliar quais as necessidades das siderúrgicas indianas pelo insumo. “Conhecemos pouco as siderúrgicas deles e por isso essa missão específica”, disse Carneiro.

A empresa tem mais conhecimento sobre o Japão, um dos mercados prioritários para o carvão de Moçambique. O mesmo acontece com a Europa, embora este não seja prioridade inicial na estratégia de vendas de carvão, disse Carneiro. Além do Japão, o Brasil será outro mercado para as primeiras cargas de carvão de Moatize.

A Vale já produz carvão na China (onde tem participações minoritárias em duas joint ventures), Austrália e Colômbia. A mina de Moçambique colocará, no entanto, a empresa em outro patamar. Moatize é uma das maiores reservas carboníferas do mundo e seu carvão tem características de “premium”, o que significa que será comercializado numa faixa superior de preços, estima a empresa.

A Vale está investindo R$ 15 milhões na montagem de um laboratório exclusivo para análises do carvão e em uma coqueria piloto, que devem entrar em operação no fim de 2012. Ambos serão erguidos no Centro de Tecnologia de Ferrosos, na cidade de Nova Lima, na Grande Belo Horizonte.

O objetivo é oferecer aos futuros clientes informações detalhadas sobre o carvão para atender a demandas específicas. A empresa planeja vender minério de ferro e carvão num mesmo pacote, com informações e conhecimento sobre quais combinações produzem aço com características que atendam às necessidades dos clientes.

No terceiro trimestre, as vendas de carvão da empresa foram de US$ 284 milhões ante os US$ 256 milhões do segundo trimestre. O resultado reflete aumento tanto dos volumes quanto dos preços.

China contesta novo modelo para reajustar preço do minério – crise financeira global atinge comércio exterior

Crise Internacional, commodities,

Fonte: Vivian Oswald* – O Globo

China pressiona mineradora a rever reajuste

País não quer sistema baseado em índices trimestrais. Com crise, preço do minério de ferro já teve queda de 25%

TIANJIN, China, e BRASÍLIA. A China, maior consumidor de minério de ferro do mundo, aumentou a pressão para as empresas a mudarem seu sistema de reajuste de preços. As três maiores produtoras da matéria-prima, a Vale, e as australianas BHP Billiton e Rio Tinto, abandonaram em 2010 o sistema de definição de preços anual, que era usado há décadas, e substituíram o sistema por um mais flexível, baseado em índices trimestrais, pelo qual a média da cotação do minério de ferro num trimestre é a base para os contratos com entregas para o trimestre seguinte. A China afirma que a nova fórmula é sujeita a especulação e não serve aos interesses da indústria siderúrgica do país como um todo.

– As mineradoras expressaram atitude positiva (de mudar o sistema) e as empresas de aço chinesas devem ter uma atitude  positiva também  –  disse  ontem Zhu  Jimin,  presidente  do Shougang  Group,  uma  das maiores  siderúrgicas chinesas, e também presidente da Associação de Ferro e Aço da China (Cisa).

No fim de outubro, ao divulgar seu resultado no terceiro trimestre, a Vale admitiu mexer no sistema e rever os contratos. Segundo a empresa, caso as renegociações avancem, o valor final da tonelada do minério poderá cair de 10% a 15%. A China responsabiliza o “comportamento monopolista” de Vale, Rio Tinto e BHP pelo desempenho fraco de suas usinas.

A ideia do modelo trimestral era refletir melhor as mudanças de mercado e reduzir a necessidade de negociações, às vezes demoradas e tensas, de preços com seus clientes, particularmente os da China. Atualmente, as siderúrgicas estão comprando minério com base em valores de junho a agosto, perto de US$170, apesar de os preços terem caído para US$127 a tonelada, em média – uma queda de 25%.

Queda no preço afeta balança comercial

Vedete da balança comercial brasileira neste ano, o minério de ferro dá os primeiros sinais de que a crise financeira global atingiu o comércio exterior. Estudo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) feito a pedido do GLOBO mostra que a queda dos preços da commodity é uma sombra sobre as exportações do país para 2012.

As cotações do minério influenciam os preços do aço, dos semimanufaturados de ferro e aço, além do ferro-gusa. Juntos, os  quatro  itens  representam  embarques  para  o  exterior  neste  ano  de  cerca  de  US$50  bilhões  –  um  quarto exportações previstas para 2011. E só as exportações de minério neste ano devem render ao país cerca de US$40 bilhões, ou quase 17% de todas as suas receitas com as vendas externas.

De acordo com o último índice IC-Br do Banco Central (BC) – que mede a variação de preços internacionais de produtos básicos mais sensíveis às mudanças nas condições econômicas -, os minerais exportados pelo Brasil caíram 6,5% até outubro. Mantida no atual patamar, somente a diferença de preços do minério no mês passado significaria uma perda de US$9 bilhões nas exportações brasileiras a partir de 2012.

– Com a queda do preço do minério, cai o preço do aço. Já começamos a ver mudanças de curso em alguns investimentos de aço. O ferro-gusa também será afetado. Está em Minas e no Pará. Estamos falando apenas de queda de preço, mas pode vir acompanhado de queda de quantidade. E aí os US$9 bilhões do minério podem ser muito mais – explicou o presidente da AEB, José Augusto de Castro.

