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Posts Tagged ‘Usiminas’

Siderurgia: importação volta prejudicar o setor

A valorização do real e o enfraquecimento da economia na Europa e EUA ajudaram a tornar o aço importado mais competitivo.

Importações voltam a afetar siderúrgicas

 

Fonte: Gleise de Castro – Valor Econômico

Depois de encerrarem 2011 com queda de 35,9%, as importações de aço de todos os tipos voltaram a crescer no primeiro bimestre deste ano, de acordo com levantamento do Instituto Aço Brasil (IABr), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As compras externas somaram 658 mil toneladas, com acréscimo de 9,5% ante o mesmo período do ano passado. Em fevereiro, o aumento foi maior, de 24,2% em relação a fevereiro do ano passado.

Em 2011, foram importadas 3,8 milhões de toneladas, no valor de US$ 4,5 bilhões FOB. No primeiro bimestre deste ano, o valor chegou a US$ 803,7 milhões. Esses números incluem aços planos, longos e produtos semi-acabados e transformados e os principais fornecedores localizam-se na Europa e na China.

O setor vem convivendo com aumento das importações desde os últimos anos da década passada e a principal razão apontada pelos ramos que mais compram aço no exterior são os preços praticados no mercado interno, bem acima dos níveis internacionais. No acumulado de 12 meses até fevereiro, os preços do aço medidos pelo IGP-DI acusaram aumento de 4,33%. Na apuração desse índice, eles revelam uma linha contínua de alta desde agosto de 2011. A CSN acredita que ainda há espaço para aumento de 5% a 10% neste ano, em função da demanda aquecida em praticamente todos os setores, desde a construção civil e linha branca até o automobilístico. Já para a Usiminas, os preços do aço devem se manter estáveis no mercado interno em 2012.

A valorização do real e o enfraquecimento da economia na Europa e EUA ajudaram a tornar o aço importado mais competitivo. Os incentivos fiscais de alguns governos estaduais, que oferecem descontos consideráveis no ICMS de importados, funcionaram como um estímulo a mais para o aumento das importações.

Segundo Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) e do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), até o começo da década passada, as importações de aço plano in natura (na forma de bobinas e chapas) não passavam de 5% a 6% do consumo aparente brasileiro. Em 2009, já eram 13% do consumo interno.

Em 2010, houve uma verdadeira invasão de produto importado, que chegou a 23,8% do consumo brasileiro de aço plano in natura, e, de acordo com Loureiro, as siderúrgicas se viram forçadas a baixar os preços, levando as importações a recuarem, em 2011, para uma fatia equivalente a 15% do consumo doméstico. “Até 2007 e parte de 2008, a siderurgia trabalhava lotada, com 90% da capacidade instalada, porque havia demanda mundial e o que não conseguia vender aqui, exportava. Agora, não conseguem exportar por causa do dólar baixo”, afirma Loureiro.

“As usinas brasileiras adotaram uma postura mais agressiva no ano passado, com margens de lucro mais apertadas. A diminuição do preço contribuiu diretamente para a redução da entrada de material estrangeiro no país”, afirma.

Segundo importadores, o IABr tem movido processos judiciais questionando a qualidade do aço adquirido no exterior para tentar impedir a entrada dos importados. No ano passado, carregamentos de aço importado, especialmente de produtos destinados à construção civil, foram retidos em alguns portos do país. Segundo Rubson Lopes Nogueira, presidente da Cobraço, distribuidora da fabricante espanhola Celsa, “qualquer aço que entrar no Brasil de forma legal, com licença de importação e certificação da ABNT e Inmetro, é, no mínimo, igual ao nacional em nível de qualidade”.

 Link da matéria: http://www.valor.com.br/especiais/2605802/importacoes-voltam-afetar-siderurgicas

Siderurgia: Usiminas quer retomar a competitividade

Empresa reforçou seu portfólio de produtos. Novo laminador tem capacidade inicial de 2,3 milhões de toneladas por ano.

