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Serra candidato à prefeitura de São Paulo concede entrevista ao Estadão

Eleições 2012: “Toda eleição tem um risco. Na vida pública vive-se correndo riscos, estou acostumado”, comentou José Serra.

‘Não é tradição Lula ganhar em São Paulo’, diz Serra

Depois de vencer prévias, tucano foca na briga pelo seu retorno à Prefeitura da capital paulista

 

Fonte: Sonia Racy e Paula Bonelli – O Estado de S.Paulo

 

Salvo imprevisto, muitos acreditam que haverá um aprofundamento da polarização entre PSDB e PT nesta disputa pela Prefeitura de São Paulo. Tendo como protagonistas José Serra e Fernando Haddad, a briga não se resume a mais uma eleição municipal. O Brasil inteiro estará de olho no resultado deste pleito e tudo mais que ele possa significar.

José Serra resolveu ser candidato há menos de um mês. No início do ano, avisou que não queria mais ser prefeito. “Não queria, mas a necessidade de aumentar a chance de vitória foi posta pelo PSDB e por nossos aliados”, justificou em conversa com a coluna, na sua casa no bairro Alto de Pinheiros. Bastante à vontade, falou sobre tudo, até sobre seu escorregão em relação ao “papelzinho”. Aqui vão os principais trechos da entrevista:

Seus adversários vão explorar, na campanha, a sua saída da Prefeitura no meio do mandato. Já estão ironizando o “papelzinho” que o sr. assinou. Como vai enfrentar isso?

Quando usei essa palavra eu não quis dar um tom jocoso. Mas é importante dizer que a população de São Paulo apoiou duas vezes a minha decisão. Em 2006, tive mais votos no primeiro turno para governador do que para prefeito em 2004. Em 2010, apesar de ter perdido a eleição nacional, ganhei da Dilma em São Paulo. Quem não tem nada a mostrar só pode acusar. Não funcionou duas vezes e não vai funcionar a terceira. O que nós vamos debater nesta eleição é quem pode fazer mais pela cidade de São Paulo.

O PT fará um grande esforço para entrar no Estado e na capital. O sr. vê algum perigo de uma hegemonia partidária no País, como advertiu o Sérgio Guerra?

É legítimo que o PT queira ganhar, não só a Prefeitura como o Estado. Mas é uma ambição também alimentada pelo fato de querer ser hegemônico. O PT não convive bem com a política, ele tenta controlar até os próprios aliados. O PT não ama a política no sentido de lidar com adversário e compartilhar com aliados. Não me refiro a todos, mas a estratégia petista na internet é da destruição dos adversários, não do debate.

Essa percepção da hegemonia petista foi o gatilho para sua candidatura?

Não é só isso, eu me tornei candidato também pelo gosto de poder administrar novamente a cidade. Um decisão tomada por necessidade, mas sem gosto, é uma decisão muito áspera, difícil. E tomar a decisão só por gosto, sem necessidade, é um tipo de narcisismo, que não está entre os meus defeitos.

O sr. faz análise?

Atualmente, não.

Alguém lhe deu alta?

Não, em análise nunca se tem alta. Se não, não é boa análise. Em matéria de análise sempre fui multinacional. Fiz no Chile, nos EUA e no Brasil.

Que balanço o sr. faz da última eleição? Esta vai ser mais fácil?

Pelo meu temperamento, toda eleição é difícil. Você lida com incertezas e com o espírito das pessoas, que ninguém consegue monitorar.

O Lula está apoiando um candidato em São Paulo…

Sem dúvida. Ele apoiou o Genoino em 2002, perdeu a eleição. Apoiou a Marta em 2004, perdeu. Apoiou a Marta em 2008, perdeu. Apoiou o Mercadante em 2010, perdeu. Apoiou a Dilma em 2010 e eu ganhei em São Paulo, na Capital e no interior. A tradição do Lula é não ganhar dos nossos candidatos em São Paulo. O que não significa que ele não possa ganhar um dia. Estou dizendo, apenas, que não é a tradição até agora.

O que mudou em você da última eleição para cá?

Difícil. Essa é uma pergunta que você poderia responder melhor. Você vê que eu estou, fisicamente, mais descontraído.

Quais os riscos desta vez?

Toda eleição tem um risco. Na vida pública vive-se correndo riscos, estou acostumado. Bem jovem, enfrentei riscos imensos na política estudantil. Eu era o principal dirigente estudantil do Brasil na época do golpe de 1964, por exemplo. Paguei um preço altíssimo e depois, no Chile, com o golpe militar, fui preso. Então, eu já corri riscos na vida consideráveis. Já teve astrólogo que disse que eu vou viver assim toda a minha vida. Não estou dizendo que acredito, mas não acho que se faça tudo pela razão, muita coisa eu faço pela intuição.

Perguntado sobre o mensalão, o Haddad comentou que nunca ninguém tinha perguntado ao senhor se o livro Privataria Tucana teria impacto na campanha (ver ao lado).

Vou repetir o que já disse. O livro é um lixo. Na última campanha, o PT se especializou em atacar a minha família.

O que achou da experiência da prévia?

É um exercício democrático. Os EUA têm uma tradição longa, aqui não há nenhuma. Lá tem eleição a cada dois anos para deputado, fora eleição para prefeito, governador e presidente. Os partidos são mais enraizados na sociedade. Aqui, tenho a impressão de que foi a primeira vez que se fez uma prévia de maior alcance. Acho positiva, aquece a militância para a campanha. Eu fui talvez o principal proponente de prévia no PSDB, ano passado, muito antes de pensar em ser candidato.

Por que no Brasil nunca houve essa tradição?

Fazer prévia não é fácil. Há o risco de aprofundamento das diferenças. Se não houver uma estrutura adequada, acaba sendo um tiro no pé.

A gestão Serra-Kassab foi um período único?

Acho que houve dois períodos. Quando o Kassab era meu vice, seguiu estritamente o nosso programa de governo. Até onde pôde, foi com a mesma equipe – porque alguns vieram comigo para o Estado, como o Mauro Ricardo, nas Finanças. Reeleito, Kassab montou sua administração, harmoniosa com as parcerias com o Estado.

Faria algo diferente dele?

Não sou de descartar programa de antecessores. Se eu atuasse descartando, não teria feito mais telecentros que a Marta ou dado continuidade aos CEUs. E não teria ampliado o Bilhete Único. Veja que nesses três casos não mudamos o nome, prática usual na política. Nós não fazemos isso.

O senhor é um realizador, mas também tem fama de desagregador. Como explica isso?

Creio que capacidade de realizar e de agregar andam juntas. No governo Montoro, na Prefeitura, no Ministério da Saúde, sempre formei equipes que podem ser consideradas as melhores em cada época, sem qualquer desarmonia interna. Sempre parti de uma base técnica bastante ampla. Já era economista e especialista em algumas questões de gestão pública mesmo antes de ocupar cargo.

Quando percebeu que a política era o seu caminho?

Desde criança. Lia jornais a partir dos sete anos e meus parentes dizem que eu já discutia política, ainda criança. Eu não me lembro. Aos 10 anos já era bastante informado. Quando chegou a TV, não tínhamos dinheiro para comprá-la, então eu lia jornal. Só fui ver TV quando tinha 14 anos.

A sua mãe o incentivou?

Não. Nunca ninguém incentivou. Minha família era muito modesta e despolitizada.

E a fama de hipocondríaco…

Não sou, mas tenho fama. Do ponto de vista político, não é ruim, não. Toda a população achava divertido ter um ministro da Saúde hipocondríaco. Não sei de onde vem essa fama. Sou cuidadoso, mas não gosto de ficar tomando remédio.

Não gosta de hospital?

Não. Eu visitei muito hospital, unidades novas de saúde, lidei com questões importantes de saúde pública no Brasil, mas se ver alguém aplicar uma injeção me dá tontura. Quando fui tirar sangue, jamais fui capaz de olhar.

O que gosta de fazer quando não está trabalhando?

Ficar com meus netos e ir ao cinema. E quando posso, viajar. O que é dificílimo. Ir pro exterior para trabalhar é fácil, mas lazer puro é difícil.

No cinema tem um gênero preferido? Viu Tudo pelo Poder?

Achei regular. O filme é meio simplista, mas gostei. Gosto de filme papo-cabeça, de faroeste, de comédia, enfim, de todo tipo de filme desde que seja um bom espetáculo.

E música?

Gosto de música clássica, mas também de MPB. Lembra do (senador do PSDB) Artur da Távola? Uma vez nós passamos uma tarde, em que o plenário não conseguia se reunir, na minha sala vendo quem sabia mais letras de músicas do Orlando Silva. Empatou. O Artur era um musicólogo. Mas eu também conheço muito de música popular antiga.

O senhor é filho único. Isso teve alguma influência na sua personalidade?

Deve ter tido. É muito difícil sentir isso. Dizem que filho único é autocentrado porque não tem concorrente. Eu vi porque tenho dois filhos. Embora sejam dois filhos únicos, porque meu filho nasceu quatro anos depois da minha filha.

De menino, que tipo de aluno o senhor era?

Embora fosse tímido, era muito falador e não era um modelo de disciplina. Tinha boas notas em aplicação e más notas em comportamento. Mas eram coisas muito ingênuas, se você comparar com certas coisas de agora.

Se fosse dar notas a si mesmo, hoje, daria quanto de aplicação e de comportamento?

De aplicação daria nota 10. Quando tenho algo a cumprir, me dedico totalmente. E de comportamento prefiro não me dar uma nota (risos). Uma vez fui para a aula com uma dor tremenda no pé, pois tinha cortado a unha na noite anterior e cortei um pedaço da carne. Passei a noite com o dedo inflamado. Aí o professor me escolheu para declinar verbos em latim e eu disse: “Professor, eu não estou em condições de declinar esse verbo”. E ele: “Mas o que o você tem?”. Aí eu expliquei que estava com dor no dedo do pé e a sala inteira caiu na gargalhada.

Há uma crise internacional preocupando todo mundo. Como você vê o panorama?

Acho que a economia brasileira vive, há muitos anos, um processo de empurrar com a barriga a solução de seus problemas. Temos um modelo que está consumindo os preços altos das commodities. A economia está se desindustrialização, mas a população está consumindo bastante porque temos preços de commodities em alta. Só que o modelo primário exportador não é capaz de levar o Brasil, a médio e longo prazo, a um processo de desenvolvimento sustentável. Nosso desafio seria ter em 2030 uma renda por habitante semelhante, hoje, à renda dos países considerados desenvolvidos. Não será pelo caminho da economia primária exportadora que chegaremos lá.

Há pelo menos vinte anos que se bate nesta tecla.

Eu sou o que mais bateu na tecla.

Mas, e o cenário lá fora?

Não acho nada catastrófico, você pode ter surpresas. O Pedro Malan disse outro dia que em economia é difícil até prever o passado. Imagine o futuro! Estou preocupado porque a fase de bonança que vive o Brasil é transitória. Mas, do ponto de vista da economia mundial, depende muito da Europa. E qual é o nó da Europa? É que não é uma crise estritamente econômica. Se a Europa fosse um país federativo, como os EUA ou o Brasil, provavelmente não haveria esse problema. Só que eles criaram uma moeda única numa confederação. Então, o orçamento da União no Brasil é 20% do PIB, nos EUA é outro tanto, na Europa é 1% do PIB. Você não tem mecanismos de compensação. A Europa não é integrada nem no mercado de trabalho, muito menos do ponto de vista fiscal./

SONIA RACY E PAULA BONELLI

Link da matéria: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,nao-e-tradicao-lula-ganhar-em-sao-paulo-diz-serra,856489,0.htm

Eleições 2012: Marcus Pestana ironiza PT de Belo Horizonte

Marcus Pestana vê contradição em posição defendida pelos petistas. Eles são contra a aliança PSB, PSDB e PT em movimento pró Márcio Lacerda.

Pestana rebate discurso anti-PSDB com ironia a Roberto

Para o presidente da sigla, PT está buscando unidade em torno da aliança

Fonte: Daniel Leite – O Tempo 

O PSDB reagiu ao discurso hostil dos petistas à presença tucana na aliança para a tentativa de reeleição do prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB). No domingo, o PT avalizou o apoio ao socialista, mas a ala que defendia a candidatura própria, liderada pelo vice-prefeito Roberto Carvalho, não poupou críticas ao “jeito tucano” de governar. A resposta do presidente estadual do PSDB veio em tom de ironia e deixou claro que a harmonia na aliança está longe.

“Eles (os petistas) cobram de Lacerda mais investimento no social. Mas as políticas sociais na prefeitura são de responsabilidade do próprio PT”, disse Marcus Pestana, referindo-se à secretaria comandada pelo petista Jorge Nahas.

Enquanto o PT tenta colocar Lacerda contra a parede para se posicionar sobre a presença tucana na coligação, a estratégia do PSDB passa pelo estímulo ao confronto entre o vice e o chefe do Executivo, que estão rompidos politicamente. Os tucanos também aproveitam para minimizar a força do grupo de Carvalho dentro do PT. Segundo Pestana, o discurso do vice não passa de “retórica sem efeito prático”.

A aliança com Lacerda foi aprovada pelos petistas, mas com recomendação para que o PSDB não esteja na coligação. “Isso é apenas um jogo interno (…) para consolidar um mínimo de unidade para que todos possamos caminhar num projeto vitorioso em torno do Marcio”, teorizou Marcus Pestana.

“Amigos”

Valor. Na tentativa de atrair Roberto, o deputado federal Miguel Corrêa, defensor da aliança com Lacerda, afirmou que o vice é um “aliado incondicional”, sem revelar de que forma ele seria “valorizado” pelo PT.

Interpretação
Para vice, PT só estará unido sem os tucanos

O vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho, reiterou, ontem, que o PT só estará unido em torno da reeleição do prefeito, Marcio Lacerda, caso o PSB dispense os tucanos da aliança. Derrotado na eleição interna de domingo, que rejeitou sua tese de candidatura própria, Carvalho ainda não desistiu de afastar o PSDB da prefeitura. “O PT estará unido apenas se o PSDB não estiver conosco”, disse.

Apesar da decisão do partido em apoiar Lacerda “recomendando” a saída do PSDB da aliança, Carvalho avalia que o partido vetou os tucanos e aguarda “a palavra de pessoas sérias, como Patrus Ananias, diante dos delegados”.

O ex-ministro do Desenvolvimento já havia se posicionado contrário à participação do PSDB, mas, recentemente, vem declarando que a exclusão dos tucanos não deve ser um fator determinante para o posicionamento petista. (DL)

Prévias fortalece PSDB em São Paulo

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, acredita que a candidatura de Serra, à prefeitura de São Paulo, pode ajudar a pacificar o partido.

Para Guerra, decisão paulistana fortalece projeções do partido

Fonte: Raymundo Costa – Valor Econômico

A candidatura de José Serra a prefeito de São Paulo deu um novo ânimo ao PSDB e às oposições, ameaçadas de perder, em conjunto, cerca de mil prefeituras nas próximas eleições municipais, segundo projeções preliminares feitas nesses partidos. “O problema do PSDB era não ser competitivo em São Paulo, pois, em geral, estamos bem resolvidos em todo o país”, diz o presidente nacional tucano, deputado Sérgio Guerra (PE).

O PSDB espera crescer sobretudo nos oito Estados governados por tucanos: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Alagoas, Pará, Tocantins e Roraima. Nas avaliações do PSDB, o PT e o PSB são os dois partidos da base aliada que mais devem crescer, sobretudo em cima dos partidos da base aliada, como o PMDB. Um fato que pode provocar uma reestruturação na relação de forças partidárias em nível nacional. Um pouco maior ou menor, o PSDB continuará sendo a alternativa de poder ao PT, na opinião de Sérgio Guerra.

São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, é o principal reduto eleitoral dos tucanos, sobretudo depois de 2004, quando o PSDB desbancou o PT da prefeitura da capital – o atual prefeito, Gilberto Kassab, é aliado de Serra mas considera a administração da cidade, nas gestões dele e de Serra, uma coisa só. O risco, agora, era o PSDB entrar na eleição de São Paulo com um candidato sem condições de ameaçar a chapa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está montando justamente para desalojar os tucanos de sua principal base eleitoral, tendo à frente o ex-ministro Fernando Haddad.

Na opinião de Sérgio Guerra, a candidatura de José Serra surpreendeu o PT, tanto que o partido preferiu apostar na formação de um novo nome para a competição. Com Serra, ex-prefeito, governador e candidato derrotado em duas eleições presidenciais, o presidente do PSDB acredita que a tendência da candidatura Fernando Haddad é de “isolamento” – PSB e PCdoB, por exemplo, integram a base governista nacional do PT, mas não são peças certas na composição da chapa de Fernando Haddad.

Guerra também acredita que a candidatura de Serra pode ajudar a pacificar o partido. “A candidatura do Serra é necessária para o PSDB de São Paulo e é necessária para o PSDB de todo o país”, afirmou o presidente do PSDB. Guerra é reconhecidamente um aliado da candidatura do senador Aécio Neves (MG) a presidente da República, em 2014, mas também dúvida que o PSDB pareceria um partido menor, se não se apresentasse um nome de peso nacional em São Paulo – isso sem emitir nenhum juízo de valor sobre os demais candidatos às prévias.

O PSDB espera chegar em 2014 com pelo menos 80% do cadastro de filiados do partido em ordem, a fim de que os tucanos possam realizar prévias efetivamente representativas. Ele nega que a direção nacional esteja pensando em antecipar a prévia para a indicação do candidato presidencial para o primeiro semestre de 2013, o que os aliados de Serra consideram que seria um golpe para neutralizar qualquer veleidade do tucano em disputar novamente no Palácio do Planalto em 2014. Se for eleito em outubro, ele mal terá se instalado na cadeira de prefeito, no primeiro semestre de 2013.

