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Posts Tagged ‘corrupção’

Oposição: PSDB parte para cima do Governo Dilma, Aécio avisa que partido vai apontar ineficiências da gestão petista

Sem gestão pública, ineficiência pública, Gestão do PT, 
Fonte: Baptista Chagas de Almeida – Estado de Minas

PSDB pretende ir às armas

Tucanos vão usar os palanques das disputas municipais para aumentar o tom dos ataques contra o governo Dilma

Horário eleitoral no rádio e na TV também será usado para as críticas

Os tucanos vão aproveitar as eleições municipais deste ano para começar a bater asas com ataques mais fortes ao governo da presidente Dilma Rousseff. O confronto será feito com base em pontos fracos que o PSDB identificou na atual gestão (veja quadro). Nas cidades em que houver horário gratuito de rádio e televisão, o comando da legenda vai aproveitar para apresentar propaganda de caráter nacional e mostrar as diferenças sobre o que pensam o PSDB e o  PT. “O rolo compressor do governo deu um tiro no pé nos estados e municípios com os vetos da presidente Dilma à regulamentação da Emenda 29. Isso precisa ser mostrado ao eleitorado”, reclama o senador Aécio Neves (PSDB-MG), dando um exemplo da estratégia a ser usada.

Aécio destaca que, há dez anos, a União era responsável por 58% dos investimentos em saúde. Hoje, aplica 45%. Os estados e municípios, que investiam 42%, atualmente são responsáveis por 55%. “No mesmo período, a receita da União foi a única que teve crescimento real, mas o dinheiro a mais não vai para a saúde, é usado para fazer obras sem licitação”, ataca o senador.

Diante de pesquisas indicando que a população já colou no PT a imagem da corrupção, os tucanos vão procurar também mostrar a ineficiência da gestão na infraestrutura do país. A Copa do Mundo de 2014 será um dos principais alvos. “As obras estão atrasadas por causa do modelo de gestão. Durante oito anos do governo Lula, o PT não fez as concessões dos aeroportos por uma questão ideológica. Agora é obrigado a correr contra o tempo, por causa do caos, dos atrasos e das filas em todas as capitais importantes”, destaca Aécio.

O presidenciável tucano não cita a candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad, ao governo de São Paulo, mas é severo sobre o setor: “Não dá para aceitar que o currículo de uma escola de Rio Branco, no Acre, seja o mesmo de uma escola em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. São realidades completamente diferentes. Sem respeitar as características de cada região, o resultado só pode ser os altos índices de repetência e de evasão escolar”.

Pelo país afora O PSDB pretende dar um caráter nacional às eleições de outubro, sem deixar de lado as peculiaridades de cada região ou município. A definição da estratégia estabelece três diretrizes. A prioridade é a candidatura própria. Se não for possível, aliança com os partidos de oposição e com eventuais aliados que não têm tanto compromisso assim com o governo federal. Em último caso, aliança com os candidatos que tenham o PT como principal adversário.

“A eleição presidencial não é este ano, mas o PSDB pode discutir agora alguns problemas nacionais”, pondera Aécio Neves. E avisa: “A partir de 2013 os tucanos vão às armas”.

>> Os alvos tucanos

Área    Principais críticas

Saúde    Omissão do governo e os vetos à Emenda 29
Inchaço    Aparelhamento do serviço público
Má gestão    Gastos muito elevados com a máquina pública e custeio e poucos investimentos
Corrupção    Pesquisas mostram que o problema colou no PT
Copa 2014    Caos na infraestrutura, dos aeroportos às estradas e no transporte público
Educação    Desde a universalização no governo Fernando Henrique Cardoso, nada mais foi feito

Você se lembra?

 (Paulo de Araujo/CB/D.A. Press - 27/9/11)

Nessa tentativa de desvio, preferem criar um clima no país como se a corrupção fosse do governo e não no governo – Do ex-deputado José Dirceu (PT-SP), em dezembro, em resposta a críticas de tucanos ao governo Dilma

Diante desta pérola, só nos resta a todos constatar que o governo não é do governo. E estamos conversados– Do senador Aécio Neves (PSDB-MG) (foto), sobre a frase postada no blog de José Dirceu em dezembro* 

Eficiência do Estado: “Quando se permite um aparelhamento da máquina pública, o resultado é a ineficiência e os desvios”, criticou Aécio

Gestão Pública Eficiente

Fonte: Assessoria de Imprensa do senador Aécio Neves

Aécio Neves defende a eficiência e profissionalização do Estado

 Em entrevista Aécio Neves disse que  o Brasil precisa ousar mais: “Nos últimos nove anos assistimos o governo do PT, surfando nas medidas tomadas no governo anterior, como a modernização da economia, as privatizações, o Proer e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Tudo isso, tendo como pano de fundo a estabilidade econômica”.

Aécio defende a eficiência da profissionalização do Estado, que deve prestar serviços de maior qualidade. Quando se permite um aparelhamento da máquina pública, como vemos neste governo do PT, o resultado é a ineficiência e os desvios que vêm derrubando, a cada vez, um novo ministro.

Não tem sentido um país como o Brasil com 40 ministérios para acomodar a companheirada do PT. São 25 mil cargos comissionados. Nos Estados Unidos não são 2 mil. Isso vai gerar sempre: primeiro, a incompetência porque você coloca pessoas sem qualificação, então isso tem como resultado a ineficiência das ações de várias áreas, e a corrupção, que é uma vizinha muito próxima da ineficiência e do aparelhamento da máquina.

Essa tem sido uma marca do governo do PT que precisa ser rompida. O Brasil não precisa desse número de ministérios, poderia ser administrado com metade disso e com muito mais eficiência.

Aécio Neves falou sobre algumas ações que poderiam ser feitas no Brasil:

–       a gestão eficiente é um dos pontos para se contrapor a esse aparelhamento absurdo que o PT vem fazendo no Brasil inteiro e onde governa;

–       a educação básica de qualidade é extremamente necessária. O Brasil precisava de um mutirão, por exemplo, para acabar com o analfabetismo. Isso poderia ser feito em quatro ou cinco anos. São 14 milhões de analfabetos segundo o último dado do IBGE. A flexibilização do currículo do ensino médio, uma proposta nova que trazemos, adaptando à realidade, de cada região.

–       a desoneração das empresas de saneamento. Saneamento é um bem essencial, de primeiríssima necessidade. As empresas de saneamento do Brasil  pagarão mais em impostos do que investirão em obras. Por que não desonerá-las e permitir que elas possam investir mais?

–       temos uma série de observações no campo da saúde, onde faltam recurso e gestão. Já que os municípios entram com 15% da sua receita para investimentos em saúde, os estados 12%, não seria justo que a União entrasse com pelo menos 10%? Há dez anos a União participava com 60% de todo financiamento da saúde pública no Brasil. Hoje participa com 42%. E quem aumentou a receita não foram os estados e municípios, foi a União.

–       na segurança pública, que é um grande desafio para o Brasil e para o mundo, o governo do PT não enfrenta de forma adequada. O governo não faz parcerias efetivas com os estados. Estamos vendo, em muitas regiões, o aumento da criminalidade.

Faxina ainda deixa sujeira: Ministros demitidos por suspeita de corrupção no Governo Dilma do PT não foram punidos por corrupção ou improbidade administrativa

Corrupção, fraudes, irregularidades, malfeitos do PT

Fonte: Folha de S.Paulo

Nenhum dos ministros demitidos por Dilma chegou a ser punido

SÃO PAULO – A perda do cargo foi, até agora, a única punição sofrida pelos ministros demitidos por suspeita de corrupção em 2010. A incômoda marca do primeiro ano do governo Dilma Rousseff é de uma queda na Esplanada dos Ministérios a cada dois meses.

Todos eles voltaram a ter rotina normal enquanto aguardam a conclusão de inquéritos e outras investigações preliminares.

Nenhum dos ministros demitidos chegou a ser processado por corrupção ou improbidade administrativa.

Primeiro da série que ficou conhecida como “faxina”, Antonio Palocci (Casa Civil) era o ministro mais poderoso do governo Dilma até junho.

Saiu por conta de negócios mal explicados em sua consultoria, a Projeto, em caso revelado pela Folha. Isso não impediu o petista de, em seguida, reabrir a empresa que o derrubou.

NO CONGRESSO

Dois dos ministros não ficaram de mãos vazias: deixaram suas respectivas pastas, mas voltaram às suas cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.

Alfredo Nascimento (PR), ex-ministro dos Transportes, deixou a pasta em julho e ainda levou ao seu gabinete no Senado parte dos assessores que também foram alvo das demissões na pasta.

Pedro Novais (PMDB), que comandou o Ministério do Turismo até setembro, voltou para a Câmara.

Em comum entre Novais e Nascimento está a não apresentação de qualquer projeto de lei ou requerimento no retorno ao Legislativo. O peemedebista nem sequer chegou a discursar.

Dos seis ministros demitidos após suspeitas de envolvimento em irregularidades, só Carlos Lupi (PDT), último a perder o cargo, em dezembro, não é alvo de inquérito.

O caso mais avançado é o de Orlando Silva (PC do B), que deixou o Ministério do Esporte em outubro. O STJ (Superior Tribunal de Justiça) autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Orlando e do governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que o antecedeu no cargo.

 
  Editoria de Arte/Folhapress  

Dinheiro público sai pelo ralo: Em 2011, Policia Federal identifica desvio recorde de recursos públicos

Corrupção no governo federal, corrupção no Brasil

Fonte: Folha de S.Paulo

Valor de R$ 3,2 bilhões é o dobro do apurado em 2010 e 15 vezes o de 2009


Operações da Polícia Federal sustentam que dinheiro foi usado, por exemplo, para subornar servidores e políticos

Operações da Polícia Federal flagraram desvio de R$ 3,2 bilhões de recursos públicos em 2011, dinheiro que teria alimentado, por exemplo, o pagamentos de propina a funcionários públicos, empresários e políticos.

O valor é mais do que o dobro do apurado pela polícia em 2010 (R$ 1,5 bilhão) e 15 vezes o apontado em 2009 (R$ 219 milhões). A título de comparação, representa quase metade do dinheiro previsto para as obras de transposição do rio São Francisco.

O total de servidores públicos presos também aumentou: de 124, em 2010, para 225, no ano passado.

Os números, a que a Folha teve acesso, estão em um relatório produzido a partir apenas das operações. Segundo a PF, trata-se do valor provado nas investigações, que são repassadas para o Ministério Público tentar reaver o dinheiro.

Apesar de coincidir com o ano em que houve a chamada “faxina” no ministério de Dilma Rousseff, com a queda de seis ministros sob suspeitas de irregularidades, não há relação causal – as grandes operações decorrem de investigações mais antigas.

Para delegados de Polícia Fazendária, área que investiga os desvios de verbas, o aumento da comprovação do rombo deve-se à formação de equipes especializadas.

É o caso de Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Nas próximas semanas será criada unidade específica, em Brasília, de Repressão a Desvios de Verbas Públicas.

Também em 2011, a PF produziu seu primeiro manual de investigação de desvios de recursos, distribuído para as sedes estaduais.

“As técnicas de investigação têm sido aprimoradas. Afinal, crimes envolvendo verbas públicas ocorrem em áreas sensíveis para a sociedade”, diz o delegado Rodrigo Bastos, da Coordenação-Geral de Polícia Fazendária.

A PF realizou, em 2011, a maior apreensão de dinheiro da história das investigações no Brasil: o equivalente a R$ 13,7 milhões foi encontrado nas casas de auditores da Receita Federal em Osasco (SP).

Foi durante a Operação Paraíso Fiscal. O dinheiro estava em caixas de leite, fundos falsos de armário e em forros.

Em quatro meses, a PF flagrou um dos acusados comprando três carros de luxo à vista e em dinheiro vivo.

A partir da operação, o Ministério Público Federal denunciou oito auditores, acusados de selecionar empresas para fiscalização e exigir delas propina para engavetar ou relaxar a cobrança de débitos tributários. Eles negam.

Em outra operação, a Casa 101, a PF descobriu que, na região de Recife, quase todos os contratos entre Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) e construtoras eram fiscalizados por apenas um servidor.

Pagamentos eram liberados mesmo com fortes indícios de superfaturamento.

Resultado: em um contrato, a PF calculou prejuízo de R$ 67 milhões. Segundo a investigação, o servidor do Dnit recebeu um pedaço do butim.

Na Operação Saúde, do Rio Grande do Sul, 34 funcionários públicos municipais foram presos, acusados de desviar verbas federais destinadas à compra de medicamentos. Em um ano, o grupo teria movimentado um total de R$ 70 milhões.

Governo não sabe destino de R$ 700 mi de convênios

O governo federal não tem pistas do destino de R$ 700 milhões repassados para prefeituras por meio de convênios. As prestações de contas sobre o uso desse dinheiro deveriam ter sido apresentadas até 2011, mas não foram.

O valor se refere a 3.481 convênios assinados pelos ministérios da Saúde, Educação, Esporte, Transportes e Cidades com os municípios.

Os números foram levantados por uma força-tarefa do Ministério Público Federal.

Em 2011, procuradores da República apresentaram 80 denúncias à Justiça contra prefeitos que não justificaram o destino das verbas, 11 foram aceitas e 4, rejeitadas.

Até o ano passado, muitos prefeitos não apresentavam comprovação para o uso de dinheiro, que deveria financiar, por exemplo, construção de hospitais e escolas.

Apesar disso, eram raros os casos em que os administradores eram processados pelo crime de não prestação de contas, que tem pena de até três anos de prisão.

Em muitos casos, uma ação judicial só é iniciada após longos processos de tomada de contas. O resultado é a prescrição dos crimes ou a apresentação da denúncia depois que o prefeito já deixou o cargo.

