Arquivo

Posts Tagged ‘PR’

Noblat comenta perfil da presidente Dilma: “Uma é rapidíssima no gatilho. A outra, devagar quase parando”

Herança maldita, falta de transparência,

Fonte: Ricardo Noblat – O Globo

As duas Dilmas

A saída de Carlos Lupi do governo reforça a impressão de que temos duas Dilmas em cena. Dilma Furacão é intolerante com subordinados lerdos, pouco criativos e que têm medo dela. Dilma Eu Te Amo é tolerante com subordinados autores de malfeitos que envolvem o dinheiro público. Uma é rapidíssima no gatilho. A outra, devagar quase parando.

Dilma Eu Te Amo estava convencida de que conseguiria empurrar com a barriga a demissão de Lupi. Só queria executá-la quando promovesse em janeiro próximo a primeira reforma do seu ministério. Cada nova denúncia contra Lupi ela imaginava que seria a última. Vá lá: a penúltima. Avaliava os estragos e tocava adiante.

De público, jamais respondeu à pergunta que não queria calar: por que tendo trocado cinco ministros em menos de 10 meses preferia arcar com o desgaste de conservar Lupi ao seu lado? Mediante o anonimato, portavozes informais de Dilma ensaiaram respostas por ela. As razões para sustentar Lupi seriam duas, pelo menos.

A primeira: ele ficaria até janeiro para que a imprensa não sentisse o gosto de ter derrubado mais um ministro. De fato, os caídos devem sua desgraça à imprensa. Foi ela que descobriu seus malfeitos. O governo sempre soube o que se passava em cada um dos ministérios, mas hesitava em agir. Sabe como é: a corrupção, infelizmente…

Alguns dos caídos foram embora por conta própria e à revelia da vontade de Dilma. Um deles: Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes. O PR de Alfredo faturou uma nota preta cobrando comissão por negócios fechados no âmbito do ministério. A ter que demitir Alfredo, Dilma ofereceu-se para ser a sua babá. Alfredo não aguentou o tranco.

A segunda razão: caso Lupi fosse despachado já, o PDT não abriria mão de indicar um nome para sua vaga. Assim como o PC do B indicou um nome para a vaga de Orlando Silva, ex-ministro do Esporte, e o PMDB um nome para a vaga de Wagner Rossi, ex-ministro da Agricultura. Dilma quer liberdade para em janeiro embaralhar as cartas.

Ministros perderão o emprego com uma tapinha nas costas. Partidos perderão os atuais ministérios e ganharão outros. Partidos perderão os atuais ministérios e não ganharão outros. Há quem acredite até na hipótese de Dilma diminuir o tamanho do governo extinguindo ministérios. Anotem aí: os partidos, seus aliados, não deixarão. Nem a pau.

Parecia haver certa resignação com a transferência para janeiro da saída de Lupi. Até que… Até que a Comissão de Ética da Presidência da República concluiu que ele não deu respostas satisfatórias às acusações. E aconselhou que fosse demitido. O tempo fechou. Dilma só faltou escalar parede tamanha foi sua revolta com o ato da comissão.

Esbravejou por não ter sido avisada de que a comissão se reuniria para tratar do Caso Lupi. Esbravejou por ter a comissão lhe sugerido que demitisse Lupi. Esbravejou por só ter sido informada a respeito da decisão da comissão depois de a imprensa tê-la noticiado. Sentiu-se atingida em sua autoridade. E empurrada contra a parede.

Se não lhe faltasse juízo, engoliria a raiva e faria o que a comissão sugeriu. O contrário seria impensável. Foi a primeira vez em 12 anos de funcionamento que a Comissão de Ética apontou a porta da rua para um ministro. Que tal seria Dilma passar à História como a presidente em cujo mandato a comissão se autodissolveu?

Para mandar e ser obedecido você não precisa gritar com subordinados, dar murros na mesa ou fazer ameaças. Nem desprezar o bom-senso, deixando no seu posto quem dele já deveria ter sido afastado em nome da decência. Se Dilma tinha poder para segurar Lupi também tinha para substituí-lo sem dar explicações a partidos.

