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Caso Dnocs mantém ferida aberta – partidos com espaço no Governo Dilma loteiam o estado e brigam por mais poder

Gestão do PT, Gestão Deficiente

Fonte: Artigo do Instituto Teotônio Vilela (ITV)

Com a faca nos dentes

Partidos da base de apoio de Dilma Rousseff voltaram a expor a luta renhida que travam por nacos de poder. PT, PMDB, PSB e PP estão, novamente, envolvidos em casos escabrosos de disputa por porções do Estado para uso político-partidário. Pelo que, afinal, brigam tanto? Pelo bem do país é que não é.

A crise do momento foi detonada depois que um afilhado político do líder do PMDB na Câmara foi posto sob suspeita de malversação de dinheiro público. Trata-se de irregularidades milionárias cometidas de forma recorrente nos últimos anos no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), da alçada do Ministério da Integração Nacional.

Uma cabeça já rolou e outras estão ameaçadas de cair. Fala-se agora em mudar toda a estrutura subordinada à Integração, desde o Dnocs à Sudene, passando pela Codevasf. Mas o que poderia ser uma evolução em direção a uma maior eficiência da máquina pública revela-se mera briga por feudos. A sensação é de um regresso à era medieval.

Especificamente neste imbróglio, se engalfinham os peemedebistas, o PSB do ministro da Integração e o Planalto. Pouco interesse eles mostraram pelas falcatruas em si, tratadas como mero “fogo amigo”, percalços de um governo naturalmente fatiado. Pouco se interessaram em perceber que o órgão de obras contra as secas mal atua para atenuá-las.

O Globo mostra hoje a penúria em que vivem municípios nordestinos afetados pela falta d’água. Do Dnocs que tanta sanha provoca nos políticos aliados ao petismo, as populações pouca atenção recebem, na forma de esporádicos caminhões-pipa, se tanto. Enquanto isso, no extremo sul do país agonizam cidades gaúchas e catarinenses castigadas por estiagem severíssima, sem apoio algum.

Este é apenas “mais um capítulo da conhecida novela da degradação da administração pública causada pela norma lulopetista de barganhar cargos pela via do fisiologismo, do toma lá dá cá”, resume o jornal em editorial na edição de hoje.

Não é só na Integração Nacional que a barganha rola solta. Também na saúde, comensais do governo petista atracam-se na lama. Lá o que PT e PMDB disputam é o butim da Funasa. Os peemedebistas estão contrariados por perder poder desde que Alexandre Padilha assumiu o ministério. Melhorias efetivas no órgão de orçamento polpudo e alta capilaridade? São desconhecidas.

Neste caldo de enfrentamento, uma declaração do líder do PMDB, padrinho dos caciques do Dnocs defenestrados ou em processo de defenestração, resume bem os valores e o ânimo que movem este governo e seus “aliados”.

“O governo vai brigar com metade da República, com o maior partido do Brasil? Que tem o vice-presidente da República, 80 deputados, 20 senadores? Vai brigar por causa disso? Por que faria isso?”, disse Henrique Eduardo Alves à Folha de S.Paulo. Ele pôs a faca nos dentes para, em seguida, lembrar o envolvimento dos ministros petistas Fernando Pimentel e Paulo Bernardo em escândalos que o PMDB ajudou a abafar. Parece coisa de máfia, e é.

Assim como é mafioso o que acontece no Ministério das Cidades, novamente nas manchetes policiais. O caso da participação em negociações com empresários e lobistas interessados num projeto milionário da pasta, revelado pela Folha no fim de semana, resultou ontem na demissão do chefe de gabinete Cássio Peixoto. Ele estaria “desmotivado“. O que não dá para entender é como seu superior, o ministro Mário Negromonte, ainda continua lá.

A presidente da República prometeu para este início de ano uma reforma ministerial que se mostrou inexistente. Todas as trocas na sua equipe – com exceção, talvez, de Graça Foster na Petrobras – foram feitas de maneira reativa, para jogar ao mar mais um suspeito de corrupção denunciado pela imprensa.

Dilma Rousseff deve ter achado que agora poderia levar seu governo adiante, com cobranças apaziguadas após as primeiras baixas. Mas as primeiras semanas de 2012 deixaram claro que seu governo, em boa medida, está carcomido por interesses espúrios, por brigas comezinhas, por disputas menores – em síntese, sem rumo e sem alma.

São pecados de uma gestão que, até agora, não mostrou a que veio. Não se enxerga numa única disputa de poder protagonizada pelo PT e seus aliados o interesse público como motivação. Tudo gira em torno de brigas por estruturas paralelas, fontes sujas de receita, negócios escusos. Que projeto de país, afinal, nos oferecem?

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Governo Dilma sem Integração: “Se as políticas regionais fossem mais fortes, o ministério seria mais forte”, criticou o presidente do PSDB nacional Sérgio Guerra

Sem gestão pública, Gestão Pública deficiente

Fonte: CHRISTIANE SAMARCO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Integração vira ‘Ministério do Nordeste’

Pasta criada sob inspiração da ditadura militar teve 11 ministros, sendo 10 nordestinos, que privilegiaram região na condução de projetos

Inspirada no Ministério do Interior, que projetou o ministro Mário Andreazza (1918/1988) para a primeira disputa presidencial após 20 anos de ditadura militar, a pasta da Integração Nacional foi criada na forma de secretaria em 1990, virou ministério dois anos depois e, a partir daí, tornou-se um reduto nordestino na Esplanada. Dos últimos 11 ministros que por lá passaram, 10 eram do Nordeste.

A exceção foi o ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS), que ocupou o cargo por três meses.

O primeiro ministro da Integração Regional foi o ex-governador do Rio Grande do Norte Aluízio Alves, no governo Itamar Franco (1992/1994). Desde então, governadores e parlamentares dos vários Estados nordestinos vêm se engalfinhando não só pela cadeira de ministro, como também pelo comando das estatais vinculadas à pasta, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs).

Para manter a influência sobre o Dnocs no governo de Dilma Rousseff, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), chegou a ameaçar até o rompimento com o novo governo. Tanto barulho fez que assegurou a permanência de seu afilhado Elias Fernandes no cargo de diretor da estatal. O orçamento do Dnocs para este ano é de cerca de R$ 1 bilhão.

A destinação de recursos do ministério para a construção de barragens, como ocorre agora na administração de Fernando Bezerra Coelho, não é novidade. Se na gestão do ministro Andreazza o Rio Grande do Norte ganhou a barragem Armando Gonçalves, com capacidade para armazenar 2,4 bilhões de litros d’água, não foi diferente nos tempos da dobradinha potiguar, com o governador Garibaldi Alves e o ministro Fernando Bezerra (homônimo do atual, ex-senador e ex-presidente da CNI), no governo Fernando Henrique.

“Esse ministério mudou a região e teve repercussão imensa no Rio Grande do Norte, com obras que mudaram a vida do povo”, recorda o agora ministro da Previdência Social, senador Garibaldi Alves (PMDB).

A grita dos nordestinos, que passaram a se mobilizar e a se organizar a partir dos Estados, criando secretarias de recursos hídricos e planos diretores de aproveitamento das águas e bacias, começou de forma mais intensa e organizada em 1982, depois dos cinco anos consecutivos de seca que traumatizaram a região. Alguns políticos lamentam a troca de nome – Desenvolvimento ou Integração Regional para Integração Nacional.

Mas não há nordestino que não defenda o ministério. “É importante que tenhamos um ministério do Nordeste e um ministro da região”, defende o líder do PSB no Senado, Antonio Carlos Valadares (SE). Segundo ele, a Integração continua sendo a pasta “do combate às desigualdades regionais”.

Até a oposição reconhece a importância do ministério, a despeito dos reparos ao governo. O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), diz que as obras mais importantes do ministério são a transposição do São Francisco, que está paralisada, e a Ferrovia Transnordestina, que também não anda, diz ele. “Se as políticas regionais fossem mais fortes, o ministério seria mais forte.”

Em baixa. Disputas à parte, a Integração nunca figurou na lista dos ministérios mais importantes, exatamente pela vinculação regional ao Nordeste. Só ganhou dimensão nacional em dois momentos: sob a batuta do candidato a presidente Ciro Gomes – precisamente por se tratar de um presidenciável – e com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), por conta do projeto da transposição e por ser ele o líder do PMDB.

Acusado de favorecer a Bahia em sua administração, Geddel lembra que aplicou recursos em projetos para conter encostas e promover drenagem em Salvador, “que é a terceira maior capital do País e é muito mais pobre que Rio, São Paulo e Belo Horizonte”. A seu ver, a Integração está longe de ter a importância de um ministério do Interior, porque seu leque de ações é estreito e os recursos para obras de prevenção estão espalhados por várias pastas. “As verbas para emergências no Sudeste estão principalmente nas Cidades. Na Integração, essa rubrica é troco.”

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