Everardo Maciel analisa as raízes da corrupção no Brasil e os argumentos que tentam justificar os desvio éticos

 Corrupção no Brasil, fraudes, irregularidades, caixa 2

Fonte: Artigo de Everardo Maciel – Estado de S.Paulo

As raízes da corrupção no Brasil

Seria fora de propósito analisar as causas da corrupção no Brasil em um despretensioso artigo. Tenciono, tão somente, explorar algumas ideias que possam servir de subsídio para uma reflexão mais percuciente sobre o tema.

Consideradas as múltiplas causas da corrupção, tem destaque a impunidade associada à morosidade dos processos, que maltrata os inocentes e faz a alegria dos culpados. A despeito da obviedade dessa causa, não se pode esquecer de que a matéria ainda carece de um debate aprofundado, que permita encontrar saídas que conciliem agilidade processual com direito à ampla defesa, para não falar de um maior incentivo aos meios alternativos para solução de litígios, a exemplo da mediação e da arbitragem. A única certeza é de que a legislação processual necessita de mudanças.

A impunidade assume grande importância na execução fiscal. Hoje, os débitos inscritos na Dívida Ativa da União ultrapassam a espantosa soma de R$ 1 trilhão. Evidentemente, há algo errado nesse processo. Tal fato, combinado com recorrentes anistias e remissões – instrumentos que só excepcionalmente deveriam ser utilizados -, constitui generoso estímulo ao sonegador e desrespeito ao bom contribuinte.

A ineficácia da execução fiscal, entretanto, não pode servir de pretexto para a adoção de medidas desproporcionais, como a penhora administrativa ou a publicação de listas de devedores do Fisco.

Penhora administrativa significa excluir a medida da apreciação judicial, conferindo extravagantes poderes ao Fisco. Já a publicação de listas de devedores corresponde apenas à utilização de um meio vexatório para cobrança fiscal, cujo respaldo moral claudica, porque não se faz acompanhar da lista de precatórios, nomeando os credores da Fazenda Pública.

A execução fiscal demanda mais inteligência e menos músculos. Não funciona, porque os processos inscritos em Dívida Ativa não são adequadamente preparados, no pressuposto de que os magistrados responsáveis pelas varas de execução fiscal supram as deficiências originais. Aqui não se exploram as escandalosas situações de imputação de responsabilidade, sem observância do devido processo legal, princípio constitucional consagrado universalmente.

Eleições são fontes inesgotáveis de corrupção. Há os que pensam que a questão pode ser resolvida por mudança no sistema eleitoral e no financiamento das campanhas. Não creio que seja assim.

É necessário perquirir a razão pela qual há um aviltamento moral no Congresso Nacional. Em boa medida, a explicação se encontra na degradante subtração de sua missão constitucional de legislar e fiscalizar, em virtude, sobretudo, do abuso das medidas provisórias.

A atividade congressual passou, por consequência, a centrar-se nas inúmeras barganhas para tramitação de medidas provisórias e outras propostas legislativas oriundas do Poder Executivo, tendo como foco a aprovação de emendas à proposta orçamentária, classificáveis em geral como transferências voluntárias a Estados e municípios, ou demandas por fisiologismo ou aparelhamento. Essas práticas deságuam, quase sempre, em corrupção.

“Anões do orçamento”, “mensalão”, “sanguessugas”, “vampiros”, comissões pagas para liberações de verbas ou licenciamento de atividades, etc., são apenas nomes distintos para fenômenos decorrentes daquelas práticas.

Mais recentemente, um conhecido parlamentar mineiro, segundo o jornal O Globo (coluna Panorama Político de 8/12/2011), pronunciou esta pérola do cinismo impune: “O governo nos pede milhões para a DRU e nos dá uma merreca. Ninguém é capacho”.

O espantoso é que o autor dessa indecorosa frase não foi submetido a uma apuração por falta de decoro ou nem sequer foi objeto de uma leve indignação.

Enquanto permanecerem as causas que geram essa modalidade de corrupção, é somente esperar pelo próximo escândalo, que será mitigado por uma discreta investigação de Comissões de Ética ou demissão de alguma autoridade.

Enfim, todos confiam, como proclamou um dos investigados no escândalo do mensalão, que o tempo se encarregará de apagar de nossa complacente memória a história da corrupção e seus personagens.

É simplismo, portanto, atribuir as deficiências do Poder Legislativo meramente ao sistema eleitoral ou ao financiamento de campanhas.

Outras hipóteses de corrupção poderiam ser exploradas. De tudo, todavia, resta a conclusão de que vivemos uma perturbante crise axiológica, em que nossos valores estão sendo jogados ao rés do chão.

Quando se aceitam, com naturalidade, pretensas teses como “recursos não contabilizados”, “caixa 2 de campanha” ou desvios éticos para assegurar a governabilidade, é inevitável, também, que a sociedade passe a aceitar, sem repulsa, o governante que “rouba, mas faz”.

A eliminação do “ovo da serpente” da corrupção não é tarefa fácil, porque reclama lideranças políticas capazes de mobilizar a sociedade para esse objetivo, em bases estritamente democráticas. A reversão dessa crise moral, entretanto, é condição indispensável para a construção do futuro do País.

* EVERARDO, MACIEL, CONSULTOR TRIBUTÁRIO, FOI SECRETÁRIO DA RECEITA, FEDERAL (1995-2002) 

Brasil cai no ranking que mede percepção da corrupção

Corrupção,  Gestão do PT,

Fonte: Vaguinaldo Marinheiro – Folha Online

Brasil é o 73º em ranking que mede percepção da corrupção

Após três anos de ascensão contínua, o Brasil caiu no ranking da Transparência Internacional que mede a percepção de corrupção em 183 países.

No ano passado, o Brasil ocupava a 69ª posição. Aparece agora em 73º lugar, atrás de Gana, Namíbia, Botsuana e Ruanda, por exemplo, para citar apenas os africanos.

Brasil convive com diferentes mundos, diz diretor de entidade

Na América do Sul, está muito atrás do Chile, que ocupa a 22ª posição, e do Uruguai (25º).

A mudança de posição no ranking, porém, não representa um aumento da percepção de corrupção no país. A nota atribuída ao Brasil ficou praticamente estável, era de 3,7 em 2010 e está agora em 3,8, numa escala que vai de 0 (muito corrupto) a 10 (nada corrupto).

O que aconteceu é que entraram novos países no ranking, como Santa Lúcia, Bahamas e São Vicente e Granadinas, que aparecem na frente do Brasil.

Cuba, que empatara com o Brasil em 2010, melhorou e está agora na 61ª posição.

O ranking é liderado pela Nova Zelândia, seguida de Dinamarca e Finlândia. No fim da lista estão empatados Somália e Coreia do Norte, que aparece pela primeira vez no estudo.

A Venezuela é o pior país na América do Sul (172º).

Para a Transparência Internacional, órgão que tem sede em Berlim, a situação do mundo é muito preocupante. Dos 183 países analisados, 134 foram reprovados –receberam notas abaixo de 5, o que significa que têm sérios problemas de corrupção.

O ranking é composto com base em documentos e programas de combate à corrupção e também entrevistas.

Em cada país, são ouvidos empresários locais e estrangeiros e analistas. Eles são questionados se pagaram ou se foi exigido deles que pagassem propina a agentes públicos.

Editoria de Arte/Folhapress

Link da matéria: http://www1.folha.uol.com.br/poder/1014486-brasil-e-o-73-em-ranking-que-mede-percepcao-da-corrupcao.shtml

“José Dirceu não está acostumado a ser contrariado e confunde debate com agressão”, critica Rodrigo de Castro

Royalties da Mineração, mentiras do PT, proposta do senador Aécio Neves

Fonte: Rodrigo de Castro – Deputado federal (PSDB-MG) – O Tempo 

Mais uma vez, a verdade

Ainda a polêmica com o ex-ministro 

O consultor de empresas José Dirceu é uma pessoa engraçada. Não sei se a fama que ele tem corresponde à realidade, mas parece que é verdadeira a sua determinação em tentar moldar a realidade aos seus interesses. Só mesmo isso para explicar seu artigo aqui, em O TEMPO, de 12.11.2011.

Dirceu iniciou essa polêmica comigo agredindo a verdade. Mentindo sobre a proposta do senador Aécio Neves sobre os royalties do minério, que multiplica por três os recursos hoje recebidos pelos municípios mineradores.

Pego em flagrante com a mentira, tentou voltar atrás em outro artigo, se atrapalhou, e quem tem acompanhado o debate percebeu com clareza a má intenção do ex-deputado.

Ele agrediu a realidade, agrediu o senador, agrediu os mineiros ao faltar com a verdade e, ao se ver confrontado, me acusa de atacá-lo. Pelo visto, Dirceu não está acostumado a ser contrariado e confunde debate com agressão.

O eixo central do novo artigo dele, sob pretexto de apresentar propostas do PT, tem o objetivo político de tentar justificar a omissão do governo federal na condução da reforma tributária.

Atribuiu, em síntese, a demora não à incapacidade política do governo em conduzi-la, mas à ausência de empenho por parte dos governadores, em especial, como ele disse em artigo anterior, dos governadores tucanos.

Volto a responder dizendo que se trata de mais uma falácia. Com a esmagadora maioria que tem no Congresso, o governo do PT só não aprova o que não quer.

Basta ver que o governo, em ato inimaginável, violou a Constituição ao retirar do Congresso a prerrogativa de fixar o valor do salário mínimo, o que passará a ser feito por decreto.

Mesmo com o posicionamento do Supremo, como parlamentar, não há como deixar de me insurgir contra essa medida, que deixa menor o Legislativo brasileiro.

Alguém já imaginou se isso tivesse sido feito por um governo do PSDB? Da mesma forma, o governo não aprova a Emenda 29 da saúde porque não quer. Não aprova a reforma tributária porque não quer.

Existem o ônus e o bônus de se ter maioria no parlamento. Pelo visto, Dirceu quer só os bônus, sem ser cobrado pelas omissões. Sujeito engraçado.

Quanto às propostas por ele mencionadas, não há novidade. Na verdade, elas repetem algumas questões que muitos de nós defendemos, como a taxação de grandes fortunas. E outras que, já há muito, praticamos, como a redução ou mesmo a eliminação de impostos.

Dirceu parece não saber que o então governador Aécio reduziu as alíquotas de ICMS de 150 produtos dentre alimentos, material escolar e de construção.

Como se vê, o PT está, de novo, atrasado.

No mais, como brasileiro, não posso deixar de manifestar a minha perplexidade com reportagem publicada em “O Estado de S. Paulo” na qual Dirceu condena as manifestações contra a corrupção. Não é preciso falar mais nada.

Artigo de Fernando Henrique Cardoso critica Governo do PT que faz ‘legitimação’ dos ‘malfeitos’ e transforma ONGs em bode expiatório

Gestão Pública Fraudulenta, Irregularidades, Corrupção no Brasil

Fonte: Artigo de Fernando Henrique Cardoso – O Globo

Corrupção e poder

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo, afirmou recentemente que os desmandos que ocorreram em sua pasta se devem a que as ONGs passaram a ter maior participação na concretização de políticas públicas. E sentenciou: ele só fará convênios com as prefeituras, não mais com segmentos da sociedade civil. Ou seja, em vez de destrinchar o que ocorre na administração federal e de analisar as bases reais do poder e da corrupção, encontra um bode expiatório fora do governo.

No caso, quanto eu saiba, é opinião de pessoa que não tem as mãos sujas por desvios de recursos públicos. Não se trata, portanto, de simples cortina de fumaça para obscurecer práticas corruptas. São palavras que expressam a visão de mundo do novo ministro: o que pertence ao “Estado”, ao governo, é correto; o que vem de fora, da sociedade, traz impurezas…  O  mal  estaria  nas  ONGs  em  si,  não  no  desvio  de  suas  funções  nem  na  falta  de  fiscalização, responsabilidade é dos partidos e dos governos.

Esse tipo de ideologia vem associado à outra perversão corrente: fora do partido e do governo, nada é ético; já o que se faz dentro do governo para beneficiar o partido encontra justificativa e se torna ético por definição.

Repete-se algo do mensalão. Naquele episódio, já estava presente a ideologia que santifica o Estado e faz de conta que não vê o desvio de dinheiro público, desde que seja para ajudar os partidos “populares” a se manterem no poder. Com uma diferença: no mensalão se desviavam recursos públicos e de empresas para pagar gastos eleitorais e para obter apoio de alguns políticos. Agora, são os partidos que se aninham em ministérios  e, mesmo fora das eleições, constroem redes de arrecadação por onde passam recursos públicos que abastecem suas caixas e os bolsos de alguns dirigentes, militantes e cúmplices.

A corrupção e, mais do que ela, o “fisiologismo”, o clientelismo tradicional sempre existiram. Depois da redemocratização, começando nas prefeituras, o PT – e não só ele – enveredou pelo caminho de buscar recursos para o partido nas empresas de coleta de lixo e nas de transporte público (sem ONGs no meio…). Há, entretanto, uma diferença essencial na comparação  com o que  se vê hoje  na esfera federal. Antes, o desvio  de recursos roçava o  poder, mas  não era condição para o seu exercício. Agora, os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obter recursos que permitam sua expansão, atraindo militantes e apoios com as benesses que extraem do Estado. É sob essa condição que dão votos ao governo no Congresso. O que era episódico se tornou um “sistema”, o que era desvio individual de conduta se tornou prática aceita para garantir a “governabilidade”.

Dessa forma, as “bases” dos governos resultam mais da composição de interesses materiais do que da convergência de opiniões. Com isso, perdem  sentido as distinções programáticas, para não falar nas  ideológicas: tanto faz que o partido se diga “de esquerda”, como o PCdoB; ou centrista, como o PMDB; ou de centro-direita, como o PR; ou que epíteto tenham: todos são condôminos do Estado. Há apenas dois lados: o dos condôminos e o dos que estão fora da partilha do  saque. O  antigo lema  “é dando  que se  recebe”, popularizado  pelo deputado Cardoso Alves no governo Sarney, referia-se às nomeações, ao apadrinhamento que eventualmente poderiam levar à corrupção, mas em si mesmos não o eram. Tratava-se da forma tradicional, clientelista de fazer política.