Foi o que acabou por ocorrer ontem à tarde e com enorme atraso. Quanto ao ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, que faturou R$ 2 milhões como consultor de empresas em Minas… Bem, fica para outra ocasião. O espaço acab

Partidos que formam bloco de apoio ao Governo de Minas se articulam para ampliar atuação nas eleições municipais

Movimento Suprapartidário, Eleições 2012, 

Fonte: Juliana Cipriani – Estado de Minas

Artilharia pesada no ano que vem

Base do governo Anastasia articula blocão com 20 partidos para atuar nas eleições nas 50 maiores cidades do estado

Os aliados do governador Antonio Anastasia (PSDB) querem trazer o PSB, do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, e outros 10 partidos para ampliar a atuação conjunta da base nas eleições de 2012. Depois de acertar uma espécie de divisão das 50 maiores cidades mineiras – exceto Belo Horizonte – entre PSDB, PDT, PP, PR, PPS, PTB, PSD, DEM e PV, o grupo está convidando mais legendas e determinou pesquisas nas regiões para saber quem tem mais chance de emplacar prefeitos em cada prefeitura. No próximo encontro, Anastasia e o senador Aécio Neves (PSDB) participarão das conversas.

Além dos socialistas, estão sendo convidados a ingressar no grupo PSL, PMN, PSDC, PSC, PRTB, PTC, PTdoB, PTN, PHS e PRP. Embora todos garantam que a sucessão na capital está fora da pauta, o convite ao PSB não deixa de ser uma forma de aproximação com o prefeito, também cortejado pelos petistas para uma candidatura que excluiria, segundo o PT municipal, os tucanos. Ontem foi o segundo encontro da base de Anastasia, que mês passando acertou a intenção de caminhar juntos nas cidades com mais de 50 mil eleitores.

Algumas legendas apresentaram na reunião suas pré-candidaturas às prefeituras do interior e colocaram algumas prioridades. O PR, anfitrião do encontro, por exemplo, quer viabilizar os deputados federais Aracely de Paula e Aelton Freitas em Araxá e Uberlândia, respectivamente, e o estadual Deiró Marra em Patrocínio. “Queremos conhecer as prioridades dos partidos em cada cidade e ver os potenciais candidatos para que a base esteja unida sempre que possível e ver qual o melhor nome a ser apoiado pelo governo”, afirmou o presidente do PR de BH, Leonardo Portela.

A presidente do PPS, deputada estadual Luzia Ferreira, disse que o partido ainda prepara sua lista, mas antecipou que Poços de Caldas e Ipatinga, onde a legenda tem a prefeitura e almeja a reeleição, estarão incluídas.

Segundo o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), que coordena o grupo, uma comissão com nomes do PSDB, PSD, DEM e PR foi designada para articular as pesquisas que serão “orientadoras” das ações da base. Caso haja interesse de mais de um partido em uma mesma cidade, segundo Pinto Coelho, pode haver dois nomes da base concorrendo. “Em nenhum momento vamos tirar a autonomia partidária, as pesquisas servem de roteiro, mas não quer dizer que só aquele que estiver em melhor posição vai sair. Quando for possível teremos a convergência”, afirmou.

Outra diretriz, segundo o vice-governador, é um movimento suprapartidário de apoio a uma eventual candidatura de Aécio Neves à Presidência da República. “Evoluiu para isso, mas com a ressalva de que a visão estadual dos partidos não se sobrepõe à nacional. Mas não podemos deixar de considerar esse fato”, disse.

ALIADOS HISTÓRICOS Segundo o presidente do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, a ampliação da base é apenas a reunião dos partidos que estão desde 2002 (primeira eleição de Aécio ao governo) com o governo estadual. “Principalmente nas cidades que não tiverem segundo turno vamos nos mobilizar para estar unidos. O foco também está nos municípios onde a polarização é com forças que fazem oposição a Anastasia”, afirmou.

