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Prévias fortalece PSDB em São Paulo

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, acredita que a candidatura de Serra, à prefeitura de São Paulo, pode ajudar a pacificar o partido.

Para Guerra, decisão paulistana fortalece projeções do partido

Fonte: Raymundo Costa – Valor Econômico

A candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo deu um novo ânimo ao PSDB e às oposições, ameaçadas de perder, em conjunto, cerca de mil prefeituras nas próximas eleições municipais, segundo projeções preliminares feitas nesses partidos. “O problema do PSDB era não ser competitivo em São Paulo, pois, em geral, estamos bem resolvidos em todo o país”, diz o presidente nacional tucano, deputado Sérgio Guerra (PE).

O PSDB espera crescer sobretudo nos oito Estados governados por tucanos: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Alagoas, Pará, Tocantins e Roraima. Nas avaliações do PSDB, o PT e o PSB são os dois partidos da base aliada que mais devem crescer, sobretudo em cima dos partidos da base aliada, como o PMDB. Um fato que pode provocar uma reestruturação na relação de forças partidárias em nível nacional. Um pouco maior ou menor, o PSDB continuará sendo a alternativa de poder ao PT, na opinião de Sérgio Guerra.

São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, é o principal reduto eleitoral dos tucanos, sobretudo depois de 2004, quando o PSDB desbancou o PT da prefeitura da capital – o atual prefeito, Gilberto Kassab, é aliado de Serra mas considera a administração da cidade, nas gestões dele e de Serra, uma coisa só. O risco, agora, era o PSDB entrar na eleição de São Paulo com um candidato sem condições de ameaçar a chapa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está montando justamente para desalojar os tucanos de sua principal base eleitoral, tendo à frente o ex-ministro Fernando Haddad.

Na opinião de Sérgio Guerra, a candidatura de José Serra surpreendeu o PT, tanto que o partido preferiu apostar na formação de um novo nome para a competição. Com Serra, ex-prefeito, governador e candidato derrotado em duas eleições presidenciais, o presidente do PSDB acredita que a tendência da candidatura Fernando Haddad é de “isolamento” – PSB e PCdoB, por exemplo, integram a base governista nacional do PT, mas não são peças certas na composição da chapa de Fernando Haddad.

Guerra também acredita que a candidatura de Serra pode ajudar a pacificar o partido. “A candidatura do Serra é necessária para o PSDB de São Paulo e é necessária para o PSDB de todo o país”, afirmou o presidente do PSDB. Guerra é reconhecidamente um aliado da candidatura do senador Aécio Neves (MG) a presidente da República, em 2014, mas também dúvida que o PSDB pareceria um partido menor, se não se apresentasse um nome de peso nacional em São Paulo – isso sem emitir nenhum juízo de valor sobre os demais candidatos às prévias.

O PSDB espera chegar em 2014 com pelo menos 80% do cadastro de filiados do partido em ordem, a fim de que os tucanos possam realizar prévias efetivamente representativas. Ele nega que a direção nacional esteja pensando em antecipar a prévia para a indicação do candidato presidencial para o primeiro semestre de 2013, o que os aliados de Serra consideram que seria um golpe para neutralizar qualquer veleidade do tucano em disputar novamente no Palácio do Planalto em 2014. Se for eleito em outubro, ele mal terá se instalado na cadeira de prefeito, no primeiro semestre de 2013.

Guerra acha que a eleição de outubro terá um caráter marcadamente municipal e nem terá influência no resultado da eleição presidencial, dois anos depois. “Elas não são relevantes para a eleição de governador e de presidente da República”, diz. São inúmeros os exemplos de governadores que perderam a eleição mesmo tendo a maioria dos prefeitos. A influência de 2012, segundo o presidente tucano, será no desempenho do partido nas eleições proporcionais: quanto mais prefeitos e vereadores o partido eleger, maior pode ser o tamanho da bancada de deputados federais.

O tamanho da bancada federal dos partidos é o que determina, segundo a legislação eleitoral, o tempo de rádio e televisão que cada sigla terá no horário eleitoral gratuito e seu percentual do fundo partidário. São dois dos principais fatores para o crescimento de um partido.

Nas avaliações feitas pelo PSDB, na região Sul o partido deve permanecer mais ou menos como está no Rio Grande do Sul, diminuir em Santa Catarina e crescer no Paraná. O problema em Santa Catarina é que os tucanos perderam gente para o PSD do prefeito Gilberto Kassab.

No Sudeste, a expectativa também é de crescimento em Minas Gerais (cerca de mais 40 prefeitos), São Paulo (mais ou menos 10 a mais) e no Espírito Santo (cerca de 10). Nesses três Estados, o PSDB entra com candidatos competitivos na capitais, muito embora em Minas o nome seja o do atual prefeito, Marcio Lacerda, que é do PSB. Na região, o Rio de Janeiro continua sendo o calcanhar de aquiles do PSDB.

No Centro-Oeste a projeção é de crescimento em Goiás, governado por um tucano, no Tocantins e nos dois Mato Grosso. No Nordeste, existe uma aposta na aliança com o DFM de Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), na Bahia, ou a candidatura própria de Antonio Imbassahy. As oposições estão um pouco mais confiantes em Salvador, por causa do bom desempenho na pesquisa de ACM Neto e de Imbassahy.

Em Pernambuco, outro colégio eleitoral importante, as melhores chances estão no entorno de Recife. Se João Alves conseguir passar ileso de uma denúncia de crime eleitoral, é favorito em Aracaju (SER). Espera também ficar com a prefeitura de Teresina, onde sempre foi forte. No Norte, aposta em Belém, capital do Pará, Estado governado pelo partido.

Link da matéria: http://www.valor.com.br/politica/2586634/para-guerra-decisao-paulistana-fortalece-projecoes-do-partido

“Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão”, comentou Sérgio Guerra

PSDB Nacional, Gestão Eficiente, Eleições 2012

“O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional”

Entrevista – Sérgio Guerra – presidente do PSDB

O deputado federal é categórico ao afirmar que a candidatura de José Serra em São Paulo não significa que o caminho presidencial para Aécio Neves esteja livre. Sobre a disputa em Belo Horizonte, o pernambucano não vê problema na aliança com petistas, desde que em benefício de “um governo que trabalhe bem”.

Nacionalmente, por que é importante para o PSDB apoiar a reeleição de Marcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte?

O lema do nosso partido, em Minas Gerais ou em qualquer outro lugar, é governar bem e fazer da administração o que a população espera que seja feito. Então, antes de interessar ao nosso projeto eleitoral, interessa ao PSDB que o governo de Belo Horizonte seja bem-sucedido. Nós queremos a qualidade da administração municipal, não importa que o responsável não esteja exatamente ligado à nossa legenda. Em outra situação, com qualquer outro candidato, o fato de o PSDB estar associado a um governo que trabalha bem só faz ajudar o partido.

Os tucanos sonham com a possibilidade de o PSB de Lacerda aderir ao projeto presidencial do PSDB em 2014?

O nosso partido procura ter uma relação o mais próximo possível com o PSB. Eu, pessoalmente, acho que não será fácil, daqui a três anos, que as duas legendas se juntem na eleição presidencial. Mas, enquanto isso, nós vamos desenvolvendo um bom trabalho conjunto. Lembrando que nós estamos associados de forma natural em muitos Estados do Brasil, no Paraná, em Alagoas, em Pernambuco, aí em Minas. Então, se houver uma futura aliança ou aproximação, será algo que foi construído ao longo de muito tempo.

Em Belo Horizonte, o PSDB só apoiará Lacerda caso haja adesão formal?

Não aceitamos nada que não seja uma aliança formal. Não faz sentido fazer uma aliança que se desenvolve, inclusive, no governo – já que estamos juntos na prefeitura – sem o papel passado.

E as conversas que dão conta de que o PSDB pleiteia ser vice de Lacerda? Só valem se o PT abandonar a aliança?

Sobre essa questão, eu, pessoalmente, não tenho posição. É um assunto que fica para os diretórios estadual e municipal resolverem. É claro que nós ficamos atentos, porque, em cidades com mais de 200 mil eleitores, as composições são discutidas também pela cúpula nacional. Mas não vamos nos intrometer na formação da chapa, de prefeito e vice.

Por que o PSDB se opõe ao PT nacionalmente e, em Belo Horizonte, aceita caminhar com o partido?

Não há nenhum problema nisso. Nós não vamos eleger agora o presidente da República, mas o prefeito da capital. Os compromissos do prefeito da capital são assumidos com a cidade que vai governar. Em torno desses compromissos, fazem-se as alianças e se constrói o governo. Em Belo Horizonte, vamos conviver com o PT na mesma coligação. Nós, do PSDB, estamos abertos a entendimentos locais, mas, rigorosamente, não apoiamos o PT em eleições nacionais e nos Estados.

O que Marcio Lacerda tem para atrair, ao mesmo tempo, tucanos e petistas?

Eu conheço pouco o prefeito Marcio. Mas, pelo conceito de administrador que tem, sei que é muito bom. Por isso, recebe os apoios.

Hoje, a administração de Lacerda está mais próxima do modo tucano ou do petista de governar?

Ele está mais próximo da boa administração. E, aqui entre nós, a especialidade de administrar bem não é do PT, é nossa.

Em uma eventual candidatura de Aécio Neves à Presidência da República, Lacerda ficaria com o PSDB ou com o PT de Dilma?

Não dá para prever porque a situação local é uma coisa, e a nacional, outra. Minas é Minas. Os mineiros conseguem se unificar bastante. Historicamente, essa é uma característica de Minas: produzir uma política inovadora de união. Mas, no caso em si, eu não teria condição de opinar.

É verdade que a candidatura de Aécio Neves já é ponto pacífico no PSDB?

Não. O que é verdade é que uma parcela muito grande do PSDB deseja a candidatura do ex-governador Aécio Neves. Mas, só vamos tratar disso depois das eleições municipais. Antes, nada será definido. Ainda não temos base para dizer se a definição vai ocorrer um mês depois da eleição, três meses depois. Não dá para saber a data. O que posso dizer é que o partido quer escolher o candidato com antecedência, para não acontecer como da última vez, quando deixamos para a última hora.

Quais as credenciais de Aécio Neves para disputar a Presidência da República?

Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão, uma grande competência administrativa. O senador também tem uma imensa capacidade de ampliação de espaços, que só se faz com habilidade de articulação. Ele sabe ceder e afirmar as suas posições com convicção.

Um eventual governo tucano com Aécio seria diferente do de Dilma?

O principal, a política de distribuição de cargos do PT em troca de apoio, nós mudaremos. É uma falta de respeito com o interesse público. Nós confrontaremos muitos grupos para que isso não ocorra no nosso governo. De forma alguma conviveremos com o loteamento do poder.

A candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo deixa o caminho livre para Aécio Nevespostular o Planalto?

O nosso partido não enxerga isso com a perspectiva da disputa para presidente. A candidatura de Serra tem o objetivo de governar bem a principal cidade do país, São Paulo. Mas é bom ficar claro que não há disputa no nosso partido. O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional. Somos um partido que se renova sempre, sem desprezar as antigas lideranças. Aqueles que têm interesse e capacidade podem disputar a indicação do partido.

Mas o processo de escolha do candidato será alterado?

As prévias serão instaladas. Vamos fazer uma campanha de filiação. Vamos fazer uma campanha de captação de militantes nos seguintes termos: ao aderir ao PSDB, o cidadão também escolhe o seu candidato a presidente. Mas o que todo mundo concorda é que só vamos tratar disso com vigor e tranquilidade depois da eleição municipal. Queremos a unidade, que só se consegue após um processo limpo de definição de nomes.

O que deve mudar da última campanha presidencial do PSDB para a próxima?

Acho que as escolhas terão que ser mais abertas, e as coligações, mais sólidas. A defesa do nosso legado terá que ser muito mais nítida e efetiva. Erramos no passado porque não defendemos o nosso legado quando deveríamos tê-lo feito. Temos que mostrar que não temos dono, que atuamos como um partido cada vez mais aberto. Queremos nos relacionar com trabalhadores, estudantes, com a sociedade organizada. Vamos fazer um novo partido, que valorize o seu passado como nunca fez antes.

No primeiro ano de governo, Dilma Rousseff bateu recordes de popularidade. A aprovação dela deve permanecer em alta nos próximos anos?

O governo de Dilma não resiste a uma campanha bem feita. Há um movimento de opinião pública geral que as campanhas facilitam. Há muita mentira que vai aparecer.

Então, a fatia do eleitorado que vota na oposição deve aumentar em 2014?

Os elementos qualitativos já estão colocados para que possamos ter uma vitória. Agora, a utilização dessas potencialidades vai depender de conjunturas, algumas delas fora do nosso alcance. O PSDB tem que ser um exemplo de democracia interna se quiser convencer os brasileiros.

Alguns dos partidos que hoje dão sustentação a Dilma poderão estar com o PSDB na próxima eleição presidencial?

Tenho a convicção de que alguns estarão conosco. Conversamos sobre isso, mas o controle do governo sobre a base ainda é absoluto. (Telmo Fadul)

Fonte: Entrevista com Sérgio Gueraa, presidente do PSDB nacional- O Tempo

Sérgio Guerra, presidente do PSDB, fala em entrevista sobre cenário político para a prefeitura de São Paulo, Aécio e as alianças para 2014

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

‘Serra e a resistência ao projeto de hegemonia do PT’

Entrevista com Sérgio Guerra, presidente do PSDB

‘Serra e a resistência ao projeto de hegemonia do PT’

Presidente nacional do PSDB afirma haver ‘forte convicção’ de que ex-governador entrará na disputa em São Paulo e de que cabe a Alckmin resolver a questão das prévias no partido

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), acusa o PT de nacionalizar a disputa pela Prefeitura de São Paulo, na tentativa de derrotar os tucanos para levar adiante “o projeto Lula da democracia de partido único”. “O objetivo do Lula é e sempre foi transformar o Partido dos Trabalhadores em um partido único”, afirma, em entrevista ao Estado.

Nesse quadro de luta contra a hegemonia do PT, ele diz que a candidatura do ex-governador José Serra a prefeito de São Paulo, “se confirmada, representa a resistência da democracia ao projeto da hegemonia petista”. E completa: “Hoje há uma forte convicção de que ele poderá vir a ser candidato.”
Com a nacionalização da campanha paulista, ele entende que Serra passa a ser, “sem a menor dúvida, também um projeto nacional do PSDB”. Se o ingresso dele na corrida municipal dispensará ou não a realização de prévias para a escolha do candidato, é outra conversa. “Essa questão tem que ser conduzida por quem a conduziu até agora, que é o governador Geraldo Alckmin.” Leia abaixo a entrevista.

O ingresso do ex-presidente Lula na campanha municipal de São Paulo nacionalizou a disputa. Como o PSDB deve reagir?
O objetivo do Lula é e sempre foi transformar o Partido dos Trabalhadores em um partido único. Não é questão de maioria, é a busca da hegemonia. O PT nacionalizou a eleição em São Paulo na tentativa de derrotar o PSDB para levar adiante o projeto Lula da democracia de partido único.

Isto exige um novo comportamento da oposição em São Paulo?
A candidatura de Fernando Haddad (PT) é, claramente, parte estratégica desse esforço pela hegemonia completa do partido único. A participação do PT no Congresso, sua organização no governo e sua ação nos Estados é sempre nesta direção. Mas isto, de certa forma, cria um ambiente positivo para a oposição, porque muitos já estão vendo, e verão cada vez mais, que não são prioridade ou estão sendo excluídos. Taí a crise na base deste governo que só demite ministros que não são do PT e mantém esse governador de Brasília. Com tanta denúncia levantada, não fosse petista, este governador já teria ido embora há muito tempo.

