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Caso Dnocs mantém ferida aberta – partidos com espaço no Governo Dilma loteiam o estado e brigam por mais poder

Gestão do PT, Gestão Deficiente

Fonte: Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Com a faca nos dentes

Partidos da base de apoio de Dilma Rousseff voltaram a expor a luta renhida que travam por nacos de poder. PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário. Pelo que, afinal, brigam tanto? Pelo bem do país é que não é.

A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público. Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.

Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf. Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.

Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero “fogo amigo”, percalços de um governo naturalmente fatiado. Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.

O Globo mostra hoje a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d’água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto. Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.

Este é apenas “mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá”, resume o jornal em editorial na edição de hoje.

Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa. Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.

Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus “aliados”.

“O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo. Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.

Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto. Ele estaria “desmotivado“. O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.

A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe – com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras – foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.

Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores – em síntese, sem rumo e sem alma.

São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação. Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos. Que projeto de país, afinal, nos oferecem?

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Farsa da Lista de Furnas: Deputados da Assembleia de Minas pedem investigação de Rogério Correia (PT-MG) por participação em estelionato

Fraudes do PT, estelionato do PT, PT de Minas, Corrupção do PT

Fonte: Assessoria de Imprensa do PSDB-MG

PSDB, PPS, PP e DEM pedem investigação do deputado Rogério Correia (PT-MG) por fraude na Lista de Furnas

Os partidos políticos PSDB, PPS, PP e DEM, representados por seus dirigentes estaduais, protocolaram no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nessa sexta-feira (16/12), representação em que pedem que o deputado estadual Rogério Correia (PT/MG) seja investigado pelo crime de improbidade administrativa pela participação  na fraude conhecida como a “Lista de Furnas”.

Os partidos denunciam o uso da estrutura do Poder Legislativo mineiro em assunto diverso e estranho à atividade parlamentar, como a obtenção de modelos de assinaturas de parlamentares, com o objetivo de prover, com modelos oficiais, um notório estelionatário, que se encontra preso, acusado de falsificar notas promissórias de mais de R$ 300 milhões.

Os potenciais crimes vieram a público com a revelação de diálogos  do conhecido falsário  Nilton Monteiro com  o deputado Rogério Correia, o seu principal assessor Simeão de Oliveira e o ex-deputado Agostinho Valente nos quais há, de forma inequívoca, uma trama para constranger e caluniar adversários políticos.

Os partidos pedem ao MP que sejam investigadas as seguintes questões:

·   Uso de servidor dos quadros da Assembleia Legislativa, Simeão de Oliveira, em horário de expediente, para localizar documentos oficiais assinados por deputados estaduais e federais e da estatal federal Furnas Centrais Elétricas e para repassá-los a um falsário, com objetivos escusos, conforme revelam diálogos publicados pela revista Veja.

·   Uso do servidor do Legislativo Carlos Alberto Torezani, assessor jurídico da bancada do PT/PCdoB, em horário de expediente, para acompanhar, defender e orientar Nilton Monteiro, em depoimento.

·   Uso de  estrutura da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, como gabinete e linhas telefônicas para finalidades ilegais e incompatíveis com o exercício do mandato parlamentar.

Partidos que formam bloco de apoio ao Governo de Minas se articulam para ampliar atuação nas eleições municipais

Movimento Suprapartidário, Eleições 2012, 

Fonte: Juliana Cipriani – Estado de Minas

Artilharia pesada no ano que vem

Base do governo Anastasia articula blocão com 20 partidos para atuar nas eleições nas 50 maiores cidades do estado

Os aliados do governador Antonio Anastasia (PSDB) querem trazer o PSB, do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, e outros 10 partidos para ampliar a atuação conjunta da base nas eleições de 2012. Depois de acertar uma espécie de divisão das 50 maiores cidades mineiras – exceto Belo Horizonte – entre PSDB, PDT, PP, PR, PPS, PTB, PSD, DEM e PV, o grupo está convidando mais legendas e determinou pesquisas nas regiões para saber quem tem mais chance de emplacar prefeitos em cada prefeitura. No próximo encontro, Anastasia e o senador Aécio Neves (PSDB) participarão das conversas.