Hoje é diferente, além da forma tradicional – que continua a existir -, há uma nova maneira “legitimada” de garantir apoios:  a  doação  quase  explícita  de  ministérios  com  as  “porteiras  fechadas”  aos  partidos  sócios  do  poder.  Digo “legitimada” porque, desde o mensalão, o próprio presidente Lula outra coisa não fez do que justificar esse “sistema”, como ainda agora, no caso da demissão dos ministros acusados de corrupção, aos quais pediu que tivessem “casca dura” – ou queria dizer caradura? – e se mantivessem nos cargos. Em um clima de bonança econômica, a aceitação tácita desse estado de coisas por um líder popular ajuda a transformar o desvio em norma mais ou menos aceita pela sociedade.

Pois bem,  parece-me grave que, no  momento em que a  presidente esboça uma reação  a esse lavar de  mãos, ministro  reitere  a  velha  cantilena:  a  contaminação  adveio  das  ONGs.  Esqueceu-se  de  que  o  governo  tem  a responsabilidade primordial de cuidar da moral do Estado. Não há Estado que seja por si só moral, nem partido que seja imune à corrupção  pela graça divina. Pior, que não  possa se tornar cúmplice de um sistema  que se baseie na corrupção.

O “sistema” reage a essa argumentação dizendo tratar-se de “moralismo udenista”, referência às críticas que a UDN fazia aos governos do passado, como se ao povo não interessasse a moral republicana. Ledo engano. É só discutir o tema relacionando-o, por exemplo, com trapalhadas com a Copa para ver se o povo reage ou não aos desmandos e à corrupção. A alegação antimoralista faz parte da mesma toada de faz “legitimação” dos “malfeitos”. Não me parece que a anunciada faxina, embora longe de haver sido completa, tenha tirado apoios populares da presidente. O obstáculo a uma eventual faxina não é a falta de apoio popular, mas a resistência do “sistema”, como se viu na troca de um ministro por outro do mesmo partido, possivelmente também para preservar um ex-titular do mesmo ministério, que trocou o PCdoB pelo PT e hoje governa o DF. Estamos diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais do que simplesmente diante de pessoas corruptas.

Ainda há tempo para reagir. Mas é preciso ir mais longe e mais rápido na correção  de rumos. E, nesse esforço, as oposições não devem se omitir. Podem lutar no Congresso por uma lei, por exemplo, que limite o número de ministérios e outra, se não a mesma, que restrinja ao máximo as nomeações fora dos quadros de funcionários. Por que não explicitar as condições para que as ONGs se tornem aptas a receber dinheiros públicos? Os desmandos não se restringem ao Ministério do Esporte, há outros na fila. Os dossiês da mídia devem estar repletos de denúncias. Não adianta dizer que se trata de “conspirações” contra os interesses populares. É da salvaguarda deles que se trata.

Combate à corrupção: Aécio Neves defende profissionalização do serviço público e redução da máquina política na administração pública

Nova gestão pública, choque de gestão

Fonte: Artigo do senador Aécio Neves – Folha de S.Paulo

A travessia, ainda

Denúncias de corrupção e impunidade cansam o país e anestesiam parte da população, para quem a política passa a ser irremediavelmente território da má intenção e do malfeito

Nesta semana, chegou ao circuito nacional de cinema o filme “Tancredo – A Travessia”, que completa a trilogia do documentarista Silvio Tendler, cujo olhar já havia percorrido os densos anos JK e Jango.

Como nos trabalhos anteriores, o cineasta permite a diferentes gerações de brasileiros a oportunidade de visitarmos nossa própria história. Pelas imagens, descortina-se um país surpreendente, distante do Brasil do nosso tempo em um aspecto fundamental: a nítida aliança então existente entre a política e a sociedade.

Se não há como comparar um momento ao outro, pois cada um tem as suas próprias circunstâncias, é inevitável nos remetermos ao crescente divórcio existente hoje entre a política e os cidadãos.

Denúncias seguidas e repetidas de corrupção e impunidade cansam o país e anestesiam parte da população, para quem a política passa a ser irremediavelmente território da má intenção e do malfeito.

O noticiário político se confunde com o policial. Com o anedotário. Esse fenômeno se dá de tal forma que nem mesmo as oposições têm o que comemorar. A decepção, o distanciamento e a indiferença da população atingem a legitimidade da representação política como um todo. Cada vez mais, perdemos a confiança da população e banaliza-se a injusta ideia de que todos na política são iguais.

Em qualquer lugar, um governo que em dez meses é obrigado a demitir cinco ministros de Estado por suspeitas de corrupção seria obrigado a ir além das cândidas justificativas do tipo “eu não sabia”. É hora de mudar o paradigma, sobretudo a natureza da política de coalizão que, em troca de apoio congressual, cede à apropriação dos partidos e seus próceres extensas áreas da administração pública.

É preciso apurar com rigor os desvios, punir os responsáveis e sustentar a autonomia das áreas de controle (principalmente as auditorias preventivas) para que não tenham mero papel decorativo e sejam instadas a agir só quando há denúncia na imprensa.

É urgente o caminho da profissionalização do serviço público e um corajoso ajuste no tamanho da máquina política incrustada na máquina administrativa, adequando-a aos limites praticados em outros países, infinitamente mais modestos do que aqueles vigentes aqui. O país precisa e deseja uma legislação mais rigorosa, com dinâmica mais ágil e punições mais severas.

O filme de Silvio oferece, sobretudo aos desiludidos com a política, um inestimável presente: memória.

No caso, a memória de um tempo, nem tão distante, em que a ação das lideranças políticas era um tributo à ética, à dignidade e ao comprometimento com o Brasil. Memória de um tempo em que elas sabiam ouvir as ruas. E a própria consciência.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Corrupção pública: Aécio Neves diz que Governo Dilma é complacente com irregularidades e ‘malfeitos’

Sem gestão pública, sem controle dos gastos públicos

Fonte: Marcelo Portella – Estado de S.Paulo

Aécio vê complacência do governo com ‘malfeitos’

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que o Ministério do Esporte promove o “aparelhamento” de entidades e municípios por meio de convênios, principalmente do programa Segundo Tempo. O tucano ainda acusou o governo da presidente Dilma Rousseff de ser complacente com as irregularidades e só agir contra os “malfeitos” após os casos serem denunciados pela imprensa.

Segundo Aécio, durante seu primeiro mandato como governador de Minas o ministério cancelou o convênio que mantinha com o Estado para privilegiar acordos do programa com os municípios. “Eles cancelaram as parcerias com o Estado exatamente com a intenção, obviamente, estamos vendo agora, de aparelhar (municípios e ONGs) como aparelhou.”

Para o senador, o “inchaço da máquina” pública federal e o loteamento de ministérios entre partidos da base aliada são causas das irregularidades que já levaram à queda de seis ministros do governo Dilma. Ele também criticou “a lógica de entregar aos partidos políticos ministérios como se fossem feudos”.

Durante lançamento do documentário Tancredo, a travessia, em Belo Horizonte, na noite de quinta-feira, o tucano ainda acusou o governo de ter conhecimento prévio das irregularidades, mas não agir para corrigir os problemas.

“O chamado malfeito, para usar um termo que a presidente gosta de usar, só é enfrentado quando vira escândalo. Enquanto não vira escândalo, há uma certa complacência”, disparou Aécio. “Enquanto não houver denúncia, está tudo bem.”

Gestão Pública e corrupção: PT e PCdoB compartilharam irregularidades com ONGs – são R$ 26,5 milhões em 67 convênios sob suspeita

Fonte: Artigo do Instituto Teotônio Vilela

Sem prorrogação para o ministro

Mesmo com uma Copa do Mundo e uma Olimpíada na agenda, o Ministério do Esporte não mostrou, ao longo de toda a gestão petista, uma razão de existir. Nestes quase nove anos, a pasta esteve, na maior parte do tempo, envolvida em falcatruas. Este jogo não pode ter prorrogação.

Orlando Silva foi personagem desta jornada de irregularidades desde o início, seja na função de secretário-executivo de Agnelo Queiroz, seja como ministro, a partir do segundo mandato de Lula. O triste papel que ele desempenha está agora pelos 45 minutos do segundo tempo.

Há uma goleada de evidências de irregularidades que justificam a saída de Silva do Ministério do Esporte. Ali foi montada uma central de corrupção que desvia dinheiro para entidades de apaniguados e aliados partidários. Em favor da melhoria do desempenho esportivo do país, a pasta do ministro comunista pouco ou nada visível fez.

Por onde quer que se olhe só se veem malfeitos. No feudo do PCdoB, criado por Lula e mantido intacto por Dilma Rousseff, se drenou muito recurso público para bolsos privados. As entrevistas de João Dias Ferreira a O Estado de S.Paulo e à Folha de S.Paulo são reveladoras desta nefasta ocupação.

O policial militar revela que, em março de 2008, Orlando Silva o recebeu em seu gabinete para “fazer um acordo com o pessoal dele para eu não denunciar o esquema” de fraudes, como disse ao Estadão. “O Orlando disse para eu ficar tranquilo, que tudo seria resolvido, que não faria escândalo”. Ferreira diz que está tudo gravado.

À Folha, o policial deu nomes dos que participaram das tratativas: “Julio Filgueiras, que era o secretário nacional de esporte educacional”; “o atual secretário-executivo Valdemar”; “Milena, que era chefe de fiscalização”; “Adson, que era ‘subministro'”; “Fábio, que é atual secretário”; “Charles, que era chefe de gabinete do Adson”.

Ou seja, uma lista extensa de gente para ser ouvida no Congresso, tão logo o ministro passe por lá, em sessão prevista para hoje na Câmara e provavelmente para a quinta-feira no Senado.

Também devem ser investigadas a fundo as atividades das organizações não governamentais instrumentalizadas pelos aliados do PT no Ministério do Esporte. Lá, a sistemática de repasses foi alterada para facilitar a manipulação de verbas.

A gestão petista-comunista determinou que ONG passassem a ser as beneficiárias dos convênios do ministério, que antes contemplavam estados e municípios. Diferentemente destes, totalmente sujeitos à fiscalização de órgãos de controle, as ONG movimentam dinheiro com franca liberdade.

A própria presidente da República admite o problema. “Nós consideramos que, em muitos momentos no passado, houve convênios com ONGs mais frágeis. O que nós detectamos é que, em geral, elas são menos formais do que prefeituras e estados. Eles (prefeituras e estados) são acompanhados pelos tribunais, você tem que prestar contas”, disse ela ontem, na África do Sul.

“Em muitos momentos do passado” significa, em bom português, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do qual Dilma Rousseff era a gerentona responsável por ditar as regras, a partir da Casa Civil. Portanto, o problema é tão dela quanto sempre foi. Há evidências de sobra de falcatruas.

A Controladoria-Geral da União aponta irregularidades em pelo menos 67 convênios, envolvendo R$ 26,5 milhões, informa a Folha de S.Paulo. O Tribunal de Contas da União viu “deficiência dos critérios para seleção dos parceiros” e problemas como falta de material esportivo, qualidade ruim da refeição oferecida às crianças e ausência de infraestrutura esportiva, segundo O Globo.

Uma das evidências mais flagrantes de que os programas do Ministério do Esporte, em especial o Segundo Tempo, eram usados de forma espúria é a proeminência da ONG criada por uma vereadora do PCdoB, a ex-jogadora de basquete Karina Rodrigues, nos repasses da pasta.

A Pra Frente Brasil (será saudade da ditadura militar?) ficou com quase metade dos R$ 30 milhões transferidos no ano passado. Envolvida em fraudes, foi impedida de firmar novos convênios, mas obteve aval do ministério para captar R$ 3 milhões por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, que aproveita benefícios fiscais, mostra o Estadão.

Orlando Silva caminha para ser o sexto ministro defenestrado do atual governo, o quinto a cair no rastro de denúncias de grossa corrupção na gestão Dilma. Surge daí uma chance de se pôr ordem na preparação do país para os eventos esportivos que virão. E, principalmente, uma oportunidade para restaurar alguma decência neste campeonato de imoralidade que marca a era petista.

Link do artigo:  http://www.itv.org.br/web/noticia.aspx?c=3677

Corrupção no Brasil: mobilização da sociedade pressiona governo do PT e incomoda Lula e o Planalto

Fonte: Artigo de Merval Pereira – O Globo

Efeitos da corrupção

PMDB, PT e ex-presidente Lula, que se sentiram atingidos pela reforma ministerial que vinha se processando em consequência das demissões pelas denúncias de corrupção

Estamos acompanhando renovados protestos contra a corrupção, desta vez alcançando 26 cidades brasileiras e 17 estados. Não importa se em algumas delas a presença tenha sido pequena, no total foram 30 mil cidadãos que saíram nas ruas de suas cidades para protestar, sendo que a grande maioria, não por acaso, foi registrada em Brasília, sede do governo federal e do Congresso, onde cerca de 20 mil pessoas saíram às ruas e se concentraram na Esplanada dos Ministérios.

Os símbolos foram padronizados, o que já indica um avanço na organização: fantasias de palhaços, vassouras e grandes pizzas.

As marchas podem servir de instrumento de pressão nos parlamentares, mas também estarão demonstrando à presidente Dilma Rousseff que ela teria apoio popular caso decidisse reassumir o que parecia ser uma prioridade de seu governo, a chamada “limpeza ética”, relegada a plano secundário devido às pressões da base aliada, e, sobretudo do PMDB, PT e do ex-presidente Lula, que se sentiram atingidos pela reforma ministerial que vinha se processando em consequência das demissões pelas denúncias de corrupção.

Na verdade, o que esteve em jogo durante os primeiros meses do governo Dilma foi o desarranjo da base parlamentar que apoia o governo desde os tempos de Lula, mas que atuava em outras condições políticas.

A rigidez da presidente Dilma com os acusados pela mídia de corrupção, nos primeiros momentos de seu governo, estava a um só tempo ressaltando que o ex-presidente Lula era mais condescendente com os políticos corruptos desde que o apoiassem politicamente, como também que as regras que comandam as relações políticas no Congresso são ditadas pela conveniência, e não pelos projetos e programas partidários.