Nesse quadro de luta contra o PT, a candidatura de Serra a prefeito de São Paulo pode ser útil à oposição?
A candidatura Serra, se confirmada, representa a resistência da democracia ao projeto da hegemonia petista. E hoje há uma forte convicção de que ele poderá vir a ser candidato.

Com a eleição municipal de São Paulo nacionalizada, o ex-governador Serra reforça também sua intenção de manter-se como opção nacional do PSDB?
Sem a menor dúvida. Pelo peso que tem e pelo que representa dentro e fora do partido, em qualquer lugar e em qualquer papel que desenvolva, Serra será sempre um político nacional. Seja candidato no Brasil, em São Paulo ou no Piauí, ele será sempre uma liderança nacional para os tucanos e para os adversários.

Serra é fundamental para impedir que o ex-presidente Lula consolide o projeto de derrotar o PSDB em São Paulo?
O Lula já tentou muitas vezes derrotar o PSDB em São Paulo. Ele próprio já foi candidato algumas vezes e perdeu. Então, o fato de ele estar mais uma vez decidido a nos enfrentar não é novidade. O Serra é, em São Paulo, fora do Estado ou em qualquer outro lugar, um candidato muito forte. Ele tem que ser visto como um candidato sênior, que é o que ele é.

O ingresso dele na disputa dispensa a realização de prévias para escolher o candidato?
Essa é uma questão que tem que ser conduzida por quem a conduziu até agora, que é o governador Geraldo Alckmin. Temos confiança em que esse tipo de dificuldade ele vai superar.

O prefeito Gilberto Kassab, do PSD, estava com um pé na candidatura de Fernando Haddad, mas a menção da entrada de Serra na disputa freou esse movimento. Segurar Kassab é fundamental para o projeto da oposição em 2014?
Kassab nunca deixou de falar a quem quisesse ouvir que Serra seria seu candidato, qualquer que fosse a eleição que ele quisesse disputar, até para presidente da República. Essa questão não é nova. Em segundo lugar, é evidente que a unidade de forças políticas historicamente ligadas, ou não, é fundamental na eleição de São Paulo, que nunca será uma eleição fácil. Será disputada e a capacidade de mobilização do prefeito é muito importante em uma campanha.

Dirigentes tucanos dizem que é preciso impedir a ida de Kassab para o PT porque seria uma viagem sem volta, que terminaria com o ingresso dele no ministério da presidente Dilma Rousseff. O senhor concorda com essa avaliação?
Quem pode concordar ou discordar desta avaliação é o prefeito. O que eu sei é o que ele me disse e tem dito a muitos: que será eleitor e apoiador de José Serra, se ele for candidato a prefeito, governador ou presidente.

No cenário sem Serra é possível trazer Kassab para a candidatura tucana?
Sou daqueles que entendem que a realização de prévias não nos remete a um quadro negativo. Ao contrário, fortalece os nomes colocados, que são bons e têm condições de desenvolver uma boa campanha. Com eles o PSDB tem toda a capacidade de fazer um discurso limpo, novo, com muita chance de vitória. Quanto ao prefeito, em uma eleição sem Serra ele deveria se posicionar levando em consideração quem apoia e quem bate no governo dele, e quem pode melhor governar a cidade. Para mim soaria muito estranho o PT, que combateu Kassab a vida inteira, estar junto dele em qualquer eleição. A população não entenderia.

O PSDB enfrenta o racha interno entre serristas e aecistas e a falta de bandeiras para tocar uma campanha eleitoral. Como chega aos palanques municipais?
Hoje não existe mais a divisão entre alas. Pode haver dificuldades pessoais entre um e outro tucano, mas isto não é significativo. E, do ponto de vista do enfrentamento do que separa o partido da sociedade, nós também avançamos.

Mas, até agora, o diálogo com os movimentos sociais tem sido quase que uma exclusividade do PT. Como reagir?
Isto já era… Hoje nós temos mais de 2 mil sindicalistas filiados ao PSDB, inclusive da CUT. No mês que vem criaremos a Secretaria de Assuntos Trabalhistas e Sindicais do PSDB, que será comandada pelo vice-presidente nacional da Força Sindical, Antonio Ramalho. E teremos também as secretarias que vão cuidar das questões do meio ambiente e dos portadores de necessidades especiais.

A última pesquisa interna mostrou que o PSDB perdeu suas principais bandeiras para o PT, com os medicamentos genéricos e a Lei de Responsabilidade Fiscal, ambos mais creditados a Lula do que a FHC. Essa virada do PT, ao privatizar aeroportos, facilita a recuperação dessas bandeiras por parte do PSDB?
Não valorizar o nosso legado foi um grave erro. Estamos pagando um preço alto, mas isto também já mudou. O PSDB se recompôs com o presidente Fernando Henrique, homenageando-o em cadeia nacional, no programa de televisão do partido, e isto significa recuperar o discurso. O PT também nos ajuda nisso, quando privatiza os aeroportos e reconhece que tínhamos razão nas privatizações.

O reconhecimento desse legado terá peso eleitoral forte em 2012 e 2014?
Já teve um peso enorme sobre nós mesmos. O PSDB está com a autoestima lá em cima, pelo que fez e pode fazer. A apropriação política desse sentimento se dará nas eleições. O fato de o PT reconhecer e adotar as privatizações prova, em primeiro lugar, que nosso legado é muito bom. Segundo, que o PT não falou a verdade e continua não falando. Diante de fatos mais do que óbvios, os petistas insistem em sutilezas do tipo não privatizamos assim, ou assado.

Falam que não é privatização, é concessão.
Isso é falta de coragem pública de reconhecer os fatos na sua intensidade e na sua integridade. O fato relevante é que o PSDB fez as privatizações e botou o Brasil nos trilhos. Trilhos que necessariamente o PT tem que percorrer, sob pena de não caminhar e de os aeroportos não funcionarem.

Nas últimas eleições, o partido fez 780 prefeitos. Qual é a meta para 2012?
A meta é eleger mil prefeitos. Mais prefeitos significam mais deputados, mais tempo de televisão, mais participação no Congresso e mais financiamento partidário.

DEM e PPS serão os parceiros preferenciais agora e em 2014?
Temos também uma parceria real com o PSB em vários Estados (PR, AL, MG, PE), que apontam para alianças futuras.

A popularidade recorde do governo Dilma preocupa o PSDB?
A popularidade deste governo é sutil e débil e será reduzida no tempo. A marca do governo Dilma foram as demissões que fez e a verdadeira marca desse governo é o fato de ele ter demitido aqueles que nomeou.

Este quadro pressupõe um modelo de candidato a presidente?
Esse quadro nos obriga a ampliar, a procurar entre os descontentes da base, possíveis aliados nossos depois. Isto é básico. O candidato do PSDB terá que ser amplo. Terá que ter capacidade de somar, para ter votos e para governar.

Por este raciocínio, Aécio Neves leva vantagem, a partir da ampla aliança que ele montou em Minas?
Não estamos criando padrões de comparação. Não faz sentido agora. Mas nós começamos a definir o modelo de candidato mais adequado ao momento brasileiro. Isto não envolve Aécio, Serra, nem ninguém. Significa que, para descrever o que deveria (fazer) um candidato da oposição daqui a três anos, nós já temos algumas certezas: uma é que este candidato terá que ser amplo, ter capacidade de atrair e buscar alianças do outro lado.

Privatização do Governo Dilma constrange petistas, tucanos exigem pedido de desculpas por ‘estelionato eleitoral’

PT mente,  PT imita gestão tucana

Fonte: Adriana Vasconcelos e Maria Lima – O Globo

PSDB vai à forra e critica PT por ter feito a concessão de aeroportos

Da tribuna, parlamentares da oposição alegam que governo fez o que criticou

BRASÍLIA. Vítima dos discursos anti-privatização do PT, especialmente nas duas últimas campanhas presidenciais, o PSDB foi ontem à forra. Os tucanos tripudiaram diante do silêncio e constrangimento da maioria dos petistas frente à guinada do governo da presidente Dilma Rousseff, que iniciou anteontem um processo de concessão de aeroportos à iniciativa privada. Para o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), o PT não só renegou um discurso de mais de 20 anos. Ele acusou o partido de “estelionato eleitoral”.

– O PT e os petistas demonizaram as privatizações e nos acusaram de querer privatizar tudo. Agora, vivem esse constrangimento. Eles só privatizaram porque sucumbiram à própria incompetência – disparou.

Já o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), cobrou do PT um pedido de desculpas público:

– Mais do que um pedido de desculpas ao PSDB, o PT deve desculpas à sociedade brasileira, em especial aos eleitores.

Embora considere que seu partido foi vítima de uma espécie de “terrorismo petista” durante as últimas campanhas presidenciais, quando foram acusados de quererem privatizar o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), reconheceu que os tucanos também erraram por não terem defendido o próprio legado. E aproveitou para levantar suspeitas sobre o processo de concessão dos aeroportos:

– É surpreendente que grandes empresas brasileiras tenham ficado de fora desse processo. O governo está no caminho certo, mas de forma obscura – alfinetou Guerra.

Da tribuna, os senadores tucanos Álvaro Dias (PR) e Aloysio Nunes (SP) não perderam a oportunidade de provocar os colegas petistas, que até então não haviam aberto a boca para comentar o bem-sucedido leilão dos aeroportos de Guarulhos (Cumbica-SP), Campinas (Viracopos-SP) e Brasília (Juscelino Kubitschek).

– Sabe quando você está esperando para embarcar num aeroporto e anunciam pelo alto-falante que devido a reposicionamento da aeronave o embarque se dará em outro portão? Hoje eu quero saudar aqui o reposicionamento do PT em relação às privatizações. Agora vamos ficar livres dessa cantilena do PT a cada eleição demonizando as privatizações – discursou Nunes.

Rejeitando ainda o termo “privatização”, poucos petistas apareceram para responder às provocações dos tucanos. O primeiro deles foi o senador Wellington Dias (PT-PI), que começou reclamando que o que o governo está fazendo não é privatização e sim concessão, que chamou de “processo inovador”.

– Já ressaltei a importância desse processo inovador. A presidente Dilma está de parabéns por essa engenharia inovadora e tem todo nosso apoio – disse Wellington Dias.

Logo depois, o ex-líder do PT, Humberto Costa (PE), discursou e explicou que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) continuará regulando o funcionamento dos aeroportos leiloados. Disse que apenas a estrutura do serviço de terra tinha sido privatizada, o que permitiria mais recursos para obras e reformas para a Copa do Mundo de 2014.

Na presidência da sessão, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) pediu um aparte ao colega petista para também protestar.

– O que foi feito é muito diferente do que foi feito na privatização da Vale, por exemplo. Nenhum bem ou ativo foi alienado – disse Marta.

Governo do PT perde a compostura e usa máquina administrativa para fazer política partidária, presidente do PSDB repudia ato

Estado Aparelhado

Fonte: Maria Lima, Silvia Amorim e Isabel Braga – O Globo

Revista diz que texto contra tucanos foi erro

Publicação da Biblioteca Nacional pede desculpas por artigo que ataca Serra; PSDB reage e estuda ação na Justiça

SÃO PAULO E BRASÍLIA. A direção da “Revista de História da Biblioteca Nacional”, patrocinada pela Petrobras, alegou ontem ter sido um “erro” a publicação do artigo “O jornalismo não morreu” em seu site, no qual faz apologia do livro “A privataria tucana” e diz que o ex-governador José Serra (PSDB) está “aparentemente morto”, como publicou ontem a coluna Panorama Político, do GLOBO. Segundo nota divulgada pela direção da revista à imprensa, “todos os textos do site e da revista são avaliados internamente pelos editores, o que não ocorreu com o acima mencionado”. Os responsáveis pela revista pediram desculpas “aos que se sentiram ofendidos”. O PSDB reagiu duramente e estuda ação contra a publicação.

O artigo foi tirado do ar ontem. A “Revista de História” foi lançada em 2005 e se apresenta como uma publicação independente, editada pela Sociedade de Amigos da Biblioteca Nacional (Sabin), presidida por Jean Louis de Lacerda Soares. A principal fonte de receita da publicação, porém, são os patrocínios da Petrobras, viabilizados por meio da Lei Rouanet.

A nota afirma ainda que a revista “não defende posições político-partidárias”, e que o conteúdo do artigo é “um posicionamento pessoal do repórter”.

De acordo com a nota, “a Biblioteca Nacional não tem qualquer responsabilidade pelos textos publicados, participando da revista como fornecedora de material de pesquisa e iconografia”.

Mas o texto provocou grande indignação entre parlamentares tucanos e a direção do PSDB. O presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), saiu em defesa de Serra e anunciou que entrará hoje com ação judicial contra a publicação – o setor jurídico do partido ainda analisava que tipo de ação será protocolada.

Ontem, Sérgio Guerra mandou carta à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, ao editor-chefe da “Revista de História da Biblioteca Nacional”, Luciano Figueiredo, e ao jornalista responsável, Marcos Sá Corrêa, repudiando “as falsas acusações e insinuações” do artigo assinado pelo redator Celso de Castro Barbosa.

“Para se caracterizar como uma resenha, com o mínimo de idoneidade esperável nessa publicação, o artigo não poderia deixar de mencionar o papel do autor do livro no comitê da campanha presidencial do PT em 2010, nem os processos criminais a que responde por corrupção de agentes públicos e violação do sigilo fiscal de José Serra e outras pessoas”, diz a nota do PSDB, que continua: “Tampouco poderia repetir acusações e insinuações do livro sem a menor análise da sua consistência e fundamento, que uma leitura, mesmo rápida, revela serem nulos”.

– É evidente que houve um abuso absurdo. Uma revista desse tipo não tem que fazer nenhuma análise política, muito menos fazer esse tipo de agressão a ninguém. É mais um instrumento de poder usado de forma inescrupulosa por essa gente que está no poder hoje – repeliu o ex-governador tucano de São Paulo Alberto Goldman.

– É o ambiente que se cria (pelo PT) que permite que servidores públicos se sintam no direito de agredir os adversários do governo. O aparelhamento do Estado e o ambiente de impunidade fazem isso – afirmou Jutahy Junior (PSDB-BA).

O presidente do PSDB diz ainda, na nota, que a ofensa é agravada por envolver os nomes da presidente Dilma Rousseff, e da ministra Ana de Hollanda, que aparecem no expediente da publicação: “Lamentamos constatar que nem uma instituição como a Biblioteca Nacional está a salva desse processo degradante”.

– É incompreensível que instituições como a revista da Biblioteca Nacional se prestem a divulgar textos partidários facciosos e criminosos que agridem personalidades de partidos políticos respeitáveis e democráticos. Essa manipulação escandalosa dessa publicação de imprensa marrom que não resiste a um sopro não pode continuar – declarou Sérgio Guerra.

Para tucanos, artigo emitiu opiniões partidárias

O ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), também atacou o que chamou de aparelhamento do Estado pelo PT.

– Lamento que uma revista que sempre foi de qualidade e um conselho editorial gabaritado estejam sendo detonados também pelo aparelhamento inconcebível do PT. Estão utilizando escancaradamente um instrumento público para fazer política, fazer oposição de forma covarde. Por que o PT é o governo de plantão e pode fazer o que quiser com a Biblioteca Nacional ? É deplorável – afirmou Duarte Nogueira

“Uso da máquina pelo PT não tem limites. Usar publicação oficial da Biblioteca Nacional para emitir opiniões partidárias e atacar Serra é demais”, completou o deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) no Twitter. Procurado, Serra não quis comentar o artigo.