Usiminas concentra-se na retomada das margens

 

Fonte: Roberto Rockmann – Valor


Sob novo controle desde o início do ano, a palavra de ordem na Usiminas em 2012 é retomada. A intenção da diretoria é traçar um conjunto de ações para recuperar a competitividade e as margens operacionais. Em 2011, a siderúrgica mineira encerrou com produção de 6,7 milhões de toneladas de aço e vendas de 5,9 milhões de toneladas, uma queda de 8% e 10%, respectivamente, na comparação anual, enquanto a margem Ebitda atingiu 10,6%, uma baixa de 9,8 pontos percentuais em relação ao apurado em 2010.

“Estamos no início de um projeto, estruturando com maior velocidade possível nossas estratégias para direcionar a Usiminas para a retomada de sua competitividade e melhoria das margens”, afirma Julián Eguren, que assumiu a presidência da empresa em janeiro, substituindo Wilson Brumer, que esteve dois anos à frente do cargo. A troca no comando se deu em meio à reorganização societária da siderúrgica, que em janeiro anunciou um novo acordo de acionistas. O grupo Techint adquiriu as ações da Camargo Corrêa e da Votorantim, passando a integrar, ao lado da Nippon Steel e da Caixa de Empregados (CEU), o bloco de controle da Usiminas.

No caminho da retomada, foram feitas mudanças na diretoria executiva. A vice-presidência de siderurgia foi dividida em duas: comercial e industrial. “Isso permitirá uma atuação mais focada nos problemas e nos diferenciais, além de trazer mais agilidade à tomada de decisão”, diz Eguren.

A área industrial focará no aumento da eficiência operacional, controlando de forma rigorosa os custos e o capital de giro. “Teremos um plano detalhado de manutenção de cada linha, com indicadores precisos que ajudem o planejamento e que permitam reagir às mudanças conforme a demanda e deem flexibilidade na gestão dos principais insumos.”

Já a vice-presidência comercial atuará de forma mais integrada com o cliente. Nesse contexto, foi criada a diretoria de supply chain, que será responsável por acompanhar de forma minuciosa todo o processo de atendimento ao cliente, do pedido à entrega, minimizando o custo logístico e trazendo mais agilidade ao processo. “Enfrentamos um mundo cada vez mais volátil e competitivo. Nesse contexto a área comercial está concentrada em recuperar o espaço perdido para os produtos importados. Para isso, é fundamental estarmos mais próximos dos nossos clientes, melhorando o nível de serviço e de produtos”, analisa.

A empresa reforçou seu portfólio de produtos. O novo laminador de tiras a quente, na Usina de Cubatão (SP), tem capacidade inicial de 2,3 milhões de toneladas por ano. O equipamento permitirá à empresa expandir sua lista de bens mais nobres para o segmento industrial, em mercados como o de tubos de grande diâmetro, autopeças, máquinas e equipamentos industriais e construção civil. A efetivação do projeto é vista como a conclusão de um ciclo de investimentos para agregar valor ao mix produtivo da Usiminas.

Com o novo laminador e com os investimentos na duplicação da capacidade produtiva de aços galvanizados e na implantação da tecnologia CLC (que permite a produção de chapas grossas especiais para a indústria naval e para a cadeia do pré-sal) a Usiminas passa a contar com produtos mais competitivos e com maior conteúdo tecnológico.

Link da matéria: http://www.valor.com.br/especiais/2605812/usiminas-concentra-se-na-retomada-das-margens

Mineradoras: empresas investem em inovação

Mineradoras e siderúrgicas buscam novas técnicas para melhoria dos processos de reaproveitamento e beneficiamento de produtos.

Minério mais escasso dá impulso a novas técnicas

Fonte:  Carmen Nery –  Valor Econômico

Com a menor disponibilidade na natureza do minério granulado (“lump ore”, no jargão do setor), o de maior volume (mede entre 6 e 30 mm) e que pode ir direto aos alto fornos, mineradoras como a Vale e a MMX vêm adotando novas técnicas para aproveitamento do minério fino do tipo “pellet feed”, de granulometria de até 0,15 mm, praticamente uma poeira que precisa passar pelo processo de pelotização antes de ser lançada ao forno.