O fracasso das manifestações apontado pelos governistas é, ao contrário, o sintoma de seu sucesso. Primeiro por que ninguém se preocupa em desqualificar manifestações que são por si só desqualificadas.

Depois, o que faz com que as manifestações sejam pequenas numericamente é o fato de que elas nascem espontâneas pelas redes sociais, sem que haja instituições por trás delas que possam dar suporte logístico ou apoio oficial.

No entanto, há sinais de que muitas dessas organizações de cidadãos já estão montando estruturas que proporcionarão atos mais organizados daqui em diante. No Rio de Janeiro, por exemplo, já estão pensando em alugar um carro de som permanentemente.

A evolução das manifestações já parece evidente, se não no número de pessoas, na padronização do discurso e na escolha de temas.

O apoio à Lei da Ficha Limpa, ao poder de atuação e punição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao fim do voto secreto no Congresso mostra que os objetivos da “rua brasileira” estão bastante focados, identificando esses três temas com o tema central do combate à corrupção.

A pauta é relevante, e os dois primeiros assuntos serão decididos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos próximos meses, o que dá um tempero político às decisões.

É previsível que o julgamento do mensalão, no primeiro semestre do ano que vem, um ano eleitoral, será um ingrediente a mais nessas mobilizações, se elas tiverem fôlego até lá, como tudo indica.

A Lei da Ficha Limpa, que chegou ao Congresso através de uma iniciativa popular e por isso foi aprovada, apesar da reação negativa inicial dos parlamentares, agora recebe o apoio renovado das ruas, o que deverá ser levado em conta pelos juízes do STF.

O Supremo, aliás, quando do primeiro julgamento da lei, decidiu que ela só valeria a partir da próxima eleição, e não na do ano passado, mas a maioria dos juízes já deixou antever em seus votos que a consideravam constitucional.

Agora, com novas pressões para considerar a lei inconstitucional, os juízes do Supremo terão a oportunidade de reafirmar seu entendimento ou alterá-lo, de acordo com novas interpretações, mas também à luz dos anseios da sociedade.

Já com relação ao Conselho Nacional de Justiça, é sintomático que parcela importante da sociedade associe a manutenção de seu poder de punição ao combate à corrupção.

É um sinal de que sua atuação tem sido percebida como eficaz no controle do corporativismo e da corrupção de maneira geral.

É evidente que quando se diz que nossa “Primavera” já aconteceu, com os comícios pelas Diretas já ou as passeatas que ajudaram a derrubar o então presidente Collor, está se falando de reivindicações que tinham um objetivo definido e, por trás, estruturas partidárias e sindicais capazes de mobilizar ativistas pelo país inteiro.

Dessa vez estamos falando de temas difusos, valores intangíveis, que mobilizam muito mais a classe média do que a população como um todo.

Enquanto que naqueles episódios tidos como exemplos de mobilização de massas por temas políticos, havia uma situação política e econômica instável que causava insegurança no cidadão, hoje a luta contra a corrupção se dá num ambiente diferente, com a economia estabilizada e o ambiente político democrático, apesar de degradado.

Embora a economia esteja com viés de baixa, enquanto a inflação se mostra em alta consistente, não existe ainda um clima de desassossego mobilizador, mesmo que as greves salariais estejam acontecendo com mais frequência.

Essas reivindicações salariais já são sintomas de um desconforto futuro provocado pela inflação em alta, e a situação tende a piorar ano que vem devido ao aumento já acertado do salário mínimo de cerca de 14%.

Além de realimentar a inflação com o aumento do poder de compra de parcela ponderável da população, esse aumento real de 7% chamará a atenção dos vários sindicatos, que quererão também o mesmo tratamento.

Há informações de que os organizadores das marchas contra a corrupção estão pensando em montar uma Organização Não Governamental (ONG) para transformar todas essas bandeiras que estão sendo levadas pelas ruas das cidades brasileiras em uma discussão permanente.

É uma boa iniciativa, principalmente se desse fórum de discussão surgirem novos projetos de lei de iniciativa popular.

Link do artigo: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=411131&ch=n

Sérgio Guerra: “corrupção aparece associada ao PT”, comentou o presidente do PSDB sobre pesquisa encomendada pelo partido

Fonte: Correio Braziliense

Presidente do PSDB admite que a sigla precisa de mudanças estruturais se quiser voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2014 com chances de interromper o ciclo do PT no poder

Entrevista: Sérgio Guerra

Desde que recebeu, na semana passada, os resultados da pesquisa que aponta o favoritismo da presidente Dilma Rousseff para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, o PSDB foi para o divã. Com os elementos positivos e negativos da legenda em mãos, a maioria de seus líderes está convicta de que, ou a sigla promove mudanças internas profundas, ou chegará à próxima corrida presidencial com fôlego ainda menor do que o verificado no ano passado.

O foco na Presidência da República é o principal motivo para, em 7 de novembro, os tucanos anunciarem uma reestruturação interna e a antecipação de calendários, inclusive a data da escolha do presidenciável, prevista para 2012, tão logo terminem as eleições municipais. E, nesse quesito, em entrevista exclusiva ao Correio, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, fala com tamanha ênfase da necessidade de “algo novo” dentro do ninho tucano que deixa transparecer o nome do senador Aécio Neves (MG) como o primeiro da fila, da mesma forma que desconversa quando questionado sobre a possibilidade de José Serra voltar a concorrer ao Planalto. “Se ele (Serra) quiser, o partido analisará, mas ele não coloca isso”, diz o deputado pernambucano.

Guerra cita ainda uma série de jovens candidatos a prefeito por todo o país, que representam a renovação dos quadros do PSDB. Confira os principais trechos da entrevista.

Presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra

O que levou o PSDB a precipitar essa caminhada rumo a 2014?
Ninguém se apresentou efetivamente como candidato. No partido, muita gente acha que devemos escolher nosso presidenciável com brevidade para que representemos uma alternativa de poder. Mas não houve lançamento, nem escolha de nome. Do meu ponto de vista, a situação deverá estar resolvida tão logo sejam concluídas as eleições municipais. Defendo isso há muito tempo. O presidente Fernando Henrique também defendia isso lá atrás.

Então foi um erro, nas últimas eleições, deixar a escolha para o último segundo?
Não. Primeiro, foi escolha do próprio Serra, do candidato. Ele deixou claro que só trataria disso quando saísse do governo (José Serra se desincompatibilizou do cargo de governador de São Paulo no fim de março de 2010 para concorrer à Presidência da República). Segundo, houve intensa movimentação de dois pré-candidatos, José Serra e Aécio Neves, que percorreram o país inteiro. Terceiro, porque as pesquisas davam com muita clareza a preferência pelo nome de Serra, o que, de alguma forma, já antecipava a escolha dele.

Mas agora as pesquisas indicam Dilma muito bem e Aécio praticamente já se coloca como uma alternativa. Pelo menos isso é o que foi veiculado na semana passada…
Aécio era pré-candidato antes. Tão logo as últimas eleições de presidente foram encerradas, o nome dele apareceu naturalmente como possível presidenciável para 2014. Agora, ele disse uma única frase: que, se tivesse que ser candidato, gostaria de enfrentar o Lula. A partir daí, inferiram que ele era candidato lançado.

E o Serra? Onde ele se encaixa?
Serra não disse até agora que é candidato a coisa nenhuma. O Serra tem andado pelo Brasil quase todo, escrito semanalmente. O pensamento dele tem grande influência no partido. Quanto ao projeto pessoal dele, não saberei responder. Mas ele tem envergadura para qualquer projeto.

E se ele quiser a Presidência?
O partido certamente analisará o assunto. Mas ele não manifesta esse desejo e isso não está em discussão. Vamos cuidar do tema depois das eleições municipais. Na verdade, o PSDB é o sonho de consumo de muitos brasileiros. Aparentemente, o produto não tem a qualidade que gostariam. Não é fácil responder a sonhos. Por isso, há tantas críticas. As pessoas, às vezes, nos comparam àquilo que elas gostariam que nós fossemos.

Quais são os empecilhos para responder aos sonhos?
O PSDB enfrenta uma máquina muito poderosa. Os petistas e essa maioria que eles arregimentaram mudaram a ética da política no Brasil. Se antes havia alguns desvios de conduta, eles agora estão generalizados. Enfrentar essa máquina não é fácil. Ainda mais quando tem uma liderança como o Lula, que veio do povo, que fala como o povo e é inteligente, um líder muito forte. E nós temos uma ética, não torcemos contra o Brasil, não apostamos no “quanto pior, melhor”. Não queremos que o governo da Dilma seja um desastre, nada disso. Ao contrário, se a gente puder ajudar para que governe bem, vamos ajudar. Então, essa atitude nova demora a ser reconhecida, mas há elementos na sociedade que apontam nesse reconhecimento. A sociedade acha que somos sérios, que temos competência. Nos estados, somos mais bem avaliados onde governamos. Nossos gestores são vistos como os mais competentes. São elementos que podem fazer a diferença. E isso tudo tem que estar associado a um projeto novo, de muita energia.

A pesquisa, que mostrou esses elementos, falou ainda da falta de bandeiras…
A pesquisa demonstra que tivemos ganhos importantes no governo FHC e que não divulgávamos essas conquistas nem no governo nem depois dele com a intensidade que deveríamos ter feito. Durante todo esse período, erramos na comunicação do partido. Ao longo do governo Lula, nos oito anos de uma comunicação poderosa, muitas vezes até ilegal, o PT apareceu como dono de algumas bandeiras que eram nitidamente nossas. A pesquisa mostrou isso, e ainda apontou que o governo Dilma não tem alicerces seguros.

Por exemplo?
Das pessoas ouvidas, 40% acham que Dilma combate a corrupção. E 40% acreditam que ela não combate. Em vários pontos, fica claro que a questão da corrupção aparece associada ao PT. E o PT, no passado, era o partido dos puros, daqueles que perseguiam os corruptos. Eles perderam esse patrimônio. O que de fato existe, e de uma maneira muito clara, é uma popularidade do PT e da suas lideranças que têm duas razões centrais. A primeira, os programas de benefícios sociais, que são, na realidade, os programas que o PSDB fez, mas ampliados. Em segundo, um certo ambiente macroeconômico que ainda favorece o Brasil.

O PSDB passa a impressão de continuar adiando uma disputa interna que agora parece inevitável entre Serra e Aécio ou entre alas do partido…
Em 2002, Serra foi candidato, sem muita disputa. Em 2006, Geraldo Alckmin foi candidato. Serra não quis. Em 2010, Aécio fez uma carta, na qual reconhecia que as condições de favorabilidade de Serra nas pesquisas deveriam prevalecer na escolha dele como candidato. O fato de ter pessoas disputando o direito de ser candidato a presidente da República de forma alguma deveria nos prejudicar. O que nos prejudica é a falta de um ambiente democrático que faça dessas discussões e dessas disputas algo ordinário e plausível. Faltou democracia interna e instâncias múltiplas que organizassem esse processo de escolha.

O que seria essa democracia interna? O que falta para chegar a ela?
Nesse momento, passa por uma grande reforma do partido, pelo surgimento de novas lideranças que vão se apresentando à sociedade, pela realização de prévias onde for preciso, pela criação de uma série de secretarias que vão interagir com a população. São reformas que vamos anunciar em 7 de novembro. Não é à toa que, nessa eleição para as prefeituras, muitos nomes novos vão se colocando.

Que reforma é essa que o partido fará?
Teremos duas mudanças importantes: estrutura e intervenção sobre situações estaduais que estão insustentáveis. Vamos mudar e todo mundo vai ajudar. O próprio Fernando Henrique acha que tem que mudar tudo e é mais radical do que nós. O que deseja é o novo projeto do PSDB para o futuro. A agenda que está aí foi a que nós fizemos, que Lula desenvolveu e expandiu. Temos que olhar para frente. Não podemos ficar disputando com Lula o que já é visto como dele. A proposta é ousada e vamos ousar.

Qual a influência de FHC, hoje, no partido?
Agimos muito em função das orientações dele, mas ele não entra nos detalhes.

E como o PSDB lida com essa aproximação entre Dilma e FHC?
Dilma trata Fernando Henrique de forma republicana, civilizada e equilibrada. Fernando Henrique trata a presidente Dilma da mesma forma. Isso é perfeitamente normal.

Mas a bancada do PSDB não gostou quando FHC disse que os tucanos deveriam apoiar a faxina..a.
Fernando Henrique esteve certo em quase tudo, mas ali errou na dose. Ele estava movido pela convicção sincera de que Dilma estava fazendo um esforço, e que nós deveríamos apoiar esse esforço. Mas o fato é que o que ela fez foi uma reação ao PR. Não reagiu ao PMDB e, muito menos, ao PT. A demissão de Palocci, por exemplo, foi arrancada pelo povo, pela sociedade, contra a vontade da presidente.

CUT, ligada ao PT, censura jornalistas e proíbe cobertura de evento em homenagem a Delubio Soares, ex-tessoureiro do partido e réu do mensalão

Fonte: Portal da Imprensa e Rádio CBN

Jornalistas são barrados em homenagem da CUT a Delúbio Soares

Jornalistas foram proibidos pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) de acompanhar um ato de desagravo ao ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, réu no processo do Mensalão. O político foi homenageado antes da abertura da 13ª plenária nacional da entidade, na última terça-feira (4), em Guarulhos, na Grande São Paulo, com a presença de sindicalistas de todo o país.

A central, que é ligada ao PT, barrou a entrada de repórteres e expulsou a equipe da Folha de S.Paulo, que estava credenciada para acompanhar o evento. A CUT não explicou o motivo da proibição.
Se for condenado, Delúbio pode cumprir até 111 anos de prisão por, supostamente, ser o operador do Mensalão. Ele aproveitou para lançar um CD e um livreto com sua defesa no Supremo Tribunal Federal (STF).Com informações da agência Jornal Floripa.Link do post: http://portalimprensa.uol.com.br/noticias/brasil/44918/jornalistas+sao+barrados+em+homenagem+da+cut+a+delubio+soares/

Fonte do PodcastÉpoca em Destaque com Eumano Silva e Adalberto Pioto – Rádio CBN

Ouça o comentário

[audio http://download.sgr.globo.com/sgr-mp3/cbn/2011/colunas/epoca_111005.mp3]

Falta de gestão e incompetência 2: MPF denuncia que Governo Dilma do PT não controla fraudes em benefício a pescadores

Bolsa Pesca é paga sem controle pelo governo e usada até como moeda eleitoral

Governo não sabe quantos pescadores artesanais existem no país, existem falhas nos controles e falta transparência. Em Santa Catarina, donos de restaurante e mercearias e até proprietários de casas de veraneio estavam sendo beneficiados

ORÇAMENTO DE R$ 1,3 BI

RIO – Um benefício que este ano consumirá R$ 1,3 bilhão do Orçamento da União está sendo pago sem qualquer controle pelo governo federal. O seguro-defeso ou seguro-defeso – no valor de um salário mínimo, pago por quatro meses a pescadores artesanais na época da reprodução de peixes e outras espécies, quando a pesca é proibida – é alvo de dezenas de inquéritos do Ministério Público Federal nos estados devido a denúncias dos mais diversos tipos de fraudes. Há estados em que o benefício virou moeda de barganha para compra de votos em eleições.

Em artigo publicado nesta terça-feira no GLOBO, o fundador da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, expôs o aumento do número de benefícios concedidos pela Bolsa Pesca: em 2003, eram 113.783 favorecidos; em 2011, esse número foi para 553.172 – o que fez aumentar o gasto do governo com o benefício, que foi de R$ 81,5 milhões em 2003 para R$ 1,3 bilhão, mais que o dobro do orçamento do Ministério da Pesca (R$ 553,3 milhões). O Bolsa Pesca é pago pelo Ministério do Trabalho.

O principal problema apontado por profissionais da área e por procuradores que investigam as irregularidades é o controle falho do governo federal. Segundo o presidente da Confederação Nacional dos Pescadores e Aquicultores, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, hoje o governo nem sabe quantos pescadores artesanais existem no país:

– Começaram um cadastramento no 1º mandato do governo Lula que foi muito malfeito e nem foi concluído. Havia gente que apresentava carteira até com a foto trocada. A fraude está na concessão do RGP (Registro Geral da Pesca, concedido pelas superintendências do Ministério da Pesca nos estados, e necessário para a obtenção do seguro-defeso). Em alguns estados, como Bahia, Paraíba e Pará, soubemos que usaram o seguro-defeso para pessoas se elegerem – diz. – Muita gente coloca a culpa nas colônias de pescadores, dizendo que elas não controlam a inscrição. Mas há três anos o pescador não precisa mais apresentar declaração de que é de alguma colônia.

Cruz se refere a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que, julgando uma ação direta de inconstitucionalidade movida por pescadores, derrubou a exigência de filiação do pescador a sindicato ou a outra entidade para se registrar. Outra lacuna apontada no controle da concessão do benefício é o fato de que a lei 10.779 de 2003 reduziu de três anos para um ano o tempo mínimo que o pescador precisa ter para ter direito ao seguro.

– Outro problema é a falta de transparência. Esses dados não aparecem nos sites do governo federal – diz Gil Castello Branco, citando outras medidas que o governo poderia adotar. – O mínimo seria fazer um recadastramento dos beneficiados. Em 2008, a CGU (Controladoria Geral da União) já dizia que esses dados não eram confiáveis.

– Não tive conhecimento de aumento no número de pescadores. Esse aumento de beneficiários é falta de critérios de controle mesmo – destaca Flavio Leme, secretário-executivo do Conselho Nacional da Pesca.

Deputado teve mandato cassado – Com as falhas no controle, as irregularidades nos estados não param. No Rio Grande do Sul, o MPF investiga mais de 200 pessoas em Rio Grande e São José do Norte. Inquérito apura irregularidades também no Amazonas.

Em Santa Catarina, donos de restaurante e mercearias e até proprietários de casas de veraneio estavam sendo beneficiados e foram alvo de uma ação penal por estelionato proposta pelo procurador Darlan Airton Dias em Criciúma, em 2006. Em Tubarão (SC), o procurador Michael Gonçalves contou que abre uma nova linha de investigação para chegar às fraudes:

– Várias são as pessoas que, empregadas por anos, passam de uma hora para outra a “exercer atividade de pesca”. Começamos a pedir à Justiça do Trabalho esses tipos de caso.

Outro caso ocorreu no Pará, onde o deputado estadual Paulo Sérgio Souza, o Chico da Pesca, foi cassado em agosto pelo TRE-PA por abuso de poder político e econômico (em setembro, o tribunal concedeu uma liminar permitindo que o deputado continue no cargo até o julgamento do recurso). Segundo o Ministério Público Eleitoral, Chico da Pesca – que já foi superintendente da Secretaria Federal da Pesca no Pará – incluiu centenas de pessoas irregularmente no RGP em troca de votos.

Segundo o MPF no Pará, entre 2008 e 2010 o número de beneficiários do seguro-defeso no estado cresceu 1.400%. A pedido do MPF, a Polícia Federal investiga, há mais de cinco anos, a chamada “Máfia do Seguro-Defeso” na cidade de São João do Araguaia, no sudeste do Pará.

Já em Nova Ipixuna, também no Pará, em julho deste ano o MPF encaminhou à Justiça denúncia criminal contra o vereador Zacarias Rodrigues da Silva. Junto com a mulher e um pescador, ele é acusado de organizar um esquema que desviava recursos do seguro-defeso. Além deles, seis pessoas foram denunciadas por estelionato. Em troca do cadastramento o vereador solicitaria a transferência de título eleitoral, com o objetivo de angariar votos. O caso foi encaminhando ao MPE, para apuração de crime eleitoral.

O Ministério da Pesca atribui o aumento no número de beneficiários à regularização da situação dos pescadores feita nos últimos anos. “O Ministério da Pesca e Aquicultura tem buscado combater as fraudes na emissão do RGP através de investigação e cruzamento de dados. Só no ano de 2011, até o mês de junho, foram cancelados 87.160 registros. Desde janeiro deste ano e até dezembro estão suspensas as emissões de novos registros”, informou por email. O ministério diz que não fez recadastramento de pescadores, mas que “constantemente acompanha e revê o Registro Geral da Pesca, através do cruzamento de dados com outros cadastros do governo federal. O MPA estuda a realização de um recadastramento geral dos pescadores em todo o país e o aprimoramento do sistema de registro”. ( Colaborou: Evandro Corrêa, especial para O GLOBO)

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Fonte: Fabrício Fabrini – O Globo

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CGU confrontou a lista de contemplados com o Registro Geral da Atividade Pesqueira. Fisgou 48,4 mil pagamentos a quem não estava registrado como pescador, teve o cadastro negado ou estava em fase de aprovação. A soma dos valores é de R$ 66,6 milhões

GASTOS PÚBLICOS

O ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Jorge Hage, durante entrevista ao Globo. Foto: Roberto Stuckert Filho/O GloboBRASÍLIA – Com o orçamento turbinado e número de beneficiários cada vez maior, o seguro-defeso tem sido alvo de recorrentes fraudes. Em varredura recente, a Controladoria-Geral da União (CGU) constatou 60,7 mil pagamentos irregulares nos últimos dois anos, cuja soma alcança R$ 91,8 milhões. Na lista de contemplados, pescadores já mortos, donos de empresas, detentores de emprego fixo, aposentados pelo INSS e até que não haviam sido aceitos em cadastro do Ministério da Pesca e da Aquicultura. O benefício é pago para os trabalhadores na época em que a atividade é proibida por conta da reprodução dos peixes.

As constatações foram possíveis a partir do cruzamento de informações de bancos de dados do próprio governo. Uma “pescaria” que, se fosse feita previamente, evitaria os golpes. Ao todo, 12,3 mil pagamentos foram liberados a trabalhadores da ativa, devidamente inscritos no Ministério do Trabalho, responsável pelos pagamentos do seguro; beneficiários do INSS, cadastrados na Previdência; sócios de empresas com registro na Receita; e mortos fichados no também oficial Sistema de Controle Óbitos (Sisobi).

Nesses casos, os prejuízos chegam a R$ 25,2 milhões. O estado com maior percentual de irregularidades foi o Pará (29,22%), segundo maior produtor de pescado e palco, no ano passado, de operação contra fraudes na concessão do benefício envolvendo políticos e funcionários públicos. A CGU e o Ministério Público Federal apreenderam computadores e documentos em comitês dos deputados Chico da Pesca (PT), ex-superintendente da Pesca no estado, e Fernando Coimbra (PDT). Os dois são suspeitos de participar e de se beneficiar eleitoralmente do esquema. Em seguida, aparecem a Bahia (10,44%), o Maranhão (9,22) e Santa Catarina (5,33%), maior produtor nacional.

A CGU também confrontou a lista de contemplados com o Registro Geral da Atividade Pesqueira, do Ministério da Pesca. Fisgou 48,4 mil pagamentos a quem não estava registrado como pescador, teve o cadastro negado ou estava em fase de aprovação. A soma dos valores é de R$ 66,6 milhões. Nesse caso, Pará (44%), Amapá (14%), Bahia (5,4%) e Amazonas (4,6%) são os estados mais problemáticos.

Vulnerável a fraudes, o seguro-defeso é blindado ao controle social. Isso porque o governo não divulga a base de beneficiários para consulta pública. Quando o faz a pedido, não apresenta informações suficientes para verificar a regularidade do pagamento. Após tratativas com os ministros Ideli Salvatti (que comandava a Pesca até junho e agora ocupa a Secretaria de Relações Institucionais) e Carlos Lupi (Trabalho), o titular da CGU, Jorge Hage, definiu uma série de providências para melhorar a fiscalização, entre elas a publicação do cadastro na internet. A meta é colocá-la online até dezembro. Um novo pente-fino no seguro já está em curso.

Controladoria pede novas verificaçõesDiante das constatações, a CGU ordenou que o Ministério do Trabalho abra tomadas de contas especiais (TCEs) para recuperar o dinheiro desviado e apurar responsabilidades. Segundo o órgão, a pasta pediu à Previdência e à Receita a implementação de novas verificações para identificar desvios. Além disso, passará a usar, além do PIS, o CPF, o nome da mãe e a data de nascimento dos beneficiários nos cruzamentos de dados.

“Tais medidas estão em andamento, com previsão de conclusão em dezembro”, informou a CGU. Até lá, o órgão espera que o Ministério do Trabalho conclua o trabalho de ressarcimento. Estão abertos 26 processos administrativos, um para cada estado, para convocar supostos pescadores e avisá-los do bloqueio de benefícios. Todos têm direito à defesa.

Após a auditoria em março, o Ministério da Pesca publicou portaria cancelando registros de pessoas que não tinham direito ao seguro. Num aviso ministerial, informou que estava em implantação um novo sistema que não mais permitiria requerimento de registro de pescador artesanal com falta de informações, um procedimento comum.

Em nota, a pasta explicou nesta terça-feira que não faz nem o cadastro nem o pagamento do benefício, o que é uma responsabilidade do Trabalho. “O Ministério da Pesca e Aquicultura tem buscado coibir as fraudes na emissão do RGP (Registro Geral da Atividade Pesqueira) através do cruzamento de dados e da disponibilização da lista de inscritos na página do ministério na internet. Em 2011, só até junho, foram cancelados 87.160 registros”, acrescentou

Leia também: Falta de gestão e incompetência 2: MPF denuncia que Governo Dilma do PT não controla fraudes em benefício a pescadores

Censura em Minas: PT coloca mordaça em revista e deputado do partido agride servidor da ALMG, destaca Informativo do Bloco Transparência e Resultado

Fonte: Bloco Parlamentar Transparência e Resultado 

PT Minas: Agride servidor e censura a imprensa

Os inúmeros escândalos de corrupção no governo federal denunciados pela imprensa brasileira nos últimos meses não agradaram dirigentes do PTa

Ano 1 | Edição 17 | 30 de setembro de 2011Bloco Transparência e Resultado repudia truculência e farsa na Assembleia Legislativa de Minas Gerais

O Bloco Transparência e Resultado lamenta profundamente que a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) tenha se tornado palco de ações truculentas e autoritárias por parte da oposição, que mostra despreparo para lidar com ritos democráticos mais elementares.

PT censura revista em Minas Gerais

Prefeito de Nova Lima, o pestista Carlinhos Rodrigues foi o protagonista de mais uma cena do autoritarismo que o Partido dos Trabalhadores quer implantar no Brasil. A revista Viver Brasil foi obrigada pela Justiça a recolher exemplares de sua edição nº 65 e a retirar da internet reportagem contendo denúncias de irregularidades praticadas por Carlinhos na prefeitura da cidade.

Nos tempos da ditadura: lideranças do PT defendem controle da imprensa no Brasil

Os inúmeros escândalos de corrupção no governo federal denunciados pela imprensa brasileira nos últimos meses não agradaram dirigentes do PT. Obrigados a verem as feridas da atual gestão sendo expostas por meio do trabalho dos jornalistas, as lideranças petistas resolveram partir para o ataque, recorrendo ao autoritarismo e à censura. O comando do partido que implantar um marco regulatório para controlar a mídia no país.

Lideranças do PT insistem em censurar a liberdade de imprensa e dão início a uma campanha contra revista

As investidas de lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) para censurar a imprensa brasileira e acabar com a liberdade de expressão no país não ficaram apenas na proposta de controle e regulamentação da mídia apresentada no Congresso Nacional do partido, no dia 4 de setembro. Os petistas também deram início a uma campanha contra a Veja, logo após a revista ter veiculado notícias sobre José Dirceu.

Mais uma tentativa do PT de censurar a liberdade de expressão no país

Durante uma sessão do Senado, o senador petista Humberto Costa (PT-CE) – em represália ao discurso do colega da Casa Mário Couto (PSDB-PA) que criticou o governo federal de ser conivente com a corrupção – pediu que o Regimento Interno do Senado fosse alterado para que, assim, fossem censuradas as manifestações e discursos da oposição. “O Regimento precisa ser atualizado, modernizado, para impedir que todos os dias se repitam aqui as agressões a pessoas, a partidos”, sugeriu Costa.

Governo federal do PT quer censurar a classe médica

Não bastasse as dificuldades enfrentadas diariamente pela classe médica, que vive sem recursos e equipamentos adequados, agora ela está prestes a perder a liberdade de expressão. É que o governo federal do PT, por meio da Secretaria de Direito Econômico, que é vinculada ao Minstério da Justiça, baixou, em maio passado, uma medida que proíbe a classe de se manifestar, realizar paralisações e reinvindicar ajustes de honorários.


Imprensa Golpista: PT atua para desconstruir força das denúncias de corrupção e faz campanha pelo controle social da comunicação

Liberdade de expressão ameaçada: vale a pena conferir texto de Sandro Vaia* – publicado no Blog do Noblat

Como era boa a nossa imprensa

Todas as denúncias, verdadeiras ou não, eram publicadas com a mesma fluência com que são publicadas agora. Naquele tempo, a imprensa era boa, republicana e imparcial. Hoje é ruim, golpista e um instrumento de classe 

A “imprensa golpista” existe para desmoralizar o governo popular e democrático que o PT instalou no Brasil a partir de 2003 e para esconder as falcatruas dos governos neoliberais que o antecederam.

A imprensa é intrinsecamente má, não é imparcial e isenta, e precisa de “controle social” para aprender a se comportar.

A lenda urbana da imprensa golpista se tornou um tema recorrente nas redes sociais e até mesmo nas discussões aparentemente “técnicas” e acadêmicas de blogs e sites que deveriam ser dedicados a debates sobre a ontologia do jornalismo e se tornaram terreiros de panfletagem ideológica de terceira linha.

Essa imprensa é golpista por causa de sua parcialidade na publicação de denúncias de casos de corrupção que atingem o governo do PT e seus aliados.

Antes, não era assim. Antes, a imprensa era boa, participativa, democrática e comprometida com o bem. Mais do que isso: era um instrumento indispensável da luta democrática da sociedade.

Se não vejamos. A imprensa, que hoje é golpista e um elemento de dominação de classe, era boa:

1) Quando publicava denúncias sobre o esquema PC Farias durante o governo Collor.

2) Quando publicou o depoimento de Pedro Collor denunciando o esquema de enriquecimento ilícito do irmão presidente e depois quando publicou a notícia da compra da Fiat Elba com esse dinheiro e acabou com o que restava do governo Collor.

3) Quando o então deputado José Dirceu frequentava as redações e distribuía aos jornalistas amigos dossiês contra membros do governo, que então, como todos sabem, era inimigo do povo.

4) Quando era usada pelos promotores Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb para apresentar torrentes de denúncias não documentadas e jamais comprovadas contra ministros, parlamentares e outros membros do governo de Fernando Henrique.

5) Quando denunciava suposto tráfico de influência do secretário geral da presidência do governo FHC, Eduardo Jorge Caldas (que comprovou a sua inocência na Justiça).

6) Quando chamava de escândalo o PROER, programa de reestruturação e saneamento do sistema bancário brasileiro, cuja eficiência e oportunidade veio a ser reconhecida indiretamente pelo presidente Lula, anos mais tarde, ao gabar-se da solidez do sistema bancário brasileiro durante a crise do sistema bancário internacional.

7) Quando publicava páginas e mais páginas reproduzindo grampos ilegais da conversa entre o então ministro das comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e dirigentes do BNDES sobre supostos arranjos para favorecer candidatos no processo de privatização das telecomunicações, mais tarde reconhecidos pela Justiça como destinados a obter resultados mais favoráveis ao erário público.

8) Quando publicava notícias sobre compra de votos para aprovação da emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso para a presidência da República, sobre escândalos do Sivam, rombo na Sudene, desvios no Fundef, etc. etc. etc.

Esses são apenas alguns exemplos de quando a imprensa era boa e não era golpista. Todas as denúncias, verdadeiras ou não, eram publicadas com a mesma fluência com que são publicadas agora. Naquele tempo, a imprensa era boa, republicana e imparcial. Hoje é ruim, golpista e um instrumento de classe.

Mudou a imprensa ou mudaram os corruptos?

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=408616&ch=n

Senador Aécio Neves diz que PSDB precisa ser o partido da coragem e da ousadia para executar as ‘reformas que o PT abdicou de fazer”’

Fonte: Assessoria de Comunicação do senador Aécio Neves

PSDB vai propor nova agenda para o Brasil, diz Aécio Neves

Pesquisa feita pelo PSDB mostrou que o Partido dos Trabalhadores (PT) já é identificado com a corrupção e a ineficiência

O senador Aécio Neves (PSDB/MG) declarou, nesta quinta-feira (22/08), que o PSDB proporá uma nova agenda para o Brasil, baseada em educação e serviços de saúde de qualidade, além da preocupação com o meio ambiente. O senador destacou a importância para a população da boa gestão dos serviços públicos e afirmou que o país precisa de um novo planejamento que permita o crescimento da economia com desenvolvimento social. Ele assegurou que esta será uma das prioridades do partido, que encomendou pesquisa para apurar as expectativas da população em relação ao Brasil e ao próprio PSDB.

“Vamos construir uma nova agenda, que fale em educação básica de qualidade, que fale em gestão também de qualidade na saúde pública, nas questões ambientais, enfim, uma nova agenda para o Brasil para os próximos 20 anos. O nosso diagnóstico final é de que ainda está em curso no Brasil agenda proposta pelo PSDB lá atrás, quando da primeira eleição do presidente Fernando Henrique”, observou.

Segundo Aécio Neves, a pesquisa demonstrou que os brasileiros reconhecem que o país passou a avançar depois do controle da hiperinflação, que atingia, sobretudo, as famílias mais pobres. A estabilização econômica, conquista do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, é vista como marco inicial desse avanço.

“Os brasileiros, 70% dos entrevistados, reconhecem que o Brasil começa a mudar para melhor a partir do governo do PSDB, a partir do Plano Real, da estabilidade econômica, da modernização da economia, com Fernando Henrique, da Lei de Responsabilidade Fiscal, e vem avançando de lá para cá”, disse o senador.

Aécio Neves disse, ainda, que o PSDB vai iniciar a formulação dessa nova agenda para o país em um grande seminário, a ser realizado em outubro. Na oportunidade, o partido também irá iniciar o resgate de algumas de suas bandeiras.

““É hora de o PSDB voltar a ousar, voltar a pensar o Brasil pelos próximos 20 anos. E é isso que estaremos fazendo com um grande seminário que organizaremos no final do mês de outubro. O PSDB tem que voltar a ser, para a população brasileira, o partido dos valores éticos e morais, o partido da eficiência na gestão pública, e o partido da coragem e da ousadia para fazer as reformas que o PT, infelizmente, abdicou de fazer””, declarou Aécio.

Corrupção

Além de apurar as prioridades da população, a pesquisa feita pelo PSDB mostrou que o Partido dos Trabalhadores (PT) já é identificado com a corrupção e a ineficiência.

“O partido buscou fazer um diagnóstico de quais são as reais necessidades da população, quais são as expectativas que ela tem em relação não apenas ao PSDB, mas ao quadro político brasileiro. Alguns temas chamaram muita atenção, algo que deve levar alguma preocupação ao PT, principalmente. Começa a haver uma avaliação de parte expressiva da população, todas essas denúncias de corrupção, de ineficiência administrativa, de aparelhamento da máquina pública, começam a chegar muito perto do Partido dos Trabalhadores”, afirmou o senador.

“Todos Juntos Contra a Corrupção”: encontro na Cinelândia, no Rio, mobiliza cariocas contra casos de desvio de dinheiro público

Fonte: Bruno Góes e Marcio Allemand – O Globo

Facebook: mais de 30 mil confirmam presença em marcha contra a corrupção na Cinelândia

Manifestações pelo país podem provocar resultados práticos e efetivos contra a corrupção

Manifestação contra a corrupção na esplanada dos ministérios durante o desfile de Desfile de 7 de Setembro reúne centenas / Foto: Givaldo Barbosa/Agência O Globo

RIO – Mais de 30 mil pessoas confirmaram presença, pelo Facebook, em uma manifestação contra a corrupção que acontecerá nesta terça-feira, na Cinelândia, no Rio. Cansados de ver as primeiras páginas de jornais recheadas de casos de desvio de dinheiro público, cinco amigos resolveram abandonar o comodismo, há pouco mais de um mês, e divulgar a ideia. Hoje, a expectativa é que o ato reúna quase o mesmo número de pessoas indicado na rede social, como aconteceu na manifestação do dia 7 de setembro, em Brasília.

A hora do protesto, porém, pode fazer com que mais cariocas estejam presentes. Às 17h, início do horário de saída do trabalho, começa a manifestação, que tem previsão para terminar às 20h.

– A adesão se deu aos poucos, e agora grupos de pessoas que também lutam pela mesma causa já estão imprimindo fitas e adesivos da marca que criamos. Professores entraram em contato e nos chamaram para debates – conta Cristine Maza, uma das organizadoras.

O protesto marcado pela rede social tem mostrado como o processo de mobilização é colaborativo e descentralizado. A marca com o símbolo da manifestação, que está no site contraacorrupcao.com.br, por exemplo, já foi usado neste fim de semana por pessoas que distribuíram panfletos na Praia de Ipanema.

Para Cristine, manifestações como essa podem provocar resultados práticos e efetivos contra a corrupção:

– O barulho é tamanho no Brasil inteiro que (as manifestações) vão fazer com que as autoridades repensem e que as pessoas aprendam a votar. Quem votou neles foi a gente. É hora de começar a pensar.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/17/facebook-mais-de-30-mil-confirmam-presenca-em-marcha-contra-corrupcao-na-cinelandia-925384571.asp#ixzz1YPUT9GSJ

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Presidencialismo de coalizão: cientistas políticos dizem que atos de corrupção no Governo do PT podem provocar queda de popularidade de Dilma

Flávio Freire e Sérgio Roxo – O Globo

Para analistas, loteamento político é o problema

Desgaste político com os partidos da base no Congresso Nacional é que deve acabar sendo maior para Dilma Rousseff

Escândalos

SÃO PAULO – Cientistas políticos acreditam que a queda de Pedro Novais da pasta do Turismo, quarto ministro envolvido em irregularidades na atual gestão, é resultado da política de alianças baseada em loteamento de cargos do governo da presidente Dilma Rousseff (PT). Eles avaliam também que a sucessão de denúncias contra integrantes do primeiro escalão poderá mexer com a imagem da presidente, mas, ainda assim, não projetam uma queda imediata de sua popularidade.

– O eleitor logo pensa que foram tantos acordos com Deus e com o diabo, muito mais com o diabo, diga-se de passagem, que não poderia esperar uma administração sem os vícios do passado – avalia o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Centro de Pesquisa e Análise de Comunicação (Cepac).

Para Fernando Antônio Azevedo, professor de ciência política da Universidade de São Carlos (UFSCar), a demissão de Pedro Novais é “um indicador poderoso de que algo vai mal”. Ele acredita que a grande quantidade de cargos de confiança do governo federal favorece a onda de escândalos

– O presidente nomeia 25 mil cargos, sendo que 1.600 com atribuição de manejar recursos. Isso abre uma brecha grande para a corrupção, ainda mais para uma cultura permeável como a brasileira. Só para comparar, nos Estados Unidos, o (presidente Barack) Obama nomeia 2.500 cargos.

Defesa de critérios técnicos

O cientista político Fernando Abrúcio, professor da Fundação Getúlio Vargas, afirma que, se a presidente não adotar medidas mais drásticas que as demissões, a situação tende a se manter do jeito que está.

– Mais do que a faxina, a agenda deve ser profissionalizar os ministérios – avalia o professor.

Abrúcio considera que, por um lado, a queda dos ministros revela um aparente processo de depuração política. Por outro, expõe ainda mais os problemas da gestão. Ele diz que a situação, que se arrasta há décadas, só terá eficácia quando a escolha de um ministro levar em conta não só sua ficha limpa, mas também critérios técnicos que atendam a demanda de cada pasta.

– Essas demissões mostram um lado positivo e negativo. No caso positivo, e não só para o governo, mas para o país, é que os partidos devem se dar conta de que precisam refletir melhor sobre a indicação. E, do ponto de vista histórico, mostra uma certa depuração política. Já o problema é que mostra a fragilidade de gestão, a qual permite justamente que ministros com essa qualificação assumam papéis tão importantes dentro do governo – afirmou o professor da Fundação Getúlio Vargas.

Ainda segundo Abrúcio, Dilma, no entanto, tem conseguido dar resposta positiva ao eleitor quando expurga do governo alguém marcado por denúncias de corrupção. Para ele, a pressa com que Dilma tem trabalhado nesses casos parece render dividendos na popularidade.

– Essa pressa com que Dilma tem procurado afastar essas pessoas tem sido apontada em pesquisas como um fator positivo para o governo. O eleitor pensa: quando surge um problema, ela (a presidente) estanca logo. E, se ela estanca logo, é boa presidente.

Rubens Figueiredo entende que as demissões mostram uma falta de conivência por parte do comandante sobre seus subalternos:

– Por muitos anos, o que se viu é que a roubalheira era institucionalizada e que quase nada era feito para acabar com isso. Agora, pelo menos, há aparentemente um movimento para acabar com isso e moralizar um sistema tão mal avaliado pelo povo.

Fernando Azevedo também acredita que a presidente não deve ter a sua popularidade muito abalada, porque ela conseguirá se descolar dos escândalos do governo.

– Temos que considerar vários fatores. Boa parte desses ministros do governo foi indicada pelo Lula (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva). E ela (Dilma) também tomou a iniciativa de demitir ou pedir o cargo. Isso ficou associado com aquela expressão de faxina, que foi usada pela mídia, embora a expressão seja até inadequada, porque (a presidente) não faz (isso) sistematicamente, faz de forma reativa – afirmou o professor de ciência política da UFSCar.

Azevedo acrescenta que as últimas pesquisas de avaliação da presidente foram realizadas quando três ministros já tinham sido abatidos por escândalos e não indicaram grandes variação no desempenho de Dilma:

– Por isso, a queda do Pedro Novais não deve repercutir de forma dramática na avaliação da presidente.

De acordo com o professor da UFSCar, o desgaste político com os partidos da base no Congresso Nacional é que deve acabar sendo maior para Dilma Rousseff, apesar de o próprio PMDB ter reconhecido que a saída do ministro do Turismo era inevitável dadas as condições políticas

– É sempre um momento de tensão – afirmou.

Já na opinião do cientista político Amaury de Souza, os últimos episódios têm mostrado que o atual governo tem menos queda para a faxina que evocou nos últimos dias, e muito mais para um processo que beira a autodestruição:

– Esse caso (queda do ministro do Turismo) é de auto-faxina. O ministro é que se derrubou quando usou governanta e motorista pagos com dinheiro público. É ou não um caso de autodestruição?

Link para a matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/14/para-analistas-loteamento-politico-o-problema-925359571.asp#ixzz1Y3dn7UiT

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ESCÂNDALOSTurismo, uma pasta repleta de escândalos

Corrupção no Governo do PT: Pedro Novais – ligado ao PMDB – caiu por manter contratos fraudulentos entre ONG e Ministério do Turismo

Fonte: Marcio Allemand – O Globo

Denúncias em série tornaram insustentável permanência de Pedro Novais à frente do Ministério do Turismo

Somente com o Instituto Brasileiro de Hospedagem, foram R$ 52 milhões em três contratos assinados pelo secretário-executivo do ministério

Uma pasta polêmica

A mulher do ministro do Turismo, Pedro Novais, usa irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular. O servidor, Adão dos Santos Pereira, fica dia e noite à disposição da mulher. Foto: Folhapress

RIO – Contratos milionários, regalias como passagens aéreas bancadas por organizações não governamentais (ONGs) , assinaturas de atestados falsos , lanches no valor de R$ 4 milhões e até a volta de um empresário que havia sido afastado por improbidade administrativa na época do então governador José Roberto Arruda. Se não já bastassem essas denúncias envolvendo o Ministério do Turismo, o titular da pasta Pedro Novais sobreviveu até que além do esperado após ser o pivô de novas suspeitas envolvendo práticas ilícitas desde quando era deputado federal. Desta vez, a utilização dos serviços de funcionários públicos para fins particulares tanto para ele, quanto para esposa.

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Na terça-feira, o jornal “Folha de S. Paulo” publicou uma reportagem na qual mostra que, entre 2003 e 2010, quando ainda era deputado, Novais pagou o salário de sua governanta com dinheiro público .

Uma nova denúncia publicada no jornal nesta quarta-feira agravou a situação do ministro. Segundo a reportagem , a mulher do ministro usava irregularmente um servidor da Câmara como motorista particular .

No início de agosto, o GLOBO fez um levantamento de algumas denúncias que atingiram o polêmico ministério.

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Somente com o Instituto Brasileiro de Hospedagem, foram R$ 52 milhões em três contratos assinados pelo secretário-executivo do ministério, Frederico Costa da Silva – que foi preso na Operação Voucher, juntamente com mais 35 pessoas, todas suspeitas de desviar recursos por meio de emendas parlamentares.

No mês de julho, O GLOBO já havia denunciado que o Instituto Brasileiro de Hospedagem era dirigido pelo empresário César Gonçalves, afastado da Brasíliatur por improbidade administrativa durante a administração do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Três anos depois, mesmo indiciado, César Gonçalves estava de volta aos negócios com o poder, agora sendo responsável por contratos assinados em tempo recorde; sendo que alguns em menos de 30 minutos.

Também no mês retrasado, O GLOBO denunciou que o Ministério do Turismo havia cancelado um empenho de R$ 12 milhões com o mesmo Instituto Brasileiro de Hospedagem, pois havia suspeita de irregularidades.

O projeto, que o ministério sequer conhecia exatamente, foi cancelado e previa, entre outras coisas, um gasto de R$ 4 milhões somente com lanches para convidados em aulas inaugurais.

O Instituto Brasileiro de Hospedagem também foi responsável pelo primeiro encontro da presidente Dilma Rousseff com o ministro Pedro Novais, passados mais de seis meses da posse. A presidente queria que ele respondesse à denúncia do GLOBO de que o Ministério do Turismo havia assinado três contratos com o instituto, o mesmo dos lanches de R$ 4 milhões. Desta vez, porém, para a realização de cursos à distância – no valor de R$ 52 milhões.

Acusados da Operação Voucher foram presos e levados para penitenciária do Amapá. Foto: Reprodução

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/14/denuncias-em-serie-tornaram-insustentavel-permanencia-de-pedro-novais-frente-do-ministerio-do-turismo-925353144.asp#ixzz1Y3W4iGvy

 

Obras da Copa 2014: “Falta de transparência e a urgência nos prazos poderão resultar em desperdício de dinheiro e em chances de corrupção”, alertou Aécio Neves

Fonte: Artigo de Aécio Neves – Folha de S.Paulo

Mil dias

A ausência de um planejamento eficiente e as falhas nos projetos têm sido, aliás, as primeiras e principais causas das mazelas em obras públicas

Na próxima sexta, 16 de setembro, estaremos a exatos mil dias para que a bola comece a rolar na abertura da Copa no Brasil. O que deveria ser motivo de comemoração em um país apaixonado por futebol, infelizmente serve também para confirmar, de forma dramática, a instalação da política do improviso na administração pública brasileira.

Estamos atrasadíssimos e caminhando a passos lentos em direção a um calendário inexorável, apesar de o Brasil ter sido escolhido como sede da Copa em outubro de 2007.

Quatro anos atrás. A dimensão dos problemas que teremos, ao que tudo indica, pode ser mensurada pelo cidadão que já enfrenta congestionamento nos aeroportos ou observa que grande parte das obras nas cidades-sede permanece no papel. Isso a menos de dois anos da Copa das Confederações, a grande avant-première de 2014.

No caso dos aeroportos, cruciais para o transporte num país continental como o nosso, fomos vítimas de uma posição ideológica arcaica do governo, que considerava as concessões e as parcerias com o setor privado (PPPs) quase crime de lesa pátria.

Visão que parece superada com o anúncio feito de concessão de alguns de nossos terminais, embora, acredito, com atrasos já irremediáveis.

Igualmente conhecida é a precariedade das rodovias federais e do transporte coletivo nas capitais que terão jogos. Para explicar esse quadro desolador, há um fator predominante: a má gestão. A ausência de um planejamento eficiente e as falhas nos projetos têm sido, aliás, as primeiras e principais causas das mazelas em obras públicas.

Soma-se nesse contexto a iniciativa do governo de flexibilizar as licitações para a Copa. O novo regime de contratação das obras, RDC, está sendo implantado sem o necessário debate no Congresso e sem a devida análise dos órgãos de fiscalização.

As mudanças nas normas das licitações podem até ter aspectos inovadores, mas serão introduzidas em contratos com cifras vultosas.

A falta de transparência nessas contratações e a urgência nos prazos poderão resultar em desperdício de dinheiro e em chances de corrupção.

Infelizmente, outros dois velhos conhecidos do país. Por fim, não podemos nos esquecer que, durante o maior evento esportivo do planeta, os olhos do mundo estarão voltados para nós. Nossa infraestrutura e serviços de segurança serão avaliados diariamente, e nosso potencial turístico apresentado a milhões de pessoas. O Brasil poderá ganhar ou perder muito.

Em Copa do Mundo, só há um domínio em que o improviso deve prevalecer: nos gramados, quando estiver em campo o talento da seleção. Talento, aliás, que anda meio sumido. Mas, para isso, o Mano ainda tem tempo.

AÉCIO NEVES escreve às segundas-feiras nesta coluna.

Augusto Nunes comenta a força das mídias sociais no movimento contra corrupção e faz duras críticas a estrutura de poder montada pelo PT

Fonte: Direto ao Ponto – Blog do Augusto Nunes

Expostos à claridade do dia 7, porta-vozes de vampiros de cofres públicos se desfazem em cinzas como um drácula de cinema

Lula não inventou a corrupção, mas foi ele quem transformou contratos de aluguel em instrumentos de poder. Se há corruptos em todos os partidos, em nenhum lugar do mundo há tantos delinquentes por metro quadrado como num encontro do PT com a base alugada. Em dois ou três meses, os jovens que lutam pela decência teriam de lancetar o tumor em sua fonte

Nascido da colisão frontal entre a desfaçatez dos assaltantes de cofres públicos e a indignação de  milhares de jovens em ação no Facebook, o movimento que transbordou da internet para as ruas neste 7 de Setembro ainda engatinha. Por enquanto, o traço comum entre os grupos fundadores é o inconformismo com a corrupção endêmica. Não houve tempo para a montagem de algum programa que estabeça prioridades consensuais e identifique com nitidez as metas a atingir, os alvos imediatos e o inimigo principal. Faltam slogans e palavras de ordem que façam o resumo da ópera eficácia e objetividade. Ainda não existem líderes reconhecidos por todas as alas, o verde-amarelo se alterna com o preto e o nome oficial não foi definido. Embora relevantes, são questões que podem esperar. Os jovens comandantes saberão fazer a melhor opção na hora certa.

Se ainda engatinha, o movimento esbanja saúde, comprovam os resultados da primeira aparição pública. Quem acompanhou o ato de protesto na Avenida Paulista pôde contemplar uma reveladora amostra da novíssima geração de brasileiros ─ um fascinante universo que a imprensa não enxerga e os políticos de todos os partidos desconhecem. Ninguém previu que os jovens insatisfeitos com o Brasil sangrado pela bandidagem de estimação precisariam de apenas um dia para escancarar as rugas, a flacidez, a velhice de entidades, instituições, indivíduos, teorias ou conceitos que, até a véspera, não pareciam tão desoladoramente decrépitos.

A anunciação da primavera brasileira transferiu para o museu das antiguidades do século passado os que subestimam o poder de fogo da internet, os que duvidam do interesse dos moços por questões políticas e os que não acreditam na existência de militantes fora dos partidos. Mal passa dos 20 anos a idade média dos organizadores dos protestos que,  ignorados pela imprensa, reuniram milhares de manifestantes mobilizados por redes sociais, sites e blogs. Confrontados com o frescor e a independência dos jovens em guerra contra a corrupção, os matusaléns arrendados da União Nacional dos Estudantes Amestrados, a antiga UNE, foram remetidos ao mausoléu dos pelegos.

A paisagem reinventada da Avenida Paulista exibiu o tamanho do fosso que separa manifestantes e partidos deformados pela senilidade precoce, pela covardia congênita, pelo cinismo vocacional e pela revogação dos valores éticos. Alguns integrantes da Juventude do PSDB apareceram com uma faixa. Tiveram de enrolar a má ideia. Três ou quatro devotos do PSTU apareceram com um estandarte. Foram aconselhados a guardá-lo. Cinco ou seis militantes do PT apareceram com uma bandeira vermelha. Como se recusaram a arriá-la, o pedaço de pano foi queimado ao som de duas palavras de ordem que justificaram o bota-fora de tucanos e socialistas xiitas: Primeira: “Saí daí, otário: o movimento é apartidário”. A segunda começava com o palavrão que rima com o fecho: “Nossa única bandeira é a bandeira do Brasil”.

As inscrições nas faixas e as mensagens gritadas em coro reafirmaram que os manifestantes não estão a serviço de ninguém. Exigem a punição dos corruptos, pedem cadeia para os gatunos, fustigam a turma da ficha suja, recomendam que o dinheiro tungado seja investido em saúde e educação, recordam o escândalo do mensalão e informam que as vítimas do roubo em escala industrial são os pagadores de impostos. Nesta quarta-feira, para não serem associados à oposição oficial, hostilizaram apenas três unanimidades: José Sarney, Jaqueline Roriz e José Dirceu. Três prontuários mais encorpados que os programas dos partidos a que pertencem.

Um movimento gerado pela ladroagem institucionalizada não conseguiria poupar por muito tempo os mentores da decomposição moral do Brasil. Cedo ou tarde, ficaria evidente que não há como marchar contra a corrupção sem tropeçar nos arquitetos do aparelhamento da máquina estatal e no loteamento das verbas dos ministérios. Lula não inventou a corrupção, mas foi ele quem transformou contratos de aluguel em instrumentos de poder. Se há corruptos em todos os partidos, em nenhum lugar do mundo há tantos delinquentes por metro quadrado como num encontro do PT com a base alugada. Em dois ou três meses, os jovens que lutam pela decência teriam de lancetar o tumor em sua fonte.

Foram poupados da opção inevitável pelo açodamento dos blogueiros estatizados e dos jornalistas federais, que vestiram imediatamente a carapuça e simplificaram as coisas. “Nossos corruptos são bons companheiros”, berram nas entrelinhas os palavrórios raivosos que, enquanto tentam reduzir as dimensões dos atos de protesto, investem contra os fantasmas de sempre. Um sacristão da seita maniqueísta já enxergou por trás da manifestação outra sórdida tentativa de derrubar o governo, tramada pela elite golpista, por granfinos quatrocentões e pelos loiros de olhos azuis. Definitivamente, faltam neurônios e sobram neuroses a adoradores de divindades de araque que viraram cúmplices de corruptos juramentados.

Expostos ao Sete de Setembro ensolarado por manifestações que podem moldar um Brasil muito mais luminoso, os porta-vozes do país que parece um grande clube dos cafajestes foram reduzidos a cinzas como dráculas de cinema. Vampiros de cofres públicos e suas velharias domesticadas não suportam a claridade.

Link do post: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/expostos-a-claridade-dos-atos-de-protesto-os-amigos-dos-corruptos-se-transformam-num-punhado-de-cinzas-como-vampiro-de-cinema/

Marcha contra corrupção no Governo do PT: “protestos não tiveram cor partidária; foi a repulsa à roubalheira, à corrupção, à ocupação desenfreada da máquina pública por interesses espúrios”, diz artigo do ITV

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

É só o começo da luta anticorrupção

Foi apenas um primeiro passo, ainda tímido para as proporções que a indignação contra a corrupção já vem tomando na opinião pública

Os brasileiros mostraram ontem que não perderam sua capacidade de se indignar. As marchas anticorrupção programadas ao redor do país tiveram boa adesão e a de Brasília chegou a rivalizar com o desfile militar da Independência. Podem ter sido as primeiras manifestações mais explícitas de que a sociedade não tolera a forma como o bem público vem sendo tratado.

O ato mais expressivo ocorreu na capital federal. Enquanto militares marchavam de um lado da Esplanada, cerca de 25 mil pessoas protestavam do outro. Incomodada, a segurança presidencial interpôs imensos tapumes de mais de 2 metros de altura para impedir que as autoridades divisassem os manifestantes. Barras de metal isolaram os protestos.

As marchas anticorrupção nasceram voluntariamente e assim devem continuar a prosperar. Usaram instrumentos de mobilização contemporâneos, como as redes sociais, passando ao largo das formas tradicionais. Também assim surgiram, por exemplo, os movimentos da primavera árabe e os protestos por melhor educação no Chile.

Ao contrário do que gostariam muitos petistas, as manifestações de ontem não foram invenção da mídia. Foram atos espontâneos que pipocaram pelos quatro cantos do país, partindo de pessoas que se cansaram de ver o estado atual de deterioração das coisas.

Os manifestantes anticorrupção independem de líderes; a indignação é combustível suficiente para motivá-los. Os protestos de ontem não tiveram cor partidária; o que moveu os participantes foi a repulsa à roubalheira, à corrupção, à ocupação desenfreada da máquina pública por interesses espúrios.

“Os atos de ontem indicam uma reação estimulante e cidadã contra os níveis alarmantes de desrespeito e desfaçatez demonstrados por autoridades no trato com o dinheiro e os interesses da coletividade”, comenta a Folha de S.Paulo em editorial.

Entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) reforçaram o movimento. Não por coincidência são as mesmas que, quase vinte anos atrás, se mobilizaram pelo impeachment de Fernando Collor de Mello.

Em contrapartida, organizações antes inflamadas e dispostas a gritar “contra tudo o que está aí” hoje se refestelam nas benesses oficiais. A UNE engorda seus cofres com polpudos repasses de verba federal; a CUT encastela-se na máquina pública e a maior parte das demais centrais se regozija com o imposto sindical criado pela gestão petista. “Alguns militantes trocaram de lado: das marchas anticorrupção no passado para as cadeias da Polícia Federal e as denúncias do Ministério Público, hoje”, continua o editorial da Folha.

Recentemente, em meio ao turbilhão de falcatruas que assola o governo petista, um comentarista do jornal espanhol El Pais mostrou sua estupefação com a baixa capacidade de os brasileiros se indignarem. Àquela altura apenas dois dos quatro ministros de Estado demitidos do governo Dilma por corrupção haviam perdido o emprego.

Os acontecimentos de ontem parecem indicar que algo começa a mudar. Foi apenas um primeiro passo, ainda tímido para as proporções que a indignação contra a corrupção já vem tomando na opinião pública. Mas, neste 7 de setembro, a sociedade brasileira mostrou que quer ver o país independente, e não submetido às mazelas com que tem sido governado nos últimos anos.


Marcha contra corrupção no Governo do PT teve como alvo “a imensa constelação de quadrilhas formadas por assaltantes de cofres públicos”, comentou Augusto Nunes

Fonte: Direto ao Ponto – Blog do Augusto Nunes

As manifestações contra a corrupção transformaram este Sete de Setembro no Dia da Independência da nova geração

Ficou evidente, neste Sete de Setembro, que vai demorar bem menos do que se imaginava a hora do acerto de contas entre os que cumprem a lei e a bandidagem com padrinhos poderosos

Estive na Avenida Paulista, moldura do emocionante ato de protesto contra a corrupção endêmica e impune. Vou escrever mais sobre as manifestações desta quarta-feira. Mas o que vi no coração de São Paulo já me autoriza a afirmar que acabou de nascer um movimento destinado a alcançar dimensões semelhantes às atingidas pelas campanhas que reivindicaram a anistia, a volta das eleições diretas para a Presidência da República e o afastamento de Fernando Collor. Desta vez, o alvo imediato é a imensa constelação de quadrilhas formadas por assaltantes de cofres públicos. Não é o único: a paciência com o espetáculo da desfaçatez vai chegando ao fim.

Daqui a muitos anos, a História lembrará que, em 7 de setembro de 2011, ao som do Hino Nacional (veja o vídeo abaixo), foi proclamada a independência da novíssima geração de brasileiros. Amparada na internet como instrumento de mobilização, desvinculada de partidos políticos envelhecidos e envilecidos, separada por uma distância abissal de conceitos ideológicos caducos, a multidão de jovens, engrossada por veteranos de belos combates e indignados de todas as idades, mostrou-se disposta a provar que, apesar de tudo e apesar de tantos,  o Brasil tem jeito. Vem aí a segunda rodada de manifestações, marcada para 12 de outubro. Sobram motivos para acreditar que será maior e ainda mais animadora que a de hoje.

O grande clube dos cafajestes, convém ressalvar, não será fechado imediatamente. Mas ficou evidente, neste Sete de Setembro, que vai demorar bem menos do que se imaginava a hora do acerto de contas entre os que cumprem a lei e a bandidagem com padrinhos poderosos. Os corruptos da classe executiva sempre acreditaram que foram condenados desde sempre à impunidade perpétua. Acabam de saber, pela voz rouca das ruas, que a licença para roubar sem medo de cadeia não é irrevogável.

 

 

Vídeo: Belo Horizonte não se calou contra corrupção do Governo do PT – manifestação leva centenas de estudantes às ruas

Fonte: Direto ao Ponto – Blog do Augusto Nunes

O recado de Belo Horizonte

Passeata saiu da Praça da Liberdade e foi até à Praça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais

Nosso grande Reynaldo-BH mandou, acompanhado por três amostras do ato de protesto na capital de Minas Gerais, o seguinte recado:

“Augusto, eram jovens aqui em Belo Horizonte. Meio “baleado”, fui atrás! Não não podia perder isto por nada! Você está certo: está nas ruas desde 1968 e voltou a elas. Eu idem. Vamos em frente! De novo: VALEU E OBRIGADO, MENINOS!”

Link do post: http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/direto-ao-ponto/o-recado-de-belo-horizonte/

Midias sociais mobilizaram no país protestos contra a corrupção no Governo do PT

Fonte: Patrícia Royo – O Globo

Nas redes como nas ruas

Convocadas pela internet, marchas dominam Twitter e Facebook

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Fotos: O Globo

RIO – Não foi só nas ruas que o Dia da Independência se tornou um protesto contra a roubalheira no país. Internautas inundaram as redes sociais com mensagens de aprovação às marchas, inclusive rebatizando o feriado como Dia da Independência da Corrupção. No Twitter, a hashtag #7desetembro, também usada por quem apoiou o movimento, foi o termo mais comentado na rede entre 9h e 16h, liderando os Trending Topics brasileiros.

“Muito bom esses protestos nesse #7desetembro! Isso é democracia, e isso é um Brasil cheio de coisas que ainda precisam ser mudadas”, tuitou @diegofcss.

Foi com sentimento de esperança renovada que fãs da página do GLOBO no Facebook (www.facebook.com/jornaloglobo) reagiram às imagens de jovens que coloriram o rosto de verde e amarelo. Em apenas um minuto, o post com as fotos teve mais de 150 “likes” (ou “curtir”), acompanhados de elogios.

“Muito bom ver que a juventude deixou de manifestar sua indignação apenas com hashtags no Twitter de #ForaSarney”, escreveu Filipe Casagrande. Que teve o apoio de Sol Mainente: “Espero que os caras-pintadas aumentem cada vez mais! Na época do Collor vencemos. Por que não vencer agora? Avante!”.

Link da matéria:  http://oglobo.globo.com/pais/mat/2011/09/07/convocadas-pela-internet-marchas-dominam-twitter-facebook-925308530.asp#ixzz1XN5bJEbM

VÍDEOSete de Setembro foi marcado por protestos contra a corrupção

 

 

Contra corrupção no Governo do PT: Em Belo Horizonte no dia da Independência novos caras pintadas protestam

Fonte: Luana Cruz – Estado de Minas

Manifestações marcam 7 de setembro nas praças da Liberdade e Assembleia

Movimento contra a corrupção atraiu dezenas de manifestantes em BH no Dia da Independência

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O 7 de setembro foi marcado por manifestações em Belo Horizonte. O grupo Movimento Nacional Antipartidário mobilizou dezenas de pessoas para protestar contra atitude de políticos brasileiros. Pela manhã, os manifestantes se concentraram na Praça da Liberdade e, no período da tarde, tomaram a Praça da Assembleia, na Região Centro-Sul da capital.

Munidos de apitos, faixas, narizes de palhaço, o grupo mostrou a indignação contra a corrupção e oportunismo de políticos no país. Os manifestantes declararam guerra aos maus governantes, às obras superfaturadas, licitações viciadas e fraudulentas, além de desvios de verbas. A marcha contra a corrupção foi organizada por redes sociais e se espalhou por várias capitais brasileiras.

Outro grupo se juntou aos que protestavam contra a corrupção. São os manifestantes que promovem o tradicional Grito dos Excluídos, que completou a 17ª edição.

De volta ao tempo da ditadura: PT defende censura com o controle da mídia – ITV diz que partido tem ‘desprezo por instituições da democracia representativa’

Fonte: Instituto Teotônio Vilela

Guerreiros da Censura

PT ressuscita velhos lemas para inflamar a militância e desviar o foco da corrupção que assola seu governo

O PT não sobrevive sem inimigos. Escolher alguns Judas para serem malhados foi sempre a melhor fórmula que o partido encontrou para angariar votos e galgar posições a fim de conquistar o poder. No governo, o alvo preferencial sempre foram os meios de comunicação. O petismo tem horror à crítica e flerta com a censura.

O partido realizou neste fim de semana mais um de seus congressos. É sempre uma ocasião em que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu exercita seu comportamento pendular: defende ações de governo ao mesmo tempo em que critica mazelas e brada por mudanças. Faz as vezes de opositor, como se não fosse o responsável, há mais de oito anos, por tudo o que está aí.

Na resolução aprovada neste domingo, o PT ressuscita velhos lemas para inflamar a militância e desviar o foco da corrupção que assola seu governo. O “neoliberalismo” surge como o demônio de sempre, citado 26 vezes ao longo do documento, para explicar tudo de ruim que existe no mundo. Seu antípoda é o “socialismo”, cuja “construção” é um dos “compromissos” firmados pelos petistas (página 9).

A avalanche de irregularidades que tem vindo a público não passa – segundo a visão da realidade que as 25 páginas da resolução petista sustentam – de fruto de uma “conspiração midiática”. “O PT deve repelir com firmeza as manobras da mídia conservadora e da oposição de promover uma espécie de criminalização generalizada da conduta da base de sustentação do governo”, bradam os petistas à página 21.

O noticiário de hoje indica que, no texto da resolução, a direção do PT atenuou suas teses de controle da mídia, para atender pedido do Planalto. Se o fez, foi algo meramente tático, jamais programático. O PT não apenas flerta, como namora para casar com mecanismos de regulação dos meios de comunicação. O partido conclama seus filiados a “lutar” por “um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no país”. O que isso significa?

Diz o texto, à página 24: “(O 4º Congresso) Convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações no País, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra”.

Não é preciso mais do que estas 102 palavras para revelar as reais intenções do PT: calar a crítica e só abrir espaço aos áulicos do poder. Aos partidários de Lula, Dilma e José Dirceu só serve a mídia companheira, cevada por generosas somas de publicidade oficial – só nos anos Lula, foram gastos quase R$ 10 bilhões. Aos amigos, tudo; aos inimigos, a forca.

“O PT proclamou sua disposição de ir à luta para regular o comportamento da mídia. Em diversos países existe algum tipo de regulamentação. Nada haveria de absurdo que, por aqui, também fosse assim. Ocorre que o verdadeiro propósito de parte do PT é controlar o que a mídia divulga. Isso é censura. Isso contraria a Constituição”, comenta Ricardo Noblat n’O Globo de hoje.

Segundo a Folha de S.Paulo, o presidente do PT, Rui Falcão, disse que o partido fará uma “campanha forte” para pressionar o Congresso a aprovar um projeto que regule os meios de comunicação no país. Por “campanha forte” entenda-se também o uso de mecanismos de democracia direta, como referendos e plebiscitos, igualmente defendidos com ardor no documento aprovado ontem.

“Entraves às reformas democráticas e populares poderão muitas vezes ser enfrentados através da consulta popular sobre temas de interesse nacional, solicitados pelo Partido e seus aliados no Congresso e nos movimentos sociais”, lê-se à página 20. Ou seja, se não for por bem, vai na marra…

O congresso do PT deste fim de semana foi marcado pela defesa do enfrentamento aos meios de comunicação; o repúdio ao combate à corrupção; o patrocínio da criação de mais tributos; o desprezo por instituições da democracia representativa. Não espanta que a militância do partido tenha elegido para desfraldar tais bandeiras gente como José Dirceu, o “guerreiro do povo brasileiro” da nação petista.

Link da matéria:  http://www.itv.org.br/web/noticia.aspx?c=3626

 

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