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Serra acusa campanha de Dilma de abuso de poder e comparou as estratégias da adversária à propaganda nazista

Serra compara campanha petista à propaganda nazista

Fonte: João Guedes – O Globo

O candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, acusou a campanha da petista Dilma Rousseff de abuso de poder e comparou as estratégias da chapa adversária à propaganda nazista, em discurso realizado na noite de terça-feira, em Caxias do Sul.

– Nenhuma campanha (desde a redemocratização) chegou a este nível de transgressão das regras do jogo democrático, de utilização de órgãos do governo para se ganhar uma eleição. Eu nunca vi uma máquina da mentira funcionando como agora. Pegar uma coisa completamente absurda e ficar repetindo o tempo inteiro, no melhor estilo da propaganda nazista ou facista – disse, em referência a tentativa de associar seu nome às privatizações.

” Eles usam as armas da mentira e da violência. Na campanha, seis ou sete vezes tivemos choques com o pessoal do PT “


O ex-governador paulista ainda declarou que o PT tenta “nivelar por baixo” a eleição. Alegando que seu partido é diferente, atribuiu ao governo Lula um recorde “nacional e provavelmente mundial” de dez ministros afastados por irregularidades.

– Eles usam as armas da mentira e da violência. Na campanha, seis ou sete vezes tivemos choques com o pessoal do PT – afirmou.

(Leia também: Serra promete a evangélicos vetar projeto que criminaliza homofobia )

(Leia também: Lula diz que é cretinice atacar Dilma e que votar em Serra é retrocesso)

O comício em Caxias do Sul teve participação dos principais nomes do PSDB gaúcho, com exceção da governadora Yeda Crusius, que sofre com a baixa popularidade depois de quatro anos de governo marcado por denúncias de corrupção e medidas impopulares. Serra ainda dividiu o palanque com caciques do PMDB gaúcho como ex-governador Germano Rigotto, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, derrotado na eleição para o governo gaúcho, além de parlamentares da sigla.

Antes do evento, ao desembarcar na cidade gaúcha, Serra criticou a política econômica do governo federal, garantindo haver “desequilíbrios galopantes” nas contas públicas e nas contas externas.

– Estamos caminhando para o maior déficit de conta corrente da história e, ao mesmo tempo, para o enfraquecimento das contas públicas. Isso é decorrência natural de política econômica de muitos erros.

Leia mais:

Serra diz que depoimento de Erenice desmente Dilma

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/10/26/serra-compara-campanha-petista-propaganda-nazista-922883999.asp

Amaury Jr passou a monitorar despachante depois que houve a quebra de sigilo na Receita Federal

Dossiê: despachante diz que era monitorado por jornalista

Fonte: Roberto Maltchik – Globo

Amaury Ribeiro Jr. voltou a acusar petista de roubar dados de sigilo

Após a revelação de que dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB foram violados, o jornalista Amaury Ribeiro Junior passou a monitorar os passos do despachante Dirceu Garcia, que o acusou de encomendar o material em troca de R$ 12 mil. Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 22, o despachante afirma que era procurado mensalmente pelo jornalista, desde junho, sempre interessado em saber se estava tudo bem com ele.

Segundo o relato, as ligações culminaram, em setembro, com o pagamento de R$ 5 mil para que Dirceu ficasse calado sobre o escândalo. Segundo o despachante, a última conversa entre os dois, para tratar da encomenda de documentos junto aos órgãos oficiais de São Paulo, ocorreu em outubro do ano passado.

Os dois depósitos que totalizaram R$ 5 mil teriam sido oferecidos por livre e espontânea vontade, depois que o nome do despachante Ademir Estevam Cabral apareceu no curso das investigações. Dirceu disse que Amaury perguntou (…) quanto ele estava precisando e que teria respondido que precisava de R$ 2 mil. O jornalista, no entanto, teria dito que o valor era pouco e que daria R$ 5 mil. Esta negociação teria ocorrido em São Paulo, entre 2 e 4 de setembro.

No depoimento que prestou anteontem à PF, Amaury foi questionado especificamente sobre este episódio, mas se valeu do direito de permanecer calado. Ele foi indiciado pela suposta prática de quatro crimes, entre os quais, corrupção ativa e quebra de sigilo.

Amaury voltou a afirmar que deu prosseguimento à sua investigação sobre as privatizações em 2007, após rumores de que um grupo ligado ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria promovendo uma investigação clandestina contra o ex-governador de Minas Aécio Neves.

