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Ministro do STF Joaquim Barbosa divulga relatório do mensalão do PT – José Dirceu e outros membros do partido vão a julgamento

Mensalão do PT, compra de votos, formação de quadrilha

Fonte: Mariângela Galucci – Estado de S.Paulo 

Barbosa divulga relatório do mensalão e caso pode ser julgado em ano eleitoral

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta semana o relatório do processo do mensalão. No resumo, o ministro transcreve partes da denúncia do Ministério Público de que os réus do chamado núcleo central do esquema (José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares) teriam sido os responsáveis por organizar a “quadrilha” voltada à compra de apoio político.

A liberação do documento ocorreu menos de uma semana após o presidente da Corte, Cezar Peluso, ter pedido a Barbosa que permitisse o acesso dos demais integrantes do STF ao conteúdo da ação para evitar uma demora ainda maior no andamento da causa. Peluso tinha tomado a iniciativa depois de o revisor da ação, Ricardo Lewandowski, ter dito que ocorrerá a prescrição de crimes.

Com a divulgação do relatório, que tem 122 páginas, tanto Barbosa quanto Lewandowski poderão preparar os seus votos. A expectativa no STF é de que o processo possa ser julgado pelo plenário do tribunal no primeiro semestre de 2012. Mas Lewandowski informou ontem que não há uma previsão de quando a ação estará pronta para julgamento. Porém, ele disse que dará prioridade ao caso.

O julgamento será marcado pelo presidente Cezar Peluso após Barbosa e Lewandowski terminarem os seus votos. A expectativa é de que tribunal demore semanas para julgar todos réus. Se condenados, eles poderão apresentar recursos.

Com 38 réus, a ação é considerada uma das mais complexas da história do tribunal. Nela, políticos de grande influência no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como o ex-ministro José Dirceu, são acusados de envolvimento no mensalão, que consistiu num esquema de compra de votos de parlamentares em troca de apoio político ao governo. Conforme a denúncia, o esquema teria sido arquitetado durante a eleição de 2002 e passou a ser executado em 2003.

No relatório, o ministro fez um resumo das acusações que pesam sobre cada um dos 38 réus. Para o Ministério Público Federal, o esquema envolveu “uma sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude”.

O relatório informa que, segundo a denúncia, os réus do chamado núcleo central do esquema (os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares) teriam sido os responsáveis por organizar a quadrilha voltada à compra de apoio político. Quase todos acusados negam que tenham cometido crime. Apenas Delúbio Soares admite a prática de caixa dois de campanha.

O ministro citou em seu relatório conclusão do Ministério Público Federal segundo a qual em 2003 e 2004 somente o deputado federal “Valdemar Costa Neto, auxiliado por Jacinto Lamas, recebeu a quantia de R$ 8.885.742,00 para votar a favor de matérias do interesse do governo federal”. Também foi ressaltada no relatório a informação da Procuradoria de que “o valor fechado, à época, por Roberto Jefferson (ex-deputado e presidente do PTB) com José Dirceu impunha o pagamento do valor de R$ 20.000.000,00 para que o PTB aderisse à base de apoio do governo”.

Barbosa observou que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu a condenação de 36 dos 38 réus. O chefe do Ministério Público requereu a absolvição do ex-ministro Luiz Gushiken, também petista, e do ex-assessor Antônio Lamas.

Em 2007, o plenário do Supremo recebeu a denúncia contra os 38 réus e abriu o processo criminal. Inicialmente o inquérito investigou 40 pessoas, mas foram excluídos da apuração o ex-secretário do PT Silvio Pereira, que fez um acordo com o Ministério Público, e o deputado José Janene, que morreu.