É incompreensível que instituições como a revista da Biblioteca Nacional se prestem a divulgar textos partidários facciosos e criminosos que agridem personalidades de partidos respeitáveis e democráticos
Sérgio Guerra, presidente do PSDB

Estão utilizando, escancaradamente, um instrumento público para fazer política
Duarte Nogueira, deputado federal

 

Aécio Neves agradece Fernando Henrique e diz que PSDB precisa trabalhar para fortalecer os diversos segmentos do partido

Aécio oposição, eleição 2014

Fonte: Silvia Amorim e Thiago Herdy – O Globo

Serra discorda da opinião de FH sobre Aécio

Ex-presidente declarou que o senador mineiro é o candidato natural do PSDB à Presidência; tucanos se dividem

SÃO PAULO e BELO HORIZONTE. O ex-governador de São Paulo, José Serra, disse ontem discordar das opiniões do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em entrevista à revista britânica “The Economist”, mas que, por se tratar de um amigo, não comentaria as declarações. O trecho de maior repercussão foi aquele em que Fernando Henrique apontou o senador Aécio Neves (MG) como o “candidato óbvio” do PSDB para a eleição presidencial de 2014. Ele também falou em “erros enormes” na campanha de Serra em 2010 e disse que o mineiro tem hoje mais chances de vitória em 2014 do que Serra.

– São opiniões dele (FH). Não estou de acordo com algumas delas, mas não vou polemizar com um amigo – afirmou o ex-governador Serra, sem dar detalhes sobre os pontos em que discorda do ex-presidente.

 

À revista, FH disse ainda que Aécio tem mais condições de fazer alianças políticas.

– Aécio é de uma cultura brasileira mais tradicional, mais disposta a estabelecer alianças. Ele tem apoio em Minas Gerais. São Paulo não é assim, é sempre dividido, é muito grande.

O senador Aécio Neves agradeceu ontem ao ex-presidente Fernando Henrique pela referência a seu nome como “candidato natural” do PSDB à Presidência em 2014. Em viagem particular, o senador divulgou uma declaração por meio de sua assessoria, em que afirma considerar o período após as eleições municipais como o momento certo para a definição de um nome, “entre os vários de que dispõe”.

– Agradeço a referência do presidente Fernando Henrique. Temos que trabalhar agora pelo fortalecimento partidário e de suas estruturas, a juventude, as mulheres, os sindicatos, além do esforço para ampliar o alcance do nosso discurso – disse Aécio, sem citar o seu principal adversário na luta interna dentro do partido pela indicação nacional, o ex-governador José Serra.

As declarações de Fernando Henrique provocaram reações diferentes no partido. O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), em viagem a Miami, endossou as afirmações:

– Aécio tem muito apoio no partido. Isso é a verdade .

Mas ele ponderou que essa discussão deve ser feita somente após as eleições municipais:

– Agora é hora de o partido se preparar para enfrentar a próxima eleição.

Já aliados de Serra contestaram Fernando Henrique. Alguns classificaram as declarações como “fora de hora”.

– É muito difícil discordar do Fernando Henrique, mas não é bem isso. Aécio é um possível candidato forte, mas não é o único, nem natural – disse o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP). Para ele, manifestações como as de FH neste momento mais atrapalham do que ajudam.

– Acho que manter a isonomia nesse processo é fundamental para a construção da unidade do partido – disse.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, preferiu não entrar na polêmica. Ele disse que o partido tem grandes nomes, mas que o tema precisa ser “amadurecido”.

O fato é que as declarações de FH pautaram conversas no PSDB nos últimos dois dias. Alguns tucanos viram nas palavras do ex-presidente uma espécie de apoio para que Aécio intensifique suas articulações políticas para 2014.

Ala do PSDB ligada a Aécio defende que o partido comece a trabalhar, mesmo que sutilmente, o nome domineiro já nas eleições municipais. Em São Paulo, tucanos interpretaram as palavras do ex-presidente como um alerta a Serra.

– Acho que ele está tentando mostrar ao Serra que o candidato natural é o Aécio e que, se ele quer brigar por 2014, tem que se recolocar no cenário político desde já, aceitando ser candidato a prefeito em São Paulo – disse um tucano.

A cúpula do PSDB em São Paulo ainda não descarta o nome de Serra para disputar a prefeitura.

Aécio Neves diz que após uma ano de gestão da presidente Dilma, oposição terá uma postura mais dura com o governo

Oposição, combate ao malfeito, reformas, gestão do PT

Fonte: Redação do Jogo do Poder

“Certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país”

A oposição deverá ter uma postura mais dura com a presidente Dilma Rousseff. Para o senador Aécio Neves, o governo do PT deixou de liderar no primeiro ano de gestão a discussão que poderia promover as principais reformas do país. Ontem em São Paulo, após encontro político com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio disse que a oposição será mais ‘contundente’ nas cobranças.

–  Eu vejo muito esta avaliação de que a oposição deveria ser mais contundente, o senador Aécio em especial deveria ser mais duro. Todos nós temos as nossas circunstâncias. Acho que o primeiro ano é o ano do governo. O que deve estar sendo questionado neste ano não é um tom mais ou menos virulento das oposições. O que teria de estar sendo questionado é a absoluta ausência de iniciativa do governo federal nas questões estruturantes. Onde está a reforma política que precisa ser conduzida. Não há a possibilidade – fala aqui um congressista de muitos mandatos, ex-presidente da Câmara -, não há possibilidade no Brasil, que vive hoje quase que um estado unitário, não há possibilidade de nenhuma reforma estruturante, ser aprovada sem que o governo federal esteja à frente dela.

Aécio Neves comentou ainda que o governo da presidente Dilma perdeu a oportunidade de impor as reformas com a colaboração da oposição. O senador acredita que em ano eleitoral o governo não tomará nenhuma iniciativa que mexa com a estrutura do país. Ele criticou o fato de o governo continuar surfando nos dados relativos à questão econômica.

–  Ai eu pergunto, onde está a reforma política que poderia, pelo menos ordenar um pouco mais essa farra de partidos políticos que se transformou o Congresso Nacional? Onde está a reforma tributária que podia caminhar no sentido da simplificação do sistema e da diminuição da carga tributária? Onde está a reforma da Previdência pelo menos para os que estão entrando agora na vida útil trabalhista? Onde está a própria reforma do estado brasileiro? Esse gigantismo do Estado, para que serve? Só que o ambiente futuro não será o que vivemos nos últimos anos. E aí, certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país – lamentou.

O senador teme que o ambiente futuro pode não ser tão próspero como nos últimos anos e que a falta de iniciativa do governo Dilma Rousseff possa comprometer o crescimento do país com a perda de competitividade no cenário mundial.

–  Certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país. O primeiro ano foi nulo e o governo foi refém da armadilha que ele se impôs.

Aécio voltou a criticar a visão simplista da cúpula do PT, sintetizada na defesa do malfeito que o ex-ministro do Governo Lula e réu do mensalão José Dirceu faz da atual gestão do governo federal.

–  A montagem de uma base extremamente heterogênea com denúncias de todo o lado e terminando ainda talvez com essa, que seja visão do PT, não digo nem de todo, mas de uma parcela do PT sintetizada pela voz do blogueiro-mor José Dirceu: a corrupção não é do governo, a corrupção é no governo.


Carta de Goiânia: Congresso de jovens tucanos defende realização de prévias para eleições majoritárias do PSDB

Fonte: Estado de S.Paulo

Jovens tucanos defendem prévias em eleições majoritárias

Tema já foi motivo de polêmica no PSDB, quando Aécio Neves e José Serra disputavam posto de presidenciável 

Em um documento intitulado “Carta de Goiânia”, apresentado logo após o Congresso da Juventude da Social Democracia Brasileira, a juventude tucana defendeu a realização de prévias para eleições majoritárias no partido, bandeira apoiada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) em sua participação no evento.

“O PSDB surgiu tendo como uma de suas premissas a democracia interna”, diz o texto. “A melhor forma de garanti-la é incluir as bases partidárias diretamente no processo decisório da escolha de nossos candidatos majoritários. Por isso defendemos as primárias já nas eleições de 2012”.

As prévias foram motivo de polêmicas no PSDB há dois anos, quando Aécio fez ampla defesa das eleições internas, contrastando com o ex-governador de São Paulo, José Serra, que embora não tenha se posicionado contra a consulta aos filiados, nunca despendeu esforços para isso. À época, Serra e Aécio duelavam pelo posto de candidato tucano à Presidência da República em 2010. O mineiro desistiu, e Serra foi à disputa.

Na carta, a juventude tucana listou, além das prévias, outras bandeiras. A primeira é a transformação da corrupção, tema que marcou o noticiário político em 2011, em crime hediondo.

“Não podemos permitir que crimes de corrupção terminem sempre de forma inconclusiva e impune. Por isso propomos transformar crimes de corrupção em crime hediondo para que processos como o do ‘mensalão’ (sic) não se estendam por anos sem punição aos condenados”, diz a Carta de Goiânia.

Os jovens tucanos sustentaram ainda que o PSDB “deve sair na vanguarda do clamor popular pela ética e não permitir em seus quadros nenhum candidato que não seja ‘Ficha Limpa’.

A juventude tucana também defende no documento a redução da maioridade penal para 16 anos “sem idade mínima para crimes hediondos”, o fim do alistamento militar obrigatório e o direito a meia – entrada em eventos culturais e esportivos para jovens até 24 anos – uma forma, segundo eles, de acabar “com a atual corrupção gerada pela emissão descontrolada de carteirinhas estudantis”.

Os jovens tucanos advogaram ainda pelo voto distrital puro.

Aécio Neves garante que PSDB chegará unido em 2014, senador voltou a defender realização de prévias

Aécio oposição, Aécio e a juventude

Fonte: Isonilda Souza – O Globo

Aécio e Serra disputam juventude do PSDB

Os dois estiveram em evento em Goiânia promovido pelos jovens filiados; embate foi minimizado

GOIÂNIA. No discurso, não há divisão interna no PSDB, nem grupos serristas e aecistas em pé de guerra. Foi o que disseram os dirigentes do partido presentes ontem no Encontro da Juventude Tucana, em Goiânia.

Mas a agenda cuidadosamente cronometrada pelos organizadores do evento tentou garantir o mesmo espaço ao ex-governador José Serra (SP) e ao senador Aécio Neves (MG), e evitou o encontro dos dois – apontados como pré-candidatos do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff, em 2104. Aécio saiu do evento por volta das 20h e, minutos depois, Serra chegou. Os dois foram recebidos como candidatos pela juventude tucana.

Cada um teve seu momento exclusivo para discursar para cerca de 500 jovens filiados e alinhados ao PSDB, dentro da estratégia do partido de modernizar a legenda, atrair a juventude brasileira para suas causas e ampliar o poder tucano pelos estados com caras novas nas próximas eleições. Principalmente no pleito municipal do ano que vem.

Porém, essa estratégia tem ficado em segundo plano por conta da antecipação de um debate mais caloroso no partido sobre quem será o candidato do PSDB nas eleições presidenciais de 2014. Disputa negada por todos, mas evidenciada nos encontros tucanos.

Ao chegar ontem a Goiânia, no fim da tarde, Aécio minimizou a divisão interna, negando que haja divergências entre seus filiados mais ilustres. Segundo ele, o PSDB chegará unido para a eleição presidencial de 2014:

– Isso é muito mais uma pauta da imprensa. Não existe o PSDB do Aécio e o PSDB do Serra. Existe um só PSDB, que é do Aécio, do Serra, do Marconi Perillo, do Geraldo Alckmin, do Fernando Henrique Cardoso.

Admitindo que tem pretensão de ser o candidato do partido em 2014, mas ressaltando que isso não é um ato de vontade, Aécio voltou a defender a realização de prévias no PSDB para a escolha do candidato:

– Digo sempre que Presidência é muito mais destino do que projeto. No momento certo, acredito que no ano de 2013, através de prévias, que é o que eu defendo, o PSDB indicará quem é aquele que deverá empunhar essas nossas bandeiras. Mas antes de 2014, há 2012. E é preciso que essa juventude, principalmente, seja mobilizada para termos vitórias em todo o Brasil.

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, também minimizou a divisão partidária:

– Se essa divisão se dá em algum lugar, não é no partido. Não tem apoio do PSDB.

Guerra disse que os tucanos vão escolher o presidenciável a partir do resultado das eleições municipais de 2012.

– Pelo menos é isso que eu defendo. Não vejo problemas em realizar prévias, mas vai depender das urnas no ano que vem. Vamos aguardar.

O senador mineiro foi aclamado pelos participantes aos gritos de “Aécio presidente”. Ao longo do encontro, que pretendia reunir cerca de mil jovens, um dos gritos de guerra dos participantes era: “Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos um tucano presidente do Brasil”.

A chegada de Serra estava prevista para as 19, mas ele só chegou por volta das 20h, após a saída de Aécio do evento. Ao chegar, Serra foi recebido aos gritos de “olé, olê, olá, Serra, Serra!” e, durante o seu discurso, subiu o tom das críticas à administração da presidente Dilma Rousseff. Ele acusou o governo de incompetência e corrupção e voltou a atacar a proposta da construção do trem bala entre Rio e São Paulo. E, falando para a plateia jovem, um dos mais célebres ex-presidente da UNE atacou o PT ao declarar que o partido “sufocou o movimento estudantil”.

– Incompetência e corrupção são um casamento perfeito nesse governo.Um ao lado do outro.

Para o ex-governador de São Paulo, nada de interessante acontece no governo Dilma, que nem teria começado ainda, já que, segundo ele, a administração da presidente estaria imobilizada pela sucessão de denúncias de corrupção e pela troca de ministros.

– Entra ministro, sai ministro e, do ponto de vista concreto, nada acontece. Só ideia maluca, como essa do trem bala, que custará R$65 bilhões só para transporte de passageiros.

Para o ex-governador de São Paulo, nada de interessante acontece no governo Dilma, que nem teria começado ainda, já que, segundo ele, a administração da presidente estaria imobilizada pela sucessão de denúncias de corrupção e pela troca de ministros.

– Entra ministro, sai ministro e, do ponto de vista concreto, nada acontece. Só ideia maluca, como essa do trem bala, que custará R$65 bilhões só para transporte de passageiros.

Segundo Serra, o dinheiro do trem bala daria para resolver toda a infraestrutura do transporte voltado para a exportação.

Além do ex-governador, Aécio, Sérgio Guerra e do governador de Goiás, Marconi Perillo, participaram do encontro outros líderes regionais do PSDB, como o presidente nacional da Juventude Tucana, Marcello Richa (filho do governador do Paraná, o também tucano Beto Richa).

Presidente do PSDB nacional, Sérgio Guerra, critica medidas do governo do PT e diz que haverá impactos negativo sobre a economia dos municípios

Queda dos investimentos industriais e redução do repasse no Fundo de Participação dos Municípios

Fonte: Agência Tucana

Nota à imprensa

As medidas anunciadas por Mantega estão voltadas para o consumo e, principalmente, para o mercado financeiro.

Visam estimular o ingresso de dólares, segurar a desvalorização cambial e ajudar os negócios do sistema financeiro e da bolsa. Por isso, o governo eliminou o IOF de 6% sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa e o IOF de 2% sobre aplicações estrangeiras na bolsa.

O ministro cometeu de cara um erro, ao anunciar que o governo pode voltar atrás no caso do IOF. Isso deve atenuar o impacto das medidas, pois passa a ideia de instabilidade de regras.