Guerra acha que a eleição de outubro terá um caráter marcadamente municipal e nem terá influência no resultado da eleição presidencial, dois anos depois. “Elas não são relevantes para a eleição de governador e de presidente da República”, diz. São inúmeros os exemplos de governadores que perderam a eleição mesmo tendo a maioria dos prefeitos. A influência de 2012, segundo o presidente tucano, será no desempenho do partido nas eleições proporcionais: quanto mais prefeitos e vereadores o partido eleger, maior pode ser o tamanho da bancada de deputados federais.

O tamanho da bancada federal dos partidos é o que determina, segundo a legislação eleitoral, o tempo de rádio e televisão que cada sigla terá no horário eleitoral gratuito e seu percentual do fundo partidário. São dois dos principais fatores para o crescimento de um partido.

Nas avaliações feitas pelo PSDB, na região Sul o partido deve permanecer mais ou menos como está no Rio Grande do Sul, diminuir em Santa Catarina e crescer no Paraná. O problema em Santa Catarina é que os tucanos perderam gente para o PSD do prefeito Gilberto Kassab.

No Sudeste, a expectativa também é de crescimento em Minas Gerais (cerca de mais 40 prefeitos), São Paulo (mais ou menos 10 a mais) e no Espírito Santo (cerca de 10). Nesses três Estados, o PSDB entra com candidatos competitivos na capitais, muito embora em Minas o nome seja o do atual prefeito, Marcio Lacerda, que é do PSB. Na região, o Rio de Janeiro continua sendo o calcanhar de aquiles do PSDB.

No Centro-Oeste a projeção é de crescimento em Goiás, governado por um tucano, no Tocantins e nos dois Mato Grosso. No Nordeste, existe uma aposta na aliança com o DFM de Antonio Carlos Magalhães Neto (ACM Neto), na Bahia, ou a candidatura própria de Antonio Imbassahy. As oposições estão um pouco mais confiantes em Salvador, por causa do bom desempenho na pesquisa de ACM Neto e de Imbassahy.

Em Pernambuco, outro colégio eleitoral importante, as melhores chances estão no entorno de Recife. Se João Alves conseguir passar ileso de uma denúncia de crime eleitoral, é favorito em Aracaju (SER). Espera também ficar com a prefeitura de Teresina, onde sempre foi forte. No Norte, aposta em Belém, capital do Pará, Estado governado pelo partido.

Link da matéria: http://www.valor.com.br/politica/2586634/para-guerra-decisao-paulistana-fortalece-projecoes-do-partido

Eleições 2012: TSE proíbe campanha no Twitter antes do período eleitoral

Juízes decidem que Twitter é um meio de propaganda. Se adversários detectarem mensagens eleitorais divulgadas no Twitter, devem denunciar.

Campanha no Twitter só a partir de julho

TSE iguala microblog a outras mídias

BRASÍLIA. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou ontem que é proibido fazer campanha no Twitter antes do período permitido por lei, a partir do dia 5 de julho do ano eleitoral. A decisão foi tomada no julgamento do caso específico de um recurso de Índio da Costa (PSD), multado por divulgar uma mensagem na rede social quando concorria à vice-presidência da República em 2010. Na ocasião, o político foi penalizado em R$ 5 mil por pedir votos para o tucano José Serra, líder de sua chapa, antes da data permitida.

Por quatro votos a três, os ministros mantiveram a multa e afirmaram que o Twitter é um meio de divulgação de propaganda eleitoral. Portanto, a Justiça Eleitoral deve coibir irregularidades praticadas, assim como faz com propagandas indevidas na televisão, no rádio, em revistas e em jornais. Se os adversários políticos detectarem alguma ilegalidade nas mensagens eleitorais divulgadas no Twitter, devem denunciar a prática à Justiça Eleitoral.

Os ministros Aldir Passarinho, Marcelo Ribeiro, Arnaldo Versiani e o presidente do tribunal, Ricardo Lewandowski, afirmaram que o Twitter tem larga amplitude e, por isso, deve ser tratado com um meio de comunicação poderoso em campanhas eleitorais.

– Usar o Twitter é como mandar e-mail. Não é uma forma de propaganda? Claro que é. Enquanto o Congresso Nacional não estabelecer de forma diversa, as redes sociais também estão inseridas na proibição (da propaganda antecipada) – disse Versiani.

– Fiquei impressionado com a contundência da mensagem política (de Índio da Costa). Foram atingidas 40 mil pessoas. Esse número pode ser ampliado progressivamente no Twitter – argumentou Lewandowski.

Os ministros Cármen Lúcia, Dias Toffoli e Gilson Dipp defenderam a liberação do uso do Twitter para fins eleitorais mesmo no período da pré-campanha. Para eles, limitar as manifestações nas redes sociais é uma forma de cercear a liberdade de expressão.