Os tucanos já têm candidatos próprios em 29 das 50 cidades, mas, segundo Pestana, o partido pode abrir mão pela unidade da base. “O PSDB, como principal partido da aliança, tem de ter a compreensão que deve crescer, mas sem atropelar os aliados históricos”, disse. A próxima reunião será em fevereiro na sede do PSDB, com a presença de Aécio e Anastasia.a

Foi só um faz de conta: Sob pressão da base, Dilma desiste de continuar com a ‘faxina ética’ contra irregularidades e a corrupção

Dilma diz que faxina ética não é meta de governo e sim combate à pobreza

Fonte: Chico de Gois –  O Globo

A presidente elencou quatro princípios que balizam sua tomada de decisão contra as irregularidades

Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de lançamento do Crescer - Programa Nacional de Microcrédito no Palácio do Planalto. Foto: Gustavo Miranda/agencia

Escândalos em série

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff voltou a dizer nesta quarta-feira que a faxina contra a corrupção e as irregularidades são “ossos do ofício” da Presidência. Dilma disse que não está interessada numa faxina ética, que essa não é sua meta de governo, e não vai assumir o que classificou de “ranking de demissões”, isto é, na aposta quase semanal na queda de ministros por conta de denúncias. Para a presidente, a principal faxina na qual está interessada é a “faxina contra a pobreza”.

Desde junho, quatro ministros já deixaram o governo, três por conta de denúncias de supostas irregularidades e um porque falou o que Dilma nem os outros colegas ministros queriam ouvir. Atualmente, estão na corda bamba os ministros de Cidades, Mario Negromonte, acusado por parlamentares de seu próprio partido de oferecer um mensalão de R$ 30 mil para controlar a bancada; o ministro do Turismo, Pedro Novais, cuja pasta é alvo de investigação; e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, acusado de utilizar jatinho de um empresário.

Essa pauta de demissões, que faz ranking, não é adequada para um governo. Essa pauta eu não vou jamais assumir. Não se demite nem se faz escala de demissão nem se quer demissão todos os dias

– Essa pauta de demissões, que faz ranking, não é adequada para um governo. Essa pauta eu não vou jamais assumir. Não se demite nem se faz escala de demissão nem se quer demissão todos os dias. Isso não é de fato Roma antiga – declarou, destacando, no entanto, que se for constatada irregularidade tomará providências em todos os casos, ressalvando-se a presunção de inocência.

Dilma questionou o termo “faxina” utilizado pela imprensa para descrever as ações que tem tomado contra as denúncias de irregularidades.

– Eu não sei de onde saem as informações de vocês, mas tanto a forma como colocam a política do meu governo contra malfeitos, chamando-a de faxina, eu não concordo com isso, acho que isso é extremamente inadequado – afirmou.

– Eu acho que se combate o malfeito. Não se faz disso meta do governo. Faxina, no meu governo, é faxina contra a pobreza. É isso que é faxina no meu governo. O resto são ossos do ofício da Presidência. E ossos de ofício da Presidência não se interrompe. Se houver algum malfeito eu tomarei providência.

A presidente elencou quatro princípios que balizam sua tomada de decisão contra as irregularidades: respeito aos direitos individuais e liberdades; lei igual para todos porque, em seu entendimento, ninguém está acima da lei; respeito à dignidade das pessoas, sem submetê-las a condições ultrajantes – ela destacou que sabe do que fala porque já passou por isso – e, por último, presunção da inocência.

– Baseado nesses princípios, tomarei todas as providências para conter (irregularidades). Já quem pensa que alguém faz de seu governo um processo, num país como o nosso, nas condições do mundo, que transforma uma política como centro do governo, não é o centro do meu governo. O centro do meu governo é fazer esse país crescer, fazer uma faxina contra a pobreza. O resto, ou seja, tomar providência contra o malfeito, é obrigação da minha condição de presidente.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/24/dilma-diz-que-faxina-etica-nao-meta-de-governo-sim-combate-pobreza-925197171.asp#ixzz1W3TjJb5W

Leia mais:

LINHA DO TEMPO : Os escândalos em série do governo Dilma

MÁRIO NEGROMONTE : Ministro das Cidades diz que PP sofrerá consequências do racha na base

Herança maldita do lulopetismo: Editorial de O Globo critica ‘A diversificada tecnologia da corrupção’ montada pelo Governo do PT

A diversificada tecnologia da corrupção

Fonte: Editorial de O Globo – Publicado no Blog do Noblat

Assim como o Brasil não foi fundado em 2003, como queria fazer crer a propaganda lulopetista, a corrupção não surgiu nos últimos oito anos na vida pública do país. Mas, reconheça-se, tomou grande impulso a partir de um modelo de montagem de governo em que a principal preocupação não é a busca por melhorias na qualidade da administração, mas a quantidade de votos assegurados no Congresso, para garantir a “governabilidade”.

Em nome dela, amplas e estratégicas áreas da máquina pública foram cedidas a partidos aliados, com carta-branca para administrarem os respectivos orçamentos, em todo ou em parte, como bem entendessem.

Durante este tempo diversificaram-se os métodos de desvio de recursos do Tesouro de forma ilícita. Há desde a simulação de gastos com marketing e publicidade para retirar dinheiro de estatal (BB/Visanet), como foi feito para ajudar a lubrificar o esquema do mensalão, até métodos clássicos de superfaturamento de obras por meio de aditivos.

O golpe está registrado no currículo do PR na administração que fez no Ministério dos Transportes e seu Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit).

Do Ministério da Agricultura, sabe-se da relação promíscua do ex-ministro Wagner Rossi (PMDB) e filho, Baleia, deputado estadual paulista pelo partido do pai, com uma empresa fornecedora de vacinas antiaftosa, e da acusação contra a cúpula da Pasta feita por Jucazinho, por sua vez destituído por desviar dinheiro da Conab.

Por ser um ministério entregue ao PMDB com “porteira fechada” — assim como, em alguma medida, foi feito nos Transportes com o PR —, é provável que uma auditoria atenta revele usos e costumes obscuros bastante consolidados. Pode-se imaginar o tipo de rastros que deixou o lobista Júlio Fróes, de livre trânsito na comissão de licitações da Pasta.

Já no Turismo, de Pedro Novais, capturado pelo PMDB maranhense e sua sublegenda do Amapá, onde o senador José Sarney tem base eleitoral, permitiu-se o uso da gazua da emenda parlamentar para o sequestro de dinheiro do contribuinte.

O golpe de usar gastos com “formação de mão de obra”por ONGs para justificar a subtração de dinheiro do Erário foi usado no Amapá e, soube-se depois, em Sergipe, por meio de um convênio de tramitação relâmpago pelo ministério.

As alegadas despesas com treinamento serviram para a aprovação a jato de convênio milionário com uma ONG sergipana sem qualquer experiência no que prometia executar: formar 18 mil cozinheiros, garçons, motoristas de táxi, entre outros profissionais, para estimular o turismo no estado.

A organização já recebeu R$ 3 milhões dos R$ 8 milhões prometidos, embora não houvesse matriculado um único aluno, revelou O GLOBO. O Turismo se candidata a ser outro generoso vazadouro de recursos públicos.

Ao contrário do que alguns pensam, não há “udenismo” nas denúncias, até porque o Brasil de hoje pouco tem a ver com o da década de 50. O Estado tem mecanismos de combate à corrupção, e não há a necessidade de movimentos políticos que tendem a gerar crises institucionais em nome da moralização. Eles não podem é ser impedidos de funcionar.

Link do editorial: 

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=400456&ch=n

Sem controle e sem as rédeas: Governo do PT inicia operação de combate ao fogo amigo, Dilma quer evitar que brigas entre aliados se reflita no Congresso

Planalto teme fogo amigo: Dilma inicia operação para evitar que brigas em partidos aliados se reflitam no Congresso

Fonte: O Globo

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto decidiu agir para tentar estancar as guerras internas instaladas nos partidos aliados. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff já temem que essas disputas pelo controle das legendas governistas se reflitam diretamente nas votações do Congresso. Por isso, será deflagrada uma operação para pacificar os aliados. A preocupação é que essa briga por poder nas siglas acabe contaminando toda a base. Já estão em guerra interna o PMDB, o PP e o PR – e até mesmo no PT já há disputa.

O governo já identificou que essas brigas internas têm dado munição suficiente para as denúncias de corrupção que tomaram conta dos ministérios e enfraquecem a gestão Dilma. Ontem, um ministro com trânsito no Planalto lembrou que as acusações contra o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi tiveram origem no próprio PMDB. Agora, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, virou alvo da própria bancada do PP e foi acusado pelos deputados de oferecer um mensalão de R$ 30 mil a parlamentares na tentativa de manter o controle do PP.

Apesar de negar ter conhecimento da denúncia, o Planalto considera que Negromonte ficou fragilizado e perdeu a sustentação política da bancada. A destituição do ex-líder, deputado Nelson Meurer (PP-PR), substituído na liderança pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), serviu para alertar o núcleo do governo sobre a forte reação das bancadas governistas. Se não houver uma pacificação no PP, observou um interlocutor da presidente Dilma, Negromonte será substituído na reforma ministerial. Dos 41 deputados da bancada do PP, 27 já se rebelaram.

Temer vai falar com rebeldes do PMDB

Para contornar as insatisfações, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, deverá conversar com as facções de cada partido. Ao mesmo tempo, o vice-presidente Michel Temer já foi acionado para contornar a disputa no PMDB. Ele marcou várias reuniões com deputados peemedebistas depois que um grupo de 35 parlamentares desafiou a autoridade do líder, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A principal exigência do grupo é retirar das mãos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a relatoria da comissão que analisará mudanças do Código de Processo Civil

– Essa insatisfação vai criar uma onda e contaminar todos os partidos. Os líderes estão perdendo a credibilidade das bancadas porque não refletem o sentimento dos deputados. No caso do PMDB, Henrique Alves tem que consultar a bancada antes de tomar qualquer decisão. E, depois, respeitar nosso encaminhamento – advertiu o deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

A crise no PMDB já atinge diretamente a sustentação do ministro do Turismo, Pedro Novais. Desde que sua pasta virou foco de investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União, os próprios deputados do PMDB agora querem a substituição de Novais por um deputado afinado com a bancada.

Já na semana passada, o Planalto decidiu atuar para amenizar o racha nas bancadas. A ministra Ideli Salvatti decidiu conversar com todos os grupos do PR, depois que o partido rachou e decidiu assumir uma posição de independência. Até mesmo o secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), foi procurado por Ideli. A reação do PR foi comandada por Valdemar e pelo senador Alfredo Nascimento (AM), ex-ministro dos Transportes.

– A base está se esfacelando por causa da desarticulação do governo. Há uma guerra interna nos partidos, não só no PR, mas também no PMDB, PP e PT. Os líderes já não conseguem comandar suas bancadas – admitiu o vice-líder do governo, deputado Luciano Castro (PR-RR), que esteve com Ideli sexta-feira.

O Planalto está preocupado até mesmo com o PT. A constatação no núcleo do governo é que há uma espécie de fogo amigo petista permanente. Foi essa disputa interna que teria resgatado o episódio da suposta participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, no escândalo dos aloprados.

Nos primeiros meses de governo, o Planalto já identificou ataques internos do partido para desestabilizar três ministros: Ana de Hollanda (Cultura), que resistiu no cargo; Antonio Palocci (ex-chefe da Casa Civil); além do próprio Mercadante. Antes disso, Dilma já tinha experimentado a guerra interna do PT durante sua própria campanha, no episódio que resultou na tentativa de divulgação de um dossiê contra a filha do ex-candidato tucano José Serra.