As medidas para incentivar o crédito ao consumo e os preços de eletrodomésticos são modestas e feitas às custas de estados e municípios que dependem muito dos Fundos de Participação. Ou seja, impacto negativo sobre as regiões menos desenvolvidas do Brasil. Isto porque diminuem o IPI, que representa cerca de 50% daqueles fundos.

Os principais problemas da economia brasileira hoje são a queda dos investimentos industriais, a incapacidade do governo para investir na infraestrutura, a invasão dos importados e a própria taxa de juros.

No entanto, as medidas anunciadas vão pelo lado do consumo e, sobretudo, do setor financeiro, e não terão nenhum impacto efetivo sobre investimentos produtivos.

Apesar da queda de ontem, de 0,5 ponto percentual, a taxa de juros real projetada é de 5,5 por cento, de longe, ainda, a maior do mundo.

Deputado SÉRGIO GUERRA
Presidente Nacional do PSDB

Tucanos vão implementar nova agenda e criticam governos Lula e Dilma – Aécio diz que falta choque de profissionalismo na gestão pública

Choque de Gestão, Gestão Pública, Combate à Corrupção, Administração Pública, inchaço da máquina pública

Evento tucano no Rio concentra críticas ao PT

Fonte: Cássio Bruno – O Globo

Cúpula do PSDB deixa divergências de lado para fazer duros ataques às administrações de Lula e Dilma

Com um discurso de “renovação” para promover o “debate de ideias no país”, o PSDB usou ontem o seminário “A nova agenda – desafios e oportunidades para o Brasil”, no Rio, como palanque eleitoral. A cúpula tucana, incluindo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador Aécio Neves, atacou o PT e os governos Lula e Dilma Rousseff. Organizado em um  hotel da Zona Sul pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV), entidade de formação política  do PSDB, o evento serviu também para enaltecer os oito anos da administração de FH e das gestões do PSDB em Minas Gerais e em São Paulo.

Em um discurso de quase 20 minutos, o ex-presidente Fernando Henrique não economizou nas críticas. Segundo ele, a área de infraestrutura é desvalorizada em termos de recursos pelo atual governo, que, além disso, cometeria equívocos no setor.

– Para que trem-bala, meu Deus? E olha que eu sou paulista/carioca. Para mim, é uma maravilha – ironizou ele, ao se referir ao projeto de transporte que ligará os estados do Rio e de São Paulo. – Em termos de prioridade de gastos, o  Programa  de  Aceleração  do  Crescimento  (PAC)  não  existe.  É  um  amontoado  de  iniciativas  desencontradas – completou.

“Lula deformou o que foi feito antes”

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi alvo de Fernando Henrique:

– Dizem a miúdo que o governo Lula seguiu o que foi feito antes. Não! Ele deformou, destruiu o que foi feito. Como não tinham programa (de governo), pegaram o nosso e, como não sabiam executá-lo, executaram mal.

FH citou o slogan do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “yes, we can” (sim, nós podemos). O tucano sugeriu uma adaptação: “Yes, we Care” (sim, nós cuidamos).

– O que falta é carinho, é atenção. Temos de ser o partido que se preocupa com as pessoas, com o seu bem-estar – afirmou ele, que também falou sobre juros, atacando os adversários:

– O PSDB agora é um partido que quer baixar os juros. Perguntam: por que não fizeram antes? Porque as condições eram outras. Mas, em 2008, já podiam ter baixado os juros. O temor atual é: será que vai dar certo? Ou seja: será que não existe mais um risco de a inflação voltar por aí?

Aécio ressaltou importância da união do partido

O seminário contou com a presença de deputados, governadores, senadores, prefeitos e vereadores, além de filiados. O ex-candidato à Presidência e ex-governador de São Paulo José Serra chegou a avisar aos organizadores que não compareceria, pois estava em Londres, mas acabou chegando na última hora. Ele retornou ao país no mesmo voo de um dos palestrantes, o ex-presidente do Banco Central Pérsio Arida.

Antes de surpreender os convidados ao convocar Serra para discursar, Aécio admitiu ser “natural” haver divergências no partido. O senador, no entanto, ressaltou a união de tucanos para construir um projeto para o Brasil nas próximas eleições. E mirou no PT:

– No momento em que o PT abdica de um projeto de país para se dedicar exclusivamente a um projeto de poder custe o que custar, cabe ao PSDB fazer o que inicia aqui hoje (ontem): propor uma nova e ousada agenda para o país.

Aécio criticou o inchaço da máquina pública, lembrando das crises ministeriais no governo Dilma Rousseff:

– O que falta hoje no Brasil é um choque de profissionalismo na gestão pública. É inconcebível que tenhamos, hoje, quase 40 ministérios. Para quê? Para que ministérios, como o do Esporte, tenham 75% dos cargos de livre nomeação ocupados pelos companheiros partidários? Isso não existe.

Serra seguiu o mesmo tom:

– Toda oposição precisa beber do conhecimento, de fontes intelectuais para poder avançar. E não só a oposição. Aliás, um traço marcante dos governos do PT é a absoluta impotência para produzir idéias novas.

Para Serra, a administração petista é um factoide:

– Trata-se de um governo que vive a reboque dos acontecimentos, inclusive da explosão de escândalos no seu interior. Um governo de factóides e salamaleques, especialmente nos fóruns internacionais.

A  plateia  assistiu a  palestras  de  especialistas e  ex-colaboradores  do  governo FH  nas  áreas  de segurança  pública, educação, saúde, previdência e economia. No encontro, o grupo comparou índices da gestão presidencial tucana com as de Lula e Dilma.

– De 1995 a 2002, foi a fase em que implantaram no SUS as principais inovações e de atenção básica da família. Em 2011, os principais problemas da Saúde são o tempo de espera, a falta de médicos, a falta de medicamentos básicos e a qualidade precária no atendimento – comparou o economista André Médici, na apresentação sobre o assunto.

PSDB: “Nós estamos começando a falar com uma nova voz. Agora é a voz dos que querem vencer”, disse Fernando Henrique em encontro de tucanos no Rio

Gestão Pública, Combate à Corrupção,  Administração Pública

Fonte:  Marcelo Mota e Guilherme Serodio – Valor Econômico

“PSDB tem que ser o partido do carinho e da equidade”, diz FHC

Nenhum candidato foi lançado, nenhum novo manifesto foi escrito, mas os tucanos presentes ao evento promovido ontem pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV) saíram de lá com a sensação de que algo novo aconteceu. O que era para ser um evento alheio à agenda partidária, promovido por um órgão de difusão da doutrina social-democrata, acabou se tornando uma grande consagração entre tucanos que nem sempre se bicam, mas que ainda sonham com uma revoada de volta ao Planalto.

“Nós estamos começando a falar com uma nova voz. Agora é a voz dos que querem vencer”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aplaudido de pé por uma plateia eufórica após o seu discurso de encerramento. FHC falou em união do partido, e tinha ao seu redor alguns dos principais nomes do PSDB, como o senador Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador do Estado José Serra, o presidente do partido, Sérgio Guerra e o presidente do ITV, Tasso Jereissati.

A montagem do evento havia sido confiada por Tasso a Elena Landau. Primeiro, subiram ao palco alguns dos pais do Plano Real, como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Persio Arida e Edmar Bacha. Pouco a pouco, os políticos converteram o tablado em tribuna.

“Um partido existe quando tem capacidade de se antecipar, de reinventar o futuro”, disse FHC. Depois de ter seu legado defendido pelos que o antecederam no palco e por uma cartilha distribuída na entrada, rechaçou “a pecha de que o PSDB não quer desenvolvimento” e conclamou seus correligionários a fazerem oposição e a pensarem o país.

Para Aécio, pensar o Brasil é essencial, mesmo que não seja “pensar sempre na mesma direção”. Falando em união e reconhecendo que a atual administração tem seus méritos, o presidenciável tucano procurava um tom de conciliação, depois de muita especulação sobre rusgas que dominaram os bastidores do partido às vésperas do evento. Boa parte delas dava conta de que José Serra evitaria comparecer. Entre os rumores para a ausência, desde uma suposta frustração de Serra por ter sido preterido para o ITV, que acabou nas mãos de Tasso, até possíveis divergências quanto à política econômica.

“Foi tudo futrica”, afirmou Serra, que alegou ter enfrentado dificuldade para encontrar um voo que o trouxesse de Londres a tempo e por isso não havia confirmado sua participação até a última hora. Chamado ao palco por Aécio, Serra ocupou a tribuna com um discurso de oposição que, em alguns pontos, foi mais ferrenho até do que se via em sua campanha à Presidência. “Trata-se de um governo de factóides, de salamaleques”, disse.

A esta altura, FHC já havia subido ao palanque, chamado também por Aécio, cujo papel seria de apresentar o ex-presidente. Esse arranjo deu conta do improviso necessário para encaixar Serra na programação. O senador mineiro, por sua vez, havia sido chamado efusivamente ao palco por Guerra, que discursara depois de Tasso, o anfitrião da festa. Em vez de mineiro, foi chamado por Guerra, em tom de brincadeira, de “o único senador carioca do PSDB”, em alusão à sua presença frequente no Rio. A brincadeira servia para legitimar o destaque que caberia a Aécio no evento, se não tivesse acabado dividindo a cena com Serra.

Imbuído do espírito de reunião partidária, FHC lançou um novo mote para o PSDB: “Tem que ser o partido do carinho e da equidade”. Mas o carinho embutia um ataque ao governo petista, que o ex-presidente acusa de não ter estratégia e pecar pela gestão. A equidade também carregava uma crítica ao que FHC chamou de um coletivismo do PT que “não respeita as pessoas”. “Não é só querermos mais, é querermos melhor”, arrematou.

Melhor em termos de juros, inclusive. O aperto monetário, que foi severo no governo FHC, foi combatido até por aqueles que ocupavam a presidência do Banco Central naquela gestão, como Gustavo Franco e Armínio Fraga. Outro vilão apontado por todos os palestrantes foi a política industrial da administração petista. Fraga atacou a atuação de órgãos do governo em fusões e aquisições, como o Cade e o BNDES.

Tomando o cuidado de não confundir sua crítica ao ataque desferido por Fraga, já que seu banco, o BTG Pactual, apoiou com veemência a tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour defendida pelo BNDES, Arida se ateve a combater a tática de financiar setores da economia, discricionariamente, por meio de crédito subsidiado. Sua palestra surpreendeu pelo apelo político e foi encampada pelos caciques do partido que o sucederam no púlpito. Arida disse que, se BNDES e Caixa operassem com juros de mercado, a taxa básica seria menor para todos, enquanto os rendimentos da poupança e do FGTS seriam maiores.

O tipo de carinho ao qual FHC se referiu em seguida. Animado com a ideia de Arida, que considerou “revolucionária”, o ex-presidente chegou a arriscar um trocadilho em dois idiomas. A partir do mote de campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, “Yes, we can [sim, nós podemos]”, lançou o “Yes, we care [sim, nós cuidamos]”.

Aécio reúne tucanos em São Paulo para lançamento do documentário sobre Tancredo

Fonte: Gabriel Manzano – O Estado de S.Paulo

Em tributo a avô, Aécio olha para 2014

Senador diz que ‘ninguém é dono do seu destino’ em pré-estreia de filme sobre Tancredo, que reuniu tucanos em cinema paulistano 

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) não conseguiu fugir do tema eleições presidenciais, ontem, em São Paulo, na estreia do documentário Tancredo, a Travessia, que retrata alguns dos principais episódios da vida de seu avô. Indagado sobre sua possível candidatura em 2014, como um “continuador” do destino político do avô, o senador filosofou: “O que determina isso são sempre as circunstâncias. Ninguém é dono do seu destino”.

Aécio foi à exibição acompanhado da irmã, Andrea, e da mãe, Inês Maria. A cúpula tucana também prestigiou o filme, produzido pela Intervídeo, de Roberto d’Ávila, e dirigido por Silvio Tendler. Entre os convidados estavam o governador Geraldo Alckmin – que levou consigo a primeira-dama, Lu Alckmin – , os ex-governadores José Serra e Alberto Goldman e o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE). Também estavam lá outros secretários tucanos, como Andrea Matarazzo, de Cultura do Estado, e José Gregori, dos Direitos Humanos do município, e o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário.

“O Brasil perdeu pelo menos dez anos com esse episódio”, comentou Aécio sobre a morte de Tancredo, um dos momentos cruciais do filme. Ele desconsiderou as cobranças de que a produção poderia ajudar sua eventual candidatura. “Fiz questão que não fosse um filme sobre família. Queríamos a figura de Tancredobem retratada.”

Eleições foram ainda o tema de Alckmin. Logo ao chegar ele comentou os apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para que o PSDB olhe melhor para a periferia. “É o que eu sempre disse, a gente tem de amassar barro. Já fizemos isso, e vamos continuar fazendo.”

Serra também falou de 2014, ao enfatizar a importância das alianças, uma marca de Tancredo. “Alianças são fundamentais, elas fazem parte do cenário, especialmente em um cenário multipartidário como o nosso.”

Participação. Em 95 minutos, o filme dá a Aécio um tratamento generoso. Embora não tivesse participação direta nos episódios mais importantes da vida política do avô – ele tinha 25 anos e era secretário particular de Tancredo em 1985 -, suas aparições são marcantes: está presente em mais de dez inserções. São bem mais breves as cenas de políticos que conviveram com Tancredo e partilharam de decisões, como os ex-presidentes FHC ou José Sarney.

O diretor se defende. “Toda vez que faço um documentário aparece alguém dizendo que favoreci alguém. Isso não procede. No filme eu ouvi Aécio, como ouvi o general Leônidas (Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército), ouvi o Fernando Lyra (ministro da Justiça do governo Sarney, indicado por Tancredo), tantos outros, até o Jarbas Vasconcelos (que foi contra a eleição indireta que elegeu Tancredo)”. O diretor lembrou, ainda, que queria, apenas, “fazer um filme histórico”.

D’Ávila refutou, como ele, a tese de que o filme serviria a propósitos políticos de Aécio. “Não é um filme chapa-branca”, afirmou o produtor.

Em tom contido, mas elogioso, Tancredo entrevista 28 personalidades e repassa episódios da vida do político mineiro: sua participação nos dias finais de Getúlio Vargas, toda a articulação para a posse de João Goulart em 1964, os contatos com o general Castelo Branco, a oposição ao regime militar e os discursos nos comícios das Diretas Já.

“O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando”, analisou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

Fonte: Eduardo Brescini – Estado de S.Paulo

Posicionamento de Aécio abre debate para 2014

Líderes da oposição avaliam declaração do senador mineiro como positiva, mas lembram que ela não antecipa definição do candidato 

A entrevista do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Estado, publicada ontem, foi vista na oposição como a abertura de um debate público sobre a eleição presidencial de 2014. Aécio disse estar preparado para enfrentar tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas terá ainda de se cacifar dentro de seu partido e conquistar alianças para chegar ao posto de candidato da oposição daqui a três anos.

Dentro do PSDB, o maior obstáculo é a insistência do ex-governador paulista José Serra. No DEM, principal aliado dos tucanos na oposição, há o sonho de uma candidatura própria.

Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), a manifestação do senador mineiro visa a reafirmar a posição dele no tabuleiro de 2014. “O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando”, analisa. Guerra não vê, porém, uma antecipação do período eleitoral. “Ele está cumprindo o papel que lhe cabe como líder nacional. Não há antecipação da eleição, mas um posicionamento claro dele. Ele sabe que a definição de 2014 ainda não começou.”