– O Twitter não tem como ser controlado nos termos do direito de resposta tradicionais. As pessoas conversam e, em vez de ser uma mesa de bar, é uma mesa de bar virtual. Nós vamos impedir que as pessoas se manifestem? Pode se ter 40 milhões de pedidos de direito de resposta, impedindo até que a Justiça Eleitoral funcione – alertou Cármen Lúcia.

Fonte:  Carolina Brígido – O Globo

“Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão”, comentou Sérgio Guerra

PSDB Nacional, Gestão Eficiente, Eleições 2012

“O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional”

Entrevista – Sérgio Guerra – presidente do PSDB

O deputado federal é categórico ao afirmar que a candidatura de José Serra em São Paulo não significa que o caminho presidencial para Aécio Neves esteja livre. Sobre a disputa em Belo Horizonte, o pernambucano não vê problema na aliança com petistas, desde que em benefício de “um governo que trabalhe bem”.

Nacionalmente, por que é importante para o PSDB apoiar a reeleição de Marcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte?

O lema do nosso partido, em Minas Gerais ou em qualquer outro lugar, é governar bem e fazer da administração o que a população espera que seja feito. Então, antes de interessar ao nosso projeto eleitoral, interessa ao PSDB que o governo de Belo Horizonte seja bem-sucedido. Nós queremos a qualidade da administração municipal, não importa que o responsável não esteja exatamente ligado à nossa legenda. Em outra situação, com qualquer outro candidato, o fato de o PSDB estar associado a um governo que trabalha bem só faz ajudar o partido.

Os tucanos sonham com a possibilidade de o PSB de Lacerda aderir ao projeto presidencial do PSDB em 2014?

O nosso partido procura ter uma relação o mais próximo possível com o PSB. Eu, pessoalmente, acho que não será fácil, daqui a três anos, que as duas legendas se juntem na eleição presidencial. Mas, enquanto isso, nós vamos desenvolvendo um bom trabalho conjunto. Lembrando que nós estamos associados de forma natural em muitos Estados do Brasil, no Paraná, em Alagoas, em Pernambuco, aí em Minas. Então, se houver uma futura aliança ou aproximação, será algo que foi construído ao longo de muito tempo.

Em Belo Horizonte, o PSDB só apoiará Lacerda caso haja adesão formal?

Não aceitamos nada que não seja uma aliança formal. Não faz sentido fazer uma aliança que se desenvolve, inclusive, no governo – já que estamos juntos na prefeitura – sem o papel passado.

E as conversas que dão conta de que o PSDB pleiteia ser vice de Lacerda? Só valem se o PT abandonar a aliança?

Sobre essa questão, eu, pessoalmente, não tenho posição. É um assunto que fica para os diretórios estadual e municipal resolverem. É claro que nós ficamos atentos, porque, em cidades com mais de 200 mil eleitores, as composições são discutidas também pela cúpula nacional. Mas não vamos nos intrometer na formação da chapa, de prefeito e vice.

Por que o PSDB se opõe ao PT nacionalmente e, em Belo Horizonte, aceita caminhar com o partido?

Não há nenhum problema nisso. Nós não vamos eleger agora o presidente da República, mas o prefeito da capital. Os compromissos do prefeito da capital são assumidos com a cidade que vai governar. Em torno desses compromissos, fazem-se as alianças e se constrói o governo. Em Belo Horizonte, vamos conviver com o PT na mesma coligação. Nós, do PSDB, estamos abertos a entendimentos locais, mas, rigorosamente, não apoiamos o PT em eleições nacionais e nos Estados.

O que Marcio Lacerda tem para atrair, ao mesmo tempo, tucanos e petistas?

Eu conheço pouco o prefeito Marcio. Mas, pelo conceito de administrador que tem, sei que é muito bom. Por isso, recebe os apoios.

Hoje, a administração de Lacerda está mais próxima do modo tucano ou do petista de governar?

Ele está mais próximo da boa administração. E, aqui entre nós, a especialidade de administrar bem não é do PT, é nossa.

Em uma eventual candidatura de Aécio Neves à Presidência da República, Lacerda ficaria com o PSDB ou com o PT de Dilma?

Não dá para prever porque a situação local é uma coisa, e a nacional, outra. Minas é Minas. Os mineiros conseguem se unificar bastante. Historicamente, essa é uma característica de Minas: produzir uma política inovadora de união. Mas, no caso em si, eu não teria condição de opinar.

É verdade que a candidatura de Aécio Neves já é ponto pacífico no PSDB?

Não. O que é verdade é que uma parcela muito grande do PSDB deseja a candidatura do ex-governador Aécio Neves. Mas, só vamos tratar disso depois das eleições municipais. Antes, nada será definido. Ainda não temos base para dizer se a definição vai ocorrer um mês depois da eleição, três meses depois. Não dá para saber a data. O que posso dizer é que o partido quer escolher o candidato com antecedência, para não acontecer como da última vez, quando deixamos para a última hora.

Quais as credenciais de Aécio Neves para disputar a Presidência da República?

Aécio Neves, sem dúvida, o ponto forte dele é a gestão, uma grande competência administrativa. O senador também tem uma imensa capacidade de ampliação de espaços, que só se faz com habilidade de articulação. Ele sabe ceder e afirmar as suas posições com convicção.

Um eventual governo tucano com Aécio seria diferente do de Dilma?

O principal, a política de distribuição de cargos do PT em troca de apoio, nós mudaremos. É uma falta de respeito com o interesse público. Nós confrontaremos muitos grupos para que isso não ocorra no nosso governo. De forma alguma conviveremos com o loteamento do poder.

A candidatura de José Serra à Prefeitura de São Paulo deixa o caminho livre para Aécio Nevespostular o Planalto?

O nosso partido não enxerga isso com a perspectiva da disputa para presidente. A candidatura de Serra tem o objetivo de governar bem a principal cidade do país, São Paulo. Mas é bom ficar claro que não há disputa no nosso partido. O PSDB não é paulista nem mineiro, é nacional. Somos um partido que se renova sempre, sem desprezar as antigas lideranças. Aqueles que têm interesse e capacidade podem disputar a indicação do partido.

Mas o processo de escolha do candidato será alterado?

As prévias serão instaladas. Vamos fazer uma campanha de filiação. Vamos fazer uma campanha de captação de militantes nos seguintes termos: ao aderir ao PSDB, o cidadão também escolhe o seu candidato a presidente. Mas o que todo mundo concorda é que só vamos tratar disso com vigor e tranquilidade depois da eleição municipal. Queremos a unidade, que só se consegue após um processo limpo de definição de nomes.

O que deve mudar da última campanha presidencial do PSDB para a próxima?

Acho que as escolhas terão que ser mais abertas, e as coligações, mais sólidas. A defesa do nosso legado terá que ser muito mais nítida e efetiva. Erramos no passado porque não defendemos o nosso legado quando deveríamos tê-lo feito. Temos que mostrar que não temos dono, que atuamos como um partido cada vez mais aberto. Queremos nos relacionar com trabalhadores, estudantes, com a sociedade organizada. Vamos fazer um novo partido, que valorize o seu passado como nunca fez antes.

No primeiro ano de governo, Dilma Rousseff bateu recordes de popularidade. A aprovação dela deve permanecer em alta nos próximos anos?

O governo de Dilma não resiste a uma campanha bem feita. Há um movimento de opinião pública geral que as campanhas facilitam. Há muita mentira que vai aparecer.

Então, a fatia do eleitorado que vota na oposição deve aumentar em 2014?

Os elementos qualitativos já estão colocados para que possamos ter uma vitória. Agora, a utilização dessas potencialidades vai depender de conjunturas, algumas delas fora do nosso alcance. O PSDB tem que ser um exemplo de democracia interna se quiser convencer os brasileiros.

Alguns dos partidos que hoje dão sustentação a Dilma poderão estar com o PSDB na próxima eleição presidencial?

Tenho a convicção de que alguns estarão conosco. Conversamos sobre isso, mas o controle do governo sobre a base ainda é absoluto. (Telmo Fadul)

Fonte: Entrevista com Sérgio Gueraa, presidente do PSDB nacional- O Tempo

Prefeitura de São Paulo: Serra ganha apoio da bancada federal do PSDB

Eleições 2012

Fonte: Sergio Roxo – O Globo

Dos deputados tucanos, ex-governador só não tem apoio de um rival na disputa

SÃO PAULO. O ex-governador José Serra recebeu ontem apoio de 11 dos 13 deputados federais da bancada paulista do PSDB para a prévia, marcada para o próximo dia 25, que escolherá o candidato do partido a prefeito de São Paulo. Na semana passada, logo depois de anunciar a sua entrada na disputa interna da legenda, Serra obteve a adesão de 21 dos 22 deputados estaduais à sua pré-candidatura.

Não participaram  do  ato  apenas  o  deputado  Emanoel  Fernandes,  que,  segundo  Machado,  apoia  Serra,  mas  não compareceu por problemas de saúde, e Ricardo Trípoli, que está inscrito para disputar a prévia do dia 25.

O outro pré-candidato inscrito na prévia, o secretário estadual de Energia, José Aníbal, deputado federal licenciado, causou constrangimento ao aparecer na sede do Diretório Estadual do PSDB, onde se realizava o ato da bancada tucana em favor de Serra. Ele se justificou dizendo que participaria de uma reunião da executiva da legenda, marcada para o final da tarde. Aníbal não cumprimentou Serra e menosprezou o apoio dos parlamentares.

– O ato é espuma. Quem vota na prévia é filiado. Eles que vão decidir o candidato.
Serra evitou entrar em polêmica.

– Sinceramente, (não vejo) nada de mais (na presença de Aníbal). Todo mundo tem direito a vir ao evento .

Trípoli seguiu na mesma linha de Aníbal ao comentar a adesão de seus colegas ao ex-governador.

– O voto dos militantes é igual ao dos deputados.

No discurso aos militantes, Serra voltou a falar que, se eleito, permanecerá no cargo, mas se confundiu com as datas ao dar a entender que o mandato de prefeito termina em 2014, ano da eleição presidencial, e não em 2016.

-Tenho 30 anos de vida pública com cargos. Desses 30 anos, 16 eu passei em Brasília e 14 em São Paulo. E nós vamos eliminar essa diferença e deixar São Paulo com dois anos de vantagem, porque, até 2014, eu vou ter 16 anos de Brasília e 18 anos de São Paulo.

O tucano, que não quis comentar a possibilidade de aliança com o PSB, começou a montar a estrutura de sua pré-campanha. Ele anunciou que o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o secretário Edson Aparecido (PSDB), o deputado  federal Luiz  Fernando Machado  (PSDB-SP), o  deputado  estadual Orlando  Morando (PSDB-SP)  e o  vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), vão integrar a coordenação. O nome do coordenador-geral só deve ser definido depois da prévia.

Aécio Neves: senador diz que Serra teve visão de partido

Aécio oposição, Eleições 2012, 

Fonte: Assessoria de Imprensa do Senador Aécio Neves

Entrevista do senador Aécio Neves em Belo Horizonte

Serra para a prefeitura de São Paulo? Abre um caminho melhor para o senhor, não precisa mais de prévias dentro do PSDB, o que o senhor está pensando? 

Olha, eu não faço essa ligação direta entre as duas coisas. A candidatura do companheiro José Serra em São Paulo era uma demanda do partido, foi um gesto, como já disse, de desprendimento político dele, e realmente traz a eleição de São Paulo para o plano nacional ainda com maior vigor. Será uma eleição onde projetos divergentes estarão em debate. A questão de 2014 tem que ser vista em 2014, em um outro ambiente, após as eleições municipais. Sempre defendi as prévias como instrumento de mobilização do partido, de difusão das idéias do partido. E acho que as prévias, independentemente do resultado da eleição em São Paulo, deveriam estar incorporadas definitivamente na agenda do PSDB. Algo até curioso, porque é um caminho inverso ao que o PT vem fazendo. O PT, a cada eleição, em todas as partes do Brasil, avança para ser um partido no qual as decisões são tomadas pela cúpula, ou por um dirigente, uma liderança maior, que é o presidente Lula. Por isso, até mesmo no quadro específico de Belo Horizonte, não tenho dúvidas de que o apoio do PT será à candidatura de Marcio Lacerda, porque é uma decisão da direção nacional do partido. Não acredito, sinceramente, que um conjunto de delegados do partido tenha autonomia para contrariar o que o supremo chefe do partido determina.

O senhor está falando dessa aliança que o PSDB vai apoiar o PSB, mas a direção nacional do PSB falou que tem até intervenção se forem apoiar candidatos tucanos, principalmente em São Paulo. O senhor tem um bom trânsito com Eduardo Campos, é possível tentar reverter essa posição do diretório?

Tenho conversado com ele. Acho que deveria prevalecer o sentimento da base do partido em São Paulo. Tanto do ponto de vista municipal, da cidade de São Paulo, quando no estado, o PSB é nosso parceiro em São Paulo. Fiz chegar isso ao meu amigo Eduardo Campos. Ele obviamente participa da base de sustentação da presidente Dilma, tem com ela seus compromissos. Mas qualquer decisão à fórceps pode não trazer o resultado que se busca na base. Não tenho dúvida que a identidade hoje em São Paulo do PSB é muito maior com o PSDB. E uma decisão tomada de cima para baixo pode até garantir minutos de televisão para a candidatura do PT, mas pode não levar junto o apoio efetivo da militância e das bases do PSB. Espero que essa questão paulista possa evoluir para que, repito, a aliança natural que existe hoje, um partido que participa do governador Geraldo Alckmin, que gostaria de continuar conosco, no PSB, possa ser liberada pela cúpula. Mas essa é uma decisão que o PSB haverá de tomar.

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