Um auxiliar direto da presidente Dilma lembra que o fogo amigo mais explícito ocorreu durante a queda de Palocci. Com a dificuldade para explicar o seu enriquecimento, o Planalto identificou uma ação conjunta para desestabilizar o ex-ministro da Casa Civil, que perdeu rapidamente sustentação política.

Ontem, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), minimizou a guerra de facções nos partidos da base:

– Nós queremos que os partidos sejam organizados. Vamos conversar com os líderes. Mas, até o momento, essas disputas não prejudicaram as votações.

Link da matéria:  http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/21/planalto-teme-fogo-amigo-dilma-inicia-operacao-para-evitar-que-brigas-em-partidos-aliados-se-reflitam-no-congresso-925175101.asp#ixzz1Vl6VHNUZ

Em Minas, Lula minimiza escândalos do Governo Dilma e diz que “não tem estremecimento” com PMDB e PR – em BH defendeu aliança com Lacerda

Lula critica debate sobre sucessão

Fonte: Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a antecipação do debate sobre a sucessão presidencial em 2014, classificando como uma “imbecilidade” as especulações sobre sucessão neste momento. Lula também minimizou o fato de quatro ministros terem deixado o governo Dilma Rousseff.

Em visita a Belo Horizonte, Lula voltou a dizer que Dilma é candidata natural à reeleição. “Acho uma imbecilidade, uma loucura falar de 2014 se nem sentamos à mesa para falar de 2012”, disse ele durante almoço com lideranças petistas. No ano que vem, ocorrem as eleições municipais. “Só tem uma pessoa que pode chamar essa conversa, que é a companheira Dilma.”

Na quarta-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, havia declarado que o candidato do PT nas eleições de 2014 será definido em conversa entre Lula e a presidente Dilma Rousseff. A manifestação foi considerada um sinal de que Dilma pode não concorrer à reeleição e que Lula poderia voltar a ser o candidato do partido.

Perguntado sobre o que achava das declarações de Bernardo, Lula preferiu criticar o ex-candidato do PSDB à Presidência José Serra. “Primeiro, é inaceitável um tucano como o Serra dizer que eu sou candidato em 2014”, disse. “Acabei de eleger uma sucessora que vai fazer um governo extraordinário. Em 2014, eu não sei da oposição, mas o governo, o Brasil, já tem candidato, que é a Dilma Rousseff. Eu vou dizer pela última vez, a Dilma só não será candidata se ela não quiser.”

Lula disse que as discussões em torno de 2014 ocorrem num momento em que a principal preocupação das lideranças políticas é outra. A questão agora, disse, é evitar que o Brasil seja “arranhado pela crise irresponsável dos países ricos”.

Durante o almoço com petistas – do qual participaram, entre outras lideranças do partido, o ministro Fernando Pimentel e os ex-ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias – Lula minimizou a saída de quatro ministros em oito meses de governo de Dilma. E rejeitou a versão de que a saída de ministros do PR e do PMDB esteja enfraquecendo a base de apoio do governo. “Não tem estremecimento”, disse ele. “Eu faço política 24 horas por dias e não vejo nenhum estremecimento na base.”

A visita de Lula à capital mineira estava cercada de expectativas em relação a como ele iria se posicionar em relação à disputa pela prefeitura da cidade no próximo ano. O atual prefeito, Márcio Lacerda (PSB) foi eleito em 2008 com apoio do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o então prefeito de BH e Fernando Pimentel. A incógnita na cidade é se a aliança se repetirá em 2012 para apoiar Lacerda.

Petistas que participaram do almoço e do encontro à tarde disseram que embora o ex-presidente não tenha dito com todas as letras, a mensagem que transmitiu foi clara. Ele defendeu a importância de o PT fazer alianças. Na visão de um líder do partido em Minas, Lula deixou claro que é preciso, sim, manter o apoio a Lacerda.

Outro líder petista do Estado, ex-ministro de Lula, lembrou que o presidente do PSD em Minas é outro ex-ministro de Lula, Walfrido dos Mares Guia, que acabou de ser “empossado” como um dos membros do conselho do Instituto Lula. “Lula está operando com um olhar na disputa de Minas.”