China, Holanda, Japão, Itália e França têm o minério de ferro como o principal produto que mais compram do Brasil. Para a Alemanha, é o segundo item. Sozinha, a China é o maior comprador do produto brasileiro.

Com  as incertezas  em relação  à duração  da crise  na  Europa, nos  Estados Unidos  e no  Japão, grandes  empresas internacionais reavaliam novos investimentos. Maior produtora de aço do mundo, a Arcelor Mittal anunciou o adiamento de novos investimentos no Brasil e culpou a crise.

“No contexto da desaceleração da economia global e da fragilidade dos mercados da Europa e dos Estados Unidos, a ArcelorMittal Brasil vai parar temporariamente as obras do projeto de expansão da ArcelorMittalMonlevade (em Minas Gerais)”, informa comunicado recente da empresa. A ArcelorMittal garante que a medida é temporária.

A Vale também já identificou cancelamentos de encomendas europeias. Na apresentação do último balanço, o diretor-executivo de Marketing, Vendas e Estratégia, José Carlos Martins, admitiu cancelamentos pequenos, mas garantiu que em nada se parecem com os de 2008:

– Não é essa a situação hoje, você tem alguns ajustes. No momento, o que nós temos feito, em termos de materiais da Europa, é mandar (desviar) para a Ásia, isso não tem passado de dois navios, no próximo mês talvez sejam três, e nós acreditamos que não vai passar disso. Quer dizer, até agora o nível de postergação dos clientes tem sido bastante pequeno. Nada comparado à situação de 2008.

(*) Com agências internacionais

Vale deve investir R$ 3,5 bi para ampliar Ferrovia Centro-Atlântica e terminal da Ultrafertil, Minas receberá parte do investimento

Vale planeja investir R$ 3,5 bi para ampliar FCA e terminal da Ultrafertil

Fonte: Samantha Maia – Valor Econômico

Logística: Aportes ainda precisam ser aprovados pelo conselho de administração da empresa

A Vale planeja investir R$ 3,5 bilhões nos próximos quatro anos no aumento da capacidade de transporte de dois importantes ativos do grupo: a Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e o Terminal Marítimo da Ultrafertil (TUF), em Santos (SP). Segundo o diretor de Logística de Carga Geral da companhia, Marcello Spinelli, o plano é investir em quatro terminais da ferrovia no interior de São Paulo e Minas Gerais, adquirir mais trens e ampliar o TUF, hoje com um berço, com a construção de mais três. A FCA corta sete Estados: os quatro do Sudeste mais Bahia, Sergipe e Goiás.

Os investimentos estão sujeitos à aprovação do conselho de administração da empresa e parte do valor será realizado com parceiros comerciais e parte com recursos próprios. O objetivo da Vale é tornar o terminal portuário forte na movimentação de produtos agrícolas, principalmente o açúcar vindo via ferrovia da região Oeste de São Paulo e do Triângulo Mineiro, que deve se tornar a segunda carga mais movimentada na Centro-Atlântica.

“O terminal [TUF] tem um potencial de conexão com a ferrovia único, por não ter interferência da cidade. Era a peça que faltava para fechar o corredor ferroviário da Centro-Atlântica para Santos”, diz Spinelli. O TUF passou para a Vale com a compra da Ultrafertil no ano passado e a criação da Vale Fertilizantes. Na semana passada, a mineradora assinou acordo para a formação de uma joint venture com a Vale Fertilizantes para a exploração da concessão do TUF. A Vale terá uma participação de 51% na joint venture, com o pagamento de R$ 150 milhões à Vale Fertilizantes e aporte de R$ 432 milhões para financiar o plano de investimentos do terminal.

Hoje o terminal é exclusivo de importação de fertilizantes em geral. Com a construção de mais três berços, ele terá capacidade para movimentar granéis e passará a ser o maior terminal do porto de Santos. O potencial de movimentação de cargas será de até 16 milhões de toneladas anuais, e todo o adicional de movimentação ocorrerá somente por ferrovia. “O que a gente vai construir de armazenagem vai incrementar em 30% a capacidade de movimentação de granéis agrícolas no porto de Santos”, diz o executivo.

Serão ampliados os terminais ferroviários da Centro-Atlântica localizados nas cidades paulistas de Ribeirão Preto e Aguaí – obras já iniciadas – e São Joaquim da Barra, que deve começar neste segundo semestre. Os três devem ficar prontos em abril. Também será construído um terminal no município mineiro de Uberlândia. As obras devem começar no fim do ano, com entrega prevista para abril de 2013.

A ampliação do porto, com o aumento dos pátios e construção de armazéns, por sua vez, deve ficar pronta em 2015. “Com esses investimentos, o açúcar deve ganhar grande importância nas cargas transportadas pela Centro-Atlântica”, diz Spinelli sobre os polos agrícolas que serão atendidos pelos novos terminais ferroviários.

Também serão construídos onze quilômetros de linha férrea dentro do TUF, que permitirão que o trem entre e descarregue a carga em no máximo 6 horas, num sistema como um carrocel. “Hoje o descarregamento de cargas de um trem no porto de Santos demora 48 horas porque o trem não consegue entrar sem ser desmembrado”, explica o diretor da Vale.