Vale é responsável por 56% do mercado mundial de pelotas e desenvolve novos aglomerantes e processos físicos no Centro de Tecnologia de Ferrosos em Nova Lima (MG), diz Luiz Mello, diretor do Instituto Tecnológico Vale (ITV), que conta com uma unidade no Pará, dedicada ao desenvolvimento sustentável, e outra em Minas Gerais, voltada a pesquisas em mineração. Segundo Mello, muitos estudos estão concentrados na crescente mecanização e na exploração em camadas mais profundas, já que o minério na superfície é cada vez mais escasso.

A empresa também desenvolveu uma técnica para reaproveitamento de materiais ultrafinos, sobras do processo da mineração que antes eram depositadas em lagos artificiais. A ideia é desmistificar o conceito de que só é possível lavrar minério uma única vez. O investimento total no projeto é de cerca de US$ 2,4 bilhões. “É possível aproveitar 50% dos rejeitos”, diz Lúcio Cavalli, diretor de projetos ferrosos da Vale.

Com o esgotamento das jazidas dos minérios nobres no quadrilátero, em Minas Gerais, a MMX está introduzindo na unidade de Serra Azul uma planta com capacidade para beneficiar o itabirito duro – processo em que a separação de material contaminante, como a sílica, é mais complexo. “A MMX é a pioneira neste processo no Brasil”, observa Antonio Schettino, diretor de operações da empresa.

As siderúrgicas apostam nas inovações em produtos. Com quatro centros de P&D – dois no Brasil, um nos EUA e um na Espanha – a Gerdau vem desenvolvendo aços especiais sobretudo para a indústria automotiva. Um exemplo são os aços nanoligados. No Brasil, três novos produtos no segmento de aços especiais chegaram ao mercado em 2011.

Mercados estratégicos como o automotivo e o de óleo e gás, por exemplo, requerem soluções cada vez mais tecnológicas. “As siderúrgicas devem não apenas para atender a demanda, mas se antecipar às novas tendências de uso e aplicação do aço”, diz Rômel Erwin de Souza, vice-presidente de tecnologia e qualidade da Usiminas, que conta com um centro de tecnologia para dar suporte ao desenvolvimento de processos e produtos, especialmente os de destinação mais nobre.

Com o objetivo de integrar valor à indústria de óleo e gás, a Usiminas investiu cerca de R$ 540 milhões na tecnologia CLC, que permite a produção de chapas grossas com alta resistência mecânica e melhor desempenho em soldagens – características ideais para melhor performance em grandes profundidades marítimas, como a camada pré-sal.

CSN vem trabalha para ser o maior player na área de construção civil, segundo Eneida Jardim, gerente comercial de desenvolvimento de mercado. O objetivo é atender a crescente industrialização dos processos de construção com produtos como o Light Steel Franing – estruturas leves de aço que formam redes e substituem os tijolos e o concreto. “Uma casa de 50m² que em alvenaria levaria dois meses para ser construída, fica pronta em 20 dias neste sistema.”

Link da matéria: http://www.valor.com.br/especiais/2605804/minerio-mais-escasso-da-impulso-novas-tecnicas

CVM conclui que não houve mudança no controle da Usiminas

Usiminas não fará oferta a minoritários que podem recorrer à Justiça para garantir direitos.


SIDERURGIA

Previ, maior fundo de pensão do Brasil, vai avaliar se busca seus direitos na Justiça

Fonte: Denise Carvalho – Brasil Econômico

grupo Techint está livre de ter de pagar o “tag along” para os acionistas minoritários da siderúrgica mineira Usiminas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o regulador do mercado de capitais, concluiu que não houve mudança de controle ou modificação na predominância de novo grupo controlador na operação em que a Techint ingressou no capital da companhia. Desse modo, a autarquia afastou a hipótese de incidência da oferta pública de aquisição (OPA), o que levaria à realização de “tag along”.

Parecer da CVM afirma que não houve mudança no controle acionário da siderúrgica mineira

Esse mecanismo é uma proteção aos acionistas minoritários detentores de ações ordinárias (que dão direito a voto) que garante o pagamento do preço mínimo de 80% do valor pago por ação ou lote de ações em caso de venda de empresa. Na compra de 25,97% do capital votante da siderúrgica que pertencia à Camargo Corrêa e à Votorantim e da fatia de 1,69% da Caixa dos Empregados da Usiminas (CEU), o grupo Techint pagou cerca de R$ 5 bilhões, o equivalente a R$ 36 por ação.

No argumento, a CVM destacou que o Novo Acordo de Acionistas, ao manter, na essência, os mesmos mecanismos e princípios de governança do acordo original, não dará à Techint o direito de eleger a maioria dos membros do conselho de administração e dos administradores. A Previ, maior fundo de pensão do país, que apresentou o pedido de avaliação à CVM pelo pagamento do “tag along”, avaliará se vai buscar seus direitos no Tribunal de Justiça.

Usiminas: controladores em pé de guerra

Conflito: ponto mais nevrálgico das discussões é o preço do minério de ferro fornecido pela Usiminas Mineração às operações da siderúrgica.

Sócios da Usiminas entram em confronto


Discordâncias envolvem os negócios de distribuição de aço, produção de bens de capital e a área de suprimentos. Ponto nevrálgico é o preço do minério de ferro

Fonte: Denise Carvalho – Brasil Econômico

Sócios da Usiminas entram em confronto

O tempo fechou entre os grandes acionistas que formam o bloco de controle da siderúrgica mineira Usiminas. A companhia ítalo-argentina Techint – que ingressou no capital social da companhia no início do ano com a compra das participações de Votorantim e Camargo Corrêa – e o grupo de empresas japonesas, lideradas pela Nippon Steel, estão em divergências sobre aspectos considerados cruciais para os negócios. As discordâncias envolvem a Usiminas Mineração, a Soluções Usiminas (distribuidora de aço), a Usiminas Mecânica (divisão de bens de capital) e a área de suprimentos.

O ponto mais nevrálgico das discussões hoje entre os controladores é o preço do minério de ferro fornecido pela Usiminas Mineração às operações da siderúrgica. Controlada pela Usiminas (70%) e pelo grupo japonês Sumitomo (30%), essa empresa é o braço de extração de minério de ferro da Usiminas que abastece a própria siderúrgica, atende o mercado interno e exporta. Segundo apurou o BRASIL ECONÔMICO, a Techint quer rever os cálculos acertados pela Usiminas e pela Sumitomo para formar o preço do minério de ferro, que hoje têm como base os valores cobrador pela Vale.

Na lógica do grupo ítalo-argentino, a qualidade do minério de ferro da Usiminas Mineração é inferior ao da Vale, o que justificaria uma redução de preços ou a compra do minério de fornecedores locais. Além disso, na avaliação da Techint, não faz mais sentido usar os valores do minério de ferro da Vale como referência, uma vez que hoje, a mineradora brasileira não é o único fornecedor externo preponderante desse tipo de material. Os japoneses, por sua vez, rebatem com o argumento de que ao comprar o minério de ferro de outros fornecedores, a Usiminas Mineração deixará de faturar com a venda do material para a siderúrgica.

Procurados para comentar o assunto, a Usiminas e a Techint informaram, por meio da assessoria de imprensa, que desconhecem as discussões. A siderúrgica reforçou que esse assunto é tratado apenas no âmbito dos acionistas. A Nippon Steel não se manifestou.