Márcio Lacerda também esteve no almoço do PT. “Sei que ele [Lula] tem uma simpatia pela repetição da aliança”, afirmou Lacerda. “Mas isso é um processo partidário, se a eleição fosse daqui a três meses, diria que estaríamos a um passo disso.”

Tanto o PT quanto o PSDB não possuem candidatos claros para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Lacerda é tido como o nome natural à reeleição.

Folha: Ministro da Agricultura, Wagner Rossi, transformou uma empresa pública, a Conab, num cabide de empregos para parentes de líderes do PMDB

Agricultura vira cabide de emprego da cúpula do PMDB

Fonte: Folha de S. Paulo

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, transformou uma empresa pública, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), num cabide de empregos para acomodar parentes de líderes políticos de seu partido, o PMDB.

O loteamento começou quando Rossi dirigiu a estatal, de junho de 2007 a março de 2010. Ele deu ordem para mais do que quadruplicar o número de assessores especiais do gabinete do presidente -de 6 para 26 postos.

Muitos cargos somente foram preenchidos, porém, depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu Rossi para o comando da Agricultura -o ministério ao qual a Conab responde.

Neste ano, já no governo de Dilma Rousseff, foram definidas 21 nomeações. Algumas contratações foram assinadas de próprio punho pelo ministro, homem de confiança do vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB.

Receberam cargos, entre outros, um filho de Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado; a ex-mulher do deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do partido na Câmara; um neto do deputado federal Mauro Benevides (CE); e um sobrinho de Orestes Quércia, ex-governador e ex-presidente do PMDB de São Paulo, que morreu no ano passado.

Adriano Quércia trabalhou com o filho de Wagner Rossi, Baleia Rossi, antes de se abrigar na Conab. Foi o deputado estadual Baleia Rossi quem sucedeu Quércia no comando do PMDB paulista.
Funcionários antigos da Conab disseram à Folha que nunca viram Adriano por lá -nem o neto de Benevides, Matheus. Ambos dizem que trabalham normalmente. Os funcionários da Conab indicados pelo PMDB recebem salários de R$ 7,8 mil a R$ 10 mil por mês.

“BANDIDOS”
Na semana passada, outro apadrinhado peemedebista atirou a Conab no centro de um escândalo.

Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), acusou a estatal de ser um reduto de “bandidos”.

Ele era diretor financeiro da Conab e foi demitido após autorizar o pagamento de uma dívida do ministério com uma empresa registrada em nome de laranjas, de acordo com reportagem da revista “Veja”.

Jucazinho, como é conhecido em Brasília, alega que saiu por não ter concordado em participar de um esquema de recolhimento de propinas no ministério.

A crise na Agricultura se agravou pouco depois que a presidente Dilma fez demissões em massa no Ministério dos Transportes para afastar funcionários envolvidos com irregularidades no Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

O PR (Partido da República), legenda que comandava o Dnit antes das demissões, passou a cobrar que Dilma dê o mesmo tratamento a outras estatais e partidos que sejam alvo de denúncias.

ALERTAS
A associação de servidores da Conab alertou o Palácio do Planalto para a ocupação política da empresa seguidas vezes neste ano.

A única providência conhecida foi tomada pela Casa Civil, que remeteu as acusações ao próprio ministro da Agricultura, alvo principal da reclamação.

O PMDB tem hoje três dos seis mais importantes cargos da Conab. O presidente da estatal, Evangevaldo dos Santos, é da cota do PTB, outro aliado do governo Dilma. O PT controla uma diretoria.
Com orçamento de R$ 2,8 bilhões neste ano, a Conab executa vários programas desenhados para organizar o mercado de produtores agrícolas e assegurar o abastecimento de alimentos no país.

Ministro diz que nomeou “pessoas qualificadas”

Diretores da Conab têm direito a indicar dois nomes cada um, afirma Rossi; parentes dizem trabalhar regularmente

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), defendeu as nomeações de parentes de políticos para cargos de confiança na Conab, mas nega que isso configure aparelhamento da estatal.