Um dos impactos esperados com o conjunto de investimentos é a redução do número de caminhões circulando nas estradas paulistas. Segundo cálculo da empresa, o aumento da capacidade de transporte da ferrovia poderá tirar mais de mil caminhões por dia das estradas de São Paulo. “É um investimentos extremamente importante para o Estado, devido à saturação do transporte rodoviário”, diz o secretário estadual de Desenvolvimento, Paulo Alexandre Barbosa.

A Vale assinará hoje com o governo paulista um protocolo de intenções para a realização desses investimentos. A cerimônia acontece no Palácio dos Bandeirantes com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB). O governo define sua atuação como o de indutor dos investimentos, facilitando os processos para a sua realização, como o licenciamento ambiental, trabalho que vem sendo realizado pela agência pública Investe São Paulo. “A assinatura do protocolo estabelece essa colaboração e dá a possibilidade de benefícios tributários, que precisam ser detalhados”, diz Barbosa.

Vale vai investir R$ 3,8 bilhões até 2014 para construir uma unidade e adaptar outra em Itabira

Companhia investirá R$ 3,8 bilhões até 2014 para construir uma unidade e adaptar outra em Itabira (MG)

Fonte: Pedro Soares – Folha de S.Paulo

Alta do preço viabilizou o projeto, que estenderá em 20 anos a vida útil da produção da Vale no município mineiro

Desde o fim da crise global, o preço do minério de ferro subiu e tornou viável um antigo projeto da Vale: reaproveitar rejeitos das minas de Itabira, em Minas Gerais, cidade onde a ex-estatal nasceu em 1942.

Os minérios “pobres”, com teor de ferro contido inferior a 40%, eram descartados e iam para pilhas ou barragens (lagos) de resíduos. Por 40 anos, foram acumulados e não tinham nenhum valor comercial.

Diante da mudança do sistema de preço do minério de ferro pós-crise, o produto passou a ter correções trimestrais – antes o reajuste era anual – e a receber um bônus a cada ponto percentual a mais de teor de ferro.

Segundo Lúcio Cavalli, diretor de Planejamento e Desenvolvimento de Ferrosos da Vale, a mudança viabilizou a construção de uma nova unidade de processamento de minério mais pobre em teor de ferro.

Também viabilizou a adequação de outra unidade já existente para beneficiar o produto que está fora dos padrões internacionais de comercialização.

INVESTIMENTO
Juntas, as duas unidades vão consumir US$ 2,4 bilhões (R$ 3,8 bilhões) em investimentos até 2014, quando entrarão em operação.

As duas unidades terão capacidade de processar entre 20 milhões e 25 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano -algo como 8% da produção total da Vale.

No mercado global, o teor de ferro ideal fica entre 67% e 68%. Minérios mais pobres e com menos ferro contido precisam ser misturados a produtos de mais alta qualidade para serem usados como matéria-prima do aço nos altos-fornos das siderúrgicas.

Após o processamento nas unidades que estarão prontas em 2014, o minério pobre de Itabira será concentrado e passará a ter 67% de ferro.

“O minério australiano [principal concorrente da Vale] está empobrecendo e há uma demanda crescente da China e do Japão por minérios de maior qualidade. Isso abriu também a oportunidade para o investimento em Itabira”, disse Cavalli.

Para o diretor da Vale, o investimento é “economicamente viável” e se sustenta dadas essas novas premissas -preço mais alto e demanda por minério melhor.

Outra vantagem, diz, é que em Itabira toda a logística de escoamento do minério já está pronta e não há necessidade de obtenção de licenças ambientais para abrir novas minas ou barragens e pilhas de rejeitos.

MAIS VIDA ÚTIL
O executivo afirma que a lógica do investimento é estritamente econômica, mas a Vale enfrentou sérios problemas na mineira Itabira, berço da mineradora.

Em 2008 e 2009, a companhia cortou a produção na cidade e demitiu empregados -em sua maioria, os dispensados eram terceirizados.

O projeto de reaproveitamento do minério alonga a vida útil da produção em Itabira em 20 anos. Sem ele, a extração cessaria em 2022.

Itabira ainda é dependente da mineração

A crise fez despencar o consumo de minério de ferro no mundo em 2008 e 2009 e trouxe temor aos 110 mil moradores de Itabira. Quase todos ali vivem direta ou indiretamente da extração mineral.

Durante a crise, milhares de pessoas perderam seus empregos e a arrecadação municipal caiu quase pela metade.

Os reflexos da crise perduraram até meados de 2010, conta o prefeito João Izael Querino Coelho (PR).

Só com o anúncio do investimento nas unidades da Vale, porém, a economia local reagiu.

Cerca de 2.000 pessoas já trabalham nas obras e a expectativa é chegar a 3.500 trabalhadores.

“A cidade vive outro momento. Temos um acordo com a Vale para aproveitar ao máximo a mão de obra local”, diz Coelho.

O prefeito quer, porém, reduzir a dependência em relação à produção mineral e diversificar a economia. A ideia é converter a cidade em polo de serviços de saúde e educação.

O primeiro passo foi atrair para Itabira um campus da Universidade Federal de Itajubá (MG).