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Aloprados do PT: PSDB convoca Aloizio Mercadante para explicar participação no escândalo

PSDB convoca Mercadante para explicar participação no escândalo dos aloprados

Fonte: Diário Tucano

Nesta quarta-feira, o partido pedirá reabertura das investigações ao Ministério Público e à Polícia Federal

O PSDB apresentou, nesta terça-feira (21/06), requerimento de convocação para o ministro da Ciência e Tecnologia e senador, Aloizio Mercadante, esclarecer sua participação no escândalo dos aloprados, que em 2006, chocou o país ao revelar um esquema de negociação de dossiê contra o então candidato ao governo paulista, José Serra. O partido ainda encaminhou convite ao ex-funcionário do Banco do Brasil e atual secretário-adjunto de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Expedito Veloso, que denunciou o ministro como um dos mentores do esquema. A denúncia está publicada em reportagem da revista “Veja” desta semana.

O pedido de convocação de Mercadante, assinado pelo deputado Vanderlei Macris (SP), foi apresentado na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, assim como o convite a Expedito Veloso. Ainda na tarde desta quinta-feira serão apresentados pelo PSDB mais dois requerimentos pedindo a convocação de Mercadante e mais dois convites a Veloso nas comissões de Segurança Pública e Ciência e Tecnologia da Câmara.

Amanhã, o PSDB encaminhará ofício à Polícia Federal solicitando a reabertura do inquérito sobre o esquema que envolveu vários petistas à época. O PSDB também ingressará com representação no Ministério Público Federal pedindo a retomada das investigações.

O líder do PSDB na Câmara, deputado federal Duarte Nogueira (SP), afirmou que as declarações de Veloso sobre a participação do Ministro no esquema serão fundamentais para a reabertura do processo e a indicação dos culpados. “Tendo em vista que o caso acabou insolúvel, esse depoimento pode nos dar a oportunidade de reabrir o processo e tentar buscar os culpados”, declarou o líder do PSDB em entrevista à Rádio CBN.

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) disse que é dever da oposição cobrar esclarecimentos. Para o vice-líder tucano, as denúncias são graves e comprometem Mercadante. “Esperamos que o ministro se pronuncie, senão, mais uma vez, o governo ficará comprometido. No momento em que esperávamos um movimento de pacificação na gestão Dilma Rousseff, depois da turbulenta demissão de Antonio Palocci, aparece outro ministro importante com denúncias graves”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, o histórico do PT é de proteção aos companheiros envolvidos em atos ilícitos e irregularidades. “Espero que o PT puna os responsáveis por atos ilícitos e irregularidades. Mas não é essa a história. No mensalão, o ex-presidente Lula cuidou de proteger os companheiros. Recentemente, vimos o retorno festejado do ex-tesoureiro Delúbio Soares, conhecido por operar desvios de recursos. Depois, Lula fez de tudo para que Palocci permanecesse. Agora, surge essa questão do Mercadante, que no passado Lula dizia ser coisa de aloprados”, completou.

Entenda o caso

Às vésperas do primeiro turno das eleições de 2006, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com R$ 1,7 milhão. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde. O escândalo ficou conhecido como Dossiê dos Aloprados. O termo foi dado pelo próprio ex-presidente Lula que classificou o episódio como “coisa de aloprados”.

Segundo a “Veja”, nas investigações sobre o caso, cujo processo contém mais de 2 mil páginas, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou os sigilos bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum.

Serra acusa campanha de Dilma de abuso de poder e comparou as estratégias da adversária à propaganda nazista

Serra compara campanha petista à propaganda nazista

Fonte: João Guedes – O Globo

O candidato à presidência da República pelo PSDB, José Serra, acusou a campanha da petista Dilma Rousseff de abuso de poder e comparou as estratégias da chapa adversária à propaganda nazista, em discurso realizado na noite de terça-feira, em Caxias do Sul.

– Nenhuma campanha (desde a redemocratização) chegou a este nível de transgressão das regras do jogo democrático, de utilização de órgãos do governo para se ganhar uma eleição. Eu nunca vi uma máquina da mentira funcionando como agora. Pegar uma coisa completamente absurda e ficar repetindo o tempo inteiro, no melhor estilo da propaganda nazista ou facista – disse, em referência a tentativa de associar seu nome às privatizações.