Além dos socialistas, estão sendo convidados a ingressar no grupo PSL, PMN, PSDC, PSC, PRTB, PTC, PTdoB, PTN, PHS e PRP. Embora todos garantam que a sucessão na capital está fora da pauta, o convite ao PSB não deixa de ser uma forma de aproximação com o prefeito, também cortejado pelos petistas para uma candidatura que excluiria, segundo o PT municipal, os tucanos. Ontem foi o segundo encontro da base de Anastasia, que mês passando acertou a intenção de caminhar juntos nas cidades com mais de 50 mil eleitores.

Algumas legendas apresentaram na reunião suas pré-candidaturas às prefeituras do interior e colocaram algumas prioridades. O PR, anfitrião do encontro, por exemplo, quer viabilizar os deputados federais Aracely de Paula e Aelton Freitas em Araxá e Uberlândia, respectivamente, e o estadual Deiró Marra em Patrocínio. “Queremos conhecer as prioridades dos partidos em cada cidade e ver os potenciais candidatos para que a base esteja unida sempre que possível e ver qual o melhor nome a ser apoiado pelo governo”, afirmou o presidente do PR de BH, Leonardo Portela.

A presidente do PPS, deputada estadual Luzia Ferreira, disse que o partido ainda prepara sua lista, mas antecipou que Poços de Caldas e Ipatinga, onde a legenda tem a prefeitura e almeja a reeleição, estarão incluídas.

Segundo o vice-governador Alberto Pinto Coelho (PP), que coordena o grupo, uma comissão com nomes do PSDB, PSD, DEM e PR foi designada para articular as pesquisas que serão “orientadoras” das ações da base. Caso haja interesse de mais de um partido em uma mesma cidade, segundo Pinto Coelho, pode haver dois nomes da base concorrendo. “Em nenhum momento vamos tirar a autonomia partidária, as pesquisas servem de roteiro, mas não quer dizer que só aquele que estiver em melhor posição vai sair. Quando for possível teremos a convergência”, afirmou.

Outra diretriz, segundo o vice-governador, é um movimento suprapartidário de apoio a uma eventual candidatura de Aécio Neves à Presidência da República. “Evoluiu para isso, mas com a ressalva de que a visão estadual dos partidos não se sobrepõe à nacional. Mas não podemos deixar de considerar esse fato”, disse.

ALIADOS HISTÓRICOS Segundo o presidente do PSDB, deputado federal Marcus Pestana, a ampliação da base é apenas a reunião dos partidos que estão desde 2002 (primeira eleição de Aécio ao governo) com o governo estadual. “Principalmente nas cidades que não tiverem segundo turno vamos nos mobilizar para estar unidos. O foco também está nos municípios onde a polarização é com forças que fazem oposição a Anastasia”, afirmou.

Os tucanos já têm candidatos próprios em 29 das 50 cidades, mas, segundo Pestana, o partido pode abrir mão pela unidade da base. “O PSDB, como principal partido da aliança, tem de ter a compreensão que deve crescer, mas sem atropelar os aliados históricos”, disse. A próxima reunião será em fevereiro na sede do PSDB, com a presença de Aécio e Anastasia.a

Artigo do Instituto Teotônio Vilela fala sobre as vísceras expostas do Governo do PT e os escândalos de corrupção

Vísceras expostas

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Artigo mostra que com os escândalos de corrupção fica evidente a forma como as autoridades do Governo do PT tratam os bens públicos: como se fossem nacos para serem devorados, numa promíscua coabitação com interesses privados

Ilustração do #BLOG DE JENSENBRAZIL

Há razões em excesso para que a lista de ex-ministros do governo Dilma Rousseff aumente. Pelo menos mais dois auxiliares da presidente estão neste momento equilibrando-se na corda bamba: Mário Negromonte (Cidades) e Paulo Bernardo (Comunicações). Ontem, os dois deram declarações que os habilitam a serem defenestrados, com motivos de sobra, da Esplanada.

O jornal O Globo publica hoje extensa e reveladora entrevista com o ministro das Cidades, às voltas com suspeitas de pagar mesadas de R$ 30 mil a deputados da base aliada para que o apoiem no cargo. É uma aula de como funciona um governo contaminado pelo fisiologismo.

Negromonte fala com despudor sobre como os convivas se debruçam sobre seus feudos no governo petista. Envolvido em uma luta de poder com seus partidários do PP, ele lança mão de ameaças e credencia-se para ser uma espécie de Roberto Jefferson – o deputado que detonou o mensalão do governo Lula, em 2005 – de Dilma.

Diz o ministro: “Vai o meu alerta: em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso que eu disse que isso vai virar sangue. Esse pessoal não sabe avaliar os riscos. Não devemos expor as vísceras.” Que vísceras são estas que o chefe de uma das pastas mais ricas da Esplanada avisa que não quer ver expostas?

O ministro deixa claro que sabe do que e de quem está falando: “Imagine se começar a vazar o currículo de alguns deputados. Ou melhor, folha corrida.” Os parlamentares a que ele se refere, é bom que se ressalte, são seus próprios aliados e correligionários do PP, terceiro maior partido da base aliada, com 41 deputados e cinco senadores. “Eu trabalhei para que o PP saísse das páginas policiais, quando houve o escândalo do mensalão”.

Os pepistas controlam há seis anos o Ministério das Cidades, com seu fornido orçamento de R$ 22 bilhões para gastar em obras de saneamento, mobilidade urbana, habitação etc. Mas esta montanha de dinheiro não tem servido para realizar muita coisa, segundo o próprio ministro admite na entrevista: “Aqui, não está acontecendo nada. No governo Dilma, é preciso suar para liberar dinheiro. Tem que ser um maratonista. Isso porque a presidente Dilma é muito detalhista”.

O próprio Negromonte revela os montantes represados, que fornecem um retrato fidedigno da inação da gestão Dilma. A pasta das Cidades tem R$ 3,8 bilhões de emendas parlamentares inscritas em restos a pagar neste ano, mas só liberou R$ 25 milhões até agora. Isso dá 0,6% do total disponível, passados quase oito meses de governo…

Mário Negromonte parece estar se preparando para deixar o cargo e antecipa a possibilidade em pelo menos dois momentos da entrevista a O Globo. “Quero sair daqui como entrei. Não quero sair do governo com mancha. (…) O que eu não quero é sair com a marca de que fiz coisa errada”. Motivos para ser demitido e tornar-se o quinto ministro a cair em menos de três meses, ele já deu de sobra.

O sexto da lista pode ser Paulo Bernardo, enroscado em voos suspeitíssimos nas asas de empresários amigos. Ontem, em audiência na Câmara, o ministro das Comunicações não conseguiu explicar o uso de jatinhos particulares na época em que era titular do Planejamento e fazia campanha pela eleição de sua mulher, Gleisi Hoffmann, para o Senado. Suas alegações só o complicaram.

Bernardo admitiu que “só” pegou carona em aviões que nem sabia de quem eram e não descartou que tenha voado nas asas da Sanches Tripoloni, empresa suspeita de ter sido beneficiada pelo ministro numa obra em Maringá. Se assim foi, ele feriu o artigo 7º do Código de Ética da Alta Administração Federal: “A autoridade pública não poderá (…) receber transporte, hospedagem ou quaisquer favores de particulares de forma a permitir situação que possa gerar dúvida sobre a sua probidade ou honorabilidade”.

Segundo Bernardo, os jatinhos teriam sido alugados pela campanha de Gleisi. Mas os parcos gastos da hoje ministra-chefe da Casa Civil com este fim em 2010 desabonam a versão do marido: em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral, ela declarou despesas de apenas R$ 56,9 mil com empresas de táxi aéreo, o equivalente a 0,7% dos quase R$ 8 milhões que informou ter gasto na disputa, mostra O Estado de S.Paulo. Os gastos declarados de Gleisi com esta finalidade foram sete vezes menores que os do senador Roberto Requião (PMDB), seu companheiro de chapa no ano passado.

A principal suspeita que pesa sobre Bernardo é que ele tenha recebido mimos de uma empresa que foi diretamente beneficiada por ele quando era o responsável pelo Orçamento da União e por definir as verbas para obras públicas. A Sanches Tripoloni constrói em Maringá uma obra incluída no PAC por sugestão do ministro e que já custa o dobro de seu preço original. A empresa foi considerada inidônea pelo TCU, mais isso não a impediu de multiplicar os recursos federais que recebe: passaram de R$ 14 milhões em 2005 para R$ 261 milhões – ou 17 vezes mais – cinco anos depois.

Nos dois casos, fica evidente a forma como as autoridades do governo petista tratam os bens públicos: como se fossem nacos para serem devorados, numa promíscua coabitação com interesses privados. Em benefício da sociedade, há vísceras de sobra para serem expostas, antes que seja tudo tragado pelo fisiologismo.

Leia também: PP da base aliada do Governo do PT racha – Mário Negromonte, ministro das Cidades, virou alvo de fogo amigo e ameaça disparar metralhadora de denúncias



PP da base aliada do Governo do PT racha – Mário Negromonte, ministro das Cidades, virou alvo de fogo amigo e ameaça disparar metralhadora de denúncias

Diante das denúncias de que pagou mesada, Mário Negromonte, ministro das Cidades, afirma que PP sofrerá consequências do racha

Fonte: Gerson Camarotti – O Globo

Entrevista

O ministro das Cidades, Mário Negromonte, em foto de Gustavo Miranda

BRASÍLIA – Um dia depois de ser advertido de que, se insistisse em se meter na disputa interna do PP , seu partido, poderia perder o cargo, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, partiu para o ataque e alertou a legenda das consequências do racha na bancada:

– Em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso que eu disse que isso vai virar sangue.

Acusado de oferecer mesada de R$ 30 mil para os deputados do PP , ele diz que está disposto a ir até a CPI e desafia qualquer deputado do partido a formalizar a acusação contra ele.

Em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso que eu disse que isso vai virar sangue

Numa conversa de duas horas, Negromonte disse ao GLOBO que foi procurado por um grupo de deputados porque o ex-ministro das Cidades Márcio Fortes começou a colher assinaturas para derrubar o deputado Nelson Meurer (PP-PR), o ex-líder substituído pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Fragilizado no cargo por falta de sustentação política, ele reconhece que a sua situação é ruim e diz que não tem apego ao cargo. Mas manda um recado ao PP: se ele cair, o ministério não vai nem para um grupo nem para o outro. Mas, sim, para um terceiro nome, numa referência ao que aconteceu com o Ministério dos Transportes: Dilma não aceitou indicação do partido e efetivou o ministro Paulo Sérgio Passos.

Negromonte recordou que, no partido, foi do grupo que defendeu a candidatura de Dilma quando ela tinha 2%. E avisa: se for chamado para uma conversa, vai contar tudo o que aconteceu.

O senhor foi acusado de oferecer mesada para deputados do PP que tinham se rebelado.

MÁRIO NEGROMONTE: O que aconteceu é que o outro grupo (do ex-líder Nelson Meurer) veio me pedir apoio. Os deputados falaram que o ex-ministro Márcio Fortes (Cidades) estava coletando assinaturas para derrubar Meurer e que pediu assinatura até para o deputado Roberto Balestra (PP-GO). Mas não participei disso e nem ofereci nada a ninguém. Um grupo de deputados é que saiu falando essas coisas. Ninguém nunca tratou de coisa errada comigo. Essa briga na bancada acaba respingando em mim. Só quero saber uma coisa: quem foi a pessoa que disse isso? Não tem. Se a presidente Dilma me perguntar, vou falar que o Márcio Fortes estava entrando na disputa da bancada.

O que motivou essa denúncia contra o senhor?

NEGROMONTE: Quero que tenha CPI. Aí, quero ver se alguém vai dizer que ouviu de mim alguma proposta. O que acontece é que a bancada do PP começou a se digladiar. Um começou a atacar o outro. Então vai o meu alerta: em briga de família, irmão mata irmão, e morre todo mundo. Por isso que eu disse que isso vai virar sangue. Esse pessoal não sabe avaliar os riscos. Não devemos expor as vísceras.

Quais são os riscos?

NEGROMONTE: Imagine se começar a vazar o currículo de alguns deputados. Ou melhor, folha corrida. Mas não vou citar nomes. Quero pacificar. Só quem perde com isso é o partido. Se a gente continuar dividido, o que vai acontecer é que ninguém vai ficar aqui: a presidente Dilma vai dar um ministério para um terceiro nome.

O senhor está sendo vítima de fogo amigo?

NEGROMONTE: Lógico que sou vítima do fogo amigo. Para acabar com esse fogo amigo, um revólver só não resolveria. Teria que ser uma metralhadora para sair atirando. Esse pessoal não sabe medir as consequências. Tem muita insatisfação comigo no PP, no PT e do ex-ministro Márcio Fortes com sua equipe.

Pelo que o senhor fala, todo mundo pode sair ferido nessa briga?

NEGROMONTE: Por isso, vou tentar pacificar. Quem sofre mais com essa briga intestina sou eu. Eu trabalhei para que o PP saísse das páginas policiais, quando houve o escândalo do mensalão. Na ocasião, assumi a liderança da bancada. Ajudei o partido a crescer. Agora, vem um grupo que não pensa no partido. Aliás, essa turma que se rebelou é a turma que ficou contra a Dilma: os deputados Paulo Maluf (PP-SP), Esperidião Amin (PP-ES), Dudu da Fonte (PP-PE) e Ricardo Barros (ex-deputado do PP-PR). E ainda há disputas regionais, como em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Pernambuco.

A presidente Dilma Rousseff já pediu explicações ao senhor depois das denúncias?

NEGROMONTE: Até agora, a presidente Dilma não me chamou para conversar. Se isso acontecer, vou responder a tudo o que ela perguntar. Quero sair daqui como entrei. Não quero sair do governo com mancha. Se um dia eu cometer um erro, vou pessoalmente falar com a presidente Dilma e entregar o cargo. Na semana passada, durante o voo para São José do Rio Preto, a presidente Dilma falou comigo e pediu para conseguir de volta a unidade da bancada. Estou tentando fazer isso.

Como é sua relação com a presidente Dilma?

NEGROMONTE: Ela sabe que fui companheiro de primeira hora, num momento em que muitos apoiaram o (tucano José) Serra. O PP não deu apoio oficial a Dilma porque muitos impediram. Mas Dilma sabe que, aqui no Cidades, não tem negócio errado. Já falei para o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência): “Se tem ministro sério no governo, não tem mais do que eu.” Antes de ser confirmado ministro, passei 20 dias “na chuva”. Investigaram tudo contra mim e não encontraram nada. Tenho seis mandatos e nenhum processo.

O Planalto avalia que o senhor perdeu a sustentação política com a bancada rachada. É possível reverter isso?

NEGROMONTE: Nem eu quero ser ministro de meia bancada. Mas o que há é dificuldade para atender os deputados. Isso é verdade. Aqui, não está acontecendo nada. No governo Dilma, é preciso suar para liberar dinheiro. Tem que ser um maratonista. Isso porque a presidente Dilma é muito detalhista. E isso cria insatisfação na bancada. Tenho R$ 3,8 bilhões de emendas em restos a pagar. Desse total, R$ 300 milhões estão encaminhados. Mas só consegui liberar R$ 25 milhões. Quando tem dinheiro para as emendas de restos a pagar, já vem a lista do Planalto. Isso gera muita insatisfação.

Como o senhor avalia sua permanência no governo?

NEGROMONTE: Minha situação é ruim com a bancada rachada. Mas eu não tenho apego ao cargo. Estou cumprindo uma missão. Eu só tenho apego ao meu mandato, com 170 mil votos. O que acontece é que eu estou contrariando muitos interesses. Recebo várias indicações. Mas aqui não tem indicação política. Essa é a recomendação da presidente Dilma. Por isso, os deputados ficam com raiva, como se eu tivesse vetado as indicações. Quanto maior o cargo, maiores a responsabilidade e a humildade. Quero dizer que vim aqui para fazer amigos.

E se a presidente Dilma pedir o cargo ao senhor?

NEGROMONTE: Antes de ela (Dilma) falar comigo, eu mesmo coloco o cargo à disposição. E volto para a Câmara para defender o governo Dilma. O que eu não quero é sair com a marca de que fiz coisa errada.

Link da matéria:  http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/23/diante-das-denuncias-de-que-pagou-mesada-mario-negromonte-ministro-das-cidades-afirma-que-pp-sofrera-consequencias-do-racha-925192718.asp#ixzz1VyQfLVhp

Sem controle e sem as rédeas: Governo do PT inicia operação de combate ao fogo amigo, Dilma quer evitar que brigas entre aliados se reflita no Congresso

Planalto teme fogo amigo: Dilma inicia operação para evitar que brigas em partidos aliados se reflitam no Congresso

Fonte: O Globo

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto decidiu agir para tentar estancar as guerras internas instaladas nos partidos aliados. Auxiliares da presidente Dilma Rousseff já temem que essas disputas pelo controle das legendas governistas se reflitam diretamente nas votações do Congresso. Por isso, será deflagrada uma operação para pacificar os aliados. A preocupação é que essa briga por poder nas siglas acabe contaminando toda a base. Já estão em guerra interna o PMDB, o PP e o PR – e até mesmo no PT já há disputa.

O governo já identificou que essas brigas internas têm dado munição suficiente para as denúncias de corrupção que tomaram conta dos ministérios e enfraquecem a gestão Dilma. Ontem, um ministro com trânsito no Planalto lembrou que as acusações contra o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi tiveram origem no próprio PMDB. Agora, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, virou alvo da própria bancada do PP e foi acusado pelos deputados de oferecer um mensalão de R$ 30 mil a parlamentares na tentativa de manter o controle do PP.

Apesar de negar ter conhecimento da denúncia, o Planalto considera que Negromonte ficou fragilizado e perdeu a sustentação política da bancada. A destituição do ex-líder, deputado Nelson Meurer (PP-PR), substituído na liderança pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), serviu para alertar o núcleo do governo sobre a forte reação das bancadas governistas. Se não houver uma pacificação no PP, observou um interlocutor da presidente Dilma, Negromonte será substituído na reforma ministerial. Dos 41 deputados da bancada do PP, 27 já se rebelaram.

Temer vai falar com rebeldes do PMDB

Para contornar as insatisfações, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, deverá conversar com as facções de cada partido. Ao mesmo tempo, o vice-presidente Michel Temer já foi acionado para contornar a disputa no PMDB. Ele marcou várias reuniões com deputados peemedebistas depois que um grupo de 35 parlamentares desafiou a autoridade do líder, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A principal exigência do grupo é retirar das mãos do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) a relatoria da comissão que analisará mudanças do Código de Processo Civil

– Essa insatisfação vai criar uma onda e contaminar todos os partidos. Os líderes estão perdendo a credibilidade das bancadas porque não refletem o sentimento dos deputados. No caso do PMDB, Henrique Alves tem que consultar a bancada antes de tomar qualquer decisão. E, depois, respeitar nosso encaminhamento – advertiu o deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

A crise no PMDB já atinge diretamente a sustentação do ministro do Turismo, Pedro Novais. Desde que sua pasta virou foco de investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União, os próprios deputados do PMDB agora querem a substituição de Novais por um deputado afinado com a bancada.

Já na semana passada, o Planalto decidiu atuar para amenizar o racha nas bancadas. A ministra Ideli Salvatti decidiu conversar com todos os grupos do PR, depois que o partido rachou e decidiu assumir uma posição de independência. Até mesmo o secretário-geral do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), foi procurado por Ideli. A reação do PR foi comandada por Valdemar e pelo senador Alfredo Nascimento (AM), ex-ministro dos Transportes.

– A base está se esfacelando por causa da desarticulação do governo. Há uma guerra interna nos partidos, não só no PR, mas também no PMDB, PP e PT. Os líderes já não conseguem comandar suas bancadas – admitiu o vice-líder do governo, deputado Luciano Castro (PR-RR), que esteve com Ideli sexta-feira.

O Planalto está preocupado até mesmo com o PT. A constatação no núcleo do governo é que há uma espécie de fogo amigo petista permanente. Foi essa disputa interna que teria resgatado o episódio da suposta participação do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, no escândalo dos aloprados.

Nos primeiros meses de governo, o Planalto já identificou ataques internos do partido para desestabilizar três ministros: Ana de Hollanda (Cultura), que resistiu no cargo; Antonio Palocci (ex-chefe da Casa Civil); além do próprio Mercadante. Antes disso, Dilma já tinha experimentado a guerra interna do PT durante sua própria campanha, no episódio que resultou na tentativa de divulgação de um dossiê contra a filha do ex-candidato tucano José Serra.

Um auxiliar direto da presidente Dilma lembra que o fogo amigo mais explícito ocorreu durante a queda de Palocci. Com a dificuldade para explicar o seu enriquecimento, o Planalto identificou uma ação conjunta para desestabilizar o ex-ministro da Casa Civil, que perdeu rapidamente sustentação política.

Ontem, o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), minimizou a guerra de facções nos partidos da base:

– Nós queremos que os partidos sejam organizados. Vamos conversar com os líderes. Mas, até o momento, essas disputas não prejudicaram as votações.

Link da matéria:  http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/08/21/planalto-teme-fogo-amigo-dilma-inicia-operacao-para-evitar-que-brigas-em-partidos-aliados-se-reflitam-no-congresso-925175101.asp#ixzz1Vl6VHNUZ

Base do Governo Dilma insatisfeita avalia criação de bloco parlamentar

Insatisfeitos, PP, PR e PTB avaliam formação de bloco parlamentar

Fonte: Caio Junqueira – Valor Econômico

Os três partidos da direita há mais tempo ao lado do PT no governo federal – PP, PR e PTB – avaliam que a crise política ainda não se dissipou com as substituições na coordenação política e tende a se agravar no segundo semestre se as reivindicações dos aliados não forem atendidas. Chegam até mesmo a sugerir, para amenizá-la, que a presidente Dilma Rousseff anuncie não ter interesse em concorrer à reeleição.

Avaliam ainda que petistas e pemedebistas concentram a agenda política do Palácio do Planalto, motivo por que articulam a possibilidade de criação de um bloco parlamentar com os três partidos, que os tornaria o maior grupo na Câmara dos Deputados.

“A presidente deveria vir a público e dizer que não é candidata em 2014, que não vai fazer o jogo da reeleição, o toma-lá-dá-cá. Aí a conversa muda. Ela retira de si a pressão política e conquista o apoio da opinião pública para enfrentar esses interesses menores”, afirmou o presidente do PTB, Roberto Jefferson. Para ele, Dilma não gosta, não sabe e não quer aprender a lidar com a pequena política, o que a fará ter problemas durante todo o mandato. “Do jeito que está aí, vai para um impasse total o governo. Tudo o que ela pedir para votar vai ficar pela metade. E ela não terá apoio político para vir em 2014”, disse. Em sua opinião, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já é o candidato do PT à sucessão. “E é fortíssimo. Aécioque comece logo a se preparar”, completa.

A presença de Lula nos bastidores da articulação política em Brasília e, principalmente, no PT, é vista como necessária pelos integrantes dos três partidos. Primeiro porque, segundo eles, a nova coordenação política do governo carece da habilidade necessária para as negociações. “Lula é uma pessoa que precisa ser ouvida sempre. Qual o problema em ouvir o Lula? A presidente não perde autoridade com isso. Só perde autoridade quem não tem autoridade, o que não é o caso dela”, disse o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ). Nos partidos, começam a chegar reclamações contra a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), por não atender telefonemas nem retornar ligações, o que faz com que seus integrantes já pensem em elaborar uma reclamação oficial a Dilma.

A atuação de Lula é tida como importante porque essas legendas veem perigo na atuação do PT. Acreditam que o ex-ministro Antonio Palocci caiu após denúncias vazadas por petistas, que agora escolheram o ministro Aloizio Mercadante (Ciência e Tecnologia) como alvo.

“De certa maneira o PT também faz papel de oposição. Por exemplo, a gente ouve que o governo é contra a PEC 300 e a Emenda 29, mas aqui são os petistas que falam em votar as duas propostas. Existe uma falta de coordenação das ações da Câmara com o Executivo”, disse o presidente do PR-RJ, deputado Anthony Garotinho. Ele alerta, contudo, que há risco de Dilma futuramente se rebelar contra a onipresença do ex-presidente. “É difícil ter um sujeito oculto no governo. A médio prazo isso pode trazer problemas.”

Com o acesso difícil e vendo a agenda política concentrada nos dois maiores aliados, PT e PMDB, os três partidos médios já iniciaram conversas para formar o bloco que incluiria também PRB, PTdoB, PRTB, PRP, PHS, PTC e PSL. Juntos, somariam um quarto da Câmara, com 126 deputados.

“Os dois partidos [PT e PMDB] é que ficam exigindo mais. Queremos também o nosso espaço, se não volta o grupo PP, PR e PTB. Mas isso é uma hipótese. A base tem esperança de que as coisas comecem a acontecer e o governo dê um sinal até o recesso”, diz o líder do PP na Câmara, Nelson Meurer (PR).

O deputado cita os três “sinais” que a base aguarda do Planalto: liberação de pelo menos metade das emendas antes do recesso parlamentar, prorrogação do prazo do decreto do restos a pagar e nomeações do segundo e terceiro escalões. “A expectativa é de que melhore, caso contrário não conseguiremos segurar a base nas votações e teremos de tomar posições para forçar os partidos a serem atendidos.”

O líder do PR, Lincoln Portela (MG), vai na mesma linha e pede o atendimento das reivindicações. “O governo não consegue chegar na ponta da população sem as emendas. Tem que ser sensível a isso. Política se faz dessa forma. O atendimento aos prefeitos tem que chegar, se não a gente perde a base. E se a gente perde a base, para que ficar na base?”

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