Para José Antonio Lopes, presidente da Associação Comercial e Industrial de Itabira, porém, mesmo a obra da Vale trouxe poucos dividendos: a maior parte dos fornecedores é de fora.

A Folha procurou o Metabase-Itabira (sindicato dos trabalhadores em mineração), mas não obteve resposta até a conclusão desta edição.

 

 

Mercado de minério no Brasil está em franca expansão – com meta de autossuficiência, siderúrgicas investirão US$ 12 bi até 2015

Os novos donos do minério

Fonte: Danielle Nogueira – O Globo

Com meta de autossuficiência, siderúrgicas investirão US$ 12 bi em mineração até 2015

A mudança no cenário internacional a partir da crise econômica global de 2008 está levando as siderúrgicas brasileiras a ampliarem seus investimentos em mineração. Com planos de autossuficiência na matéria-prima até 2015, empresas como Usiminas, Gerdau e AcelorMittal estão expandindo suas minas no Brasil. Mesmo a CSN, que já é autossuficiente, está reforçando investimentos na área. Juntas, as quatro vão destinar mais de US$ 12 bilhões nos próximos cinco anos à expansão da atividade mineradora. Por trás dessa estratégia estão esforços para cortar custos e buscar novas fontes de receita. O resultado é uma curiosa disputa concorrencial com a Vale, tradicional fornecedora de minério de ferro no país.

Essa inversão de papéis na cadeia produtiva do aço começou como um movimento defensivo. Com a crise de 2008, tanto os preços do minério de ferro como os de produtos siderúrgicos caíram no ano seguinte e se recuperaram em seguida, mas os ritmos de queda e de alta foram bem diferentes. Enquanto o preço médio da tonelada de minério de ferro exportada pelo Brasil caiu 15% em 2009, o preço médio da tonelada de laminados (tipo de produto siderúrgico) exportada despencou 38%. Em 2010, a discrepância se repetiu. As exportações de minério atingiram recorde, com salto de 86,7% no preço médio da tonelada. O preço médio da tonelada de laminados avançou apenas 13,7%.

Mas o que explica patamares tão diferentes de reajustes de itens da mesma cadeia produtiva? No caso do minério, a resposta vem da China, que mantém seu apetite voraz pela matéria-prima. No caso do aço, a retração das economias europeia e americana, após a crise de 2008, levou à redução no consumo de produtos siderúrgicos. O resultado foi uma sobreoferta que deve se manter até pelo menos 2012, diz a World Steel Association. Projeções da organização indicam capacidade ociosa para este ano de 532 milhões de toneladas de aço, ou 18 vezes o volume que o Brasil deve consumir em 2011.

– Além das mudanças internacionais, houve alterações estruturais no Brasil. Há até alguns anos, havia disputa de preços entre as mineradoras no país. Mas a Vale foi comprando uma a uma (casos de Samitri, Ferteco, MBR entre outras), reduzindo o poder de fogo das siderúrgicas – lembra o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello.

CSN: minério já rende mais do que o aço

Como o minério – junto ao carvão – representa cerca de 50% do custo do aço, as siderúrgicas se viram contra a parede e buscaram fornecimento próprio. A Usiminas foi às compras em 2008 e arrematou uma mina em Serra Azul (MG). Em 2010, atraiu um parceiro internacional, a japonesa Sumitomo, e criou a Mineração Usiminas. Hoje, a capacidade de produção da empresa é de sete milhões de toneladas, ou 40% de sua necessidade. A meta para 2015, quando pretende chegar à autossuficiência, é de 29 milhões de toneladas, o que demandará US$ 4 bilhões.

O presidente da Usiminas, Wilson Brumer, ressalta, porém, que a autossuficiência será econômica. Por questões logísticas, parte da demanda continuará a ser suprida pela Vale. Ainda assim, a MineraçãoUsiminas deve “roubar” mercado de sua fornecedora, pois venderá o excedente.

– Pretendemos vender o minério a preços de mercado – diz Brumer. Gerdau e ArcelorMittal estão no mesmo caminho. A primeira pretende atingir a autossuficiência em 2012, quando deverá produzir sete milhões de toneladas de minério de ferro. O insumo vai abastecer a unidade Aço Minas, única do grupo que consomeminério – as demais usam sucata. A Gerdau não revela investimentos, mas informa que este ano 75% dominério que vai alimentar os altos-fornos da Aço Minas serão de produção própria. O grupo Arcelor, por sua vez, pretende chegar em 2015 com 75% de sua demanda global atendida por produção própria ou contratos estratégicos de fornecimento. Para isso, está investindo no Brasil US$ 75 milhões em projetos de mineração até 2012.

– Vejo a estratégia da Gerdau e da Arcelor como uma busca para redução de custos. As empresas que têm mais chances de tornar a mineração um negócio rentável são Usiminas e CSN – avalia Pedro Galdi, da corretora SLW.

Para a CSN, a rentabilidade dos negócios já aparece no balanço financeiro. No primeiro trimestre de 2011, o lucro bruto do segmento de mineração (R$ 774 milhões) superou o da siderurgia (R$ 670 milhões). A empresa diz que seu principal negócio continua a ser o aço, mas prepara investimentos robustos para ampliar a atividade mineradora: serão R$ 13 bilhões (cerca de US$ 8 bilhões) entre 2011 e 2015, para elevar a produção de 26 milhões de toneladas de minério de ferro para 89 milhões de toneladas. O salto tornará o duelo com a Vale inevitável. Hoje, 75% das vendas totais de minério da CSN são para terceiros.

