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Antonio Anastasia: governador vai à Brasília e entrega documento que reivindica mais investimentos para Minas Gerais

Agenda Minas, sem investimentos do Governo do PT

Fonte: O Tempo

Minas apresenta lista de prioridades e obras para União

Minas apresenta lista de prioridades e obras para União
Brasília. Dois movimentos, ontem, em Brasília, pressionaram a União a liberar mais recursos para os Estados e, especialmente, para Minas Gerais. A bancada mineira na Câmara se reuniu para apresentar o documento “Agenda Minas“, que deverá ser entregue em breve à presidente da República, Dilma Rousseff.O documento, criado pelo governo em parceria com parlamentares e empresários do Estado, contempla 16 projetos considerados “prioritários”. Os mineiros também decidiram promover debates em várias cidades do interior com ministros e outras autoridades do governo federal. A intenção é mostrar “in loco” os principais gargalos do Estado, divididos em cinco linhas de ação (veja na arte).

“Esta é a articulação de uma pauta mínima dos interesses de Minas”, avisou o coordenador da bancada mineira, Reginaldo Lopes (PT). “Estamos construindo a nossa unidade para fazer uma ação política conjunta. Trabalhamos em prol de Minas”, completa.

O senador Clésio Andrade (sem partido) complementou as palavras do colega. “Estamos trilhando um caminho junto com o empresariado mineiro, sem o qual não conseguiremos as mudanças de que precisamos”. Ele reclama da falta de investimentos federais. “Nossas rodovias estão abandonadas. Não estamos conseguindo indústrias de porte”. Na noite de ontem, o tema ainda seria discutido em um jantar da bancada com o governador Antonio Anastasia.

Governadores. Antes da reunião dos deputados mineiros, Anastasia e representantes de 19 Estados se encontraram para pressionar o governo federal e o Congresso a reverem seis pontos que – segundo eles – criam ônus para os cofres estaduais, sem que existam fontes de recursos. Em reunião com o presidente da Câmara, Marco Maia, e o senador José Sarney, os governadores reivindicaram renegociação de dívidas e votação, na Câmara, do projeto de redistribuição dos royalties do petróleo. O movimento cobra ainda mudanças na Lei Kandir e na distribuição de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Repasse
Prefeitos cobram mais recursos
Brasília. Além do movimento dos governadores, se mobilizaram, no mesmo dia em Brasília, centenas de prefeitos de todo o país para defender uma nova distribuição dos royalties do petróleo como forma de aumentar o repasse de recursos para as prefeituras. Também esteve na pauta do movimento, organizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a renegociação das dívidas das prefeituras com a Previdência Social, o pagamento das emendas parlamentares contingenciadas e a reforma do marco regulatório do minério.

“O que nos une aqui, prefeitos de todo o país, é a defesa de uma nova divisão dos recursos dos royalties do petróleo, em que todos ganham e a União perde um pouquinho”, explicou o vice-presidente da Associação Mineira dos Municípios, Acácio Mendes, prefeito de Passa Quatro.

No caso de Minas, têm causado preocupação os R$ 1,7 bilhão que 668 prefeituras devem ao Instituto Nacional de Seguridade Social. “Os municípios não estão aguentando pagar”, disse Mendes. (TF)

Caso Dnocs mantém ferida aberta – partidos com espaço no Governo Dilma loteiam o estado e brigam por mais poder

Gestão do PT, Gestão Deficiente

Fonte: Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Com a faca nos dentes

Partidos da base de apoio de Dilma Rousseff voltaram a expor a luta renhida que travam por nacos de poder. PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário. Pelo que, afinal, brigam tanto? Pelo bem do país é que não é.

A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público. Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.

Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf. Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.

Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero “fogo amigo”, percalços de um governo naturalmente fatiado. Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.

O Globo mostra hoje a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d’água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto. Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.

Este é apenas “mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá”, resume o jornal em editorial na edição de hoje.

Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa. Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.

Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus “aliados”.

“O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo. Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.

Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto. Ele estaria “desmotivado“. O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.

A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe – com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras – foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.

Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores – em síntese, sem rumo e sem alma.

São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação. Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos. Que projeto de país, afinal, nos oferecem?

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Merval Pereira comenta que Pimentel sabendo que seria ministro de Dilma deveria ter evitado consultoria a grupos privados

PT no poder, sem transparência, irregularidades, desvios de conduta, tráfico de influência, lavagem de dinheiro

Fonte: Artigo de Merval Pereira – O Globo

Podres poderes

Assim como expectativa de direito é direito, em política, expectativa de poder é poder. Enquadra-se nesse caso a consultoria do (ainda) ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que após sair da prefeitura, em 2009, até dezembro de 2010 atuou privadamente, arrecadando milhões de reais, enquanto era candidato ao Senado pelo PT e um dos principais coordenadores da campanha da então candidata petista, Dilma Rousseff.

Note-se que Pimentel saiu formalmente da consultoria apenas em dezembro, depois que Dilma já havia sido eleita Presidente da República, o que demonstra que ele fazia negócios privados quando já estava claro que ele seria parte importante de um futuro governo petista. Da mesma maneira que Palocci, que só fechou sua consultoria depois de Dilma eleita.

Já na campanha, ao enfrentar a primeira crise séria, a candidata Dilma indicou o grau de sua relação pessoal e política com Pimentel: envolvido em denúncias de formação de um dossiê contra o candidato tucano José Serra, e em meio a uma briga interna petista onde até grampos telefônicos foram feitos e computadores roubados, Pimentel manteve sua influência intacta junto à candidata.

O fato de ser o político mais ligado pessoalmente a Dilma fazia dele, aos olhos de todos, um potencial ministro importante de um futuro governo, o que deveria impedi-lo de fazer trabalhos para grupos privados e instituições que tivessem interesses seja na prefeitura de Belo Horizonte, onde deixara subordinados e associados, seja no governo federal.

Essa mesma proximidade com a presidente, de quem foi “companheiro de armas” na fase de guerrilha a que se dedicaram, é o que faz com que, nos meios políticos, seja considerada quase uma impossibilidade a demissão de Pimentel, dando a dimensão de sua “expectativa de poder”.

Em vez de melhorar, só piora a situação o pedido de demissão de Otílio Prado, ex-sócio do ministro na P21 Consultoria e Projetos, que continuava como assessor especial do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, cargo que ocupava desde o início do governo.

Se, como alega, não havia incompatibilidade entre suas funções no governo e a assessoria que deu para empresas que tinham contratos com a prefeitura, por que então pediu demissão?

Além disso, o caso do (ainda) ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, vai se complicando a cada dia, porque agora há uma empresa de refrigerante do Nordeste que diz que não pagou uma consultoria que ele insiste em relacionar como tendo sido feita.

O que acrescenta às denúncias, além do conflito de interesses e suspeita de tráfico de influência, outro grau de gravidade, com indícios de lavagem de dinheiro. Ontem, porém, a ETA negou o que dissera na véspera.

Outro caso nebuloso é a venda subfaturada de um terreno em Belo Horizonte, registrada em um cartório de outra cidade “por questões de comodidade”.

Não estão claras as relações do ex-prefeito com o empresário que vendeu o terreno, que tinha interesses em obras na prefeitura de Belo Horizonte e está respondendo a processo.

A defesa que fez dele o presidente do PT, Rui Falcão, seu adversário na disputa de poder dentro do comitê da campanha presidencial em 2010, dá a dimensão da visão autoritária do partido.

Pela sua história de vida, Pimentel está “acima de qualquer suspeita”, disse Falcão. Quando seus grupos brigaram pelo controle do comitê de campanha, Rui Falcão não tinha essa opinião sobre Pimentel, tanto que o acusou de estar por trás de um suposto esquema de grampos telefônicos dentro do próprio comitê.

Ora, numa democracia não há ninguém que não tenha que se explicar por seus atos, mesmo que tenha um passado virtuoso.

Por esses azares da política, Palocci e Pimentel, que se enfrentaram na disputa pelo controle da campanha, depois de instalados no ministério do novo governo viram-se às voltas com as mesmas acusações.

Palocci caiu devido a explicações inconvincentes sobre sua consultoria, cuja relação de clientes jamais apareceu. Por sua vez, o (ainda) ministro Fernando Pimentel teve reveladas algumas das empresas que o contrataram, e isso só fez piorar sua situação.

Já o (ainda) ministro das Cidades, Mário Negromonte, entrou com seu depoimento no Senado para o rol dos patéticos, que tinha até o momento no ex-ministro Carlos Lupi sua melhor expressão ao afirmar que só sairia à bala do ministério.

Negromonte, por sua vez, disse que comeu muita “carne de bode” e que já passou da idade de mentir, como se para isso houvesse limitação etária.

Na sua fala, negou irregularidades em obras de transportes ligadas à pasta em Cuiabá, cidade-sede da Copa de 2014. Ao querer transferir para seus assessores diretos a culpa por eventuais malversações do dinheiro público, ele, em termos locais, pareceu tão desconectado da realidade quanto o presidente da Siria, Bashar al-Assad, que declarou a um canal de televisão dos Estados Unidos que não era responsável pela repressão aos opositores, atribuindo a brutalidade às suas forças de segurança.

Os dois, na prática, abrem mão de suas prerrogativas para tentar se afastar das responsabilidades dos cargos que ocupam e dos atos que praticaram ou foram praticados em seus nomes.

Negromonte é uma espécie de zumbi no ministério, pois não tem prestígio nem dentro do seu partido, o PP, nem no governo. Mantém-se no cargo mais pela inércia política, à espera da presumida reforma ministerial, e seu partido já negocia outros nomes, sob a indicação do senador Francisco Dornelles, para substituí-lo quando chegar a hora.

Fica no cargo pela sua irrelevância política.

Mensalão do PT: Roberto Jefferson encaminha defesa e acusa STF de omissão por não incluir Lula em ação

Fonte: Carolina Brígido – O Globo

Roberto Jefferson manifesta indignação com a ausência de Lula entre os réus do mensalão

Presidente do PTB também protesta contra o fato de o Ministério Público Federal ter se recusado a anexar ao processo do mensalão uma ação por improbidade administrativa à qual Lula responde na 13ª Vara Federal de Brasília

Alegações finais

Foto de arquivo de Roberto Jefferson. Foto: Marcelo Carnaval

BRASÍLIA – O presidente do PTB, Roberto Jefferson, manifestou ao Supremo Tribunal Federal (STF) indignação pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não figurar entre os réus no processo do mensalão. Segundo Jefferson, Lula deveria ser considerado suspeito, pois tinha poderes para enviar projetos ao Congresso. O processo diz que houve compra de apoio na votação de propostas de interesse do governo. A declaração foi feita nas alegações finais apresentadas ao relator, ministro Joaquim Barbosa. O petebista é um dos 38 réus na ação.

“Qual a razão do ilustre acusador ter deixado de denunciar aquele que, por força de disposição constitucional, é o único que no âmbito do Poder Executivo tem iniciativa legislativa, o Presidente da República, para somente acusar três de seus auxiliares, ministros de Estado, que iniciativa para propor projetos de lei não têm, embora se diga que para aprovação daqueles teriam corrompido deputados, isso é um mistério que esta ação penal incompleta e descabelada não revela”, diz o texto, assinado pelo advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa.

Segundo a defesa, há “clara evidência de crime praticado pelo então presidente da República”. O advogado de Jefferson também acusa o STF de “omissão”, por não ter considerado Lula suspeito – muito embora a tarefa de acusar seja uma exclusividade do Ministério Público, não podendo ser transferida para a Corte.

O presidente do PTB também protesta contra o fato de o Ministério Público Federal ter se recusado a anexar ao processo do mensalão uma ação por improbidade administrativa à qual Lula responde na 13ª Vara Federal de Brasília. Na ação, Lula e o ex-ministro da Previdência, Amir Lando, são acusados de enviar 10,6 milhões de cartas aos segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2004, com conteúdo propagandístico e destoante do interesse público. O Ministério Público pede o ressarcimento de R$ 9,5 milhões ao erário.

No processo do mensalão, Roberto Jefferson é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público, Jefferson havia acertado que o PT repassaria R$ 20 milhões ao PTB, por meio do empresário Marcos Valério. O petebista alegou que, desde as eleições de 2002, seu partido já havia acertado apoio à candidatura de Lula. E que, em 2004, o PT realizou doação ao PTB no valor de R$ 20 milhões para selar o apoio, conforme registrado na Justiça Eleitoral.

“Essa doação aprovada por ambos os partidos tem apoio em lei e, naquele pleito, estava regulada pelas resoluções do egrégio Tribunal Superior Eleitoral”, diz a defesa. Segundo o advogado, não se pode falar que o dinheiro tem origem ilícita, já que o próprio Ministério Público não teria identificado de onde vieram os recursos. “Segundo o PT, é fruto de recursos próprios seus e de empréstimos bancários. Não se trata, portanto, como dito na denúncia, de propina”, diz o texto.

“E se não sabe o acusador a origem daquele recurso, como afirmar que é ilícito e, por isso, atribuir ao defendente (Roberto Jefferson) que empenhou-se no seu branqueamento ou lavagem? Non sense!”, afirma a defesa.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/01/roberto-jefferson-manifesta-indignacao-com-ausencia-de-lula-entre-os-reus-do-mensalao-925273871.asp#ixzz1WoP6RSkx

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PING-PONGRoberto Jefferson diz que ele e José Dirceu devem ter a mesma pena

Valor Econômico: Presidencialismo de corrupção ajuda Dilma

Presidencialismo de corrupção ajuda Dilma

Fonte: artigo de Cristian Klein – Valor Econômico

Os seis meses do governo Dilma Rousseff já são quase suficientes para mostrar o estilo da presidente da República. Ou pelo menos o esboço de um comportamento que vai se formando por um processo de tentativas e erros.

Dilma demorou a defenestrar o ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Tinha razões pessoais e políticas para não jogá-lo ao mar. Palocci era um companheiro das jornadas de campanha presidencial, homem de confiança de Lula e, como se isso ainda fosse necessário no estágio da estabilização da democracia brasileira, um nome que agradava aos grandes agentes do mercado.

Dilma foi reticente, cuidadosa mas, curiosamente, livrou-se de Palocci no momento em que ele já sonhava com a reabilitação, após o parecer favorável do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

A presidente precisava e não perdeu a oportunidade de dar exemplo. Descobriu sua melhor estratégia de sobrevivência e de dominação.

Escândalos contribuem para firmar seu estilo
Dilma tem um problema crônico de relação com a classe política – por não pertencer a ela. É essencialmente técnica e não tem paciência para os salamaleques e o intrincado jogo de ocupação de espaços de poder. Sua vocação é executar. Mas parece ter aprendido rapidamente que sua fragilidade – o desgosto pela barganha – pode se tornar uma vantagem no trato com os políticos.

Políticos gostam muito de barganhar. E nem sempre se dão bem com isso. Desfrutam dos benefícios advindos da habilidade de persuadir, pressionar, mas se tornam vulneráveis quando o comportamento ultrapassa os limites da ética e da lei.

Podem escapar da devida punição legal em virtude da falta ou da ineficácia dos mecanismos de controle da corrupção. Mas a própria escassez de espaços e recursos – ainda que o governo federal, por exemplo, tenha mais de 20 mil cargos em comissão para distribuir – contribui para uma espécie de mínima autodepuração.

A escassez faz com que até mesmo correligionários transformem-se em adversários. O chamado “fogo amigo”, na esfera governamental, parece ser o equivalente da competição intrapartidária, na arena eleitoral, onde candidatos da mesma legenda travam uma disputa por votos, ainda que menos frequente do que se imagina, num mesmo reduto eleitoral.

A disputa interna geralmente é o melhor caminho para se descobrir a podridão. Não à toa, alguns dos maiores escândalos políticos brasileiros revelaram-se graças a brigas familiares como as de irmão contra irmão (Pedro x Fernando Collor) e ex-mulher contra marido (Nilceia x Celso Pitta). A novidade, e talvez um avanço, é que, ultimamente, os conflitos têm cada vez mais uma origem partidária. Quem sabe um dia cheguem mais à tona pelas instituições responsáveis.

O “fogo amigo” esteve entre as causas do estouro do caso Palocci. E agora também aparece no episódio que acaba de derrubar o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR).

Se na primeira demissão Dilma titubeou, mas exonerou Palocci quando ele ainda dava sinais de vida, desta vez a presidente foi rápida no gatilho.

Dilma já percebeu que deverá sempre agir de forma implacável quando alguém de seu governo for pego em irregularidades – e não como Lula, que tergiversava. É seu trunfo e a arma com que o discurso técnico pode se fortalecer diante de argumentos geralmente muito mais fortes e viscerais como os que representam interesses corporativos e partidários explícitos.

Em outros governos, tudo o que um presidente não quer é o estouro de casos de corrupção. Nenhuma crise é boa. Há sempre o risco de as denúncias respingarem no chefe de governo. Mas no caso de Dilma Rousseff eles têm sido úteis, ainda mais quando ela olha ao seu redor e não vê no horizonte uma oposição que lhe ameace.

A ameaça e o indesejável são internos ou mesmo intestinos. A saída de Palocci foi uma ótima chance para Dilma dar uma cara mais sua ao governo e minimizar a sensação de déjà vu de Lula. Aproveitou as trocas na Casa Civil e nas Relações Institucionais e se cercou de ministras mulheres, agora não mais em Pastas a maioria periféricas, mas centrais.

A demissão de Alfredo Nascimento – uma herança pesada de Lula – dá novamente à presidente uma oportunidade de indicar para um ministério tão importante um nome de seu agrado (ou que menos lhe desagrade). Somente com fatos fortes, como escândalos de corrupção, Dilma poderá desfazer acordos firmados por seu antecessor. Foi pelas mãos de Alfredo Nascimento que o PT conseguiu entrar com mais vigor no Amazonas, Estado onde o partido obteve alguns dos maiores percentuais de votação nas últimas eleições presidenciais. A parceria era tão firme que Lula indicou um grande amigo seu, João Pedro, como suplente de Nascimento. Sem um motivo de força maior, Dilma se sentia inibida de demitir o ministro e, com a volta de Nascimento ao Senado, desalojar um compadre de Lula do Congresso.

Dilma pode não torcer para que venham mais escândalos. Afinal, em seis meses, já é a quarta troca que faz em seu ministério (Casa Civil, Relações Institucionais, Pesca e Transportes). A presidente, contudo, tem conseguido fazer do limão a limonada; da agenda negativa, uma aplicação de métodos e lições para melhorar sua governabilidade.

Por mais que se diga que o Brasil é um país onde reina um hiperpresidencialismo, a administração Dilma Rousseff tem mostrado o contrário, num claro cenário de divisão de forças entre o Executivo e Legislativo – e a despeito da enorme base aliada na Câmara e no Senado.

As atribuições de poder são constitucionais, mas não estão dadas. Podem mudar, como o projeto dosenador Aécio Neves (PSDB-MG) de limitar a possibilidade de edição de medidas provisórias pelo (a) presidente. O perfil de Dilma, distante do mundo político, também não ajuda, e talvez não seja por acaso que uma proposta desta esteja prosperando justamente em seu mandato.

Na política não há vácuo. Mas, por outro lado, há muita sujeira. E, num momento em que se duvida da capacidade de Dilma de prevalecer sua vontade (Código Florestal, corte de emendas parlamentares), a presidente aproveita os erros do governo a seu favor.


Merval: ‘Estamos em tempos de conciliação política e conseqüente revalorização da importância do Plano Real na História do país’

Tempo de conciliação

Fonte: Artigo Merval Pereira – O Globo

Estamos em tempos de conciliação política e conseqüente revalorização da importância do Plano Real na História do país. O reconhecimento da presidente Dilma Rousseff do papel fundamental do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no fim da hiperinflação e consequente estabilização econômica, que permitiu a retomada do planejamento para o desenvolvimento do país, e os generalizados aplausos na morte do ex-presidente Itamar Franco, reconhecido como o responsável pela implantação do Plano Real, fazem parte desse novo cenário que recupera a História do Brasil.

Não é por acaso, portanto, que o excelente livro de Miriam Leitão “Saga brasileira, a longa luta de um povo por sua moeda” está em primeiro lugar na lista dos mais vendidos no país há seis semanas seguidas.

Além da sua qualidade intrínseca, o livro chega numa hora em que o país redescobre seu passado, abafado há quase dez anos por campanha política negacionista que tinha o fim único de exaltar o governo petista pela anulação dos méritos de governos anteriores.

Pura tática marqueteira que deu certo até que dois acontecimentos tiveram a capacidade de destampar o passado recente: os 80 anos de FH e a morte de Itamar.

Ele e Fernando Henrique, corresponsáveis pela mais exitosa ação político-econômica do Brasil moderno, foram separados pela disputa política, mas nunca chegaram a romper, como aconteceu com Lula e FH.

A tradicional disputa entre criador e criatura deu-se mais uma vez. Mas, se dependesse de Itamar, o candidato do Plano Real teria sido o então ministro da Previdência, Antonio Britto, hoje afastado da política partidária e presidindo a Abifarma.

E não há dúvidas de que Itamar levou para o túmulo mágoas que seu espírito trêfego não conseguia superar, como a certeza de que sua importância na História do país havia sido reduzida pelo protagonismo de Fernando Henrique, a quem não perdoava por ter aprovado a reeleição quando ele, Itamar, considerava-se no direito de ser o candidato à sucessão.

A partir de então, passou a confrontar Fernando Henrique, primeiro tentando ser o candidato do PMDB contra a reeleição de sua “criatura”. Foi humilhado pela direção nacional do PMDB na convenção nacional, que decidiu apoiar a reeleição.

Um depoimento isento é o do ex-ministro da Fazenda Rubem Ricupero, que afirma que a importância deItamar para a estabilização da economia foi decisiva porque, naquele momento de transição, ele era o único que acreditava que seria possível dar um golpe definitivo na inflação.

Mas Ricupero sabe que Itamar não “tinha uma ideia clara” de como fazer isso e andava em busca de um novo Plano Cruzado. “Inclusive, depois que o real foi introduzido, Itamar ainda queria um congelamento de preços”, lembra Ricupero em entrevista à BBC.

Por diversas vezes o ex-presidente Itamar o classificou como o “sacerdote” ou “apóstolo” do Real, mas Ricupero desconfia que “ele fazia isso principalmente para retirar um pouco do crédito pelo Plano Real da equipe de Fernando Henrique Cardoso.”

Havia muita mágoa. Itamar era político interessante, imprevisível, reagia espontaneamente a tudo, tinha algumas ideias fixas – umas bem atrasadas como um nacionalismo que não se modernizou: era contra todas as privatizações, embora tenha sido no seu governo que a CSN foi privatizada.

A ideia do relançamento do fusca não tinha cabimento, mas embutia a proposta de um carro popular, o que mais tarde foi feito com carros economicamente viáveis.

Ele tem todos os méritos por permitir que o Plano Real se efetivasse, mas durante sua gestação várias vezes atrapalhou, como quando quis o congelamento de preços a que se referiu Ricupero.

Seu sonho dourado era a popularidade que o Plano Cruzado trouxera ao ex-presidente José Sarney, e, se dependesse dele e de seus assessores, a República do Pão de Queijo, seriam tomadas medidas populistas que prejudicaram o Cruzado e inviabilizariam o Real.

Tinha uma visão política muito provinciana, mas tinha também vantagens competitivas que eram inerentes a seu caráter e formação, qualidades que infelizmente hoje são mais relacionadas a políticos à moda antiga, que morriam pobres como ele morreu, qualidades ressaltadas em um tempo em que poucos anos de atividade parlamentar, até mesmo a vereança, já levam políticos a ficarem milionários.

Conseguiu participar de um governo que foi impedido pelo Congresso por corrupção sem se envolver nas falcatruas, o que permitiu fazer a transição política para o governo FH.

Reuniu todos os partidos em torno dele, apenas o PT ficou de fora. Itamar tinha uma intuição política muito aguçada, que alguns consideravam apenas sorte, mas Tancredo Neves classificava de “destino”.

Estava sempre no lugar certo na hora certa. Ser vice de Fernando Collor, tudo indicava, era estar no lugar errado naquela corrida presidencial de 1989, mas ele teve a intuição de que aquela aventura daria certo.

Collor tinha razões importantes para colocar um político como Itamar na vice, para dar credibilidade à sua candidatura.

Várias vezes o mercurial Itamar renunciou ao cargo durante a campanha, como um Jânio vice de outro Jânio.

Conseguiu se manter em posição de neutralidade durante o curto governo, o que não prejudicou sua carreira e, em vez de ter sido contaminado pelo que ocorria nos bastidores, soube se manter distante e se qualificou para comandar um governo de união nacional que foi fundamental para a realização do Plano Real.

Itamar Franco recebeu as últimas homenagens em Belo Horizonte, corpo foi cremado no Cemitério Parque Renascer

Corpo de Itamar é cremado em Minas

Fonte: Eduardo Kattah e Marcelo Portela – O Estado de S.Paulo

Cinzas serão entregues hoje à família e, a pedido do ex-presidente, depositadas no túmulo de sua mãe, Itália Cautier, em Juiz de Fora

Com honras de chefe de Estado, o corpo do senador Itamar Franco (PPS-MG) foi cremado no fim da tarde de ontem em cerimônia reservada a familiares e amigos mais próximos no Cemitério Parque Renascer, em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Durante o dia, o corpo do ex-presidente foi velado no salão nobre do Palácio da Liberdade, antiga sede do governo mineiro, com a presença da presidente Dilma Rousseff e dezenas de personalidades de diferentes correntes dos cenários políticos nacional e mineiro.

Uma multidão de cerca de 4,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, foi ao local se despedir de Itamar. As cinzas do ex-presidente serão entregues hoje à família e, a pedido de Itamar, depositadas no túmulo de sua mãe, Itália Cautier, em Juiz de Fora.

Itamar morreu aos 81 anos no sábado, vítima de acidente vascular cerebral em São Paulo, onde estava internado para tratar uma leucemia.

Em torno do caixão, Dilma se despediu de Itamar entre o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já haviam passado pelo velório, em Juiz de Fora, os ex-presidentes José Sarney, Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor, que cedeu o posto a Itamar em 1992, após impeachment.

Dilma compareceu à cerimônia acompanhada dos ministros Gleisi Hoffman, da Casa Civil; Ideli Salvati, das Relações Institucionais; Fernando Pimentel, de Desenvolvimento; Antônio Patriota, das Relações Exteriores; e Helena Chagas, da Secretaria de Comunicação. Além de Fernando Henrique e Anastasia, Dilma também se encontrou com outros tucanos como o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador José Serra e o senador Aécio Neves (MG).

Emoção. Todas as personalidades presentes à cerimônia fizeram questão de lembrar a trajetória de Itamar e a convivência com ele. Chamou atenção dos presentes a emoção demonstrada por Fernando Henrique. “As relações entre nós dois, durante muitos anos, foram entremeadas por brincadeiras. Então, eu choro hoje de saudades pelo Itamar. Eu posso ter certeza que o Brasil todo chora a morte. Mas ele ficará na nossa memória para sempre”, declarou o ex-presidente, ministro de Itamar e seu sucessor no Palácio do Planalto.

“Dele (Fernando Henrique) também sou adversário, mas pude perceber que ele estava triste, emocionado. Isso que a gente tem de pôr em relevo”, ressaltou outro ministro de Itamar, Ciro Gomes (PSB-CE).

A cerimônia de ontem em Belo Horizonte teve atraso de cerca de uma hora. No início da manhã, a neblina fechou o Aeroporto de Juiz de Fora. Mesmo assim uma multidão permaneceu desde o início da manhã em frente ao Palácio da Liberdade para a última homenagem a Itamar.

O militar aposentado Itamar Condé chegou ao local às 6 horas para garantir o primeiro lugar na fila. Condé disse que era fã do “político que nunca esteve envolvido em falcatrua”.

“Foi uma figura única, respeitado por aliados e adversários, e que deu o tom que deverá prevalecer daqui por diante, de uma oposição sempre leal ao Brasil, mas firme e clara na defesa dos interesses dos brasileiros”, ressaltou Aécio.

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