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Eleições 2012: Marcus Pestana ironiza PT de Belo Horizonte

Marcus Pestana vê contradição em posição defendida pelos petistas. Eles são contra a aliança PSB, PSDB e PT em movimento pró Márcio Lacerda.

Pestana rebate discurso anti-PSDB com ironia a Roberto

Para o presidente da sigla, PT está buscando unidade em torno da aliança

Fonte: Daniel Leite – O Tempo 

O PSDB reagiu ao discurso hostil dos petistas à presença tucana na aliança para a tentativa de reeleição do prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB). No domingo, o PT avalizou o apoio ao socialista, mas a ala que defendia a candidatura própria, liderada pelo vice-prefeito Roberto Carvalho, não poupou críticas ao “jeito tucano” de governar. A resposta do presidente estadual do PSDB veio em tom de ironia e deixou claro que a harmonia na aliança está longe.

“Eles (os petistas) cobram de Lacerda mais investimento no social. Mas as políticas sociais na prefeitura são de responsabilidade do próprio PT”, disse Marcus Pestana, referindo-se à secretaria comandada pelo petista Jorge Nahas.

Enquanto o PT tenta colocar Lacerda contra a parede para se posicionar sobre a presença tucana na coligação, a estratégia do PSDB passa pelo estímulo ao confronto entre o vice e o chefe do Executivo, que estão rompidos politicamente. Os tucanos também aproveitam para minimizar a força do grupo de Carvalho dentro do PT. Segundo Pestana, o discurso do vice não passa de “retórica sem efeito prático”.

A aliança com Lacerda foi aprovada pelos petistas, mas com recomendação para que o PSDB não esteja na coligação. “Isso é apenas um jogo interno (…) para consolidar um mínimo de unidade para que todos possamos caminhar num projeto vitorioso em torno do Marcio”, teorizou Marcus Pestana.

“Amigos”

Valor. Na tentativa de atrair Roberto, o deputado federal Miguel Corrêa, defensor da aliança com Lacerda, afirmou que o vice é um “aliado incondicional”, sem revelar de que forma ele seria “valorizado” pelo PT.

Interpretação
Para vice, PT só estará unido sem os tucanos

O vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, reiterou, ontem, que o PT só estará unido em torno da reeleição do prefeito, Marcio Lacerda, caso o PSB dispense os tucanos da aliança. Derrotado na eleição interna de domingo, que rejeitou sua tese de candidatura própria, Carvalho ainda não desistiu de afastar o PSDB da prefeitura. “O PT estará unido apenas se o PSDB não estiver conosco”, disse.

Apesar da decisão do partido em apoiar Lacerda “recomendando” a saída do PSDB da aliança, Carvalho avalia que o partido vetou os tucanos e aguarda “a palavra de pessoas sérias, como Patrus Ananias, diante dos delegados”.

O ex-ministro do Desenvolvimento já havia se posicionado contrário à participação do PSDB, mas, recentemente, vem declarando que a exclusão dos tucanos não deve ser um fator determinante para o posicionamento petista. (DL)

“Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão”, comentou Sérgio Guerra

PSDB Nacional, Gestão Eficiente, Eleições 2012

“O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional”

Entrevista – Sérgio Guerra – presidente do PSDB

O deputado federal é categórico ao afirmar que a candidatura de José Serra em São Paulo não significa que o caminho presidencial para Aécio Neves esteja livre. Sobre a disputa em Belo Horizonte, o pernambucano não vê problema na aliança com petistas, desde que em benefício de “um governo que trabalhe bem”.

Nacionalmente, por que é importante para o PSDB apoiar a reeleição de Marcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte?

O lema do nosso partido, em Minas Gerais ou em qualquer outro lugar, é governar bem e fazer da administração o que a população espera que seja feito. Então, antes de interessar ao nosso projeto eleitoral, interessa ao PSDB que o governo de Belo Horizonte seja bem-sucedido. Nós queremos a qualidade da administração municipal, não importa que o responsável não esteja exatamente ligado à nossa legenda. Em outra situação, com qualquer outro candidato, o fato de o PSDB estar associado a um governo que trabalha bem só faz ajudar o partido.

Os tucanos sonham com a possibilidade de o PSB de Lacerda aderir ao projeto presidencial do PSDB em 2014?

O nosso partido procura ter uma relação o mais próximo possível com o PSB. Eu, pessoalmente, acho que não será fácil, daqui a três anos, que as duas legendas se juntem na eleição presidencial. Mas, enquanto isso, nós vamos desenvolvendo um bom trabalho conjunto. Lembrando que nós estamos associados de forma natural em muitos Estados do Brasil, no Paraná, em Alagoas, em Pernambuco, aí em Minas. Então, se houver uma futura aliança ou aproximação, será algo que foi construído ao longo de muito tempo.

Em Belo Horizonte, o PSDB só apoiará Lacerda caso haja adesão formal?

Não aceitamos nada que não seja uma aliança formal. Não faz sentido fazer uma aliança que se desenvolve, inclusive, no governo – já que estamos juntos na prefeitura – sem o papel passado.

E as conversas que dão conta de que o PSDB pleiteia ser vice de Lacerda? Só valem se o PT abandonar a aliança?

Sobre essa questão, eu, pessoalmente, não tenho posição. É um assunto que fica para os diretórios estadual e municipal resolverem. É claro que nós ficamos atentos, porque, em cidades com mais de 200 mil eleitores, as composições são discutidas também pela cúpula nacional. Mas não vamos nos intrometer na formação da chapa, de prefeito e vice.

Por que o PSDB se opõe ao PT nacionalmente e, em Belo Horizonte, aceita caminhar com o partido?

Não há nenhum problema nisso. Nós não vamos eleger agora o presidente da República, mas o prefeito da capital. Os compromissos do prefeito da capital são assumidos com a cidade que vai governar. Em torno desses compromissos, fazem-se as alianças e se constrói o governo. Em Belo Horizonte, vamos conviver com o PT na mesma coligação. Nós, do PSDB, estamos abertos a entendimentos locais, mas, rigorosamente, não apoiamos o PT em eleições nacionais e nos Estados.

O que Marcio Lacerda tem para atrair, ao mesmo tempo, tucanos e petistas?

Eu conheço pouco o prefeito Marcio. Mas, pelo conceito de administrador que tem, sei que é muito bom. Por isso, recebe os apoios.

Hoje, a administração de Lacerda está mais próxima do modo tucano ou do petista de governar?

Ele está mais próximo da boa administração. E, aqui entre nós, a especialidade de administrar bem não é do PT, é nossa.

Em uma eventual candidatura de Aécio Neves à Presidência da República, Lacerda ficaria com o PSDB ou com o PT de Dilma?

Não dá para prever porque a situação local é uma coisa, e a nacional, outra. Minas é Minas. Os mineiros conseguem se unificar bastante. Historicamente, essa é uma característica de Minas: produzir uma política inovadora de união. Mas, no caso em si, eu não teria condição de opinar.

É verdade que a candidatura de Aécio Neves já é ponto pacífico no PSDB?

Não. O que é verdade é que uma parcela muito grande do PSDB deseja a candidatura do ex-governador Aécio Neves. Mas, só vamos tratar disso depois das eleições municipais. Antes, nada será definido. Ainda não temos base para dizer se a definição vai ocorrer um mês depois da eleição, três meses depois. Não dá para saber a data. O que posso dizer é que o partido quer escolher o candidato com antecedência, para não acontecer como da última vez, quando deixamos para a última hora.

Quais as credenciais de Aécio Neves para disputar a Presidência da República?

Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão, uma grande competência administrativa. O senador também tem uma imensa capacidade de ampliação de espaços, que só se faz com habilidade de articulação. Ele sabe ceder e afirmar as suas posições com convicção.

Um eventual governo tucano com Aécio seria diferente do de Dilma?

O principal, a política de distribuição de cargos do PT em troca de apoio, nós mudaremos. É uma falta de respeito com o interesse público. Nós confrontaremos muitos grupos para que isso não ocorra no nosso governo. De forma alguma conviveremos com o loteamento do poder.

A candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo deixa o caminho livre para Aécio Nevespostular o Planalto?

O nosso partido não enxerga isso com a perspectiva da disputa para presidente. A candidatura de Serra tem o objetivo de governar bem a principal cidade do país, São Paulo. Mas é bom ficar claro que não há disputa no nosso partido. O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional. Somos um partido que se renova sempre, sem desprezar as antigas lideranças. Aqueles que têm interesse e capacidade podem disputar a indicação do partido.

Mas o processo de escolha do candidato será alterado?

As prévias serão instaladas. Vamos fazer uma campanha de filiação. Vamos fazer uma campanha de captação de militantes nos seguintes termos: ao aderir ao PSDB, o cidadão também escolhe o seu candidato a presidente. Mas o que todo mundo concorda é que só vamos tratar disso com vigor e tranquilidade depois da eleição municipal. Queremos a unidade, que só se consegue após um processo limpo de definição de nomes.

O que deve mudar da última campanha presidencial do PSDB para a próxima?

Acho que as escolhas terão que ser mais abertas, e as coligações, mais sólidas. A defesa do nosso legado terá que ser muito mais nítida e efetiva. Erramos no passado porque não defendemos o nosso legado quando deveríamos tê-lo feito. Temos que mostrar que não temos dono, que atuamos como um partido cada vez mais aberto. Queremos nos relacionar com trabalhadores, estudantes, com a sociedade organizada. Vamos fazer um novo partido, que valorize o seu passado como nunca fez antes.

No primeiro ano de governo, Dilma Rousseff bateu recordes de popularidade. A aprovação dela deve permanecer em alta nos próximos anos?

O governo de Dilma não resiste a uma campanha bem feita. Há um movimento de opinião pública geral que as campanhas facilitam. Há muita mentira que vai aparecer.

Então, a fatia do eleitorado que vota na oposição deve aumentar em 2014?

Os elementos qualitativos já estão colocados para que possamos ter uma vitória. Agora, a utilização dessas potencialidades vai depender de conjunturas, algumas delas fora do nosso alcance. O PSDB tem que ser um exemplo de democracia interna se quiser convencer os brasileiros.

Alguns dos partidos que hoje dão sustentação a Dilma poderão estar com o PSDB na próxima eleição presidencial?