Para acelerar os investimentos, a empresa pretende abrir o capital de da mina Casa de Pedra (MG) e da Namisa, empresa criada em 2007 e que reúne os demais ativos de mineração do grupo. “Essa abertura (de capital) seria importante para capturar o bom momento da mineração”, diz a siderúrgica. Procurada, a Vale não comentou o movimento das siderúrgicas.

Dinheiro vem até do Cazaquistão

Ilhéus, Caetité e Brumadinho estão no alvo dos investidores

Com a entrada de siderúrgicas na mineração e a chegada de novatas, como a Ferrous – controlada por fundos estrangeiros – e a ENRC, do Cazaquistão, cidades mineiras e baianas estão vivendo um novo ciclo de expansão econômica. Na região de Serra Azul, província mineral do Quadrilátero Ferrífero (MG) onde a Vale ainda não pôs os pés, duas cidades despontam na nova corrida pelo minério de ferro: Brumadinho e Itatiaiuçu. Na Bahia, Ilhéus e Caetité são as apostas.

Elas fazem parte de um novo ciclo da mineração, que deve atrair US$ 68 bilhões em investimentos entre 2011 e 2015, um recorde para o setor, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Dois terços desse total vão para projetos de minério de ferro, carro-chefe do segmento no Brasil.

A cidade de Brumadinho abriga projetos da Ferrous e também da MMX, braço do grupo EBX, de Eike Batista, para mineração. No caso da Ferrous, serão mais de US$ 3 bilhões na fase inicial do projeto, que compreende ainda uma mina em Congonhas (MG), um mineroduto e um porto no litoral capixaba. A MMX vai destinar R$ 3,5 bilhões na expansão de suas minas na região até 2016. Em Itatiaiuçu, estão as siderúrgicas Usiminas e Arcelor Mittal.

A Bahia, por sua vez, foi escolhida pela ENRC para iniciar suas atividades no Brasil. A empresa comprou a Bahia Mineração em 2008 e toca projetos em Caetité, atém então conhecida por suas reservas de urânio, e em Ilhéus. (D.N.)

Com usinas, Vale quer retomar mercado interno

RIO e SÃO PAULO. Embora a Vale não comente oficialmente a estratégia de suas potenciais concorrentes, a visão da nova gestão da mineradora é a de que será preciso compensar a perda do mercado interno. Em 2010, 10,8% das vendas de minério de ferro e pelotas tiveram o Brasil como destino. Em 2005, era quase o dobro: 18,1%. A redução deveu-se mais à demanda chinesa que à retração no consumo interno. AVale não quer, porém, ficar a mercê de conjunturas internacionais e vê na retomada da indústria naval, no pré-sal e nos Jogos de 2016 a chance de ampliar vendas domésticas. O tema foi debatido em reunião entre o novo presidente da empresa, Murilo Ferreira, e a presidente Dilma Rousseff este mês.

No seu objetivo de criar um mercado cativo para o minério no Brasil, a Vale busca ser minoritária nas siderúrgicas, como na ThyssenKruppCSA, no Rio. Além desta, a mineradora tem mais três projetos de usinas: um no Ceará, no qual terá como sócias sul-coreanas, um no Espírito Santo e um no Pará, que serão submetidos ao Conselho de Administração. Os quatro somam US$ 21 bilhões.

Declarações à imprensa de Ferreira ontem sobre seu entusiasmo com os projetos fizeram as ações ON da Vale recuarem 0,74%, para R$ 48,52. A Vale PNA caiu 0,14%, para R$ 44,04. E as ações preferenciais da Bradespar (controladora da Vale) foram a maior queda do Ibovespa, de 1,74%, para R$ 38,32.

Em evento em São Paulo ontem, Ferreira disse que o preço do minério só deve ter novo ciclo de alta em 2012, com a retomada do crescimento chinês. Quanto a estratégia da Vale na siderurgia, o executivo só não consegue responder a uma pergunta. As novas usinas que pretende desenvolver no país comprariam seu minério, mas venderiam aço para quem num cenário de sobre oferta mundial? (Danielle Nogueira e Lucianne Carneiro).

Vale do Rio Doce avalia projeto de fosfato em Patrocínio – presidente da companhia pede análise de risco de todos os projetos e acelera planos no aço

Vale realinha estratégia de crescimento

Fonte: Vera Saavedra Durão e Ivo Ribeiro – Valor Econômico

Minerais e metais: Presidente da companhia pede análise de risco de todos os projetos e acelera planos no aço

Ao completar um mês no comando da Vale, o novo presidente executivo da companhia, Murilo Ferreira, se diz firme e determinado a manter a mineradora no topo do ranking de players globais. Para cumprir essa meta, ele pretende centrar sua gestão em três pilares: retorno para os acionistas, sustentabilidade, e um clima de motivação interna, para que as pessoas possam ter o melhor desempenho na empresa. De viagem marcada esta semana para a Ásia, onde visitará clientes na China e no Japão, Ferreira acaba de solicitar do quadro técnico da Vale uma análise de risco de todos os projetos da empresa para ver a viabilidade econômica e financeira e o estágio atual de implantação de cada um.

Há duas semanas, o executivo foi recebido pela presidente Dilma Roussef, com quem conversou por mais de uma hora sobre as atividades da empresa e pediu o apoio do governo em obras de infraestrutura – hidrovia e porto – fundamentais para viabilizar a siderúrgica Alpa, em Marabá, no Pará. Até agora, Ferreira, um mineiro que gosta de falar pouco – “para tristeza dos jornalistas”, diz – não fez nenhuma troca no time de diretores executivos herdado de Agnelli. Apenas Carla Grasso deixou a equipe, substituída por Vânia Sommavilla. Dizendo-se uma pessoa “muito humilde”, afirmou não ter problema em trabalhar com a equipe do antecessor. Seguidor da cartilha de bons e velhos políticos de Minas Gerais, dá sua receita de como fazer bons negócios: só enviar a carta depois de saber a resposta, como fazia Tancredo Neves.

Países com populações enormes e em expansão continuam demandando sua matéria-prima para conversão em produtos 

Abaixo, os principais trechos da entrevista:

Valor: Faz um mês que você assumiu a Vale. Poderia fazer um balanço da sua gestão nesse período?

Murilo Ferreira: Tem três pilares que considero muito importantes na gestão da nossa equipe – o retorno para os acionistas, uma visão abrangente de sustentabilidade e o clima organizacional. O retorno para os acionistas – nossa obrigação e preocupação de todos os dias mais excelência operacional – vai dar todas as motivações aos conselheiros para irmos em frente com esta legião de projetos da empresa. E uma empresa que não seja alinhada com sustentabilidade não pode sobreviver neste século. Tem de ter todas as preocupações, em todos os níveis de extensão da palavra. Sobre clima organizacional, francamente não acredito que as pessoas possam ter seu melhor desempenho, trazer criatividade e inovação se não estiverem no ambiente propício, para que se sintam motivadas na equipe. Tive a honra e a felicidade de fazer parte da gestão da Vale desde a sua privatização, com Benjamin [Steinbruch], Jório Dauster e Roger [Agnelli]. É uma responsabilidade muito grande continuar gerando resultados. Ao fim desse primeiro mês, estou extremamente energizado. Recebi alguns clientes e alguns fornecedores. E deverei iniciar uma viagem à Ásia na próxima semana, onde vou rever amigos.

Valor: O senhor esteve, inclusive, com a presidente Dilma?

Ferreira: Sim. Ela admira a Vale e acha que a empresa construiu uma história importante na indústria de mineração no Brasil. Mostrou muito entusiasmo pelos planos de investimento que mostrei a ela, que são bastante audaciosos. Como sou uma pessoa detalhista e a presidenta também, tivemos a oportunidade de discorrer pelos diversos projetos da carteira da Vale, que é enorme.

Valor: Pode citar alguns dos planos pelos quais ela se entusiasmou?

Ferreira: Viu como muito positiva nossa inserção em minério de ferro no Brasil e na África. Também falamos sobre fertilizantes, assunto que temos dado muita ênfase na empresa, discorremos sobre logística, falei um pouco sobre siderurgia, sobre projetos de Carajás e Simandou, na Guiné

Valor: Ela chegou a sugerir algumas prioridades para a Vale?

Ferreira: Não sugeriu, apenas ouviu atentamente. Pedi o apoio dela, pois nesses diversos projetos é importante que haja colaboração com o governo federal. Por exemplo: no assunto da Alpa (projeto siderúrgico do Pará) precisamos do apoio dela para a hidrovia e o porto Vila do Conde. Ela ficou bastante entusiasmada com notícias que dei dos projetos [siderúrgicos] do Ceará e do Pará e me disse da importância do desenvolvimento dessa parte da infraestrutura pelo governo.

Valor: Ela chegou a tratar da questão dos royalties com você?

Ferreira: Esse assunto passou muito de relance, pois ela tinha mais compromissos na agenda. Quanto aos royalties e qualquer outro tributo, a industria de mineração brasileira precisa ser competitiva. Para que isso ocorra, devemos incorrer em tributos que não nos deixem em desvantagem com os países tradicionais em mineração, como Austrália e Canadá, e com os emergentes, especialmente na África e na Ásia. Caso contrario, os investimentos serão reduzidos e talvez em montante significativo. As empresas brasileiras são tributadas até quando fazem investimentos, apesar de ainda não gerarem um centavo de receita. Estou confiante, e tenho certeza, que o governo da presidente Dilma entende a necessidade de sermos competitivos.

Valor: No programa estratégico da Vale, o que está sendo acelerado e o que está em revisão? Os US$ 24 bilhões de investimento para este ano estão mantidos?

Ferreira: Eu solicitei que fosse feita uma análise de risco dos projetos para ver todas as fases em que cada um se encontra, fisicamente e do ponto de vista de viabilidade econômico-financeira. Quero verificar isso nessa carteira enorme da Vale. Especialmente nos maiores projetos. Deverei recebê-la nos próximos 30 a 40 dias. Não é nenhuma auditoria, é uma avaliação interna. Como disse o presidente do conselho, Ricardo Flores, no dia da minha posse, o planejamento estratégico e o orçamento estão mantidos. Não estamos fazendo uma revisão, apenas atualizando. Sabemos que há hoje no Brasil problemas relacionados a fornecedores, empreiteiras, licenças ambientais, de mao de obra qualificada e de diversas origens. Se há problemas, vou mitigar a tempo.

