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PT no poder e a Lista de Furnas: “exemplo de honradez e moralidade no trato da coisa pública deve vir de cima”, diz artigo do ITV

Gestão petista, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, peculato,  falsidade ideológica 

Fonte: Artigo do Instituto Teotônio Vilela

Exemplo que não vem de cima

Este ano de 2011 foi marcado pela eclosão de seguidos casos de corrupção no governo federal. Trata-se de uma das mais malditas heranças da gestão Lula, que se notabilizou pela leniência com que os malfeitos perpetrados por seus subordinados eram tratados. Quando o exemplo não vem de cima, a situação tende a piorar. É o que pode acontecer com o mensalão.

Sabe-se agora que o mais grave caso de corrupção ocorrido na história política do país pode acabar sem nenhum acusado punido. As penas do esquema gigante de compra de apoio parlamentar e desvio de dinheiro público posto em marcha pelo governo Lula podem prescrever antes que o julgamento chegue ao fim, segundo a edição de hoje da Folha de S.Paulo.

O jornal se baseia em declaração dada por Ricardo Lewandowski. Ele é um dos 11 ministros responsáveis por julgar o caso no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita desde abril de 2006, quando foi oferecida denúncia pela Procuradoria Geral da República (PGE). Sua participação é destacada: será o responsável por revisar o voto do relator, Joaquim Barbosa.

O principal trecho da entrevista de Lewandowski à Folha é este: “Como há réus primários, corre-se então o risco de que as penas para muitos ali sejam prescritas? ‘Sem dúvida nenhuma. Com relação a alguns crimes não há dúvida nenhuma que poderá ocorrer a prescrição’.”

Formação de quadrilha, cuja pena varia de um a três anos de reclusão, é um dos crimes que podem ficar sem punição. “Como o caso está em curso, não é possível saber quais os crimes imputados que irão prescrever. É necessário primeiro saber se serão condenados e a extensão das penas”, completa o jornal.

Se a prescrição se concretizar, terá sido coroada de êxito a estratégia insistentemente perseguida pelo PT de varrer o escândalo para debaixo do tapete. O partido de Lula, Dilma Rousseff e José Dirceu vem, dia após dia, buscando transformar em cidadãos acima de qualquer suspeita os corruptos denunciados pela PGE pela prática de sete crimes.

A lista de falcatruas atribuídas a 40 acusados (um morreu, outro foi excluído do processo e hoje são apenas 38) pelo mensalão pelo então procurador-geral, Antonio Fernando de Souza, é extensa e bem fornida.

Os crimes são os seguintes: formação de quadrilha (22 suspeitos, incluindo José Dirceu, Marcos Valério, José Genoino e Delúbio Soares); corrupção ativa (11 suspeitos); corrupção passiva (13 suspeitos, incluindo João Paulo Cunha); lavagem de dinheiro (34 suspeitos, incluindo Duda Mendonça, Paulo Rocha e Professor Luizinho); evasão de divisas (12 suspeitos), peculato (11 suspeitos) e falsidade ideológica (Marcos Valério).

A denúncia chegou ao STF em agosto de 2007 e hoje aguarda parecer do relator para ser votada. São mais de 130 volumes e 600 páginas de depoimentos. “Quando eu receber o processo eu vou começar do zero. Tenho que ler volume por volume”, disse Lewandowski. Para completar, a corte deve perder dois integrantes no ano que vem, alongando o processo.

O PT também joga com o calendário eleitoral para empurrar a discussão ainda mais para frente e aumentar a chance de ninguém pagar pelos malfeitos: sustenta que as eleições municipais de 2012 poderiam “contaminar” o processo, que deveria, então, só ser deliberado no ano seguinte. O escândalo, recorde-se, surgiu em 2005.

Quando, naquela época, se viram acuados pelo mensalão, os petistas dobraram a aposta e investiram fundo no submundo do crime, como mostra a edição da revista Veja desta semana. Para tentar se contrapor às acusações, próceres do PT encomendaram a falsificação de um dossiê com supostas irregularidades cometidas por parlamentares do PSDB e do DEM. Tudo agora devidamente desmascarado pela Polícia Federal.

Não espanta que um partido cujo projeto de poder ancorou-se em esquema tão criminoso considere natural que assaltos ao dinheiro do contribuinte continuassem a acontecer diuturnamente, como foi sendo revelado, semana após semana, ao longo deste 2011. Ou que um caso de tráfico de influência explícito, como o do ministro Fernando Pimentel, seja considerado assunto “privado” pela presidente da República.

O exemplo de honradez e moralidade no trato da coisa pública deve vir de cima. Nestes nove anos de gestão petista, os sinais recebidos pela sociedade foram justamente o contrário do que se espera dos governantes. Se a previsão de Ricardo Lewandowski se realizar, o Brasil estará, indelevelmente, fadado a ser um país sem futuro. E com um passado de ficha suja.

Leia no Instituto Teotônio Vilela

Ação de marketing: foto de Lula raspando a barba poder ser viral da Procter & Gamble, dona da Gillette, para a divulgação do Prestobarba

Marketing, oportunismo, oportunidade

Foto de Lula raspando a barba pode ser viral da Procter & Gamble, dona da marca Gillette, para a divulgação do Prestobarba

A foto de “família” do ex-presidente Lula tendo a barba raspada por sua mulher Marisa Letícia, usando um aparelho “Prestobarba”, indica que podem ser verdadeiras as informações de que a gigante dos cosméticos Procter & Gamble, empresa dona da marca Gillette, estaria disposta a pagar cerca de um milhão de reais pela cena.

A Procter & Gamble chegou a emitir uma nota oficial, no último dia 12/11, em que negava a estratégia de incluir o ex-presidente entre os seus garotos-propaganda, mas o resultado da ação é inegável e recebeu divulgação por parte da própria assessoria do Instituto Lula, que gere as suas apresentações em eventos e palestras.

Esta seria apenas mais uma das ações empresariais adotadas por Lula depois da presidência, em palestras milionárias e que vetam, por contrato, a presença de jornalistas. O que, por sinal, já são o bastante para classificá-lo como lobista de empreiteiras como a OAS e ODEBRECHT. O ex-presidente praticamente só viaja dentro do Brasil e no exterior em jatos executivos e se hospeda em suites imperiais, as mais luxuosas.

Mesmo fora do cargo, o ex-presidente Lula conta com diversas despesas pagas pela União por representar a presidência da República e o país, como motoristas, seguranças, secretária e assessores pessoais.

Por isso mesmo, em suas ações o mínimo que se pode esperar do ex-presidente é discrição e comportamento ético em suas relações empresariais.

Minas realiza manifestação contra corrupção no Governo do PT

Corrupção política, irregularidades, fraudes, sem gestão pública

No feriado, belo-horizontinos participam de marcha contra a corrupção

Fonte: Amanda Almeida – Estado de Minas

Cerca de 100 pessoas participaram nessa quarta-feira de marcha contra a corrupção, organizada por diferentes movimentos nas redes sociais, em Belo Horizonte. Em um dos principais cartões-postais da capital, a Praça da Liberdade, eles protestaram contra denúncias sobre o governo federal, que já derrubaram cinco ministros, e pela produtividade do Congresso Nacional. Os manifestantes reclamaram da chuva, que teria espantado pessoas com presença confirmada no evento pela internet. Em meio ao feriado de Proclamação da República, outras 32 cidades também tiveram atos agendados na web.

Pela terceira vez no ano, internautas organizaram protestos em BH. Com caras pintadas, camisas com frases contra a corrupção, cartazes e tambores, os manifestantes deram voltas na Praça da Liberdade. Pelo menos quatro grupos formados na internet participaram: o Cara Limpa pelo Brasil, o BH contra a Corrupção, o Movimento Acorda Brasil e o Anonymous. “Devemos aproveitar o potencial das redes sociais para mostrarmos o que queremos para o país”, disse o engenheiro civil Afonso Lembi, de 63 anos.

Em São Paulo, cerca de 200 pessoas se reuniram na Avenida Paulista para protestar contra a corrupção. O ponto de partida foi o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). A passeata começou debaixo de forte chuva, que, segundo os organizadores da manifestação, atrapalhou a mobilização. Outro encontro para protestar será marcado para janeiro. Em Brasília, a chuva também foi obstáculo para a Marcha contra a Corrupção, que reúne pouco mais de 30 manifestantes na Esplanada dos Ministérios. No Rio de Janeiro, os protestos se dividiram entre a Praia de Copacabana e a Favela Mandela, em Manguinhos, subúrbio carioca.

Com agências 

Escândalos no Ministério do Esporte revelam que Governo Dilma vacila ao enfrentar ‘chaga da corrupção’ – por ano são R$ 85 bilhões, revela Veja

Gestão fraudulenta, suspeitas de corrupção e mal uso do dinheiro público

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Ainda debaixo do tapete
Enfrentar a chaga da corrupção é a principal tarefa que deveria mover o governo federal. Mas até agora não se viu da presidente Dilma Rousseff mais do que movimentos para tirar o assunto do noticiário

A semana passada terminou com Orlando Silva sendo mantido no cargo pela presidente da República. Esta começa com mais uma saraivada de denúncias de irregularidades no Ministério do Esporte e nos programas comandados pelo PCdoB. O que mais Dilma Rousseff ainda espera para demiti-lo?

Não é ouvindo Lula que ela definirá o melhor caminho a seguir. Mas é justamente isso o que Dilma fez, em evento no Amazonas. Foi Lula quem mais incentivou Silva a resistir às denúncias e a brigar para manter-se no cargo, vestindo a “casca dura” que o ex-presidente sugere a quem quer permanecer na vida pública.

Dilma dobrou-se às investidas de Lula. Argumentou que, por estarmos num “estado de direito”, é preciso partir da “presunção da inocência” dos acusados. Mas como é possível argumentar inocência quando se toma conhecimento do “esporteduto” – como apelidou O Estado de S.Paulo – que os comunistas instalaram na pasta de Silva?

O esquema foi montado sob medida para acomodar o mais antigo aliado do PT, já que o PCdoB é o único partido que, desde a eleição de 1989, atua como linha auxiliar do lulismo. Funciona assim: o partido tem no ministério o controle das verbas federais; em governos estaduais e municipais, também comanda as áreas de esporte; seus filiados montam entidades que recebem os recursos públicos, mas não executam as ações prometidas; o dinheiro do contribuinte alimenta o caixa das campanhas eleitorais, tanto de comunistas como do PT.

“A ocupação do nicho esportivo pelo PCdoB teve início no governo de Marta Suplicy na Prefeitura de São Paulo. (…) A partir de 2003, quando o partido recebeu o Ministério do Esporte, replicou a experiência em outros locais. A cúpula da legenda chegou a estimar mais de 200 secretarias sob seu controle em prefeituras e governos estaduais”, relembra o jornal.

A cada dia surgem novos casos de irregularidades, que nada mais são do que filhotes do esquema montado de cabo a rabo no Esporte. Tem pastor que foi instado a pagar propina de 10% para receber as verbas, como mostrou a Folha de S.Paulo no sábado. Tem dinheiro de cheques usados para desviar dinheiro para empresas fantasmas do programa Pintando a Cidadania, como informa o Estadão. É um festival de mutretas.

O resultado disso tudo é um desvio monumental de dinheiro do contribuinte para alimentar as engrenagens da corrupção. Segundo a revista Veja, são R$ 85 bilhões todos os anos. Na última década, a Controladoria-Geral da União fez auditorias em 15 mil contratos da União com estados, municípios e ONG, e encontrou irregularidades em 80% deles.

Já O Globo mostrou em sua edição de domingo que quase nada do que é desviado volta para os cofres públicos. De cada R$ 100 que escorreram pelos ralos da corrupção desde 2003, a União conseguiu reaver somente R$ 2,34. “Um desempenho medíocre, fruto da morosidade dos tribunais e da omissão dos ministérios na análise das prestações de contas de entidades, prefeituras e estados conveniados”.

Um dado positivo é que a mais nova onda de irregularidades envolvendo o mau uso de dinheiro público pelo governo do PT deve levar à apreciação, pelo Congresso, de uma nova lei de combate à lavagem de dinheiro. Conforme o Valor Econômico, o projeto, que tramita desde 2003, pode vir a ser votado amanhã na Câmara.

Mais de 80 entidades estão envolvidas na aprovação do texto, tendo à frente a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (Enccla) e a Frente Parlamentar de Combate à Corrupção. “Em suma, o documento amplia o rol de empresas que deverão informar aos órgãos de fiscalização e reguladores um cadastro e informações periódicas sobre seus clientes, bem como qualquer movimentação financeira suspeita ou superior a R$ 100 mil em espécie”, sintetiza o jornal.

Enfrentar a chaga da corrupção é a principal tarefa que deveria mover o governo federal. Mas até agora não se viu da presidente Dilma Rousseff mais do que movimentos para tirar o assunto do noticiário. O menor dos problemas é afastar ministros envolvidos em falcatruas, como já aconteceu quatro vezes desde maio. O principal deveria ser limpar a sujeira que eles vêm fazendo. Por ora, ela continua todinha lá, escondida embaixo do tapete.

Link do artigo:  http://www.itv.org.br/web/noticia.aspx?c=3686

“O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando”, analisou o presidente do PSDB, Sérgio Guerra.

Fonte: Eduardo Brescini – Estado de S.Paulo

Posicionamento de Aécio abre debate para 2014

Líderes da oposição avaliam declaração do senador mineiro como positiva, mas lembram que ela não antecipa definição do candidato 

A entrevista do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Estado, publicada ontem, foi vista na oposição como a abertura de um debate público sobre a eleição presidencial de 2014. Aécio disse estar preparado para enfrentar tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas terá ainda de se cacifar dentro de seu partido e conquistar alianças para chegar ao posto de candidato da oposição daqui a três anos.

Dentro do PSDB, o maior obstáculo é a insistência do ex-governador paulista José Serra. No DEM, principal aliado dos tucanos na oposição, há o sonho de uma candidatura própria.

Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), a manifestação do senador mineiro visa a reafirmar a posição dele no tabuleiro de 2014. “O Aécio quer deixar claro que está no jogo e não está brincando”, analisa. Guerra não vê, porém, uma antecipação do período eleitoral. “Ele está cumprindo o papel que lhe cabe como líder nacional. Não há antecipação da eleição, mas um posicionamento claro dele. Ele sabe que a definição de 2014 ainda não começou.”

O pronunciamento de Aécio, porém, levou lideranças tucanas a reafirmarem a defesa das prévias para a escolha de um candidato a presidente daqui a três anos. “A busca de uma legitimidade da candidatura através das primárias torna muito mais forte o nome. Seria bom até para o Aécio”, diz o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR).

O líder tucano na Câmara, Duarte Nogueira (SP), lembrou que o senador mineiro já tinha manifestado a intenção de disputar a eleição de 2014 em encontro com a bancada do partido. Para Nogueira, a afirmação de Aécio de se colocar à disposição para enfrentar também o ex-presidente Lula anima a oposição. “Ele confidenciou que gostaria de ter o Lula como oponente. Essa foi uma provocação positiva porque nos dá uma expectativa de poder. A oposição se constitui com mais robustez no momento em que demonstra viabilidade eleitoral.”

Aliado. Na visão do presidente do DEM, senador José Agripino (RN), Aécio fez um discurso para o PSDB, deixando a discussão de alianças em segundo plano. “Ele se coloca como uma linha antagônica ao PT. Expõe-se como candidato do PSDB. Com relação aos aliados, faz menções superficiais. Foi mais uma movimentação interna do PSDB do que uma sinalização para a oposição como um todo.” Agripino ressalta ainda não ser o momento de discutir alianças e observa que seu partido poderá ter nome próprio em 2014.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), julgou a entrevista positiva por Aécio propor um enfrentamento com o governo federal. “O Aécio desceu do muro e vai para a guerra. Ele está certo, não adianta querer fazer política contemporizando com quem ele vai disputar.”

O presidente tucano reconhece que a aparição pública de Aécio aconteceu depois de uma cobrança feita por correligionários. A expectativa dos tucanos é de que o senador mineiro se torne mais ativo no Congresso. “Ele precisa se desinibir, ir para o embate oferecendo contrastes ao governo, com a contundência da oposição. Agir com responsabilidade, mas com firmeza. Não deixar o governo respirar”, diz Duarte Nogueira.

Aécio Neves defende que sucessão só deve ser tratada em 2013: ‘estarei à disposição do partido para cumprir meu papel’, comentou

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S. Paulo

‘Eu estarei pronto, seja Lula ou Dilma’, diz Aécio sobre 2014

Senador tucano diz que debate sobre candidaturas no PSDB deve ficar para ‘o amanhecer de 2013’, mas se apresenta disposto a enfrentar qualquer nome do PT

BRASÍLIA – Diante da pressão de companheiros de PSDB para que assuma logo sua pré-candidatura a presidente em 2014, o senador Aécio Neves (MG) não deixa dúvidas. “Se esta for a vontade do partido, eu estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Serão eleições com perfis diferentes e eu não temo nenhuma das duas”, disse o ex-governador ao Estado.

'Serão eleições com perfis diferentes. Não temo nenhuma das duas' - Ed Ferreira/AEMas Aécio pondera que o debate das candidaturas deve ficar para “o amanhecer de 2013”, pois “uma decisão correta no momento errado é uma decisão errada”. Ele diz que a opção José Serra “terá de ser avaliada por seu capital eleitoral e experiência política” e cita também os governadores Geraldo Alckmin (SP), Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR) como presidenciáveis. Nesse quadro, defende eleições prévias para a escolha dos candidatos tucanos a partir da eleição de 2012.

O que se vê hoje no cenário nacional, projetando 2014, são duas candidaturas presidenciais no campo do governo: Lula ou Dilma Rousseff. Como a oposição não se colocou, as pressões já começaram. Os 41 deputados tucanos que se reuniram com o sr. há dez dias, para pressioná-lo a assumir uma pré-candidatura, têm razão de estar ansiosos?

Conter essa ansiedade é uma das questões às quais tenho me dedicado. Mas acho muito bom que o PSDB tenha outros nomes, que serão discutidos na hora certa. José Serra é um nome que o partido terá de avaliar, por seu capital eleitoral e pela experiência política que tem. O governador Geraldo Alckmin (SP) é um nome sempre lembrado, como também são os governadores Marconi Perillo (GO) e Beto Richa (PR). É muito bom que o partido tenha quadros que possam despontar amanhã como candidatos.

E qual é o seu projeto para 2014?

O que eu disse aos companheiros do PSDB é que estarei à disposição do partido para cumprir meu papel, seja como candidato ou apoiador de um candidato que eventualmente tenha melhores condições de disputa do que eu.

O sr. tem disposição para disputar a eleição presidencial com Dilma ou Lula?

Se essa for a vontade do partido, estarei pronto para disputar com qualquer candidato do campo do PT, seja Lula ou Dilma. Eu disse com muita clareza aos deputados que não temos de nos preocupar se é Lula ou se é Dilma. Com cada um será um tipo de campanha.

Contra Lula seria uma campanha mais fácil, ou mais difícil?

Acho, sinceramente, que é muito difícil alguém na Presidência, com a possibilidade da reeleição, deixar de disputar. Mas, se a disputa for com o ex-presidente Lula, acho que as diferenças ficarão ainda mais claras. Será a disputa da gestão pública eficiente contra o aparelhamento da máquina pública; a disputa da política externa pragmática em favor do Brasil versus a política atrasada em favor dos amigos. Será o futuro versus o passado. Mas deixo que o PT escolha seu candidato, da mesma forma como o PSDB escolherá o seu no momento certo, e não necessariamente serei eu.

O sr. está dizendo que contra Lula pode ser até mais fácil?

Nenhuma eleição será fácil, mas, seja quem for o candidato, entraremos na disputa de forma extremamente competitiva. Serão eleições com perfis diferentes. Não temo nenhuma das duas.

Em 2010, tucanos de São Paulo e dos demais Estados se confrontaram na escolha do candidato a presidente, mas agora o PSDB paulista está dividido. Isso facilita a busca por um nome de consenso em 2014?

Não vejo dessa forma. Acho que o PSDB amadureceu o suficiente para ver que, ou vamos todos unidos de verdade, ou não teremos êxito. E o PSDB tem figuras extremamente relevantes nesse processo. O governador Alckmin é uma liderança nacional com condições até de ser o candidato com êxito. O senador Aloysio Nunes é um dos mais qualificados quadros do Congresso e será um instrumento importante na construção da unidade do partido, seja em torno de quem for, e incluo aí o companheiro José Serra. O presidente FHC terá sempre um papel de orientador maior.

O sr. tem disposição para disputar eleições prévias no PSDB?

Eu estimulo as prévias. Essa proposta foi sugestão minha lá atrás, e defendo que elas ocorram no maior número possível de lugares onde houver mais de um candidato, já nas eleições municipais. Acho a prévia um instrumento de mobilização e de comprometimento do partido em torno de um projeto.

As candidaturas presidenciais do PSDB foram basicamente sustentadas pelo DEM e pelo PPS. O esvaziamento do DEM pelo PSD sugere um novo quadro de alianças já para 2012?

O DEM perdeu espaço, realmente, mas nós do PSDB somos alternativa ao País não pelo número de cadeiras que temos, mas pelo que representamos, e por nossa capacidade de pensar, ousar e despertar confiança em parcelas importantes da sociedade. Defendo, para 2012, o que eu já defendia em 2006 e 2010, que é nós termos um leque cada vez mais amplo de alianças. E não o fiz apenas retoricamente. Exercitei isso na prática, pois em Minas nossa aliança é extremamente ampla, com partidos hoje da base do governo federal, como o PSB, o PDT, o PP.

Que papel terá o PSD nesse novo quadro? Ele está na mira do PSDB?

O PSD nasce a partir de uma liderança – o prefeito Gilberto Kassab (SP), que teve muita proximidade com o governador José Serra. Essa relação sempre existirá. O PSD apresentou-se como uma oportunidade de uma janela política para lideranças que estavam em dificuldades nos seus partidos e vejo que muitos dos novos integrantes da legenda têm relação conosco em nossas bases. Não tenho avaliação clara sobre qual será o papel do PSD, mas vejo com muita naturalidade que alguns setores do PSD tenham mais afinidade conosco do que com o PT.

Qual o quadro de alianças que o senhor vislumbra para 2014?

Teremos um quadro de alianças muito diferente do atual. O PSDB tem dois anos para se viabilizar como partido que tem a ousadia e a generosidade de ampliar suas alianças e apresentar ao País uma proposta que vá além do projeto de poder. Que seja um projeto de transformação.

É este o desafio do PSDB agora?

Na prática, estamos procurando refundar o PSDB em seu discurso. Temos de voltar a ser, aos olhos da sociedade brasileira, o interlocutor confiável que tem espírito público. As pesquisas mostram com muita clareza que a população confia nos líderes do PSDB e respeita nossas administrações estaduais mais do que outras. Temos de mostrar que somos capazes de projetar para o futuro um País mais eficiente, mais desenvolvido, com pessoas mais qualificadas por uma educação de qualidade. O PSDB tem de se apresentar como partido que tem a nova agenda para o Brasil.

Que agenda é essa?

O projeto original que trouxe o Brasil até aqui é do PSDB, mas o que está em execução agora é um software pirata. Nos temos de trabalhar muito para recolocar o original no lugar, porque o modelo que está aí se exauriu. Não apresenta nada e nada fala à saúde pública de qualidade. Na gestão FHC, fizemos a universalização do acesso à educação. Que qualificação essa educação teve de lá para cá? Absolutamente nenhuma. Do ponto de vista da gestão, não há novidades além da ampliação absurda de cargos públicos, com quase 40 ministérios funcionando sem nenhuma eficiência.

Já há parcerias PSDB-PSB em quatro Estados: SP, MG, PR e PB. Isso é meio caminho andado para uma aliança nacional em 2014, ou ainda falta pavimentar esse caminho?

Não seria correto dizer que faremos uma aliança amanhã com o PSB, que hoje participa da base do PT e tem cargos no governo. Vamos esperar que as coisas aconteçam com naturalidade. Temos é de construir nosso discurso para agregar as forças que com ele se sintam à vontade. Esse é nosso papel. O tempo dirá que forças estarão a nosso lado. Só não acho fácil que, pela heterogeneidade do pensamento das forças políticas que convivem hoje sob o guarda-chuva do governo, elas cheguem todas unidas até o final.

Belo Horizonte vai apoiar a reeleição do prefeito Márcio Lacerda?

Eu deleguei essa questão para que a direção estadual do partido a conduzisse lá. A candidatura própria não está descartada, mas há uma conversa avançada no sentido da continuação da nossa participação no governo correto de Márcio Lacerda. Um governo que lançamos lá atrás com muita desconfiança, mas que faz uma gestão muito bem avaliada. Acho até que há uma afinidade muito maior de Lacerda conosco, na forma de governar e no que ele pensa, do que com o PT.

Pesquisa interna mostra que o PSDB perdeu suas principais bandeiras para o PT. Dos medicamentos genéricos à Lei de Responsabilidade Fiscal, projetos do partido são mais creditados a Lula do que a FHC. Tem como recuperar essas bandeiras?

Minha avaliação não é nada pessimista em relação ao PSDB e ao nosso futuro. Mesmo depois de três derrotas nas disputas presidenciais, a pesquisa nos coloca de forma muito clara como a principal alternativa ao modelo que está aí e que a meu ver chegará exaurido ao fim de 12 anos de poder. Se traz o alerta de que nosso principal erro foi negar o legado de Fernando Henrique, ela também aponta os erros cometidos no período pós-FHC. Pela primeira vez uma pesquisa mostra que a corrupção, o aparelhamento da máquina e a ineficiência da administração pública são questões que colaram de forma clara no PT. Temos nossos problemas, mas aqueles contra os quais disputaremos têm os deles, e são graves.

E como o PSDB vai tomar posse do legado que relegou?

Um partido não cria raízes na sociedade sem bandeiras e sem agenda. A pesquisa mostra que 70% da população tem a percepção de que o Brasil começou a melhorar a partir do governo FHC e do Plano Real, e vem melhorando sucessivamente. Vamos enfatizar muito isso nas nossas próximas ações, falando do legado do PSDB e do nosso futuro. Somos o único partido com condições de se apresentar com uma nova agenda para o Brasil, até porque a agenda em execução hoje pelo PT é a que propusemos lá atrás, no governo FHC. É a estabilidade econômica, a política macroeconômica de metas de inflação, câmbio flutuante, superávit primário, modernização da economia com as privatizações e o Proer, que deu estabilidade ao sistema financeiro brasileiro. O PT não apresentou uma agenda nova.

Mas o fato é que a presidente Dilma está com a popularidade em alta nas Regiões Sul e Sudeste, onde o PSDB sempre teve mais apoio popular.

É absolutamente natural que ela tenha uma boa avaliação neste momento, até porque existe uma comparação com o presidente Lula e algumas diferenças de personalidade e de comportamento. Nossa disputa lá adiante não vai se dar entre o céu e o inferno, entre os que acertam tudo e os que erram tudo. Vamos discutir modelos. Eu não tenho a dificuldade permanente que o PT tem de reconhecer méritos nos adversários. Lula teve acertos. O principal deles foi a manutenção da política macroeconômica, e o adensamento dos programas sociais foi seu o segundo maior acerto. Mas teve grandes equívocos.

No balanço geral, o governo Lula foi o mais popular desde a redemocratização.

O presidente Lula passou oito anos surfando nas medidas que foram implementadas por FHC – a estabilidade é a principal delas. Pôs um tucano no Banco Central e ficou negando tudo, como se não houvesse um Brasil antes dele. Isso é um erro e até uma certa falta de generosidade com o País.

Olhando para trás, quais foram os grandes equívocos do governo Lula?

O aparelhamento da máquina pública como jamais se viu antes neste país foi o mais grave deles, porque abriu o caminho para a corrupção generalizada dentro do governo. E quem diz isso não sou eu. É a presidente Dilma, no momento em que demite da forma que fez figuras notórias próximas ao governo anterior. E a outra grande lacuna que o governo passado deixou foi, em um ambiente de prosperidade econômica, altíssima popularidade pessoal do presidente e ampla base no Congresso, Lula não ter encaminhado nenhuma das reformas estruturantes que poderiam estar permitindo, aí sim, que o Brasil tivesse muito mais protegido contra eventuais crises.

Que avaliação o senhor faz hoje do governo Dilma?

É um equívoco falar em governo Dilma, porque esta administração está no nono ano. Não dá para ela se apropriar dos êxitos e se eximir dos equívocos do antecessor. Em termos de gestão pública, esses nove anos de PT foram um atraso. Nós andamos para trás. Diferentemente do que ocorre em vários Estados, o governo federal não estabeleceu um mecanismo de metas ou de avaliação que avançasse no sentido de uma gestão pública de maior qualidade. E, infelizmente, a presidente caminha na mesma direção que caminhou o governo Lula. Não há por parte do governo nenhuma articulação nem demonstração de vontade política de enfrentar contenciosos.

O senhor acha que ela perdeu o timing de fazer reformas?

O presidente Lula teve um momento extremamente favorável para encaminhar reformas no campo tributário, previdenciário e do próprio Estado brasileiro, contando com o apoio da oposição – e eu me incluo nesse apoio, mas optou por não enfrentar. Eu aprendi que as grandes reformas se fazem no início do governo, quando se tem capital político, se tem uma autoridade ainda sem qualquer desgaste para poder impor de alguma forma essas reformas àqueles que lhe apoiam.

Mas ela está fortalecida por essa imagem de quem fez a faxina contra a corrupção.

O PT abriu mão de ter um projeto de País para se satisfazer com um projeto de poder. Algumas figuras do PT, a quem respeito, concordarão comigo. Vai chegar ao fim desses 12 anos de poder e vamos fazer um grande benefício ao PT, levando-o novamente à oposição, para que possa resgatar sua origem e valores que perdeu ao longo de sua trajetória. O PT foi um partido muito importante para o Brasil, que representava a classe trabalhadora, mas ao longo do exercício do poder se perdeu e se tornou igual e, em alguns aspectos, pior que os outros. Nosso esforço é para que o PT possa reciclar-se na oposição.

O sr. falou em fazer um favor ao PT, recolocando-o na oposição, mas correligionários seus dizem que é sua atuação, no campo da oposição, que está um pouco apagada no Senado.

Política é a arte de administrar o tempo. Cada um tem sua forma de agir e sua personalidade. Vamos aguardar se o tempo mostra se estou equivocado, ou não. Nosso grande esforço agora, ao qual tenho me dedicado além das questões legislativas, é no campo partidário, ajudando o presidente Sérgio Guerra na reorganização estrutural do partido. Um partido que tem um projeto nacional como o PSDB não pode deixar de ter representação nacional em sete Estados (AM, RO, DF, MT, RN, PI, SE) como ocorre hoje. Então, estamos reciclando o partido nesses Estados e abrindo para alianças, inclusive visando ao futuro.

Link da matéria:  http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,eu-estarei-pronto-seja-lula-ou-dilma-diz-aecio-sobre-2014,782976,0.htm?p=1

Augusto Nunes comenta a força das mídias sociais no movimento contra corrupção e faz duras críticas a estrutura de poder montada pelo PT

Fonte: Direto ao Ponto – Blog do Augusto Nunes

Expostos à claridade do dia 7, porta-vozes de vampiros de cofres públicos se desfazem em cinzas como um drácula de cinema

Lula não inventou a corrupção, mas foi ele quem transformou contratos de aluguel em instrumentos de poder. Se há corruptos em todos os partidos, em nenhum lugar do mundo há tantos delinquentes por metro quadrado como num encontro do PT com a base alugada. Em dois ou três meses, os jovens que lutam pela decência teriam de lancetar o tumor em sua fonte

Nascido da colisão frontal entre a desfaçatez dos assaltantes de cofres públicos e a indignação de  milhares de jovens em ação no Facebook, o movimento que transbordou da internet para as ruas neste 7 de Setembro ainda engatinha. Por enquanto, o traço comum entre os grupos fundadores é o inconformismo com a corrupção endêmica. Não houve tempo para a montagem de algum programa que estabeça prioridades consensuais e identifique com nitidez as metas a atingir, os alvos imediatos e o inimigo principal. Faltam slogans e palavras de ordem que façam o resumo da ópera eficácia e objetividade. Ainda não existem líderes reconhecidos por todas as alas, o verde-amarelo se alterna com o preto e o nome oficial não foi definido. Embora relevantes, são questões que podem esperar. Os jovens comandantes saberão fazer a melhor opção na hora certa.

Se ainda engatinha, o movimento esbanja saúde, comprovam os resultados da primeira aparição pública. Quem acompanhou o ato de protesto na Avenida Paulista pôde contemplar uma reveladora amostra da novíssima geração de brasileiros ─ um fascinante universo que a imprensa não enxerga e os políticos de todos os partidos desconhecem. Ninguém previu que os jovens insatisfeitos com o Brasil sangrado pela bandidagem de estimação precisariam de apenas um dia para escancarar as rugas, a flacidez, a velhice de entidades, instituições, indivíduos, teorias ou conceitos que, até a véspera, não pareciam tão desoladoramente decrépitos.

A anunciação da primavera brasileira transferiu para o museu das antiguidades do século passado os que subestimam o poder de fogo da internet, os que duvidam do interesse dos moços por questões políticas e os que não acreditam na existência de militantes fora dos partidos. Mal passa dos 20 anos a idade média dos organizadores dos protestos que,  ignorados pela imprensa, reuniram milhares de manifestantes mobilizados por redes sociais, sites e blogs. Confrontados com o frescor e a independência dos jovens em guerra contra a corrupção, os matusaléns arrendados da União Nacional dos Estudantes Amestrados, a antiga UNE, foram remetidos ao mausoléu dos pelegos.

A paisagem reinventada da Avenida Paulista exibiu o tamanho do fosso que separa manifestantes e partidos deformados pela senilidade precoce, pela covardia congênita, pelo cinismo vocacional e pela revogação dos valores éticos. Alguns integrantes da Juventude do PSDB apareceram com uma faixa. Tiveram de enrolar a má ideia. Três ou quatro devotos do PSTU apareceram com um estandarte. Foram aconselhados a guardá-lo. Cinco ou seis militantes do PT apareceram com uma bandeira vermelha. Como se recusaram a arriá-la, o pedaço de pano foi queimado ao som de duas palavras de ordem que justificaram o bota-fora de tucanos e socialistas xiitas: Primeira: “Saí daí, otário: o movimento é apartidário”. A segunda começava com o palavrão que rima com o fecho: “Nossa única bandeira é a bandeira do Brasil”.

As inscrições nas faixas e as mensagens gritadas em coro reafirmaram que os manifestantes não estão a serviço de ninguém. Exigem a punição dos corruptos, pedem cadeia para os gatunos, fustigam a turma da ficha suja, recomendam que o dinheiro tungado seja investido em saúde e educação, recordam o escândalo do mensalão e informam que as vítimas do roubo em escala industrial são os pagadores de impostos. Nesta quarta-feira, para não serem associados à oposição oficial, hostilizaram apenas três unanimidades: José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu. Três prontuários mais encorpados que os programas dos partidos a que pertencem.

Um movimento gerado pela ladroagem institucionalizada não conseguiria poupar por muito tempo os mentores da decomposição moral do Brasil. Cedo ou tarde, ficaria evidente que não há como marchar contra a corrupção sem tropeçar nos arquitetos do aparelhamento da máquina estatal e no loteamento das verbas dos ministérios. Lula não inventou a corrupção, mas foi ele quem transformou contratos de aluguel em instrumentos de poder. Se há corruptos em todos os partidos, em nenhum lugar do mundo há tantos delinquentes por metro quadrado como num encontro do PT com a base alugada. Em dois ou três meses, os jovens que lutam pela decência teriam de lancetar o tumor em sua fonte.

Foram poupados da opção inevitável pelo açodamento dos blogueiros estatizados e dos jornalistas federais, que vestiram imediatamente a carapuça e simplificaram as coisas. “Nossos corruptos são bons companheiros”, berram nas entrelinhas os palavrórios raivosos que, enquanto tentam reduzir as dimensões dos atos de protesto, investem contra os fantasmas de sempre. Um sacristão da seita maniqueísta já enxergou por trás da manifestação outra sórdida tentativa de derrubar o governo, tramada pela elite golpista, por granfinos quatrocentões e pelos loiros de olhos azuis. Definitivamente, faltam neurônios e sobram neuroses a adoradores de divindades de araque que viraram cúmplices de corruptos juramentados.

Expostos ao Sete de Setembro ensolarado por manifestações que podem moldar um Brasil muito mais luminoso, os porta-vozes do país que parece um grande clube dos cafajestes foram reduzidos a cinzas como dráculas de cinema. Vampiros de cofres públicos e suas velharias domesticadas não suportam a claridade.

Link do post: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/expostos-a-claridade-dos-atos-de-protesto-os-amigos-dos-corruptos-se-transformam-num-punhado-de-cinzas-como-vampiro-de-cinema/

De volta ao tempo da ditadura: PT defende censura com o controle da mídia – ITV diz que partido tem ‘desprezo por instituições da democracia representativa’

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Guerreiros da Censura

PT ressuscita velhos lemas para inflamar a militância e desviar o foco da corrupção que assola seu governo

O PT não sobrevive sem inimigos. Escolher alguns Judas para serem malhados foi sempre a melhor fórmula que o partido encontrou para angariar votos e galgar posições a fim de conquistar o poder. No governo, o alvo preferencial sempre foram os meios de comunicação. O petismo tem horror à crítica e flerta com a censura.

O partido realizou neste fim de semana mais um de seus congressos. É sempre uma ocasião em que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu exercita seu comportamento pendular: defende ações de governo ao mesmo tempo em que critica mazelas e brada por mudanças. Faz as vezes de opositor, como se não fosse o responsável, há mais de oito anos, por tudo o que está aí.

Na resolução aprovada neste domingo, o PT ressuscita velhos lemas para inflamar a militância e desviar o foco da corrupção que assola seu governo. O “neoliberalismo” surge como o demônio de sempre, citado 26 vezes ao longo do documento, para explicar tudo de ruim que existe no mundo. Seu antípoda é o “socialismo”, cuja “construção” é um dos “compromissos” firmados pelos petistas (página 9).

A avalanche de irregularidades que tem vindo a público não passa – segundo a visão da realidade que as 25 páginas da resolução petista sustentam – de fruto de uma “conspiração midiática”. “O PT deve repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação do governo”, bradam os petistas à página 21.

O noticiário de hoje indica que, no texto da resolução, a direção do PT atenuou suas teses de controle da mídia, para atender pedido do Planalto. Se o fez, foi algo meramente tático, jamais programático. O PT não apenas flerta, como namora para casar com mecanismos de regulação dos meios de comunicação. O partido conclama seus filiados a “lutar” por “um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no país”. O que isso significa?

Diz o texto, à página 24: “(O 4º Congresso) Convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações no País, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra”.

Não é preciso mais do que estas 102 palavras para revelar as reais intenções do PT: calar a crítica e só abrir espaço aos áulicos do poder. Aos partidários de Lula, Dilma e José Dirceu só serve a mídia companheira, cevada por generosas somas de publicidade oficial – só nos anos Lula, foram gastos quase R$ 10 bilhões. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a forca.

“O PT proclamou sua disposição de ir à luta para regular o comportamento da mídia. Em diversos países existe algum tipo de regulamentação. Nada haveria de absurdo que, por aqui, também fosse assim. Ocorre que o verdadeiro propósito de parte do PT é controlar o que a mídia divulga. Isso é censura. Isso contraria a Constituição”, comenta Ricardo Noblat n’O Globo de hoje.

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido fará uma “campanha forte” para pressionar o Congresso a aprovar um projeto que regule os meios de comunicação no país. Por “campanha forte” entenda-se também o uso de mecanismos de democracia direta, como referendos e plebiscitos, igualmente defendidos com ardor no documento aprovado ontem.

“Entraves às reformas democráticas e populares poderão muitas vezes ser enfrentados através da consulta popular sobre temas de interesse nacional, solicitados pelo Partido e seus aliados no Congresso e nos movimentos sociais”, lê-se à página 20. Ou seja, se não for por bem, vai na marra…

O congresso do PT deste fim de semana foi marcado pela defesa do enfrentamento aos meios de comunicação; o repúdio ao combate à corrupção; o patrocínio da criação de mais tributos; o desprezo por instituições da democracia representativa. Não espanta que a militância do partido tenha elegido para desfraldar tais bandeiras gente como José Dirceu, o “guerreiro do povo brasileiro” da nação petista.

Link da matéria:  http://www.itv.org.br/web/noticia.aspx?c=3626

 

Censura velada: Congresso do PT defende a mordaça e o controle da mídia e se coloca contra a liberdade de expressão

FonteCristiane Jungblut  e Gerson Camarotti – O Globo

Regulamentação da mídia não é censura, diz Gilberto Carvalho em congresso do PT

Ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que a defesa da regulamentação não é contraditória com a defesa da liberdade de imprensa

Resolução política

Gilberto Carvalho com militantes no 4º Congresso do PT em Brasília

BRASÍLIA – O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse, ao chegar ao encontro nacional do PT neste sábado, que considera injustas as críticas ao debate sobre a regulamentação da atividade da mídia. Ele disse que tanto o governo do ex-presidente Lula como o da presidente Dilma Rousseff sempre defenderam a liberdade de imprensa e que, por isso, não podem ser chamados de autoritários por discutir a questão. Ele acrescentou que não se deve confundir esse debate com as moções em defesa do ex-ministro José Dirceu.

– O projeto de regulamentação da mídia é um debate que o Brasil tem que enfrentar. Não acho pertinente confundir regulamentação com censura. Acho muito estranho, porque isso pode fazer bem para a mídia séria. Os oitos anos do governo do presidente Lula e os oito anos do governo da presidente Dilma não permitem, não autorizam qualquer tentativa de nos taxar de autoritários. Poucos governos foram tão execrados como os nossos. O projeto que está no Ministério das Comunicações não vai nessa linha. Acho um certo oportunismo isso – disse Gilberto Carvalho.

O petista argumentou que outros países democráticos têm regulamentação e disse que até a Associação Nacional de Jornais (ANJ) deveria entrar no debate, porque isso ajudaria a “mídia séria”:

– Todos os países democráticos têm regulamentação (da atividade) de imprensa.

Na mesma linha, a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, disse que a defesa da regulamentação não é contraditória com a defesa da liberdade de impresa.

– Por que todos os setores têm marco regulatório e a comunicação no Brasil não, quando a maior parte dos países têm? – indagou Ideli, em entrevista a rádios.

Preocupado com as comparações entre os governos Dilma Rousseff e Lula, principalmente nas iniciativas de combate à corrupção, o PT deve aprovar neste domingo, no encerramento do IVº Congresso Nacional do partido, uma resolução política com uma grande defesa do legado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto de 27 páginas e 116 artigos faz duros ataques à mídia. O PT afirma que a oposição, com o apoio de uma “conspiração midiática”, tenta “dissolver” a base parlamentar do governo Dilma. E afirma que o termo “faxina” é uma invenção da oposição e da mídia para desestabilizar a base do governo.

Ao mesmo tempo que propõe combater “sem tréguas” a corrupção, o PT critica o que chama de ações de setores da mídia para “esvaziar a política” e “demonizar os partidos”.

– Estamos apoiando as medidas de combate à corrupção da presidente Dilma. Portanto, não é a mídia ou a oposição que vai ditar para a gente como isso deve ser feito. Não queremos a demonização da política – frisou o presidente do PT, o deputado estadual Rui Falcão (SP), antes do início do congresso.

Há duas semanas, o PT tinha decidido não impor censura à mídia , mas recuou. A proposta de agora é contrária à do governo Dilma . A presidente Dilma e o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, já deram orientação para que os governistas não deixem passar, no projeto de regulação do setor no Congresso Nacional, qualquer referência a “controle” do conteúdo da imprensa. Mas é o que o PT está propondo de novo agora.

Texto deixará de defender o fim do Senado

Apesar de a resolução rejeitar censura ou restrição à liberdade de imprensa, o texto ataca o “jornalismo marrom” de certos veículos “que às vezes chega a práticas ilegais”. O texto cobra a regulamentação de artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios de comunicação, e critica a inexistência de uma Lei de Imprensa. Ao mesmo tempo, o PT pede o debate urgente, no Congresso Nacional, do marco regulatório da comunicação social.

Deve ser aprovada uma moção denominada “PT: compromisso com uma agenda estratégica para comunicações no Brasil”, com defesa de pontos como a democratização da “distribuição de verbas públicas de publicidade” – além da proibição de concessão e permissão de outorgas de radiodifusão a políticos e de “formas de concentração empresarial, a exemplo da propriedade cruzada, que levem ao abuso do poder econômico”.

Em outro trecho, o PT tenta neutralizar o discurso da oposição de que, na gestão de Lula, houve leniência com a corrupção. O documento ressalta que o “governo Lula elegeu desde o primeiro momento o combate implacável à corrupção como uma política pública” e cita o reaparelhamento da PF e a estruturação da Controladoria Geral da União. No PT, há preocupação de que a faxina de Dilma possa ser associada a uma espécie de herança maldita do governo Lula, enfraquecendo o legado dele.

Na sequência, o PT acusa a mídia e a oposição de tentar dissolver a base parlamentar. “A oposição apoiada – ou dirigida – pela conspiração midiática que tentou sem êxito derrubar Lula, apresenta-se agora propondo à presidente Dilma que faça uma ‘faxina’ no governo”. E acrescenta: “Esses políticos intentam, dissimuladamente, dissolver a base parlamentar do governo Dilma, a fim de bloquear suas iniciativas e neutralizar seus avanços programáticos”.

Numa clara reação às consequências políticas da faxina promovida no governo Dilma, a resolução petista afirma que o partido deve “repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação do governo”. E classifica de “oportunismo” a “intenção de jogar todos os políticos na vala comum e de criminalizá-los coletivamente”.

Segundo Falcão, a resolução ainda deve sofrer alterações, inclusive para reconhecer como positiva a redução de 0,5% da Taxa Selic decidida pelo Banco Central. O texto provisório cobrava até ontem “medidas mais ousadas” para a questão dos juros e do câmbio.

– Vamos aplaudir a decisão que resultou na queda da taxa de juros – disse Falcão.

Outra questão do documento é a defesa de fontes de recursos para financiar a Saúde, por causa da extinção da CPMF. Mas o artigo que defendia o fim do Senado foi suprimido na versão apresentada nesta sexta-feira para os integrantes do diretório nacional do PT.

Pivô do mensalão, em 2005, o PT faz uma defesa do financiamento público de campanha. O texto ainda apresenta uma justificativa para o episódio do mensalão: “Nas duas experiências do governo Lula, o PT viveu todas as contradições, riscos e desafios do chamado presidencialismo de coalizão, herdado da transição conservadora, através do qual o presidente eleito por voto majoritário não tem formado uma maioria no Congresso Nacional para governar”.

As propostas em discussão

O PT pretende se reaproximar da sociedade bancando campanha públicas de coleta de assinaturas em apoio a projetos de lei sobre pontos polêmicos, como a reforma política, propostas de combate à corrupção, de regulação dos meios de comunicação e do capital financeiro. O partido ainda defenderá plebiscitos e referendos.

O secretário de Comunicação do PT, deputado André Vargas (PR), disse que o PT quer usar o mecanismo de leis de iniciativa popular para marcar uma atuação própria. Cita como exemplo a Lei da Ficha Limpa, que enfrentou resistência no Congresso, mas foi aprovada devido ao apoio popular.

– É só ver o que aconteceu com a Ficha Limpa. Eu mesmo não concordava em todo com o projeto, mas o Congresso votou. Vamos pegar assinaturas com a população, envolver as entidades da sociedade, como OAB e CNBB.

Para tratar da regulação da mídia, o partido elaborou um texto separado para detalhar o tema. A ideia é defender a proposta já discutida anteriormente no governo Lula, e que tinha o aval do ex-ministro Franklin Martins. A resolução política diz que, em direção a um Brasil mais democrático, é preciso superar obstáculos difíceis, como “a influência do pensamento conservador nos meios de comunicação e a corrupção que degenera o sistema político brasileiro”.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/03/regulamentacao-da-midia-nao-censura-diz-gilberto-carvalho-em-congresso-do-pt-925282092.asp#ixzz1WzP54N2G

 

Presidencialismo de coalizão e pragmatismo: Fernando Henrique culpa Lula por consolidação da corrupção sistêmica

Fernando Henrique culpa Lula por consolidação da corrupção sistêmica

Fonte: Adauri Antunes Barbosa – O Globo
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em foto de Marcos Alves

SÃO PAULO – Sem citar o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso responsabilizou o “governo anterior” pelo que classificou como “consolidação” da “corrupção sistêmica” que toma conta do estado.

Não se consegue mais exercer o poder sem a corrupção, fruto desse jogo do toma-lá-dá-cá

– (É preciso) Acabar com a corrupção sistêmica que, na verdade, foi o que foi sendo consolidado no governo anterior (de Lula). Isso é uma tarefa de todos nós – disse Fernando Henrique, depois de participar de um evento com empresários no qual falou sobre “O desafio institucional: como superar o custo-Brasil, a infalação e crescer com sustentabilidade”.

O ex-presidente tucano, que no final de sua palestra falou rapidamente com jornalistas, classificou como “conversa fiada” as reações de ciúme que tem despertado tanto no PSDB quanto no PT por causa de sua aproximação com a presidente Dilma Rousseff .

– A essa altura da vida vou despertar ciúmes de alguém? Tá louco? – reagiu bem-humorado, complementando: – Isso é conversa fiada. É uma relação (com Dilma) de respeito mútuo, só isso. Uma relação civilizada, como tem que ser. Acho que é uma coisa normal.

Durante a palestra a empresários, Fernando Henrique disse que não é mais possível o país conviver com a corrupção:

– Não se consegue mais exercer o poder sem a corrupção, fruto desse jogo do toma-lá-dá-cá. Ou me dá isso ou não voto em você. E aí não se discute quais são as políticas para o país – disse.

Leia mais: 

‘Faxina Ética’ em xeque: Pesquisa identifica que casos de corrupção no Governo Dilma do PT são frutos da herança deixada por Lula

Esfria a faxina

Fonte: Ricardo Noblat – Blog do Noblat

Espantoso, pois não!

Políticos de todas as cores estão indignados com a “faxina ética” promovida pela presidente Dilma Rousseff em parte do seu governo. Não a admitem. É suicídio! – proclamam. E debocham. Dizem, por exemplo, que a Esplanada dos Ministérios foi trocada pela Espanada nos Ministérios.

Mas, pensando bem, espantoso é que não é.

Queriam o quê? Que não estivessem nem aí? Logo eles que precisam empregar afilhados no governo para superfaturar contratos, inventar aditivos e cobrar comissões? Que dependem do dinheiro do Orçamento da União para a execução de pequenas obras em seus redutos eleitorais?

Sem elas, a reeleição ficaria pela hora da morte.

Têm mais é que chiar, sim, ora essa. De negar quórum para a votação de projetos despachados pelo governo ao Congresso. De ameaçar votar contra. De criar, enfim, toda a sorte de dificuldades para a presidente da República. Porque ao fim e ao cabo, são eles que estão ficando mal na foto. Mal, não: pior do que estavam.

Se na política o que vale é a aparência, Dilma sairá no lucro com a “faxina ética”.

A essa altura, pouco importa que ela proponha uma “faxina contra a miséria” para esfriar a outra, que tanto incômodo provoca nos partidos. Dirão os encantados com a faxina original: “Pobrezinha da Dilma, está sendo obrigada a recuar.” E sentirão pena dela.

A faxina foi uma bola dentro chutada pelos que cuidam do marketing presidencial. Prevista para desalojar meia dúzia de sujeitos do ministério dos Transportes, virou ali uma faxina em regra porque o ministro, contra a vontade da própria Dilma, preferiu dar no pé para salvar a família de sério embaraço.

Seu filho enriqueceu muito rapidamente, sabe como é…

No caso do ministro da Agricultura, foi a família dele que o aconselhou a se mandar. Se dependesse de Dilma não teria saído. O ministro caiu fora quando se revelou que pegava carona em jatinhos de uma empresa com negócios no ministério. Quis escapar de ser soterrado pela lama.

Observa com argúcia o ministro Jorge Hage, chefe da Controladoria Geral da União: “No Brasil, a demissão é a pena máxima para um político suspeito de corrupção”. Mas a demissão não é uma pena capital. Se for esperto, tiver paciência e dinheiro acumulado, o demitido de ontem pode vir a ser a prestigiada autoridade de amanhã.

Depois do escândalo do mensalão, quanta gente não imaginou que Lula perdera as condições para disputar o segundo mandato?

Ele mesmo, um dia, falou em renunciar ao cargo se o publicitário mineiro Marcos Valério, um dos cérebros do mensalão junto com Delúbio Soares, cumprisse a ameaça que andava fazendo de contar tudo o que sabia.

Lula se reelegeu e elegeu sua sucessora. Se tudo correr como planejou, daqui a quatro anos ele estará de volta à presidência. Por isso o melhor que Dilma tem a fazer é mudar de assunto e esquecer a “faxina ética”.

Se ela se vê obrigada a limpar a casa é porque a encontrou suja. E quem ocupou a casa antes dela? O povo não é tão bobo. Confira.

A O&P Brasil, instituto de pesquisas de Brasília, entrevistou mil eleitores no Distrito Federal entre os últimos dias 13 e 17. Margem de erro da pesquisa: três pontos percentuais.

Dilma surpreende positivamente. Em maio passado, 15% achavam que ela estava se saindo melhor do que esperavam. O índice subiu para 23,4%.

O instituto perguntou: “Os casos de corrupção no governo federal, recentemente divulgados pela imprensa, são frutos do que Lula deixou de herança para Dilma ou são frutos somente do próprio governo de Dilma?”

Para 51% dos entrevistados, os casos são frutos da herança deixada por Lula. Para 24,7% são frutos do governo Dilma.

Lula e Fernando Henrique Cardoso sacaram quase ao mesmo tempo as vantagens e desvantagens da “faxina ética” que Dilma jamais pensara fazer de verdade.

O PSDB de FH estende o tapete vermelho e empurra Dilma para frente. O PT de Lula segura o braço dela.

Link do comentário:  http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/08/23/esfria-faxina-400051.asp

Encurralado: Promessas não cumpridas por Lula geram em Araçuaí protestos de moradores e de professores do IFET em greve

Lula é recebido em Araçuaí com protestos de moradores, professores federais contra congelamento de salários e promessas não cumpridas

Fonte: Jogo do Poder

O ex-presidente Lula enfrentou uma manifestação de professores e funcionários do Instituto Federal de Educação Tecnológica de Araçuaí, contra o congelamento de seus salários. Os servidores federais da educação estão em greve desde o início de agosto. A população também fez protestos para denunciar as promessas feitas por Lula e não cumpridas até hoje, como o asfaltamento de dois trechos da BR-367 que liga a região à Bahia.

Os servidores federais da educação pedem o reajuste de 14,67% para repor perdas salariais devido à inflação e maiores investimentos no setor.

Promessas
A promessa de asfaltamento da BR-367 feita por Lula e Dilma Rousseff durante a campanha de 2010, em visita à cidade, ainda não saiu do papel e é motivo de grande preocupação da população.

O empresário Charles Ursine, que trabalha no setor terceirizado de transporte para grandes companhias, levou uma das faixas pedindo melhoras urgentes para a via. “Até hoje tem mais de 40 quilômetros de terra e cascalho puro, o que atrapalha muito o comércio. Quero que ele saiba que estamos aqui para cobrar também o que é direito nosso, queremos estradas decentes”, reclamou.

O presidente Lula tirou o corpo fora e, como sempre, tentou jogar a responsabilidade pela construção da rodovia, que é federal, para o governo do estado. O governo do estado rebateu a informação, dizendo que a União não repassou recurso para o estado pavimentar a BR-367. A nova promessa de Lula é que o asfaltamento será realizado “nos próximos anos”.

Paralisação
Professores e funcionários do campus de Araçuaí, assim como em outros sete campi do IFNM, estão sem aulas desde o início do mês. Desde o aeroporto e durante toda a cerimônia os grevistas levantaram faixas protestando contra medidas que tramitam no Congresso prevendo o congelamento dos salários de servidores da educação, o reajuste de 14,67% para repor perdas salariais com a inflação e reivindicaram maiores investimentos.

Augusto Nunes: Sobram vagas no mausoléu dos corruptos – “opinião pública não vai respeitar imunidades partidárias”, comentou

Sobram vagas no mausoléu dos corruptos

Fonte: Blog do Augusto Nunes  – Direto ao Ponto – Veja Online

Um post de 3 de julho registrou que, ao contrário do que imaginam vários amigos da coluna, nem tudo está dominado. Ressalvei que é compreensível a sensação de impotência provocada pela impunidade institucionalizada, pela cumplicidade ativa ou passiva dos três Poderes, pela voracidade da aliança governista, pela pilhagem sistemática dos cofres públicos, pela mansidão bovina da maioria do eleitorado ─ enfim, pela paisagem política desoladora. Mas a frase que dá por consumado o triunfo dos fora-da-lei será apenas um verso derrotista enquanto existirem imprensa livre e milhões de brasileiros capazes de indignar-se com denúncias consistentes.

O texto se amparou no despejo de Antonio Palocci e no desbaratamento da quadrilha em ação no Ministério dos Transportes. Se dependesse de Dilma Rousseff e, sobretudo, de Lula, o reincidente incurável continuaria na Casa Civil. Depois de 20 dias de resistência, o Planalto teve de render-se. Em 3 de julho, Alfredo Nascimento ainda era ministro. Não teria perdido o emprego dias depois se os brasileiros honestos se dessem por satisfeitos com a demissão dos subordinados fora-da-lei.

Passados 45 dias, multiplicaram-se as evidências de que nem tudo está dominado. Além de Nascimento e seus gatunos, o mausoléu dos corruptos inaugurado por Palocci acolheu, em um mês e meio, o lobista homiziado no Ministério da Agricultura, o irmão de Romero Jucá que colecionava patifarias na Conab, o secretário-executivo do ministério e meia dúzia de defuntos de segunda classe. Nesta tarde, enfim, ali foram alojados os restos políticos de Wagner Rossi.

Não foi um enterro qualquer. O ex-ministro é mais que o primeiro figurão do PMDB incorporado ao jazigo. É o primeiro amigo de fé do vice-presidente Michel Temer abatido pela reação do país que presta. É a prova definitiva de que a opinião pública não vai respeitar imunidades partidárias.

Há uma semana, a presidente Dilma Rousseff replicou em dilmês a jornalistas interessados em saber se era para valer a faxina ensaiada no Ministério dos Transportes: “Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, decolou o neurônio solitário. Dilma continua abraçando corruptos, comprovaram a discurseira falaciosa sobre algemas e fotos de topless, as declarações de apoio a Wagner Rossi e as notas de solidariedade a meliantes do PT. Mas não escapou de ser pautada não pela mídia, mas por fatos divulgados pela imprensa independente. Jornais e revistas informam. Quem pressiona são os brasileiros cansados de ladroagem.

“O barbudo tem de voltar”, lamuriou-se Alfredo Nascimento no discurso em que se despediu dos cofres do governo. Tradução: os prontuários demitidos sonham com o regresso do Padroeiro dos  Companheiros Bandidos. Para implodir o sonho do clube dos cafajestes, os brasileiros decentes devem exigir o prosseguimento da dedetização indesejada pelo Planalto. O alvo do momento é o Ministério do Turismo. É preciso levantar o diminuto tapete que encobre parcialmente o ministro Pedro Novais. Sobram vagas no jazigo dos assaltantes de cofres públicos.

Confiscar-lhes empregos e gazuas, convém lembrar, é só o começo. O mausoléu dos corruptos deve assinalar o quilômetro zero da estrada que termina na cadeia.

Link do post: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/sobram-vagas-no-mausoleu-dos-corruptos/

Em Minas, Lula minimiza escândalos do Governo Dilma e diz que “não tem estremecimento” com PMDB e PR – em BH defendeu aliança com Lacerda

Lula critica debate sobre sucessão

Fonte: Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a antecipação do debate sobre a sucessão presidencial em 2014, classificando como uma “imbecilidade” as especulações sobre sucessão neste momento. Lula também minimizou o fato de quatro ministros terem deixado o governo Dilma Rousseff.

Em visita a Belo Horizonte, Lula voltou a dizer que Dilma é candidata natural à reeleição. “Acho uma imbecilidade, uma loucura falar de 2014 se nem sentamos à mesa para falar de 2012”, disse ele durante almoço com lideranças petistas. No ano que vem, ocorrem as eleições municipais. “Só tem uma pessoa que pode chamar essa conversa, que é a companheira Dilma.”

Na quarta-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, havia declarado que o candidato do PT nas eleições de 2014 será definido em conversa entre Lula e a presidente Dilma Rousseff. A manifestação foi considerada um sinal de que Dilma pode não concorrer à reeleição e que Lula poderia voltar a ser o candidato do partido.

Perguntado sobre o que achava das declarações de Bernardo, Lula preferiu criticar o ex-candidato do PSDB à Presidência José Serra. “Primeiro, é inaceitável um tucano como o Serra dizer que eu sou candidato em 2014”, disse. “Acabei de eleger uma sucessora que vai fazer um governo extraordinário. Em 2014, eu não sei da oposição, mas o governo, o Brasil, já tem candidato, que é a Dilma Rousseff. Eu vou dizer pela última vez, a Dilma só não será candidata se ela não quiser.”

Lula disse que as discussões em torno de 2014 ocorrem num momento em que a principal preocupação das lideranças políticas é outra. A questão agora, disse, é evitar que o Brasil seja “arranhado pela crise irresponsável dos países ricos”.

Durante o almoço com petistas – do qual participaram, entre outras lideranças do partido, o ministro Fernando Pimentel e os ex-ministros Luiz Dulci e Patrus Ananias – Lula minimizou a saída de quatro ministros em oito meses de governo de Dilma. E rejeitou a versão de que a saída de ministros do PR e do PMDB esteja enfraquecendo a base de apoio do governo. “Não tem estremecimento”, disse ele. “Eu faço política 24 horas por dias e não vejo nenhum estremecimento na base.”

A visita de Lula à capital mineira estava cercada de expectativas em relação a como ele iria se posicionar em relação à disputa pela prefeitura da cidade no próximo ano. O atual prefeito, Márcio Lacerda (PSB) foi eleito em 2008 com apoio do então governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), e o então prefeito de BH e Fernando Pimentel. A incógnita na cidade é se a aliança se repetirá em 2012 para apoiar Lacerda.

Petistas que participaram do almoço e do encontro à tarde disseram que embora o ex-presidente não tenha dito com todas as letras, a mensagem que transmitiu foi clara. Ele defendeu a importância de o PT fazer alianças. Na visão de um líder do partido em Minas, Lula deixou claro que é preciso, sim, manter o apoio a Lacerda.

Outro líder petista do Estado, ex-ministro de Lula, lembrou que o presidente do PSD em Minas é outro ex-ministro de Lula, Walfrido dos Mares Guia, que acabou de ser “empossado” como um dos membros do conselho do Instituto Lula. “Lula está operando com um olhar na disputa de Minas.”

Márcio Lacerda também esteve no almoço do PT. “Sei que ele [Lula] tem uma simpatia pela repetição da aliança”, afirmou Lacerda. “Mas isso é um processo partidário, se a eleição fosse daqui a três meses, diria que estaríamos a um passo disso.”

Tanto o PT quanto o PSDB não possuem candidatos claros para disputar a Prefeitura de Belo Horizonte. Lacerda é tido como o nome natural à reeleição.

Noblat diz que Lula tem ‘raciocínio tosco’ ao traçar paralelo entre gastos do governo com anúncios e o patrocínio do congresso da UNE

Feijoada com paio nada tem a ver com Cid Sampaio

 Fonte: Ricardo Noblat no Blog do Noblat

Foto: Givaldo Barbosa / O Globo

Que raciocínio tosco o de Lula ao traçar um paralelo entre gastos do governo com anúncios em rádio, televisão e jornal, e gastos com patrocínio de congressos como o da União Nacional dos Estudantes (UNE) realizado na semana passada, em Goiânia.

Lula está cansado de saber que feijoada com paio nada tem a ver com Cid Sampaio. Mas como aposta na ignorância alheia…

Cid Sampaio foi um político da extinta União Democrática Nacional (UDN). Governou Pernambuco entre 1959 e 1963. Químico industrial e usineiro, se opôs ao golpe militar de 1964, mas em seguida aderiu à Arena, partido do governo. Elegeu-se deputado federal. E, mais tarde, como suplente, assumiu uma vaga no Senado.

Entrou nessa história por causa do paio, que ganhou lugar aqui por causa da mania de Lula de apelar para falácias. É mestre do engodo.

Por que o governo gasta muito dinheiro com anúncios? Ora, para “vender suas realizações”. Em muitos casos, para contar também com a boa vontade de uma imprensa servil, colaboracionista e chapa-branca.

Anunciar, portanto, atende aos seus interesses – dos legítimos aos inconfessáveis.

Um veículo de comunicação só pode se comportar com independência, exercendo seu papel de fiscal rigoroso dos poderes públicos e privados, se for economicamente independente.

É uma pena que por toda parte tão poucos de fato o sejam.

Mas desses, registre-se, não se queixam políticos como Lula. Pelo contrário.

Queixam-se, sim, daqueles que não podem controlar de um jeito ou de outro. Daqueles que não se orientam por sua cartilha ideológica. Daqueles que acertando ou errando teimam em tentar corresponder às expectativas do distinto público.

A presidente Dilma Rousseff tem demonstrado compreender melhor do que Lula para que serve a imprensa.

Um governo sábio tira partido das críticas da imprensa para tentar governar melhor. Um governo sábio enxerga na imprensa um aliado e aproveita suas denúncias para corrigir o que anda mal.

Quanto ao Congresso da UNE…

O dinheiro gasto com ele por ministérios e empresas estatais atende a um único e censurável objetivo: o de manter sob rédea curta, curtíssima, a mais conhecida das entidades estudantis.

Cooptá-la já não é mais preciso. Cooptada ela já foi desde que chegaram ao poder os partidos que a dominam.

Até o golpe militar de 1964, a UNE freqüentava os salões da República, mas não era sócia dos seus donos. A eles se opunha com alguma freqüência e com maior ou menor virulência.

Talvez por isso fosse respeitada e temida. Mais de uma vez os presidentes Juscelino Kubistchek e João Goulart, por exemplo, foram obrigados a negociar com ela.

Formalmente extinta pelo golpe, a UNE sobreviveu ao incêndio de sua sede no bairro do Flamengo, no Rio, articulou-se com o resto da oposição e liderou em todo o país gigantescas manifestações de massa contra o regime dos generais.

As reivindicações específicas dos estudantes cederam a vez à reivindicação coletiva por liberdade.

Em 2003, o partido que manda na UNE há décadas, o PC do B, subiu a rampa do Palácio do Planalto junto com o PT de Lula. E foi a partir daí que a UNE esqueceu a sua história e vendeu sua alma.

Apequenou-se. Acabou entrando para o elenco dos chamados “movimentos sociais”, todos eles alimentados por verbas do governo.

A lei da anistia só prevê reparações de caráter pessoal a familiares e vítimas da ditadura de 64.

O governo Lula aprovou outra lei no Congresso para permitir que a UNE recebesse a título de reparação uma bolada de R$ 44.6 milhões destinada à construção de sua nova sede – um prédio de 13 andares, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Hoje, a UNE que em 1940 defendeu o fim da ditadura do Estado Novo, que em 1942 pregou o apoio aos Aliados contra o nazismo, que em 1956 combateu nas ruas do Rio o aumento do preço da passagem dos bondes, e que no início dos anos 60 criou o Centro Popular de Cultura, não passa de uma fotografia desbotada pela ação do tempo. 

 Link do artigo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/07/18/feijoada-com-paio-nada-tem-ver-com-cid-sampaio-391609.asp

Dilma se afasta de Lula e Aécio Neves atua para ampliar política de alianças para 2012, revela Josias de Souza

Dilma se afasta de Lula e assume riscos

Fonte: Josias de Souza – Folha de S.Paulo

ANÁLISE MUDANÇA MINISTERIAL
Forçada a demitir Palocci, superministro que lhe fora imposto por antecessor, presidente deixa governo com a sua cara

A minirreforma ministerial promovida pela presidente Dilma Rousseff foi recebida por congressistas do governo e da oposição como uma espécie de segunda posse.

Cinco meses depois de receber a faixa presidencial, Dilma distanciou-se de Lula, moldou o Planalto à sua imagem e assumiu riscos.

Anteontem, dissolveu as últimas dúvidas quanto ao estilo que deseja impor. Valeu-se de duas reuniões.

Uma com o vice-presidente Michel Temer e com o presidente do Senado, José Sarney. Outra, com o presidente da Câmara, Marco Maia.

Disse a Temer e Sarney, os dois principais caciques do PMDB, que cogitava entregar a coordenação política do governo à petista Ideli Salvatti.

Em verdade, não se tratava de mera cogitação. Em decisão solitária, Dilma já havia escolhido Ideli. Opção temerária, na visão do PMDB.

A presença de Sarney em audiência que Temer imaginara que seria exclusiva não foi casual. Dilma fez a defesa de Ideli: “Ela veste a camisa”.

Súbito, levou à mesa um argumento que soou como cobrança. Recordou que, no Senado, Ideli postara-se ao lado de Sarney na crise dos atos secretos. Lembrou que ela defendera também Renan

Calheiros (PMDB-AL) na época em que o mandato dele esteve sob ameaça.

Ficou entendido que Dilma vê como virtude o estilo “trator” de Ideli, tido como defeito pelos aliados. Mais: acha que o PMDB é devedor de sua escolhida.

Com Marco Maia, o petista que comanda a Câmara, Dilma mostrou-se contrafeita com a divisão da bancada de deputados do PT.

Por 48 horas, o grupo de Maia (PT-RS) travara disputa com a ala de Cândido Vaccarezza (PT-SP) pela vaga do ministro Luiz Sérgio (Relações Institucionais).

Incomodada, Dilma mandara recado por intermédio de Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). Pedira comedimento. O cargo era dela, não do PT.

Ficou claro que Dilma trocaria Luiz Sérgio por Ideli, até por conta da tentativa do PT de emparedá-la.

Mesmo contrafeitos, Temer e Sarney recomendaram aos correligionários que recebessem Ideli com espírito de “colaboração”.

Marco Maia expediu uma nota. Enalteceu qualidades de Ideli, elogiou Luiz Sérgio e desejou “sucesso” a ambos.

A chegada de Ideli ao Planalto completou a remodelagem iniciada três dias antes, com a nomeação da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) para a Casa Civil.

Forçada a demitir Antonio Palocci para sustar uma crise que desgastava seu governo há 23 dias, Dilma deixou o governo com a sua cara.

Lipoaspirou os poderes da Casa Civil, agora circunscrita à coordenação gerencial do governo, e vitaminou a coordenação política, antes absorvida por Palocci.

Livrou-se de um superministro que lhe fora imposto por Lula e acomodou do seu lado duas mulheres leais e de temperamento mercurial.

Tudo isso sem consultar previamente o PMDB, de costas para as pretensões do PT e ignorando os outros 12 partidos que integram a base.

A operação envolve riscos. Privilegiou-se o Senado, onde Dilma tem cerca de 40 votos, em detrimento do Senado, que tem 340 governistas.

Tomados de surpresa, líderes de siglas periféricas se reúnem na próxima semana. Receiam que Ideli, como Dilma, os ignore.

A oposição prepara a colheita. Aécio Neves, presidenciável do PSDB, apregoa, em privado: “Tirando o PT, faremos alianças com todos os partidos em 2012”.

José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, reuniu-se com Renan Calheiros. Disse que, nas eleições municipais, seu partido deseja achegar-se ao PMDB.

A uma das principais lideranças do PT da Câmara, lamuriou-se: “A Dilma esqueceu que não chegou à Presidência só com o peso dela”.

Programa recauchutado: Governo Dilma lança Brasil sem Miséria e muda foco da ação iniciada por Lula na redução da extrema pobreza

Dilma recicla ações e lança programa contra miséria

Fonte: João Carlos Magalhães e Ana Flor – Folha de S.Paulo

Plano custará R$ 20 bi por ano e é a mais importante aposta da gestão da petista

Projeto quer incluir 800 mil novos lares no Bolsa Família; plano é comparado ao PAC por articular várias ações Lançado ontem, o plano de erradicação da pobreza extrema do governo federal promete reciclar, fortalecer e redirecionar políticas sociais já criadas para tentar, até 2014, tirar 16,2 milhões de pessoas da miséria.

O plano, chamado de Brasil sem Miséria, é considerado a mais importante aposta da gestão da presidente Dilma Rousseff. No Planalto, é comparado ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), lançado no segundo mandato da gestão Lula.

O governo disse apenas que, sozinha, a União deve desembolsar cerca de R$ 20 bilhões anuais, afora contribuições financeiras de Estados e cidades.

O plano articula dezenas de ações que serão gerenciadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, mas perpassarão outras pastas, como Desenvolvimento Agrário, Saúde e Educação.

Alguns dos atos começam imediatamente; outros, daqui a alguns meses, disse a ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social).

EIXOS
O plano se divide em três eixos. O primeiro deles é garantia de renda aos extremamente pobres. Para isso, o governo resolveu ampliar o Bolsa Família, criado pela gestão Lula em 2003. Até 2013 quer colocar mais 800 mil famílias no programa -hoje com 12 milhões.

Também será implementado o Bolsa Verde, programa de preservação de áreas verdes que o governo chegou a “lançar” em 2009. Minas tem programa parecido.

O segundo eixo, “inclusão produtiva”, visa aumentar oportunidades de ocupação.

No meio rural, uma das inovações é a liberação de R$ 2.400 para pequenos produtores. Hoje, eles têm acesso a empréstimos por meio do Pronaf (programa da agricultura familiar). No meio urbano, o governo promete um Mapa de Oportunidades, que mostrará demandas locais por mão de obra.

O terceiro eixo é melhorar a oferta de serviços. O governo quer redirecionar e ampliar políticas públicas já existentes de saúde e de educação para as áreas que concentram os extremamente pobres, como o Nordeste.

O Água para Todos, que quer melhorar o acesso à água para beber e produzir e que já foi anunciado por Dilma, também está embutido no novo plano.

O governo, porém, promete mudar o modo como oferece esses serviços públicos: diz que, em vez de esperar as pessoas, fará uma “busca ativa” dos cidadãos.

No lançamento do plano, Dilma disse que ele “ecoa voz e o empenho” Lula para diminuir diferenças sociais e comparou a pobreza à escravidão.

A presidente criticou gestões anteriores. “Vimos pessoas bem-intencionadas, mas equivocadas, reverenciarem a tese muito fatalista de que haveria uma predestinação à exclusão nas populações dos países não desenvolvidos”, em referência à teoria da dependência, da qual o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) é especialista.

O PT esqueceu os trabalhadores: “não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci”, disse Mino Carta

O PT esqueceu os trabalhadores

Fonte: Mino Carta – CartaCapital

A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.

Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.

As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.

E com poderes largos, como grande conselheiro, negociador junto à turma graúda, interlocutor privilegiado do mercado financeiro e do empresariado, a contar com a simpatia de amplos setores da mídia nativa. Um ex-trotskista virou figura querida do establishment, vale dizer com todas as letras. Ele trafega com a devida solenidade pelas páginas impressas e nos vídeos, mas é convenientemente escondido quando é preciso, como se envergasse um uniforme mimético a disfarçá-lo na selva da política.

Murmuram os botões, em tom sinistro e ao mesmo tempo conformado: pois é, a política… Está claro que se Lula volta à cena para orquestrar a defesa de Palocci com a colaboração de figuras imponentes como José Sarney, o propósito é interferir no jogo do poder ameaçado e garantir a estabilidade do governo de Dilma Rousseff, fragilizado nesta circunstância.

A explicação basta? Os botões negam. CartaCapital sempre se postou contra a busca do poder pelo poder por entender que a política também há de ser pautada pela moral e pela ética, igual a toda atividade humana. Fatti non foste a viver come bruti, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: vocês não foram criados para praticar, embrutecidos, a lei do mais forte. Nós de CartaCapital poderemos ser tachados de ingênuos, ou iludidos nesta nossa crença, mas a consideramos inerente à prática do jornalismo.

 No tempo de FHC, cumprimos a tarefa ao denunciar as mazelas daqueles que Palocci diz imitar, na aparente certeza de que, por causa disso, merece a indulgência plenária. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende, e outros fortemente enriquecidos ao deixarem o governo graças ao uso desabrido da inside information, foram alvo de CartaCapital, e condenados sem apelação. Somos de coerência solar ao mirar agora em Antonio Palocci.

Em outra época, os vilões foram tucanos. Chegou a hora do PT, um partido que, alcançado o poder, se portou como os demais, clubes armados para o deleite dos representantes da minoria privilegiada. Devo dizer que conheço muito bem a história do Partido dos Trabalhadores. A primeira reportagem de capa publicada por uma semanal sobre a liderança nascente de Luiz Inácio da Silva, dito o Lula, remonta a começos de fevereiro de 1978. IstoÉ foi a revista, eu a dirigia. Escrevi a reportagem e em parceria com Bernardo Lerer entrevistei o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, na vanguarda de um sindicalismo oposto ao dos pelegos.

Dizia a chamada de capa, estampada sobre o rosto volitivo do jovem líder: Lula e os Trabalhadores do Brasil. Já então sabia do seu projeto, criar um partido para defender pobres e miseráveis do País. Acompanhei a trajetória petista passo a passo e ao fundar o Jornal da República, que nasceu e morreu comigo depois de menos de cinco meses de vida, fracasso esculpido por Michelangelo em dia de desbordante inspiração, passei a publicar diariamente uma página dedicada ao trabalho, onde escreviam os novos representantes do sindicalismo brasileiro. Ao longo do caminho, o partido soube retocar seu ideário conforme tempos diferentes, mas permaneceu fiel aos propósitos iniciais e como agremiação distinta das demais surgidas da reforma partidária de 1979, marcado por um senso de honestidade e responsabilidade insólito no nosso cenário.

Antonio Palocci é apenas um exemplo de uma pretensa e lamentável modernidade, transformação que nega o passado digno para mergulhar em um presente que iguala o PT a todos os demais. Parece não haver no Brasil outro exemplo aplicável de partido do poder, é a conclusão inescapável. Perguntam os botões desolados: onde sobraram os trabalhadores? Uma agremiação surgida para fazer do trabalho a sua razão de ser, passa a cuidar dos interesses do lado oposto. Não se trataria, aliás, de fomentar o conflito, pelo contrário, de achar o ponto de encontro, como o próprio Lula conseguiu como atilado negociador na presidência do sindicato.

Há muito tempo, confesso, tenho dúvidas a respeito da realidade de uma esquerda brasileira, ao longo da chamada redemocratização e esgotadas outras épocas em que certos confrontos em andamento no mundo ecoavam por aqui. Tendo a crer, no momento, que a esquerda nativa é uma criação de fantasia, como a marca da Coca-Cola, que, aliás, o mítico Che Guevara bebia ironicamente às talagadas na Conferência da OEA, em 1961, em Punta del Este. Quanto à ideologia, contento-me com a tese de Norberto Bobbio: esquerdista hoje em dia é quem, aspirante à igualdade certo da insuficiência da simples liberdade exposta ao assalto do poderoso, luta a favor dos desvalidos. Incrível: até por razões práticas, a bem de um capitalismo necessitado de consumidores.

Nem a tanto se inclina a atual esquerda verde-amarela, na qual milita, digamos, o ultracomunista Aldo Rebelo, disposto a anistiar os vândalos da desmatação. E como não anistiar o ex-camarada Palocci? Lula fez um bom governo, talvez o melhor da história da República, graças a uma política exterior pela primeira vez independente e ao empenho a favor dos pobres e dos miseráveis, fartamente demonstrado. CartaCapital não regateou louvores a estes desempenhos, embora notasse as divergências que dividem o PT em nome de hipócritas interpretações de uma ideologia primária.

Na opinião de CartaCapital, e dos meus botões, não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci, e sim de ajudar a presidenta Dilma a repor as coisas em ordem, pelos mesmos caminhos que em 2002 o levaram à Presidência com todos os méritos.

* Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

Pesquisadora revela que programas sociais e econômicos cativam eleitor e devem manter polarização das ações do PT e PSDB

Mais do mesmo em 2014

Fonte: Bertha Maakaroun – Estado de Minas

Estudo mostra que programas sociais e econômicos cativam eleitor, situação que deve se manter na próxima disputa presidencial, polarizada por petistas e tucanos. Em Minas, cenário se repete

A menos que ocorra um grave revés na estabilidade econômica e a inflação saia do controle, em 2014, tucanos e petistas farão no país nova guerra pelo Palácio do Planalto a partir das mesmas bases territoriais conquistadas ao longo das duas últimas décadas. São fortalezas, espacialmente definidas, agregadas por tucanos por meio de políticas públicas voltadas ao setor agrário durante os anos Fernando Henrique Cardoso e pelo governo Lula, principalmente com o Bolsa-Família. O domínio dos territórios do PSDB – as fronteiras agrícolas do Centro e do Sul – e de Lula – no Nordeste e Norte – persiste ao longo dos pleitos e dá a dimensão geográfica do enfrentamento.

Novo estudo realizado pela pesquisadora Sonia Terron, engenheira cartógrafa e doutora em ciência política, indica que, em 2010, Lula transferiu para Dilma Rousseff integralmente os seus territórios, nitidamente marcados nas regiões Norte e Nordeste. As “terras” conquistadas pelo Bolsa-Família mancham de vermelho o mapa nas cidades daquelas regiões em que foi mais significativo o impacto econômico do programa sobre a vida do município. Também nas eleições do ano passado, os tucanos voltaram a se beneficiar das políticas públicas alavancadas por FHC em favor do agronegócio no fim da década de 1990. De lá para cá, o voto tucano se consolida ao longo das fronteiras agrícolas, marcando de azul as cidades do Centro e do Sul.

“Quando se verifica a coesão de um território em uma eleição, que são as manchas azuis ou vermelhas no mapa, no pleito seguinte, essas áreas não migram abruptamente para o outro extremo. O partido adversário pode até tentar avançar naquela fortaleza, mas dificilmente vai predominar”, considera Sônia, que ao longo dos últimos 20 anos se dedica à análise da competição eleitoral no território brasileiro, – 8,5 milhões de quilômetros quadrados – , onde se processam o corpo a corpo das campanhas e jogo político de cooptação de líderes locais na briga por cada voto.

O fenômeno inédito nas eleições do ano passado, em que Lula fez a transferência exata de um território para Dilma Rousseff, foi, na avaliação da pesquisadora, resultado da construção de uma década. Com o Bolsa-Família, o ex-presidente não apenas se tornou maior do que o PT, como se descolou completamente das bases territoriais que identificaram a legenda nos últimos 20 anos.

Sônia Terron indica que, nas eleições de 1994 e de 1998, os territórios eleitorais de Lula e do PT eram muito semelhantes: os mesmos municípios garantiram a metade da votação de Lula e dos deputados petistas naqueles dois pleitos. Nas eleições de 2002, Lula e o PT ainda andaram juntos, mas na ocasião já houve uma expansão da base territorial do ex-presidente, que se mostrou menos dependente dos municípios em que o PT tradicionalmente se saía bem. Já em 2006, as bases geográficas partilhadas por Lula e o PT, que chegaram a 435 municípios em 2008, se reduziram a pouco mais de 100 cidades (veja quadro). “Lula cresceu mais e em direção oposta ao PT”, afirma Terron.

Movimento diferente se registra nos territórios do PSDB de Fernando Henrique Cardoso. A base do ex-presidente tucano foi para o Centro-Oeste e se expandiu a partir de 1998 para a fronteira agrícola. Os deputados federais tucanos vieram a reboque se fortalecendo nesse rastro. “Primeiro vieram as políticas públicas para o setor do agronegócio. Depois o partido entrou e se consolidou”, analisa Sônia.

Uma mudança na configuração dessas fortalezas eleitorais petistas e tucanas em 2014 só mesmo diante de uma guinada na economia ou algum outro fenômeno de grande extensão. “É a única variável que pode desestabilizar esse modelo espacial”, explica a pesquisadora. A tendência é de que Dilma, ao concorrer à reeleição, mantenha coesão sobre os seus territórios no Norte e no Nordeste. “Da mesma forma, o PT terá muita dificuldade de chegar ao Centro e ao Sul do país. Duas eleições, 2006 e 2010 têm a mesma lógica espacial. Mantidas as atuais condições da economia, em 2014, petistas e tucanos voltarão a se enfrentar respaldados, cada qual, pelas mesmas fortalezas eleitorais”, considera.

Minas é uma cópia do país

O mapa eleitoral de Minas Gerais sintetiza a distribuição espacial dos territórios eleitorais no Brasil e mostra com nitidez o divórcio entre as bases lulista-dilmistas e o PT. Enquanto o voto dos deputados federais e de legenda do PT se torna mais disperso pelo estado, a partir de 2006, o fator Bolsa-Família mantém as bases de Lula coesas, concentradas nas regiões onde o impacto do programa é mais forte – o Norte e o Jequitinhonha. Em 2010, também em Minas Lula transferiu para Dilma suas bases. A petista saiu das urnas, entretanto, ainda mais “Bolsa-Família” do que Lula em 2006, constata Sônia Terron, que fez o levantamento com exclusividade para o Estado de Minas.

Demóstenes Torres sai em defesa de Aécio e crítica PT que encobre líder defensor de cooperativa da maconha

Aécio e Lula

Fonte: Demóstenes Torres – artigo publicado no Blog do Noblat

Alguns a serviço do governo estão praticando seu esporte predileto, tentar transformar a oposição em culpada por qualquer coisa. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou seus oito anos de mandato bebendo e dirigindo o País e ninguém seu aliado achou que fosse inconveniente.

De fato, além de ser um péssimo exemplo para a juventude por causa do malefício do álcool, não consta que o então mandatário tenha prejudicado sua atuação no dia-a-dia por causa da caninha. Agora, jogam sobre o senador Aécio Neves um problema que está do lado de lá.

Aécio foi parado por uma blitz no Rio de Janeiro, no último fim de semana, e estava com a carteira de habilitação vencida. Teve a decência de entregar a CNH sem se valer da carteirada como é praticamente usual com o grupo que, para cada oportunidade, saca o cartão corporativo ou o crachá do Planalto.

Ao contrário, o senador chamou um motorista de táxi, que levou o carro até sua residência na própria capital carioca. Foi um erro, ficou ruim como exemplo para a juventude, mas longe da grita dos que estão acostumados à bebedeira federal.

Os agentes pediram a Aécio que fizesse o teste do bafômetro. Como milhares de brasileiros, ele usou seu direito constitucional de se recusar, até com um argumento menos legalista e mais prático. Não iria dirigir dali em diante, então, não precisaria provar que estava em condição de guiar o veículo. Para o trecho em que havia dirigido, nenhuma ocorrência.

Para o particular, existe a prerrogativa de não fazer prova contra si; para o político, a condenação acompanha o cargo, é culpado até que absolvição por magistrado diga o contrário.

A mesma cobrança nunca foi feita pela companheirada no caso do ex-presidente ou de qualquer outro político. Talvez porque 99% deles tenham motoristas ou devido, quem sabe, ao fato de Aécio ser de fato diferente. Além de ele mesmo guiar, houve outro componente: em nenhum momento tentou se safar da ocorrência.

Não ligou para o amigo Fulano na força policial ou o Beltrano no departamento de trânsito, enfim, essas artimanhas tão queridas à companheirada. Seu único chamado foi ao taxista.

Enfrentou seu erro, foi punido por ele e não se esquivou sequer da repercussão. Se fosse alguém do governo, seria protegido pela camarilha até aparecer em público culpando a oposição.

Onde está o escândalo? Se for no uso do etilômetro, o próprio Superior Tribunal de Justiça tem isentado inclusive aqueles que provocam acidentes. Aécio não fez vítimas, não passou sequer susto em alguém.

Mas o governo, via aliados principalmente na internet, quer comparar o caso com a defesa que o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira, fez do plantio e do consumo de maconha.

Não há qualquer relação. Aécio se recusou a produzir prova contra si, o líder governista quer produzir droga para o uso e o tráfico.

Tenta-se, por meio dos entrincheirados na frente de batalha virtual, fazer com que a CNH vencida de um integrante da oposição ofusque as trapalhadas do governo. Mas é impossível encobrir, por exemplo, que Lula gastou 70% a mais em publicidade, retirando dinheiro de áreas sensíveis.

Impossível omitir que a atuação da Polícia Federal nas fronteiras está prejudicada porque foram retirados 40% de suas verbas. No entender dos líderes de agentes e escrivães da PF, o trabalho está comprometido, inclusive para combater a entrada de armas e drogas.

Enquanto se tenta esconder as malfeitorias oficiais no biombo da carteira de Aécio, a política do “bebe, mas faz” continua prevalecendo.

Deve ser essa a desculpa, de estar bêbado durante a declaração, para o líder que defende a criação de cooperativa de produtores de maconha, certamente para receber recursos dos programas de agricultura familiar.

Os que atacam Aécio serão regiamente pagos, inclusive para evitar que se relembrem os dias de tensão quando o ex-presidente movido a etanol tentou expulsar do Brasil o correspondente estrangeiro que dele falou o óbvio.

Aécio errou e foi punido. Faltam os demais.

Demóstenes Torres é procurador de Justiça e senador (DEM/GO)

Link do artigo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=375769&ch=n

Casas inauguradas por Lula e Dilma em Governador Valadares desmoronam – recursos do PAC e do Minha, Casa Minha vida vão para o ralo

Casas do PAC desmoronam em Governador Valadares

Fonte: Leonardo Augusto – Maria Clara Prates – Estado de Minas

Um ano depois de inauguradas por Lula e sua então ministra Dilma Rousseff, casas feitas com verbas do PAC caem aos pedaços em Valadares. Moradores são obrigados a abandonar o local

“Era uma casa muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada.” A letra da canção de Vinicius de Moraes soa divertida, mas, em Governador Valadares, Região Leste de Minas Gerais, tomou forma de descaso com a população. Um conjunto habitacional construído, dentro do programa Minha casa, minha vida, pelo governo federal em parceria com a prefeitura, para retirar famílias de uma área de risco, foi erguido em um terreno também condenado. Das 96 moradias, 14 estão sem condições de uso ameaçadas por erosão, conforme relatórios do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da própria prefeitura. Oito famílias foram removidas. Entre as residências interditadas, que já foram parcialmente demolidas para evitar invasões, está a visitada e usada como modelo pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração do conjunto, em fevereiro de 2010, quando esteve na cidade ao lado da então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, em uma das primeiras viagens da atual presidente ainda como pré-candidata ao Palácio do Planalto.

O conjunto, construído próximo à encosta de um morro às margens da BR-116, no Bairro Palmeiras, custou, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), R$ 18,8 milhões, segundo dados do Ministério das Cidades, e serviria para abrigar moradores do Bairro Altinópolis, do outro lado da rodovia, onde morava a cozinheira Luciene Pereira, de 48 anos, dona da casa visitada pela comitiva presidencial. “O Lula reconheceu que ainda faltavam algumas coisas. Afirmou que mandaria colocar cerâmica no piso e muro. Cumpriu a promessa, mas eu acabei ficando sem ter onde morar”, relata a ex-moradora do conjunto, que foi transferida pela prefeitura para um bairro próximo e entrou em um programa de auxílio-aluguel. “Mas não pagam tudo. O aluguel é R$ 450. Dão apenas R$ 300 e ainda atrasam. Aqui é muito pior porque temos que pagar. Lá, era nosso, reclama a cozinheira”, que mora com a filha, o genro e duas netas.

A família morava no conjunto um mês antes da visita de Lula e Dilma. Menos de um ano depois, em 30 de dezembro, às vésperas do réveillon, foi obrigada a sair. “Falaram que a casa ia cair por causa das chuvas. Chamaram a polícia para a gente”, conta Luciene. “Hoje estamos nesta situação. Temos de deixar de comer um pedaço de carne para pagar parte do aluguel.” O secretário municipal de Assistência Social, Jaime Luiz Rodrigues Júnior, admitiu atraso nos pagamentos, mas afirmou que os repasses estão sendo regularizados.

Risco

O secretário de Obras de Governador Valadares, Cézar Coelho de Oliveira, afirma que a prefeitura vem tentando convencer as seis famílias moradoras das casas condenadas, que relutam em deixar o conjunto habitacional do Bairro Palmeiras. Todas correm risco, assume o secretário, sobretudo nos períodos de chuva. Cézar afirma que a atual administração da cidade, que tem a ex-deputada estadual Elisa Costa (PT) como prefeita, não foi a responsável pelo início das obras do conjunto. “A indicação foi feita no governo anterior”, argumenta. O antecessor de Elisa é o atual deputado estadual Bonifácio Mourão (PSDB). Questionado se a obra não poderia ser paralisada, já que se tratava de um terreno condenado, o secretário afirmou que apenas parte da área está sob risco e que a suspensão não seria possível porque o projeto já estava “80% concluído”.

Uma das moradoras do conjunto que vivem próximas da encosta do morro do Bairro Palmeiras é a dona de casa Olinda Leal Chagra, de 64 anos. “Ninguém me disse que era para sair daqui. Se for para ir embora, quero outra casa, e não entrar para o auxílio aluguel, como tem acontecido com as famílias daqui”, diz. Olinda se mudou para o conjunto em setembro, e mora sozinha com a cadelinha Luana. “Ficamos sozinhas. Meu marido morreu e meus filhos foram para Belo Horizonte.”

Segundo o secretário, o morro onde o conjunto Palmeiras foi construído tem três pontos de erosão. O mais grave está voltado para a BR-116 e, conforme a prefeitura, depende de obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) para ser contido. A reportagem tentou contato com o responsável pelo departamento em Governador Valadares, Ricardo Luiz de Freitas, mas não obteve retorno. Segundo o ex-prefeito Bonifácio Mourão, o terreno para a construção do conjunto foi indicado com base em laudos elaborados por engenheiros da prefeitura. O deputado ressaltou que a área foi fiscalizada e aprovada também pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Não havia qualquer risco à época da escolha, que aconteceu no fim de 2007”, diz. Além disso, o deputado atribuiu a obras do Dnit para duplicação da rodovia Rio-Bahia, o surgimento dos problemas na área. “A obra causou um assessoreamento no local que não existia anteriormente. Isso mudou tudo”, afirma Bonifácio Mourão.

Entulho

Mesmo com ruas asfaltadas, linha de ônibus e saneamento, o conjunto habitacional do Bairro Palmeiras perdeu em qualidade de vida para a população. As oito casas que começaram a ser demolidas – as residências têm tamanho padrão de dois quartos, sala, banheiro e cozinha – passaram a ser usadas como depósito de lixo, principalmente em suas áreas externas. Dentro das casas, o acúmulo de entulho, não retirado depois de concluída parte da demolição, favorece o surgimento de insetos, vindos de um lixão da cidade, que funciona próximo ao conjunto. Conforme a prefeitura, o depósito será desativado.

Responsável pelo repasse de recursos do PAC, o Ministério das Cidades foi acionado pela reportagem do Estado de Minas. A assessoria da pasta, no entanto, afirmou que não havia ninguém para falar sobre as obras do programa em Governador Valadares.

PSDB e do DEM encaminharam ao Ministério Público pedido de apuração sobre desmoronamento de casas inauguradas por Lula e Dilma em Governador Valadares

Oposição promete fiscalizar programa

Fonte: Izabelle Torres, Leandro Kleber e Juliana Cipriani – Estado de Minas

Dinheiro Público
Tucanos e democratas decidem acompanhar execução das obras e visitar casas antes de serem entregues à população

A qualidade das construções realizadas por meio do programa Minha casa, minha vida será fiscalizada por parlamentares da oposição. A ideia é acompanhar a execução dos convênios e visitar casas antes de serem entregues à população. “É indiscutível a importância de políticas de moradia para os brasileiros. No entanto, como integrantes do Legislativo, precisamos garantir que as casas são de qualidade, foram construídas com segurança e que o preço é justo. Não é possível fingir que é normal um teto desabar”, defende Pauderney Avelino (DEM-AM).

Ontem, a liderança dos democratas lançou um site de acompanhamento dos programas do governo. Segundo o líder da legenda, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA), o Minha casa, minha vida será uma das prioridades na fiscalização. “Vamos agendar visitas in loco nessas casas e acompanhar cada real gasto pelo governo. Queremos ver as condições das casas, a estrutura dos bairros e o tratamento dado às famílias que entraram nesses financiamentos. Nosso objetivo é ver tudo de perto e evitar que a população seja prejudicada por falhas do Executivo”, avisa o líder.

O deputado mineiro Marcus Pestana (PSDB) defende que as condições das casas que fazem parte do Minha casa, minha vida sejam alvo de discussões em comissões temáticas da Câmara. Segundo ele, as falhas nos empreendimentos mostram que o programa foi usado de forma eleitoreira pela atual presidente Dilma Rousseff e pelo seu antecessor Lula. “Essas falhas nas casas são uma demonstração do choque de realidade que os brasileiros estão tendo. O mundo real desses programas governistas é diferente da maravilha mostrada durante a campanha. Precisamos fiscalizar para reduzir os danos à população”, opina o tucano. “Acho que o nosso papel é levar o problema para as comissões da Casa, fiscalizar e denunciar as irregularidades e as falhas nesse e em outros programas em andamento”, completa o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra, criticou a situação dos moradores do Bairro Planalto e pediu a apuração dos fatos. “Temos que investigar. É mais um escândalo e não é o primeiro. E a informação que temos é de que mais problemas vão surgir”, afirmou.

Em Minas, os deputados estaduais da base do governador Antonio Anastasia (PSDB) pediram ontem a apuração das irregularidades nas obras do Minha casa minha vida em Governador Valadares. Requerimento do deputado João Leite (PSDB) pede que o Ministério Público Federal apure o desmoronamento das casas. O parlamentar também pede que o Ministério Público Estadual mineiro entre na investigação para avaliar as condições de habitabilidade das moradias. “É um escândalo. Todos estão assinando o requerimento para investigar a situação”, afirmou.

Os deputados estaduais também devem visitar o local. Célio Moreira (PSDB) apresentou requerimento para uma visita da Comissão de Obras Públicas do Legislativo para avaliar as condições. “Parece a história dos três porquinhos: o lobo soprou e a casa caiu”, disse.

Link da matéria:http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_22/2011/04/14/interna_noticia,id_sessao=22&id_noticia=176695/interna_noticia.shtml


Moradias são “fantasmas”
Fonte: Leonardo Augusto Enviado especial – Estado de Minas

Dinheiro Público
Conjunto erguido em Valadares com verba do Minha casa, minha vida, além de ocupar área condenada pela erosão, não tem registro em cartório. Prefeitura culpa administração anterior

Governo Valadares – Um ano e dois meses depois de ter sido inaugurado pela presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil, e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o conjunto habitacional do Bairro Palmeiras, em Governador Valadares, Região Leste de Minas, além de ter sido construído em área condenada, não existe oficialmente. As 96 residências do conjunto, 14 das quais condenadas pela erosão, conforme reportagem publicada ontem com exclusividade pelo Estado de Minas, não foram registradas no cartório de imóveis da cidade. A situação impede que os moradores que venham a permanecer no conjunto recebam as escrituras das casas.

O secretário municipal de Planejamento de Valadares, Jaider Batista, afirmou que a regularização das moradias, que fazem parte do programa Minha casa, minha vida, ainda não ocorreu por erro na obra cometido na gestão anterior, do hoje deputado estadual Bonifácio Mourão (PSDB). Conforme o secretário, o projeto avançou sobre outras propriedades. Os donos reclamaram na prefeitura e o município foi obrigado, além de pagar novas indenizações, a refazer o projeto, o que envolve uma espécie de nova planta do conjunto, incluindo as áreas abocanhadas indevidamente. Só então, conforme o secretário, as residências poderão ser registradas, permitindo a concessão das escrituras que, ainda conforme o secretário, deverão sair este ano.

Conforme cálculos de Jaider, a nova planta ficará pronta em até 40 dias. O secretário classificou o conjunto habitacional do Bairro Palmeiras como uma “obra problema”. “Aquela área nunca seria escolhida por nós para um programa de habitação social. Temos hoje mil moradias populares em construção no município, nenhuma em um terreno como aquele”, afirmou o secretário.

O deputado Bonifácio Mourão acusa a atual prefeita Elisa Costa (PT) de estar “criando versão para se defender”. Ele explica que era preciso retirar as famílias da área de risco do Bairro Mãe de Deus, em frente ao Bairro Palmeiras. Para isso, chamou os engenheiros da prefeitura que avaliaram o terreno onde as casas foram construídas, e fizeram um projeto posteriormente aprovado pelos técnicos do BNDES. “As obras terminaram no mandato da prefeita. Deixei a administração em 2008. Se havia irregularidades no terreno, porque a prefeita não embargou a obra?”, questionou o deputado.

Perguntado sobre os motivos que levaram a prefeitura a inaugurar a obra, inclusive com a presença de Lula e Dilma, Jaider disse que o projeto, quando Elisa Costa assumiu o cargo, em 2008, estava 80% concluído. “Como justificaríamos o gasto dos recursos públicos? Não poderíamos passar um trator por cima de tudo”, argumentou. Das 14 famílias que tiveram as casas condenadas, oito foram transferidas. A prefeitura tenta convencer as seis restantes a deixarem os imóveis. Todas as 96 famílias foram transferidas para o Bairro Palmeiras exatamente por viverem em áreas de risco.

O principal problema da área, localizada no topo de um morro, é a erosão nas encostas, que margeiam a BR-116. A prefeitura afirma que obras não realizadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) contribuíram para a erosão. Segundo o supervisor do Dnit em Governador Valadares, Ricardo Luiz de Freitas, uma licitação já foi aberta para realização das obras. O edital foi publicado no último dia 18.

MINISTÉRIO A assessoria de imprensa do Ministério das Cidades informou que as casas do Bairro Palmeiras fazem parte de um projeto de saneamento, financiado pelo BNDES, do início do PAC, em 2007. De lá para cá a metodologia da seleção dos projetos, segundo a assessoria, ficou mais rigorosa. Deixou de ser feita por carta-consulta, na qual o gestor público municipal apresentava, sem detalhes, o empreendimento que gostaria de realizar, para o procedimento de entrevista de uma pessoa da prefeitura no próprio ministério, que inclui a apresentação do projeto básico e o alcance social que a obra terá quando concluída. A assessoria explicou ainda que o projeto citado na matéria foi aprovado pela pasta, pelos órgãos municipais e pelo BNDES, que gere os recursos e teria mais responsabilidade por avaliar o empreendimento.

Link da matéria: http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_22/2011/04/14/interna_noticia,id_sessao=22&id_noticia=176695/interna_noticia.shtml

Estadão: FH rebate críticas: ”Venci o Lula com o voto do povão”

FH rebate críticas: ”Venci o Lula com o voto do povão”

Fonte: Gabriel Manzano – O Estado de S.Paulo

Ex-presidente diz que artigo escrito por ele foi mal interpretado pela oposição e explica razões para conquistar nova classe média

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) considerou ontem “precipitadas” as reações a seu artigo O Papel da Oposição – publicado na revista Interesse Nacional e divulgado anteontem pela internet. “Me espantei com o tamanho da repercussão. Achei também precipitadas algumas reações, sobretudo da oposição que, pelo que pude perceber, disse coisas que acabam fazendo o jogo do PT”, afirmou ele ao Estado.

No artigo, o ex-presidente aprofunda uma análise sobre o que chama de “lulopetismo”, defende seus oito anos na Presidência (entre 1995 e 2002) e faz fortes críticas ao seu PSDB. No trecho que se tornou o foco central dos críticos e de incômodo para seus correligionários, ele sustentou que se os tucanos continuarem tentando dialogar com o “povão” acabarão “falando sozinhos”, pelo fato de “as massas mais carentes e pouco informadas”, em sua opinião, terem sido “cooptadas” pelo PT, Por isso, aconselha o partido a priorizar “as novas classes médias”, gente mais jovem e ainda não ligada a partido nenhum. Portanto, suscetível de ouvir a mensagem da social-democracia.

“O que estou dizendo”, explicou Fernando Henrique, “é que o PT e o governo dispõem de poderosos meios em amplos setores de camadas pobres, mas cooptadas por sindicatos e centrais sindicais”. E acrescenta: “Também existe, é claro, um “povão” na nova classe média”.

O ex-presidente afirma que, ao fazer a análise, não estava excluindo ninguém. O que pretendia era convencer as oposições a definir seu foco de atuação. “Ora, eu venci duas eleições com o voto desse povão. E no primeiro turno, e contra o Lula. Agora, temos de ter uma estratégia para esses novos setores, mais sensíveis. Temos de fincar o pé na internet e nas redes sociais.”

O ex-presidente também refutou, na conversa, um argumento mencionado por vários críticos – o de que essas “novas classes médias” subiram justamente por causa dos programas sociais do governo Lula e, portanto, não seria fácil convencê-las a mudar de lado. “Isso não faz sentido”, adverte. “Esses programas foram todos iniciados no meu governo. Essa ascensão começou lá atrás, e quem se beneficiou sabe disso.”

Comunidade virtual. O debate sobre o que as oposições devem fazer antecipa outra iniciativa, também capitaneada pelo ex-presidente: a de lançar um “braço digital” dos tucanos a partir de junho. Com a contribuição de políticos e intelectuais, será criada uma comunidade virtual para a discussão de propostas políticas e econômicas para o País.

Com o nome de Observador Político, o portal deverá ser lançado dia 18 de junho, quando o ex-presidente completa 80 anos. Terá conteúdos para Twitter e Facebook. A meta é reunir algo em torno de um milhão de usuários e contar com um amplo time de blogueiros. Já estão convidados Francisco Weffort, Soninha Francine, Gustavo Franco, Pedro Abramovay e Paulo Renato Souza, entre outros. / COLABOROU GUSTAVO URIBE

Origem do “povão”

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA

“Esses programas foram todos iniciados no meu governo. Essa ascensão começou lá atrás, e quem se beneficiou sabe disso”

Link da matéria: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110414/not_imp706110,0.php

Valor: “Não sou idiota para propor que o PSDB ignore o povão”, diz FHC

“Não sou idiota para propor que o PSDB ignore o povão”, diz FHC

Fonte: Cristiane Agostine – Valor Econômico

“Qual é o bobo que vai deixar de lado o povão nas eleições? Eu não sou um idiota”. Indignado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 79 anos, diz que foi mal interpretado no artigo de sua autoria, divulgado pelo PSDB e amplamente criticado por correligionários. No texto, o presidente de honra do partido diz que se os tucanos persistirem em disputar com o PT a influência sobre os movimentos sociais ou o “povão”, o partido falará sozinho.

Em entrevista ao Valor, concedida na tarde de ontem por telefone, FHC afirma que na entressafra eleitoral o PSDB precisa construir um discurso e direcioná-lo para aqueles que ascenderam socialmente durante os anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Fernando Henrique, o partido precisa manter uma expectativa de poder para continuar vivo. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Valor: O senhor defendia a aproximação do PSDB com as bases sociais, mas agora diz para o partido desistir do ‘povão’ e buscar a nova classe média. O que mudou?
Fernando Henrique Cardoso: Sempre tive a mesma posição. Agora tem de ver o que é novo, o que está emergindo. Acho que o PSDB tem de ser o porta-voz do novo. Tem que ter uma mensagem com estratégia de futuro do Brasil. O novo é que as pessoas estão mais voltadas a sua vida cotidiana. Então tem de ver como é que liga a preocupação da vida cotidiana com essa estratégia de futuro e com valores como a democracia, a luta contra a corrupção e contra o clientelismo. Tem que mostrar que há problemas de infraestrutura nas obras da Copa e dos aeroportos. Isso a população sente, percebe o que está faltando. Tem que mostrar que a questão do imposto não interessa só ao rico, mas a todos. Além disso a mensagem tem que vir de meios de comunicação novos, sem dispensar os tradicionais. É preciso usar internet, redes sociais. E não basta a oposição ficar no parlamento. Tem que ir para as ruas, se aproximar do povo. Agora boa parte do que o PT chama de povão, está mais cooptada pelo clientelismo. Mas isso não quer dizer que vou desprezar uma camada. Sou louco por acaso? Não ganhei duas vezes a eleição do Lula, no primeiro turno? Vou desprezar alguma parte? Não! Estou dizendo qual é a estratégia, como é que faz para sua mensagem se consolidar. Não falei de eleição, nem de voto. Na entressafra eleitoral devemos utilizar este momento para refazer nossa linguagem, para ver quais são as camadas mais sensíveis. Não estou tratando de eleição.

Valor: O senhor quer dizer que na eleição tem de se aproximar de todos, mas na entressafra…
FHC: Não. Não só na eleição. Quais são as camadas que estão desconectadas e como o PSDB pode se conectar com elas? Não é questão de se aproximar. Claro que um partido tem que se aproximar com todo mundo do país. O que eu fiz no governo? As bolsas quem criou, não fomos nós? Na reforma agrária, quem deu o impulso não fomos nós? Não é essa a ideia, de ter um setor que se ocupa do povo e outro da elite. O que não pode é pensar que não houve uma mobilidade grande e que setores enormes das camadas populares, trabalhadores, é pensar que não estejam conectados pela internet também e que não estejam suscetíveis a uma mensagem que não a tradicional. E também que não sejam tão suscetíveis de ser cooptação por esse assistencialismo. Não se trata de se aproximar do povo só na eleição. Tem que ter uma concepção mais complexa do que é a sociedade. Fiquei muito assustado com a rapidez com que as pessoas interpretam e criticam [o artigo] antes de ler. Foi uma interpretação equivocada do que eu penso.

Valor: Desistir dos movimentos sociais, do ‘povão’, não é uma orientação divergente à estratégia de o PSDB se aproximar do Nordeste?
FHC: Imagina se eu seria louco de achar isso. Não, não. Agora tem que ter marca. O Nordeste também está avançando e queremos que avance mais. Não temos que ser o partido da manutenção e da transição do atraso, através dos meios sociais que sejam. Temos que dar os meios sociais, a ajuda necessária, mas não pode se contentar com isso. Tem que se medir… “Qual é o progresso? Como é que eu avanço?”

Valor: O senhor falou da nova classe média, como a classifica?
FHC: Sociologicamente não é classe média. Classe social não é classe de renda. Teve um aumento da renda de vários setores, mas isso não classifica automaticamente como uma mudança de classe, no sentido sociológico. Classe implica em um estilo de vida, de educação, redes sociais, conjunto de privilégios. Estamos usando, sociologicamente, de forma abusiva a ideia de uma nova classe média. Não é uma nova classe média. São novas categorias sociais. O mundo de hoje não é tão estabilizado como o do passado, que tinha o trabalhador, a classe média e os empresários, a burguesia. É um mundo muito mais fragmentado. Houve mobilidade, sim, melhorou a renda. Com o tempo, aí sim, vai estabelecer novas teias de relações sociais, participar de certos grupos de escola… Com o tempo vai ser, eventualmente, o que se chama de classe média.

Valor: As demandas da nova classe média se assemelham às das classe D?
FHC: As demandas são diferentes. [A nova classe média] Vai querer mais informação, mais atendimento e mais qualidade dos serviços sociais. Nós conseguimos dar acesso geral à educação, mas todo mundo se queixa da educação no Brasil. Vai ser um momento difícil, da passagem da quantidade para a qualidade. No fundo é o momento de o Brasil passar de país em desenvolvimento para desenvolvido. O PSDB e as oposições têm que entender isso e ir para a vanguarda, como nós fizemos no passado, quando o PT era contra a estabilização da economia. O PT era contra o capital estrangeiro. O PT era contra que as leis do mercado tivessem vigência, era contra a globalização. Hoje acabou tudo isso. Ninguém mais é contra. Mas o PSDB foi a favor. De novo agora temos que dizer: isso está feito e o que mais? Vamos olhar o horizonte, avançar mais. Alguém vai fazer isso. Se não fizermos outros farão.

Valor: E por que essa nova classe estaria mais suscetível ao discurso do PSDB do que a classe D?
FHC:
O PSDB tem de ser capaz de ter um discurso que mexa com ela. É o que eu estou dizendo. Não tem um discurso definido. Vamos procurar um discurso, vamos ouvi-la.

Valor: O que poderia motivar a aproximação? No artigo o senhor cita a questão moral…
FHC: Pode ser a questão moral. Mas pode ser a questão do atendimento, dos serviços com mais qualidade, mais segurança. Não tenho uma receita. É uma estratégia. É mudar o foco, para ver se chega lá. Se as pessoas discutissem isso seria mais útil do que discutir se vai deixar de lado o povão. Qual é o bobo que vai deixar de lado o povão nas eleições? Eu não sou um idiota. Todo o governo tem que olhar para a população, para os mais pobres também. Precisamos disputar o controle político dessa população. Não temos instrumentos para o assistencialismo, para transformar as bolsas em o instrumento de voto, cooptar os sindicatos…

Valor: Em relação aos movimentos sociais, Alckmin e Aécio tentam se aproximar das centrais sindicais. O senhor discorda da estratégia?
FHC: Tem mesmo que se aproximar. Acho que deve ‘descooptar’. Mas os sindicatos do Brasil e no mundo todo não pegam mais a maioria dos trabalhadores. O índice de filiação é pequeno. Não sei se as demandas dos sindicatos são as dos trabalhadores ou são da burocracia sindical. Essa subiu na vida também e tem poder político. Mas será que arrastou consigo a massa operária? Duvido. O que não quer dizer que não devemos trabalhar com os sindicatos.

Valor: E qual pode ser o ponto de intersecção entre os discursos do PSDB e o sindicalismo?
FHC:
O PSDB deve lutar contra o corporativismo. E a garantia de sobrevivência sem a adesão dos trabalhadores não tem sentido. O imposto [sindical] é sobre todos os trabalhadores sem que eles digam se querem ou não. Não faz sentido.

Valor: E os 100 dias da presidente Dilma, como o senhor analisa?
FHC: Esse negócio de 100 dias é outra dessas ficções. É muito cedo para avaliar o governo. Ela mudou um pouco o estilo: menos falante, muito mais cortês comigo. Não sei qual vai ser a política. Na Vale já houve uma interferência bastante forte. Na política externa houve modificações. Falar de direitos humanos é positivo, se distanciar daquela visão de que basta ser ditadura dita de esquerda para nós termos uma ligação é bom. Mas é como uma partida de xadrez, quem dá os lances iniciais é quem tem as pedras brancas. Na política, quando alguém ganha a eleição leva as pedras brancas. Não adianta nos precipitarmos antes de saber qual é o jogo deles. Não é o momento de eu sair criticando. Todos torcem para que o Brasil vá pra frente.

Valor: Com o esvaziamento do DEM, como será o papel da oposição em relação ao governo?
FHC: Não sei como a oposição vai se desdobrar, porque depende do que o governo faça. Agora não dá pra tapar o sol com a peneira. Essa perda de substância do DEM não é boa, a menos que o novo partido se declare de oposição. Temos que ter uma mensagem que vá além do jogo dos partidos e do Congresso, que fale com o país. Para isso vai precisar de líderes que encarnem a nova mensagem. Tendo essa liderança, você se mantém na oposição e mantém o partido vivo. Mantém uma expectativa de poder. Enquanto o PSDB representar no imaginário das pessoas uma alternativa pro futuro, ele se mantém apesar das dificuldades do dia-a-dia da oposição.

Valor: O PSDB então poderia já lançar uma pré-candidatura à Presidência?
FHC: É cedo para isso, mas tem que se preocupar com o pé no chão. O partido tem que se estruturar nas bases, oferecer bons candidatos a prefeito, olhar no mapa eleitoral e dizer ‘onde estamos fracos?’ Tem que recrutar bons candidatos, que tenham compromisso programático, compostura política. Candidatos que tenham capacidade de expressar o que a população está sentindo nos municípios. É um longo trabalho a ser feito, de formiguinha, não de quem vai ser candidato a presidente. O que o PSDB precisa agora é de coesão. O DEM está com um problema muito grave. Não temos fratura, temos que solidificar a coesão. Quem quiser trabalhar pela oposição no futuro tem que trabalhar já pela coesão no PSDB. E não ficar pensando em nome de uma eventual candidatura.

Valor: Geraldo Alckmin lançou informalmente Serra à Prefeitura de São Paulo. O que o senhor acha?
FHC: Não sei se é a melhor opção pra ele. Se não combinar com o principal interessado, não tem jogo. Não sei qual é a opinião do Serra. Duvido que ele esteja, nesse momento, pensando nisso. Claro que, se for candidato, todo mundo vai ficar ao lado dele. Mas nesse momento nós todos devíamos estar pensando qual é o nosso papel, como é que você fala com a sociedade. Dizer que ‘é candidato, não é’, ‘rachou, não rachou’, isso cansou o povo. Isso não diz nada a ninguém. É preciso falar coisas que sejam sensíveis à população. Ontem, fiz uma palestra em Maringá (PR). Tinha 2,8 mil pessoas. Fiquei espantado. Jovens, mulheres, empresários, tudo misturado. O que eles querem saber? O futuro. Você junta aqui 100 pessoas para discutir, nesse momento, quem vai ser candidato? Não junta. Vamos partir do que a população está sentindo, não do que nós mesmos publicamos nos jornais. Um põe uma notinha aqui, outro lá, já sabe quem pôs, um fica envenenado contra o outro, não leva a nada.

Link para assinantes: http://www.valoronline.com.br/impresso/politica/100/413097/nao-sou-idiota-para-propor-que-o-psdb-ignore-o-povao-diz-fhc

Folha: Artigo de FHC movimenta panorama político com chamado a tucanos para renovar estratégia

Oposição de fato

Fonte: Folha de S.Paulo

Editoriais
Artigo de FHC movimenta panorama político com chamado a tucanos para renovar estratégia e conquistar nova classe média

Três de cinco ex-presidentes brasileiros se encontram no Senado, sem que se tenha notícia de contribuições relevantes suas para o debate nacional. Luiz Inácio Lula da Silva, recém-saído do cargo, mantém temporário e bem-vindo silêncio, neste início de mandato da sucessora e correligionária petista, Dilma Rousseff.

Diante de tal pasmaceira, coube ao tucano Fernando Henrique Cardoso agitar a cena política. A contribuição veio com o artigo “O Papel da Oposição”, publicado na revista “Interesse Nacional”.

O foco do texto está em provocar a oposição – PSDB à frente – para sair da letargia diante do petismo. Para isso, ela precisa de uma estratégia, de um público-alvo e de um discurso (ou programa), que FHC se põe a alinhavar.

A situação atual seria análoga à do MDB no início dos anos 70, quando o “milagre econômico” angariava forte apoio popular à ditadura. Outro artigo de FHC, publicado na época com o mesmo título, apontou a necessidade de organizar uma frente antiautoritária para lutar pela redemocratização.

Hoje, os êxitos do governo Lula parecem prostrar o PSDB e demais legendas oposicionistas. FHC, contudo, vislumbra uma plataforma para que superem a perplexidade, caso se mostrem capazes de transcender a política institucional e falar diretamente com a classe média em expansão.

O ex-presidente dá como inócua a tentativa da oposição de disputar com o PT o apoio das “massas carentes e pouco informadas”. O governo, assinala com razão, dispõe de mecanismos de concessão de benesses mais eficazes que discursos no Congresso.

O trecho pode ser entendido como uma crítica velada à emulação de políticas sociais lulistas. Seria o caso de programas de renda como o do governador paulista Geraldo Alckmin, ou da defesa irresponsável, sob o ângulo fiscal, de um salário mínimo de R$ 600, na campanha eleitoral de José Serra ou por parlamentares tucanos.

A alternativa FHC é priorizar a nova classe média, cerca de 20 milhões de brasileiros incorporados nos últimos anos ao mercado de consumo. Esta seria mais receptiva a críticas da oposição à hegemonia petista, sobretudo às práticas de corrupção e cooptação de grupos econômicos escolhidos para receber benesses do BNDES.

Como bem lembrou o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, o acesso a uma renda um pouco mais elevada não garante adesão automática a novos valores. Além disso, quase metade da população permanece nos estratos inferiores de renda e consumo, contingente de votos que não pode ser desprezado.

Em outras palavras, a estratégia delineada por FHC demanda ousadia e implica risco eleitoral. É uma aposta em discurso que, diante dos limites e contradições da política petista, pode até provar-se correto. Fazer oposição de fato, alerta o ex-presidente, seria a única chance de sobrevida para o PSDB e os poucos partidos ainda não alinhados com Dilma.

Link para assinantes: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1404201101.htm

PSDB busca um novo caminho para dialogar com a sociedade

Líderes tucanos miram públicos distintos para voltar ao poder

Fonte: Luiz Guilherme Piva* –  Folha de S.Paulo

ANÁLISE
ESPECIAL PARA A FOLHA

O PSDB tem muitos autores. Mas anda à busca de personagens e de público. São três derrotas na eleição para presidente: 2002, 2006 e 2010. Nesses mesmos anos, o partido venceu as eleições para governador em MG e SP -e neles residem seus principais autores: FHC, Serra e Alckmin, na trupe paulista; e Aécio, solista mineiro. Há um grande problema.

Lula construiu enorme popularidade e elegeu Dilma com base, sobretudo, em apoio quase maciço dos setores populares. A melhoria de emprego, de renda, de consumo e de crédito promoveu a ascensão de milhões de brasileiros. E a popularidade de Dilma, neste início de mandato, é alta.

O principal teórico do PSDB, o ex-presidente FHC, apresentou seu roteiro. Dilma não perderá o apoio do povão. Portanto, o PSDB, em vez de buscar o apoio popular, tem que impedir que ela conquiste a classe média – até porque o discurso tucano sempre agradou muito mais a maioria da crítica do que a maioria do público.

Mas Alckmin, que foi candidato a presidente em 2006 e quer encarnar o personagem em 2014, escreve uma outra peça. Acredita que Dilma não manterá o apoio do povão – por falta de carisma, de discurso e de condições econômicas.

Propõe, então, e implanta, como o programa anunciado, ir aonde o povo está, brigando com o PT na faixa de eleitores que falta ao PSDB.

Serra, que foi candidato a presidente em 2002 e 2010 e quer o papel de novo em 2014, e Aécio, de olho no mesmo personagem, vão em outra linha, mas divergem entre si.

Aécio investe em ser um continuador do lulismo, sem criticar nem elogiar demais.

Serra adotou outro figurino: críticas duras ao governo para tentar crescer pelo contraste.

O PT, porém, confiando na fidelidade dos pagantes, parece não se importar com os roteiros dos líderes tucanos.

Se em 2014 Dilma não mantiver a popularidade, Lula voltará ao palco com chance de vitória para presidente. Se Dilma estiver bem, será a candidata, também com chance. Nos dois casos, os autores tucanos seguiriam falando sozinhos.

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*LUIZ GUILHERME PIVA, economista e cientista político, é diretor da LCA Consultores. Publicou “A Miséria da Economia e da Política” (Manole).

Link para assinanteshttp://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po1404201110.htm

Caso de Jair Bolsonaro: Noblat critica ‘fascismo do bem’ do PT que age em nome da liberdade e democracia

O ‘fascismo do bem’

Fonte: Ricardo do Noblat – Blog do Noblat

Imaginem a seguinte cena: em campanha eleitoral, o deputado Jair Bolsonaro está no estúdio de uma emissora de televisão na cidade de Pelotas. Enquanto espera a vez de entrar no ar, ajeita a gravata de um amigo. Eles não sabem que estão sendo filmados. Bolsonaro diz: “Pelotas é um pólo exportador, não é? Pólo exportador de veados…” E ri.

A cena existiu, mas com outros personagens. O autor da piada boçal foi Lula, e o amigo da gravata torta, Fernando Marroni, ex-prefeito de Pelotas. Agora, imaginem a gritaria dos linchadores “do bem”, da patrulha dos “progressistas”, da turma dos que recortam a liberdade em nome de outro mundo possível… Mas era Lula!

Então muita gente o defendeu para negar munição à direita. Assim estamos: não importa o que se pensa, o que se diz e o que se faz, mas quem pensa, quem diz e quem faz. Décadas de ditaduras e governos autoritários atrasaram o enraizamento de uma genuína cultura de liberdade e democracia entre nós.

Nosso apego à liberdade e à democracia e nosso entendimento sobre o que significam liberdade e democracia são duramente postos à prova quando nos deparamos com a intolerância. Nossa capacidade de tolerar os intolerantes é que dá a medida do nosso comprometimento para valer com a liberdade e a democracia.

Linchar Bolsonaro é fácil. Ele é um símbolo, uma síntese do mal e do feio. É um Judas para ser malhado. Difícil é, discordando radicalmente de cada palavra dele, defender seu direito de pensar e de dizer as maiores barbaridades.

A patrulha estridente do politicamente correto é opressiva, autoritária, antidemocrática. Em nome da liberdade, da igualdade e da tolerância, recorta a liberdade, afirma a desigualdade e incita a intolerância. Bolsonaro é contra cotas raciais, o projeto de lei da homofobia, a união civil de homossexuais e a adoção de crianças por casais gays.

Ora, sou a favor de tudo isso – e para defender meu direito de ser a favor é que defendo o direito dele de ser contra. Porque se o direito de ser contra for negado a Bolsonaro hoje, o direito de ser a favor pode ser negado a mim amanhã de acordo com a ideologia dos que estiverem no poder.

Se minha reação a Bolsonaro for igual e contrária à dele me torno igual a ele – eu, um intolerante “do bem”; ele, um intolerante “do mal”. Dois intolerantes, no fim das contas. Quanto mais intolerante for Bolsonaro, mais tolerante devo ser, porque penso o contrário dele, mas também quero ser o contrário dele.

O mais curioso é que muitos dos líderes do “Cassa e cala Bolsonaro” se insurgiram contra a censura, a falta de liberdade e de democracia durante o regime militar. Nós que sentimos na pele a mão pesada da opressão não deveríamos ser os mais convictamente libertários? Ou processar, cassar, calar em nome do “bem” pode?

Quando Lula apontou os “louros de olhos azuis” como responsáveis pela crise econômica mundial não estava manifestando um preconceito? Sempre que se associam malfeitorias a um grupo a partir de suas características físicas, de cor ou de origem, é claro que se está disseminando preconceito, racismo, xenofobia.

Bolsonaro deve ser criticado tanto quanto qualquer um que pense e diga o contrário dele. Se alguém ou algum grupo sentir-se ofendido, que o processe por injúria, calúnia, difamação. E que peça na justiça indenização por danos morais. Foi o que fizeram contra mim o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Mas daí a querer cassar o mandato de Bolsonaro vai uma grande distância.

Se a questão for de falta de decoro, sugiro revermos nossa capacidade seletiva de tolerância. Falta de decoro maior é roubar, corromper ou dilapidar o patrimônio público. No entanto, somos um dos povos mais tolerantes com ladrões e corruptos. Preferimos exercitar nossa intolerância contra quem pensa e diz coisas execráveis.

E tudo em nome da liberdade e da democracia…

 

Polícia Federal comprova mensalão do PT e diz que esquema também envolve Fernando Pimentel, para oposição tese de Lula é desmontada

Relatório da PF traz novas provas do mensalão

Fonte: O Globo

Documento divulgado pela revista ‘Época’ faz revelações sobre esquema e envolve ministro Fernando Pimentel

BRASÍLIA. Relatório final da Polícia Federal no caso do mensalão do PT enviado ao Supremo Tribunal Federal confirma o pagamento de propina a deputados e desvio de dinheiro público para custear campanhas eleitorais.

O documento de 332 páginas, divulgado pela revista “Época”, revela que Freud Godoy, amigo e ex-segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu ter recebido dinheiro do valerioduto, esquema comandado por Marcos Valério. Entre os novos personagens citados no relatório da PF consta também Fernando Pimentel, atual ministro do Desenvolvimento, e Romero Jucá, líder do governo no Senado.

Em depoimento à PF, Freud diz que os R$ 98 mil que sua empresa, a Caso, recebeu em janeiro de 2003, já no governo Lula, eram para pagar os serviços que ele prestou para a campanha petista à Presidência em 2002. Segundo a “Época”, no depoimento, Freud disse que o dinheiro pagou parte da conta de R$ 115 mil por serviços de “segurança, alimentação, transporte e hospedagem de equipes de apoio”.

Em setembro de 2006, quando veio a público a informação sobre o pagamento por Marcos Valério – o operador do mensalão petista-, Freud se calou. O ministro do Desenvolvimento do governo Dilma, Fernando

Pimentel, também é citado no relatório da PF como sendo um dos beneficiários diretos do mensalão. Os investigadores identificaram um pagamento, em 2004, de R$ 247 mil da SMP&B para Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte. Intimado pela PF, Fernandes se negou a responder às perguntas.

Por meio de sua assessoria, o ministro Fernando Pimentel disse desconhecer o relatório da PF, por isso não pode se manifestar sobre o que foi publicado. Pimentel ressaltou que sua prestação de contas da campanha de 2004 foi aprovada sem ressalvas pela Justiça eleitoral.

Ainda segundo a revista, o relatório assegura que recursos do Fundo Visanet foram repassados para empresas de Marcos Valério e de lá abasteceram políticos da base do governo petista. Segundo a PF, isso só foi possível porque a verba publicitária do Banco do Brasil, que em parte era operada via esse fundo, não tinha fiscalização adequada.

No total, as empresas de Valério receberam, de contratos com o governo Lula, R$ 350 milhões, sendo que R$ 68 milhões tinham como origem o Visanet. “O adiantamento de recursos vinculados ao Visanet configurava, assim, uma das principais fontes de recursos do esquema montado por Marcos Valério para o financiamento político e consequentemente montagem de redes de influência, vez que o desvio desta verba era facilitado pela total inexistência de qualquer contrato formal para sua execução”, diz trecho do relatório.

O nome do senador Romero Jucá aparece porque, segundo a PF, dinheiro do Visanet teria sido repassado à empresa DNA, de Marcos Valério, e de lá para a Alfândega Participações, pertencente a Álvaro Jucá, irmão do senador.

Foram R$ 650 mil, e a PF não ficou satisfeita com explicações dadas pela empresa sobre a aplicação dos recursos. O senador diz que não tem envolvimento com o caso. Afirmou que seu irmão era sócio de um shopping que teve negócios com o Banco do Brasil e não com Valério.

O advogado de Marcos Valério, Marcelo Leonardo, diz que o resultado final da investigação da PF não deverá ser aproveitado na ação penal sobre o mensalão. Segundo ele, o inquérito não teria valor jurídico, pois investigou em paralelo – e sem envolvimento das partes.

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Relatório da PF confirma existência do mensalãoInvestigação comprova pagamentos de empresas de Marcos Valério a segurança de Lula e cita políticos como o hoje ministro Fernando Pimentel

Fonte: Estado de S.Paulo

Relatório final da Polícia Federal confirma a existência do mensalão no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Após seis anos de investigação, a PF concluiu que o Fundo Visanet, com participação do Banco do Brasil, foi uma das principais fontes de financiamento do esquema montado pelo publicitário Marcos Valério. Divulgado pela revista Época, o documento de 332 páginas vai contra a alegação do ex-presidente Lula de que o mensalão seria uma farsa montada pela oposição.

O relatório aponta que, dos cerca de R$ 350 milhões recebidos pelas empresas de Valério no governo Lula, a maior parte dos recursos destinados a pagamentos políticos saiu do fundo.

As investigações da PF confirmaram que o segurança Freud Godoy, que trabalhou com Lula nas campanhas presidenciais de 1998 e 2002, recebeu R$ 98,5 mil do esquema do valerioduto, como revelou o Estado em setembro de 2006. A novidade é que Freud contou à PF que se tratava de pagamento dos serviços de segurança prestados a Lula na campanha de 2002 e durante a transição para a Presidência – configurando uma ligação próxima do ex-presidente com o mensalão. Freud disse que o dinheiro serviu para cobrir parte dos R$ 115 mil que o PT lhe devia.

O relatório da PF apontou o envolvimento no esquema do mensalão – direta ou indiretamente – de políticos como o hoje ministro petista Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio). Rastreando as contas do valerioduto, os investigadores comprovaram que Rodrigo Barroso Fernandes, tesoureiro da campanha de Pimentel à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2004, recebeu cheque de R$ 247 mil de uma conta da agência SMP&B no Banco Rural. O documento cita ainda seis deputados, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), um ex-senador e o ex-ministro tucano Pimenta da Veiga.

Dantas. Segundo a revista Época, a PF confirmou que o banqueiro Daniel Dantas tentou garantir o apoio do governo petista enviando dinheiro às empresas de Valério. O então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, teria pedido ao banqueiro ajuda de US$ 50 milhões, depois de uma reunião entre Dantas e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu. Pouco antes de o mensalão vir a público, uma empresa controlada por Dantas fechou contratos com Valério. Segundo a PF, houve tempo suficiente para que R$ 3,6 milhões fossem repassados ao publicitário.

Pelas investigações, os empréstimos que a defesa de Valério apontou como origem do dinheiro do mensalão não se comprovaram e esses papéis serviram somente para dar cobertura jurídica a uma intrincada operação financeira.

A PF aponta duas fontes de recursos para o valerioduto. A principal eram os contratos do publicitário com ministérios e estatais – principalmente o do Visanet, via Banco do Brasil. A outra fonte de receitas eram os pagamentos de empresas pelo lobby que Valério fazia junto ao governo do PT.

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Para oposição, documento desmonta tese de Lula

Fonte: Karla Mendes – O Estado de S.Paulo

Integrantes da oposição disseram ontem que o relatório final da Polícia Federal prova de vez aexistência do mensalão e joga por terra a tese de que o esquema de corrupção denunciado na CPI era uma “farsa”.

“Diante de um relatório contundente como esse, o PT não vai ter como contestar mais, a título histórico, aexistência do mensalão. E o ex-presidente Lula, que mostrou o desejo de desmontar essa história, não vai conseguir desmentir o mais grave escândalo de corrupção que ocorreu no coração do governo dele”, afirmou o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), que era sub-relator da CPI dos Correios.

O deputado está otimista com a perspectiva de que, a partir desse relatório, o Supremo Tribunal Federal (STF) não deixará o episódio “passar em branco” e apurará a responsabilidade de cada um dos envolvidos no esquema.

“O mensalão aconteceu. Foi mais do que demonstrado. O PT só reconheceu que era caixa 2, mas não levaram uma pessoa sequer na CPI para demonstrar isso”, ressaltou o deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). O parlamentar, que era relator da CPI, destacou que a tese do PT nunca se sustentou. “Não era período eleitoral. Estava longe disso. E, se era caixa 2, era só levar o relatório de pagamentos.”

“Nexo”. Para representantes da bancada governista, o documento não altera a versão petista. “Não tem fato novo. O relatório apenas mostra a atuação das empresas de Marcos Valério e fazem um nexo que não tem nexo”, disse o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). Ele sustentou que houve apenas um erro confesso: o caixa 2. “O que eu posso dizer é que não houve transferência de dinheiro público, muito menos a acusação do procurador de formação de quadrilha.”

André Vargas, secretário de comunicação do PT, amenizou a divulgação, dizendo que é apenas uma investigação e ainda tem de passar pelo crivo do Judiciário. “O mensalão é tese da oposição, que a mídia e a Polícia Federal compraram. O Judiciário é que vai dar a última palavra”, argumentou. Ele descaracterizou as acusações de que o volume de dinheiro envolvido no esquema visava a pagar parlamentares para votar favoravelmente às matérias de interesse do governo no Congresso.

“Qual a influência que o José Dirceu exerceu? Houve um empréstimo que ele tinha feito no BMG. O dinheiro foi para quitar dívidas eleitorais. Como é que ele ia pagar R$ 50 mil para o presidente da Câmara votar a favor do governo?”, questionou Vargas, referindo-se ao então presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP).

Vicentinho. O deputado Vicentinho (PT-SP) se defendeu das acusações de envolvimento no esquema de corrupção – que teria ocorrido por meio de Nélio José Batista Costa, produtor de sua campanha para a Prefeitura de São Bernardo do Campo, que recebeu R$ 17 mil da Estratégia Marketing, empresa de Marcos Valério, em 5 de agosto de 2004, de acordo com o relatório da PF.

“A empresa que fez a minha campanha era do Marcos Valério mesmo. Mas isso foi em 2004, antes do mensalão. A minha pergunta é: o que eu tenho a ver com isso?”

O deputado argumenta que não conhece Nélio. “Não conheço, nem sei desse pagamento. Na campanha, trabalha muita, gente”, justificou. “Se esse Nélio era funcionário e a empresa pagou por isso, não vejo onde está o problema. Não sou corrupto.

Aécio, Anastasia, Lula e Dilma prestam a última homenagem a José Alencar no Palácio da Liberdade

Homenagem e política no adeus a Alencar

Fonte: Thiago Herdy – O Globo

Durante velório, Lula afirma que, ao se afastar dez dias da política, ficou desorientado e louco por uma reunião

BELO HORIZONTE. Uma fila obediente dava voltas na Praça da Liberdade, no coração de Belo Horizonte, quando o caminhão de Bombeiros apontou no lado oposto do Palácio da Liberdade, antiga sede do governo de Minas.

O carro com o corpo de José Alencar cruzou a praça em meio a quatro mil pessoas com vontade de ver pela última vez o homem que não via o câncer como palavra feia, ao tratar a doença com tranquilidade em entrevistas. O que elas não sabiam é que, intimamente, Alencar viveu momentos de grande sofrimento.

E refletia sobre até que ponto valia continuar aquele sacrifício, se diminuir o volume de remédios seria uma forma de não perder o gosto pela vida. Era um dilema que Alencar compartilhava com o ex-presidente Lula. Essa foi a primeira lembrança que Lula citou ao chegar ao velório e encontrar o senador Aécio Neves (PSDB). Foi o primeiro encontro dos dois adversários desde que Lula deixou o poder.

Mas, apesar da promessa de oposição altiva ao governo petista, seguidamente repetida por Aécio, a relação dos dois parece ter voltado ao clima que marcou os últimos oito anos.

– Vamos nos encontrar para conversar um pouco, em Brasília ou qualquer lugar por aí – disse Lula a Aécio. – Dez dias fora da política, já estou desorientado, estou louco para fazer pelo menos uma reunião – continuou Lula. – É, política só tem mesmo porta de entrada, não tem jeito de sair – respondeu o tucano. O ex-presidente contou ao mineiro que nas próximas semanas pretende fazer viagens pelo Brasil. Aécio comentou que também tem sido muito cobrado para viajar, mas brincou dizendo que Lula, agora, está em outro patamar: virou um político que se coloca praticamente acima de questões partidárias.

Aécio levou Lula para cumprimentar a irmã, Andréa, e a mãe, Inês Maria. Do outro lado do caixão, a presidente Dilma Rousseff conversava com os bisnetos de Alencar, ao lado da mulher de Lula, Marisa Letícia, e da viúva Mariza. A conversa foi interrompida para o início de uma oração, celebrada pelo arcebispo de BH, Dom Walmor Oliveira. Olhando para Alencar no caixão, Lula chorou mais uma vez. Dilma dividia o olhar entre o caixão e o ex-presidente à sua frente, como se temesse que o amigo passasse mal.

Aécio Neves passa mal e precisa de atendimentoPor ficar em pé ao lado do caixão por quase duas horas, Aécio não aguentou e saiu às pressas da cerimônia. Branco, suando e quase sem conseguir andar, o senador precisou ser atendido por paramédicos. O susto durou 20 minutos. Pouco tempo depois ele desceu e se encontrou novamente com Lula, Dilma, o governador mineiro, Antonio Anastasia, e a família de Alencar. Aécio levou Dilma e Lula até o carro na hora de eles deixarem o velório. – Marcamos para conversar um pouco mais aí para frente – repetiu Lula.

O corpo de José Alencar foi levado em uma limusine preta até o Cemitério e Crematório Parque Renascer, na Grande BH, onde foi cremado depois de três salvas de tiros de festim e 21 tiros de canhão.

‘Esta história não vai parar
Professora continua busca para ser reconhecida como filha

BELO HORIZONTE. A professora aposentada Rosemary de Morais, de 55 anos, que pleiteia na Justiça ser reconhecida como filha do ex-vice-presidente da República José Alencar, disse ontem ter ficado muito chateada por não ter tido a chance de resolver a questão da paternidade com ele ainda em vida. De Caratinga, no interior de Minas Gerais, ela assistiu pela televisão à cobertura do velório e da cremação do suposto pai.

– Não fui a Belo Horizonte porque não ia ser bem aceita lá. Queria ter conversado com ele em vida, para mostrar quem eu sou, a filha que ele tem. Todo pai gosta de conhecer a pessoa que ele colocou no mundo. Agora, não adianta mais – disse a professora.

Perguntada se temia não conseguir mais obter material genético para exame de DNA do suposto pai, por causa da cremação do corpo, ela disse não saber o impacto disso no processo.

– Não entendo os detalhes. A única coisa que eu sei é que esta história não vai parar – disse a professora, demonstrando interesse em continuar brigando pelo reconhecimento da suposta paternidade.

O caso ainda está em curso no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, a quem os advogados de Alencar recorreram depois de o juiz de Caratinga José Antônio Cordeiro autorizar a professora a ser registrada com o sobrenome do ex-vice-presidente. Alencar sempre se recusou a fazer o exame de DNA. Para o advogado da professora, Geraldo Jordan de Souza, cabe à família do político contestar a alegação de paternidade, uma vez que já existe uma decisão favorável à sua cliente na Justiça.

Rosemary tinha 43 anos quando a mãe lhe mostrou a foto do filho de Alencar no jornal, Josué Gomes da Silva, dizendo-lhe que ele era seu irmão. Durante a campanha de Alencar ao Senado, em 1998, conseguiu se aproximar do suposto pai e dizer que era sua filha. Um assessor anotou seus telefones, mas ela nunca mais conseguiu fazer novos contatos.

Segundo Rosemary, sua mãe, a enfermeira Francisca Nicolina de Morais, teria ficado grávida de Alencar na época em que ele ficou noivo, por isso os dois não se encontraram novamente.

Anos depois, questionado sobre o motivo de não ter aceitado fazer o exame de paternidade, Alencar insinuou que Francisca era prostituta, dizendo que “são milhões de casos de pessoas que foram à zona”.

– Ele era considerado um homem íntegro e justo por todos. Mas, comigo, faltaram esses detalhes muito importantes. Nada justifica um pai não reconhecer um filho – disse ela.

José Alencar: Em meio à luta contra a doença, fidelidade a Lula, críticas às taxas de juros e até polêmica sobre paternidade

Dupla de Silvas virou sinônimo de popularidade

Fonte: O Globo

Em meio à luta contra a doença, fidelidade a Lula, críticas às taxas de juros e até polêmica sobre paternidade

Nas eleições de 1989, o industrial mineiro José Alencar Gomes da Silva entrou na cabine eleitoral disposto a cravar o número 13 e eleger presidente o ex-operário Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da urna, contudo, recuou e anulou o voto. “Tive medo”, admitiu. Treze anos depois, emprestaria o nome e o prestígio acumulado no mundo do capital para compor a chapa vitoriosa de Lula e do Partido dos Trabalhadores.

A “conversão” de Alencar começou num bate-papo entre mineiros, em 2000. Após desentendimentos com o governador Itamar Franco, ele confidenciou ao então deputado petista Nilmário Miranda: “Penso em marchar com a esquerda”. A aproximação se iniciou numa grande festa, em dezembro do mesmo ano, celebração dos 50 anos de vida empresarial de Alencar. Para contar com Lula, a data do evento foi até adiada. Dois meses depois, os dois jantaram juntos e Alencar disse o que aguardava do futuro governo: sensibilidade social, probidade administrativa, sentimento nacionalista.”Tive amor à primeira vista”, disse Lula em 2001.

Infância pobre em Minas
A empatia pode se explicar no passado de ambos: eles têm o mais brasileiro dos sobrenomes, não passaram do ensino fundamental, nasceram no interior do país num mês de outubro, foram líderes sindicais e casaram-se com mulheres com o mesmo nome: Marisa – no caso de Alencar, Mariza.

O Silva que ficou bilionário nasceu pobre, em Itamuri, povoado da cidade de Muriaé, em Minas. Foi o 11o- dos 15 filhos de Antônio Gomes da Silva, pequeno comerciante, e Dolores Peres Gomes da Silva, dona de casa. “O recém-nascido trazia consigo dons e atributos de um predestinado”, relata, sem modéstia, o perfil de Alencar no site da Coteminas, o conglomerado têxtil que criou.

Alencar estudou até a 1a- série do antigo curso ginasial, numa escola de taipa. Aos 7 anos, trabalhava com o pai na pequena loja de tecidos da família.

Aos 14, achou que deveria ganhar o mundo. Mudou-se para Muriaé. Era vendedor na loja A Sedutora. Dormia no corredor de um pequeno hotel – o salário não dava para pagar um quarto. Quatro anos depois, foi para Caratinga e, com dinheiro emprestado pelo irmão Geraldo – 15 mil contos -, abriu a primeira loja, A Queimadeira, de tecidos baratíssimos. Foi a semente do império que hoje, além da Coteminas – holding das marcas Artex, Calfat, Santista e Garcia, que emprega em 11 fábricas mais de 16 mil pessoas -, inclui negócios em hotelaria e agropecuária, especialmente criação de gado nelore e produção de cachaças artesanais, orgulho de Alencar.

O comando dos negócios passou ao filho mais velho, Josué Cristhiano, quando Alencar completou 60 anos e começou a pensar na aposentadoria.

Imaginou três destinos para si: um curso supletivo e o vestibular para Direito, ir para o exterior estudar línguas ou, claro, a política. Apesar do gosto pelo estudo, sempre feito de forma autodidata e com professores particulares, ficou com a última opção. Filiou-se ao PMDB.

Alencar atuou no sindicalismo patronal. Presidiu a Fiemg, a federação das indústrias mineiras. Mas não experimentara a política partidária. Começou por cima: em 1994, concorreu ao governo mineiro. Perdeu, e o estudo no exterior voltou à mente. Durou pouco. Em 98, foi eleito senador com mais de três milhões de votos, em campanha milionária bancada por ele. No Senado, apesar de ser do PMDB, Alencar não seguia à risca as orientações do governo.

Apoiou, por exemplo, a criação de uma CPI da Corrupção para investigar o governo Fernando Henrique. O presidente pediu-lhe pessoalmente que revisse a decisão, sem sucesso. Alencar enviou-lhe uma carta explicando as razões. E foi perdoado: foi convidado para ser ministro.

Em janeiro de 2001, foi jantar a sós com Fernando Henrique no Palácio da Alvorada. Ao pisar os salões de mármore, notou que os sapatos rangiam constrangedoramente. Eram mocassins suíços de couro, da marca Bally, novíssimos – uma de suas poucas concessões à vaidade. Justificou-se ao anfitrião: “Aprendi que devemos usar a melhor roupa para encontrar uma autoridade”.

O ano de 2001 também marcou o início da aproximação com Lula, que sonhava em ampliar alianças para chegar ao poder. O petista não foi o único a cortejar Alencar, que trocara o PMDB pelo ex-PL, hoje PR. Na disputa de 2002, Anthony Garotinho e Ciro Gomes também o assediaram. O namoro com Lula, porém, já estava engatado.

Em plena articulação da aliança, Alencar recebe o diagnóstico de câncer na próstata. Não era o primeiro tumor – em 1997, fora operado no rim e no estômago, no mesmo dia -, mas passou por nova cirurgia e se recuperou bem. As primeiras suspeitas da doença – não confirmadas – ocorreram em 1959. Com dois anos de casada, Mariza Gomes fez uma promessa: não usaria mais joias. Até hoje carrega apenas a aliança.

Logo depois da retumbante vitória e da posse apoteótica em Brasília, a paixão entre Lula e o ex-vice teve abalos. No poder, Alencar manteve o discurso de campanha – e de oposição. Atacar sem tréguas a taxa de juros se tornou bordão em discursos e entrevistas. Num país acostumado aos oito anos de silêncio de Marco Maciel, o vice de Fernando Henrique, as palavras duras de Alencar incomodavam o Planalto.

Discurso contra juros e CPMF
Em março de 2003, o ex-vice disse que havia irresponsabilidade fiscal no país. Em abril, pediu uma reforma tributária que não fosse um “arremedo” e condenou a cobrança da CPMF: “Não precisa existir CPMF, não pode existir. Ou então que exista só ela”. No meio daquele ano, confessou a amigos sentir-se desalojado no governo.

E reforçou: “É quase uma revolução democrática e específica questionar o regime de juros no Brasil”. Em agosto, deu o ano por perdido: “A saída não é pelo Copom. A saída é pelo trabalho, pela produção”. As críticas, contudo, eram acompanhadas de elogios ao ex-ministro Antonio Palocci e, claro, a Lula.

Em novembro de 2004, Alencar ganha de Lula a difícil missão de assumir o Ministério da Defesa após uma crise no Exército desencadeada com a divulgação de fotos erroneamente identificadas como sendo do jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime militar em 1975. Alencar substituiu o diplomata José Viegas com o discurso conciliador dos mineiros. Ficou no cargo até maio de 2006. Sem deixar as críticas à economia. “Nosso discurso de campanha ainda não assumiu o poder”, disse, em março de 2005.

O ano de 2005 foi tomado pelas denúncias do esquema do mensalão. Alencar, então do PL, um dos partidos atingidos, sempre defendeu o presidente, isentando-o de qualquer responsabilidade pelos delitos. Mas ele estava com Lula no apartamento em que José Dirceu e Valdemar Costa Neto negociaram repasses do PT ao PL. A versão oficial é de que Lula e Alencar não ouviram, porém, a conversa.

Antes do escândalo, cresceram até especulações de que Lula gostaria de disputar a reeleição com outro vice. Mas, em 2006, reeditaram a chapa vitoriosa dos Silva, com Alencar pelo novíssimo PRB, ligado à Igreja Universal. O câncer voltou em julho daquele ano eleitoral. Alencar retirou um tumor de quatro centímetros da região abdominal. Internado, assumiu a Presidência. Ao sair do hospital, disse: “O médico me deu alta. Daqui para a frente ele não manda
mais.”

Teste de DNA foi recusado
Em 2010, os brasileiros tomaram conhecimento da tentativa, por meio de ação na Justiça, da professora aposentada Rosemary de Morais, hoje com 55 anos, de ser reconhecida como filha de Alencar. Ela seria fruto de um relacionamento do ex-vice-presidente com Francisca Nicolina de Morais em 1955. Ela foi à Justiça para tentar obrigá-lo a reconhecer a paternidade, mas ele se negou e recorreu. O então vice alegou que conheceu a mãe de Rosemary numa zona de prostituição. “Todo mundo que foi à zona um dia pode ser pai. São milhões de casos de pessoas que foram à zona”, declarou na época. Procurada ontem, Rosemary não quis falar. Pelo marido, afirmou que ficou triste com a morte de Alencar, mas que o assunto está encerrado.

O escândalo veio à tona quando já era pública a doença de Alencar, cujo sofrimento de internações em internações comovia brasileiros. Afinal, ele sempre falou do câncer com otimismo e rara transparência. À saída de mais uma internação, em 6 de janeiro de 2008, o sorriso pareceu hesitante pela primeira vez: “Rezem por mim. O negócio está feio”.

Mas foi vitorioso na luta contra a doença ainda por mais de dois anos. No início de 2009, disse que não tinha medo da morte: era preciso encará-la.

Em agosto do mesmo ano, chegou a dizer que, se pudesse comemorar seu aniversário – em outubro -, seria porque o tratamento o fez “renascer”. Alencar fez, ao todo, 17 cirurgias em 13 anos. Ano passado, foi homenageado com o Prêmio Faz Diferença, do GLOBO, pela transparência que deu à luta contra o câncer.

 

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