O pronunciamento de Aécio, porém, levou lideranças tucanas a reafirmarem a defesa das prévias para a escolha de um candidato a presidente daqui a três anos. “A busca de uma legitimidade da candidatura através das primárias torna muito mais forte o nome. Seria bom até para o Aécio”, diz o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), lembrou que o senador mineiro já tinha manifestado a intenção de disputar a eleição de 2014 em encontro com a bancada do partido. Para Nogueira, a afirmação de Aécio de se colocar à disposição para enfrentar também o ex-presidente Lula anima a oposição. “Ele confidenciou que gostaria de ter o Lula como oponente. Essa foi uma provocação positiva porque nos dá uma expectativa de poder. A oposição se constitui com mais robustez no momento em que demonstra viabilidade eleitoral.”

Aliado. Na visão do presidente do DEM, senador José Agripino (RN), Aécio fez um discurso para o PSDB, deixando a discussão de alianças em segundo plano. “Ele se coloca como uma linha antagônica ao PT. Expõe-se como candidato do PSDB. Com relação aos aliados, faz menções superficiais. Foi mais uma movimentação interna do PSDB do que uma sinalização para a oposição como um todo.” Agripino ressalta ainda não ser o momento de discutir alianças e observa que seu partido poderá ter nome próprio em 2014.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), julgou a entrevista positiva por Aécio propor um enfrentamento com o governo federal. “O Aécio desceu do muro e vai para a guerra. Ele está certo, não adianta querer fazer política contemporizando com quem ele vai disputar.”

O presidente tucano reconhece que a aparição pública de Aécio aconteceu depois de uma cobrança feita por correligionários. A expectativa dos tucanos é de que o senador mineiro se torne mais ativo no Congresso. “Ele precisa se desinibir, ir para o embate oferecendo contrastes ao governo, com a contundência da oposição. Agir com responsabilidade, mas com firmeza. Não deixar o governo respirar”, diz Duarte Nogueira.

Sérgio Guerra: “corrupção aparece associada ao PT”, comentou o presidente do PSDB sobre pesquisa encomendada pelo partido

Fonte: Correio Braziliense

Presidente do PSDB admite que a sigla precisa de mudanças estruturais se quiser voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2014 com chances de interromper o ciclo do PT no poder

Entrevista: Sérgio Guerra

Desde que recebeu, na semana passada, os resultados da pesquisa que aponta o favoritismo da presidente Dilma Rousseff para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, o PSDB foi para o divã. Com os elementos positivos e negativos da legenda em mãos, a maioria de seus líderes está convicta de que, ou a sigla promove mudanças internas profundas, ou chegará à próxima corrida presidencial com fôlego ainda menor do que o verificado no ano passado.

O foco na Presidência da República é o principal motivo para, em 7 de novembro, os tucanos anunciarem uma reestruturação interna e a antecipação de calendários, inclusive a data da escolha do presidenciável, prevista para 2012, tão logo terminem as eleições municipais. E, nesse quesito, em entrevista exclusiva ao Correio, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, fala com tamanha ênfase da necessidade de “algo novo” dentro do ninho tucano que deixa transparecer o nome do senador Aécio Neves (MG) como o primeiro da fila, da mesma forma que desconversa quando questionado sobre a possibilidade de José Serra voltar a concorrer ao Planalto. “Se ele (Serra) quiser, o partido analisará, mas ele não coloca isso”, diz o deputado pernambucano.

Guerra cita ainda uma série de jovens candidatos a prefeito por todo o país, que representam a renovação dos quadros do PSDB. Confira os principais trechos da entrevista.

Presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra

O que levou o PSDB a precipitar essa caminhada rumo a 2014?
Ninguém se apresentou efetivamente como candidato. No partido, muita gente acha que devemos escolher nosso presidenciável com brevidade para que representemos uma alternativa de poder. Mas não houve lançamento, nem escolha de nome. Do meu ponto de vista, a situação deverá estar resolvida tão logo sejam concluídas as eleições municipais. Defendo isso há muito tempo. O presidente Fernando Henrique também defendia isso lá atrás.

Então foi um erro, nas últimas eleições, deixar a escolha para o último segundo?
Não. Primeiro, foi escolha do próprio Serra, do candidato. Ele deixou claro que só trataria disso quando saísse do governo (José Serra se desincompatibilizou do cargo de governador de São Paulo no fim de março de 2010 para concorrer à Presidência da República). Segundo, houve intensa movimentação de dois pré-candidatos, José Serra e Aécio Neves, que percorreram o país inteiro. Terceiro, porque as pesquisas davam com muita clareza a preferência pelo nome de Serra, o que, de alguma forma, já antecipava a escolha dele.

Mas agora as pesquisas indicam Dilma muito bem e Aécio praticamente já se coloca como uma alternativa. Pelo menos isso é o que foi veiculado na semana passada…
Aécio era pré-candidato antes. Tão logo as últimas eleições de presidente foram encerradas, o nome dele apareceu naturalmente como possível presidenciável para 2014. Agora, ele disse uma única frase: que, se tivesse que ser candidato, gostaria de enfrentar o Lula. A partir daí, inferiram que ele era candidato lançado.

E o Serra? Onde ele se encaixa?
Serra não disse até agora que é candidato a coisa nenhuma. O Serra tem andado pelo Brasil quase todo, escrito semanalmente. O pensamento dele tem grande influência no partido. Quanto ao projeto pessoal dele, não saberei responder. Mas ele tem envergadura para qualquer projeto.

E se ele quiser a Presidência?
O partido certamente analisará o assunto. Mas ele não manifesta esse desejo e isso não está em discussão. Vamos cuidar do tema depois das eleições municipais. Na verdade, o PSDB é o sonho de consumo de muitos brasileiros. Aparentemente, o produto não tem a qualidade que gostariam. Não é fácil responder a sonhos. Por isso, há tantas críticas. As pessoas, às vezes, nos comparam àquilo que elas gostariam que nós fossemos.

Quais são os empecilhos para responder aos sonhos?
O PSDB enfrenta uma máquina muito poderosa. Os petistas e essa maioria que eles arregimentaram mudaram a ética da política no Brasil. Se antes havia alguns desvios de conduta, eles agora estão generalizados. Enfrentar essa máquina não é fácil. Ainda mais quando tem uma liderança como o Lula, que veio do povo, que fala como o povo e é inteligente, um líder muito forte. E nós temos uma ética, não torcemos contra o Brasil, não apostamos no “quanto pior, melhor”. Não queremos que o governo da Dilma seja um desastre, nada disso. Ao contrário, se a gente puder ajudar para que governe bem, vamos ajudar. Então, essa atitude nova demora a ser reconhecida, mas há elementos na sociedade que apontam nesse reconhecimento. A sociedade acha que somos sérios, que temos competência. Nos estados, somos mais bem avaliados onde governamos. Nossos gestores são vistos como os mais competentes. São elementos que podem fazer a diferença. E isso tudo tem que estar associado a um projeto novo, de muita energia.

A pesquisa, que mostrou esses elementos, falou ainda da falta de bandeiras…
A pesquisa demonstra que tivemos ganhos importantes no governo FHC e que não divulgávamos essas conquistas nem no governo nem depois dele com a intensidade que deveríamos ter feito. Durante todo esse período, erramos na comunicação do partido. Ao longo do governo Lula, nos oito anos de uma comunicação poderosa, muitas vezes até ilegal, o PT apareceu como dono de algumas bandeiras que eram nitidamente nossas. A pesquisa mostrou isso, e ainda apontou que o governo Dilma não tem alicerces seguros.

Por exemplo?
Das pessoas ouvidas, 40% acham que Dilma combate a corrupção. E 40% acreditam que ela não combate. Em vários pontos, fica claro que a questão da corrupção aparece associada ao PT. E o PT, no passado, era o partido dos puros, daqueles que perseguiam os corruptos. Eles perderam esse patrimônio. O que de fato existe, e de uma maneira muito clara, é uma popularidade do PT e da suas lideranças que têm duas razões centrais. A primeira, os programas de benefícios sociais, que são, na realidade, os programas que o PSDB fez, mas ampliados. Em segundo, um certo ambiente macroeconômico que ainda favorece o Brasil.

O PSDB passa a impressão de continuar adiando uma disputa interna que agora parece inevitável entre Serra e Aécio ou entre alas do partido…
Em 2002, Serra foi candidato, sem muita disputa. Em 2006, Geraldo Alckmin foi candidato. Serra não quis. Em 2010, Aécio fez uma carta, na qual reconhecia que as condições de favorabilidade de Serra nas pesquisas deveriam prevalecer na escolha dele como candidato. O fato de ter pessoas disputando o direito de ser candidato a presidente da República de forma alguma deveria nos prejudicar. O que nos prejudica é a falta de um ambiente democrático que faça dessas discussões e dessas disputas algo ordinário e plausível. Faltou democracia interna e instâncias múltiplas que organizassem esse processo de escolha.

O que seria essa democracia interna? O que falta para chegar a ela?
Nesse momento, passa por uma grande reforma do partido, pelo surgimento de novas lideranças que vão se apresentando à sociedade, pela realização de prévias onde for preciso, pela criação de uma série de secretarias que vão interagir com a população. São reformas que vamos anunciar em 7 de novembro. Não é à toa que, nessa eleição para as prefeituras, muitos nomes novos vão se colocando.

Que reforma é essa que o partido fará?
Teremos duas mudanças importantes: estrutura e intervenção sobre situações estaduais que estão insustentáveis. Vamos mudar e todo mundo vai ajudar. O próprio Fernando Henrique acha que tem que mudar tudo e é mais radical do que nós. O que deseja é o novo projeto do PSDB para o futuro. A agenda que está aí foi a que nós fizemos, que Lula desenvolveu e expandiu. Temos que olhar para frente. Não podemos ficar disputando com Lula o que já é visto como dele. A proposta é ousada e vamos ousar.

Qual a influência de FHC, hoje, no partido?
Agimos muito em função das orientações dele, mas ele não entra nos detalhes.

E como o PSDB lida com essa aproximação entre Dilma e FHC?
Dilma trata Fernando Henrique de forma republicana, civilizada e equilibrada. Fernando Henrique trata a presidente Dilma da mesma forma. Isso é perfeitamente normal.

Mas a bancada do PSDB não gostou quando FHC disse que os tucanos deveriam apoiar a faxina..a.
Fernando Henrique esteve certo em quase tudo, mas ali errou na dose. Ele estava movido pela convicção sincera de que Dilma estava fazendo um esforço, e que nós deveríamos apoiar esse esforço. Mas o fato é que o que ela fez foi uma reação ao PR. Não reagiu ao PMDB e, muito menos, ao PT. A demissão de Palocci, por exemplo, foi arrancada pelo povo, pela sociedade, contra a vontade da presidente.

A favor do trabalhador: Aécio Neves e Sérgio Guerra assinam em BH primeiras filiações do PSDB Sindical

Presidente Sérgio Guerra e o senador Aécio Neves assinaram as primeiras filiações do PSDB Sindical

Fonte: PSDB-MG

O PSDB de Minas Gerais lançou, neste sábado (20/08), em Belo Horizonte, o Secretariado Estadual de Relações Trabalhistas e Sindicais – o PSDB Sindical. Com a assinatura inicial de cerca de 150 sindicalistas, o partido está aberto a novas filiações de todas as centrais sindicais do Estado, que terão papel fundamental na renovação do partido, na ampliação do diálogo com a sociedade e na discussão de projetos para o país.

O lançamento do PSDB Sindical contou com a presença de mais de 400 pessoas, entre elas importantes lideranças do partido como o senador Aécio Neves, o governador Antonio Anastasia, o presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra, o líder do PSDB na Câmara, deputado federal Duarte Nogueira, o presidente do PSDB de Minas, deputado federal Marcus Pestana, além de parlamentares e lideranças sindicais.

Durante o lançamento do PSDB Sindical, o senador Aécio Neves destacou a importância da criação do novo núcleo partidário e afirmou que o braço sindical é uma demonstração clara da preocupação do partido com o social e com os trabalhadores.

“É um momento extremamente importante, de repercussão além das fronteiras de Minas. Estamos recebendo sindicalistas da maior expressão, que vêm formalmente somar conosco no PSDB, dando a demonstração que o PSDB tem um projeto para o país. Obviamente, um projeto que passa pela questão social, pelos interesses do trabalhador”, afirmou Aécio Neves.

A filiação dos trabalhadores, segundo o senador, demonstra ainda que os movimentos sindicais buscam novos interlocutores e que a aproximação do PSDB com as centrais sindicais é um retorno às origens do partido.

“É uma demonstração de que, por maior que tenha sido o esforço do governo federal, ele não conseguiu aparelhar todo o movimento sindical. Parcela dele sim. Mas, aqui estamos vendo, com muita clareza, que o movimento sindical busca outros parceiros, outros intérpretes para os seus sentimentos, suas angústias e seus projetos. O PSDB, ao receber da forma que recebe um grupo tão expressivo de sindicalistas, na verdade, retoma suas origens. E é o que o PSDB tem buscado fazer”, observou Aécio.

Participação dos trabalhadores

Aécio Neves e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, assinaram as primeiras filiações do PSDB Sindical.Os sindicalistas entregaram aos dirigentes do partido o manifesto “Carta dos Trabalhadores Mineiros”, em defesa da criação do novo secretariado do partido em Minas, terceiro estado a instituir o núcleo sindical. No primeiro semestre deste ano, foram criados núcleos em São Paulo e Tocantins.

Sérgio Guerra afirmou que o PSDB quer ampliar para todo o país a participação dos trabalhadores nas decisões do partido. Segundo Guerra, que cumpre mais um mandato como presidente da Executiva Nacional para o biênio 2011/2013, o objetivo é renovar e modernizar o partido. Para ele, o PSDB precisa falar pelo povo brasileiro que não consegue ter voz.

“O nosso objetivo é que os trabalhadores participem das decisões do partido, que deve representar também suas aspirações e objetivos. Que o partido seja amplo, como amplo é o Brasil. Os trabalhadores não querem ser tutelados. O movimento sindical brasileiro se esvaziou quando algumas das grandes centrais se transformaram em correias de transmissão do poder central. Estamos juntos, com toda a coragem e determinação, sem oportunismo nenhum. Esse partido tem que se encher de gente nova, de sindicalistas, de gente que tem independência e que fale pelo povo, que muitas vezes não consegue falar”, afirmou o deputado.

Leia mais: Blog do PSDB de Minas Gerais

http://psdbminas.wordpress.com/2011/08/20/psdb-de-minas-gerais-lanca-nucleo-sindical/#more-2637

Herança maldita: Presidente do PSDB Sérgio Guerra diz Governo Dilma “vai produzir crise o tempo todo”

Para Guerra, governo Dilma produzirá crise “o tempo todo”

Fonte: Agência Estado

Presidente nacional do PSDB defendeu “faxina” em todos os ministérios

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Sérgio Guerra (PE), disse que o governo federal, do jeito que foi montado, “vai produzir crise o tempo todo” e sugeriu, nesta quinta-feira,em Porto Alegre, que a presidente Dilma Rousseff mude sua equipe. “Ou ela enfrenta isso ou não vai fazer mais nada”, afirmou. “Essa forma de governo que está aí não vai se sustentar, nem as personalidades que foram indicadas sem critério nenhum, muitas vezes com passado não tão limpo assim, para governar áreas importantes do País”, avaliou.

Em breve entrevista coletiva, pouco antes de almoçar com tucanos gaúchos, Guerra enumerou algumas medidas que Dilma poderia tomar. Uma delas seria “limpar esse ministério e fazer um ministério que tenha espírito público, que não seja parcelamento de interesses”. O dirigente tucano também considera necessário que a presidente estabeleça os objetivos que tem para o País e discuta suas propostas inclusive com a oposição.

“Tem que limpar”, insistiu. “Se ela peitar mesmo (os aliados), se tiver capacidade de enfrentar isso, vai ter alguma reclamação mas esse pessoal não tem para onde ir, evidentemente a tendência é ficar por lá mesmo porque adora o governo”, prosseguiu. Para Guerra, desde o governo Lula, 90% das crises tiveram origem na base da própria presidência. “Um setor denuncia outro, um reclama do outro e aparecem práticas que todo o mundo conheceu”.

Guerra reiterou que a oposição quer que a limpeza não fique restrita a alguns aliados do governo. “Estamos atentos para que essa pretensa faxina não fique apenas em uma ação contra o PR, que se amplie para outras áreas e que não se estabeleçam regras de proteção aos mais poderosos”, afirmou. “Há denúncias por todo lado e o PT não bota a cara; o PT governa mais de 80% do Brasil e não tem nada sobre ele”, prosseguiu, tentando responsabilizar também o maior adversário político pelas crises nas áreas dos Transportes, Agricultura e Turismo. “Esse é um governo do PT, eles é que são responsáveis”.

Críticas a Dilma

Ao mesmo tempo em que dizia torcer para que Dilma supere as dificuldades que se imponham a ela e apoiar medidas que a presidente venha a tomar para punir culpados por má conduta administrativa, Guerra criticava a chefe do Executivo. O presidente do PSDB ressaltou que não acredita que Dilma consiga controlar as brigas da base e reestruturar a máquina pública. “Eu até acredito que ela tenha alguma vontade, mas força não tem demonstrado”, disparou.

Guerra também criticou as nomeações da equipe de Dilma afirmando que “é impossível errar tanto em tão pouco tempo” e cutucando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Acho que ela não nomeou, alguém nomeou por ela”. Provocado a comparar Lula e Dilma, Guerra citou algumas diferenças que vê entre os dois. “Ela não é como Lula, que levava tudo na conversa e na garganta, até porque ela me parece uma pessoa que não gosta de ser contrariada, que tem preocupação com o julgamento de sua atitude ética e política; o Lula planava acima do bem e do mal, ele achava que resolvia tudo com palavras que falava todo dia na imprensa, em todo lugar”.

Em sua passagem pela capital gaúcha, Guerra reuniu-se com diretores da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), para falar de economia, e com lideranças do PSDB, para tratar das eleições municipais de 2012. A meta é fazer o número de prefeituras administradas pela sigla crescer 50%.

Herança maldita: Merval Pereira elogia análise de Aécio Neves sobre nova crise do Governo do PT e o estranhamento de abdicar da responsabilidade de governar

Herança maldita

Fonte: Artigo Merval Pereira – O Globo

A oposição brasileira, depois de um período de letargia ainda não totalmente superado, começa a dar sinais de que pode ter posições comuns sobre como atuar com vistas a se posicionar diante do eleitorado em 2014, como uma alternativa a 12 anos de governos petistas.

As sucessivas crises que assolam os primeiros seis meses de governo de Dilma Rousseff vão consolidando a percepção generalizada de que ela está interinamente no comando do Executivo, guardando a vaga para a volta de Lula à Presidência da República.

A própria presidente se encarrega de reforçar essa hipótese quando admite, como fez ontem na inauguração do teleférico do Morro do Alemão, que sente muita saudade de Lula.

A súbita emoção externada por Dilma deu a impressão de que ela sente falta do apoio de seu mentor político diante do quadro conturbado que vive no momento, de crise com sua base aliada.

Ela, aliás, outro dia colocou mesmo em dúvida se ganharia a reeleição caso venha a disputá-la, ou, no limite, se tentará se reeleger, ao comentar com um repórter que aventava a possibilidade de uma medida qualquer ser tomada apenas no segundo mandato. “Se houver segundo mandato”, atalhou Dilma.

Depois de momentos de distensão política entre a presidente e tucanos -que provocou até mesmo críticas a um documento que o ex-governador de São Paulo José Serra divulgou em nome pessoal, considerado por alguns extemporâneo -, a crise com o PR no Ministério dos Transportes levou a um mesmo caminho os grupos tucanos que disputam a hegemonia partidária.

O documento de Serra, denominado “A nossa missão”, faz uma ampla análise da situação atual e resume no tópico “A herança maldita” o que considera os pontos fracos da atual administração petista – especialmente o que chamou de “as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país”, divididas em quatro pontos:

“1. O perverso tripé macroeconômico: temos a carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; a maior taxa de juros reais de todo o planeta, ainda em ascensão, e a taxa de câmbio megavalorizada. A isso se soma uma das menores taxas de investimentos governamentais do mundo”.

“2. O gargalo na infraestrutura: energia, transportes urbanos, portos, aeroportos, estradas, ferrovias, hidrovias e navegação de cabotagem. Um gargalo que impõe custos pesados à atividade econômica e freia as pretensões de um desenvolvimento mais acelerado nos próximos anos”.

“3. As imensas carências em Saneamento, Saúde e Educação, que seguram a expansão do nosso capital humano”.

“4. A falta de planejamento e de capacidade executiva no aparato governamental, dominado pelo loteamento político, pela impunidade, quando não premiação, dos que atentam contra a ética, e por duas predominâncias: do interesse político-partidário sobre o interesse público, e das ações publicitário-eleitorais sobre a gestão efetiva das atividades de governo”.

Ontem, foi a vez de o senador e ex-governador mineiro Aécio Neves sair do repouso forçado a que se submete depois de um tombo de cavalo, para – em reunião com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra, e do Instituto Teotônio Vilela, ex-senador Tasso Jereissati – falar também da “herança maldita” deixada por Lula, centrando sua fala na questão ética. Sem, no entanto, esquecer as críticas à má qualidade de nossa infraestrutura e da nossa educação.

A análise de Aécio Neves sobre os últimos episódios é interessante, porque trouxe à discussão o imbricamento entre o Executivo e sua base aliada no Congresso, estranhando que a Presidência da República queira abdicar de sua responsabilidade diante das denúncias envolvendo partidos que a apoiam, “algo novo, inusitado para mim, e talvez novo também em nível mundial”.
De fato, é a junção do Executivo com o Legislativo que forma o governo, e não é possível separar os dois poderes quando o Executivo depende do apoio de sua bancada no Legislativo para executar um programa de governo.

“Quando um eleitor vota no candidato à Presidência da República, delega a ele a responsabilidade para conduzir o governo, e cada um dos seus ministérios, das empresas públicas. E deve cobrar desse presidente que recebeu a delegação pelos equívocos que ocorram. E deve cumprimentá-lo também pelos êxitos que venham a ocorrer”, lembrou Aécio Neves, para quem há uma tentativa de setores do PT de “lavarem as mãos e dizerem ‘não temos nada com isso'”.

O senador mineiro criticou ainda o fato de que nenhuma das demissões ou afastamento de dirigentes públicos e ministros tenha se dado pela ação direta do governo, por meio de seus órgãos de controle, ou por meio do Ministério Público: “A imprensa brasileira é que levou o governo a, defensivamente, afastar essas pessoas”.

Dizendo que essa situação é preocupante, Aécio Neves afirmou que há “uma certa passividade no governo federal, para não dizer uma certa cumplicidade, com alguns malfeitos. Se não houver denúncias da imprensa, fica tudo como está”.

Batendo na tecla de que esse não é um governo novo, o senador mineiro ressaltou o fato de que o mesmo grupo político está no poder há nove anos, para afirmar que “se há uma herança maldita do ponto de vista ético, ela é de absoluta e inteira responsabilidade do atual governo”.

Usando o mote “herança maldita” para fustigar o governo, a oposição se arma também para a possibilidade de que Lula venha a ser o candidato petista à sucessão de Dilma, atirando sobre seus ombros os problemas éticos que perseguem os governos petistas desde o “mensalão”.

Aécio Neves diz que o início do Governo Dilma é ‘o mais negativo da nossa história política recente’

Aécio: início do governo Dilma é o mais negativo

Fonte: Thiago Herdy – O Globo

Tucanos responsabilizam PT por escândalos e dizem que partidos da base aliada são a oposição mais vigorosa

BELO HORIZONTE. Depois de um encontro com lideranças do partido, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) elevou ainda mais o tom no discurso contra o governo federal, em meio aos desdobramentos da crise nos Transportes, e avaliou o primeiro semestre do governo de Dilma Rousseff como “o mais negativo da nossa história política recente”. O tucano culpou o PT pelos escândalos no governo, mesmo que envolvendo dirigentes de outros partidos, e responsabilizou o que chamou de modus operandi do Ministério dos Transportes pela falta de investimentos fundamentais na infraestrutura do país.

– O que eu vejo é uma tentativa de setores do PT de lavarem as mãos e dizerem que não temos nada com isso. Isso é o maior dos mundos. O governo federal e a Presidência da República é que são responsáveis não apenas pelas nomeações dos ministérios, sejam eles do PT, sejam eles dos partidos aliados, e do que ocorre em cada um desses ministérios – disse o senador.

Aécio criticou o fato de o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ter sido afastado do cargo por força de denúncias na imprensa, em vez da ação dos órgão de controle, e pediu a continuidade das investigações.

– O que me parece é que há uma certa passividade no governo federal, ou para não dizer uma certa cumplicidade, com alguns malfeitos. Se não houver denúncias da imprensa, fica tudo como está – afirmou Aécio Neves.

Ao falar sobre as dificuldades da oposição para cumprir seu papel, o senador ironizou a própria base do governo, numa referência à hipótese de que as denúncias contra os ex-ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes) teriam partido de companheiros de poder:

– Não satisfeitos em serem apenas governo, eles (partidos da base) exercem, até com muito mais competência que nós, o papel de oposição. O que vemos é que a base é hoje governo e, ao mesmo tempo, a mais vigorosa oposição a esse governo que elegemos.

Afastado há 20 dias das atividades legislativas por causa de uma queda de cavalo, Aécio se reuniu ontem com o presidente do partido, Sérgio Guerra, e o ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati, para discutir as estratégias do partido, que sonha chegar a 900 prefeituras nas eleições municipais de 2012. Guerra manteve o mesmo tom na hora de avaliar a nova crise do governo de Dilma:

– Esses fatos não são de agora, vêm do governo do Lula, são as mesmas pessoas. Não adianta saber apenas que a Dilma demitiu essas pessoas, é fundamental saber quem as nomeou – criticou.

“Não satisfeitos em serem apenas governo, eles (partidos da base) exercem, até com muito mais competência que nós,  papel de oposição”
Senador Aécio Neves (PSDB-MG)

Aécio Neves aumenta o tom das críticas contra suspeitas de corrupção do Governo Dilma

Aécio radicaliza oposição ao governo

Fonte: César Felício – Valor Econômico

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) deve retomar as atividades parlamentares na próxima semana, depois de quebrar cinco costelas e a clavícula em uma queda de cavalo, no último dia 18. Ontem, demonstrou que chegará a Brasília disposto a radicalizar no tom oposicionista. Pouco antes de almoçar com o presidente tucano, deputado Sérgio Guerra (PE), e o presidente do Instituto Teotônio Vilella, o ex-senador Tasso Jereissati (CE), no apartamento que mantém em Belo Horizonte, Aécio fez o seguinte balanço dos primeiros seis meses do governo da presidente Dilma Rousseff: “É um primeiro semestre extremamente negativo, talvez o mais negativo do que qualquer governo da nossa história política recente”.

O senador mineiro fez questão de dar entrevista ao lado de Guerra e de Jereissati. Na semana passada, o ex-governador José Serra soltou uma nota em nome do Conselho Político do PSDB criticando o governo e foi criticado por não ter consultado seus demais integrantes.

Aécio afirmou que a demissão do ministro dos Transportes, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM), sobre quem foram levantadas suspeitas de corrupção, precisa ser “pedagógica”. “Seja no Conselho de Ética, no Ministério Público, é preciso que as investigações continuem nessa área. É preciso que avancem em outras áreas”, disse. O senador, que é o principal presidenciável de seu partido para 2014, caracterizou a presidente Dilma Rousseff como meramente reativa, sem tomar a iniciativa de coibir desvios de ética na administração e chegou até a insinuar que a crise não estava adstrita ao Ministério dos Transportes. “Há uma certa passividade no governo federal, ou para não dizer uma certa cumplicidade, com alguns mal feitos. Se não houver denúncia da imprensa, fica tudo como está”, afirmou.

Aécio disse estar disposto a influir na próxima semana na votação do novo rito das medidas provisórias. O mineiro é o autor do substitutivo da Comissão de Constituição e Justiça da emenda constitucional apresentada pelo presidente do Senado, o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP). Segundo Aécio, ainda não há acordo para votar a proposta em plenário.

“O governo estabeleceu um rolo compressor no Congresso em torno das medidas provisórias que não aceitou ainda rediscutir. Eu volto a Brasília, mesmo com esses problemas que ainda estou vivendo, na próxima segunda, para tentar construir algo que não é para a oposição, nem tampouco para o governo, é para o país”, disse.

Aécio também listou entre suas prioridades discutir com os colegas de partido estratégias para o PSDB tirar proveito político da onda de denúncias que já obrigou Dilma a alterar três vezes o ministério e retomar proposta sua já apresentada de alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que obriga o BNDES a pedir autorização do Congresso para realizar operações de capitalização de grandes grupos.

O tema ganhou novo significado depois do anúncio de que o banco estatal poderia injetar recursos na fusão do grupo de supermercados Pão de Açúcar com o francês Carrefour. “Esse é um recurso do Tesouro. Não é correto dizer que o BNDESPar não é recurso público, porque em última instância ele é sim”, disse.

Guerra e Tasso se esquivaram em comentar o que os motivou para viajar ainda ontem a Belo Horizonte, uma vez que o próprio Aécio afirmou que já deve estar na próxima semana em Brasília. “Eu estava curioso em ver como o Aécio fica de tipoia”, limitou-se a gracejar Tasso. ” Estamos aqui não para tratar de 2014, mas do próximo ano. Queremos eleger 900 prefeitos em 2012″, disse Guerra.

O dirigente tucano também sinalizou que o PSDB espera que aumente o constrangimento do governo federal com denúncias contra seus integrantes. “Não há porque pensar que só o ministério que o PR ocupava está contaminado. Nada indica que acabou”, afirmou o deputado.

Aécio Neves diz que Governo do PT só agiu contra Alfredo Nascimento por causa da força do noticiário

Governo só agiu por força do noticiário, ataca Aécio

Fonte: Marcelo Portela – O Estado de S.Paulo

As denúncias envolvendo integrantes do primeiro escalão do Executivo, que resultaram na queda de Antonio Palocci e Alfredo Nascimento, fazem do primeiro semestre o “mais negativo de um governo na história recente do País”. A avaliação foi feita por alguns dos principais líderes do PSDB que se reuniram ontem na casa do senador Aécio Neves (MG), em Belo Horizonte.

Estavam na reunião o presidente nacional do partido, Sérgio Guerra (PE), e o ex-senador e presidente do Instituto Teotônio Vilela, Tasso Jereissati (CE). Oficialmente, o encontro trataria de estratégias nas eleições do ano que vem. Na prática, as denúncias de irregularidades no governo dominaram a reunião.

Para o grupo, a questão é ainda mais grave porque “o governo foi omisso” em relação às irregularidades. “O governo tem responsabilidade sobre seus aliados. Nenhuma dessas demissões se deu por ação do governo. O noticiário levou o governo a agir”, afirmou Aécio.

“Esses fatos não são de agora. Vêm do governo do Lula”, observou Guerra. “São as mesmas pessoas. Resta saber quem as nomeou. Esse ministério da Dilma é um pouco pior que o do Lula. E conserva os mesmos vícios.” Aécio concordou com o colega e acrescentou que já havia investigações de “mais de um ano” sobre o crescimento patrimonial de 86.500% do filho do ex-ministro, Gustavo Morais. Os tucanos defenderam a continuidade das investigações. A questão, para Aécio, “precisa ser pedagógica”.

Conselho político do PSDB aguarda Aécio para definir crítica dura ao Governo Dilma

Conselho tucano ensaia crítica dura ao governo

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

Em sua primeira reunião, órgão do PSDB que reúne notáveis do partido faz texto contrário a Dilma, mas documento ainda será avaliado por Aécio

Na primeira reunião do Conselho Político do PSDB sob a presidência do ex-governador José Serra, o tucano sugeriu que o partido divulgue uma dura análise de conjuntura contra o atual governo. O texto inicial produzido pelo próprio Serra afirma que o País está “sem rumo claro” e é dirigido com hesitação quando se trata de questões econômicas. A proposta será submetida ao senador Aécio Neves (PSDB-MG), que ontem não estava presente na reunião, e a versão final será divulgada apenas amanhã, por orientação de Serra.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que será homenageado hoje de manhã pelos 80 anos completados no dia 18 passado, em solenidade preparada pelo PSDB no auditório Petrônio Portela do Senado, também participou da reunião. Indagado sobre o documento acordado pelos conselheiros, Fernando Henrique disse que aprovou o tom “objetivo” adotado e acrescentou: “Eu sigo o Serra”. Bem-humorado, destacou que o conselho não personalizou críticas a ninguém e encerrou a entrevista: “Agora chega. Vocês querem que eu fale mal da minha presidenta?”

Sérgio Guerra definiu a primeira manifestação do conselho como “uma crítica mais organizada ao conjunto do governo”.

Quando os jornalistas insistiram em saber de Fernando Henrique como o governo petista tem tratado a herança deixada por ele, o ex-presidente respondeu: “Como em toda herança, você pode perdê-la ou aumenta-la. Algumas coisinhas foram perdidas, e em outras houve ganho. É natural, assim é a vida”.

Combatividade. Serra defendeu a tese de que o PSDB seja preparado para tornar-se um partido “mais combativo em todo o Brasil” e observou que ainda falta “avançar muito” nesse quesito. Por isso mesmo, a ideia é que o Conselho Político se reúna a cada dois meses e apresente análises de conjuntura como a que será divulgada amanhã. Todos os documentos produzidos pelos conselheiros deverão ser enviados aos diretórios estaduais do PSDB para que sejam debatidos pela militância em todo o País. “Temos de politizar mais as ações partidárias”, disse Serra.

Quem representou os governadores no conselho foi Marconi Perillo, de Goiás. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que participa do colegiado na condição de ex-candidato a presidente, apresentou proposta de criação de um “gabinete-sombra” para acompanhar e fiscalizar as ações do governo, mas destacou que nomear 40 técnicos para acompanhar cada ministério seria um exagero. “Teremos uma equipe organizada por setores centrais que vão nos balizar para o partido fiscalizar o governo e atualizar suas políticas”, anunciou Guerra ao fim do encontro.

Experiência do PSDB mineiro em mobilização será referência para ampliação das bases do partido

Experiência vitoriosa do PSDB de Minas pode estimular  crescimento do partido em outros estados

Fonte: Agência PSDB-MG

“Somos um partido vivo e temos experiência de construção partidária. Minas pode colaborar com os outros estados, diz Marcus Pestana, presidente do PSDB-MG

 O presidente do PSDB-MG, deputado federal Marcus Pestana, afirmou que a experiência vitoriosa do partido em Minas e a mobilização dos militantes tucanos mineiros servirão de exemplo e estímulo para o fortalecimento da legenda nos estados brasileiros que apresentam maior dificuldade de crescimento. Pestana reuniu-se, nesta terça-feira (14/06), em Brasília, ao lado de presidentes e dirigentes dos diretórios estaduais, com o presidente da Executiva Nacional, deputado Sérgio Guerra, para discutir as estratégias das eleições municipais de 2012. O encontro serviu também para fazer um diagnóstico da situação da legenda em todos os estados brasileiros e traçar as metas para as eleições do próximo ano.

“Minas é um exemplo de êxito pelos resultados que obtivemos nas últimas eleições. Ampliamos a nossa bancada em mais de 30%, elegemos o governador Anastasia, senador Aécio Neves e um senador aliado, Itamar Franco. Nossa experiência de mobilização, o estilo de fazer política do nosso grupo liderado pelo senador Aécio, aproximou-nos dos sindicatos, da juventude e de diversos setores da sociedade. Somos um partido vivo, que mobiliza as pessoas e fazem as pessoas se sentirem participativas. Temos experiência de construção partidária e tenho certeza que Minas pode colaborar com os outros estados”, afirmou o deputado.

Durante a reunião, os presidentes dos diretórios de cada estado fizeram balanço de suas atividades e apresentaram as dificuldades enfrentadas pelos municípios que sofrem com a pressão da máquina do governo federal e dos estados. Ao final do encontro, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, assumiu o compromisso de criar um plano de trabalho para ajudar esses diretórios.

Marcus Pestana afirmou que o plano de trabalho deverá envolver o Instituto Teotônio Vilela (ITV), órgão do partido voltado para estudos e formação política que terá uma grande interação com a direção do PSDB para promover a revitalização do partido. O presidente do PSDB/MG assumiu, nesta terça-feira, a diretoria de Estudos e Pesquisas do ITV, juntamente com o novo presidente do instituto, o ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati.

“Vamos ter uma interação muito grande do ITV com a Executiva Nacional para o fortalecimento do partido. É muito importante que haja um planejamento de ações que incluem a formação dos militantes, a realização de eventos políticos e a publicação de textos que estimulem o debate. Assim vamos reposicionar o partido para enfrentar os novos desafios”, afirmou o deputado mineiro.

Desafio nos pequenos municípios

Durante o encontro com os presidentes dos diretórios estaduais, Sérgio Guerra apresentou as novas diretrizes do partido que inclui a criação de grupos temáticos voltados para a modernização do partido, reformulação da comunicação do partido, eleições municipais de 2012, e atuação conjunta com partidos de oposição. Sérgio Guerra afirmou que o PSDB concentrará esforços em municípios com maiores chances e com grande parcela do eleitorado nacional.

Segundo o presidente do PSDB, o partido terá o grande desafio de enfrentar o poder da máquina do governo federal e dos estados, principalmente, nos municípios mais dependentes de transferências de recursos federais e estaduais, onde, segundo ele, o apoio das duas esferas de governo será um peso contra a oposição. “Será um desafio, em muitos lugares, enfrentarmos as máquinas dos  governos estaduais somadas ao federal”, disse.

Tráfico de influência: Oposição quer criar CPI para investigar a Projeto – empresa de consultoria de Antonio Palocci –

Oposição propõe CPI para investigar a Projeto

Fonte: Eduardo Bresciani – O Estado de S.Paulo

Proposta partiu do PSDB, e objetivo é quebrar sigilo fiscal e bancário da empresa de Palocci para apurar tráfico de influência

A crise que atingiu o braço direito da presidente Dilma Rousseff ganhou decibéis com o início de uma mobilização da oposição para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) que investigue negócios da empresa de consultoria do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.

A intenção é quebrar o sigilo fiscal e bancário da empresa de consultoria do ministro, a Projeto, e verificar se houve tráfico de influência. Sem a ajuda de partidos da base aliada, a oposição não terá número suficiente de assinaturas para criar uma CPI. A exposição do sigilo do ministro revelaria contatos com boa parte do PIB nacional, o que tem deixado o mercado inquieto.

A proposta de tentar uma CPI mista de deputados e senadores sobre o caso surgiu no PSDB, partido daoposição que vinha atuando de forma mais discreta no caso. O requerimento de criação da CPI avança ainda para um questionamento sobre o papel de Palocci como um dos coordenadores de campanha da presidente Dilma Rousseff ao mesmo tempo que prosperava o faturamento de sua empresa.

Conforme o Estado publicou ontem, o próprio ministro, em informações que pretende enviar à Procuradoria-Geral da República, admite que a maior parte da movimentação financeira da empresa Projeto ocorreu após a eleição de 2010.

Os líderes tucanos na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Alvaro Dias (PR), conversaram com o presidente do partido, deputado Sérgio Guerra (PE), e decidiram começar as articulações. DEM, PPS e PSOL já manifestaram apoio à ideia.

Para tirar a proposta do papel, a oposição precisa recolher 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado. Juntos, os partidos oposicionistas somam menos de 100 deputados e 18 senadores.

Blindagem. Duarte Nogueira afirma que a oposição decidiu partir para essa iniciativa diante da ação do governo de blindar o ministro da Casa Civil. “Nós, da oposição, fizemos ações em todas as frentes e chegamos ao absurdo de o governo impedir todas as comissões da Câmara de funcionar. Ninguém aguenta mais o silêncio ensurdecedor do ministro e do Palácio do Planalto.”

A ementa do requerimento de CPI cita o “extraordinário crescimento patrimonial da empresa Projeto”, pede que seja investigado se houve “a percepção de vantagens indevidas” ou o “patrocínio de interesses privados perante órgãos do governo federal” e avança até sobre a possível “relação desses fatos com a campanha presidencial de 2010”.

O líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), destaca as possibilidades que se abrem com a nova estratégia da oposição. “A CPI tem instrumentos que outras comissões não possuem. Podemos quebrar sigilos, obter informações rapidamente do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da Receita Federal.”

O oposicionista destaca que o fato de o faturamento da empresa ter se concentrado no ano passado faz com que as suspeitas deixem de ser exclusivamente sobre o ministro. “A coincidência do êxito da empresa com o período eleitoral leva a suspeitas sobre a campanha presidencial.”

Paralisia. O discurso da oposição para sensibilizar alguns governistas já está ensaiado. “Daqui a pouco a crise se agrava de um jeito que pode paralisar o governo. Queremos que essa crise tenha um fim e isso só acontecerá esclarecendo os fatos”, diz o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR). O PPS tem pronto também outro requerimento pedindo uma investigação somente na Câmara.

Entre os governistas mais alinhados com o Planalto, porém, a intenção é dar o assunto por encerrado. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou ontem que não vê motivo para uma CPI. “Acho que não há motivo nenhum para nenhuma CPI, uma vez que até agora não vi no debate nenhum crime a ser levantado e nenhuma contravenção que se pudesse investigar.”

Link da matéria: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110521/not_imp722181,0.php

PSDB busca unidade em convenção nacional, Aécio Neves é o mais provável nome dos tucanos para a sucessão presidencial de 2014

PSDB ruma à convenção nacional dividido entre seus principais líderes

Fonte: Raymundo Costa – Valor Econômico

A pouco mais de 30 dias da convenção nacional do PSDB, as negociações para a eleição do novo comando tucano se encontram virtualmente paralisadas pela falta de entendimento entre os dois principais líderes do partido, o ex-governador José Serra, candidato derrotado a presidente em 2010, e o senador mineiro Aécio Neves, o mais provável nome dos tucanos para a sucessão presidencial de 2014.

A falta de um entendimento levou a negociação a um impasse: Aécio já se comprometeu com a manutenção do deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência do partido, uma candidatura que Serra não contesta publicamente, mas não demonstra disposição alguma em apoiar. Embora a preferência por Aécio em 2014 pareça majoritária, no momento, mesmo os adversários de Serra entendem que qualquer saída para os tucanos precisa levar em conta a opinião do ex-governador de São Paulo.

Algumas soluções foram tentadas ao longo da semana passada, sem sucesso. Uma delas prevê que um conselho de eminências pardas tucanas teria o poder político, enquanto à executiva nacional caberia a parte operacional. Neste desenho, Serra indicaria o vice-presidente ou o secretário-geral do PSDB. Alguns tucanos tentaram convencer Fernando Henrique Cardoso a aceitar a presidência do conselho, mas o ex-presidente recusou o convite.

O conselho seria integrado por FHC, Serra, Aécio, Tasso Jereissati (CE) e os seis governadores do PSDB. À exceção dos governadores, na prática é o que sempre ocorreu entre os tucanos, um partido acostumado às decisões de cúpula. A inclusão dos governadores, por sinal, levanta uma outra questão: todos, inclusive o governador do poderoso Estado de São Paulo, encontram dificuldades para compatibilizar a administração regional com a oposição ao governo federal.

Dois exemplos são citados: Geraldo Alckmin é um deles. O governador não é entusiasta do trem bala ligando o Rio de Janeiro a São Paulo. Preferiria investir na expansão do metrô da cidade de São Paulo. Mas não tem como criticar publicamente uma iniciativa do governo federal que, em princípio, representa mais investimentos em São Paulo.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, por seu turno, já se apressou em eximir de culpa o governo da presidente Dilma Rousseff pela escalada inflacionária. A dependência dos governadores em relação ao poder central poderia fragilizar, em vez de fortalecer o conselho. Entre os partidários de Serra há também o receio de que a expansão do colegiado favoreça a candidatura de Aécio em 2014.

Outra carta na mesa é a possibilidade de Serra indicar um nome para a vice-presidência ou secretaria-geral do PSDB, numa chapa encabeçada por Sérgio Guerra. Dois nomes são mencionados: o senador Aloysio Nunes Ferreira e o do ex-governador paulista Alberto Goldman. O problema de Aloysio é sua identificação com José Serra, o que poderia parecer uma derrota de Aécio, segundo os aliados do tucano mineiro. Resta o nome de Goldman. Falta aos aliados de Aécio convencer Serra de que esta é uma boa solução para todos.

O senador Álvaro Dias (PR) propôs a realização de prévias partidárias para a indicação de candidatos tucanos a cargos executivos. Com a radicalização das posições, esta talvez seja a única alternativa do PSDB. Na cidade de São Paulo, é possível que a escolha do candidato tucano seja definida numa prévia entre os militantes do partido, se José Serra não for o candidato, como ele costuma assegurar.

São Paulo, aliás, não é a única capital brasileira marcada com um alfinete vermelho no mapa eleitoral dos tucanos para a eleição municipal de 2012. Só para citar os maiores colégios eleitorais, o PSDB não tem nomes em evidência no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador. Também não tem candidatos na lista de favoritos em capitais importantes como Porto Alegre.

Em Curitiba, o deputado Gustavo Fruet é visto como uma boa opção, mas o governador do Estado Beto Richa, que é do PSDB, tem compromissos com o atual prefeito da cidade, Luciano Ducci, que é do PSB. Fruet pode até trocar de partido. Outro nome competitivo, a exemplo de Fruet, seria o da senadora Marisa Serrano, em Campo Grande (MS). Mas ela tem outras opções em vista até 2012. Na região Norte e Nordeste, só em Teresina (PI) os tucanos têm opção de concorrer com favoritismo.

Com a definição de comando das seções estaduais do PSDB, até o final deste mês, a disputa pelo controle do partido entra numa fase decisiva. Até lá, o PSDB ganha tempo: na televisão o partido banca um discurso mais popular de oposição, mas na prática congressual – onde ocorrem os embates com o governo – os tucanos não incomodam. Houve conflitos trabalhistas em obras do PAC, e os tucanos quando muito ficaram a reboque de iniciativas adotadas pelos partidos governistas.

PSDB vai criar Conselho Político e partido sobe o tom nas críticas do Governo do PT

PSDB cria conselho de olho em 2014

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

Além de FHC, Aécio e Serra, os 8 governadores tucanos terão assento em instância criada para costurar racha interno e fortalecer partido

O PSDB reuniu seus oito governadores ontem, em Belo Horizonte, para afinar o discurso da oposição, com críticas duras ao governo Dilma Rousseff, e estruturar o partido com vistas à eleição de 2014. Na tentativa de costurar o racha interno entre Minas e São Paulo e acomodar o ex-governador José Serra na estrutura partidária, os governadores recomendaram a criação de um conselho político superior, no qual todos eles também terão assento.

Na abertura do encontro, o presidente nacional da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE), alertou: “Não podemos disputar a eleição presidencial daqui a quatro anos com o partido debilitado como está”. Ao anunciar a ideia do conselho, o goiano Marconi Perillo não mencionou a presidência do colegiado e o paulista Geraldo Alckmin chegou a dizer que o presidente só será escolhido mais adiante. Mas esse posto já tem um nome definido: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também é presidente de honra do PSDB.

Nas conversas reservadas, também houve consenso em torno da manutenção de Guerra na presidência do partido. Hoje, ele é candidato único ao cargo. A renovação do diretório nacional está marcada para maio.

Para não deixar dúvida quanto à autoridade do futuro presidente do partido, Perillo explicou que o conselho será um “órgão de assessoramento”. “Em hipótese alguma, o conselho poderá disputar espaço com a direção partidária. O conselho é para colaborar, quando necessário.”

Além dos oito governadores, de FHC, Serra e do senador Aécio Neves (MG), ficou acertado que o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV) terá lugar no conselho, como forma de acomodar outra estrela tucana que perdeu a eleição. O futuro presidente do ITV deve ser o ex-senador Tasso Jereissati (CE).

Críticas. A despeito da boa avaliação obtida por Dilma na pesquisa CNI/Ibope divulgada sexta-feira, com 56% de avaliação ótima ou boa, o presidente do PSDB disse que daria nota mediana ao governo: “Um glorioso 5”. Aécio, que falou em seguida, destacou que não se assusta nem se intimida com resultados obtidos por um governo que mal começou e elevou o tom das críticas. “Existe uma herança maldita, com o aumento terrível dos gastos correntes no ano passado, e o País pagando a conta com a contenção de investimentos.”

Aécio também considerou “um escárnio” a tática do governo de querer levar o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) para a futura Secretaria da Micro e Pequena Empresa e, com isso, abrir vaga no Senado para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, como mostrou ontem o Estado. Para o senador, o setor não precisa de ministério, mas medidas como a extensão do Simples, sistema de tributação simplificado para empresas de pequeno porte. Aécio repetiu ontem uma crítica que já havia feito no ano passado, dizendo que o PT quer “um país a serviço do partido”.

Aécio Neves amplia espaço de articulação política e já se transforma em líder da oposição

Cabo de guerra entre tucanos

Fonte: Denise Rothenburg – Estado de Minas

Partidos
Com as eleições dos comandos municipais do PSDB, que se iniciam na próxima semana, começa a tomar corpo a briga pela liderança da oposição entre Aécio Neves e José Serra

José Cruz/ABr – 01/3/11
Aécio Neves foi procurado ontem por senadores do DEM em busca de aproximação maior entre as legendas

Com todos os holofotes da oposição voltados para a guerra interna do DEM, segue na penumbra uma outra disputa que começa a tomar corpo dentro do ninho tucano: a briga pela liderança da oposição entre o ex-governador de Minas Aécio Neves e o ex-governador de São Paulo José Serra. A disputa começa na semana que vem, com as eleições dos comandos municipais do PSDB, que prosseguem pelos próximos dois meses, até a convenção do partido, em 29 de maio.

Candidato derrotado a presidente da República, Serra tenta, desde o fim da campanha presidencial, encontrar um lugar ao sol na estrutura partidária que lhe permita ter a mesma visibilidade do senador Aécio Neves. Foram, até agora, três movimentos.

O primeiro em direção à Presidência do partido. Logo que terminou a campanha presidencial, numa reunião na casa de Andrea Matarazzo, Serra chegou a mencionar que o presidente da legenda deveria ser o deputado Sérgio Guerra (PE), como forma de conduzir mineiros e paulistas em raias paralelas e evitar que Aécio, vitorioso em Minas, ficasse com a presidência tucana.

O secretário-geral tucano, Rodrigo de Castro (MG), entendendo o movimento paulista e de olho na própria recondução, logo abraçou a candidatura de Guerra, num abaixo-assinado em favor da reeleição do presidente do partido. O grupo mais próximo a José Serra, ao perceber aliados de Aécio ao lado de Sérgio Guerra e ciente de que o paulista continuaria em segundo plano, lançou o nome do ex-governador de São Paulo como possível presidente do PSDB.

Com a maioria das bancadas do partido fechadas com Sérgio Guerra, grupos aliados do ex-governador paulista insinuaram a condução de Serra ao comando do Instituto Teotônio Vilela, responsável pelos estudos partidários. O ex-candidato a presidente não deu uma resposta, e a bancada do Senado – da qual Aécio hoje faz parte – terminou por indicar o ex-senador Tasso Jereissati, do Ceará. A bancada tratou da indicação como uma forma de homenagear um senador combativo e ex-presidente do partido. Os deputados aceitaram, e esta porta também se fechou para Serra.

O último movimento de Serra para se fortalecer foi avalizar a ida de Gilberto Kassab para o PMDB paulista e, assim, ter um aliado como a maior estrela regional peemedebista. A bala terminou voltando como um bumerangue sobre o próprio Serra. E a arma contra ele foi montada com a ajuda do Palácio do Planalto e do próprio PMDB aliado ao governo. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, chiou. O PT também. Diante da confusão, Antonio Palocci, o ministro da Casa Civil, e a presidente Dilma estimularam os movimentos de Eduardo Campos para atrair Kassab ao PSB. As ações do governo fizeram com que Serra perdesse seu maior aliado dentro do DEM e ainda irritasse o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Alckmin e Aécio tiveram que correr para segurar os deputados do DEM e do PPS de São Paulo e de Minas em seus respectivos partidos. E conseguiram. Kassab não levará um grupo grande como havia prometido ao governo Dilma, nem tem assegurada a hipótese de fusão com o PSB.

Aproximação Ontem, senadores do DEM foram a Aécio Neves e, numa reunião a portas fechadas, disseram a ele que é hora de se aproximar ainda mais do partido para consolidar sua posição diante do principal aliado atualmente. Enquanto Aécio se movimenta em busca do DEM, o grupo de Serra se prepara para a convenção do dia 29 da mesma forma que os mineiros: contando aliados.

Por enquanto, o grupo de Aécio Neves está levando a melhor. Até porque Serra tem a questão paulista para resolver. Afinal, a briga entre ele e Geraldo Alckmin pelo papel de personagem principal da política tucana no estado ficou amortecida durante a campanha presidencial, mas voltou com força agora, na hora de definir quem controlará os espaços partidários no estado. Até o dia 29 de maio, o PSDB terá um quadro parecido com o que viveu o DEM. A diferença é que, pelo menos por enquanto, dali ninguém sai.

Sérgio Guerra chama governo de autoritário por cortar repasses das emendas parlamentares – BH deve sediar encontro nacional do PSDB

Crítica ao corte em emendas

Fonte: Leonardo Augusto – Estado de Minas

Orçamento
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, afirmou que decisão do governo federal de conter gastos com a redução nos repasses parlamentares foi autoritária e preconceituosa

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press

Sérgio Guerra (C), ao lado de Rodrigo de Castro, se reuniu ontem em BH com o governador Antonio Anastasia

O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, acusou ontem o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) de autoritário, por ter cortado os repasses das emendas parlamentares sem negociação, e afirmou que, para não perder força até as eleições presidenciais de 2014, a oposição terá de começar a “falar para fora” do Congresso Nacional, na tentativa de conquistar a opinião pública. “Esse é o nosso desafio para os próximos quatro anos. Temos cerca de 100 deputados e aproximadamente 30 senadores, insuficiente para ganhar qualquer votação”, disse. Na Câmara, o total de cadeiras é de 513. No Senado, os parlamentares somam 81.

Conforme Guerra, as emendas parlamentares são “demonizadas” pelo Poder Executivo. “Tem que separar o joio do trigo. Tem muita coisa importante feita pelos parlamentares”, reclamou. Segundo o presidente do PSDB, ao mesmo tempo em que reduz o poder financeiro dos deputados e senadores, o governo fortalece o caixa dos ministérios. “O problema é de democracia. O Executivo pode tudo e o Legislativo não pode nada. Há um desequilíbrio entre os poderes”, afirmou. Lembrado de que o governo cortou 40% dos recursos do Minha casa, minha vida, que Dilma Rousseff pretende transformar em uma das principais vitrines de sua gestão, Guerra afirmou que os recursos foram apenas contingenciados e que, ao fim do ano, acabarão voltando. “Há dez anos isso acontece. No fim (dos períodos) há sempre mais recursos que no início”.

Na avaliação de Guerra, que esteve ontem em Belo Horizonte para encontro com o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB), o governo foi “preconceituoso” no corte dos recursos e argumentou que, se a decisão partiu pela possibilidade de mal uso das emendas pelos parlamentares, isso realmente já foi verificado, mas com a participação do Ministério do Turismo. “Milhões de reais foram lançadas para realização de festas, no Nordeste, por exemplo, que sequer ocorreram. Aquilo teve a cumplicidade de parlamentares e do governo. Não há irregularidades no Congresso sem a anuência do Executivo”, afirmou Guerra.

Ao mesmo tempo em que traçou cenário difícil para a oposição no Congresso, o presidente do PSDB afirmou que os adversários de Dilma Rousseff estão em posição mais confortável nos estados. “Elegemos oito governadores. No segundo turno (das eleições presidenciais) tivemos 45 milhões de votos com o candidato José Serra (PSDB). O (ex-presidente) Lula tem 80%, 90% de aprovação, mas nós temos quase metade dos votos no país. O jogo está equilibrado”, disse. No segundo turno, na verdade, Dilma teve 56,05% dos votos, contra 43,95% de José Serra.

SUCESSOR Guerra, que era senador e nas últimas eleições se elegeu deputado federal por Pernambuco, não quis comentar o processo de escolha do novo presidente do PSDB. O parlamentar quer a reeleição. Sobre a possibilidade de Serra ocupar o cargo, Guerra afirmou que o ex-governador de São Paulo afirmou “nunca ter dito a alguém que era candidato (ao comando da legenda)”. O presidente tucano afirmou ainda que, se for reconduzido ao cargo, vai se ocupar nos próximos dois anos de organizar o partido. “Somente quem assumir o posto nos dois anos seguintes tratará do lançamento de candidatura à Presidência da República. Temos de organizar o partido internamente”, argumentou.

Sobre a possível saída do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), do partido, e sua ida para um partido a ser criado ou para alguma legenda da base de Dilma Rousseff, Guerra afirmou que José Serra está “articulando para que as coisas se harmonizem em São Paulo”. “O Kassab presta muita atenção ao que o Serra fala”, disse o presidente do PSDB.

Sérgio Guerra se reuniu com o governador Antonio Augusto Anastasia para tratar da organização de um encontro do PSDB na capital. Os tucanos querem realizar debates trimestrais para discutir a atuação no cenário nacional e troca de experiências. A primeira reunião ocorreu em Maceió (AL).


 

Sérgio Guerra critica manobra de Kassab para criação de um novo partido

‘Essa montanha vai parir um rato”, afirma Guerra

Fonte: Eduardo Kattah – O Estado de S.Paulo

Ressaltando que não acredita em “movimento partidário cujo fundamento seja driblar as limitações ou driblar a lei”, o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), criticou ontem a possível desfiliação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do DEM. Embora tenha dito que, caso Kassab deixe o “contexto” do PSDB, isso trará evidente prejuízo para os tucanos, Guerra sugeriu que as expectativas em relação ao movimento do prefeito paulistano são exageradas.

“Se ele vai para outro partido e se o outro partido caminha para o governo, acho que essa montanha vai parir um rato”, afirmou Guerra, que se diz descrente em relação à articulação de Kassab.

O prefeito de São Paulo ensaia deixar o DEM e fundar o Partido da Democracia Brasileira (PDB), levando consigo nomes fortes da atual legenda, como o vice-governador Guilherme Afif Domingos. A nova sigla seria uma saída jurídica para evitar a perda do mandato e serviria futuramente para uma fusão com o PSB.

“Não acredito nesse movimento partidário, acho que não vai longe”, afirmou o presidente do PSDB, após audiência com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB). Guerra chegou a classificar como “coisa deplorável” a possibilidade de políticos usarem manobras como a criação de partido para mudar de sigla e escapar de eventual cassação.

“Sou a favor da fidelidade partidária. O cara quando se elege tem de ter o compromisso com o partido que ele escolheu.”

Guerra não fez cobrança direta, mas lembrou que Kassab dá “muita atenção” ao que diz o ex-governador José Serra. “Tenho certeza de que o Serra está atuando para que as coisas se harmonizem em São Paulo, porque em São Paulo temos desafios grandes a vencer”, afirmou, se referindo à eleição municipal em 2012.

 

Troca-troca de partido é 1ª polêmica na reforma política, Aécio flexibiliza posição mas condena ‘casuísmo desmoralizante’

Reforma política: troca de partido é 1a polêmica

Fonte: Adriana Vasconcelos e Isabel Braga – O Globo

Comissão foi instalada no Senado; financiamento de campanha e voto facultativo também serão discutidos

Num ato político que contou com a presença do vicepresidente Michel Temer, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio Dias Toffoli foi instalada ontem em sessão no plenário do Senado a comissão encarregada de elaborar uma proposta de reforma política, tema que vem sendo adiado há anos. A comissão, formada por 15 senadores e presidida por Francisco Dornelles (PP-RJ), pretende fechar uma proposta, com um mínimo de consenso, dentro de, no máximo, 45 dias.

A primeira polêmica da comissão deve ser a criação de uma janela para permitir o troca- troca partidário. O vice-presidente da República, Michel Temer, defende uma autorização para a troca de partidos nos seis meses que antecedem cada eleição, como forma de permitir que detentores de mandato insatisfeitos possam se filiar a outra legenda. A tese tem a simpatia do senador Aécio Neves (PSDB-MG). O tucano, porém, alerta que esse não pode ser o mote principal da reforma política:

– Iniciar uma reforma política falando de janela para o troca-troca partidário seria um casuísmo desmoralizante. Mas não sou inflexível – observou Aécio.

“Seria uma lipoaspiração na oposição”, diz Sérgio Guerra

Parte da oposição teme que o engajamento do governo federal na discussão tenha como objetivo principal criar uma janela para o troca-troca partidário.

– Essa janela serviria apenas para fazer uma lipoaspiração na oposição – advertiu o presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).

A comissão do Senado já desperta ciúme entre deputados, como o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), que defende o início da discussão pela Câmara. Dos cem projetos sobre o tema no Congresso, foram identificados pelo menos 11 tópicos que poderão nortear discussões iniciais da comissão: sistemas eleitorais, financiamento eleitoral e partidário, suplência de senadores, filiação partidária, coligações, voto facultativo, data da posse dos chefes do Poder Executivo, cláusula de desempenho, fidelidade partidária, reeleição e candidato avulso.

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