” Eles usam as armas da mentira e da violência. Na campanha, seis ou sete vezes tivemos choques com o pessoal do PT “


O ex-governador paulista ainda declarou que o PT tenta “nivelar por baixo” a eleição. Alegando que seu partido é diferente, atribuiu ao governo Lula um recorde “nacional e provavelmente mundial” de dez ministros afastados por irregularidades.

– Eles usam as armas da mentira e da violência. Na campanha, seis ou sete vezes tivemos choques com o pessoal do PT – afirmou.

(Leia também: Serra promete a evangélicos vetar projeto que criminaliza homofobia )

(Leia também: Lula diz que é cretinice atacar Dilma e que votar em Serra é retrocesso)

O comício em Caxias do Sul teve participação dos principais nomes do PSDB gaúcho, com exceção da governadora Yeda Crusius, que sofre com a baixa popularidade depois de quatro anos de governo marcado por denúncias de corrupção e medidas impopulares. Serra ainda dividiu o palanque com caciques do PMDB gaúcho como ex-governador Germano Rigotto, o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, derrotado na eleição para o governo gaúcho, além de parlamentares da sigla.

Antes do evento, ao desembarcar na cidade gaúcha, Serra criticou a política econômica do governo federal, garantindo haver “desequilíbrios galopantes” nas contas públicas e nas contas externas.

– Estamos caminhando para o maior déficit de conta corrente da história e, ao mesmo tempo, para o enfraquecimento das contas públicas. Isso é decorrência natural de política econômica de muitos erros.

Leia mais:

Serra diz que depoimento de Erenice desmente Dilma

Link da matéria: http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/10/26/serra-compara-campanha-petista-propaganda-nazista-922883999.asp

Amaury Jr passou a monitorar despachante depois que houve a quebra de sigilo na Receita Federal

Dossiê: despachante diz que era monitorado por jornalista

Fonte: Roberto Maltchik – Globo

Amaury Ribeiro Jr. voltou a acusar petista de roubar dados de sigilo

Após a revelação de que dados fiscais de pessoas ligadas ao PSDB foram violados, o jornalista Amaury Ribeiro Junior passou a monitorar os passos do despachante Dirceu Garcia, que o acusou de encomendar o material em troca de R$ 12 mil. Em depoimento prestado à Polícia Federal no último dia 22, o despachante afirma que era procurado mensalmente pelo jornalista, desde junho, sempre interessado em saber se estava tudo bem com ele.

Segundo o relato, as ligações culminaram, em setembro, com o pagamento de R$ 5 mil para que Dirceu ficasse calado sobre o escândalo. Segundo o despachante, a última conversa entre os dois, para tratar da encomenda de documentos junto aos órgãos oficiais de São Paulo, ocorreu em outubro do ano passado.

Os dois depósitos que totalizaram R$ 5 mil teriam sido oferecidos por livre e espontânea vontade, depois que o nome do despachante Ademir Estevam Cabral apareceu no curso das investigações. Dirceu disse que Amaury perguntou (…) quanto ele estava precisando e que teria respondido que precisava de R$ 2 mil. O jornalista, no entanto, teria dito que o valor era pouco e que daria R$ 5 mil. Esta negociação teria ocorrido em São Paulo, entre 2 e 4 de setembro.

No depoimento que prestou anteontem à PF, Amaury foi questionado especificamente sobre este episódio, mas se valeu do direito de permanecer calado. Ele foi indiciado pela suposta prática de quatro crimes, entre os quais, corrupção ativa e quebra de sigilo.

Amaury voltou a afirmar que deu prosseguimento à sua investigação sobre as privatizações em 2007, após rumores de que um grupo ligado ao deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) estaria promovendo uma investigação clandestina contra o ex-governador de Minas Aécio Neves.

Ele disse ainda que recebeu de um suposto integrante desta equipe a informação de que tal investigação estaria em curso.

Afirmou que ouviu relatos de que pessoas ligadas ao PMDB e à campanha de Dilma estariam ?sofrendo pressão?. O parlamentar nega as acusações.

No depoimento, o jornalista também disse que soube por um repórter da Veja que o coordenador de comunicação da campanha de Dilma Rousseff à Presidência, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), teria introduzido militantes do PT de São Paulo na pré-campanha de Dilma para vazar informações estratégicas. Afirmou que dois militantes teriam sido escalados para trabalhar como voluntários na campanha e disse acreditar que ambos eram os agentes inflitrados. Procurado, Rui Falcão não
comentou o novo depoimento.

O jornalista também se valeu do direito ao silêncio para não explicar por quantas vezes ou em quais circunstâncias se hospedou no flat de Jorge Siqueira, funcionário de empresa que presta serviços ao comitê de Dilma em Brasília, como revelou O GLOBO na última sexta-feira. Ele apenas assinalou que Rui Falcão tinha a chave do apartamento e, por isso, tem certeza que o deputado foi o responsável pela cópia de sua documentação. O jornalista nega que tenha encomendado ilegalmente a
devassa de informações fiscais junto à Receita Federal.

Rui Falcão protagonizou uma disputa por poder dentro da campanha de Dilma com o ex-prefeito de Belo Horizonte (MG) Fernando Pimentel. Já a Marka, empresa ligada a Falcão, entrou na briga por uma fatia da prestação de serviços de comunicação ao comitê com a Lanza, de Luiz Lanzetta.

Lanzetta era o coordenador do grupo de inteligência que implodiu após os primeiros rumores de que informações ilegais seriam utilizadas.

No depoimento de anteontem, os investigadores fizeram inúmeras perguntas a Amaury sobre sua relação com Lanzetta e com o diretor do Estado de
Minas, Josemar Gimenez.

Em todas as respostas, porém, ele ficou calado. Também não esclareceu se estava a serviço do jornal durante suas viagens a São Paulo, entre setembro e outubro de 2009, período em que foram violados os dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, e da filha de José Serra, Verônica Serra. O ?Estado de Minas? nega que Amaury estivesse a serviço em suas idas à capital paulista.

À PF, o despachante Dirceu disse também que, em 2009, o jornalista teria pedido que ele assinasse recibo de R$ 300, em nome do jornal Correio Braziliense.

Amaury, por sua vez, disse aos investigadores que não se lembra de ter feito tal pedido.

Amaury Jr contou à Polícia Federal que Rui Falcão infiltrou espiões no comitê, briga foi pelas verbas de comunicação da campanha de Dilma

Jornalista diz que Falcão infiltrou 2 espiões no comitê

Fonte: Leandro Colon – O Estado de S.Paulo

À PF Amaury Ribeiro Jr. contou que por trás da manobra estava a briga pelo dinheiro dos serviços de comunicação da campanha da petista Dilma

O jornalista Amaury Ribeiro Jr. disse à Polícia Federal que o petista Rui Falcão, coordenador da campanha de Dilma Rousseff (PT), infiltrou dois espiões no comitê eleitoral em Brasília. Por trás disso, estava a briga pelo milionário dinheiro pago pelos serviços de comunicação da campanha.

Segundo Amaury, essas pessoas foram apresentadas por Falcão como “voluntários” e militantes do PT paulista. O jornalista afirmou no depoimento dado na segunda-feira, cujo teor foi obtido pelo Estado, que acredita ser esse “grupo do PT Paulista” – segundo palavras dele – a origem dos vazamentos de informações sigilosas da coordenação de comunicação entre abril e maio deste ano.

A briga por espaço e dinheiro levou à revelação do polêmico dossiê com dados fiscais sigilosos do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, que circulou pelas mãos de integrantes da campanha de Dilma. Amaury é apontado pela PF como o responsável pela encomenda da violação ilegal dos dados de Eduardo Jorge e de outros tucanos, incluindo a filha e o genro do presidenciável José Serra. O jornalista, por sua vez, afirma que Rui Falcão furtou esses dados e insinua que ele vazou o material pela imprensa com a versão de que integrantes da campanha de Dilma estariam preparando um dossiê contra o PSDB.

O objetivo do grupo paulista seria desgastar a equipe do jornalista Luiz Lanzetta, contratado, por R$ 150 mil mensais, para cuidar da assessoria de imprensa de Dilma em Brasília. A “espionagem” serviria para Falcão saber o que o grupo de Lanzetta vinha fazendo em Brasília.

Rui Falcão trabalhava por um grupo de São Paulo, contrário à contratação de Lanzetta, que teve de deixar a campanha em junho quando estourou o escândalo do dossiê. Foi Lanzetta quem convidou Amaury em abril para fazer parte do grupo de inteligência da campanha. Numa reunião num restaurante em Brasília, teriam discutido o dossiê contra Serra produzido por Amaury.

Outra linha. As oito páginas do último depoimento de Amaury mostram que a PF quer insistir na ligação do jornal Estado de Minas com a atuação do jornalista na violação do sigilo. É uma linha de investigação que tenta afastar da campanha de Dilma a quebra ilegal dos dados. É que Amaury diz que iniciou as investigações em 2007 depois de saber que aliados do deputado Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) ligados a José Serra estariam investigando o ex-governador Aécio Neves.

No depoimento de segunda-feira, Amaury Ribeiro – indiciado por encomendar os dados fiscais dos tucanos – reafirmou o que dissera antes, não confessou a quebra de sigilo, e acrescentou a existência de duas pessoas infiltradas na campanha de Dilma, cujos nomes não foram revelados por ele. “Tendo sido os mesmos os responsáveis pelo acompanhamento do que se passava na referida casa”, disse, citando a casa do Lago Sul onde funcionava a coordenação de comunicação da campanha.

O delegado Hugo Uruguai não perguntou, entretanto, qual o nome das duas pessoas que teriam sido infiltradas pelo PT paulista na campanha de Dilma em 2010. Por outro lado, fez várias perguntas sobre as relações de Amaury com o jornal do qual era empregado no período da violação do sigilo fiscal dos tucanos, ocorrida entre 29 de setembro e 8 de outubro de 2009. O jornalista recusou-se a respondê-las. Disse, no primeiro depoimento, que estava em férias quando os dados foram violados e que se desligou do jornal logo depois. Bilhetes aéreos e o depoimento do despachante Dirceu Garcia – que comandou a operação de violação – mostram que Amaury esteve em São Paulo naqueles dias.

Anteontem, Amaury ficou calado quando a PF perguntou sobre quem pagou as despesas de viagem e hospedagem durante a violação do sigilo dos tucanos. A investigação mostra que o jornalista encomendou as declarações de renda – protegidas por lei – do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, da filha e do genro do presidenciável José Serra. Procurado pela reportagem, o jornal Estado de Minas não se pronunciou sobre o assunto.

Polícia Federal indicia Amaury Jr, mas não revela quem pagou pela quebra de sigilo. Jornalista confirma que Rui Falcão do PT furtou dados

Jornalista que encomendou dados de tucanos é indiciado

Fonte: Roberto Maltchik – O Globo

Acusado no escândalo do dossiê, Amaury responderá por quatro crimes

Após seis horas e meia de depoimento à Polícia Federal, o jornalista Amaury Ribeiro Jr. foi indiciado ontem pelos crimes de corrupção ativa, violação de sigilo, uso de documentação falsa e pagamento de suborno a testemunha. Amaury é acusado de encomendar a quebra de sigilo fiscal de pessoas ligadas ao candidato do PSDB à Presidência, José Serra. Em seu quarto depoimento na PF, Amaury reafirmou que seu banco de dados particular foi furtado pelo coordenador de comunicação da campanha do PT, deputado estadual Rui Falcão (PT-SP), mas voltou a negar que tenha obtido o material ilegalmente.

Os quatro indiciamentos estão baseados em provas materiais e testemunhais obtidas pela PF no último mês. A principal foi o depoimento do despachante Dirceu Garcia, que admitiu ter recebido R$ 12 mil de Amaury para devassar o Imposto de Renda dos tucanos. Dirceu também disse que, em setembro último, ganhou mais R$ 5 mil do jornalista para “ficar calado” sobre as encomendas feitas por ele e consumadas nas delegacias da Receita em Santo André (SP) e Mauá (SP). As declarações de Dirceu foram confirmadas por cópias de extratos bancários, bilhetes aéreos e outros documentos.

As quebras de sigilo fiscal ocorreram nos dias 30 de setembro e 8 de outubro do ano passado, enquanto Amaury gozava férias no jornal “Estado de Minas”.

Ao fim das férias, Amaury pediu demissão. Em abril deste ano, foi chamado pelo jornalista Luiz Lanzetta, da Lanza Comunicações, para trabalhar no núcleo de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff. O núcleo só foi desfeito após sua existência ser revelada por reportagem da revista “Veja”, em maio. O “Estado de Minas” nega ter pagado pelas incursões de Amaury a São Paulo.

No depoimento de ontem, o jornalista voltou a dizer que levantava informações há mais de dez anos sobre as privatizações ocorridas no governo Fernando Henrique. E que passou a buscar novos elementos depois que ficou sabendo, em 2007, da suposta existência de um grupo clandestino de inteligência comandado pelo deputado federal Marcelo Itagiba (PSDB-RJ) para espionar o então governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

Porém, Amaury se valeu do direito de ficar calado para não responder a novas perguntas feitas pelo delegado Hugo Uruguai.

Ele foi questionado e não respondeu sobre sua ligação com Dirceu Garcia. A respeito do suborno ao despachante, Amaury apresentou como álibi documentos que comprovariam que estava em Manaus nas datas dos pagamentos, feitos em duas parcelas iguais, a partir de uma agência do Bradesco no mesmo prédio onde funciona a Lanza Comunicações, em Brasília.

Ao sair da PF, o advogado Adriano Bretas entregou à imprensa uma série de documentos supostamente levantados por Amaury durante investigações sobre as privatizações do governo passado. Na papelada, ele anexou 12 páginas de documentos confidenciais da CPMI do Banestado. Amaury diz que nos documentos há supostas irregularidades envolvendo pessoas ligadas ao PSDB. Os documentos citam transações financeiras que teriam sido feitas pelo ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio e por Gregório Marin Preciado, parente de Serra.

Ambos tiveram o sigilo fiscal violado em 8 de outubro de 2009, na Receita Federal de Mauá.

Em nota, Amaury disse que não tem “militância partidária” e apresentou um histórico profissional.

Em defesa apresentada à PF por escrito, disse que “rechaça, veementemente, qualquer responsabilidade criminal sua no episódio investigado” e “nega, terminantemente, que tenha praticado qualquer delito no lídimo desempenho de sua atividade de jornalismo investigativo.” Sobre o indiciamento, o advogado do jornalista afirmou que a decisão da PF é positiva.

– A defesa vê o indiciamento de forma positiva, porque agora as especulações a respeito do fato vão ser cessadas. Vai ser esclarecido que ele não cometeu crime algum. Ele ratificou que não houve da parte dele quebra ou encomenda da quebra de sigilo de quem quer que fosse – disse Adriano Bretas.

Amaury era o único personagem ligado diretamente ao escândalo da quebra de sigilo que ainda não tinha sido indiciado.

Além dele, são investigados os despachantes Dirceu Garcia e Ademir Cabral, o contador Antônio Carlos Atella e a servidora do Serpro Adeildda Ferreira dos Santos. Sem data para a conclusão do inquérito, a PF informou que o relatório final deve ser concluído nos próximos dias.

– Amaury está sendo usado de bode expiatório para ocultar os fatos que ele apurou de forma lícita – afirmou Bretas.

 

 

 

Serra critica escândalos ligados ao PT, cobra transparência e punição para envolvidos ‘com dossiê dos aloprados’

Serra ataca ‘justiça dos companheiros’

Fonte: Luciana Nunes Leal, Bruno Boghossian – O Estado de S.Paulo

Em campanha na praia de Copacabana, presidenciável tucano volta a falar dos escândalos ligados ao PT e cobra punição aos envolvidos

O temido confronto entre petistas e tucanos, ontem, não aconteceu e o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez campanha na praia de Copacabana com um inflamado discurso contra o governo Lula e o PT. Destacou os “três ou quatro escândalos por semana” que atingem aliados da candidata petista, Dilma Rousseff, atacou a “justiça dos companheiros” e cobrou punição para os envolvidos.

O tucano, que aposta em um tom mais duro contra os adversários nesta reta final, criticou Lula pelo envolvimento na campanha de Dilma e fez um contraponto com a atitude “digna” dos ex-presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em eleições passadas. Segundo Serra, o atual governo foi deixado de lado. “A justiça dos companheiros é sempre mais suave, lenta, que não anda, que é obstruída. Veja o que aconteceu com o dossiê dos aloprados, com todos esses escândalos. Ninguém na cadeia até hoje”, discursou Serra.

“Temos que olhar o governo como entidade de todos e não de um partido, de um grupo de interesses. Itamar e Fernando Henrique presidiram a transição de governo com dignidade. Não houve transgressão. O presidente Fernando Henrique não foi além de declarar o seu voto (nas eleições de 2002). Hoje temos o contrário: o governo deixado de lado, para se encarnar em um partido, em uma candidatura. Precisamos ter no Brasil o modelo da honestidade e da verdade. Chega de escândalos. Fica até difícil recapitular, são três ou quatro por semana”, afirmou.

Em um carro de som, Serra fez um discurso de dez minutos, depois de ouvir aliados como o ex-governador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o ex-presidente Itamar Franco (PPS), eleitos senadores por Minas Gerais, além dos governadores eleitos Geraldo Alckmin (PSDB-SP), Beto Richa (PSDB-PR) e Rosalba Ciarlini (DEM-RN), todos na linha do resgate da ética e combate à corrupção. O ex-presidente Fernando Henrique não compareceu.

A campanha tucana exibiu uma gravação do jurista Hélio Bicudo, ex-petista, que declarou apoio a Serra no segundo turno. No depoimento, Bicudo usa termos como “aviltante”, “repugnante” e “insulto e escárnio” ao falar do governo Lula.

Privatizações. Os aliados tucanos se preocuparam em desmentir notícias de que, se eleito, Serra retomaria as privatizações. “Não privatizei a Petrobrás, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal. Quem pode dizer que, se ela (Dilma) chegar lá, não pode fazer isso”, questionou Itamar. Serra também citou a estatal. “Defendo a Petrobrás como uma empresa estatal que deve servir ao povo brasileiro e não como cabide de emprego, como instrumento de negócio”, afirmou.

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli negou que haja aparelhamento da empresa. “Não acho que seja verdadeiro. Se houver alguém que não está desempenhando corretamente o que deve fazer, deve ser afastado. Ele (Serra) pode ter a opinião dele. É legítimo. Está em campanha e pode dizer isso”, disse Gabrielli, que participou de um encontro de sambistas em Copacabana, após o comício de Serra.

Os organizadores da programação tucana no Rio comunicaram a realização da caminhada à Prefeitura e ao governo do Estado, na semana passada. Por isso, o policiamento foi além do esquema normal dos domingos e feriados.

Depois da briga entre militantes do PSDB e do PT em Campo Grande, na quarta-feira, havia temor de um novo incidente, mas os petistas atenderam à recomendação do partido e não foram à manifestação tucana. Mesmo assim, Serra desistiu da caminhada, prevista inicialmente. Cercado por simpatizantes, políticos, jornalistas e seguranças, o tucano não conseguiu circular pela pista da praia. Serra e os aliados foram acomodados em um carro de som, mas reduziram o trajeto de quatro para menos de um quilômetro.

Link da matéria: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101025/not_imp629401,0.php

 

 

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