Ele disse ainda que recebeu de um suposto integrante desta equipe a informação de que tal investigação estaria em curso.

Afirmou que ouviu relatos de que pessoas ligadas ao PMDB e à campanha de Dilma estariam ?sofrendo pressão?. O parlamentar nega as acusações.

No depoimento, o jornalista também disse que soube por um repórter da Veja que o coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), teria introduzido militantes do PT de São Paulo na pré-campanha de Dilma para vazar informações estratégicas. Afirmou que dois militantes teriam sido escalados para trabalhar como voluntários na campanha e disse acreditar que ambos eram os agentes inflitrados. Procurado, Rui Falcão não
comentou o novo depoimento.

O jornalista também se valeu do direito ao silêncio para não explicar por quantas vezes ou em quais circunstâncias se hospedou no flat de Jorge Siqueira, funcionário de empresa que presta serviços ao comitê de Dilma em Brasília, como revelou O GLOBO na última sexta-feira. Ele apenas assinalou que Rui Falcão tinha a chave do apartamento e, por isso, tem certeza que o deputado foi o responsável pela cópia de sua documentação. O jornalista nega que tenha encomendado ilegalmente a
devassa de informações fiscais junto à Receita Federal.

Rui Falcão protagonizou uma disputa por poder dentro da campanha de Dilma com o ex-prefeito de Belo Horizonte (MG) Fernando Pimentel. Já a Marka, empresa ligada a Falcão, entrou na briga por uma fatia da prestação de serviços de comunicação ao comitê com a Lanza, de Luiz Lanzetta.

Lanzetta era o coordenador do grupo de inteligência que implodiu após os primeiros rumores de que informações ilegais seriam utilizadas.

No depoimento de anteontem, os investigadores fizeram inúmeras perguntas a Amaury sobre sua relação com Lanzetta e com o diretor do Estado de
Minas, Josemar Gimenez.

Em todas as respostas, porém, ele ficou calado. Também não esclareceu se estava a serviço do jornal durante suas viagens a São Paulo, entre setembro e outubro de 2009, período em que foram violados os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e da filha de José Serra, Verônica Serra. O ?Estado de Minas? nega que Amaury estivesse a serviço em suas idas à capital paulista.

À PF, o despachante Dirceu disse também que, em 2009, o jornalista teria pedido que ele assinasse recibo de R$ 300, em nome do jornal Correio Braziliense.

Amaury, por sua vez, disse aos investigadores que não se lembra de ter feito tal pedido.

Amaury Jr contou à Polícia Federal que Rui Falcão infiltrou espiões no comitê, briga foi pelas verbas de comunicação da campanha de Dilma

Jornalista diz que Falcão infiltrou 2 espiões no comitê

Fonte: Leandro Colon – O Estado de S.Paulo

À PF Amaury Ribeiro Jr. contou que por trás da manobra estava a briga pelo dinheiro dos serviços de comunicação da campanha da petista Dilma

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. disse à Polícia Federal que o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT), infiltrou dois espiões no comitê eleitoral em Brasília. Por trás disso, estava a briga pelo milionário dinheiro pago pelos serviços de comunicação da campanha.

Segundo Amaury, essas pessoas foram apresentadas por Falcão como “voluntários” e militantes do PT paulista. O jornalista afirmou no depoimento dado na segunda-feira, cujo teor foi obtido pelo Estado, que acredita ser esse “grupo do PT Paulista” – segundo palavras dele – a origem dos vazamentos de informações sigilosas da coordenação de comunicação entre abril e maio deste ano.

A briga por espaço e dinheiro levou à revelação do polêmico dossiê com dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que circulou pelas mãos de integrantes da campanha de Dilma. Amaury é apontado pela PF como o responsável pela encomenda da violação ilegal dos dados de Eduardo Jorge e de outros tucanos, incluindo a filha e o genro do presidenciável José Serra. O jornalista, por sua vez, afirma que Rui Falcão furtou esses dados e insinua que ele vazou o material pela imprensa com a versão de que integrantes da campanha de Dilma estariam preparando um dossiê contra o PSDB.

O objetivo do grupo paulista seria desgastar a equipe do jornalista Luiz Lanzetta, contratado, por R$ 150 mil mensais, para cuidar da assessoria de imprensa de Dilma em Brasília. A “espionagem” serviria para Falcão saber o que o grupo de Lanzetta vinha fazendo em Brasília.

Rui Falcão trabalhava por um grupo de São Paulo, contrário à contratação de Lanzetta, que teve de deixar a campanha em junho quando estourou o escândalo do dossiê. Foi Lanzetta quem convidou Amaury em abril para fazer parte do grupo de inteligência da campanha. Numa reunião num restaurante em Brasília, teriam discutido o dossiê contra Serra produzido por Amaury.

Outra linha. As oito páginas do último depoimento de Amaury mostram que a PF quer insistir na ligação do jornal Estado de Minas com a atuação do jornalista na violação do sigilo. É uma linha de investigação que tenta afastar da campanha de Dilma a quebra ilegal dos dados. É que Amaury diz que iniciou as investigações em 2007 depois de saber que aliados do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) ligados a José Serra estariam investigando o ex-governador Aécio Neves.

No depoimento de segunda-feira, Amaury Ribeiro – indiciado por encomendar os dados fiscais dos tucanos – reafirmou o que dissera antes, não confessou a quebra de sigilo, e acrescentou a existência de duas pessoas infiltradas na campanha de Dilma, cujos nomes não foram revelados por ele. “Tendo sido os mesmos os responsáveis pelo acompanhamento do que se passava na referida casa”, disse, citando a casa do Lago Sul onde funcionava a coordenação de comunicação da campanha.

O delegado Hugo Uruguai não perguntou, entretanto, qual o nome das duas pessoas que teriam sido infiltradas pelo PT paulista na campanha de Dilma em 2010. Por outro lado, fez várias perguntas sobre as relações de Amaury com o jornal do qual era empregado no período da violação do sigilo fiscal dos tucanos, ocorrida entre 29 de setembro e 8 de outubro de 2009. O jornalista recusou-se a respondê-las. Disse, no primeiro depoimento, que estava em férias quando os dados foram violados e que se desligou do jornal logo depois. Bilhetes aéreos e o depoimento do despachante Dirceu Garcia – que comandou a operação de violação – mostram que Amaury esteve em São Paulo naqueles dias.

Anteontem, Amaury ficou calado quando a PF perguntou sobre quem pagou as despesas de viagem e hospedagem durante a violação do sigilo dos tucanos. A investigação mostra que o jornalista encomendou as declarações de renda – protegidas por lei – do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha e do genro do presidenciável José Serra. Procurado pela reportagem, o jornal Estado de Minas não se pronunciou sobre o assunto.

Polícia Federal indicia Amaury Jr, mas não revela quem pagou pela quebra de sigilo. Jornalista confirma que Rui Falcão do PT furtou dados

Jornalista que encomendou dados de tucanos é indiciado

Fonte: Roberto Maltchik – O Globo

Acusado no escândalo do dossiê, Amaury responderá por quatro crimes

Após seis horas e meia de depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado ontem pelos crimes de corrupção ativa, violação de sigilo, uso de documentação falsa e pagamento de suborno a testemunha. Amaury é acusado de encomendar a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Em seu quarto depoimento na PF, Amaury reafirmou que seu banco de dados particular foi furtado pelo coordenador de comunicação da campanha do PT, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), mas voltou a negar que tenha obtido o material ilegalmente.

Os quatro indiciamentos estão baseados em provas materiais e testemunhais obtidas pela PF no último mês. A principal foi o depoimento do despachante Dirceu Garcia, que admitiu ter recebido R$ 12 mil de Amaury para devassar o Imposto de Renda dos tucanos. Dirceu também disse que, em setembro último, ganhou mais R$ 5 mil do jornalista para “ficar calado” sobre as encomendas feitas por ele e consumadas nas delegacias da Receita em Santo André (SP) e Mauá (SP). As declarações de Dirceu foram confirmadas por cópias de extratos bancários, bilhetes aéreos e outros documentos.

As quebras de sigilo fiscal ocorreram nos dias 30 de setembro e 8 de outubro do ano passado, enquanto Amaury gozava férias no jornal “Estado de Minas”.

Ao fim das férias, Amaury pediu demissão. Em abril deste ano, foi chamado pelo jornalista Luiz Lanzetta, da Lanza Comunicações, para trabalhar no núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff. O núcleo só foi desfeito após sua existência ser revelada por reportagem da revista “Veja”, em maio. O “Estado de Minas” nega ter pagado pelas incursões de Amaury a São Paulo.

No depoimento de ontem, o jornalista voltou a dizer que levantava informações há mais de dez anos sobre as privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique. E que passou a buscar novos elementos depois que ficou sabendo, em 2007, da suposta existência de um grupo clandestino de inteligência comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) para espionar o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Porém, Amaury se valeu do direito de ficar calado para não responder a novas perguntas feitas pelo delegado Hugo Uruguai.

Ele foi questionado e não respondeu sobre sua ligação com Dirceu Garcia. A respeito do suborno ao despachante, Amaury apresentou como álibi documentos que comprovariam que estava em Manaus nas datas dos pagamentos, feitos em duas parcelas iguais, a partir de uma agência do Bradesco no mesmo prédio onde funciona a Lanza Comunicações, em Brasília.

Ao sair da PF, o advogado Adriano Bretas entregou à imprensa uma série de documentos supostamente levantados por Amaury durante investigações sobre as privatizações do governo passado. Na papelada, ele anexou 12 páginas de documentos confidenciais da CPMI do Banestado. Amaury diz que nos documentos há supostas irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao PSDB. Os documentos citam transações financeiras que teriam sido feitas pelo ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e por Gregório Marin Preciado, parente de Serra.

Ambos tiveram o sigilo fiscal violado em 8 de outubro de 2009, na Receita Federal de Mauá.

Em nota, Amaury disse que não tem “militância partidária” e apresentou um histórico profissional.

Em defesa apresentada à PF por escrito, disse que “rechaça, veementemente, qualquer responsabilidade criminal sua no episódio investigado” e “nega, terminantemente, que tenha praticado qualquer delito no lídimo desempenho de sua atividade de jornalismo investigativo.” Sobre o indiciamento, o advogado do jornalista afirmou que a decisão da PF é positiva.

– A defesa vê o indiciamento de forma positiva, porque agora as especulações a respeito do fato vão ser cessadas. Vai ser esclarecido que ele não cometeu crime algum. Ele ratificou que não houve da parte dele quebra ou encomenda da quebra de sigilo de quem quer que fosse – disse Adriano Bretas.

Amaury era o único personagem ligado diretamente ao escândalo da quebra de sigilo que ainda não tinha sido indiciado.

Além dele, são investigados os despachantes Dirceu Garcia e Ademir Cabral, o contador Antônio Carlos Atella e a servidora do Serpro Adeildda Ferreira dos Santos. Sem data para a conclusão do inquérito, a PF informou que o relatório final deve ser concluído nos próximos dias.

– Amaury está sendo usado de bode expiatório para ocultar os fatos que ele apurou de forma lícita – afirmou Bretas.

 

 

 

Polícia Federal ouve esta semana Erenice Guerra, ligada a Dilma; e Amaury Jr por fabricação de dossiê contra o PSDB

PF interroga Erenice e jornalista a menos de uma semana do 2º turno

Fonte: Vannildo Mendes – Estado de S.Paulo

A seis dias da eleição presidencial, a tensão da campanha se transfere hoje de manhã para a Polícia Federal, em Brasília, onde dois personagens ligados à campanha de Dilma Rousseff (PT) – a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o jornalista Amaury Ribeiro Jr. – darão depoimentos, em inquéritos separados, a partir de 9 horas. O que disserem ou deixarem de dizer certamente influirá no discurso e nas propagandas dos dois lados nesta reta final e dará munição para o debate entre Dilma e José Serra (PSDB), à noite, na TV Record.

Erenice será a primeira a ser ouvida. Terá de explicar, em inquérito comandado pelo delegado Roberval Ricalvi, se tinha conhecimento das irregularidades praticadas por seus filhos Israel e Saulo Guerra, na intermediação de negócios entre empresas privadas e estatais – escândalo que atingiu fortemente a campanha da candidata petista e levou a ministra a perder o cargo no dia 16 de setembro.

Ribeiro Jr. será inquirido em seguida por outro delegado, Hugo Uruguai, sobre a violação do sigilo fiscal de vários dirigentes do PSDB, entre eles o vice-presidente executivo do partido, Eduardo Jorge, e Verônica Serra, filha do candidato tucano José Serra. O jornalista é suspeito de ter encomendado e pago, a terceiros, a invasão desses sigilos em computadores da Receita Federal em Mauá e Santo André, no ABC paulista.

Os depoimentos se seguem, também, a denúncias divulgadas no final de semana, pela revista Veja, de que altas figuras do Planalto fariam pressão, em áreas do Ministério da Justiça, para que fossem produzidos dossiês contra adversários políticos do governo.

Erenice. À ex-ministra da Casa Civil, o delegado Ricalvi deverá pedir informações sobre como as ações de seu filho Israel Guerra poderiam ocorrer, tão próximas dela, sem seu conhecimento. Divulgado no início de setembro, o envolvimento de Israel incluía a cobrança por sua empresa, a Capital Assessoria e Consultoria, de uma “taxa de sucesso” para atender a empresas interessadas em contratos públicos. Um deles, denunciado pelo empresário Fábio Bacarat, já ouvido pela PF, rendeu ao filho de Erenice pagamentos mensais de R$ 25 mil. Em outro, ele teria ganho R$ 5 milhões para ajudar a empresa aérea MTA a obter contratos e encomendas dos Correios.

Desde seu início, o episódio marcou a campanha de Dilma, que chegou até a levar reprimendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por estar sendo muito boazinha com a ex-ministra. Depois de dizer-se solidária com ela, e exigir provas, acabou afirmando que “as pessoas erram e Erenice errou”. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, ela afirmou em entrevista na semana passada, em sua defesa, que “ninguém controla um governo inteiro”.

Quanto a Erenice, por enquanto sofreu uma multa do Tribunal Superior Eleitoral por ter usado o site da Presidência para se defender e ironizar José Serra por uma candidatura “aética e já derrotada”. Foi punida também pela Comissão de Ética da Presidência, por não ter informado, ao assumir a Casa Civil, os parentes que tinha empregados no serviço público.

Indiciamento.
O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que já prestou três depoimentos até agora sobre a quebra de sigilo dos tucanos, vive situação mais delicada: poderá sair do depoimento indiciado por corrupção ativa e violação de sigilo. A PF diz ter provas de que ele pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Garcia, de São Paulo, em outubro de 2009, para obtenção ilegal dos dados. Os policiais investigam também se foi Amaury Ribeiro Jr. quem pagou recentemente R$ 5 mil como “cala boca” para que o despachante silenciasse sobre o episódio.

A PF abriu esse inquérito no final de junho, após ser divulgado que o comitê de Dilma produzia dossiês contra tucanos e familiares de Serra. Mas nem o jornalista nem seu advogado confirmaram presença. Se não forem, porém, tratando-se de segunda convocação, a PF pode recorrer ao recurso da condução coercitiva.

Os dados contra os dirigentes tucanos comprados pelo jornalista acabaram em poder da pré-campanha de Dilma, que foi acusada de encomendar dossiês contra Serra. A PF obteve a quebra de sigilo dos envolvidos e faz cruzamento de dados para confirmar de onde saiu o dinheiro.

Em nota, o jornalista negou as acusações e afirmou que “jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão”. No último depoimento, em 15 de outubro, ele revelou ao delegado Hugo Uruguai que recebeu a missão de investigar dirigentes tucanos do jornal onde trabalhava, o Estado de Minas, para proteger o governador mineiro, Aécio Neves, de espionagem ilegal que estaria sendo feita pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), a serviço de Serra.

Ele sustenta que deixou o jornal no final de 2009, mas deixou um relatório completo da apuração, levando uma cópia consigo – e uma “equipe de inteligência” do PT invadiu clandestinamente o apartamento, que ele ocupava, e copiou os dados.

PONTOS SENSÍVEIS
Caso Erenice – Os filhos da ex-ministra Erenice Guerra, Israel e Saulo, sucessora de Dilma, são acusados de operacionalizar um esquema de tráfico de influência na Casa Civil

Reincidente – Erenice já figurou em outros escândalos. O mais recente foi no ano passado, quando apareceu como pivô do encontro entre Lina Vieira e a então ministra Dilma Rousseff

Caso Amaury – Em 2009, seis pessoas ligadas ao PSDB e ao candidato José Serra tiveram seus sigilos fiscais quebrados. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. é apontado como mandante

Ligação com PT – Na semana passada, em depoimento à Polícia Federal, o jornalista acusou o petista Rui Falcão de furtar de seu computador o dossiê com dados fiscais violados em 2009

Merval Pereira diz que PT mente quando fala de privatização, mentira é método para enganar eleitores, inclusive intelectuais

Mentira como método

Fonte: Merval Pereira – O Globo, publicano no Blog do Noblat

O PT estabeleceu um método de atuação política nos últimos anos que, por ter dado certo do ponto de vista de resultados, passou a ser um parâmetro a balizar os seus concorrentes, o que lhe dá vantagens claras. O partido, apesar de todas as encrencas em que se meteu, é a legenda preferida de 25% dos eleitores, e o PMDB vem em segundo com menos de 10%.

É claro que a presença de Lula no governo dá ao partido essa preferência, que pode desaparecer com o fim do mandato do presidente mais popular da História recente do país. Mas é essa popularidade que dá também ao governo a possibilidade de nivelar por baixo a atividade política, utilizando a mentira como arma eleitoral.

Um exemplo típico é o debate sobre privatizações, que havia dado certo na eleição de 2006 e hoje continua dando resultados, embora mais modestos, já que o PSDB perdeu o medo de assumir as vantagens da privatização para o desenvolvimento do país, embora ainda timidamente.

Logo depois da eleição de 2006, o marqueteiro João Santana, o mesmo que comanda a campanha de Dilma hoje, deu uma entrevista a Fernando Rodrigues, da “Folha”, revelando que a discussão sobre as privatizações fora utilizada como uma maneira de reavivar “emoções políticas” no imaginário do brasileiro comum.

O erro de Alckmin, ensinava Santana na entrevista, foi “não ter defendido as privatizações como maneira de alcançar o desenvolvimento”.

Santana admitia na entrevista que a impressão generalizada de que “algo obscuro” aconteceu nas privatizações, explorada na campanha de Lula, deveu-se a um “erro de comunicação do governo FH, que poderia ter vendido o benefício das privatizações de maneira mais clara. No caso da telefonia, teve um sucesso fabuloso. As pessoas estão aí usando os telefones”.

Perguntado se não seria uma estratégia desonesta explorar esses sentimentos populares que não exprimem necessariamente a verdade dos fatos, João Santana foi claro: “Trabalho com o imaginário da população. Numa campanha, trabalhamos com produções simbólicas.”

O tema, como se vê, não era uma bandeira ideológica que Lula defendesse ardorosamente, assim como continua não sendo hoje, mesmo porque o governo Lula privatizou bancos e linhas de transmissão de energia, e até exploração de madeira na Floresta Amazônica, projeto, aliás, aprovado com o apoio de várias ONGs e do PSDB.

Na campanha atual, a candidata do PT continua demonizando as privatizações com frases que não combinam com a realidade de seu governo.

No recente encontro com intelectuais no Rio, ela disse em tom exaltado, provocando aplausos generalizados: “Fazer concessões no pré-sal é privatizar, é dar a empresas privadas um bilhete premiado.”

Se, entre intelectuais, Dilma pode dizer semelhante absurdo e ainda ser aplaudida, o que dizer entre os eleitores mais desinformados sobre o assunto?

Será que aquela plateia não sabia que o governo Lula já licitou, utilizando o sistema de concessão, vários blocos do pré-sal sem que houvesse necessidade de fazê-lo se realmente considera que estava privatizando o pré-sal?

A acusação de que o candidato tucano, José Serra, privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional, além de equivocada no tempo — o que valeu ao tucano um direito de resposta — está errada no conteúdo.

A privatização se deu no governo do hoje senador eleito Itamar Franco, que era contrário à ideia. Quem liderou a pressão para a venda foi a Força Sindical, central que hoje está integrada ao governo Lula.

Com relação à privatização da Vale, a história real é ainda mais estarrecedora.

O governo teve uma ocasião perfeita para reverter a privatização da Vale, se quisesse. Foi em 2007, quando o deputado Ivan Valente, do PSOL, apresentou um projeto nesse sentido que foi analisado na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara.

O relator do projeto foi o deputado José Guimarães, do PT, aquele mesmo cujo assessor fora apanhado com dólares na cueca num aeroporto na época do mensalão.

Pois o relator petista votou pela rejeição ao projeto de lei, alegando em primeiro lugar que “não há como negar que a mudança das características societárias da Companhia Vale do Rio Doce foi passo fundamental para estabelecer uma estrutura de governança afinada com as exigências do mercado internacional, que possibilitou extraordinária expansão dos negócios e o acesso a meios gerenciais e mecanismos de financiamento que em muito contribuíram para este desempenho e o alcance dessa condição concorrencial privilegiada de hoje”.

Segundo o petista, “a privatização levou a Vale a efetuar investimentos numa escala nunca antes atingida pela empresa, (…) o que, naturalmente, se refletiu em elevação da competitividade da empresa no cenário internacional”. José Guimarães assinalou que com a privatização a Vale fez seu lucro anual subir de cerca de 500 milhões de dólares em 1996 para aproximadamente 12 bilhões de dólares em 2006.

E o número de empregos gerados pela companhia também aumentou desde a privatização — em 1996 eram 13 mil e em 2006 já superavam mais de 41 mil. Também a arrecadação tributária da empresa cresceu substancialmente: em 2005, a empresa pagou dois bilhões de reais de impostos no Brasil, cerca de 800 milhões de dólares ao câmbio da época, valor superior em dólares ao próprio lucro da empresa antes da privatização.

Se o candidato tucano, José Serra, simplesmente lesse o relatório do deputado petista em um debate, ou na propaganda eleitoral, estariam respondidas todas as acusações da campanha adversária.

Link do artigo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=335055&ch=n

Escândalo – Blog do Noblat publica matéria de O Globo: ‘Veja – Dilma e Gilberto Carvalho pediam dossiês’

VEJA – Dilma e Gilberto Carvalho pediam dossiês

Fonte: O Globo publicado no Blog do Noblat

Gravações feitas no gabinete do ex-secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, de conversas com altos funcionários do Ministério da Justiça, revelam o desconforto de Pedro Abramovay, que sucedeu a Tuma no cargo, com supostos pedidos do Palácio do Planalto para a confecção de dossiês.

As informações são de reportagem de capa da revista “Veja” desta semana. Numa conversa com Tuma Júnior, Abramovay teria feito a seguinte queixa:

“Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete da Presidência da República) pra fazer dossiês. (…) Eu quase fui preso como um dos aloprados.”

“Veja” informa que os registros foram “gravados legalmente e periciados”, sem dar detalhes sobre quem fez as gravações nem quem teria autorizado o grampo.

Sobre a referência aos “aloprados”, a reportagem explica que Abramovay trabalhava na liderança do PT no Senado e com o senador petista Aloizio Mercadante em 2006, quando petistas foram presos em um hotel de São Paulo ao tentar comprar um suposto dossiê contra José Serra.

Segundo a “Veja”, na conversa com Tuma Júnior, Abramovay “sugere ter participado do episódio e se arrependido”. Conta que quase teria sido preso na época e até teve de se esconder para evitar problemas. “Deu ‘bolo’ a história do dossiê”, teria afirmado ele.

Abramovay, que era secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, assumiu a Secretaria Nacional de Justiça em junho, depois que Tuma Júnior foi afastado do cargo em meio a denúncias de manter relacionamento com integrantes da máfia chinesa, em São Paulo. Procurado pela “Veja”, ele negou o teor das fitas.

“Nunca recebi pedido algum para fazer dossiê, nunca participei de nenhum suposto grupo de inteligência da campanha da candidata Dilma Rousseff e nunca tive de me esconder – ao contrário, desde 2003 sempre exerci funções públicas”, disse.

Tuma Júnior confirmou à revista os diálogos:

“O Pedro reclamou várias vezes que estava preocupado com as missões que recebia do Planalto. Ele me disse que recebia pedidos de Dilma e do Gilberto para levantar coisas contra quem atravessava o caminho do governo”, replicou, acrescentando: “Há um jogo pesado de interesses escusos. Para atingir determinados alvos, lança-se mão, inclusive, de métodos ilegais de investigação. Ou você faz o que lhe é pedido sem questionar ou passa a ser perseguido. Foi o que aconteceu comigo”.

Sem revelar nomes, Tuma Júnior segue: “Posso assegurar que está tudo bem documentado”, diz o ex-secretário Nacional de Justiça.

Em passeata ontem em Diadema, no ABC paulista, Grande São Paulo, ao lado da candidata à Presidência Dilma Roussef (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula não comentou a reportagem da “Veja”. Lula disse não ter lido a reportagem.

– Não vi a (Veja) de hoje nem a de ontem.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/23/veja-dilma-gilberto-carvalho-pediam-dossies-334989.asp


Leia mais:

Veja: “Quase fui preso como um dos aloprados”, disse Abromovay sobre pedidos de dossiês de Dilma e Gilberto Carvalho

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