Lista de desacordo

Outro importante ponto de discordância é a proposta de mudança do sistema de compras. A Techint quer substituir o atual sistema da Usiminas pela plataforma usada pelo grupo ítalo-argentino, o Exiros, baseado em Buenos Aires. A Nippon Steel rechaça. Os japoneses também querem evitar executivos ligados à Confab, divisão de petróleo, óleo e gás da Techint, em posições estratégicas na Usiminas Mecânica. Os japoneses entendem que há conflitos de interesse, uma vez que as duas companhias são rivais de mercado.

Na área de distribuição, a Techint já avisou que não gosta de ter parceiros. Um problema para a Nippon Steel: a Usiminas tem parceria com a Metal One – empresa do grupo Mitsubishi – na Soluções Usiminas, distribuidora de aço que atende o setor automotivo. Para uma fonte ouvida pelo BRASILECONÔMICO, os japoneses estão atordoados. “Eles gostam de ser consultados e tomar decisões em conjunto, mas estão sendo atropelados”.

Link da matéria: http://www.brasileconomico.ig.com.br/assinaturas/epapers.html

Chuvas que caem no quadrilátero ferrífero de Minas ameaçam reduzir em 50% produção de minério na região de Serra Azul

Mineração

Fonte: Vera Saavedra Durão – Valor Econômico

Chuvas fazem cair a produção de minério de ferro em Minas

As incessantes chuvas que caem sobre o quadrilátero ferrífero de Minas Gerais ameaçam reduzir a metade a produção de minério de ferro explorado na região de Serra Azul pela MMX, Usiminas e ArcelorMittal neste mês. O terminal de Sarzedo, o maior da região, que embarca o minério nos vagões da ferrovia MRS Logística, estava programado para carregar este mês 800 mil toneladas entre minério e ferro-gusa, mas o aguaceiro derrubou as expectativas de carregamento para pouco mais de 400 mil toneladas, disse ao Valor Diogo Viveiros, empresário da Operadora Logística, que divide a sociedade do terminal com MMX e Usiminas.

Na Serra Azul estão situadas onze minas, sendo duas da MMX, uma da ArcelorMittal, quatro da Usiminas (das quais a principal é a Musa, antiga J. Mendes), a Minerita, de um empresário mineiro chamado Dilson, e a mina da Comisa, de Eduardo Ferreira. Ao todo, a estimativa para a produção de minério em janeiro era de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, que no calculo de Viveiros, deve cair para cerca de 600 mil a 650 mil toneladas devido às enxurradas que dificultam a mineração, rompendo barragens de rejeito, prejudicando o fluxo dos caminhões e afetando os processos das plantas de concentração de minério.

A Rodominer, que tem 77 caminhões trabalhando na Serra Azul, só transporta minério para a ArcelorMittal Serra Azul (AMSA), que está com sua produção quase que estagnada por conta da chuva. “Tem mês que carregamos até 7 mil toneladas ao dia de minério da AMSA, mas neste janeiro estamos retirando em média 1 mil a 1,5 mil toneladas, pois a água, segundo Viveiros, atrapalha a retirada da commodity e dificulta o carregamento dos caminhões. “Este é um fenômeno que costuma se repetir nesta época do ano, mas este ano está pior”, comentou.

A MMX, em nota, admitiu que em função do elevado volume de chuvas nos meses de dezembro e janeiro, em Minas Gerais, a produção de minério de ferro da sua unidade de Serra Azul foi afetada, o que está levando a empresa a priorizar a segurança das operações em relação ao volume de produção. Até agora, porém, a companhia não pretende revisar sua programação anual.

A Vale e a CSN também estão sofrendo os efeitos da chuva. As minas da CSN estão localizadas em Congonhas e Lafayete. Segundo fontes próximas da empresa, a meta é produzir este mês 2,5 milhões de toneladas de minério de ferro em suas duas minas: Casa de Pedra e Namisa. O interlocutor garante que apesar da chuvarada as perdas têm sido pequenas. Apesar da situação, assessoria de imprensa informou, todavia, que produção está em linha com as épocas de chuvas, como janeiro.

Já a Vale, a maior mineradora do país, que concentra 60% de sua produção em Minas Gerais, não se pronunciou sobre os efeitos da chuva na produção das minas na região de Congonhas, Mariana e outras, nem se manifestou sobre as notícias de paradas na Estrada de Ferro Vitória a Minas. No final de semana, o jornal “Estado de Minas” noticiou que estava havendo interrupções temporárias de produção de minério de ferro nas minas da companhia na região devido aos temporais.

Usiminas e ArcelorMittal usam boa parte de sua produção para consumo em suas usinas de aço, mas também exportam volume pequeno de minério de ferro. A Usiminas abastece parte da usina de Ipatinga com minério próprio e da Vale, além de fornecer também o insumo para a Cosipa, na Baixada Santista (SP). A MMX vende parte do minério que produz para a Vale mas também é exportadora.

Viveiros informou que também ocorre dificuldade de transporte do minério de ferro pela MRS, cuja malha ferroviária foi muito afetada pelas chuvas com desabamentos de pontes e alagamentos em diversos pontos da estrada de ferro. O minério carregado é estocado nos terminais de Sarzedo e de Serra Azul, de propriedade do dono da Minerita.

A Usiminas intensificou o transporte de minério de ferro por via terrestre como alternativa a interrupções na rede ferroviária que escoa a produção de suas minas em Serra Azul para a usina de Cubatão, em São Paulo. A empresa diz que a iniciativa buscou preservar o fluxo de produção de minério. Segundo diz, está em linha com o planejamento previsto no período, apesar das dificuldades.

Parte do minério foi transportada até dois terminais da MRS em Brumadinho e São Joaquim de Bicas, cidades próximas às suas operações. Já para Ipatinga – feito pela Ferrovia Centro-Atlântica – não foi prejudicado, informou.

A commodity é levada pela ferrovia até os portos da Vale e da CSN em Itaguaí (RJ). Viveiros evitou falar em preços do minério, mas acredita que se persistirem as perdas com a chuva, a cotação pode voltar a subir no mercado internacional, principalmente se a Vale sofrer redução na sua produção. (Colaborou Eduardo Laguna, de São Paulo)

Indústria naval impulsiona economia de Ipatinga, produção de peças de navios já representa 25% faturamento das empresas da região

Economia, desenvolvimento econômico, geração de emprego

Fonte: Marcos de Moura e Souza  -Valor Economico

Mesmo sem mar, Minas já produz navios

Ipatinga – Siderúrgicas e mineradoras foram durante anos os principais clientes das empresas de metal mecânica da cidade mineira de Ipatinga e vizinhança. Nos últimos anos, no entanto, os empresários locais passaram a se entusiasmar com um novo filão: a indústria naval. Para muita gente de fora da região do chamado Vale do Aço, a aposta ainda é vista com certa incredulidade. Como é que empresas do interior de Minas podem produzir peças para navios?

Não somente estão produzindo peças como cascos inteiros. Os clientes são, sobretudo, estaleiros do Rio que montam os navios, a maioria deles, encomendados pela Petrobras. Para algumas empresas de Ipatinga, o setor naval já representa 25% de seu faturamento.

As fábricas do Vale do Aço, na região sudeste de Minas Gerais, que colocaram um pé na indústria de navios, o fizeram por puro esforço de sobrevivência. Foi durante a primeira fase da crise financeira internacional, em 2008, que alguns empresários da região, reunidos em torno do sindicato patronal, resolveram que era mais do que hora de reduzir sua dependência em relação às mineradoras e às siderúrgicas – duramente golpeadas pela paralisia global.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval 
A indústria naval surgiu como uma hipótese. Com o pré-sal e a demanda crescente do Brasil por sondas, plataformas e navios de apoio, aquele parecia um setor certo para quem tinha experiência, capacidade operacional, escala e alguma ociosidade. A hipótese estava certa.

“De 2009, quando fechamos nosso primeiro contrato, para cá, já fabricamos mais de 20 blocos [de navios]”, disse Flaviano Mirco Gaggiato, presidente da Viga, uma das empresas de Ipatinga que passaram a prestar serviços para estaleiros do Rio. Os blocos são grandes peças de aço – alguns deles medindo 30 metros por 17 metros – que formam o casco dos navios. As peças são partidas em quatro e transportadas por caminhão.

“Esses blocos estavam sendo feitos por estaleiros que ou começaram a ficar com pouco espaço para tanto trabalho ou que passaram se focar na construção final de navios”, afirmou Gaggiato. “Além disso, a demanda aumentou muito. Para cada plataforma, a Petrobras precisa de cinco navios de apoio”, completou.

A Viga produz blocos para os estaleiros STX e ETPO. Ambos no Rio. Gaggiato não divulga o faturamento da empresa, fundada pelo pai há 34 anos, mas diz que o setor naval já responde por 25% do que fatura. Em 2008 era zero.

Assim com outras empresas do Vale do Aço, a Viga não precisou fazer grandes alterações em sua linha de produção para acomodar projetos para navios. A mão de obra, o maquinário e o espaço que a empresa já dispunha para fazer, por exemplo, colunas de flotação – peças que chegam a 30 toneladas – usadas por mineradoras já davam conta do recado. Vale, ArcelorMittal, Usiminas e CSN são alguns de seus clientes tradicionais.

Neste fim de ano, no entanto, devido ao volume de pedidos, Gaggiato está investindo na ampliação de sua fábrica para deixar um setor exclusivo para a fabricação dos blocos.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval – todas de pequeno e médio portes. Operando com um cluster, as empresas da região trabalham muitas vezes em conjunto para atender grandes contratos.

Além de Ipatinga, os municípios de Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso constituem o que se chama de Vale do Aço.

Para Jeferson Bachour, atual presidente do sindicato e diretor de outra empresa do setor de metal mecânica de Ipatinga, a Lider, o setor naval está ajudando algumas empresas da região a passarem por cima das oscilações do setor siderúrgico.

“Desde setembro, estamos sentindo que a siderurgia está desaquecendo. As vendas já caíram cerca de 15%”, disse A Lider produz peças de manutenção para as usinas, como chapas de desgaste e solos para lingotamento contínuo. E quando a produção siderúrgica diminui, cai a necessidade de reposição.

“A perda com a siderurgia é compensada pelo setor naval. As empresas que atendem aos estaleiros estão mantendo seu nível de produção”, diz Bachour, que tem liderado os movimentos entre o empresariado local para se aproximar mais da indústria naval.

Nesse ramo, sua empresa especializou-se em acessórios para embarcações como portas, janelas, balaustres, escadas etc. Seus concorrentes são estaleiros brasileiros ou empresas da Noruega, Itália, Espanha e Coreia que exportam para o Brasil. Mas em relação aos importados, os fabricantes brasileiros têm uma vantagem: a determinação do governo federal de que 70% da fabricação da indústria naval tenha conteúdo nacional.

No caso das empresas do Vale do Aço, diversas já conseguiram do governo de Minas isenção de ICMS e IPI para fabricação de componentes para a indústria naval, conta Augusto César de Barros Moreira, gestor do arranjo produtivo local do polo metal mecânico do Vale do Aço. Isso deu a elas as mesmas vantagens fiscais que as empresas do Rio já têm.

Estarem no Vale do Aço dá às empresas facilidade extra: o fato de a Usiminas estar sediada em Ipatinga. A empresa fornece aço plano para a fabricação de navios.

Os radares das empresas da região estão acionados para detectar novos possíveis negócios. Na mira estão um projeto da Petrobras no Rio para reforma de plataformas; os planos da Marinha para construção de onze embarcações; e uma aproximação com o estaleiro Promar, de Pernambuco. Segundo Bachour, o estaleiro já iniciou conversas com empresas do Vale do Aço.

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