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Archive for the ‘Siderurgia’ Category

Siderurgia: importação volta prejudicar o setor

A valorização do real e o enfraquecimento da economia na Europa e EUA ajudaram a tornar o aço importado mais competitivo.

Importações voltam a afetar siderúrgicas

 

Fonte: Gleise de Castro – Valor Econômico

Depois de encerrarem 2011 com queda de 35,9%, as importações de aço de todos os tipos voltaram a crescer no primeiro bimestre deste ano, de acordo com levantamento do Instituto Aço Brasil (IABr), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As compras externas somaram 658 mil toneladas, com acréscimo de 9,5% ante o mesmo período do ano passado. Em fevereiro, o aumento foi maior, de 24,2% em relação a fevereiro do ano passado.

Em 2011, foram importadas 3,8 milhões de toneladas, no valor de US$ 4,5 bilhões FOB. No primeiro bimestre deste ano, o valor chegou a US$ 803,7 milhões. Esses números incluem aços planos, longos e produtos semi-acabados e transformados e os principais fornecedores localizam-se na Europa e na China.

O setor vem convivendo com aumento das importações desde os últimos anos da década passada e a principal razão apontada pelos ramos que mais compram aço no exterior são os preços praticados no mercado interno, bem acima dos níveis internacionais. No acumulado de 12 meses até fevereiro, os preços do aço medidos pelo IGP-DI acusaram aumento de 4,33%. Na apuração desse índice, eles revelam uma linha contínua de alta desde agosto de 2011. A CSN acredita que ainda há espaço para aumento de 5% a 10% neste ano, em função da demanda aquecida em praticamente todos os setores, desde a construção civil e linha branca até o automobilístico. Já para a Usiminas, os preços do aço devem se manter estáveis no mercado interno em 2012.

A valorização do real e o enfraquecimento da economia na Europa e EUA ajudaram a tornar o aço importado mais competitivo. Os incentivos fiscais de alguns governos estaduais, que oferecem descontos consideráveis no ICMS de importados, funcionaram como um estímulo a mais para o aumento das importações.

Segundo Carlos Loureiro, presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda) e do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider), até o começo da década passada, as importações de aço plano in natura (na forma de bobinas e chapas) não passavam de 5% a 6% do consumo aparente brasileiro. Em 2009, já eram 13% do consumo interno.

Em 2010, houve uma verdadeira invasão de produto importado, que chegou a 23,8% do consumo brasileiro de aço plano in natura, e, de acordo com Loureiro, as siderúrgicas se viram forçadas a baixar os preços, levando as importações a recuarem, em 2011, para uma fatia equivalente a 15% do consumo doméstico. “Até 2007 e parte de 2008, a siderurgia trabalhava lotada, com 90% da capacidade instalada, porque havia demanda mundial e o que não conseguia vender aqui, exportava. Agora, não conseguem exportar por causa do dólar baixo”, afirma Loureiro.

“As usinas brasileiras adotaram uma postura mais agressiva no ano passado, com margens de lucro mais apertadas. A diminuição do preço contribuiu diretamente para a redução da entrada de material estrangeiro no país”, afirma.

Segundo importadores, o IABr tem movido processos judiciais questionando a qualidade do aço adquirido no exterior para tentar impedir a entrada dos importados. No ano passado, carregamentos de aço importado, especialmente de produtos destinados à construção civil, foram retidos em alguns portos do país. Segundo Rubson Lopes Nogueira, presidente da Cobraço, distribuidora da fabricante espanhola Celsa, “qualquer aço que entrar no Brasil de forma legal, com licença de importação e certificação da ABNT e Inmetro, é, no mínimo, igual ao nacional em nível de qualidade”.

 Link da matéria: http://www.valor.com.br/especiais/2605802/importacoes-voltam-afetar-siderurgicas

Siderurgia: Votarantim aposta na unidade de Sete Lagoas

Clientes automotivos, de linha branca e máquinas e equipamentos são os grandes clientes desse segmento.

 

Votorantim espera melhor desempenho

 

Fonte: Genilson Cezar – Valor Econômico

A recuperação dos preços do aço no mercado interno alimentam as expectativas de um melhor desempenho da Votorantim Siderurgia em 2012. A empresa já concluiu mais de 70% das obras de construção de sua nova usina de laminação para produção de vergalhões em Três Lagoas (MG), que deverá entrar em operação no final deste ano. Serão 400 mil toneladas que se acrescentarão à capacidade atual da siderúrgica, que chegou a 1,8 milhão de toneladas em 2011. Foi bem mais que nos anos anteriores – 1,6 milhão de toneladas em 2010 e 1,2 milhão de toneladas vendidas em 2009 -, mas, em contrapartida, os preços despencaram: de R$ 2.267 por tonelada, em 2009, para R$ 1.776, em 2011. A receita, portanto, sofreu o impacto de queda: caiu 17%, de R$ 3,7 bilhões em 2010, para R$ 3,1 bilhões.

“Ainda que a demanda por aço no mercado brasileiro tenha crescido, o menor consumo mundial de aços longos, principalmente nos países mais desenvolvidos, gerou excesso de oferta, cenário que, aliado ao real valorizado, motivou a importação e afetou os preços do mercado interno”, informa relatório da administração da siderúrgica. “Essa conjuntura provocou uma queda de margem em todo setor siderúrgico, incluindo nosso negócio de aços longos.”

O Ebitda (resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização) apresentou queda de 72%, totalizando R$ 200 milhões, como resultado do menor preço de venda e da alta no principal insumo, a sucata, consequência indireta da alta do minério. Por isso, para este ano, uma das principais prioridades da empresa, segundo o relatório, é a atuação direta em captura de sucata e produção de ferro gusa, visando reduzir custos variáveis.

“Estamos acumulando e integrando novos ativos, como as minas e as fazendas, para ficarmos menos dependentes de insumos básicos e travar os custos na cadeia de produção”, comenta Albano Chagas Vieira, diretor-superintendente da Votorantim Siderurgia. A preocupação não é descabida. O Brasil fechou o ano com produção de 35,2 milhões de toneladas de aço bruto, um aumento anual de 6,8%, mas sofrendo com as agressivas exportações de produtos longos e até de aços planos de países como Turquia e Ucrânia.

A siderurgia brasileira desacelerou no decorrer do ano por conta do esfriamento econômico do país, que levou a uma menor demanda por aço, principalmente planos. Previa fabricar 38 milhões de toneladas, volume revisto duas vezes no ano. Clientes automotivos, de linha branca e máquinas e equipamentos são os grandes clientes desse segmento. A forte entrada de bens importados nessas áreas vem tomando mercado das usinas de planos.

De acordo com Vieira, no entanto, a Votorantim Siderurgia acredita nos planos de expansão que vem executando nos últimos anos. Em 2009, a empresa desembolsou R$ 500 milhões na modernização da usina de Barra Mansa (RJ), que hoje produz 700 mil toneladas de produtos acabados. Em 2010, entrou em operação em carga total a usina de Resende, também no sul fluminense, onde foi investido R$ 1,1 bilhão. A usina ganhou capacidade para um milhão de toneladas de aço bruto e 530 mil toneladas de produtos acabados.

Um das maiores apostas da empresa é a construção da Sitrel, uma joint venture com o empresário Grendene Bartelle, para laminação de aços longos localizada em Mato Grosso do Sul, cujo investimento, numa primeira fase, está orçado em R$ 200 milhões. A expectativa é de que a Sitrel comece a operar no segundo semestre de 2012.

Siderurgia: Usiminas quer retomar a competitividade

Empresa reforçou seu portfólio de produtos. Novo laminador tem capacidade inicial de 2,3 milhões de toneladas por ano.

Usiminas concentra-se na retomada das margens

 

Fonte: Roberto Rockmann – Valor


Sob novo controle desde o início do ano, a palavra de ordem na Usiminas em 2012 é retomada. A intenção da diretoria é traçar um conjunto de ações para recuperar a competitividade e as margens operacionais. Em 2011, a siderúrgica mineira encerrou com produção de 6,7 milhões de toneladas de aço e vendas de 5,9 milhões de toneladas, uma queda de 8% e 10%, respectivamente, na comparação anual, enquanto a margem Ebitda atingiu 10,6%, uma baixa de 9,8 pontos percentuais em relação ao apurado em 2010.

“Estamos no início de um projeto, estruturando com maior velocidade possível nossas estratégias para direcionar a Usiminas para a retomada de sua competitividade e melhoria das margens”, afirma Julián Eguren, que assumiu a presidência da empresa em janeiro, substituindo Wilson Brumer, que esteve dois anos à frente do cargo. A troca no comando se deu em meio à reorganização societária da siderúrgica, que em janeiro anunciou um novo acordo de acionistas. O grupo Techint adquiriu as ações da Camargo Corrêa e da Votorantim, passando a integrar, ao lado da Nippon Steel e da Caixa de Empregados (CEU), o bloco de controle da Usiminas.

No caminho da retomada, foram feitas mudanças na diretoria executiva. A vice-presidência de siderurgia foi dividida em duas: comercial e industrial. “Isso permitirá uma atuação mais focada nos problemas e nos diferenciais, além de trazer mais agilidade à tomada de decisão”, diz Eguren.

A área industrial focará no aumento da eficiência operacional, controlando de forma rigorosa os custos e o capital de giro. “Teremos um plano detalhado de manutenção de cada linha, com indicadores precisos que ajudem o planejamento e que permitam reagir às mudanças conforme a demanda e deem flexibilidade na gestão dos principais insumos.”

Já a vice-presidência comercial atuará de forma mais integrada com o cliente. Nesse contexto, foi criada a diretoria de supply chain, que será responsável por acompanhar de forma minuciosa todo o processo de atendimento ao cliente, do pedido à entrega, minimizando o custo logístico e trazendo mais agilidade ao processo. “Enfrentamos um mundo cada vez mais volátil e competitivo. Nesse contexto a área comercial está concentrada em recuperar o espaço perdido para os produtos importados. Para isso, é fundamental estarmos mais próximos dos nossos clientes, melhorando o nível de serviço e de produtos”, analisa.

A empresa reforçou seu portfólio de produtos. O novo laminador de tiras a quente, na Usina de Cubatão (SP), tem capacidade inicial de 2,3 milhões de toneladas por ano. O equipamento permitirá à empresa expandir sua lista de bens mais nobres para o segmento industrial, em mercados como o de tubos de grande diâmetro, autopeças, máquinas e equipamentos industriais e construção civil. A efetivação do projeto é vista como a conclusão de um ciclo de investimentos para agregar valor ao mix produtivo da Usiminas.

Com o novo laminador e com os investimentos na duplicação da capacidade produtiva de aços galvanizados e na implantação da tecnologia CLC (que permite a produção de chapas grossas especiais para a indústria naval e para a cadeia do pré-sal) a Usiminas passa a contar com produtos mais competitivos e com maior conteúdo tecnológico.

Link da matéria: http://www.valor.com.br/especiais/2605812/usiminas-concentra-se-na-retomada-das-margens

Projeto Minas-Rio: Anglo American começa a contratar profissionais para ocupar 1.200 vagas

Fonte: O Globo

Mineradora está abrindo 1,2 mil vagas no Estado do Rio e Minas

Projeto precisa de técnicos, engenheiros e geólogos, entre outros

Com investimentos de US$5 bilhões no projeto Minas-Rio, a Anglo American, um dos maiores grupos de mineração do mundo, começa a contratar profissionais para ocupar 1.200 vagas, que serão preenchidas até o segundo semestre de 2013. É para quando está previsto o primeiro embarque de minério de ferro da companhia.

Hoje, a planta da mina, localizada em Minas Gerais, nos municípios de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, está sendo construída, mas já há processos seletivos em andamento.

– As  vagas são principalmente para  técnicos: de manutenção, segurança,  mineração, entre outros. Mas  também há oportunidades para engenheiros, geólogos, gestores ambientais, além de chances para áreas administrativas e de suporte – explica Claudiana Silva, gerente de RH e Administrativo de Pré-Operação do Projeto Minas-Rio.

Além de Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, onde ficam a futura mina, a planta de beneficiamento e a estação de bombas 1 do mineroduto, os 1.200 empregados serão lotados em Santo Antônio do Grama e Tombos, também em Minas Gerais, e São João da Barra, no Estado do Rio, onde vai funcionar a filtragem e o terminal de minério de ferro do Porto do Açu.

– A expectativa  é de  conseguirmos aproveitar  60% de  mão de  obra local.  Mas sabemos  que precisaremos  de mais profissionais qualificados, que poderão vir de vários locais do Brasil – acentua Claudiana.

Para conseguir qualificar os trabalhadores da região, a Anglo American está apostando em uma parceria com o Senai, que instalou uma unidade em Conceição do Mato Dentro e vai oferecer cursos de operador e de mecânico de equipamento de mina e de soldador de instalações industriais, entre outros, com duração de três a seis meses.

– Estão sendo investidos mais  de R$16 milhões no projeto de capacitação da  comunidade. Os melhores alunos dos cursos serão  admitidos na  empresa  – afirma  Claudiana, ressaltando a  dificuldade de  se encontrar bons  técnicos no mercado atualmente.  – É  um profissional  muito disputado,  porque grande  parte pula  direto do  ensino médio  para a universidade. Por conta da escassez de mão de obra, os salários dos técnicos estão ficando mais altos.

Além de engenheiros, a demanda por profissionais da geologia está sendo sentida.

– É o maior mineroduto do mundo: 525 quilômetros, passando por 32 municípios mineiros e fluminenses.

As 1.200 vagas não estão ainda todas disponíveis, mas começam a surgir com o avanço do cronograma de obras. Quem tiver interesse em trabalhar no projeto, já pode cadastrar currículo no sitewww.angloamerican.com.br.

– A grande maioria dos profissionais já entra em 2012 – diz a gerente de RH, acrescentando que, após o cadastro no site, os interessados podem ser convocados para entrevista. – Há uma bateria de avaliações para cada categoria de cargos, com prioridade à segurança.

SAIBA MAIS SOBRE AS VAGAS

VAGAS: Até o segundo semestre de 2013, a Anglo American vai contratar 1.200 profissionais. Há vagas para técnicos, operadores, engenheiros e geólogos, assim como para as áreas de planejamento, manutenção de mina e usina, gestão ambiental, gestão de processos, gestão de projetos, infraestrutura, segurança empresarial, mineroduto e filtragem. Interessados devem se cadastrar no sitewww.angloamerican. com.br, clicando no link “Carreira”.

LOCAL: Os contratados poderão ser alocados em Belo Horizonte, Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Santo Antônio do Grama e Tombos, Minas Gerais, ou em São João da Barra, Estado do Rio.

PROJETO: A empresa investe US$ 5 bi na implantação do Minas-Rio para produzir 26,5 milhões de toneladas/ano de minério de ferro. O projeto inclui a mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, Minas Gerais; o mineroduto com 525 quilômetros de extensão e que corta 32 municípios mineiros e fluminenses; e o terminal de minério de ferro do Porto de Açu, no qual a Anglo American é parceira da LLX (com 49%), em São João da Barra.

Indústria naval impulsiona economia de Ipatinga, produção de peças de navios já representa 25% faturamento das empresas da região

Economia, desenvolvimento econômico, geração de emprego

Fonte: Marcos de Moura e Souza  -Valor Economico

Mesmo sem mar, Minas já produz navios

Ipatinga – Siderúrgicas e mineradoras foram durante anos os principais clientes das empresas de metal mecânica da cidade mineira de Ipatinga e vizinhança. Nos últimos anos, no entanto, os empresários locais passaram a se entusiasmar com um novo filão: a indústria naval. Para muita gente de fora da região do chamado Vale do Aço, a aposta ainda é vista com certa incredulidade. Como é que empresas do interior de Minas podem produzir peças para navios?

Não somente estão produzindo peças como cascos inteiros. Os clientes são, sobretudo, estaleiros do Rio que montam os navios, a maioria deles, encomendados pela Petrobras. Para algumas empresas de Ipatinga, o setor naval já representa 25% de seu faturamento.

As fábricas do Vale do Aço, na região sudeste de Minas Gerais, que colocaram um pé na indústria de navios, o fizeram por puro esforço de sobrevivência. Foi durante a primeira fase da crise financeira internacional, em 2008, que alguns empresários da região, reunidos em torno do sindicato patronal, resolveram que era mais do que hora de reduzir sua dependência em relação às mineradoras e às siderúrgicas – duramente golpeadas pela paralisia global.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval 
A indústria naval surgiu como uma hipótese. Com o pré-sal e a demanda crescente do Brasil por sondas, plataformas e navios de apoio, aquele parecia um setor certo para quem tinha experiência, capacidade operacional, escala e alguma ociosidade. A hipótese estava certa.

“De 2009, quando fechamos nosso primeiro contrato, para cá, já fabricamos mais de 20 blocos [de navios]”, disse Flaviano Mirco Gaggiato, presidente da Viga, uma das empresas de Ipatinga que passaram a prestar serviços para estaleiros do Rio. Os blocos são grandes peças de aço – alguns deles medindo 30 metros por 17 metros – que formam o casco dos navios. As peças são partidas em quatro e transportadas por caminhão.

“Esses blocos estavam sendo feitos por estaleiros que ou começaram a ficar com pouco espaço para tanto trabalho ou que passaram se focar na construção final de navios”, afirmou Gaggiato. “Além disso, a demanda aumentou muito. Para cada plataforma, a Petrobras precisa de cinco navios de apoio”, completou.

A Viga produz blocos para os estaleiros STX e ETPO. Ambos no Rio. Gaggiato não divulga o faturamento da empresa, fundada pelo pai há 34 anos, mas diz que o setor naval já responde por 25% do que fatura. Em 2008 era zero.

Assim com outras empresas do Vale do Aço, a Viga não precisou fazer grandes alterações em sua linha de produção para acomodar projetos para navios. A mão de obra, o maquinário e o espaço que a empresa já dispunha para fazer, por exemplo, colunas de flotação – peças que chegam a 30 toneladas – usadas por mineradoras já davam conta do recado. Vale, ArcelorMittal, Usiminas e CSN são alguns de seus clientes tradicionais.

Neste fim de ano, no entanto, devido ao volume de pedidos, Gaggiato está investindo na ampliação de sua fábrica para deixar um setor exclusivo para a fabricação dos blocos.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval – todas de pequeno e médio portes. Operando com um cluster, as empresas da região trabalham muitas vezes em conjunto para atender grandes contratos.

Além de Ipatinga, os municípios de Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso constituem o que se chama de Vale do Aço.

Para Jeferson Bachour, atual presidente do sindicato e diretor de outra empresa do setor de metal mecânica de Ipatinga, a Lider, o setor naval está ajudando algumas empresas da região a passarem por cima das oscilações do setor siderúrgico.

“Desde setembro, estamos sentindo que a siderurgia está desaquecendo. As vendas já caíram cerca de 15%”, disse A Lider produz peças de manutenção para as usinas, como chapas de desgaste e solos para lingotamento contínuo. E quando a produção siderúrgica diminui, cai a necessidade de reposição.

“A perda com a siderurgia é compensada pelo setor naval. As empresas que atendem aos estaleiros estão mantendo seu nível de produção”, diz Bachour, que tem liderado os movimentos entre o empresariado local para se aproximar mais da indústria naval.

Nesse ramo, sua empresa especializou-se em acessórios para embarcações como portas, janelas, balaustres, escadas etc. Seus concorrentes são estaleiros brasileiros ou empresas da Noruega, Itália, Espanha e Coreia que exportam para o Brasil. Mas em relação aos importados, os fabricantes brasileiros têm uma vantagem: a determinação do governo federal de que 70% da fabricação da indústria naval tenha conteúdo nacional.

No caso das empresas do Vale do Aço, diversas já conseguiram do governo de Minas isenção de ICMS e IPI para fabricação de componentes para a indústria naval, conta Augusto César de Barros Moreira, gestor do arranjo produtivo local do polo metal mecânico do Vale do Aço. Isso deu a elas as mesmas vantagens fiscais que as empresas do Rio já têm.

Estarem no Vale do Aço dá às empresas facilidade extra: o fato de a Usiminas estar sediada em Ipatinga. A empresa fornece aço plano para a fabricação de navios.

Os radares das empresas da região estão acionados para detectar novos possíveis negócios. Na mira estão um projeto da Petrobras no Rio para reforma de plataformas; os planos da Marinha para construção de onze embarcações; e uma aproximação com o estaleiro Promar, de Pernambuco. Segundo Bachour, o estaleiro já iniciou conversas com empresas do Vale do Aço.

Comissão de Valores Mobiliários investiga venda da Usiminas para grupo ítalo-argentino Techint

Proteção aos acionistas

Fonte: Denise Carvalho – Brasil Econômico

CVM investiga compra da Usiminas pela Techint

Autarquia quer verificar se a entrada do novo sócio ítalo-argentino na siderúrgica mineira altera bloco de controle e se operação deve pagar “tag along” a minoritários

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, abriu ontem processo de investigação para avaliar a compra de 27,7% de participação do bloco de controle da Usiminas pela Ternium, siderúrgica do grupo ítalo-argentino Techint. O objetivo é analisar se houve mudança na estrutura de comando da empresa mineira, com alienação de controle, que obrigue a nova acionista a cumprir o “tag along” aos minoritários.

O “tag along” é um mecanismo de proteção aos acionistas usado quando uma companhia de capital aberto tem mudança no controle acionário. Por esse mecanismo, o novo acionista é obrigado a fazer uma oferta pública de aquisição (OPA), pagando aos minoritários 80% do valor pago aos antigos controladores. Na transação, a Techint pagou R$ 36 por ação da Usiminas, totalizando um desembolso da ordem de R$ 5 bilhões.

“Para a CVM, o que significa mudança de controle com alienação é a alteração do grupo que manda mediante a venda as ações”, diz Ricardo Maia da Silva, gerente de registro da Superintendência de Registro de Valores Mobiliários. “O procedimento é prática normal na CVM, não significa que há indícios de irregularidades no processo de aquisição”.

A Techint adquiriu as participações acionárias dos grupos Votorantim e Camargo Corrêa, que juntos detinham cerca de 26% das ações ordinárias (que dão direito a voto), e 1,69% da Caixa dos Empregados daUsiminas (CEU). Na operação, os japoneses da Nippon também comparam 1,69% da fatia da CEU. Na nova composição do bloco de controle, a Nippon detém 29,45% das ordinárias, a Techint é dona de 27,66% e a CEU mantém 6,75%.

De acordo com Maia, a CVM ainda não recebeu ação de minoritários contestando a aquisição. Ontem, o BRASIL ECONÔMICO informou que a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), o maior fundo de pensão do país, estuda formas de questionar o negócio. Outros grupos de minoritários também estão se articulando para questionar a operação.Em nota, a Previ informa que o assunto encontra-se em análise. “Como de praxe, a Previ pautará eventuais posicionamentos tendo como base a defesa de seus direitos e a preservação dos recursos de seus participantes”.

Aparentemente, o mercado gostou dessa movimentação. As ações ordinárias da Usiminas, comandada por Wilson Brumer, subiram 10,76% ontem, liderando a alta da bolsa. Se a empresa tiver de fazer a OPA, estima-se que a Techint terá que desembolsar mais R$ 5 bilhões se todos os acionistas aderirem.

Se a CVM entender que houve mudança de controle, a Usiminas terá que convocar uma OPA. Mas, segundo Maia, não há prazo determinado para a autarquia concluir o processo.

A questão sobre o “tag along” na Usiminas é controversa. A empresa diz que não houve mudança no controle, apenas troca de acionistas. Já os minoritários entendem que a operação se caracteriza como mudança em razão da entrada de um sócio estratégico.

Segundo Maia, a CVM precisa analisar a saída dos acionistas para entender qual era o peso deles no bloco de controle. “A união, firmada pelo acordo de acionistas, dá às empresas o poder de controle. A princípio, não se considera alienação apenas quando um sócio entra e se não tem poder sozinho.”

Argentina Ternium, braço siderúrgico do grupo Techint, fecha acordo de participação na Usiminas

Siderurgia

Fonte: Vera Saavedra Durão e Vanessa Adachi – Valor Econômico

Techint entra na Usiminas por R$ 5 bilhões

A argentina Ternium, braço siderúrgico do grupo Techint, fechou ontem a compra das participações acionárias dos grupos Camargo Corrêa e Votorantim e da Caixa dos Empregados (fundo de pensão) na Usiminas. A empresa vai desembolsar pouco mais de R$ 5 bilhões para comprar 139,7 milhões de ações ou 27,7% do capital votante da Usiminas. Com isso, passa a dividir o controle da siderúrgica mineira com a japonesa Nippon Steel.

A compra será feita pela Ternium e suas subsidiárias Siderar e Confab Industrial (subsidiária da Tenaris). O grupo Techint é controlado pelo empresário ítalo-argentino Paolo Rocca.

A Ternium e a Siderar vão pagar o equivalente a R$ 4,1 bilhões com caixa e dívida. A Confab vai desembolsar R$ 900 milhões para cumprir sua parte da operação, que consiste em comprar 5% das ações ordinárias e 2,5% do capital social da Usiminas.

Pouco antes das 22 horas de ontem, a operação foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os compradores pagarão R$ 36 por ação, com prêmio de pouco mais de 80% sobre o valor de fechamento dos papéis na sexta-feira (ou 41% sobre o valor médio dos últimos seis meses, em dólar). Apesar disso, o preço final é inferior aos R$ 40 por ação que chegou a ser negociado entre as partes. Depois que o interesse da Ternium foi divulgado pela imprensa, houve uma renegociação.

Ternium e Siderar vão pagar os R$ 4,1 bilhões com caixa e dívida. A Confab vai desembolsar R$ 900 milhões 
Além de comprar os papéis de Camargo e Votorantim, a Ternium, juntamente com a Nippon, vai adquirir parte da fatia acionária da Caixa dos Empregados da Usiminas. Com essa transação, o grupo de controle da Usiminas será composto por Nippon, com 46,1% dos votos, Caixa dos Empregados, com 10,6%, e Ternium e coligadas, com 43,3% de participação. A maioria das decisões necessitará de pelo menos 65% de votos favoráveis para aprovação, de acordo com o comunicado.

O desfecho da disputa pela fatia de 26% da Usiminas acontece após cerca de um ano de negociações e coloca um ponto final nos planos do empresário Benjamin Steinbruch, dono da siderúrgica CSN, de ser controlador da Usiminas. A Ternium desbanca, também, o grupo Gerdau. Como integrante do bloco de controle, a Nippon Steel tinha direito de preferência para comprar as ações de Camargo e Votorantim e queria barrar o acesso de Steinbruch. Este implementou estratégia de adquirir ações da Usiminas em bolsa para tentar, por fim, negociar sua entrada no bloco.

Mesmo com a entrada da Ternium na disputa, a CSN seguiu sua investida estratégica sobre a companhia mineira com a compra de ações na bolsa. Conforme o último comunicado feito pela CSN, no dia 18, a empresa comanda por Benjamin Steinbruch alcançou participação de 20,14% nas ações preferenciais da concorrente, elevando a fatia que era de 15,15% no fechamento de setembro. A participação no capital com direito a voto teve pequena alteração, passando de 11,29% para 11,66%.

A compra de ações da Usiminas gerou perdas à CSN. Até setembro, houve uma desvalorização de R$ 446,9 milhões na participação na rival, segundo dados do balanço do terceiro trimestre, comparado a um ganho de R$ 206,9 milhões nos nove primeiros meses do ano passado. No fim de setembro, a CSN tinha 11,29% das ordinárias e 15,15% das preferenciais da Usiminas. A conta também inclui uma fatia de 9,39% da siderúrgica de Volta Redonda (RJ) na beneficiadora de aços planos Panatlântica, de Gravataí (RS).

A aquisição das ações da Votorantim e da Camargo na Usiminas pela Ternium não vai inviabilizar o projeto de construção de uma usina siderúrgica no Porto Açu, em Barra de São João, controlado pela LLX, empresa do grupo EBX de Eike Batista, apurou o Valor. O projeto da usina é estimado em US$ 4,7 bilhões e visa produzir placas de aço para suprir as usinas siderúrgicas da Ternium no México.

Com a entrada da companhia no bloco de controle da Usiminas, a ideia, segundo fontes envolvidas na negociação, é destinar também parte dessas placas para serem laminadas na usina de Cubatão, daUsiminas, para exportação. Para isso, é fundamental que seja construído um ramal da FCA que vá até o porto para enviar as placas através da ferrovia para Cubatão.

Grupo argentino vence disputa travada, por cerca de um ano, com as companhias brasileiras Gerdau e CSN
O projeto da Ternium, no litoral fluminense já tem licença prévia ambiental e até março deve ter também licença de instalação. A siderúrgica do Açu será abastecida de minério de ferro pela Anglo Ferrous, subsidiária da mineradora da sul africana Anglo American.usina siderúrgica no Porto Açu, em Barra de São João, controlado pela LLX, empresa controlada pelo grupo EBX de Eike Batista, apurou o Valor.

Somando os dois negócios – a compra dos 26% da Usiminas e a nova usina no Rio de Janeiro -, a Ternium deverá investir mais de R$ 13 bilhões no mercado brasileiro, observou uma fonte.

A possível entrada da Ternium na Usiminas não foi bem recebida pelos investidores, que estavam descrentes quanto ao fechamento do negócio por causa do preço oferecido, considerado elevado. Quando começaram a surgir os boatos sobre o interesse da Ternium, depois confirmados pela companhia, as ações da Usiminas caíram na bolsa. Do dia 16 até sexta-feira, as ações recuaram 15,3%.

Na sexta-feira, as ações ordinárias (com direito a voto) da Usiminas fecharam a R$ 19,70 na bolsa. Portanto, o valor a ser pago pela Ternium, de cerca de R$ 36 por ação, representa um prêmio de mais de 80% sobre o preço de mercado dos papéis.

A Usiminas tem sentido os efeitos da crise no setor e reduziu a produção para 70% da capacidade. Até meados do ano, a empresa trabalhava com 90%. “Esse nível de 70% já é bastante baixo”, disse, recentemente, o seu presidente Wilson Brumer. “É lógico que nas nossas análises internas a gente está considerando o tempo todo o que fazer”, disse ele, ao se referir à hipótese de fechar fornos e cortar pessoal. “Só chegaremos a adotar uma mudança mais drástica se a gente não vir nenhum cenário de mudança em relação ao atual”, disse. O cenário número um da empresa, no entanto, é de alguma melhora.

Apesar do otimismo, a Usiminas está se desfazendo de ativos para reforçar o caixa. Lotes, apartamentos, fazendas são alguns dos imóveis vendidos e com os quais espera ter um ganho de cerca de R$ 300 milhões até 2013. São mais de 250 ativos imobiliários não operacionais para venda. No terceiro trimestre, a receita líquida ficou em R$ 2,998 bilhões. O valor se compara aos R$ 3,241 bilhões do terceiro trimestre do ano passado.

A Ternium registrou lucro líquido de US$ 23,4 milhões no terceiro trimestre deste ano, o que representou uma queda de 91% diante dos US$ 247 milhões na comparação anual. No acumulado de janeiro a setembro, a empresa acumulou lucro líquido de US$ 513,5 milhões, um recuo de 24% em relação aos US$ 676,6 milhões dos nove primeiros meses de 2010.

As vendas líquidas da Ternium no terceiro trimestre aumentaram 5%, somando US$ 2,4 bilhões nesse período. Nos nove primeiros meses de 2011, a siderúrgica argentina acumula receita líquida de US$ 6,9 bilhões., uma expansão de 28% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Ternium teve 34% de suas vendas em dólares, no terceiro trimestre, geradas nas Américas Central e do Sul. Outros 33% foram provenientes da América do Norte. (Com Marcos de Moura e Souza, Alberto Komatsu e Silvia Fregoni)

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