Valor: Fertilizantes é uma área estratégica na Vale. Quais são os projetos que vocês estão pretendendo avançar mais nesse negócio?

Ferreira: Temos a operação de Taquari-Vassouras (em Sergipe) e estamos analisando o projeto de Carnalita, ao lado. Vamos esclarecer pendências com a Petrobras em relação à concessão e ao preço do gás. Há o projeto de Salitre, de fosfato, em Patrocínio, Minas Gerais, que estamos em fase de avaliação, e o de Regina, no Canadá, que está um pouco mais atrasado. Em potássio, há três países no mundo com posições salientes: Canadá, Rússia e Bielorússia.

Valor: A Vale vai fazer mais aquisições nessa área?

Ferreira: A Vale tem um plano de investimento nos próximos cinco anos muito agressivo. Mas aquisições só em situações especiais e oportunas. Só com este projeto da Argentina (potássio), a empresa dá um salto muito grande na produção. Hoje, estamos concentrados na nossa eficiência operacional, nos ativos existentes e em realizar esse plano extenso da Vale da forma mais segura – em implantação e dispêndio de capital.

Valor: Parece que com sua carteira de projetos em todas as áreas, até 2015, a Vale dobraria de tamanho em produção de bens minerais.

Ferreira: Não usaria esta expressão. Mas a gente permaneceria com uma posição confirmada de liderança, especialmente no minério de ferro e no níquel. Podendo crescer muito em fertilizantes, cobre e carvão.

Valor: Como está o projeto de minério de ferro Simandou, na Guiné?

Ferreira: Ao retornar da Ásia fico alguns dias no Brasil e depois vou à Guiné. Esse projeto é uma iniciativa muito importante da Vale. A Vale fez um acordo para investir nos lotes 1 e 2 do projeto Simandou e Zogota, que é uma mina menor. Após a decisão da Vale houve muitas mudanças políticas no país. O presidente Condé foi eleito pelo voto democrático e com isso houve uma negociação com a Rio Tinto, que está consorciada com a Chalco (da China) em um projeto ao lado Chegaram a um acordo. Nós, da Vale, estamos aguardando para fazer reuniões com o governo, uma conversa ampla sobre as diversas implicações – em logística, de cooperação com a comunidade, responsabilidade social.

Valor: Você acha que vai caminhar para um acordo parecido ao da Rio Tinto/Chalco, que estão pagando US$ 700 milhões?

Ferreira: Também fizemos uma transação ao comprar 50% do projeto. E alguém vendeu. Parece que o governo está solicitando do vendedor ajustes. Ou seja, é responsabilidade de quem nos vendeu. É o recolhimento dos tributos, assunto que não nos diz respeito. A Vale acertou valor de US$ 2,5 bilhões pelo controle do projeto: pagou US$ 500 milhões e o restante depende de uma série de eventos que vão ocorrer nos próximos anos para se fazer jus ao pagamento total. Com a Vale, no momento, o governo da Guiné quer renegociar o projeto num pacote único.

Valor: Mas o governo da Guiné não quer ter também uma participação no negócio, de 35%?

Ferreira: Nunca recebemos esta informação. Devem estar se referindo ao fato de que a Rio Tinto fez um negócio com eles pelo qual o governo, no longo prazo, poderá ter até 35% do projeto. A Vale não tem nenhuma correspondência que trate desse assunto. Parte do projeto, o de Zogota, já está sendo tocado. Tem serviços importantes adiantados, como a terraplenagem. Este é um projeto menor e já deveremos estar produzindo 1 milhão de toneladas em 2012. Está projetado para atingir 15 milhões de toneladas. Com as fases norte 1 e 2 de Simandou, serão mais 50 milhões de toneladas. É um projeto gigante.

Valor: A Vale está presente em vários países na África.

Ferreira: Tenho muita alegria em participar de todos esses projetos que ajudam a trazer empregos e oportunidades de redução de desigualdade. Temos muito interesse em Moçambique, Guiné, Zâmbia, Malawi, Congo e Libéria.

Valor: Quais são suas projeções para o minério de ferro até 2015?

Ferreira: Estaremos com produção em torno de 469 milhões de toneladas em 2015, vindo de 296 milhões toneladas no ano passado. Pretendemos confirmar nossa posição de liderança em minério de ferro e níquel.

Valor: Como você vê a conjuntura internacional nesse momento. Esse ciclo virtuoso do minério já vem desde 2003/2004 e há agora muitas incertezas no cenário global, com economias esfriando, inclusive a da China. Você está confiante no cenário de demanda de minério?

Ferreira: A companhia tem uma disciplina de capital muito forte e só vai investirá nos projetos que atendam as premissas básicas. Temos muito respeito por uma lei chamada oferta e procura. Sobre o cenário econômico mundial, vejo que as medidas dos Estados Unidos de revigoramento da economia se mostraram insuficientes, com crescimento bem abaixo do esperado. A Europa está se defrontando com problemas oriundos, inclusive, do euro, enfrentando hoje essas situações de tensões. Isso é o Velho Continente. Por outro lado, ocorre uma inclusão – e eu dou graças a Deus por pertencer a esta geração – das grandes populações mundiais, que passaram a ter acesso a conforto básico nas suas vidas. Podemos apontar China, Índia, Brasil, Indonésia, países que estão crescendo de forma muito relevante. Acredito, pelo tanto de pessoas que são incluídas socialmente, que haverá demanda muito forte na construção civil, por utensílios domésticos, automóveis…

Valor: E a China?

Ferreira: Acho que vive dois problemas. Embora a inflação do mês passado tenha sido 5,5%, a de alimentos bateu em 11%. Isso fez com que o governo, desde outubro, tomasse nove medidas macroprudenciais. Os resultados já estão à vista: redução do nível de atividade, uma certa indisponibilidade de capital de giro – as empresas, especialmente as pequenas e médias, estão com mais dificuldade de acesso ao sistema bancário. Mas o governo já fez um relaxamento nos depósitos compulsórios. Essa é uma situação que preocupa, mas vemos sinais de abrandamento. O outro problema, até pouco discutido no Brasil, é que a China passou por um período de seca muito intenso este ano, reduzindo a disponibilidade da sua energia hidráulica. O governo teve que adotar medidas de racionamento em algumas regiões. Mesmo assim, estou muito confiante que veremos, ainda este ano, a China voltando a crescer em níveis de 9%. Cada vez mais, sob o ponto de vista absoluto, serão taxas menores, pois a base é muito maior. A China já é a segunda economia do mundo.

Valor: Qual é a estratégia da Vale para a siderurgia? A empresa vai continuar mantendo projetos com parceiros exportadores e consumidores do produto? O mundo hoje está com excesso de aço.

Ferreira: A China, no ano passado, produziu 630 milhões de toneladas de aço e este ano, em abril, atingiu 715 milhões de toneladas em base anualizada. O que quero dizer é que os chineses continuam fazendo usinas siderúrgicas. Esse excesso que pode haver não está na China, está em unidades mais antigas, obsoletas, em outras partes do mundo, de empresas que perderam competitividade. Essa é a realidade: os países com forte crescimento, com populações enormes, continuam demandando suas matérias-primas para conversão de produtos elaborados.

Valor: E a Vale…

Ferreira: A empresa tinha 70% do mercado interno de fornecimento de minério de ferro. Hoje, está em torno de 50%. E a previsão para 2014 é baixar para 29%. Ora, sabemos que a economia tem ciclos de altas e baixas. E temos passado por ciclos muito positivos no passado recente. Eu quero ter um mercado cativo no Brasil de minério. Queremos, portanto, recuperar nossa participação e, para isso, estamos agindo como indutores de projetos. O da usina de Pecém (Ceará), por exemplo, é uma associação com as coreanas Posco e Dongkuk. No início, vai começar com 50% da Vale e 50% das coreanas. Mas já está combinado que até 2013/2014 vamos reduzir nossa participação para 20%. A Posco vai adquirir 30%. Este projeto é muito importante e vai criar uma situação muito agradável ao trazer o progresso para uma região brasileira que agora cresce a dois dígitos.

Valor: E sobre a Alpa, no Pará?

Ferreira: Esta usina terá sua implantação, assim como a de Pecém, submetida ao conselho da Vale no segundo semestre. No caso da Alpa vamos começar com 100% de participação, mas sabemos que daqui a pouco tempo vai gerar interesse de outras empresas mundo afora, quando verem os percentuais de crescimento do Brasil, especialmente no Norte e Nordeste. Mas a Alpa já tem uma aliança com o grupo Aço Cearense para transformar parte do aço em laminados. O governo tem um pacote importante que é o da infraestrutura hidroviária e do porto de Vila do Conde. Esperamos no segundo semestre deslanchar.

Valor: E a questão da construção des barcaças para transportar o minério da mina de Corumbá? Vão ser mesmo construídas na China?

Ferreira: Quando cheguei na Vale e vi essa solução, não concordei com os estudos que indicavam a logística de barcaças e empurradores. Estou reavaliando o assunto internamente. Houve atraso de mais de oito meses na entrega por parte da Rio Maguari, empresa contratada, causando perda de praticamente 500 mil toneladas de minério de ferro. Quero uma solução mais competitiva e menos onerosa para a Vale. Encomendando no Brasil ou no exterior, achei caro.

Valor: A Vale vai entrar na mineração de terras raras?

Ferreira: Vamos. E me deixa muito feliz porque vai ser no Triângulo Mineiro (Araxá, Uberaba e Uberlândia), a região onde nasci. Temos jazidas em Araxá e em Catalão (GO). Considero esses minérios estratégicos e hoje a China tem 96% desse mercado. Estamos na fase de exploração mineral, de análises e eu mandei acelerar esses estudos.

Valor: E energia? Além de Belo Monte, vão entrar em alternativas?

Ferreira: Sou entusiasta de energia alternativa. Espero ter a alegria de aprovar projetos de eólica, de biomassa. Há uma melhoria grande na tecnologia e em custos.

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