Tenho a convicção de que alguns estarão conosco. Conversamos sobre isso, mas o controle do governo sobre a base ainda é absoluto. (Telmo Fadul)

Fonte: Entrevista com Sérgio Gueraa, presidente do PSDB nacional- O Tempo

Marcus Pestana: PSDB não abrirá mão de ser um dos protagonistas da aliança, comenta deputado

Eleições 2012

Fonte: Artigo Marcus Pestana, deputado federal e presidente do PSDB-MG – O Tempo

A aliança por BH e as eleições de 2012

O PSDB não abrirá mão de ser um dos protagonistas 

Partidos políticos são instrumentos institucionais criados nas democracias modernas para canalizar projetos de poder. São meios e não fins em si mesmos. São ferramentas para a transformação da realidade.

A cada momento concreto os partidos políticos devem procurar o melhor caminho para melhorar a qualidade de vida da população. Nas eleições municipais, particularmente, longe das velhas e complexas lutas ideológicas, o cidadão-eleitor quer saber quem é aquele que melhor vai cuidar da cidade e das políticas públicas municipais.

Foi isso que levou, em 2008, PSDB, PSB e PT, entre outros, a consolidar uma inesperada e inovadora aliança. A partir das parcerias construídas entre o governo estadual e municipal, e sob a liderança de Aécio Neves e Fernando Pimentel, fizemos a coisa certa e elegemos Marcio Lacerda prefeito de Belo Horizonte.

Teremos novas eleições em outubro de 2012. O governo municipal tem tido bom desempenho e goza de boa aprovação popular. Diante disso, o que deveriam fazer os principais partidos que avalizaram o projeto de 2008? Implodir a aliança e cada um trabalhar candidaturas próprias? Creio que não. A população não entenderia. E não seria o melhor para a capital.

PSDB teria todas as condições de lançar candidatura própria. Somos o maior partido de Minas. Ganhamos as três últimas eleições estaduais. Temos o governador Anastasia e o maior líder político de Minas, Aécio Neves. Temos nomes para a disputa. Mas essa não é a questão. Em nome dos interesses da população da cidade queremos reeditar e avançar a Aliança por BH.
Não podemos simplesmente fazer mais do mesmo. É preciso reinventar a aliança e jogá-la em novo patamar. Foi esse o sentido do documento político entregue pelo PSDB ao prefeito Marcio Lacerda e à direção do PSB.

São oito pontos: 1) Coligação formal, clara e transparente; 2) Participação na coordenação da campanha; 3) Participação no plano de governo; 4) Valorização de nossa chapa de vereadores e discussão sobre possível coligação proporcional; 5) Escolha de um vice que encarne o espírito da aliança; 6) Em caso de vitória, participação proporcional ao nosso peso político; 7) Foco em 2012, sem colocar em jogo 2014 e 2016; e 8) Intensa participação de Aécio e Anastasia na propaganda de rádio e TV da campanha.

Todos os pontos foram muito bem-recebidos, ficando mais para frente apenas as discussões sobre o perfil do vice-prefeito e a questão de uma possível coligação para a eleição de vereadores.

Caminharemos nessa direção e o PSDB assim renovará seu compromisso com o povo de BH e o desenvolvimento da cidade.

Nesta hora, vozes que sempre se opuseram à construção da aliança e à administração Marcio Lacerda tentam radicalizar o processo e impedir a reedição dessa união. A essas, um breve conselho: humildade, autocrítica e espírito público. Se quiserem somar, serão bem-recebidos. Mas o PSDB não abrirá mão de ser um dos protagonistas da aliança.

Eleição 2012: Roberto Carvalho provoca fogo amigo e recebe contra-ofensiva de Marcio Lacerda que demite servidores ligados ao vice-prefeito de BH

Disputa política, racha político

Fonte: Fábio Fabrini – O Globo

Prefeito de BH exonera funcionários do vice

Decisão marca conflito entre PSB e PT, que não quer reeditar aliança com PSDB em 2012

O prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), decidiu exonerar a  maioria dos servidores lotados no gabinete de seu vice, o petista Roberto Carvalho, com o qual trava uma briga nas negociações para as eleições do ano que vem. Nas contas do petista, que se diz vítima de retaliação por discordar da reedição de uma aliança entre seu partido e o PSDB na cidade, só devem sobrar em sua equipe oito dos atuais 32 funcionários (24 de confiança e oito efetivos). A medida melindra ainda mais as relações entre PT e PSB, aliados tradicionais em Minas.

Carvalho recebeu logo cedo, ontem, a visita em seu gabinete do secretário municipal de Governo, Josué Valadão, que levou o recado de Lacerda. Segundo o vice, o emissário atribuiu a exoneração em massa, que ainda deve ser publicada no Diário Oficial do município, à “tensão eleitoral” dos últimos meses.

– Disse a ele que é um desrespeito, uma deslealdade e uma traição. Se o Marcio está na cadeira, foi porque o PT o apoiou – protestou Carvalho.

Em nota, o prefeito alegou que os servidores são de sua livre nomeação. E acusou os exonerados de não cumprir suas funções “em consonância com as diretrizes da administração municipal”. Ainda por nota informou: “Há uma determinação explícita a todos os servidores para que a sucessão eleitoral do próximo ano não prejudique a administração da cidade”.

Indignado, o vice-prefeito – que é presidente do PT municipal e se tornou uma pedra no caminho de Lacerda na tentativa de refazer a aliança de 2008 para sua reeleição – avisou que o assunto será tratado em âmbito partidário:

–  Quem  está  confundindo  prefeitura  com  campanha  é  o  prefeito. A  nota  é  uma  confissão  de  perseguição  eleitoral antecipada.

Segundo Carvalho, quem responde pelos funcionários de seu gabinete é ele mesmo. E só no ano que vem se encerra o prazo para que eventuais candidatos deixem cargos na administração pública.


Aécio Neves defende que sucessão só deve ser tratada em 2013: ‘estarei à disposição do partido para cumprir meu papel’, comentou

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S. Paulo

‘Eu estarei pronto, seja Lula ou Dilma’, diz Aécio sobre 2014

Senador tucano diz que debate sobre candidaturas no PSDB deve ficar para ‘o amanhecer de 2013’, mas se apresenta disposto a enfrentar qualquer nome do PT

BRASÍLIA – Diante da pressão de companheiros de PSDB para que assuma logo sua pré-candidatura a presidente em 2014, o senador Aécio Neves (MG) não deixa dúvidas. “Se esta for a vontade do partido, eu estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Serão eleições com perfis diferentes e eu não temo nenhuma das duas”, disse o ex-governador ao Estado.

'Serão eleições com perfis diferentes. Não temo nenhuma das duas' - Ed Ferreira/AEMas Aécio pondera que o debate das candidaturas deve ficar para “o amanhecer de 2013”, pois “uma decisão correta no momento errado é uma decisão errada”. Ele diz que a opção José Serra “terá de ser avaliada por seu capital eleitoral e experiência política” e cita também os governadores Geraldo Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) como presidenciáveis. Nesse quadro, defende eleições prévias para a escolha dos candidatos tucanos a partir da eleição de 2012.

O que se vê hoje no cenário nacional, projetando 2014, são duas candidaturas presidenciais no campo do governo: Lula ou Dilma Rousseff. Como a oposição não se colocou, as pressões já começaram. Os 41 deputados tucanos que se reuniram com o sr. há dez dias, para pressioná-lo a assumir uma pré-candidatura, têm razão de estar ansiosos?

Conter essa ansiedade é uma das questões às quais tenho me dedicado. Mas acho muito bom que o PSDB tenha outros nomes, que serão discutidos na hora certa. José Serra é um nome que o partido terá de avaliar, por seu capital eleitoral e pela experiência política que tem. O governador Geraldo Alckmin (SP) é um nome sempre lembrado, como também são os governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR). É muito bom que o partido tenha quadros que possam despontar amanhã como candidatos.

E qual é o seu projeto para 2014?

O que eu disse aos companheiros do PSDB é que estarei à disposição do partido para cumprir meu papel, seja como candidato ou apoiador de um candidato que eventualmente tenha melhores condições de disputa do que eu.

O sr. tem disposição para disputar a eleição presidencial com Dilma ou Lula?

Se essa for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Eu disse com muita clareza aos deputados que não temos de nos preocupar se é Lula ou se é Dilma. Com cada um será um tipo de campanha.

Contra Lula seria uma campanha mais fácil, ou mais difícil?

Acho, sinceramente, que é muito difícil alguém na Presidência, com a possibilidade da reeleição, deixar de disputar. Mas, se a disputa for com o ex-presidente Lula, acho que as diferenças ficarão ainda mais claras. Será a disputa da gestão pública eficiente contra o aparelhamento da máquina pública; a disputa da política externa pragmática em favor do Brasil versus a política atrasada em favor dos amigos. Será o futuro versus o passado. Mas deixo que o PT escolha seu candidato, da mesma forma como o PSDB escolherá o seu no momento certo, e não necessariamente serei eu.

O sr. está dizendo que contra Lula pode ser até mais fácil?

Nenhuma eleição será fácil, mas, seja quem for o candidato, entraremos na disputa de forma extremamente competitiva. Serão eleições com perfis diferentes. Não temo nenhuma das duas.

Em 2010, tucanos de São Paulo e dos demais Estados se confrontaram na escolha do candidato a presidente, mas agora o PSDB paulista está dividido. Isso facilita a busca por um nome de consenso em 2014?

Não vejo dessa forma. Acho que o PSDB amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos todos unidos de verdade, ou não teremos êxito. E o PSDB tem figuras extremamente relevantes nesse processo. O governador Alckmin é uma liderança nacional com condições até de ser o candidato com êxito. O senador Aloysio Nunes é um dos mais qualificados quadros do Congresso e será um instrumento importante na construção da unidade do partido, seja em torno de quem for, e incluo aí o companheiro José Serra. O presidente FHC terá sempre um papel de orientador maior.

O sr. tem disposição para disputar eleições prévias no PSDB?

Eu estimulo as prévias. Essa proposta foi sugestão minha lá atrás, e defendo que elas ocorram no maior número possível de lugares onde houver mais de um candidato, já nas eleições municipais. Acho a prévia um instrumento de mobilização e de comprometimento do partido em torno de um projeto.

As candidaturas presidenciais do PSDB foram basicamente sustentadas pelo DEM e pelo PPS. O esvaziamento do DEM pelo PSD sugere um novo quadro de alianças já para 2012?

O DEM perdeu espaço, realmente, mas nós do PSDB somos alternativa ao País não pelo número de cadeiras que temos, mas pelo que representamos, e por nossa capacidade de pensar, ousar e despertar confiança em parcelas importantes da sociedade. Defendo, para 2012, o que eu já defendia em 2006 e 2010, que é nós termos um leque cada vez mais amplo de alianças. E não o fiz apenas retoricamente. Exercitei isso na prática, pois em Minas nossa aliança é extremamente ampla, com partidos hoje da base do governo federal, como o PSB, o PDT, o PP.

Que papel terá o PSD nesse novo quadro? Ele está na mira do PSDB?

O PSD nasce a partir de uma liderança – o prefeito Gilberto Kassab (SP), que teve muita proximidade com o governador José Serra. Essa relação sempre existirá. O PSD apresentou-se como uma oportunidade de uma janela política para lideranças que estavam em dificuldades nos seus partidos e vejo que muitos dos novos integrantes da legenda têm relação conosco em nossas bases. Não tenho avaliação clara sobre qual será o papel do PSD, mas vejo com muita naturalidade que alguns setores do PSD tenham mais afinidade conosco do que com o PT.

Qual o quadro de alianças que o senhor vislumbra para 2014?

Teremos um quadro de alianças muito diferente do atual. O PSDB tem dois anos para se viabilizar como partido que tem a ousadia e a generosidade de ampliar suas alianças e apresentar ao País uma proposta que vá além do projeto de poder. Que seja um projeto de transformação.

É este o desafio do PSDB agora?

Na prática, estamos procurando refundar o PSDB em seu discurso. Temos de voltar a ser, aos olhos da sociedade brasileira, o interlocutor confiável que tem espírito público. As pesquisas mostram com muita clareza que a população confia nos líderes do PSDB e respeita nossas administrações estaduais mais do que outras. Temos de mostrar que somos capazes de projetar para o futuro um País mais eficiente, mais desenvolvido, com pessoas mais qualificadas por uma educação de qualidade. O PSDB tem de se apresentar como partido que tem a nova agenda para o Brasil.

Que agenda é essa?

O projeto original que trouxe o Brasil até aqui é do PSDB, mas o que está em execução agora é um software pirata. Nos temos de trabalhar muito para recolocar o original no lugar, porque o modelo que está aí se exauriu. Não apresenta nada e nada fala à saúde pública de qualidade. Na gestão FHC, fizemos a universalização do acesso à educação. Que qualificação essa educação teve de lá para cá? Absolutamente nenhuma. Do ponto de vista da gestão, não há novidades além da ampliação absurda de cargos públicos, com quase 40 ministérios funcionando sem nenhuma eficiência.

Já há parcerias PSDB-PSB em quatro Estados: SP, MG, PR e PB. Isso é meio caminho andado para uma aliança nacional em 2014, ou ainda falta pavimentar esse caminho?

Não seria correto dizer que faremos uma aliança amanhã com o PSB, que hoje participa da base do PT e tem cargos no governo. Vamos esperar que as coisas aconteçam com naturalidade. Temos é de construir nosso discurso para agregar as forças que com ele se sintam à vontade. Esse é nosso papel. O tempo dirá que forças estarão a nosso lado. Só não acho fácil que, pela heterogeneidade do pensamento das forças políticas que convivem hoje sob o guarda-chuva do governo, elas cheguem todas unidas até o final.

Belo Horizonte vai apoiar a reeleição do prefeito Márcio Lacerda?

Eu deleguei essa questão para que a direção estadual do partido a conduzisse lá. A candidatura própria não está descartada, mas há uma conversa avançada no sentido da continuação da nossa participação no governo correto de Márcio Lacerda. Um governo que lançamos lá atrás com muita desconfiança, mas que faz uma gestão muito bem avaliada. Acho até que há uma afinidade muito maior de Lacerda conosco, na forma de governar e no que ele pensa, do que com o PT.

Pesquisa interna mostra que o PSDB perdeu suas principais bandeiras para o PT. Dos medicamentos genéricos à Lei de Responsabilidade Fiscal, projetos do partido são mais creditados a Lula do que a FHC. Tem como recuperar essas bandeiras?

Minha avaliação não é nada pessimista em relação ao PSDB e ao nosso futuro. Mesmo depois de três derrotas nas disputas presidenciais, a pesquisa nos coloca de forma muito clara como a principal alternativa ao modelo que está aí e que a meu ver chegará exaurido ao fim de 12 anos de poder. Se traz o alerta de que nosso principal erro foi negar o legado de Fernando Henrique, ela também aponta os erros cometidos no período pós-FHC. Pela primeira vez uma pesquisa mostra que a corrupção, o aparelhamento da máquina e a ineficiência da administração pública são questões que colaram de forma clara no PT. Temos nossos problemas, mas aqueles contra os quais disputaremos têm os deles, e são graves.

E como o PSDB vai tomar posse do legado que relegou?

Um partido não cria raízes na sociedade sem bandeiras e sem agenda. A pesquisa mostra que 70% da população tem a percepção de que o Brasil começou a melhorar a partir do governo FHC e do Plano Real, e vem melhorando sucessivamente. Vamos enfatizar muito isso nas nossas próximas ações, falando do legado do PSDB e do nosso futuro. Somos o único partido com condições de se apresentar com uma nova agenda para o Brasil, até porque a agenda em execução hoje pelo PT é a que propusemos lá atrás, no governo FHC. É a estabilidade econômica, a política macroeconômica de metas de inflação, câmbio flutuante, superávit primário, modernização da economia com as privatizações e o Proer, que deu estabilidade ao sistema financeiro brasileiro. O PT não apresentou uma agenda nova.

Mas o fato é que a presidente Dilma está com a popularidade em alta nas Regiões Sul e Sudeste, onde o PSDB sempre teve mais apoio popular.

É absolutamente natural que ela tenha uma boa avaliação neste momento, até porque existe uma comparação com o presidente Lula e algumas diferenças de personalidade e de comportamento. Nossa disputa lá adiante não vai se dar entre o céu e o inferno, entre os que acertam tudo e os que erram tudo. Vamos discutir modelos. Eu não tenho a dificuldade permanente que o PT tem de reconhecer méritos nos adversários. Lula teve acertos. O principal deles foi a manutenção da política macroeconômica, e o adensamento dos programas sociais foi seu o segundo maior acerto. Mas teve grandes equívocos.

No balanço geral, o governo Lula foi o mais popular desde a redemocratização.

O presidente Lula passou oito anos surfando nas medidas que foram implementadas por FHC – a estabilidade é a principal delas. Pôs um tucano no Banco Central e ficou negando tudo, como se não houvesse um Brasil antes dele. Isso é um erro e até uma certa falta de generosidade com o País.

Olhando para trás, quais foram os grandes equívocos do governo Lula?

O aparelhamento da máquina pública como jamais se viu antes neste país foi o mais grave deles, porque abriu o caminho para a corrupção generalizada dentro do governo. E quem diz isso não sou eu. É a presidente Dilma, no momento em que demite da forma que fez figuras notórias próximas ao governo anterior. E a outra grande lacuna que o governo passado deixou foi, em um ambiente de prosperidade econômica, altíssima popularidade pessoal do presidente e ampla base no Congresso, Lula não ter encaminhado nenhuma das reformas estruturantes que poderiam estar permitindo, aí sim, que o Brasil tivesse muito mais protegido contra eventuais crises.

Que avaliação o senhor faz hoje do governo Dilma?

É um equívoco falar em governo Dilma, porque esta administração está no nono ano. Não dá para ela se apropriar dos êxitos e se eximir dos equívocos do antecessor. Em termos de gestão pública, esses nove anos de PT foram um atraso. Nós andamos para trás. Diferentemente do que ocorre em vários Estados, o governo federal não estabeleceu um mecanismo de metas ou de avaliação que avançasse no sentido de uma gestão pública de maior qualidade. E, infelizmente, a presidente caminha na mesma direção que caminhou o governo Lula. Não há por parte do governo nenhuma articulação nem demonstração de vontade política de enfrentar contenciosos.

O senhor acha que ela perdeu o timing de fazer reformas?

O presidente Lula teve um momento extremamente favorável para encaminhar reformas no campo tributário, previdenciário e do próprio Estado brasileiro, contando com o apoio da oposição – e eu me incluo nesse apoio, mas optou por não enfrentar. Eu aprendi que as grandes reformas se fazem no início do governo, quando se tem capital político, se tem uma autoridade ainda sem qualquer desgaste para poder impor de alguma forma essas reformas àqueles que lhe apoiam.

Mas ela está fortalecida por essa imagem de quem fez a faxina contra a corrupção.

O PT abriu mão de ter um projeto de País para se satisfazer com um projeto de poder. Algumas figuras do PT, a quem respeito, concordarão comigo. Vai chegar ao fim desses 12 anos de poder e vamos fazer um grande benefício ao PT, levando-o novamente à oposição, para que possa resgatar sua origem e valores que perdeu ao longo de sua trajetória. O PT foi um partido muito importante para o Brasil, que representava a classe trabalhadora, mas ao longo do exercício do poder se perdeu e se tornou igual e, em alguns aspectos, pior que os outros. Nosso esforço é para que o PT possa reciclar-se na oposição.

O sr. falou em fazer um favor ao PT, recolocando-o na oposição, mas correligionários seus dizem que é sua atuação, no campo da oposição, que está um pouco apagada no Senado.

Política é a arte de administrar o tempo. Cada um tem sua forma de agir e sua personalidade. Vamos aguardar se o tempo mostra se estou equivocado, ou não. Nosso grande esforço agora, ao qual tenho me dedicado além das questões legislativas, é no campo partidário, ajudando o presidente Sérgio Guerra na reorganização estrutural do partido. Um partido que tem um projeto nacional como o PSDB não pode deixar de ter representação nacional em sete Estados (AM, RO, DF, MT, RN, PI, SE) como ocorre hoje. Então, estamos reciclando o partido nesses Estados e abrindo para alianças, inclusive visando ao futuro.

Link da matéria:  http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,eu-estarei-pronto-seja-lula-ou-dilma-diz-aecio-sobre-2014,782976,0.htm?p=1

Em Minas, Lula minimiza escândalos do Governo Dilma e diz que “não tem estremecimento” com PMDB e PR – em BH defendeu aliança com Lacerda

Lula critica debate sobre sucessão

Fonte: Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a antecipação do debate sobre a sucessão presidencial em 2014, classificando como uma “imbecilidade” as especulações sobre sucessão neste momento. Lula também minimizou o fato de quatro ministros terem deixado o governo Dilma Rousseff.

Em visita a Belo Horizonte, Lula voltou a dizer que Dilma é candidata natural à reeleição. “Acho uma imbecilidade, uma loucura falar de 2014 se nem sentamos à mesa para falar de 2012”, disse ele durante almoço com lideranças petistas. No ano que vem, ocorrem as eleições municipais. “Só tem uma pessoa que pode chamar essa conversa, que é a companheira Dilma.”

Na quarta-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, havia declarado que o candidato do PT nas eleições de 2014 será definido em conversa entre Lula e a presidente Dilma Rousseff. A manifestação foi considerada um sinal de que Dilma pode não concorrer à reeleição e que Lula poderia voltar a ser o candidato do partido.

Perguntado sobre o que achava das declarações de Bernardo, Lula preferiu criticar o ex-candidato do PSDB à Presidência José Serra. “Primeiro, é inaceitável um tucano como o Serra dizer que eu sou candidato em 2014”, disse. “Acabei de eleger uma sucessora que vai fazer um governo extraordinário. Em 2014, eu não sei da oposição, mas o governo, o Brasil, já tem candidato, que é a Dilma Rousseff. Eu vou dizer pela última vez, a Dilma só não será candidata se ela não quiser.”

Lula disse que as discussões em torno de 2014 ocorrem num momento em que a principal preocupação das lideranças políticas é outra. A questão agora, disse, é evitar que o Brasil seja “arranhado pela crise irresponsável dos países ricos”.

Durante o almoço com petistas – do qual participaram, entre outras lideranças do partido, o ministro Fernando Pimentel e os ex-ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias – Lula minimizou a saída de quatro ministros em oito meses de governo de Dilma. E rejeitou a versão de que a saída de ministros do PR e do PMDB esteja enfraquecendo a base de apoio do governo. “Não tem estremecimento”, disse ele. “Eu faço política 24 horas por dias e não vejo nenhum estremecimento na base.”

A visita de Lula à capital mineira estava cercada de expectativas em relação a como ele iria se posicionar em relação à disputa pela prefeitura da cidade no próximo ano. O atual prefeito, Márcio Lacerda (PSB) foi eleito em 2008 com apoio do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o então prefeito de BH e Fernando Pimentel. A incógnita na cidade é se a aliança se repetirá em 2012 para apoiar Lacerda.

Petistas que participaram do almoço e do encontro à tarde disseram que embora o ex-presidente não tenha dito com todas as letras, a mensagem que transmitiu foi clara. Ele defendeu a importância de o PT fazer alianças. Na visão de um líder do partido em Minas, Lula deixou claro que é preciso, sim, manter o apoio a Lacerda.

Outro líder petista do Estado, ex-ministro de Lula, lembrou que o presidente do PSD em Minas é outro ex-ministro de Lula, Walfrido dos Mares Guia, que acabou de ser “empossado” como um dos membros do conselho do Instituto Lula. “Lula está operando com um olhar na disputa de Minas.”

Márcio Lacerda também esteve no almoço do PT. “Sei que ele [Lula] tem uma simpatia pela repetição da aliança”, afirmou Lacerda. “Mas isso é um processo partidário, se a eleição fosse daqui a três meses, diria que estaríamos a um passo disso.”

Tanto o PT quanto o PSDB não possuem candidatos claros para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Lacerda é tido como o nome natural à reeleição.

Antonio Anastasia: “Minas Gerais foi o estado que mais perdeu com a guerra fiscal”

“Minas Gerais foi o estado que mais perdeu com a guerra fiscal”

Fonte: Pedro Venceslau e Elaine Cotta – Brasil Econômico

ENTREVISTA ANTONIO ANASTASIA Governador de Minas Gerais

Na linha de frente do debate sobre reforma tributária, o governador Antonio Anastasia (PSDB) pede que mudanças na distribuição dos royalties do minério seja efetivadas até o fim do ano. Tucano querAécio no Planalto em 2014

Discreto, do tipo que prefere seguir cronogramas e bater metas a inflamar as massas no palanque, o governador mineiro Antonio Anastasia (PSDB) diz que seu estado tem sido um dos mais prejudicados pela guerra fiscal. No melhor estilo mineiro, comemorou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de vetar a concessão de incentivos fiscais pelos estados para a atração de investimentos, enquanto Minas gestava um decreto- aprovado na semana passada – para alterar a lei de restituição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que na prática beneficia empresas instaladas no estado. “O ICMS no Brasil é muito complexo”, diz. “A guerra fiscal atrapalha a todos.”

Em visita ontem ao BRASIL ECONÔMICO, em São Paulo, Anastasia falou, além de guerra fiscal, de reforma tributária e royalties da mineração. Na política, defendeu enfaticamente a candidatura de Aécio Neves ao Planalto em 2014 – o antecessor que o ajudou a se eleger com votação consagradora ano passado e de quem herdou uma das mais amplas e sólidas coalizões partidárias do Brasil.

O sr. está satisfeito com a posição da presidente Dilma em relação às mudanças na distribuição dos royalties de mineração?
A presidente conhece muito do assunto, já que foi ministra dessa pasta. Além disso, é mineira. Há um compromisso público em enviar em breve, um projeto de lei que cuide do marco regulatório do setor. Nesse marco estaria a questão dos royalties, que para nós, em Minas, é uma necessidade. Tenho certeza que haverá uma revisão mais justa para os estados produtores. A exploração deixa marca significativas no estado.

Qual seria a taxa ideal de contribuição das mineradoras?
Hoje é 2% do faturamento líquido, o que é pouco e também causa muita distorção. É complicado saber o que dá para abater ou não. Isso dá margem para discussões com empresas, especialmente com a Vale. Carregar minério pelas estradas é muito diferente de tirar petróleo no mar. O encargo é grande.

E o debate sobre a reforma tributária entre os governadores?
Há consenso entre os governadores de que é preciso fazer uma revisão tributária. O ICMS no Brasil é muito complexo. A guerra fiscal atrapalha e todos temos simpatia pela unificação da alíquota interestadual. Mas a condição básica é que o estados não tenham perda financeira. Nenhum estado brasileiro tem condição de suportar perda de receita de ICMS. Tem de haver um critério de compensação.

Qual é a situação de Minas?
Minas Gerais está em situação intermediária. Na nossa conta perdemos, Na do governo federal, ganhamos.

O sr. está satisfeito com a forma como a presidente Dilma está conduzindo a reforma tributária, de maneira fatiada?
Todo brasileiro gostaria de uma reforma tributária mais ampla, mas nem sempre é possível. Não podemos pensar em uma reforma que sacrifique os estados. Nosso modelo tributário concentra os recursos na esfera federal. Hoje nós temos no Brasil uma concentração tributária.

O que o sr. achou da decisão do STF de vetar a concessão de incentivos fiscais para atrair investimentos?
Achei corretíssimo.Na última década, Minas foi o estado que mais perdeu com a guerra fiscal. No Rio de Janeiro havia uma lei que praticamente isentava a cobrança do ICMS porque eles têm o royalty do petróleo e dependem menos do ICMS. Nós não.E guerra fiscal inibe investimentos. A federação brasileira não estimula os estados a ter política econômica. Não há uma política nacional de desenvolvimento regional equilibrado.

Existe disposição dos governadores para que se tenha consenso sobre o fim da guerra fiscal?
O clima tem sido positivo e harmonioso, mas ainda não foi apresentada uma proposta de fato, preto no branco.

O ex-governador paulista José Serra escreveu, na condição de presidente do Conselho Político do PSDB, carta criticando a presidente Dilma. A carta não foi chancelada pelo partido, o que gerou uma crise interna. Qual deve ser o tom da relação entre os tucanos e o governo federal?
O PSDB deixou claro que o papel de fazer oposição não é dos governadores. Não existe oposição administrativa de governo. Nem o próprio Serra, quando era governador, fez esse tipo de oposição. A relação entre os governos estadual e federal deve ser harmônica.

Nas eleições municipais de 2008, surgiu em Belo Horizonte um laboratório político inédito no Brasil: uma aliança entre PT e PSDB em torno da candidatura de Márcio Lacerda (PSB) para a prefeitura. Essa aliança continuará em 2012?
Ainda não sabemos. Na mesma época que estamos hoje no ano de 2007, o Márcio nem era filiado a partido. Não podemos imaginar o que vai ocorrer.

Como está o PSD de Gilberto Kassab em Minas Gerais?
Ainda está um pouco tímido. Lá o partido terá entre dois e quatro deputados federais, sendo que um deles, que hoje está no PPS, é do meu secretariado. Dois ou três deputados estaduais que fazem parte da minha base de apoio na Assembleia também manifestaram essa intenção. Eles vão continuar na base, até pelo perfil deles.

Ou seja: em Minas o PSD estará na área de influência tucana…
Os parlamentares mineiros que manifestaram o desejo de ir para o PSD não vão fazer oposição. Assim espero (risos). Em Minas, o prejuízo maior foi do PPS. Com a morte do Itamar, o PPS perdeu maior liderança.

O sr. é a favor da criação dos estados de Tapajós e Carajás? Existe um movimento separatista em Minas que defende a criação do estado do Triângulo…
Esse movimento já não existe mais. Aconteceu na Constituinte de 1988, mas não foi aprovado. Acho que não é prioridade nacional a essa altura criar novos estados. Não me parece que vai ser aprovado.

Qual a sua posição sobre a polêmica em torno das aposentadorias dos ex-governadores?
Na minha opinião como professor de direito, as aposentadorias concedidas até 1988 são direito adquirido. Em Minas havia uma lei estadual que permitia a aposentadoria para quem foi governador depois de 1988. Encaminhei um projeto para a Assembleia acabando com as aposentadorias nesses casos. Mas isso vai ser decidido pelo STF. Nós temos em Minas o caso da viúva do ex-governador Israel Pinheiro. Ela tem 104 anos de idade e recebe essa pensão desde 1971, quando ele morreu. Ela precisa disso. É justo.

Itamar Franco morreu com uma mágoa muito grande em relação à falta de reconhecimento do seu papel na criação do Plano Real. Ele tinha razão?
Tinha razão. Ele ficou amargurado não só por isso. A imprensa sempre olhou o Itamar com uma visão equivocada, diminuindo sua grandeza como presidente da república.

Não falta ao PSDB reconhecer o legado de Fernando Henrique?
Não há dúvida alguma disso. Hoje ele é reconhecido até pelos adversários.

Na sua opinião, chegou a hora de o PSDB assumir a candidatura de Aécio Neves para à Presidência em 2014?
Eu e a maioria esmagadora dos mineiros achamos que ele já devia ter sido candidato. Não temos um presidente mineiro eleito desde JK (Juscelino Kubitschek). O Itamar assumiu sem ser eleito…

A vez de José Serra já passou?
Não vou discutir a vez dos outros. Agora é a vez do Aécio.

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