“Partidos da base aliada -PT, PMDB e PTB- e outras legendas indicam pessoas qualificadas para o cargo, e o governo promove as nomeações”, disse Rossi por meio de sua assessoria.

Segundo ele, os diretores da Conab “têm direito a preencher dois cargos de livre nomeação” e “tais indicações são políticas”.

Adriano Quércia, sobrinho do ex-governador Orestes Quércia, disse que Rossi o convidou para trabalhar lá quando presidia a estatal: “Ele precisava de uma pessoa de confiança para ocupar um cargo de confiança”.

Adriano reconheceu que, quando entrou na Conab, não conhecia o setor agrícola. “Era algo novo para mim.” E negou ser servidor-fantasma. “Obviamente que não. Atualmente eu toco projetos da empresa em São Paulo.”

Matheus Benevides Gadelha, neto do deputado Mauro Benevides, disse que foi para a Conab a convite de Alexandre Aguiar, que sucedeu Rossi no comando da estatal, e não por causa do seu parentesco. Ele também negou ser servidor-fantasma. “Cumpro o expediente todos os dias.”

Monica Azambuja disse que não foi contratada por indicação do ex-marido. “Vocês não podem me esquecer um pouquinho, não? Eu vou ser eternamente ex-mulher de quem sou. Ele pode ser rei ou lixeiro, eu vou ser sempre a ex-mulher dele, eu não tenho para onde correr”, disse.

Antes de ir para a Conab, Monica foi assessora da Infraero. Em 2009, a Folha revelou que o trabalho dela era descrito na ficha funcional como “aquém do aceitável” -segundo os avaliadores, devido a seu “despreparo profissional e desinteresse”.

O filho do senador Renan Calheiros não foi localizado nem na Conab nem no celular. (AM, NN e JEC)

 

“Parente pode ser bom de serviço”, afirma dirigente 

Fonte: Andreza Matais – Folha de S.Paulo

O presidente da Conab, Evangevaldo dos Santos, disse à Folha que parente de político “pode ser bom de serviço”, mas que não saberia dizer se os familiares de líderes peemedebistas estariam empregados na estatal não fosse o parentesco. 

Folha – A Conab está loteada? Evangevaldo dos Santos – Eu desconheço. As pessoas que estavam lá continuaram porque cada diretor tem sua prerrogativa de montar sua assessoria. Cada diretor tem a sua cota. Quanto às cotas deles, eu não posso interferir.

Há denúncias de que muitos dos indicados não trabalham.

Que eu saiba, todos [os indicados] trabalham.

O senhor não foi alertado de que existem funcionários fantasmas dentro da Conab?

Não, não.

O senhor diria que eles não existem ou não poderia garantir isso?

Bom, no gabinete da presidência não existe.

O senhor tem no seu quadro o neto do deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), o filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL)…

Não é porque é neto do Mauro Benevides que é pessoa ruim, não. É um excelente quadro. O filho do Calheiros é um excelente rapaz. O Adriano Quércia [sobrinho do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia] também é um excelente quadro.

A Monica Azambuja o senhor conhece?

Monica? Eu não lembro especificamente quem é, não.

É ex-mulher do líder do PMDB Henrique Alves…

Ah! A Mônica trabalha na diretoria. É um excelente quadro também. Não é porque é ex-mulher do líder ou filho de deputado que não pode ser bom de serviço. O Rodrigo [Calheiros] é um dos melhores funcionários que eu tenho na Conab.

O senhor acha que eles estariam empregados na Conab se não tivessem esses parentescos?

Não, não sei. Ai, não quero julgar. Se tivesse concurso, talvez eles passariam, né?

O senhor vai abrir concurso?

Assim que a imprensa deixar eu trabalhar, vou fazer isso. Preciso de concurso para contratar motorista. Ultimamente tenho ficado por conta de responder à imprensa.

%d blogueiros gostam disto: