Arquivo

Posts Tagged ‘Geraldo Alckmin’

Aécio Neves diz que após uma ano de gestão da presidente Dilma, oposição terá uma postura mais dura com o governo

Oposição, combate ao malfeito, reformas, gestão do PT

Fonte: Redação do Jogo do Poder

“Certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país”

A oposição deverá ter uma postura mais dura com a presidente Dilma Rousseff. Para o senador Aécio Neves, o governo do PT deixou de liderar no primeiro ano de gestão a discussão que poderia promover as principais reformas do país. Ontem em São Paulo, após encontro político com o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aécio disse que a oposição será mais ‘contundente’ nas cobranças.

–  Eu vejo muito esta avaliação de que a oposição deveria ser mais contundente, o senador Aécio em especial deveria ser mais duro. Todos nós temos as nossas circunstâncias. Acho que o primeiro ano é o ano do governo. O que deve estar sendo questionado neste ano não é um tom mais ou menos virulento das oposições. O que teria de estar sendo questionado é a absoluta ausência de iniciativa do governo federal nas questões estruturantes. Onde está a reforma política que precisa ser conduzida. Não há a possibilidade – fala aqui um congressista de muitos mandatos, ex-presidente da Câmara -, não há possibilidade no Brasil, que vive hoje quase que um estado unitário, não há possibilidade de nenhuma reforma estruturante, ser aprovada sem que o governo federal esteja à frente dela.

Aécio Neves comentou ainda que o governo da presidente Dilma perdeu a oportunidade de impor as reformas com a colaboração da oposição. O senador acredita que em ano eleitoral o governo não tomará nenhuma iniciativa que mexa com a estrutura do país. Ele criticou o fato de o governo continuar surfando nos dados relativos à questão econômica.

–  Ai eu pergunto, onde está a reforma política que poderia, pelo menos ordenar um pouco mais essa farra de partidos políticos que se transformou o Congresso Nacional? Onde está a reforma tributária que podia caminhar no sentido da simplificação do sistema e da diminuição da carga tributária? Onde está a reforma da Previdência pelo menos para os que estão entrando agora na vida útil trabalhista? Onde está a própria reforma do estado brasileiro? Esse gigantismo do Estado, para que serve? Só que o ambiente futuro não será o que vivemos nos últimos anos. E aí, certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país – lamentou.

O senador teme que o ambiente futuro pode não ser tão próspero como nos últimos anos e que a falta de iniciativa do governo Dilma Rousseff possa comprometer o crescimento do país com a perda de competitividade no cenário mundial.

–  Certamente, as pessoas vão perceber de forma muito clara que perdeu-se uma enorme oportunidade de fazer, no primeiro ano, mudanças aí sim que fossem estruturantes e positivas para o país. O primeiro ano foi nulo e o governo foi refém da armadilha que ele se impôs.

Aécio voltou a criticar a visão simplista da cúpula do PT, sintetizada na defesa do malfeito que o ex-ministro do Governo Lula e réu do mensalão José Dirceu faz da atual gestão do governo federal.

–  A montagem de uma base extremamente heterogênea com denúncias de todo o lado e terminando ainda talvez com essa, que seja visão do PT, não digo nem de todo, mas de uma parcela do PT sintetizada pela voz do blogueiro-mor José Dirceu: a corrupção não é do governo, a corrupção é no governo.


Aécio Neves: “Não professo o ‘quanto pior melhor’, comentou o senador sobre artigo de Josias de Souza

Fonte: Blog do Josias de Souza – Portal UOL

Aécio: ‘Eu não confundo adversário com inimigo’

‘Melhor uma articulação silenciosa do que um discurso acirrado’

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) rebateu as críticas de aliados da oposição que se declaram decepcionados com seu desempenho político. Apontado como acomodatício, declara: “Não confundo adversário com inimigo, nem tampouco governo com país.”

Aos que o acusam de negligenciar o papel de oposicionista, diz: “Não professo o ‘quanto pior melhor’ (máxima dos nossos adversários, quando ainda na oposição).”

Àqueles que consideram que foge das polêmicas que lhe renderiam uma visibilidade compatível com suas pretensões presidenciais, afirma: “A minha forma de atuação política confronta-se com ideia de que haveria, de minha parte, uma verdadeira obsessão pela Presidência. Jamais a tive.”

Acrescenta que, se fosse obcecado pelo Planalto, “provavelmente já teria vestido, por razões de estratégia, um figurino político que agradasse especialmente a determinados interlocutores. Estaria empenhado em jogar para a platéia.”

Considera mais importante “para o país uma articulação silenciosa do que um discurso acirrado”. Reafirma: “Há algum tempo, […] coloquei meu nome à disposição do partido como um dos pré-candidatos da nossa legenda para 2014.” Mas realça: “Deixei claro que o partido conta com outros nomes do gabarito de José Serra, Geraldo Alckmin, Marconi Perillo e Beto Richa, por exemplo.”

As críticas a Aécio foram veiculadas aqui no blog. A resposta do senador foi enviada ao repórter por escrito. No texto, Aécio anota que não está sendo no Senado senão Aécio: “Tenho dificuldade de entender as surpresas ou frustrações que alguém possa ter com o fato de eu continuar sendo o que sempre fui e a fazer o que sempre fiz na minha vida pública.”

Abaixo, a íntegra da manifestação do senador, recebida na noite desta segunda-feira (9):

Caro Josias, pelo respeito que tenho a você e aos seus leitores, tomo a liberdade de tecer alguns comentários sobre a análise publicada no seu blog acerca da minha atuação política no Senado.

Primeiro, faço questão de registrar que a recebo com absoluta naturalidade, assim como toda e qualquer crítica política. No lugar de combatê-las ou justificá-las, mesmo que muitas vezes não concorde com elas, tenho procurado, na medida do possível, aprender com cada uma delas.

Foi justamente com esse espírito que refleti sobre a análise e opinião, ainda que anônima, de aliados das oposições, sobre o exercício do meu mandato como senador por Minas Gerais.

Os que conviveram e ainda convivem comigo no curso de diferentes mandatos – como deputado federal, líder de partido, presidente da Câmara e governador de Minas – sabem que há pelo menos 25 anos faço política da mesma forma. E o faço não por conveniência, mas por convicção.

Neste sentido, repito: não confundo adversário com inimigo, nem tampouco governo com país. Não acredito em projetos que demonizam lideranças, destroem reputações pessoais, utilizam tragédias alheias para fazer demagogia e proselitismo, assim como não professo o “quanto pior melhor” (máxima dos nossos adversários, quando ainda na oposição), ou seja, a crítica pela crítica, sem ter a responsabilidade de dimensionar a complexidade dos problemas e dos desafios que o Brasil tem à frente e os caminhos possíveis.

Foram estes – e não outros – os valores que guiaram minha ação política, no sentido de denunciar, reiteradas vezes, o grave aparelhamento do Estado nacional e o compadrio como meio de manter e expandir uma incomparável base de apoio congressual, cuja contrapartida foi, e ainda é, o mando sobre extensas áreas da administração federal, em cujo cerne estão as inúmeras denúncias de desvios e quedas de ministros;  a perda de autonomia do Legislativo e o hiperpresidencialismo; a anemia do pacto federativo e a consequente subordinação dos entes federados diante da maior concentração de recursos no âmbito federal da história republicana. E ainda a vistosa coleção de distorções geradas pela má gestão – ausência de planejamento, imobilismo executivo, baixa qualidade do gasto público, entre tantos outros.

Tendo como base estas e outras teses, trabalhei uma nova proposta para o rito das MPs, aprovada por unanimidade no Senado; para contribuir com a busca de algum senso de justiça à distribuição nacional dos royalties do minério e do petróleo; para recompor os fundos de participação de Estados e municípios e proibir o inexplicável contingenciamento dos recursos em áreas essenciais como a segurança pública.

Apresentei proposta que nos possibilita abrir novos caminhos no desafio da educação e emenda à LDO para dar mais transparência e controle aos gastos públicos. E cobramos, intensamente, promessas não cumpridas, como a desoneração de áreas como saneamento e energia; estadualização de rodovias federais, entre outros muitos temas da agenda nacional.

Acredito que fiz o que era meu dever, ainda que não ignorasse a hegemonia do governismo sobre a dinâmica política do Congresso Nacional. Como você bem sabe, o governo aprova no Congresso o que quer, como quer e quando quer, assim como derrota com facilidade o que não lhe apetece e o que não lhe convém, o que restringe enormemente qualquer iniciativa da oposição.

Basta recorrer aos números do primeiro ano desta legislatura e se constatará o óbvio: não só o senador Aécio, mas toda a oposição não conseguiu superar o rolo compressor imposto pelo governo.  Se a atuação da oposição se limitar, portanto, ao confronto legislativo, o resultado da nossa ação já será sempre previamente conhecido.  Acredito, por responsabilidade, que temos o dever de atuar no sentido de garantir os avanços possíveis em cada frente.

Pode não ser melhor para uma manchete de jornal ou para a imagem pessoal, mas acredito que, muitas vezes, é melhor para o país uma articulação silenciosa do que um discurso acirrado.

Nesse sentido, não abro mão da minha responsabilidade propositiva, nem tampouco das inúmeras tentativas de produzir mínimos consensos em torno de matérias fundamentais ao país.

Tudo isso posto, confesso que, de maneira geral, tenho dificuldade de entender as surpresas ou frustrações que alguém possa ter com o fato de eu continuar sendo o que sempre fui e a fazer o que sempre fiz na minha vida pública.

Em outras palavras, compreendo que haja quem não concorde comigo, mas como se surpreender por eu continuar atuando politicamente como sempre atuei?

A minha forma de atuação política confronta-se, irremediavelmente, com ideia de que haveria, de minha parte, uma verdadeira obsessão pela Presidência. Jamais a tive. Se a tivesse, provavelmente já teria vestido, por razões de estratégia, um figurino político que agradasse especialmente a determinados interlocutores. Estaria empenhado em jogar para a platéia.

Nunca fiz e não farei política assim, justamente porque não defino minhas ações em função de posições e posturas que nada tem a ver com a política em que acredito e que acabam por reduzir e amesquinhar valores e princípios a meros instrumentos  de luta pelo poder.

Há algum tempo, atendendo a diversos companheiros, coloquei meu nome à disposição do partido como um dos pré-candidatos da nossa legenda para 2014. E quando o fiz, deixei claro que o partido conta com outros nomes do gabarito de José Serra, Geraldo Alckmin, Marconi Perillo e Beto Richa, por exemplo.

Temos perfis diferentes. Essa é a grande riqueza do PSDB. Dentre vários quadros, o partido certamente saberá escolher aquele que melhor encarne os anseios da nossa legenda e da grande parcela da população que representamos.

Digo isso porque acredito que a responsabilidade de construirmos os próximos caminhos da oposição no Brasil é uma responsabilidade partilhada por todos que fizemos essa opção, e não pode ser colocada, por conveniência ou interesse, sobre os ombros de uma só pessoa, independente de quem seja.

Desculpe-me se me alonguei. Se achar válido, leve ao conhecimento dos leitores do seu blog.

Com os meus cumprimentos,

Aécio.

– Em tempo: Esclareço que não votei no 1º turno de votação da DRU na tentativa de estimular o único entendimento possível por meio da emenda, por nós apresentada, que reduzia o prazo da proposta para dois anos. Prevaleceu a ampla maioria do governo. Participei do 2º e decisivo turno, votando contra.

Registro ainda que essa mesma maioria mantém engavetada na Câmara a mudança no rito das MPs, mesmo o substitutivo tendo alcançado a unanimidade no Senado.

Link do artigo: http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/?s=A%C3%A9cio

PSDB: “Nós estamos começando a falar com uma nova voz. Agora é a voz dos que querem vencer”, disse Fernando Henrique em encontro de tucanos no Rio

Gestão Pública, Combate à Corrupção,  Administração Pública

Fonte:  Marcelo Mota e Guilherme Serodio – Valor Econômico

“PSDB tem que ser o partido do carinho e da equidade”, diz FHC

Nenhum candidato foi lançado, nenhum novo manifesto foi escrito, mas os tucanos presentes ao evento promovido ontem pelo Instituto Teotônio Vilela (ITV) saíram de lá com a sensação de que algo novo aconteceu. O que era para ser um evento alheio à agenda partidária, promovido por um órgão de difusão da doutrina social-democrata, acabou se tornando uma grande consagração entre tucanos que nem sempre se bicam, mas que ainda sonham com uma revoada de volta ao Planalto.

“Nós estamos começando a falar com uma nova voz. Agora é a voz dos que querem vencer”, disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, aplaudido de pé por uma plateia eufórica após o seu discurso de encerramento. FHC falou em união do partido, e tinha ao seu redor alguns dos principais nomes do PSDB, como o senador Aécio Neves, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o ex-governador do Estado José Serra, o presidente do partido, Sérgio Guerra e o presidente do ITV, Tasso Jereissati.

A montagem do evento havia sido confiada por Tasso a Elena Landau. Primeiro, subiram ao palco alguns dos pais do Plano Real, como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Persio Arida e Edmar Bacha. Pouco a pouco, os políticos converteram o tablado em tribuna.

“Um partido existe quando tem capacidade de se antecipar, de reinventar o futuro”, disse FHC. Depois de ter seu legado defendido pelos que o antecederam no palco e por uma cartilha distribuída na entrada, rechaçou “a pecha de que o PSDB não quer desenvolvimento” e conclamou seus correligionários a fazerem oposição e a pensarem o país.

Para Aécio, pensar o Brasil é essencial, mesmo que não seja “pensar sempre na mesma direção”. Falando em união e reconhecendo que a atual administração tem seus méritos, o presidenciável tucano procurava um tom de conciliação, depois de muita especulação sobre rusgas que dominaram os bastidores do partido às vésperas do evento. Boa parte delas dava conta de que José Serra evitaria comparecer. Entre os rumores para a ausência, desde uma suposta frustração de Serra por ter sido preterido para o ITV, que acabou nas mãos de Tasso, até possíveis divergências quanto à política econômica.

“Foi tudo futrica”, afirmou Serra, que alegou ter enfrentado dificuldade para encontrar um voo que o trouxesse de Londres a tempo e por isso não havia confirmado sua participação até a última hora. Chamado ao palco por Aécio, Serra ocupou a tribuna com um discurso de oposição que, em alguns pontos, foi mais ferrenho até do que se via em sua campanha à Presidência. “Trata-se de um governo de factóides, de salamaleques”, disse.

A esta altura, FHC já havia subido ao palanque, chamado também por Aécio, cujo papel seria de apresentar o ex-presidente. Esse arranjo deu conta do improviso necessário para encaixar Serra na programação. O senador mineiro, por sua vez, havia sido chamado efusivamente ao palco por Guerra, que discursara depois de Tasso, o anfitrião da festa. Em vez de mineiro, foi chamado por Guerra, em tom de brincadeira, de “o único senador carioca do PSDB”, em alusão à sua presença frequente no Rio. A brincadeira servia para legitimar o destaque que caberia a Aécio no evento, se não tivesse acabado dividindo a cena com Serra.

Imbuído do espírito de reunião partidária, FHC lançou um novo mote para o PSDB: “Tem que ser o partido do carinho e da equidade”. Mas o carinho embutia um ataque ao governo petista, que o ex-presidente acusa de não ter estratégia e pecar pela gestão. A equidade também carregava uma crítica ao que FHC chamou de um coletivismo do PT que “não respeita as pessoas”. “Não é só querermos mais, é querermos melhor”, arrematou.

Melhor em termos de juros, inclusive. O aperto monetário, que foi severo no governo FHC, foi combatido até por aqueles que ocupavam a presidência do Banco Central naquela gestão, como Gustavo Franco e Armínio Fraga. Outro vilão apontado por todos os palestrantes foi a política industrial da administração petista. Fraga atacou a atuação de órgãos do governo em fusões e aquisições, como o Cade e o BNDES.

Tomando o cuidado de não confundir sua crítica ao ataque desferido por Fraga, já que seu banco, o BTG Pactual, apoiou com veemência a tentativa de fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour defendida pelo BNDES, Arida se ateve a combater a tática de financiar setores da economia, discricionariamente, por meio de crédito subsidiado. Sua palestra surpreendeu pelo apelo político e foi encampada pelos caciques do partido que o sucederam no púlpito. Arida disse que, se BNDES e Caixa operassem com juros de mercado, a taxa básica seria menor para todos, enquanto os rendimentos da poupança e do FGTS seriam maiores.

O tipo de carinho ao qual FHC se referiu em seguida. Animado com a ideia de Arida, que considerou “revolucionária”, o ex-presidente chegou a arriscar um trocadilho em dois idiomas. A partir do mote de campanha de Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos, “Yes, we can [sim, nós podemos]”, lançou o “Yes, we care [sim, nós cuidamos]”.

PSDB trabalha pela renovação e busca novos caminhos – tucanos criticam leniência dos governos Lula e Dilma com a corrupção

Gestão Pública, Combate à Corrupção, loteamento de cargos públicos

Fonte: Luciana Nunes Leal – Estado de S.Paulo

Em busca de ‘renovação’, PSDB ataca Lula e Dilma

No Rio, FHC diz que Lula ‘deformou o que foi feito’; Aécio critica ‘governo de salamaleques’

Reunidos para discutir “a agenda dos próximos vinte anos” e a “renovação” do partido, políticos e teóricos do PSDB fizeram ontem um coro de duríssimas críticas aos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Grande homenageado do encontro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou a tese de que Lula deu continuidade às políticas de seu governo. “O governo do presidente Lula deformou o que foi feito antes. O programa que eles tinham era uma corrida para o abismo. Pegaram o nosso e executaram mal”, discursou Fernando Henrique, aplaudido de pé.

O ex-presidente foi encarregado de encerrar o seminário, que teve clima de reencontro, com antigos colaboradores do governo FHC, como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Gustavo Franco e os “pais” do Plano Real Edmar Bacha e Pérsio Arida. Os políticos, por sua vez, se esforçaram para minimizar as brigas internas e insistir que “divergir não é negativo”, como disse o presidente do partido, Sérgio Guerra (PE).

O ex-governador José Serra e o senador e ex-governador Aécio Neves (MG) chamaram atenção para as denúncias de corrupção que envolvem o primeiro escalão do governo Dilma e atacaram o loteamento de cargos entre os aliados. Serra disse que os adversários são “viciados na mesquinharia política”. “Este é um governo de factoides e salamaleques”, atacou. Aécio recorreu a uma expressão usada pela presidente: “O malfeito para este governo só é malfeito quando vira escândalo. Até lá, é bem feito. O governo age reativamente”.

Depois das últimas campanhas presidenciais, em que o PSDB evitou destacar feitos do governo FHC, como privatizações e reformas, o convite a alguns destacados auxiliares do ex-presidente soou como tentativa de reorganizar o discurso tucano. “O papel do PSDB foi estruturar tudo o que se desenvolveu depois, menos os desvios de conduta”, disse Sérgio Guerra. FHC respondeu às críticas de que os tucanos cobram medidas que poderiam ter adotado quando no poder: “Não se fez antes porque as condições eram outras. Hoje temos como baixar juros sem gerar inflação.”

Autor de duras críticas ao comando do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) não foi ao encontro, que reuniu no Rio os governadores Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia e muitos parlamentares. Ao contrário de Aécio, que acompanhou de perto a organização do seminário, a cargo da economista Elena Landau, Serra apareceu de surpresa – ele estava em Londres e desembarcou no Rio de madrugada. Para não criar atritos entre os aliados de Aécio e de Serra, possíveis candidatos à Presidência em 2014, foram abertos espaços para que os dois falassem. Foi Aécio quem chamou o “companheiro José Serra” ao palco. FHC fez questão de prestigiar o ex-governador paulista: “O Serra fez o meu discurso. Eu é que deveria ter ido a Londres”, brincou.

Na tentativa de fazer do encontro um ponto de partida para uma nova fase, Fernando Henrique estimulou os companheiros a deixarem claras as posições do partido. “O PSDB ou fala ou morre”, advertiu. “Começamos a falar com uma nova voz, a voz dos que querem vencer. O Brasil precisa da nossa vitória. Não somos o partido do clientelismo, da corrupção”, disse.

Lei Kandir continua a impor perdas a Minas, governadores se mobilizam e lutam pelo fortalecimento do pacto federativo

Fonte: O Tempo

Renúncia. Minas perdeu R$ 3,4 bilhões no ano passado com a isenção e União compensou apenas 15%

Lei Kandir esvaziou os cofres
Lei completa 15 anos diante de muita polêmica e reclamações
FOTO: USIMINAS/DIVULGAÇÃO
Incentivo. Lei Kandir foi editada para beneficiar setores exportadores do Brasil, como o de extração mineral, que é forte em Minas
Apenas em 2010, Minas Gerais registrou perdas de R$ 3,4 bilhões com a lei Kandir. Os valores são referentes à diferença entre o que o Estado deixa de arrecadar com a desoneração de ICMS para exportação de produtos primários e semi-manifaturados e o que o governo federal repassa aos Estados como compensação pelas perdas.

No Estado, os repasses da União em 2010 representaram, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), apenas 15% das perdas. A título de repasses da lei Kandir, Minas Gerais recebeu no ano passado R$ 251,63 milhões e outros R$ 355,43 milhões referentes ao Auxílio Financeiro. O total recebido foi de R$ 607,6 milhões, quando a arrecadação, sem a aplicação da lei, seria de aproximadamente R$ 4 bilhões.

Em todo o Brasil, os governadores reclamam do repasse total de R$ 3,9 bilhões quando a perda líquida calculada para este mesmo período ficou em torno de R$ 21,5 bilhões.

No começo do mês de outubro, os governadores Antonio Anastasia (Minas Gerais), Marconi Perilo (Goiás), Siqueira Campos (Tocantins), Teotônio Vilela (Alagoas), Geraldo Alckmin (São Paulo), Beto Richa (Paraná) e José de Anchieta (Roraima) se reuniram em Goiânia para um encontro de fortalecimento do Pacto Federativo e que teve a lei Kandir como ponto principal da conversa dos líderes estaduais. O governador de Goiás, Marconi Perilo, reclamou na ocasião das perdas dos Estados. “Ao longo do tempo acumulamos perdas extraordinárias. Para se ter ideia, deveríamos ter hoje ressarcimento de R$ 23 bilhões todos os anos, e, quando muito, conseguimos R$ 4 bilhões”, disse.

No período eleitoral de 2010, o então candidato à reeleição estadual, Antonio Anastasia, criticou duramente a lei Kandir em razão das perdas tributárias do Estado em função de todo o minério de ferro exportado por Minas Gerais sem recolhimento de ICMS. À época da campanha, em 2010, o governador declarou: “Sobre o minério, que não incide ICMS e, de fato é um equívoco, em razão da Lei Kandir, incidem pesados impostos federais. A competência é do Congresso Nacional, mas nós temos de lutar, articular e pressionar o Congresso para fazer a modificação”.

Histórico.  A Lei Kandir foi criada em 1996, há 15 anos, pelo deputado federal Antonio Kandir, ministro do Planejamento do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para atender a uma demanda do setor produtivo nacional de desonerar as exportações.

Antes da legislação, uma série de produtos semi-elaborados e todos os produtos primários eram tributados pelo ICMS, fato criticado pelos especialistas tributários da época. Segundo ele, o imposto diminuía a competitividade internacional dos produtos brasileiros. Com a implementação do Plano Real e o déficit da balança comercial brasileira, ganhou força a corrente que pressionava por uma desoneração tributária. Em 1996, ano da criação da lei, o déficit comercial do Brasil foi de US$ 5,6 bilhões.

A proposta do deputado Antonio Kandir para estimular as exportações de produtos primários e semi-acabados foi a de isentar esses produtos de ICMS, principal tributo estadual. Já na mesma época, o governo, a fim de minimizar as perdas de receita dos Estados, criou mecanismos para repor as perdas, que ao longo dos 15 anos de aplicação da lei, estão longe do consenso.

Mecanismo
Complexidade.
O valor da compensação para os Estados considera a arrecadação em relação aos outros Estados e as receitas da União originadas em cada território.

FOTO: Moreira Mariz/Agência Senado
Revisão. O senador do Pará Flexa Ribeiro quer nova regulamentação e uma revisão da lei Kandir
Mais leis
Compensação é insuficiente
O Auxílio Financeiro, criado em 2004 para compensar as perdas dos Estados, não foi suficiente para repor os recursos perdidos por causa da Lei Kandir. O auxílio foi criado pelo governo federal como parte das negociações para a aprovação da reforma tributária que resultou na Emenda Constitucional nº 42, que criou o mecanismo de Auxílio Financeiro.

Embora tenha sido criado exclusivamente para compensar a desoneração das exportações de bens primários e semi-manufaturados, os recursos não derivam de decretos ou regulamentações específicas. Todos os anos, durante a tramitação do Orçamento Geral da União, os governadores negociam com a União os recursos que serão repassados para os Estados no ano seguinte.

Em setembro deste ano, o governo anunciou o valor de R$ 1,95 bilhão no orçamento do ano que vem para o pagamento do Auxílio Financeiro.

No texto original da lei Kandir, a compensação, chamada “seguro receita”, estava prevista até 2002, com possibilidade de extensão até 2006. Apesar das atualizações da lei, os mecanismos para o pagamento dos repasses para os Estados não foram alterados.

Reclamação. Senador pelo Estado do Pará, Flexa Ribeiro fez um pronunciamento no último dia 10, no plenário do Senado, pedindo uma regulamentação e uma revisão da lei Kandir. O Estado do Pará é um dos mais prejudicados pelo mecanismo da lei. Segundo o senador, em 15 anos de lei, o Pará já teria deixado de arrecadar R$ 20 bilhões. (PG)

PSDB defende recadastramento de novos filiados – partido trabalha pela reorganização para entrar fortalecido nas eleições

Fonte: Christiane Samarco – Estado S.Paulo

Cresce defesa de prévias no PSDB após ação de Aécio

Aloysio Nunes, aliado de Serra, e Geraldo Alckmin enfatizam que partido tem outros nomes para a disputa presidencial de 2014 

A articulação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) para disputar a Presidência em 2014, explicitada em entrevista ao Estado com a declaração do mineiro de que está preparado para enfrentar tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto a presidente Dilma Rousseff, provocou reação imediata de dirigentes tucanos em defesa de prévias.

Expoente do grupo serrista do PSDB, o senador Aloysio Nunes (SP) defendeu ontem eleições prévias no partido para escolher o candidato tucano a presidente em 2014. Ao elogiar a forma como Aécio Neves anunciou a pretensão de disputar a corrida presidencial, Aloysio destacou a prudência do mineiro, “deixando em aberto um leque de candidaturas”, entre as quais a do ex-governador José Serra.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, endossou as ponderações do serristas. “Temos também o Serra, que já foi nosso candidato na última eleição, e os governadores Marconi Perillo e Beto Richa. A democracia começa dentro de casa. É preciso um processo interno de escolha e é esse processo interno que legitima o candidato para que depois ele vá buscar o voto na sociedade”, disse Alckmin.

Aécio e o governador de São Paulo concordam que o timing da definição da candidatura a presidente é “o alvorecer de 2013″, mas Aloysio diz que está mais preocupado com a forma de escolha que com a data.”Sou favorável a uma prévia para valer, que dê total legitimidade à escolha”, disse o senador, convencido de que o processo facilitaria a união do partido em torno do candidato pela forma “absolutamente incontestável” de definir o nome.

Alckmin, por sua vez, não fez comentários sobre regras das prévias. “Entendo que a escolha, como o Aécio mesmo disse, não é agora. Isso deve ocorrer a partir de 2013, mas acho que é muito bom para o País ter pessoas preparadas, com experiência, com espírito público para disputas de grande responsabilidade”, disse o governador paulista.

Aloysio considerou “inevitável” que Aécio dissesse que “vai para a briga contra quem quer que seja”. Entende que isto demonstra “confiança no partido e nele, como candidato” e chama a atenção para o fato de que “é absolutamente importante que o leque de nomes fique em aberto até o momento da definição”.

Organização. Questionado sobre a eventual resistência do ex-governador paulista em participar de prévias partidárias com Aécio nas eleições de 2010, Aloysio afirmou que “Serra não se posicionou contra as prévias de jeito nenhum”, lembrando que foi Aécio quem desistiu de entrar na disputa no fim de 2009. E insistiu na tese de que prévias são um instrumento para arejar e fortalecer a estrutura do partido, porque levam os candidatos a um contato com a sociedade.

Como prévias demandam um recadastramento de filiados, Aloysio cobra desde já que a executiva se movimente com uma campanha de filiação onde o partido está fragilizado. Lembra que a organização é um ponto “fragilíssimo” do PSDB.

Link da matéria: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,cresce-defesa-de-previas-no-psdb-apos-acao-de-aecio-,783851,0.htm

Carta de Goiania: Anastasia defende restauração do pacto federativo e desconcentração de recursos em poder da União

Fonte: O Globo

Governador Antônio Anastasia participa de encontro de governadores do PSDB e defende desconcentração de recursos em poder da União

O governador Antonio Anastasia participou nesta sexta-feira (30/09) de reunião dos governadores do PSDB, em Goiânia, quando fizeram a defesa da restauração do pacto federativo e a desconcentração de recursos em poder da União.

Durante a reunião que contou com a presença do presidente do PSDB Nacional, deputado federal Sérgio Guerra (PE), entre outros parlamentares do partido, os governadores assinaram a Carta de Goiânia, na qual solicitam agenda com a presidente da República Dilma Rousseff para tratar de assuntos de interesse nacional como o combate à corrupção e mais investimentos para a área da saúde.

Os governadores também cobram os repasses referentes à compensação pelas perdas com a Lei Kandir para 2011 e 2012 e ainda defendem a repactuação da dívida dos estados com a União.

Participaram da reunião, os governadores de Minas Gerais, Antonio Anastasia; de Goiás, Marconi Perillo; de São Paulo, Geraldo Alckmin; de Tocantins, Siqueira Campos; do Paraná, Beto Richa; de Alagoas, Teotônio Vilela Filho; de Roraima, José de Anchieta. O governador do Pará, Simão Jatene não pôde comparecer.

Link da matéria:Governadores do PSDB reclamam de poderes excessivos da União e pedem compensações financeiras

Aécio Neves: ‘Jamais transigi no essencial: na correção e seriedade de minha vida pública’, disse o senador a O Globo

‘Paramos de olhar o umbigo ou perdemos o bonde’

Fonte: Adriana Vasconcelos –  O Globo

ENTREVISTA
Aécio Neves
Senador defende que PSDB amplie leque de alianças e que não antecipe candidato; ele aponta contradições de adversários

Usando toda a mineirice que deixou de lado durante o embate travado na semana retrasada com o ex-governador José Serra pelo comando do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) hesita em cantar vitória. Diz que está na hora de os tucanos pararem de olhar para o próprio umbigo e de brigar internamente para não perderem o bonde da História. Para começar , defende que o partido amplie seu leque de alianças junto a partidos hoje governistas, como o PSB e setores do PMDB, sem perder de vista, porém, que seu adversário principal é e continuará sendo o PT. Mesmo admitindo que não fará uma oposição como a que os petistas fizeram contra o PSDB, Aécio mostra a língua afiada ao apontar as contradições de seus adversários, como orecente anúncio das privatizações de aeroportos. Identificado hoje como um dos nomes fortes para a disputa presidencial de 2014, Aécio não quer ainda assumir abertamente sua condição de pré-candidato à sucessão da presidente Dilma Rousseff. E resiste também a mudar seu estilo “bon vivant”, que o levou recentemente ater a carteira de habilitação suspensa, após se recusar a fazer o teste do bafômetro numa blitz no Rio.

O GLOBO: O senhor se sente vitorioso na disputa travada com o ex-governador José Serra antes da convenção do PSDB?
AÉCIO NEVES: De forma alguma. O PSDB é que saiu vitorioso. Há uma tendência de se achar que vivo em conflito permanente com Serra. Nós somos parceiros de um grande projeto de Brasil. O que prevaleceu foi a seguinte compreensão: ou nós paramos de olhar para os nossos umbigos epassamos a compreender o Brasil com as mudanças que vêm ocorrendo ou perderemos o bonde da História.

Quando os tucanos vão escolher seu candidato para 2014?
AÉCIO
: É um equívoco grande antecipar essa discussão. Para chegar em 2014, como uma alternativa viável, temos de passar por 2011, que é o momento da nossa reorganização interna e do resgate das nossas bandeiras. E, em 2012, temos de disputar com força as eleições municipais.

Dizem que a fila no PSDB andou e que agora é sua vez. Concorda?
AÉCIO
: Seria um grande equí voco partidário e, no meu caso, pessoal anteciparmos essa decisão. O PSDB tem quadros que vão ser analisados nomomento certo. Incluo, além do Serra, os governadores Geraldo Alckmin, Beto Richa, Marconi Perillo. Ficou claro nesta convenção que o candidato do PSDB será aquele que tiver as melhores condições de interpretar esse sentimento difuso da sociedade, agregar outras forças políticas.

Seus aliados elogiam sua capacidade de aglutinação de forças de fora da oposição,mas alguns se preocupam com seu estilo “bon-vivant”. Abriria mão disso para chegar ao poder?
AÉCIO
: Eu sou um homem do meu tempo e optei desde o início de minha trajetória pública em não adotar a hipocrisia daqueles que têm duas vidas: uma que é real eoutra para oferecer à opinião pública. Como qualquer ser humano, cometo erros e acertos. Mas jamais transigi no essencial: na correção e seriedade de minha vida pública.

Em 2010, o PSDB evitou as prévias, e o racha ocorreu mesmo assim. Isso pode se repetir?
AÉCIO
: Sempre defendi e continuo defendendo as prévias. Além de democratizarem as indicações dos candidatos, servem para mobilizar o partido. Se tivermos mais de um postulante, as prévias devem ser assimiladas com naturalidade.

Que alianças o PSDB priorizará nas próximas eleições?
AÉCIO
: Nossas alianças preferenciais serão com PPS e DEM, mas, sabendo que lá adiante o grande adversário é o PT, será muito natural que o PSDB construa alianças com partidos que hoje estão na base de sustentação do governo do PT, como PSB e com parcelas do PMDB.

O PSDB deve investir mesmo na nova classe média como sugeriu o ex-presidente Fernando Henrique?
AÉCIO: Há hoje uma movimentação de classe que precisa ser compreendida por nós com agilidade e rapidez. Na minha avaliação, o PSDB é hoje o partido da modernidade, enquanto o PT se caracteriza como o partido do atraso, do patrimonialismo e do aparelhamento da máquina pública. Isso dá espaço para que o PSDB seja intérprete dessa nova classe média, crítica em relação à ineficiência e refratária aos desvios éticos do governo.

Como fazer isso?
AÉCIO: Vamos entrar fortemente nas mídias sociais, dialogar com setores não organizados da sociedade, porque é aí que está a oposição real do Brasil hoje. O partidos políticos não têm sido mais os representantes do sentimento de indignação ou de frustração das pessoas.

O senhor concorda que o PSDB deva fazer uma oposição mais dura ao governo do PT?
AÉCIO: Jamais faremos a oposição que o PT fez em relação ao nosso governo. Vamos cobrar, apontar a ineficiência, o aparelhamento da máquina pública e os desvios éticos, mas devemos também apontar caminhos e alternativas ao que está aí.

Qual sua avaliação do governo da presidente Dilma e da crise Palocci?
AÉCIO: O governo construiu base ampla não em torno de um projeto de país, mas em torno da distribuição de espaços. Assim, no primeiro momento de fragilidade do governo, como o atual, a pressão da base cresce.

Que bandeiras o PSDB pretende levantar?
AÉCIO: Nós precisamos resgatar a federação. Grande parte das crises que estamos vivendo deve-se exatamente à concentração de poder financeiro e político do governo federal.

Na última semana, a oposição aprovou a convocação de Palocci na Câmara e derrubou duas MPs no Senado. É o primeiro sinal de reação da minoria?
AÉCIO: Estamos reorganizando nossa tropa e demos demonstração da nossa capacidade de mobilização e de articulação.

Com viu a interferência do ex-presidente Lula na articulação do governo Dilma?
AÉCIO
: Todos sabem das relações pessoais que tenho com o presidente Lula. Mas vou ser sincero: acho que a forma como o Lula participou talvez tenha trazido mais danos à presidente Dilma do que o próprio episódio envolvendo Palocci.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/06/04/aecio-neves-defende-que-psdb-amplie-leque-de-aliancas-sem-antecipar-candidato-as-eleicoes-de-2014-924616517.asp

Merval Pereira: “senador Aécio Neves sai do embate como o provável candidato do PSDB à sucessão de Dilma Rousseff”, comentou

Novos rumos

Fonte: Artigo – Merval Pereira – O Globo

Apesar das divergências, ou até por causa delas, o PSDB saiu de sua convenção nacional sábado passado melhor do que estava. Isso porque conseguiu não apenas expor suas diferenças de maneira aberta, o que anteriormente só aparecia por baixo dos panos ou em fofocas de bastidores, mas definir uma linha de orientação.

Ficou claro que, no momento, o grupo majoritário do partido apoia o ex-governador de Minas e atual senador Aécio Neves, e a direção política será dada a partir de agora por esse grupo.

Ao mesmo tempo em que teve que aceitar essa hegemonia, o ex-governador José Serra teve força suficiente para ganhar um papel de relevância na direção partidária, deixando explícito que sem São Paulo não é possível se pensar em um projeto viável na sucessão presidencial, assim como, nas três últimas vezes, não foi possível vencer sem o apoio de Minas.

Escantear deliberadamente uma liderança política como Serra, como setores do partido desejariam, seria suicídio, assim como não tinha o respaldo da realidade o sonho do grupo serrista de dominar o partido.

Se tentasse impor sua vontade – que primeiro foi ser presidente do partido, e por fim assumir a direção do Instituto Teotônio Vilela (ITV) para, a partir dali, fazer sua campanha para ser mais uma vez candidato a presidente -, Serra constataria que já não tem a maioria do partido a seu lado.

Pelo menos no momento.

Não chegou a haver uma disposição real de a representação paulista boicotar a convenção caso Serra não fosse aquinhoado com uma boa posição, pelo simples fato de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador paulista Geraldo Alckmin atuaram sempre de comum acordo e na base da temperança, não permitindo que predominasse a tentativa dos mais radicais, nem de um lado nem de outro.

A partir de agora, a realidade pautará as ações do partido e de cada uma de suas forças políticas. O ex-governador e candidato duas vezes à Presidência da República José Serra terá uma exposição política, se não à altura de seus sonhos, condizente com sua importância no cenário político brasileiro, de onde poderá ajudar o partido e ajudar-se, reorganizando seus contatos nas bases, à espera de uma mudança de ventos.

Já o PSDB começa uma nova fase claramente sob a liderança política do senador Aécio Neves, que manteve o controle da direção nacional e colocou no ITV o ex-senador Tasso Jereissati, recuperando para a vida pública uma das maiores lideranças do partido, e dando a ele uma tarefa a que está acostumado, com sucesso: reunir técnicos e pensadores para balizar as ações partidárias.

O senador Aécio Neves sai do embate como o provável candidato do PSDB à sucessão de Dilma Rousseff, retemperado pela vitória.

Mas também precisará demonstrar que está preparado para o papel que almeja há tanto tempo.

Com a manobra política que lhe assegurou a maioria partidária, Aécio Neves reafirmou sua capacidade de costurar acordos políticos nos bastidores, que já demonstrara em ocasiões anteriores.

Especialmente quando surgiu como fato consumado a preferência dos tucanos e de outros partidos da base em vê-lo presidente da Câmara em vez de Inocêncio de Oliveira, do então PFL, como estava combinado com o presidente Fernando Henrique.

O ex-governador José Serra, um especialista em manobras de bastidores, e político ousado e temido, negava a Aécio Neves essas habilidades, e tentou enfrentá-las, sem sucesso, nessa empreitada de agora.

A política, no entanto, volúvel como as nuvens do mineiro Magalhães Pinto, não dá a ninguém vitórias antecipadas, e nem declara a morte de véspera de qualquer político, especialmente da categoria de José Serra.

A partir de agora, ele terá de se adaptar à realidade que superou seus desejos, mas pode também aguardar em boa posição para ver como ficarão as coisas a longo prazo.

Tem tempo e paciência para tal.

Se decidir concorrer à prefeitura de São Paulo, que não era sua escolha até recentemente, Serra estará deixando o caminho livre para Aécio Neves.

O fim de sua carreira política no cargo de prefeito paulistano não é uma opção ruim, pois estará à frente do terceiro cargo mais importante politicamente do país, perdendo apenas para a Presidência da República e o governo de São Paulo.

Desse cargo, terá influência política de sobra, seja qual for o presidente eleito em 2014. Especialmente se ele for do PSDB.

Mas, se persistir na tentativa de disputar a Presidência da República, a presidência do Conselho do PSDB lhe dará uma exposição pública, e meios de manobras internas, desde que tal conselho venha realmente a funcionar.

O fato de ele ter ganhado poder deliberativo foi sem dúvida uma vitória de Serra, embora não tenha sido uma decisão de última hora como está sendo divulgado.

Já na sexta-feira estava claro que só faria sentido oferecer esse conselho a Serra se ele tivesse funções práticas. Porque seria suicídio político abrir mão de sua real contribuição ao partido.

Assim como não queriam que Serra assumisse o ITV para que não tivesse verba e autonomia para fazer dele seu palanque político, também o conselho não poderá ser usado com interesses eleitorais.

Da mesma maneira, Aécio Neves terá que se conduzir com cautela mineira para não usar a estrutura partidária em benefício próprio.

Fazer com que os interesses do partido estejam representados nos diversos estados, e levar a discussão dos temas nacionais para as bases partidárias, a partir da eleição municipal do próximo ano, será a tarefa principal da nova direção.

A candidatura de Aécio à Presidência terá que vir como decorrência desse trabalho, e não como imposição dele.

Mesmo porque as negociações mostraram que há outro líder que tem que ser levado em conta, o governador Geraldo Alckmin.

Com a ida de seu vice Afif Domingos para o PSD, Alckmin ficou um pouco preso à sua própria sucessão, para não deixar o governo nas mãos do partido de Kassab.

Mas, de novo, este é um retrato do momento. Até 2014 muita água vai rolar.

E Aécio terá de utilizar todos os truques que aprendeu na política mineira para manter a posição de favorito ao posto de candidato tucano na sucessão de Dilma Rousseff.

Convenção do PSDB: Veja discurso de Aécio na íntegra – “Este é um partido sem dono. O dono do PSDB é o partido brasileiro”, afirmou o senador

Aécio Neves afirma que PSDB está mais unido e pronto para enfrentar novos desafios

Fonte: PSDB-MG

“Os brasileiros vão acordar amanhã sabendo que, mais do que nunca, o PSDB está unido e pronto para enfrentar os desafios que temos pela frente”, diz Aécio

O senador Aécio Neves (PSDB/MG) foi recebido com aplausos, no início da tarde deste sábado, na Convenção Nacional do PSDB, em Brasília, que elegeu a nova Executiva do partido. Ao lado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do ex-governador José Serra, e do deputado federal Sérgio Guerra, reeleito presidente do partido, o senador comemorou a demonstração de unidade do partido e disse que os tucanos caminharão juntos na discussão de projetos para o país e na oposição ao governo do PT.

“Apostaram na nossa divisão, instigaram rupturas, disseram que o PSDB colocaria projetos pessoais individuais à frente da nossa responsabilidade para com o Brasil. Os brasileiros dos quatro quadrantes dessa nação vão acordar amanhã sabendo que mais do que nunca o PSDB está unido e pronto para enfrentar os desafios que temos pela frente, para reintroduzirmos também no governo federal a ousadia de Fernando Henrique, a seriedade do PSDB e os resultados que apresentamos”, afirmou o senador.

Aécio Neves discursou para um auditório lotado de lideranças entre elas os governadores eleitos do PSDB, deputados federais e estaduais e senadores tucanos e de partidos aliados, além de delegados e militantes de todo o país. Aécio Neves destacou a capacidade política do presidente Sérgio Guerra na condução e na defesa do partido e cumprimentou o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, pelo retorno aos quadros do partido à frente do Instituto Teotônio Vilela (ITV). Jereissati foi presidente do PSDB por duas vezes e encerrou, em 2010, seu mandato como senador pelo partido.

O senador ainda cumprimentou cada um dos integrantes do PSDB que participaram do processo de decisão para eleição da nova executiva e do novo diretório nacional e da presidência dos organismos partidários.Aécio convocou os tucanos a percorrer o Brasil levando o sentimento de união e seriedade bandeiras do partido.

“Cumprimento cada um daqueles que construíram a nossa unidade, dizendo que hoje é apenas um início de uma nova caminhada, com os olhos postos no futuro, com a certeza e o orgulho de que temos os melhores quadros e as melhores propostas. Vamos cada um de nós, governadores, deputados, senadores, vereadores, prefeitos do PSDB nos encontrar pelas ruas desse país afora pregando a seriedade e pregando o trabalho. Vamos juntos, rumo ao futuro e o futuro do Brasil é a vitória do PSDB”, disse.

Modernidade
Em seu pronunciamento Aécio Neves também destacou a importância do PSDB para o desenvolvimento e a modernização da economia do país e a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro.

“Ninguém inovou tanto nesse país como inovou o PSDB. Ninguém fez mudanças mais profundas nesse país como fez o PSDB. E se somos hoje um país melhor, e realmente somos, se somos um país moderno, se novamente voltamos a ser respeitados internacionalmente, se estamos diminuindo nossas diferenças regionais, tudo isso é consequência do que foi plantado no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso com a estabilidade econômica, com a modernização da nossa economia e com a ousadia para fazer aquilo que os que estão hoje no poder não têm coragem de fazer”, disse.

Aécio Neves disse estar confiante na capacidade do partido em mostrar à população brasileira que o PSDB é a única alternativa política no país.

“O PSDB é uma obra coletiva. Que bom podemos dizer aqui hoje para o Brasil inteiro. Esse é um partido sem dono. O dono do PSDB é o povo brasileiro que acredita nas nossas propostas e que vai caminhar ao nosso lado nos desafios que estão por vir. Os quadros estão ai, mas mais do que os quadros talentosos e respeitados do PSDB, temos ideias, temos projetos”, disse.

PSDB: Nova caminhada – Convenção Nacional reforça clima de unidade do partido

Nova caminhada: Convenção Nacional reforça clima de unidade do PSDB

Fonte: PSDB-MG

Em clima de unidade, a Convenção Nacional do PSDB definiu os nomes da executiva nacional do partido para os próximos dois anos. Filiados à legenda, governadores, senadores, deputados federais e representantes históricos, como o presidente de honra Fernando Henrique Cardoso, se reuniram em Brasília para aprovar a nova estrutura partidária.

Durante o encontro, o governo Dilma Rousseff foi criticado por vários tucanos. A conivência com a corrupção e a incompetência para atacar problemas que afetam milhares de brasileiros, como a inflação e as deficiências da infraestrutura, foram exemplos de problemas citados por tucanos.

Ao contrário das avaliações sobre a divisão do partido, o presidente reconduzido à Executiva Nacional, Sérgio Guerra (PE), também fez questão de valorizar a história do PSDB e os novos rumos políticos da oposição. “Não queremos ter apenas diretórios em todo lugar, queremos ter o PSDB com sua forma e conteúdo, uma imagem central que se espalhe Brasil afora”, disse Guerra.

Ouça na Rádio PSDB os discursos de Sérgio Guerra, FHC, José Serra, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Paulo Abi-Ackel

As lideranças de São Paulo e Minas Gerais também fizeram questão de reforçar a unidade. “As diferenças em qualquer partido são normais, mas elas não podem falar mais alto. A nossa união enfraquece nosso adversário”, afirmou o novo presidente do Conselho Político da legenda, José Serra. O senador Aécio Neves (MG), tambem integrante deste colegiado como representante dos tucanos no Congresso Nacional, enfatizou o início de uma “nova caminhada” de olho no futuro. “Este é um partido sem dono. O dono do PSDB é o partido brasileiro”, afirmou.

A nova Executiva Nacional definiu para o mandato cinco bandeiras: avançar nas eleições municipais, recrutar novos membros, democratizer o partido, estreitar relações com a sociedade civil e reestruturar a comunicação. Além disso, o presidente reeleito da legenda anunciou a criação de dois novos secretariados:  da segurança pública e da diversidade.

Convenção do PSDB: Sérgio Guerra continua na presidência e tucanos atacam gestão do Governo Dilma

PSDB reconduz Sérgio Guerra ao comando; veja como ficou a executiva

Fonte: G1

Serra perdeu Instituto Teotônio Vilela para nome defendido por Aécio

Em contrapartida, ex-governador de SP vai presidir Conselho Político.

Durante a convenção nacional do PSDB realizada neste sábado (28), em Brasília, as lideranças da legenda definiram quem ocupará os principais cargos.

O deputado federal Sérgio Guerra (PE) foi reconduzido ao cargo de presidente. A presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), órgão de estudos e formação política do partido, era um dos principais impasses e foi definida após acordo.

O ex-governador de São Paulo José Serra queria o posto, mas o cargo ficou com o ex-senador Tasso Jereissati (CE), nome apoiado pelo senador Aécio Neves (MG). Em contrapartida, Serra ficou com a presidência do Conselho Político, que será criado para discussão de temas nacionais e questões centrais do partido, como coligações.

Veja abaixo quem ficou com os principais cargos do PSDB:

Executiva
Presidente: Sérgio Guerra (PE)
Primeiro vice-presidente: Alberto Goldman (SP)
Vice-presidente-executivo: Eduardo Jorge Caldas Pereira (SP)
Secretário-geral: Rodrigo de Castro (MG)

Instituto Teotônio Vilela
Presidente: Tasso Jereissati (CE)

Conselho Político
Presidente: José Serra (SP)
Integrantes:
Fernando Henrique Cardoso (SP)
Geraldo Alckmin (SP)
Aécio Neves (MG)

‘Conselho múltiplo’

Sérgio Guerra disse que o PSDB fortaleceu o Conselho Político para convencer Serra a aceitar o posto. “Será um conselho múltiplo com os líderes citados”, afirmou.

Segundo Guerra,  o Conselho Político presidido por Serra será responsável por orientar questões centrais do partido, como fusões e incorporações com outros partidos, mas que estão questão só será definida após as eleições municipais de 2012.

Para ele, partidos de oposição como DEM e PPS devem primeiro se fortalecer. ” Mais na frente, depois das eleições municipais, vamos ver se é hora de juntar o deles conosco. Pode ser, vamos ver”, afirmou o tucano.

O presidente do PSDB explicou que o conselho também vai definir as coligações nacionais e decidirá sobre as questões de primárias e alianças. ” Será um conselho orientador que vai funcionar integrado com a Executiva, mas que terá enorme poder”, afirmou o tucano.

Ataques

Durante os discursos, os tucanos atacaram a gestão da presidente Dilma Rousseff. “Cada vez mais a ocupante da Presidência governa cada vez menos e aquele que não foi eleito, governa cada vez mais”, disse Serra, referindo-se ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Serra acusou o governo da petista de “omisso” e incompetente” e disse que o PT, com episódios como o da Prefeitura de Campinas, sai das páginas políticas para entrar nas ”páginas policias”. Serra, que disputou a Presidência da República no ano passado, disse que as divergências dentro do partido são naturais, mas que a desunião fortalece o PT. O presidente reeleito do PSDB, Sérgio Guerra, chamou de “fraude” as notícias de que o partido estaria desunido.

O senador Aécio Neves disse que o PSDB é um “partido sem dono” porque pertence a “todos os brasileiros”. Ele pediu aos tucanos que andem “pelas ruas desse país e de cabeça erguida”. “Somos sérios, somos éticos, e quando assumimos governos, sabemos fazer o que precisa ser feito.”

PSDB busca unidade em convenção nacional, Aécio Neves é o mais provável nome dos tucanos para a sucessão presidencial de 2014

PSDB ruma à convenção nacional dividido entre seus principais líderes

Fonte: Raymundo Costa – Valor Econômico

A pouco mais de 30 dias da convenção nacional do PSDB, as negociações para a eleição do novo comando tucano se encontram virtualmente paralisadas pela falta de entendimento entre os dois principais líderes do partido, o ex-governador José Serra, candidato derrotado a presidente em 2010, e o senador mineiro Aécio Neves, o mais provável nome dos tucanos para a sucessão presidencial de 2014.

A falta de um entendimento levou a negociação a um impasse: Aécio já se comprometeu com a manutenção do deputado Sérgio Guerra (PE) na presidência do partido, uma candidatura que Serra não contesta publicamente, mas não demonstra disposição alguma em apoiar. Embora a preferência por Aécio em 2014 pareça majoritária, no momento, mesmo os adversários de Serra entendem que qualquer saída para os tucanos precisa levar em conta a opinião do ex-governador de São Paulo.

Algumas soluções foram tentadas ao longo da semana passada, sem sucesso. Uma delas prevê que um conselho de eminências pardas tucanas teria o poder político, enquanto à executiva nacional caberia a parte operacional. Neste desenho, Serra indicaria o vice-presidente ou o secretário-geral do PSDB. Alguns tucanos tentaram convencer Fernando Henrique Cardoso a aceitar a presidência do conselho, mas o ex-presidente recusou o convite.

O conselho seria integrado por FHC, Serra, Aécio, Tasso Jereissati (CE) e os seis governadores do PSDB. À exceção dos governadores, na prática é o que sempre ocorreu entre os tucanos, um partido acostumado às decisões de cúpula. A inclusão dos governadores, por sinal, levanta uma outra questão: todos, inclusive o governador do poderoso Estado de São Paulo, encontram dificuldades para compatibilizar a administração regional com a oposição ao governo federal.

Dois exemplos são citados: Geraldo Alckmin é um deles. O governador não é entusiasta do trem bala ligando o Rio de Janeiro a São Paulo. Preferiria investir na expansão do metrô da cidade de São Paulo. Mas não tem como criticar publicamente uma iniciativa do governo federal que, em princípio, representa mais investimentos em São Paulo.

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, por seu turno, já se apressou em eximir de culpa o governo da presidente Dilma Rousseff pela escalada inflacionária. A dependência dos governadores em relação ao poder central poderia fragilizar, em vez de fortalecer o conselho. Entre os partidários de Serra há também o receio de que a expansão do colegiado favoreça a candidatura de Aécio em 2014.

Outra carta na mesa é a possibilidade de Serra indicar um nome para a vice-presidência ou secretaria-geral do PSDB, numa chapa encabeçada por Sérgio Guerra. Dois nomes são mencionados: o senador Aloysio Nunes Ferreira e o do ex-governador paulista Alberto Goldman. O problema de Aloysio é sua identificação com José Serra, o que poderia parecer uma derrota de Aécio, segundo os aliados do tucano mineiro. Resta o nome de Goldman. Falta aos aliados de Aécio convencer Serra de que esta é uma boa solução para todos.

O senador Álvaro Dias (PR) propôs a realização de prévias partidárias para a indicação de candidatos tucanos a cargos executivos. Com a radicalização das posições, esta talvez seja a única alternativa do PSDB. Na cidade de São Paulo, é possível que a escolha do candidato tucano seja definida numa prévia entre os militantes do partido, se José Serra não for o candidato, como ele costuma assegurar.

São Paulo, aliás, não é a única capital brasileira marcada com um alfinete vermelho no mapa eleitoral dos tucanos para a eleição municipal de 2012. Só para citar os maiores colégios eleitorais, o PSDB não tem nomes em evidência no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador. Também não tem candidatos na lista de favoritos em capitais importantes como Porto Alegre.

Em Curitiba, o deputado Gustavo Fruet é visto como uma boa opção, mas o governador do Estado Beto Richa, que é do PSDB, tem compromissos com o atual prefeito da cidade, Luciano Ducci, que é do PSB. Fruet pode até trocar de partido. Outro nome competitivo, a exemplo de Fruet, seria o da senadora Marisa Serrano, em Campo Grande (MS). Mas ela tem outras opções em vista até 2012. Na região Norte e Nordeste, só em Teresina (PI) os tucanos têm opção de concorrer com favoritismo.

Com a definição de comando das seções estaduais do PSDB, até o final deste mês, a disputa pelo controle do partido entra numa fase decisiva. Até lá, o PSDB ganha tempo: na televisão o partido banca um discurso mais popular de oposição, mas na prática congressual – onde ocorrem os embates com o governo – os tucanos não incomodam. Houve conflitos trabalhistas em obras do PAC, e os tucanos quando muito ficaram a reboque de iniciativas adotadas pelos partidos governistas.

Marcus Pestana: Os governadores, o PSDB e o futuro do país – Encontro de Belo Horizonte

Os governadores, o PSDB e o futuro do país

Fonte: Marcus Pestana – deputado federal (PSDB-MG) – artigo – publicado – O Tempo

O encontro de Belo Horizonte

No sábado, dia 2 deste mês, reuniram-se em Belo Horizonte os oito governadores do PSDB, eleitos em 2010. A eleição dos governadores representou um dos mais expressivos avanços obtidos pelos tucanos nas últimas eleições. São oito governos, espalhados pelas cinco regiões do país. O PSDB não só é o partido com o maior número de governadores, como é responsável por governar 64,5 milhões de brasileiros e 50% do PIB nacional.

Maior partido da oposição brasileira, o PSDB busca revitalizar suas estruturas e estratégias, construindo um estilo de atuação oposicionista coerente com sua história e perfil, baseado na coerência e na consistência programática. Não cederemos ao populismo e à demagogia, nem nos perderemos em retórica artificialmente agressiva e nem em contraposição mecanicamente sistemática. A força da democracia requer uma oposição forte, firme e qualificada. Como disse Geraldo Alckmin no encontro: “É tão patriótico fazer oposição quanto governar”. A alternância de poder é da essência da democracia, e os partidos têm que se manter preparados para assumir o poder, quando sua hora chegar.

É por entender o papel central que o PSDB tem na atual quadra histórica que nossos oito governadores decidiram erguer um Fórum Nacional Permanente. Anastasia, Alckmin, Marconi Perillo, Anchieta Júnior, Simão Jatene, Teotônio Vilela, Beto Richa e Siqueira Campos formam um coletivo extremamente experiente e preparado.

A ideia é que essa ferramenta resulte em permanente intercâmbio de experiências, chegando inclusive a trabalhar a ideia de marcas nacionais de políticas públicas que traduzam o jeito tucano de governar. Será ainda um mecanismo de unificação política em torno de temas de interesse comum, como, por exemplo, a reforma tributária e fiscal e o redesenho do pacto federativo. Também se converterá em bússola a sinalizar diretrizes para as ações do partido como um todo.

Em sua exposição inicial, o professor Antônio Lavareda levantou cinco pressupostos para a revitalização do PSDB: democratização interna, esforço de recrutamento qualificado, alguns eixos temáticos sínteses e simbólicos, conexão com a sociedade organizada e comunicação moderna e eficiente que toque a razão e a emoção das pessoas. É nessa direção que o PSDB construirá seu futuro.

A proposta mais importante aprovada no encontro foi a da criação de um Conselho Político Nacional para orientar e assessorar o comando partidário. Seriam 14 membros: o presidente do PSDB, os oito governadores, Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, José Serra, um representante dos deputados federais e o presidente do Instituto Teotônio Vilela. O governador Anchieta Júnior, de Roraima, lançou a ideia de o Conselho ser presidido por Fernando Henrique, por sua vasta experiência e autoridade política.

O encontro de Belo Horizonte será, sem dúvidas, um marco na história do PSDB.

PSDB vai criar Conselho Político e partido sobe o tom nas críticas do Governo do PT

PSDB cria conselho de olho em 2014

Fonte: Christiane Samarco – O Estado de S.Paulo

Além de FHC, Aécio e Serra, os 8 governadores tucanos terão assento em instância criada para costurar racha interno e fortalecer partido

O PSDB reuniu seus oito governadores ontem, em Belo Horizonte, para afinar o discurso da oposição, com críticas duras ao governo Dilma Rousseff, e estruturar o partido com vistas à eleição de 2014. Na tentativa de costurar o racha interno entre Minas e São Paulo e acomodar o ex-governador José Serra na estrutura partidária, os governadores recomendaram a criação de um conselho político superior, no qual todos eles também terão assento.

Na abertura do encontro, o presidente nacional da legenda, deputado Sérgio Guerra (PE), alertou: “Não podemos disputar a eleição presidencial daqui a quatro anos com o partido debilitado como está”. Ao anunciar a ideia do conselho, o goiano Marconi Perillo não mencionou a presidência do colegiado e o paulista Geraldo Alckmin chegou a dizer que o presidente só será escolhido mais adiante. Mas esse posto já tem um nome definido: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também é presidente de honra do PSDB.

Nas conversas reservadas, também houve consenso em torno da manutenção de Guerra na presidência do partido. Hoje, ele é candidato único ao cargo. A renovação do diretório nacional está marcada para maio.

Para não deixar dúvida quanto à autoridade do futuro presidente do partido, Perillo explicou que o conselho será um “órgão de assessoramento”. “Em hipótese alguma, o conselho poderá disputar espaço com a direção partidária. O conselho é para colaborar, quando necessário.”

Além dos oito governadores, de FHC, Serra e do senador Aécio Neves (MG), ficou acertado que o presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV) terá lugar no conselho, como forma de acomodar outra estrela tucana que perdeu a eleição. O futuro presidente do ITV deve ser o ex-senador Tasso Jereissati (CE).

Críticas. A despeito da boa avaliação obtida por Dilma na pesquisa CNI/Ibope divulgada sexta-feira, com 56% de avaliação ótima ou boa, o presidente do PSDB disse que daria nota mediana ao governo: “Um glorioso 5”. Aécio, que falou em seguida, destacou que não se assusta nem se intimida com resultados obtidos por um governo que mal começou e elevou o tom das críticas. “Existe uma herança maldita, com o aumento terrível dos gastos correntes no ano passado, e o País pagando a conta com a contenção de investimentos.”

Aécio também considerou “um escárnio” a tática do governo de querer levar o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) para a futura Secretaria da Micro e Pequena Empresa e, com isso, abrir vaga no Senado para o presidente do PT, José Eduardo Dutra, como mostrou ontem o Estado. Para o senador, o setor não precisa de ministério, mas medidas como a extensão do Simples, sistema de tributação simplificado para empresas de pequeno porte. Aécio repetiu ontem uma crítica que já havia feito no ano passado, dizendo que o PT quer “um país a serviço do partido”.

Morde e Assopra: Kassab lança PSD, se aproxima de Dilma e mantém aliança com PSDB de Serra – Alckimin é acuado

Kassab lança PSD ”próximo” a Dilma, mas mantém aliança ”inquebrável” com Serra

Fonte: Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

No lançamento do seu novo partido, o PSD (Partido Social Democrático), o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, admitiu uma aproximação com o governo federal, embora tenha destacado a manutenção de sua aliança com o PSDB.

Em um ato político para cerca de cem pessoas na Assembleia Legislativa paulista, o prefeito disse que sua “aproximação” com o governo federal é um dos motivos para deixar o DEM: “Essa aproximação sempre existiu, e essa é a razão da minha saída do DEM. Eu me sinto desconfortável num partido que quer votar sempre contra porque é contra”.

O prefeito, no entanto, classificou o PSD como “independente” e disse que não pretende deixar a oposição: “Estaremos do lado do governo federal nos projetos que forem os melhores para o País. E contra os que não acreditamos que sejam os melhores”.

Elogiou, então, a presidente Dilma Rousseff e voltou a dizer que “torce” para que ela faça um bom governo, embora tenha destacado que ajuda não significa “alinhamento” nem “adesão”. Sobre o candidato derrotado à Presidência, o tucano José Serra, Kassab enfatizou que com ele mantém “relações inquebráveis”. Enfatizou que permanece aliado do tucano seja qual for seu projeto político. “Onde ele (Serra) estiver, estarei ao seu lado”, afirmou.

“Eu votei no candidato Serra. E me orgulho muito. Mas hoje o Brasil tem um novo presidente. Seja como cidadão, seja como eleitor, seja como dirigente deste novo partido, estou ao lado daqueles que torcem para o sucesso da presidente”, afirmou o prefeito, que tem conversado com líderes do PT e da base aliada.

Após cinco meses de negociações, Kassab lançou o PSD acompanhado de 20 parlamentares e prefeitos que pretendem migrar para a legenda. No partido, Kassab quer viabilizar seu futuro político e disputar o governo de São Paulo em 2014.

A articulação é vista com desconfiança e desconforto pelo Palácio dos Bandeirantes por duas razões: Alckmin vê em Kassab um potencial adversário à sua reeleição e, além disso, o vice-governador, Guilherme Afif Domingos, também deixou o DEM e acompanhou o prefeito. Para o Palácio, a figura de Afif simbolizava a aliança PSDB-DEM. Nos bastidores, cogita-se tirar força política de Afif, que também ocupa a secretaria de Desenvolvimento Econômico, no governo.

Quanto a Alckmin, com quem se desgastou após a disputa pela Prefeitura em 2008, o prefeito disse que o ajudará a fazer um “grande” governo. “Fomos corresponsáveis pela sua eleição.”

Além de Afif, também o secretário de Negócios Jurídicos da prefeitura, Cláudio Lembo, assinou a ficha de inscrição no PSD. Ambos deixam o DEM.

Fusão. Depois de negociar com PMDB e PSB, Kassab descartou a fusão. “Não faremos fusão. Fomos convidados por duas legendas respeitáveis e definimos nas últimas semanas que o partido caminhará com as próprias pernas nas eleições do ano que vem. Coligados ou com candidatura própria”, disse o prefeito. O Estado revelou há uma semana que a fusão imediata do novo partido com o PSB havia sido descartada, e o acordo havia esfriado.

Para que o PSD tenha o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) serão necessárias cerca de 490 mil assinaturas em nove Estados.

Trampolim: Guilherme Afif Domingos deixa o DEM e migra para o PSD – vice-governador de SP é contra fusão com PSB

‘O partido nasce para disputar a eleição de 2012 com o PSDB”

Fonte: Julia Duailibi – O Estado de S.Paulo

Vice-governador de SP diz que só aceitou trocar o DEM pela nova sigla após possibilidade de fusão ter sido descartada

Guilherme Afif Domingos, vice-governador de São Paulo
Um dos principais adversários da fusão do PSD com o PSB, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos defende o apoio da nova legenda à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), caso ele esteja bem avaliado para disputar novamente o Palácio dos Bandeirantes.”Kassab tem 50 anos de idade. É uma pessoa que tem inteligência para saber qual é a sua vez. E quando é a sua vez”, afirmou Afif em entrevista ao Estado.

Por que sair do DEM e fundar um novo partido?

Essa é uma decisão que foi bastante amadurecida, com o compromisso de que nós estávamos saindo para formar um novo partido, e não para fazer um bypass de uma fusão para escapar da fidelidade partidária. Era uma questão de incompatibilidade com o DEM, de um grupo político que está junto há muito tempo. Desde a campanha de 1989. A conversa foi exatamente no sentido: é para reeditar um projeto que todos nós sonhamos de fazer um partido novo? Se for nessas condições, eu vou. Se for para fazer um bypass, não conte comigo.

E a fusão com o PSB?

O PSD é um partido que vai disputar a eleição.

E depois disso?

Não sabemos o que vai acontecer. Depende do sucesso das adesões, das articulações. Estou confiante. Mas quando você sai para um projeto desses, você tem que ter uma ideia na cabeça e uma câmera na mão. Isso nós temos.

A queda da popularidade de Kassab é atribuída à movimentação política nos últimos meses.

É um equívoco de interpretação. O problema é a ênfase da notícia. O jornalismo gosta de novidade. A novidade está na cena política, não na gestão. Tem muita coisa na gestão que continua fazendo e vai fazer mais.

O PSD já nasce com uma imagem de legenda trampolim?

O importante não é a imagem, é o som, o que você vai dizer. Até então a imagem era feita por aquilo que você não disse. O que foi interpretado. Daqui para a frente, é o que estamos dizendo e o que vamos fazer.

No Palácio dos Bandeirantes, houve descontentamento com o ingresso do sr. em um partido que apoia o projeto de Kassab se lançar governador em 2014.

Outra versão que não cabe. O partido nasce para disputar a eleição de 2012, em aliança com o próprio PSDB. A nossa divergência não foi com o PSDB, foi com o DEM. Aqui em São Paulo, além do aspecto de estarmos juntos, existe o compromisso firmado nas urnas. Sou o vice-governador e vou cumprir a aliança até o fim.

Quando o sr. diz até o fim, inclui a eleição de 2014?

Cumprir o mandato, como vice-governador. Cumprir as funções do governo. Agora, o que vai acontecer no jogo político, ninguém pode adivinhar. Mas a nossa intenção é que a gente trabalhe para o Geraldo ter sucesso e que vá para a reeleição. E ele terá o nosso apoio, sim.

E o projeto de Kassab de se tornar governador?

Kassab tem 50 anos de idade. É uma pessoa que tem inteligência para saber qual é a sua vez. E quando é a sua vez.

Ele abriria mão para Alckmin para disputar o Senado?

Aí você tem as composições. São feitas para isso. Até vice-governador ele pode ser.

Como Alckmin reagiu ao ser informado de sua saída do DEM?

Disse pessoalmente, na sexta-feira. Enquanto os nomes do partido não tinham noção do que eu tinha escrito nos mandamentos do PSD, com exceção do Kassab, ele foi a primeira pessoa a saber. Você tem que ter clareza e transparência no relacionamento. Isso eu tenho com o Geraldo, e a recíproca é verdadeira.

Aliados dele defendem que o sr. deixa a pasta do Desenvolvimento, que seria cota do DEM.

Quem define isso não são os aliados, é o governador.

O sr. é cotado para ser o candidato a prefeito em 2012.

Esse é um assunto a ser discutido a muitas mãos. É uma decisão dos comandos dos partidos que farão aliança. É uma questão aberta. Não há nomes, buscam-se nomes.

O sr. não descarta a hipótese?

Sou uma pessoa regularmente inscrita e em dia com minha vida política. Agora, vou sentar à mesa e buscar uma solução. Se recair sobre mim, não tenho motivo para não aceitar. Porém isso é uma decisão de dez mãos. Não é interesse individual.

Especulação: DEM, PSDB e PPS podem se fundir depois de 2012 sob a liderança de Aécio Neves

DEM, PSDB e PPS planejam fusão

Fonte: Raymundo Costa e Raquel Ulhôa – Valor Econômico

Partidos: Movimento deve ser posto em curso depois de 2012 sob a liderança de Aécio

O Democratas elegeu ontem presidente o senador José Agripino Maia (RN), no que pode ter sido uma das últimas convenções nacionais do partido, cujas origens remontam à antiga Arena do regime militar. A data-chave do DEM é a eleição municipal de 2012, após a qual a oposição deve abrir uma discussão sobre a fusão dos três partidos – além do Democratas, o PSDB e o PPS já conversam discretamente sobre o assunto, nos bastidores. O que se espera, entre os demistas, é que o senador tucano Aécio Neves, o mais provável candidato do PSDB em 2014, assuma o comando dessas articulações.

Embora a tendência seja o DEM atar seu projeto político ao de Aécio, outros atores tucanos ajudaram na recomposição e trégua provisória do partido, dividido entre as alas do ex-presidente da sigla Jorge Bornhausen (SC) e do até ontem presidente, Rodrigo Maia (RJ). O principal deles foi o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que atuou para desestimular deputados estaduais e federais do Democratas e estaduais do PPS a deixar seus partidos para seguir o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, na fundação de um novo partido (PDB). José Serra também ajudou, para tentar evitar que Kassab desencadeasse a ruptura no DEM.

Aliado de Bornhausen, Kassab foi o grande ausente na convenção de ontem, reforçando a impressão de que sua saída do DEM é iminente. Externamente, os dirigentes do DEM afirmam que a fase mais aguda da crise que atinge o partido está superada. Em termos. Ao tornar públicas suas conversas com o governador Eduardo Campos (PE) sobre a fusão do novo partido que planeja criar com o PSB – uma espécie de partido “janela”-, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, praticamente inviabilizou a adesão de figurões como Jorge Bornhausen (SC), Kátia Abreu (TO), e do ex-senador Marco Maciel, que é adversário de Campos em Pernambuco. Todos estiveram presentes ontem à convenção.

O risco, no entanto, não passou e a avaliação do DEM é que vai perder quadros para o partido de Kassab – se for efetivamente um partido e não apenas um instrumento de passagem para outra legenda – em função das situações locais, além do adesismo governista. Um exemplo: em Goiânia, o senador Demóstenes Torres é candidato a prefeito, mas quem domina a máquina partidária é o deputado Ronaldo Caiado, seu adversário. O problema afeta outros partidos, inclusive o PT (o deputado João Paulo, do Recife, é um exemplo). É nesse quadro que o partido de Kassab pode levar vantagem.

O maior trunfo do Democratas é o tempo de televisão, o que uma legenda nova como seria a do prefeito de São Paulo não terá – só o tempo dos parceiros nas coligações ou do partido ao qual se fundir, como o PSB. Além do tempo de TV, também o fundo partidário permanece integralmente com o DEM.

São com esses recursos e tempo de televisão no horário eleitoral gratuito que o DEM esperar obter o melhor resultado possível nas eleições municipais de 2012, a fim de entrar nas discussões sobre a sucessão presidencial com algum peso. Evidentemente, se o partido obtiver um resultado excepcional, o que não é esperado, a discussão sobre a fusão com os outros dois atuais partidos da oposição deve ser revista.

A fusão também embute um outro risco, que depende da conjuntura pós eleitoral de 2012: se o governo Dilma Rousseff estiver muito bem avaliado, na ocasião, a tendência é que a oposição perca para o governo congressistas que não concordarem com a unificação (é uma justificativa aceita pela legislação eleitoral para a troca de partido).

Em avaliações feitas no Democratas, no mapa a fusão seria um excelente negócio para PSDB e DEM: os partidos são complementares, onde um é fraco, outro é forte ou ainda mantém alguma estrutura capaz de sustentar um partido viável no plano estadual. Por exemplo, o PSDB é fraco no Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, todos Estados onde o Democratas é mais forte que o parceiro de oposição ao governo do PT.

Em fase de reorganização e sem nomes à Presidência, outra avaliação corrente no DEM é que os polos de poder no país, no momento, são PT e PSDB. Logo, seja por meio da fusão ou de aliança, a tendência do partido em 2014 é novamente ficar com os tucanos na disputa presidencial, provavelmente com AécioNeves. Os demistas, no entanto, reclamam da passividade até agora demonstrada pelo senador mineiro, mesmo reconhecendo que ainda não se passaram 90 dias de governo.

Agripino foi eleito com apoio dos dois grupos divergentes do partido, numa tentativa de unir a legenda. Uma de suas tarefas é tentar evitar uma debandada de demistas com Kassab. Uma das armas é a ameaça de recorrer à Justiça para recuperar o mandato dos infiéis. Para isso, demistas têm pareceres jurídicos atestando que quem sai de um partido só pode se beneficiar da exceção à regra da fidelidade partidária se assinar o ato de fundação.

No início, as notícias referiam-se à possibilidade de 70 prefeitos, 20 deputados, uma senadora e os dois governadores do partido o acompanharem. Agora, essa contabilidade caiu para menos de dez no caso dos deputados. E a senadora Kátia Abreu diz que, por enquanto, fica, dando um “voto de confiança” em Agripino. Os dois governadores – Rosalba Ciarlini (RN) e Raimundo Colombo (SC) – também decidiram ganhar tempo. A expectativa é que Agripino possa recompor e conciliar as demandas das diversas facções.

Agripino também cria expectativa nos outros partidos de oposição. O presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), compareceu à convenção. Eleito para mandato-tampão, Agripino propôs o calendário para eleição dos comandos municipais (16 de julho), estaduais (20 de agosto) e nacional (27 de setembro) – na qual deverá ser mantido no cargo, se conseguir manter a coesão.

“Não sou um beligerante. Sou um conciliador. Se os segmentos do meu partido que tinham divergências explícitas me escolheram, é porque querem entendimento”, diz.

Aécio Neves abre diálogo com Centrais Sindicais e defende mínimo de R$ 560

Na véspera da votação, Aécio e Alckmin evitam apoiar R$ 600

Fonte: Rosa Costa e Gustavo Uribe – O Estado de S.PauloFracassa articulação do ex-governador de Minas em favor da proposta de R$ 560, defendida pelas centrais sindicais

A pretexto de estabelecer pontes com o movimento sindical, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez um gesto público contra o mínimo de R$ 600 defendido pelo correligionário José Serra, candidato derrotado à Presidência e tentou, sem sucesso, negociar o apoio da bancada tucana à proposta de R$ 560. As bancada do PSDB da Câmara e do Senado rejeitaram a sugestão de Aécio. O argumento do PSDB é que isso estimularia um racha entre as correntes lideradas pelos dois líderes.

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) defendeu um reajuste superior aos R$ 545 propostos pelo governo federal, mas também não encampou diretamente a proposta de Serra. “Na área federal, é preciso avaliar as contas da Previdência Social. Mas eu acho que poderia ser maior, levando-se em consideração a inflação de alimentos.”

Segundo o governador, melhorar o mínimo é “uma medida de justiça social”. Ele ponderou, porém, que os gastos elevados da União criam um “evidente” problema de natureza fiscal no País.

Estranho. O líder Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou que não há motivo para recuar do compromisso do partido em favor do mínimo de R$ 600. “Foi um dos compromissos mais reiterados e o mais absorvido pela população. Seria estranho adotar uma postura durante e outra depois da campanha.”

Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), o valor do mínimo defendido pelo partido tem “base técnica” e não pode ser abandonado. Mas ele endossou a tentativa de Aécio Neves de aproximação com as centrais sindicais.

Bastidores. Minutos antes de se reunir com a bancada, Aécio tinha conversado com o presidente da Força Sindical, o deputado Paulinho Pereira da Silva (PDT), e com outros líderes sindicais sobre a possibilidade de o PSDB se comprometer com o mínimo de R$ 560 se a proposta dos tucanos for rejeitada – como o senador acredita que será.

O ex-governador de Minas argumentou que o PSDB não deve correr o risco de ficar “absolutamente isolado nesse processo”, mesmo tendo razões técnicas e econômicas que justificam sua proposta. “Se for derrotada a proposta de R$ 600, acho que devemos ter um plano B, que seria, na minha avaliação, a unificação das oposições em torno da proposta das centrais”, argumentou. “É importante que o PSDB se reencontre com setores representativos dos trabalhadores.”

“As centrais sindicais serão beneficiadas pela nossa persistência, de que R$ 600 é possível”, disse Álvaro Dias.

O economista Geraldo Biasoto Júnior, que assessorou Serra, detalhou ontem na Câmara os argumentos do PSDB em defesa dos R$ 600. Segundo ele, são necessários mais R$ 17,7 bilhões para bancar esse valor. Para Biasoto, é preciso reestimar corretamente o aumento da arrecadação previdenciária para 2011, que seria uma das fontes de receita. Ele também propôs cortes em gastos de custeio.

Artigo: ‘PSDB dá sinais de que o perfil em ascensão na floresta tucana e nas hostes oposicionistas é o do senador Aécio Neves’

O canto desafinado das oposições

Fonte: Artigo Guadêncio Toquato – Estado de S.Paulo

Uma nota de pé de página revela traços do ethos nacional: as máscaras de Tiririca e Dilma Rousseff são as preferidas dos brasileiros para o carnaval; já as máscaras de Serra e Marina são as menos vendidas.A cara de Tiririca, o palhaço que se elegeu deputado, e a de Dilma, a técnica que se elegeu presidente da República, deverão ser as mais vistas na folia carnavalesca. A explicação? Ambos expressam atributos que emolduram o jeito de ser do brasileiro: a improvisação, o deboche, a irreverência, de um lado; a identificação com o poder, a opção pelos vitoriosos, de outro. Tiririca encarna a índole bagunceira e pouca afeita à formalidade; já a mulher presidente, além de ser a novidade da estação, projeta a ideia de força e de mando, de respeito e autoridade, valores reconhecidos nos perfis que detêm competência (e tinta na caneta) para nomear, demitir, decidir, ordenar. Puxar personagens com esse estofo para os salões da folia é dar vazão ao sentimento das ruas. O deputado e a presidente representam, portanto, o verso e o reverso, o poder informal e o poder formal, conjuminados na ampla radiografia da nossa cultura.

Se as máscaras do ex-governador de São Paulo José Serra e da ex-senadora Marina Silva abarrotam estoques, não é por serem feias ou bonitas, bem desenhadas ou extravagantes, mas porque ambos perderam as eleições. O caleidoscópio da paisagem desenhada pelo povo nada mais é que um desfile de personagens e suas representações. Assim, quem perdeu posição na política fica fora de foco, com exceção de quem consegue pular na gangorra, subindo e descendo, como Geraldo Alckmin, por exemplo, ou de figurantes que furam a névoa do tempo, como José Sarney e Paulo Maluf, cujas máscaras continuam à disposição em qualquer loja do ramo. O que tem chamado a atenção, porém, é a pequena atração exercida ultimamente por Serra, seja no mostruário das máscaras, seja no próprio palco da política. A sensação é de que o ex-candidato a presidente se encontra, agora, num patamar exageradamente baixo no ranking da influência. Ou, em outras letras, atende no balcão de fundo. O que teria acontecido para distanciamento tão acentuado, considerando que, mesmo derrotado no último pleito, chegou a ter quase 44 milhões de votos? Tentemos algumas hipóteses, a começar pela onda governista, que, na abertura de ciclos administrativos, invade fronteiras, ampliando territórios e apagando rastros das oposições.

Serra, como se sabe, tem sido o alvo mais impactado pela vitória da candidata petista. Seu afastamento do centro político tem que ver com o ditado “quem é dono da flauta dá o tom”. Seu toque é débil. Neste momento, a orquestra tucana parece desafinada ante a regência (precária) de Sérgio Guerra, que pleiteia voltar ao comando do partido. Os acordes mais afinados são dados pelo maestro Fernando Henrique Cardoso, aliás, deixado à margem por ocasião da campanha presidencial, sob o argumento de que poderia ser alvo fácil de bombardeio. O fato é que o PSDB dá sinais de que o perfil em ascensão na floresta tucana e nas hostes oposicionistas é o do senador Aécio Neves, cujo bom desempenho em Minas Gerais (além de sua eleição, contabiliza a vitória do governador Antonio Anastasia e a do senador Itamar Franco) o habilita a ser o principal jogador no tabuleiro de 2014. E é fato também que o PSDB atravessa uma das curvas mais fechadas de sua trajetória. Mais que uma disputa envolvendo lideranças, o partido vive uma crise de identidade. Ao longo dos anos foi forçado a repartir o escopo da social-democracia com outras siglas, incluindo o PT. Desde que foi criado, em 1988, sempre circulou pelo meio da pirâmide – classes médias, profissionais liberais, núcleos acadêmicos e formadores de opinião -, nunca frequentando as margens. Ganhou, com alguma razão, o selo de partido elitista.

É visível o esforço do ex-presidente FHC para oferecer um norte aos tucanos desorientados. Basta ler a orientação tática e estratégica que o ex-presidente fornece nas pistas dos temas prioritários e formas de atuação política, objeto de seu artigo Tempo de muda, neste jornal (6/2). Abrir o verbo e falar forte, conforme sugere o sociólogo à oposição, seria, afinal de contas, bom conselho? Ou será que faltam interlocutores e ouvintes? Montaigne dizia que o poder da palavra pertence metade a quem fala e metade a quem ouve. Donde se pinça a dúvida: quem está motivado a ouvir a mensagem da oposição? Os milhões de eleitores que votaram em Serra continuam fiéis a ele? É sabido que a mudança no campo da adesão eleitoral é intensa, principalmente num país de comportamento volúvel como o nosso. Os votos de ontem podem já não ser os de hoje, seja por causa da atração fatal exercida pelo governismo, seja pela identificação do povo com os novos condimentos adicionados ao tempero social. A maioria da população parece contente com os novos ares, sob o abrigo social agora administrado pela nova governante. Por conseguinte, o anzol oposicionista não consegue fazer boa pescaria, a não ser fisgar um grupo de peixes que habita o centro da lagoa.

Se as oposições pretendem botar a locomotiva na linha para puxar um trem social mais comprido, hão de arrumar estratégias que abarquem a reorganização partidária, visando, primeiro, ao pleito municipal de 2012. Os primeiros tijolos do edifício político são feitos com o barro dos municípios. E, convenhamos, o PSDB deles está distante, enquanto o DEM definha a olhos vistos. Qualquer projeto de poder sem sólida base municipal equivale a castelos construídos na areia. As querelas internas, por seu lado, estiolam a meta da unidade oposicionista. Por último, a lembrança de que horizontes mais abertos para as forças oposicionistas passam, necessariamente, pelos bons ventos a serem soprados pelas administrações dos dois maiores colégios eleitorais do País: São Paulo e Minas. Desafio maior: seus governantes deverão azeitar intensamente as máquinas para evitar o corrosivo desgaste de material.

JORNALISTA, É PROFESSOR TITULAR DA USP, CONSULTOR POLÍTICO E DE COMUNICAÇÃO


Se o lugar do passado tucano é SP, o lugar de seu futuro é MG. Quase todo mundo concorda que Aécio é a cara do PSDB de amanhã

O PSDB que olha para a frente

Fonte: Publicado no Blog do Noblat

Enquanto uma parte do PSDB vai se afastando cada vez mais do sentimento nacional, outra dá mostras de estar em sintonia com ele. Entre ambas, a distância, inevitavelmente, aumenta.

Por atavismo e espírito de corpo, a parte moderna hesita em romper com a antiga. Talvez não sinta pressa, raciocinando que tem tempo até o momento quando o desfecho do embate interno se tornar inexorável.

É fato que ele não é urgente no horizonte dos dois próximos anos. Para a vida parlamentar de 2011, a convivência entre os grupos já foi acertada, ficando os dois adequadamente representados nos postos relevantes do partido na Câmara e no Senado. Predominou a avaliação de que era inoportuno precipitar o conflito, pois isso tenderia a enfraquecer ainda mais as oposições, já debilitadas pelos golpes recebidos nas urnas.

Para as eleições municipais do ano que vem, a questão de qual segmento tucano conseguirá liderar o partido é secundária. Eleições locais são locais, pouco (ou nada) interessando ao eleitor a filiação de um candidato a determinada corrente partidária. Pensando no conjunto do país, para o PSDB tanto fará se os prefeitos que elegerá virão de seu lado antigo ou moderno. O importante é que sejam muitos, venham de onde vierem.

É para as eleições de 2014 que o partido tem que resolver o que quer ser. As alternativas são claras hoje e dificilmente mudarão até lá. Ou se reapresenta ao eleitorado com as feições que assumiu nas últimas eleições ou se renova. Ou insiste nos nomes que o simbolizam ou mostra ter opções.

Em 2010, o PSDB passou por escolha parecida e preferiu o passado. Movido pela lógica singela de acreditar que bons números de pesquisa bastam, veio de Serra. Deu no que deu.

Uma das consequências dessa decisão foi retardar a construção de uma nova identidade para o partido. Ou seja, na sucessão de Dilma, o PSDB voltará a estar perante um quadro semelhante àquele com que se defrontou ano passado. Em qualquer pesquisa que se fizer, seus nomes conhecidos ficarão melhor que os menos repertoriados. Será que persistirá no erro?

Embora a vasta maioria do partido trema só de ouvir falar em uma nova candidatura presidencial de Serra, caso o embate entre a parte antiga e a nova for sendo adiado indefinidamente, o “pesquisismo” pode voltar a vencer. Na ausência de outros critérios para definir quem será o candidato para enfrentar Dilma (ou, quem sabe, Lula), teremos, de novo, a consulta às pesquisas para ver “quem está na frente”.

O conflito entre antigos e novos tem uma dimensão regional. São Paulo é o epicentro do rosto tradicional do PSDB, quando mais não fosse por todos seus candidatos a presidente serem paulistas (inclusive o carioca Fernando Henrique). Covas, o próprio FHC, Serra e Alckmin deram, para o eleitor comum, um rosto tipicamente estadual ao PSDB (ao contrário do que aconteceu com o PT, pelas características de Lula e suas candidaturas).

Mas nem todos os tucanos paulistas são antigos, nem todo o PSDB está em São Paulo. Existe um PSDB que olha para a frente.

Se o lugar do passado tucano é São Paulo, o lugar de seu futuro é Minas Gerais. Quase todo mundo concorda que Aécio é a cara do PSDB de amanhã.

Aécio expressa a parte contemporânea do PSDB por muitas razões. Ao contrário do que pensam muitos, uma é sua disposição de correr riscos políticos. Se enganam aqueles que dizem que, nesse aspecto, Tancredo era mais ousado.

Colocar todas as fichas na eleição de Antonio Anastasia foi uma decisão de risco. Não por que suas chances fossem pequenas. Ele talvez elegesse seu indicado sem problemas, qualquer que fosse o perfil, tamanha a aprovação de seu governo.

Aécio inovou foi quando ligou seu futuro político ao desempenho de um governador incomum. Anastasia é um funcionário público de carreira e um administrador. Não vem de família rica ou tradicional na política, nunca foi uma celebridade ou teve militância sindical e partidária. Seu trunfo era possuir uma competência técnica reconhecida até por seus adversários. Era diferente de tudo que caracteriza o político brasileiro.

Ao apoiá-lo, Aécio fez duas apostas. Que o eleitor tinha amadurecido e estava pronto para uma candidatura como a dele. Que Anastasia faria um governo comparável ao seu, mesmo sem ter qualquer experiência política no currículo.

Correu o risco e foi premiado. Acertou na primeira e tem tudo para acertar na segunda

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

 

Sérgio Guerra se defende: ”Eu sou candidato. Serra nunca disse que é”

”Eu sou candidato. Serra nunca disse que é”

Fonte: Christiane Samarco – Estado de S.Paulo

Tucano diz que lista de apoio à sua candidatura à presidência do PSDB foi um movimento natural da bancada no Congresso

Acusado de tomar uma “atitude indigna” ao estimular uma lista de apoio de tucanos para reelegê-lo presidente do PSDB, o deputado eleito Sérgio Guerra (PE) afirma que “não houve conspiração nem contestação” no movimento da bancada da Câmara. Decidido a manter sua candidatura à presidência do partido, argumenta que sua indicação foi determinada pela naturalidade da escolha e sustenta a tese de que a bancada tem autonomia para tomar esta decisão.

O deputado Jutahy Magalhães, ligado a Serra, referiu-se ao abaixo-assinado como “atitude indigna”.
Me candidatar e ser indicado por uma bancada significa traição? Não tem nada a ver. Por que não posso ser candidato a presidente? Por que não posso ser indicado pela bancada? O que todos desejamos é democracia interna. Não queremos ver o PSDB em uma polêmica precipitada e indesejada, pela qual já pagamos elevado preço.

É uma referência à disputa entre os grupos de Serra e Aécio?
Estamos decididos a deletar esta questão de alas para o PSDB poder avançar. Precisamos de mineiros e paulistas para eleger o próximo presidente.

Com sua indicação para a presidência e a do senador Tasso Jereissati para o Instituto Teotônio Vilela, Serra não vai ficar sem espaço no partido?
De jeito nenhum. Eu fiz a campanha do Serra para presidente e o Tasso trabalhou por ele no Ceará com muita intensidade. Essas escolhas não são contra ninguém; são a favor do partido e da oposição brasileira.

Mas isto não deixa Serra sem espaço para trabalhar uma eventual recandidatura em 2014?
José Serra não foi candidato com nosso apoio entusiasmado em função de espaço no partido, mas porque era o candidato que representava maiores condições de vitória. Em uma eventual candidatura de qualquer um deles no futuro, o que o partido quer é que o escolhido seja competitivo e que possa vencer a eleição. Foi assim em 2010.

Se o Serra quiser presidir o partido o senhor abre mão?
Eu sou candidato. O Serra até agora nunca disse que o é. Ao contrário, até pediu que eu me candidatasse à reeleição e fizesse minha campanha. Eu não estou aí para fomentar briga com ninguém. Sobre Serra, repito: “Ele pode ser o que quiser no partido, até porque até ontem eu estava na rua defendendo o nome dele para presidente da República”.

Mas o abaixo-assinado da bancada a seu favor sacramenta seu nome na presidência do PSDB?
Claro que não. A lista apenas indica que meu nome seria a escolha natural do partido.

O sr. consultou os governadores sobre a lista de apoio para mantê-lo no comando do PSDB?
Não consultei ninguém. Informei ao doutor Geraldo que havia este movimento e ele ponderou a questão da oportunidade. Com outros governadores e outras lideranças, falei depois.

Falou com Serra depois do abaixo-assinado?
Não o procurei, nem ele me procurou. Também não falei com Aécio, nem antes, nem depois.

Tem fila para candidato a presidente no PSDB?
As circunstâncias futuras dirão quem será o melhor candidato do partido em 2014. Olhando para frente, só vejo que é preciso fazer uma grande mudança na forma de o partido funcionar.

Aécio Neves conquista mais espaço e amplia apoio dentro do PSDB, bancada também conta com paulistas

Aécio ganha espaços no PSDB

Fonte: Rodrigo Freitas – O Tempo

Estratégia. Grupo ligado ao senador eleito consegue atrair para seu campo até mesmo deputados paulistas

Tucanos antecipam sucessão interna e costuram reeleição de Sérgio Guerra

Aos poucos, o grupo do PSDB ligado ao senador eleito Aécio Neves vai conseguindo se impor dentro do partido e aglutinando forças ao seu redor. Os tucanos mineiros já consideram como “praticamente assegurada” a reeleição do presidente nacional da legenda, senador Sérgio Guerra (PE). Anteontem, numa reunião, 53 dos 55 deputados federais do partido, que estavam presentes, assinaram um manifesto de apoio a Guerra.

Na prática, os parlamentares reduzem o poder de fogo do candidato tucano derrotado à Presidência José Serra, que teria a intenção de comandar o PSDB, e aumentam o de Aécio, que quer se candidatar à Presidência, em 2014. Ao mesmo tempo que se mobiliza em busca da reeleição de Sérgio Guerra, o grupo tucano já tratou de se mover no Senado. Tasso Jereissati (CE) e Arthur Virgílio (AM), que foram derrotados nas últimas eleições, iriam, respectivamente, para o comando do Instituto Teotônio Vilela (ITV) e para a diretoria de relações internacionais do partido.

Ambos são aliados de Aécio e poderiam ser fundamentais nos planos do mineiro de chegar ao Palácio do Planalto. “São indicações que se fortalecem a todo momento dentro do partido”, afirma um tucano, que pediu para não ter o nome divulgado.

Para contribuir com a possível candidatura de Aécio à Presidência da República em 2014, os tucanos de Minas Gerais vêm ainda uma outra possibilidade: ceder a secretaria geral do partido, atualmente ocupada pelo deputado federal Rodrigo de Castro. O posto é estratégico no organograma do partido, mas os mineiros sabem que precisarão se aliar com tucanos de alta plumagem de outros Estados para dar a força necessária aos planos de uma candidatura aecista.

O próprio Rodrigo de Castro, um dos aliados mais próximos ao senador eleito, já teria admitido a hipótese de deixar a secretaria geral do partido, caso isso seja necessário, em nome de uma composição nacional dentro do PSDB. O parlamentar, entretanto, ainda costuraria algum espaço dentro da executiva nacional do partido.

TÁTICA. Caso Serra resolva espernear e reclamar publicamente de estar sendo minado dentro do PSDB, os tucanos de Minas já têm um argumento na ponta da língua: “Serra nunca disse publicamente que seria candidato a presidente do PSDB. Não é possível que ele esteja repetindo o que fez, quando definiu que seria candidato à Presidência da República, anunciando somente na última hora. Seria novamente uma tática suicida”, ironiza um tucano paulista, aliado de Aécio.
Nos próximos dias, o PSDB de Minas Gerais deve se reunir para traçar uma “tática de guerra”. Os tucanos do Estado querem demonstrar, com isso, poder de organização e decisão para tocarem as estratégias da corrida presidencial. Na tropa de choque, estão Rodrigo de Castro, o secretário de Governo de Minas Gerais, Danilo de Castro, o governador Antonio Anastasia e o presidente do PSDB no Estado, Nárcio Rodrigues.

Clima quente
Alckmin tenta conter ânimos
Os tucanos de Minas Gerais garantem que os deputados federais paulistas que votaram a favor da manutenção do senador Sérgio Guerra no comando nacional do PSDB o fizeram com a concordância do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Por sua vez, ele também já estaria a favor de uma eventual candidatura do senador eleito Aécio Neves à Presidência, em 2014.

Diante do clima azedo no tucanato paulista, Alckmin, entretanto, resolveu voltar atrás e disse que apoiará Serra, caso ele queira presidir o PSDB. Mas, para integrantes do partido em Minas, Alckmin apenas tentou “apagar o incêndio” causado pela revoada de tucanos paulistas para o lado de Aécio.
Na avaliação de interlocutores do senador eleito, uma grande parte da legenda assimilou que o PSDB precisa se renovar. “Neste momento, estamos unidos em torno da necessidade de renovação do partido e o homem que pode conduzir este processo é o presidente Sérgio Guerra”, disse um deputado mineiro.

Guerra disse, na reunião que consolidou seu nome como candidato à reeleição, que todo mundo está pensando nessa “agenda de mudar o partido, de fazê-lo forte em todo lugar, renová-lo”. O dirigente tucano citou os Estados do Rio de Janeiro, Amazonas e Pernambuco, além do Distrito Federal, como os locais que mais precisam de mudança estratégica. O Nordeste é outra região que preocupa bastante os tucanos. (Rodrigo Freitas com agências)

Ressentimento
Serristas criticam antecipação de discussões sobre sucessão
A defesa da reeleição do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, feita pela maioria dos deputados federais do partido, deixou os serristas ressentidos. A maioria das críticas foi voltada para o que eles consideram como a antecipação do processo de sucessão no partido.

O deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP) criticou duramente a reunião em que foi feito o manifesto a favor de Guerra. Ele considera que há uma “antecipação estapafúrdia e indevida” da sucessão. Ele não estava na reunião em que o manifesto foi assinado e criticou os companheiros de partido que participaram da iniciativa.

“Eu não estava nessa reunião. Essa discussão sobre a sucessão não é o assunto para agora. Há uma tremenda falta de maturidade política por parte de quem produziu esse manifesto desnecessário. Também acho que nosso presidente (Guerra) não precisava se prestar a isso”, disparou Madeira.

No entanto, ao ser questionado se o manifesto teria partido do senador eleito Aécio Neves, o deputado paulista foi mais diplomático. “Não acho que isso tenha partido dele, até porque o Aécio não compactua com rasteiras. Mas não me estranharia se isso tiver partido de gente ligada a ele”, disse o parlamentar tucano.

Madeira defende que o PSDB “não passe o carro à frente dos bois”. Ele quer que o partido discuta, inicialmente, a sucessão no comando dos diretórios estaduais, para, somente então, definir os rumos do comando nacional da legenda.

O deputado disse também que a “afobação” dos tucanos em torno de uma eventual reeleição de Sérgio Guerra para o comando nacional tucano “pode custar caro ao partido”. (RF)

A encrenca
Dois lados.Rachado desde antes das eleições de 2010, o PSDB se vê diante dos grupos do senador eleitoAécio Neves e do candidato derrotado à Presidência José Serra. As duas alas querem o comando do partido.

Aécio. O lado aecista deseja ver a reeleição do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra. Ostucanos mineiros estariam amparados, inclusive, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardosos e pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Serra. Já a outra ala tucana ainda acredita que José Serra possa presidir o partido. Seria uma tentativa de ele se manter em evidência e ainda pensar em mais uma candidatura presidencial no ano de 2014.

Duarte Nogueira é eleito líder do PSDB na Câmara, partido defende permanência de Sérgio Guerra na presidência

Deputado ligado a Alckmin é eleito líder do PSDB na Câmara

Fonte: Raquel Ulhôa – Valor Econômico

Aliado do governador Geraldo Alckmin (SP), o deputado federal Duarte Nogueira foi eleito ontem por consenso o líder da nova bancada do PSDB na Câmara dos Deputados a partir da próxima legislatura, que assume em 1º de fevereiro. Na reunião, os tucanos manifestaram apoio à eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) para a presidência da Casa e assinaram lista de apoio à recondução do senador Sérgio Guerra (PE) – que assumirá mandato de deputado – no comando do partido.

Definido pelos colegas como conciliador, Nogueira prometeu orientar a bancada a uma oposição “consistente, organizada e propositiva”. Segundo ele, “não só o ex-governador José Serra, mas a sociedade brasileira é que está pedindo uma oposição mais dura”.

A gestão de Guerra na presidência do PSDB vai até maio. Aliados de Serra tinham expectativa de eleger o ex-governador para o cargo, de onde ele poderia comandar a oposição até 2014. A postulação dos serristas não foi feita formalmente e é rejeitada por aliados do senador eleito Aécio Neves (MG). Alguns deputados disseram ter recebido telefonemas de Serra para conversar, mas sem qualquer pedido de apoio.

Pela capacidade de diálogo de Sérgio Guerra com todo o partido, sua permanência no comando da sigla é vista como importante para tentar equilibrar a disputa entre os grupos de Serra e Aécio, ambos defendidos por respectivos aliados como pré-candidatos a presidente em 2014.

“Existem algumas ansiedades [no partido] no tocante a antecipar as escolhas do futuro. A manutenção do Sérgio gera estabilidade nessa discussão e cria um ambiente de melhor diálogo para o partido como um todo”, disse Nogueira, que foi líder do governo anterior de Alckmin na Assembleia Legislativa (2001 e 2002).

O novo líder afirmou que Aécio “é um nome que entusiasma muito o PSDB”, mas o partido precisa se unir para conseguir convergência de toda a oposição. Considerou uma “virtude” o partido ter outros nomes para disputar a Presidência da República. “O partido tem que oferecer, no momento certo, aquilo que for melhor para ter não só expectativa de poder, mas ter o poder”, afirmou. Segundo ele, “todos os governadores” do PSDB serão importantes no processo.

Na reunião, Guerra defendeu oposição “mais eficiente” a Dilma Rousseff. Afirmou que o enfrentamento a Lula, feito no Congresso, nem sempre tinha visibilidade, por repercutir menos do que as declarações do ex-presidente. “Fica essa interpretação de que a oposição foi dura ou mole, para frente ou para trás. Mas só tem uma oposição. E ela vai ter que ser mais eficiente, porque seremos menores nessa legislatura”.

O apoio dos tucanos à eleição do deputado petista Marco Maia para presidir a Câmara deve-se ao respeito ao critério da proporcionalidade das bancadas. O PT, como elegeu o maior número de deputados, tem direito a indicar o presidente. O cargo também é disputado pelo deputado Sandro Mabel (PR-GO). Ontem, ambos estiveram na reunião dos tucanos – Mabel para pedir voto e Maia, para agradecer o apoio já recebido. Ambos se encontraram e se abraçaram.

A bancada escolheu também o nome de Eduardo Gomes (TO) para ocupar um posto na Mesa Diretora da Casa – primeira vice-presidência ou primeira secretaria, dependendo da opção que o PMDB (segunda maior bancada, atrás do PT), fizer antes. Logo após a confirmação do seu nome, Duarte indicou Paulo Abi-Ackel (MG) para ser líder da minoria, que reúne todos os partidos de oposição.

Marcos Coimbra critica Serra e diz que não faz sentido que a oposição se submeta a projetos pessoais sem chances de sucesso

Dilemas tucanos

Fonte: Marcos Coimbra – Estado de Minas

Quem não é serrista no PSDB não tem escolha: ou se submete ou assume publicamente sua discordância. Em outras palavras, contraria o típico peessedebismo de deixar as coisas andar para ver como ficam

Neste início de ano, o PT e os partidos da base aliada estão mudando, procurando ajustar-se à realidade do governo Dilma. O modo como funcionaram nos últimos anos e se relacionaram com o Planalto não se coaduna com os novos tempos. O descompasso mais visível acontece com o PSDB.

Na oposição e, especialmente, no PSDB, a necessidade de transformações é ainda maior. Nada mais natural, após a terceira derrota consecutiva para Lula e o lulismo. Se o governismo, bem-sucedido nas urnas, é obrigado a se renovar, o que dizer das oposições?

O principal partido oposicionista tem que contrariar aquilo a que nos acostumamos a ver como sua natureza mais profunda. Depois de ter ficado famoso por sua dificuldade de tomar decisões, por sua incapacidade de sair “de cima do muro”, ele agora tem que explicitar suas diferenças e contradições.

Sem vida partidária real (como ficou claro em 2009, quando não conseguiu fazer prévias entre seus filiados por nem sequer saber quantos são), tudo no PSDB se resolvia en petit comité. Na sua história, ficaram famosas algumas cenas, como a escolha do candidato presidencial em 2006, decidida na mesa de jantar de um luxuoso restaurante em São Paulo, presentes quatro pessoas.

Hoje, a tendência quase atávica que os tucanos têm de evitar o dissenso não se sustenta mais. Seu medo do confronto interno terá que ser superado, pois não enfrentá-lo é o caminho certo para um novo fracasso em 2014.

O fulcro do problema é o serrismo, o pequeno mas loquaz grupo de seguidores do ex-governador José Serra. Como tem um espaço desproporcional na chamada “grande imprensa” e conta com a simpatia de jornalistas nos principais veículos, acaba parecendo maior do que é. Os serristas são poucos, mas fazem barulho.

Apesar de seu pífio desempenho na eleição (pois foi pior que Alckmin no primeiro turno e só chegou ao segundo pegando carona em Marina), Serra quer ser a liderança maior e o candidato natural do PSDB à sucessão de Dilma. Acha que pode repetir a trajetória de Lula: de tanto tentar, acabar chegando à Presidência.

Sonhar é um direito de todos, mas não faz sentido querer que o conjunto da oposição se submeta a projetos pessoais, com chances de sucesso remotas (para dizer o mínimo). As figuras lúcidas do partido percebem que a carreira política do ex-governador acabou.

A esse núcleo serrista se agregam outras correntes tucanas igualmente presas ao passado, nenhuma capaz de representar uma opção nova para o Brasil. Seu expoente mais ilustre é Fernando Henrique, que, quando fala da presidente, insiste em um discurso de rejeição invejosa que perdeu a graça e a inteligência.

Quem não é serrista no PSDB não tem escolha: ou se submete ou assume publicamente sua discordância. Em outras palavras, contraria o típico peessedebismo de deixar as coisas andar para ver como ficam.

No fundo, isso é bom para o PSDB, ao obrigá-lo a se manifestar sobre o que pretende. Melhor a discordância exposta ao sol que o consenso falso. A briga de uns contra os outros sempre existiu em surdina.

Esta semana, um episódio até cômico ilustra os dilemas tucanos. É pequeno, mas revelador.

O PSDB tem, agora no início de fevereiro, seu tempo de propaganda partidária do semestre. É uma janela sempre importante e, agora, ainda mais, por ser a primeira oportunidade de reencontro do partido com a grande maioria da população, somente atingível pela televisão.

O natural seria aproveitá-la para aquilo que os marqueteiros chamam reposicionamento. Seria uma boa hora para mostrar-se com a identidade que o partido adotará nos próximos quatro anos.

Pois bem, pela insistência do serrismo em protagonizar o programa, o resultado é que ninguém o estrelará. Nem Serra nem Aécio aparecerão, e só seu presidente e FHC poderão ser vistos. Ou seja, a cara do PSDB continuará a ser a de sempre.

Até quando o PSDB estacionará em impasses desse tipo? Quando é que a maioria vai mostrar à minoria que seu tempo passou?

Em busca do equilíbrio fiscal: Anastasia e Alckmin falam da reforma tributária e da divisão dos royalties da mineração

Reforma de volta à pauta tucana

Fonte: Renata Mata Machado – O Tempo

PSDB. Anastasia cobra maior parcela dos royalties minerais; Alckmin fala em revisão tributária por etapas

FOTO: CRIS CASTELLO BRANCO/DIVULGACAO

Ponderações.Para Alckmin, “reforma deve ser neutra”; já Anastasia diz que Minas é prejudicada na divisão de royalties da mineração

Reforma tributária e divisão de royalties foram alguns dos assuntos tratados ontem na primeira visita oficial do governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), depois de reeleito, ao governador de São Paulo, o também tucano Geraldo Alckmin.

No encontro, o governador Anastasia voltou a defender uma maior partilha dos royalties minerais aos Estados e municípios produtores. De acordo com o tucano, trata-se de uma questão importante da reforma tributária e que interessa a Minas Gerais. “Minas tem uma situação negativa e tomando prejuízo em matéria de minérios, principalmente, minério de ferro. Não só em relação a não incidência da Lei Kandir sobre a exportação de minério, mas também o valor pequeno dos royalties”, disse.

De acordo com Anastasia, Minas não defende nenhum aumento da carga tributária, mas espera que uma reforma tributária, no caso dos royalties, faça um equilíbrio federativo. “Queremos que os Estados e municípios mineradores sejam verdadeiramente compensados, especialmente, em relação à degradação ambiental”, completou o mineiro.

Etapas. Já o governador paulista disse que a reforma deve ser “neutra sob o ponto de vista da carga tributária”. De acordo com ele, o objetivo da reforma tributária não é aumentar ou diminuir impostos. Ainda na opinião de Geraldo Alckmin, ela deve ser feita em etapas.

“A reforma deve ser neutra sob ponto de vista da carga tributária, mas deve avançar muito na questão da simplificação do modelo tributário. O modelo atual é complexo, caro, com enorme custo para as empresa. Além disso, dificulta a vida do contribuinte. O Brasil é uma república federativa, mas é uma república federativa ainda pouco descentralizada. Quer dizer, muito centralizada na área federal. E um país continental, como o Brasil, quanto mais você delegar, descentralizar, fortalecer estados e governo local, é melhor”, comentou o governador de São Paulo.

Relações. Quanto à postura da oposição frente à administração petista, Anastasia afirmou ainda que o relacionamento do Estado com o governo federal será o melhor possível. “Os governos como um todo, quer dos Estados, quer dos municípios, até por obrigação constitucional e determinação constitucional, têm de fazer um trabalho sempre de cooperação e de parceria, cada qual guardando sua autonomia, a sua responsabilidade e seus princípios, mas ao mesmo tempo tendo por objetivo maior dar bons serviços públicos e apresentar bons resultados aos seus cidadão”, finalizou o tucano.
Durante o encontro de ontem, os governadores de Minas e São Paulo também trataram do apoio às regiões atingidas pelas chuvas no Rio de Janeiro.

Troca de experiências
Parceria é tema de reunião em BH
Durante o encontro de ontem, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Antonio Anastasia e Geraldo Alckmin definiram a pauta da próxima reunião dos governadores do PSDB, que será realizada em Belo Horizonte, em março.

“Como ficou combinado em Maceió (AL), vamos traçar programas e projetos comuns do nosso partido e de seus governadores, para trabalharmos integrados e com uma boa troca de experiências. Esse é o objetivo da reuniões”, disse Anastasia.

O governador de Minas destacou “as boas relações econômicas entre os dois Estados” e disse que os projetos também serão feitos com outros Estados geridos por tucanos, como Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo. “Como foi definido na reunião de governadores do PSDB, em Maceió, vamos fazer esses trabalhos em conjunto. Queremos demonstrar a seriedade e o gosto pela eficiência que marca os governos estaduais do PSDB”, finalizou Anastasia.

Antonio Anastasia e Geraldo Alckmin discutem reforma tributária para que Minas e São Paulo tenham ação unificada

Alckmin e Anastasia discutem atuação conjunta para debate da reforma tributária

FonteSilvia Amorim – O Globo

Antecipando-se a movimentos prometidos pela presidente Dilma Rousseff , os dois principais governadores de oposição, os tucanos Geraldo Alckmin (SP) e Antonio Anastasia (MG), começaram nesta sexta-feira a discutir uma atuação conjunta para o debate da reforma tributária no Congresso. Eles se reuniram na sede do governo paulista e deixaram o encontro pregando uma ação unificada.

A reforma tributária deve entrar na pauta do Congresso neste início de ano com o envio, pelo governo Dilma, de projetos de lei propondo alterações pontuais na legislação vigente. Alckmin e Anastasia estarão na linha de frente da elaboração da pauta da oposição sobre o assunto.

– Não conversamos em detalhes, só da importância de termos um trabalho em conjunto – disse Alckmin.

A dupla, entretanto, deu sinais das reivindicações do PSDB. Anastasia mostrou interesse em discutir uma repactuação da partilha dos royalties minerais em Minas:

– Não defendemos nenhum aumento da carga tributária, mas que essa reforma faça um equilíbrio federativo para que estados e municípios mineradores sejam verdadeiramente compensados pela degradação ambiental.

O próximo encontro de governadores do PSDB será realizado em Belo Horizonte, em março.

Fernando Henrique defende a tese de que Aécio Neves é o nome do PSDB para 2014

FHC adere à tese da fila e defende opção Aécio-2014

Fonte: Leandro Moraes/UOL – Publicado no Blog do Josias de Souza

Fernando Henrique Cardoso declara-se, em privado, convencido em relação à escolha do nome que deve representar o PSDB na sucessão presidencial de 2014.

Longe dos refletores, FHC revela-se um adepto da tese segundo a qual a fila do PSDB andou. A vez agora, diz o ex-presidente, é do senador Aécio Neves.

Na última campanha, FHC trabalhou por José Serra, contra Aécio. Hoje, move-se pelo ex-governador mineiro.

Serra já tentou duas vezes (2002 e 2010), recorda FHC. Geraldo Alckmin teve sua chance em 2006, ele acrescenta.

Acha que não há justificativas plausíveis para sonegar a Aécio a oportunidade de apresentar-se como o presidenciável da legenda na próxima disputa.

Além da lógica da fila, invoca o desempenho eleitoral de Aécio. Elegeu-se senador e acomodou um sucessor, Antonio Anastasia, na cadeira de governador de Minas.

Em diálogo recente com um ex-ministro de seu governo, FHC soou peremptório quanto à preferência por Aécio.

Dias atrás, o interlocutor transmitiu o teor da conversa ao próprio Aécio. Desnecessário. Ele já farejara a simpatia.

Aécio tem conversado amiúde com FHC. Para que a unidade de pontos de vista seja plena, terão de ajustar a afinação das violas em pelo menos dois pontos.

Ambos se batem pela reorganização do PSDB. Mas FHC torce o nariz para o vocábulo “refundação”, cunhado por Aécio. Considera-o demasiado amplo.

FHC defende que o nome do próximo presidenciável tucano vá à vitrine já em 2012. Aécio não está convencido da conveniência da antecipação.

De resto, será necessário combinar com os russos –que, no caso do PSDB, são os próprios tucanos.

O partido, como se sabe, é uma agremiação de amigos 100% feita de inimigos. O axioma revela-se incontornável a cada eleição.

Alckimin diz que pente fino é dever e nega crise com Serra, meta é criar gestão no modelo implementado por Aécio

Alckmin cita pente-fino como ”dever” e nega crise

Fonte: Estado de S.Paulo

Governador diz que não há ”auditoria” na gestão Serra, mas ”esforço permanente de ajuste fiscal”

Disposto a estancar a cizânia entre as alas do PSDB paulista, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tentou minimizar ontem os efeitos do pente-fino nos contratos com empresas terceirizadas da gestão José Serra/Alberto Goldman. Ele rechaçou o termo “auditoria” e afirmou que existe um “esforço permanente de ajuste fiscal”.

Como argumento para a ação de governo, Alckmin evocou outros pentes-finos realizados pela gestão Mário Covas, por seu próprio governo, em 2003, e pela gestão Serra, em 2007. E a classificou como um “dever”.

“Não há nenhuma auditoria, nem haverá nenhuma auditoria no governo. O que existe é um esforço permanente de ajuste fiscal. Que o Mário Covas fez, eu fiz, o Serra fez, e é meu dever fazê-lo de novo”, afirmou o tucano, após a missa em memória do ex-governador Orestes Quércia, em São Paulo.

No entanto, a discórdia entre os dois grupos se acentuou exatamente quando Serra fez a revisão de 2007 na gestão Alckmin. Secretários fazem coro ao governador para conter os efeitos da decisão e negam que haja espírito revanchista. Serra, que também estava na missa, não quis comentar a iniciativa de seu sucessor.

As declarações de Alckmin, no entanto, vão na contramão do que afirmou anteontem o secretário de Gestão, Julio Semeghini, ao receber o cargo. Em sua primeira entrevista coletiva, Semeghini observou que o governo fará uma revisão dos contratos com terceirizadas, hoje no valor de R$ 4,1 bilhões – cifra inferior apenas à folha do Estado.

Indagado sobre as afirmações de Semeghini, Alckmin disse que “não há nenhuma revisão de contratos”. “O que nós vamos fazer é procurar um esforço ainda maior de redução de custos. Especialmente na área de custeio. Para quê? Para poder ter um pouco mais de recurso para investimento naquilo que a população precisa”, anotou.

Metas. Alckmin discutirá sua gestão em reuniões marcadas para amanhã, com o governador de Minas,Antonio Anastasia (PSDB), e para segunda-feira, com o consultor Vicente Falconi, do Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG).

Em ambos os casos, o foco deve ser um planejamento de gestão por metas, como o realizado em Minas pelo ex-governador e senador Aécio Neves (PSDB). Anastasia sucedeu a Aécio e colheu os resultados de Falconi, que foi o mentor desse processo.

Alckmin confirmou ontem, em entrevista à Rádio Bandeirantes, que estuda a venda do edifício onde está a Secretaria do Planejamento, no Itaim, como revelou ontem o Estado, para otimizar a administração. “Se vender esse prédio, compramos um cinco, seis”, afirmou.

Alckmin revê contratos de Serra e já estuda implementar ‘choque de gestão’ no modelo criado por Aécio Neves em Minas

Alckmin manda rever contratos de Serra

Fonte: Sérgio Roxo e Jaqueline Falcão – O Globo

Ordem do governador é passar o pente-fino e fazer a economia possível

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), determinou a revisão dos contratos assinados na gestão anterior, dos também tucanos Alberto Goldman e José Serra, para tentar reduzir custos. Medida semelhante fora adotada por Serra em 2007 ao suceder a Alckmin.

– Ele (Alckmin) pediu uma revisão de todos os contratos, passar o pente-fino e fazer a economia possível. Os secretários têm meta de reduzir 10% de seu custeio – afirmou o secretário de Gestão Pública, Júlio Semeghini, na posse ontem.

O foco da revisão serão contratos de serviços terceirizados, como segurança de prédios públicos, alimentação e limpeza. Esses compromissos têm custo anual para os cofres do governo e das empresas estatais paulistas de cerca de R$ 4,1 bilhões.

– Depois da folha de pagamento, serviços terceirizados são o principal custo da administração direta e indireta – disse Semeghini, que coordenará o trabalho de revisão.

O secretário de Gestão Pública minimizou a possibilidade de a medida gerar mal-estar com a equipe de Serra e disse que Alckmin não usou a palavra “auditoria”:

– A equipe anterior participa em grande parte deste governo. Eles estão participando dessa meta. Assim como no começo do governo Serra, quando foi feito isso, ninguém encarou dessa maneira (como desconfiança do trabalho). É natural. Em todo começo de governo se faz isso.
Semeghini lembrou que no começo do governo de Mário Covas, em 1995, foi possível reduzir em 20% o valor dos contratos em vigor.

– A cada ano tem melhorado bastante.

Alckmin também planeja implantar um programa de metas a serem cumpridas no governo. E espera contar com o trabalho do consultor Vicente Falconi, que orientou o “choque de gestão” do tucano Aécio no governo de Minas.

%d blogueiros gostam disto: