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“Privataria Tucana”: Merval Pereira classifica livro de Amaury como ficção e diz que obra ‘tem pouca credibilidade’ por fazer propaganda do PT

Farsa do PT, Privataria Tucana, corrupção ativa.  violação de sigilo fiscal
Fonte: Artigo de Merval Pereira – O Globo

A ficção do Amaury

 Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano. 

O livro “Privataria tucana”, de autoria de Amaury Ribeiro Jr., é um sucesso de propaganda política do chamado marketing viral, utilizando-se dos novos meios de comunicação e dos blogueiros chapa-branca para criar um clima de mistério em torno de suas denúncias supostamente bombásticas, baseadas em “documentos, muitos documentos”, como definiu um desses blogueiros em entrevista com o autor da obra.

Disseminou-se a ideia de que a chamada “imprensa tradicional” não deu destaque ao livro, ao contrário do mundo da internet, para proteger o ex-candidato tucano à Presidência José Serra, que é o centro das denúncias.

Estariam os “jornalões” usando dois pesos e duas medidas em relação a Amaury , pois, enquanto acatam denúncias de bandidos contra o governo petista,  alegam que ele está sendo processado e, portanto, não teria credibilidade? É justamente o contrário. A chamada “grande imprensa”, por ter mais responsabilidade que os blogueiros ditos independentes, mas que, na maioria, são sustentados pela verba oficial e fazem propaganda política, demorou mais a entrar no assunto, ou simplesmente não entrará, porque precisava analisar com tranquilidade o livro para verificar se ele realmente acrescenta dados novos às denúncias sobre as privatizações e se tem provas.

Outros livros, como “O chefe”, de Ivo Patarra, com acusações gravíssimas contra o governo de Lula, também não tiveram repercussão na “grande imprensa” e, por motivos óbvios, foram ignorados pela blogosfera chapa-branca.

Desde que Pedro Collor denunciou as falcatruas de seu irmão presidente, há um padrão no comportamento da “grande imprensa”: as denúncias dos que participaram das falcatruas, sejam elas quais forem, têm a credibilidade do relato por dentro do crime. Deputado cassado e presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson desencadeou o escândalo do mensalão com o testemunho pessoal de quem esteve no centro das negociações e transformou-se em um dos 38 réus do processo. O ex-secretário de governo Durval Barbosa detonou a maior crise política da história de Brasília, com denúncias e gravações que culminaram com a prisão do então governador José Roberto Arruda e vários políticos.

E por aí vai. Já Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado pela Polícia Federal por quatro crimes: violação de sigilo fiscal, corrupção ativa, uso de documentos falsos e oferta de vantagem a testemunha, tendo participado, como membro da equipe de campanha da candidata do PT, de atos contra o adversário tucano. O livro, portanto, continua sendo parte da sua atividade como propagandista da campanha petista e evidentemente tem pouca credibilidade na origem.

Na sua versão no livro, Amaury jura que não havia intenção de fazer dossiês contra Serra e que foi contratado “apenas” para descobrir vazamentos internos, e usou seus contatos policiais para a tarefa que, convenhamos, conforme descrita pelo próprio, não tem nada de jornalística.

Ele alega que a turma paulista de Rui Falcão (presidente do PT) e Palocci queria tirar os mineiros ligados a Fernando Pimentel da campanha e acabou criando uma versão distorcida dos fatos. No caso da quebra de sigilo de tucanos, na Receita de Mauá, Amaury diz que o despachante que o acusou de ter encomendado o serviço mentiu por pressão de policiais federais amigos de Serra. Enfim, Amaury tem de se explicar antes de denunciar outros, o que também enfraquece sua posição.

Ele e seus apoiadores ressaltam sempre que 1/3 do livro é composto de documentos, para dar apoio às denúncias. Mas, se os documentos, como dizem, são todos oficiais e estão em cartórios e juntas comerciais, imaginar que revelem crimes contra o patrimônio público é ingenuidade ou má-fé. Que trapaceiro registra seus trambiques em cartórios?

Há, a começar pelo título – “Privataria tucana” – uma tomada de posição política do autor contra as privatizações. E o modo como descreve as transações financeiras mostra que Amaury se alinha aos que acham que ter conta em paraíso fiscal é crime, ainda mais se for no Caribe, e que a legislação de remessa de dinheiro para o exterior feita pelo Banco Central à época do governo FH favorece lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

É um ponto de vista como outro qualquer, e ele tenta de todas as maneiras mostrar isso, sem, porém, conseguir montar um quadro factual que comprove suas certezas. É claro que há crimes financeiros nos paraísos fiscais, e é possível que algum dos citados no livro os tenha cometido. Mas, como quando o marqueteiro Duda Mendonca confessadamente recebeu seu pagamento pela campanha de Lula em 2002 em um paraíso fiscal de uma conta do PT, esses casos nao estão registrados em juntas comerciais.

Vários personagens, a maioria ligada a Serra, abrem e fecham empresas em paraísos fiscais, com o objetivo, segundo ilações do autor, de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá- lo legalmente no País. Acontece que passados 17 anos do primeiro governo de Fernando Henrique, e estando o PT no poder há nove anos, não houve um movimento para rever as privatizações. E os julgamentos de processos contra os dirigentes da época das privatizações não dão sustentação às críticas e às acusações de “improbidade administrativa” na privatização da Telebrás.

A decisão no- 765/99 do Plenário do Tribunal de Contas da União concluiu que, além de não haver qualquer irregularidade no processo, os responsáveis “não visavam favorecer em particular o consórcio composto pelo Banco Opportunity e pela Itália Telecom, mas favorecer a competitividade do leilão da Tele Norte Leste S/A, objetivando um melhor resultado para o Erário na desestatização dessa empresa”.

Também o Ministério Público de Brasília foi derrotado, e, no recurso, o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal decidiu não apenas acatar a decisão do TCU mas afirmar que “não restaram provadas as nulidades levantadas no processo licitatório de privatização do Sistema  Telebrás. Da mesma forma, não está demonstrada a má-fé, premissa do ato ilegal e ímprobo, para impor-se uma condenação aos réus. Também não se vislumbrou ofensa aos princípios constitucionais da Administração Pública para configurar a improbidade administrativa”.

O livro de Amaury está em sexto lugar na lista dos mais vendidos de não ficção. Talvez tivesse mais sucesso ainda se estivesse na lista de ficção.


PT mente sobre votação de MP do sigilo fiscal – Aécio mobiliza Senado para que tema se transforme em projeto lei

PT Mente sobre votação da MP 507 –  MP chega ao Senado apenas com um dia para ser votada. Aécio Neves mobiliza senadores para que tema volte a casa em forma de projeto lei

É mentirosa a informação divulgada pelo blog Amigos do Presidente Lula sobre a votação no Senado da Medida Provisória 507 de 5 de outubro de 2010.  A MP caducou em razão do prazo. Ela chegou ao Senado tendo apenas um dia para ser discutida e aprovada. Desta forma, o governo federal terá que enviar um novo projeto de lei sobre o assunto.

Todos os senadores, inclusive da oposição, são a favor da MP. Por meio de um acordo proposto pelo senador Aécio Neves, assumiram o compromisso de votar o tema em regime de urgência quando ele retornar à Casa para ser apreciado mais uma vez.

Para entender: Em razão do pouco tempo que a MP tinha para ser discutida e aprovada (um dia), houve um acordo  entre base e oposição para garantir o necessário debate sobre o tema.

O acordo proposto pelo senador Aécio Neves foi de que a MP fosse aprovada, mas como uma nova emenda. Isso obrigava o retorno dela para a Câmara e, como o prazo de validade era de um dia, ela, na prática, caducou.

Em razão da importância do assunto, o senador trabalhou para que o governo federal apresente um novo projeto de lei  em que os lideres da oposição votarão em regime urgência.

A MP 507 instituia hipóteses específicas de sanção disciplinar para a violação de sigilo fiscal e disciplina o instrumento de mandato que confere poderes a terceiros para praticar atos perante órgão da administração pública que impliquem fornecimento de dado protegido pelo sigilo fiscal.

A MP foi criada para impedir que despachantes e funcionários da Receita Federal tivessem acesso facilitado a dados protegidos por sigilo fiscal de contribuintes. Só para relembrar o caso, as medidas foram tomadas pela Receita Federal logo após o depoimento do despachante Dirceu Garcia à Polícia Federal. Na época ele admitiu ter recebido R$ 12 mil de do jornalista Amaury Ribeiro Jr. para devassar o Imposto de Renda dos tucanos.

Amaury estaria ligado a um grupo do Partido dos Trabalhadores e teve o banco de dados particular furtado pelo coordenador de comunicação da campanha do PT, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), mas voltou a negar que tenha obtido o material ilegalmente.

Esta versão foi desmentida pelo próprio Dirceu. Ele afirmou em depoimento que, em setembro de 2010, ganhou mais R$ 5 mil do jornalista para “ficar calado” sobre as encomendas feitas por ele e consumadas nas delegacias da Receita em Santo André (SP) e Mauá (SP). As declarações de Dirceu foram confirmadas por cópias de extratos bancários, bilhetes aéreos e outros documentos.

 

Amaury Jr passou a monitorar despachante depois que houve a quebra de sigilo na Receita Federal

Dossiê: despachante diz que era monitorado por jornalista

Fonte: Roberto Maltchik – Globo

Amaury Ribeiro Jr. voltou a acusar petista de roubar dados de sigilo

Após a revelação de que dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB foram violados, o jornalista Amaury Ribeiro Junior passou a monitorar os passos do despachante Dirceu Garcia, que o acusou de encomendar o material em troca de R$ 12 mil. Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 22, o despachante afirma que era procurado mensalmente pelo jornalista, desde junho, sempre interessado em saber se estava tudo bem com ele.

Segundo o relato, as ligações culminaram, em setembro, com o pagamento de R$ 5 mil para que Dirceu ficasse calado sobre o escândalo. Segundo o despachante, a última conversa entre os dois, para tratar da encomenda de documentos junto aos órgãos oficiais de São Paulo, ocorreu em outubro do ano passado.

Os dois depósitos que totalizaram R$ 5 mil teriam sido oferecidos por livre e espontânea vontade, depois que o nome do despachante Ademir Estevam Cabral apareceu no curso das investigações. Dirceu disse que Amaury perguntou (…) quanto ele estava precisando e que teria respondido que precisava de R$ 2 mil. O jornalista, no entanto, teria dito que o valor era pouco e que daria R$ 5 mil. Esta negociação teria ocorrido em São Paulo, entre 2 e 4 de setembro.

No depoimento que prestou anteontem à PF, Amaury foi questionado especificamente sobre este episódio, mas se valeu do direito de permanecer calado. Ele foi indiciado pela suposta prática de quatro crimes, entre os quais, corrupção ativa e quebra de sigilo.

Amaury voltou a afirmar que deu prosseguimento à sua investigação sobre as privatizações em 2007, após rumores de que um grupo ligado ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria promovendo uma investigação clandestina contra o ex-governador de Minas Aécio Neves.

Ele disse ainda que recebeu de um suposto integrante desta equipe a informação de que tal investigação estaria em curso.

Afirmou que ouviu relatos de que pessoas ligadas ao PMDB e à campanha de Dilma estariam ?sofrendo pressão?. O parlamentar nega as acusações.

No depoimento, o jornalista também disse que soube por um repórter da Veja que o coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), teria introduzido militantes do PT de São Paulo na pré-campanha de Dilma para vazar informações estratégicas. Afirmou que dois militantes teriam sido escalados para trabalhar como voluntários na campanha e disse acreditar que ambos eram os agentes inflitrados. Procurado, Rui Falcão não
comentou o novo depoimento.

O jornalista também se valeu do direito ao silêncio para não explicar por quantas vezes ou em quais circunstâncias se hospedou no flat de Jorge Siqueira, funcionário de empresa que presta serviços ao comitê de Dilma em Brasília, como revelou O GLOBO na última sexta-feira. Ele apenas assinalou que Rui Falcão tinha a chave do apartamento e, por isso, tem certeza que o deputado foi o responsável pela cópia de sua documentação. O jornalista nega que tenha encomendado ilegalmente a
devassa de informações fiscais junto à Receita Federal.

Rui Falcão protagonizou uma disputa por poder dentro da campanha de Dilma com o ex-prefeito de Belo Horizonte (MG) Fernando Pimentel. Já a Marka, empresa ligada a Falcão, entrou na briga por uma fatia da prestação de serviços de comunicação ao comitê com a Lanza, de Luiz Lanzetta.

Lanzetta era o coordenador do grupo de inteligência que implodiu após os primeiros rumores de que informações ilegais seriam utilizadas.

No depoimento de anteontem, os investigadores fizeram inúmeras perguntas a Amaury sobre sua relação com Lanzetta e com o diretor do Estado de
Minas, Josemar Gimenez.

Em todas as respostas, porém, ele ficou calado. Também não esclareceu se estava a serviço do jornal durante suas viagens a São Paulo, entre setembro e outubro de 2009, período em que foram violados os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e da filha de José Serra, Verônica Serra. O ?Estado de Minas? nega que Amaury estivesse a serviço em suas idas à capital paulista.

À PF, o despachante Dirceu disse também que, em 2009, o jornalista teria pedido que ele assinasse recibo de R$ 300, em nome do jornal Correio Braziliense.

Amaury, por sua vez, disse aos investigadores que não se lembra de ter feito tal pedido.

Amaury Jr contou à Polícia Federal que Rui Falcão infiltrou espiões no comitê, briga foi pelas verbas de comunicação da campanha de Dilma

Jornalista diz que Falcão infiltrou 2 espiões no comitê

Fonte: Leandro Colon – O Estado de S.Paulo

À PF Amaury Ribeiro Jr. contou que por trás da manobra estava a briga pelo dinheiro dos serviços de comunicação da campanha da petista Dilma

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. disse à Polícia Federal que o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT), infiltrou dois espiões no comitê eleitoral em Brasília. Por trás disso, estava a briga pelo milionário dinheiro pago pelos serviços de comunicação da campanha.

Segundo Amaury, essas pessoas foram apresentadas por Falcão como “voluntários” e militantes do PT paulista. O jornalista afirmou no depoimento dado na segunda-feira, cujo teor foi obtido pelo Estado, que acredita ser esse “grupo do PT Paulista” – segundo palavras dele – a origem dos vazamentos de informações sigilosas da coordenação de comunicação entre abril e maio deste ano.

A briga por espaço e dinheiro levou à revelação do polêmico dossiê com dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que circulou pelas mãos de integrantes da campanha de Dilma. Amaury é apontado pela PF como o responsável pela encomenda da violação ilegal dos dados de Eduardo Jorge e de outros tucanos, incluindo a filha e o genro do presidenciável José Serra. O jornalista, por sua vez, afirma que Rui Falcão furtou esses dados e insinua que ele vazou o material pela imprensa com a versão de que integrantes da campanha de Dilma estariam preparando um dossiê contra o PSDB.

O objetivo do grupo paulista seria desgastar a equipe do jornalista Luiz Lanzetta, contratado, por R$ 150 mil mensais, para cuidar da assessoria de imprensa de Dilma em Brasília. A “espionagem” serviria para Falcão saber o que o grupo de Lanzetta vinha fazendo em Brasília.

Rui Falcão trabalhava por um grupo de São Paulo, contrário à contratação de Lanzetta, que teve de deixar a campanha em junho quando estourou o escândalo do dossiê. Foi Lanzetta quem convidou Amaury em abril para fazer parte do grupo de inteligência da campanha. Numa reunião num restaurante em Brasília, teriam discutido o dossiê contra Serra produzido por Amaury.

Outra linha. As oito páginas do último depoimento de Amaury mostram que a PF quer insistir na ligação do jornal Estado de Minas com a atuação do jornalista na violação do sigilo. É uma linha de investigação que tenta afastar da campanha de Dilma a quebra ilegal dos dados. É que Amaury diz que iniciou as investigações em 2007 depois de saber que aliados do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) ligados a José Serra estariam investigando o ex-governador Aécio Neves.

No depoimento de segunda-feira, Amaury Ribeiro – indiciado por encomendar os dados fiscais dos tucanos – reafirmou o que dissera antes, não confessou a quebra de sigilo, e acrescentou a existência de duas pessoas infiltradas na campanha de Dilma, cujos nomes não foram revelados por ele. “Tendo sido os mesmos os responsáveis pelo acompanhamento do que se passava na referida casa”, disse, citando a casa do Lago Sul onde funcionava a coordenação de comunicação da campanha.

O delegado Hugo Uruguai não perguntou, entretanto, qual o nome das duas pessoas que teriam sido infiltradas pelo PT paulista na campanha de Dilma em 2010. Por outro lado, fez várias perguntas sobre as relações de Amaury com o jornal do qual era empregado no período da violação do sigilo fiscal dos tucanos, ocorrida entre 29 de setembro e 8 de outubro de 2009. O jornalista recusou-se a respondê-las. Disse, no primeiro depoimento, que estava em férias quando os dados foram violados e que se desligou do jornal logo depois. Bilhetes aéreos e o depoimento do despachante Dirceu Garcia – que comandou a operação de violação – mostram que Amaury esteve em São Paulo naqueles dias.

Anteontem, Amaury ficou calado quando a PF perguntou sobre quem pagou as despesas de viagem e hospedagem durante a violação do sigilo dos tucanos. A investigação mostra que o jornalista encomendou as declarações de renda – protegidas por lei – do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha e do genro do presidenciável José Serra. Procurado pela reportagem, o jornal Estado de Minas não se pronunciou sobre o assunto.

Polícia Federal indicia Amaury Jr, mas não revela quem pagou pela quebra de sigilo. Jornalista confirma que Rui Falcão do PT furtou dados

Jornalista que encomendou dados de tucanos é indiciado

Fonte: Roberto Maltchik – O Globo

Acusado no escândalo do dossiê, Amaury responderá por quatro crimes

Após seis horas e meia de depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado ontem pelos crimes de corrupção ativa, violação de sigilo, uso de documentação falsa e pagamento de suborno a testemunha. Amaury é acusado de encomendar a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Em seu quarto depoimento na PF, Amaury reafirmou que seu banco de dados particular foi furtado pelo coordenador de comunicação da campanha do PT, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), mas voltou a negar que tenha obtido o material ilegalmente.

Os quatro indiciamentos estão baseados em provas materiais e testemunhais obtidas pela PF no último mês. A principal foi o depoimento do despachante Dirceu Garcia, que admitiu ter recebido R$ 12 mil de Amaury para devassar o Imposto de Renda dos tucanos. Dirceu também disse que, em setembro último, ganhou mais R$ 5 mil do jornalista para “ficar calado” sobre as encomendas feitas por ele e consumadas nas delegacias da Receita em Santo André (SP) e Mauá (SP). As declarações de Dirceu foram confirmadas por cópias de extratos bancários, bilhetes aéreos e outros documentos.

As quebras de sigilo fiscal ocorreram nos dias 30 de setembro e 8 de outubro do ano passado, enquanto Amaury gozava férias no jornal “Estado de Minas”.

Ao fim das férias, Amaury pediu demissão. Em abril deste ano, foi chamado pelo jornalista Luiz Lanzetta, da Lanza Comunicações, para trabalhar no núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff. O núcleo só foi desfeito após sua existência ser revelada por reportagem da revista “Veja”, em maio. O “Estado de Minas” nega ter pagado pelas incursões de Amaury a São Paulo.

No depoimento de ontem, o jornalista voltou a dizer que levantava informações há mais de dez anos sobre as privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique. E que passou a buscar novos elementos depois que ficou sabendo, em 2007, da suposta existência de um grupo clandestino de inteligência comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) para espionar o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Porém, Amaury se valeu do direito de ficar calado para não responder a novas perguntas feitas pelo delegado Hugo Uruguai.

Ele foi questionado e não respondeu sobre sua ligação com Dirceu Garcia. A respeito do suborno ao despachante, Amaury apresentou como álibi documentos que comprovariam que estava em Manaus nas datas dos pagamentos, feitos em duas parcelas iguais, a partir de uma agência do Bradesco no mesmo prédio onde funciona a Lanza Comunicações, em Brasília.

Ao sair da PF, o advogado Adriano Bretas entregou à imprensa uma série de documentos supostamente levantados por Amaury durante investigações sobre as privatizações do governo passado. Na papelada, ele anexou 12 páginas de documentos confidenciais da CPMI do Banestado. Amaury diz que nos documentos há supostas irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao PSDB. Os documentos citam transações financeiras que teriam sido feitas pelo ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e por Gregório Marin Preciado, parente de Serra.

Ambos tiveram o sigilo fiscal violado em 8 de outubro de 2009, na Receita Federal de Mauá.

Em nota, Amaury disse que não tem “militância partidária” e apresentou um histórico profissional.

Em defesa apresentada à PF por escrito, disse que “rechaça, veementemente, qualquer responsabilidade criminal sua no episódio investigado” e “nega, terminantemente, que tenha praticado qualquer delito no lídimo desempenho de sua atividade de jornalismo investigativo.” Sobre o indiciamento, o advogado do jornalista afirmou que a decisão da PF é positiva.

– A defesa vê o indiciamento de forma positiva, porque agora as especulações a respeito do fato vão ser cessadas. Vai ser esclarecido que ele não cometeu crime algum. Ele ratificou que não houve da parte dele quebra ou encomenda da quebra de sigilo de quem quer que fosse – disse Adriano Bretas.

Amaury era o único personagem ligado diretamente ao escândalo da quebra de sigilo que ainda não tinha sido indiciado.

Além dele, são investigados os despachantes Dirceu Garcia e Ademir Cabral, o contador Antônio Carlos Atella e a servidora do Serpro Adeildda Ferreira dos Santos. Sem data para a conclusão do inquérito, a PF informou que o relatório final deve ser concluído nos próximos dias.

– Amaury está sendo usado de bode expiatório para ocultar os fatos que ele apurou de forma lícita – afirmou Bretas.

 

 

 

Polícia Federal ouve esta semana Erenice Guerra, ligada a Dilma; e Amaury Jr por fabricação de dossiê contra o PSDB

PF interroga Erenice e jornalista a menos de uma semana do 2º turno

Fonte: Vannildo Mendes – Estado de S.Paulo

A seis dias da eleição presidencial, a tensão da campanha se transfere hoje de manhã para a Polícia Federal, em Brasília, onde dois personagens ligados à campanha de Dilma Rousseff (PT) – a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra e o jornalista Amaury Ribeiro Jr. – darão depoimentos, em inquéritos separados, a partir de 9 horas. O que disserem ou deixarem de dizer certamente influirá no discurso e nas propagandas dos dois lados nesta reta final e dará munição para o debate entre Dilma e José Serra (PSDB), à noite, na TV Record.

Erenice será a primeira a ser ouvida. Terá de explicar, em inquérito comandado pelo delegado Roberval Ricalvi, se tinha conhecimento das irregularidades praticadas por seus filhos Israel e Saulo Guerra, na intermediação de negócios entre empresas privadas e estatais – escândalo que atingiu fortemente a campanha da candidata petista e levou a ministra a perder o cargo no dia 16 de setembro.

Ribeiro Jr. será inquirido em seguida por outro delegado, Hugo Uruguai, sobre a violação do sigilo fiscal de vários dirigentes do PSDB, entre eles o vice-presidente executivo do partido, Eduardo Jorge, e Verônica Serra, filha do candidato tucano José Serra. O jornalista é suspeito de ter encomendado e pago, a terceiros, a invasão desses sigilos em computadores da Receita Federal em Mauá e Santo André, no ABC paulista.

Os depoimentos se seguem, também, a denúncias divulgadas no final de semana, pela revista Veja, de que altas figuras do Planalto fariam pressão, em áreas do Ministério da Justiça, para que fossem produzidos dossiês contra adversários políticos do governo.

Erenice. À ex-ministra da Casa Civil, o delegado Ricalvi deverá pedir informações sobre como as ações de seu filho Israel Guerra poderiam ocorrer, tão próximas dela, sem seu conhecimento. Divulgado no início de setembro, o envolvimento de Israel incluía a cobrança por sua empresa, a Capital Assessoria e Consultoria, de uma “taxa de sucesso” para atender a empresas interessadas em contratos públicos. Um deles, denunciado pelo empresário Fábio Bacarat, já ouvido pela PF, rendeu ao filho de Erenice pagamentos mensais de R$ 25 mil. Em outro, ele teria ganho R$ 5 milhões para ajudar a empresa aérea MTA a obter contratos e encomendas dos Correios.

Desde seu início, o episódio marcou a campanha de Dilma, que chegou até a levar reprimendas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por estar sendo muito boazinha com a ex-ministra. Depois de dizer-se solidária com ela, e exigir provas, acabou afirmando que “as pessoas erram e Erenice errou”. Ao Jornal Nacional, da TV Globo, ela afirmou em entrevista na semana passada, em sua defesa, que “ninguém controla um governo inteiro”.

Quanto a Erenice, por enquanto sofreu uma multa do Tribunal Superior Eleitoral por ter usado o site da Presidência para se defender e ironizar José Serra por uma candidatura “aética e já derrotada”. Foi punida também pela Comissão de Ética da Presidência, por não ter informado, ao assumir a Casa Civil, os parentes que tinha empregados no serviço público.

Indiciamento.
O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que já prestou três depoimentos até agora sobre a quebra de sigilo dos tucanos, vive situação mais delicada: poderá sair do depoimento indiciado por corrupção ativa e violação de sigilo. A PF diz ter provas de que ele pagou R$ 12 mil ao despachante Dirceu Garcia, de São Paulo, em outubro de 2009, para obtenção ilegal dos dados. Os policiais investigam também se foi Amaury Ribeiro Jr. quem pagou recentemente R$ 5 mil como “cala boca” para que o despachante silenciasse sobre o episódio.

A PF abriu esse inquérito no final de junho, após ser divulgado que o comitê de Dilma produzia dossiês contra tucanos e familiares de Serra. Mas nem o jornalista nem seu advogado confirmaram presença. Se não forem, porém, tratando-se de segunda convocação, a PF pode recorrer ao recurso da condução coercitiva.

Os dados contra os dirigentes tucanos comprados pelo jornalista acabaram em poder da pré-campanha de Dilma, que foi acusada de encomendar dossiês contra Serra. A PF obteve a quebra de sigilo dos envolvidos e faz cruzamento de dados para confirmar de onde saiu o dinheiro.

Em nota, o jornalista negou as acusações e afirmou que “jamais pagaria pela obtenção de dados fiscais sigilosos de qualquer cidadão”. No último depoimento, em 15 de outubro, ele revelou ao delegado Hugo Uruguai que recebeu a missão de investigar dirigentes tucanos do jornal onde trabalhava, o Estado de Minas, para proteger o governador mineiro, Aécio Neves, de espionagem ilegal que estaria sendo feita pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ), a serviço de Serra.

Ele sustenta que deixou o jornal no final de 2009, mas deixou um relatório completo da apuração, levando uma cópia consigo – e uma “equipe de inteligência” do PT invadiu clandestinamente o apartamento, que ele ocupava, e copiou os dados.

PONTOS SENSÍVEIS
Caso Erenice – Os filhos da ex-ministra Erenice Guerra, Israel e Saulo, sucessora de Dilma, são acusados de operacionalizar um esquema de tráfico de influência na Casa Civil

Reincidente – Erenice já figurou em outros escândalos. O mais recente foi no ano passado, quando apareceu como pivô do encontro entre Lina Vieira e a então ministra Dilma Rousseff

Caso Amaury – Em 2009, seis pessoas ligadas ao PSDB e ao candidato José Serra tiveram seus sigilos fiscais quebrados. O jornalista Amaury Ribeiro Jr. é apontado como mandante

Ligação com PT – Na semana passada, em depoimento à Polícia Federal, o jornalista acusou o petista Rui Falcão de furtar de seu computador o dossiê com dados fiscais violados em 2009

Escândalo – Blog do Noblat publica matéria de O Globo: ‘Veja – Dilma e Gilberto Carvalho pediam dossiês’

VEJA – Dilma e Gilberto Carvalho pediam dossiês

Fonte: O Globo publicado no Blog do Noblat

Gravações feitas no gabinete do ex-secretário Nacional de Justiça Romeu Tuma Júnior, de conversas com altos funcionários do Ministério da Justiça, revelam o desconforto de Pedro Abramovay, que sucedeu a Tuma no cargo, com supostos pedidos do Palácio do Planalto para a confecção de dossiês.

As informações são de reportagem de capa da revista “Veja” desta semana. Numa conversa com Tuma Júnior, Abramovay teria feito a seguinte queixa:

“Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho (chefe de Gabinete da Presidência da República) pra fazer dossiês. (…) Eu quase fui preso como um dos aloprados.”

“Veja” informa que os registros foram “gravados legalmente e periciados”, sem dar detalhes sobre quem fez as gravações nem quem teria autorizado o grampo.

Sobre a referência aos “aloprados”, a reportagem explica que Abramovay trabalhava na liderança do PT no Senado e com o senador petista Aloizio Mercadante em 2006, quando petistas foram presos em um hotel de São Paulo ao tentar comprar um suposto dossiê contra José Serra.

Segundo a “Veja”, na conversa com Tuma Júnior, Abramovay “sugere ter participado do episódio e se arrependido”. Conta que quase teria sido preso na época e até teve de se esconder para evitar problemas. “Deu ‘bolo’ a história do dossiê”, teria afirmado ele.

Abramovay, que era secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, assumiu a Secretaria Nacional de Justiça em junho, depois que Tuma Júnior foi afastado do cargo em meio a denúncias de manter relacionamento com integrantes da máfia chinesa, em São Paulo. Procurado pela “Veja”, ele negou o teor das fitas.

“Nunca recebi pedido algum para fazer dossiê, nunca participei de nenhum suposto grupo de inteligência da campanha da candidata Dilma Rousseff e nunca tive de me esconder – ao contrário, desde 2003 sempre exerci funções públicas”, disse.

Tuma Júnior confirmou à revista os diálogos:

“O Pedro reclamou várias vezes que estava preocupado com as missões que recebia do Planalto. Ele me disse que recebia pedidos de Dilma e do Gilberto para levantar coisas contra quem atravessava o caminho do governo”, replicou, acrescentando: “Há um jogo pesado de interesses escusos. Para atingir determinados alvos, lança-se mão, inclusive, de métodos ilegais de investigação. Ou você faz o que lhe é pedido sem questionar ou passa a ser perseguido. Foi o que aconteceu comigo”.

Sem revelar nomes, Tuma Júnior segue: “Posso assegurar que está tudo bem documentado”, diz o ex-secretário Nacional de Justiça.

Em passeata ontem em Diadema, no ABC paulista, Grande São Paulo, ao lado da candidata à Presidência Dilma Roussef (PT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva Lula não comentou a reportagem da “Veja”. Lula disse não ter lido a reportagem.

– Não vi a (Veja) de hoje nem a de ontem.

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/23/veja-dilma-gilberto-carvalho-pediam-dossies-334989.asp


Leia mais:

Veja: “Quase fui preso como um dos aloprados”, disse Abromovay sobre pedidos de dossiês de Dilma e Gilberto Carvalho

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