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Archive for 24/01/2012

Eike Batista demonstra interesse em explorar reserva de terras raras em Araxá

Fonte: Gustavo Machado – Brasil Econômico

Eike quer explorar reservas de minério “nobre” em Araxá

Reservas de neodímio descobertas em Minas Gerais podem transformar Brasil em grande produtor do metal

Há quinze dias, a curiosidade dos moradores de um pequeno município do triângulo mineiro – mas com grande potencial minerador – foi aguçada pela visita inesperada do homem mais rico do Brasil. Sem avisar o motivo da aparição, nem a razão do voo de helicóptero sobre Araxá, Eike Batista despertou a esperança, principalmente a do prefeito, Jeová Moreira da Costa, de que a cidade possa receber investimentos do bilionário carioca.

O município de cem mil habitantes possui a segunda maior reserva de terras raras – conjunto de 17 elementos essenciais (veja arte abaixo) para indústria de alta tecnologia – no país. De acordo com Fernando Landgraf, diretor do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), o território é rico em Neodímio. O metal é fundamental para a confecção de ímãs permanentes, conhecidos como super-ímãs, utilizados em discos rígidos para computadores.

O prefeito não quis se pronunciar sobre o evento, mas a sua assessoria esclareceu, em partes, o encontro entre o político e o empresário. “Não houve reunião. O prefeito apenas recepcionou o Eike Batista no aeroporto. Ele não disse qualquer motivo para estar ali”, afirma um responsável pelo departamento de comunicação da prefeitura.

Sem que a cidade tenha grandes atrativos visuais, além da sede da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) e de uma mina de exploração da Vale, a prefeitura não possui grandes dúvidas sobre o interesse do voo panorâmico feito por Eike. “Pensamos que é por causa do Barreiro (local onde se encontra a jazida de minérios). Há a expectativa de serem feitos investimentos na cidade, mas não houve nenhum contato depois disso.”

Procurada pela reportagem do BRASIL ECONÔMICO, a EBX – holding que controla as empresas do grupo de Batista, inclusive o braço minerador MMX – não comenta o caso. Segundo a assessoria, projetos, prospecções ou rumores não são explicados pela companhia. A assessoria afirmou também que Eike saiu de férias após a viagem, o que também o impossibilitaria de comentar a visita.

Parceria
O empresário pode ter um parceiro de peso na empreitada. O grupo canadense MBAC, do ramo de fertilizantes, possui os direitos de exploração do local. O projeto intitulado Phosphate- Araxá, está em andamento há alguns anos, mas somente em 2011, a companhia protocolou junto o governo de seu país os estudos referentes ao local. A área de exploração de fosfato na cidade também abriga uma das maiores companhias de fertilizantes instaladas no Brasil, a Bunge.

A parceria com uma empresa interessada na exploração do fosfato de cálcio, cujo teor do terreno pode chegar a 50%, é determinante para viabilizar economicamente a extração do “fosfato de terras raras”, com teor de até 5% na região.

Os investimentos para a exploração são demasiadamente altos para utilizar apenas 5% do terreno, diz Fernando Landgraf, diretor do IPT. Entre os projetos em desenvolvimento no mundo, o australiano-Mountweld, da Lynas Corp. -, custou entre US$ 500 milhões e US$ 1 bilhão apenas para montar a operação de extração do fosfato e processamento para separar os diferentes metais.

Liderança global
De acordo com Romualdo Andrade, geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), apesar da jazida de terras raras em Araxá não ser a  maior no Brasil, é a composição do terreno o que atrai o setor industrial. “Os materiais concentrados naquela cidade enriquecem os produtos fabricados pela indústria, como o nióbio, o cério e o neodímio. Araxá possui grande concentração de carbonáticos, ricos em fosfato. As reservas de Catalão, em Goiás, a maior jazida no Brasil e superiores às da China, por exemplo, possui outra composição”, diz o geólogo.

A produção de neodímio por uma companhia brasileira pode colocar o país como um grande comercializador do produto. Atualmente, a China detém 97% do mercado mundial. Caso a jazida de Araxáseja explorada completamente em 40 anos, o Brasil pode chegar a deter 25% do mercado global.

Reservas de Goiás superam chinesa

Jazidas de terras raras em Catalão, Goiás, podem dar ao Brasil liderança nas reservas

Embora a China detenha 97% da comercialização global de terras raras, as reservas brasileiras são suficientes para, no longo prazo, alçar o país à condição de líder.

De acordo com Romualdo Andrade, geólogo do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a maior jazida do Brasil está localizada no município de Catalão (GO), a qual supera todas as chinesas. “Temos outras jazidas, no Rio de Janeiro, além da de Araxá, em Minas Gerais, mas o grande potencial estratégico está em Catalão”, diz. As reservas da cidade goiana somam, comprovadamente, 119 milhões de toneladas, enquanto que as da China não superam 89 milhões de toneladas. “Disto, apenas 27 milhões de toneladas são comprovadas. O resto são prospecções”, diz. Em Araxá (MG), as reservas são de 1,29 milhão de tonelada. “Ainda não se fala em investimentos para explorar a área de Araxá.

Em outros locais, já existem empresas interessadas, inclusive com negociações em andamento”, diz Fernando Landgraf, diretor do Instituto de Pesquisas Técnicas (IPT). A outra reserva brasileira é a do Morro do Ferro, no município de Poços de Caldas (MG). Levantamento apresentado pelo pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral, Francisco Eduardo Lapido Loureiro, informa que a jazida concentra 300 mil toneladas.

Para Fernando Henrique em 2014, Aécio Neves é o candidato natural do PSDB

Cenário Político

Fonte: Uirá Machado – Folha de S.Paulo

Para FHC, Aécio é candidato ‘óbvio’ do PSDB para 2014

Ex-presidente critica Serra e diz que partido cometeu ‘erros enormes’ em 2010

Em entrevista à revista ‘Economist’, tucano atribui fracasso eleitoral a arrogância da legenda e isolamento de Serra

Em entrevista na qual faz diversas críticas ao PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso atribui a José Serra parte da responsabilidade pela derrota tucana nas eleições de 2010 e afirma que o “candidato óbvio” do partido para disputar a Presidência em 2014 é o senador mineiro Aécio Neves.

As declarações foram publicadas pelo blog “Americas View”, da revista britânica “The Economist”.

Para o ex-presidente, Aécio está mais apto a formar alianças, e Serra deveria abrir espaço para outros.

“No caso do PSDB, o ex-governador Serra faz o papel do Lula: ele tem coragem, gosta de competir. Eu não sei até que ponto ele vai se convencer de que [a disputa] não é para ele, a abrir espaço para outros”, diz o tucano.

FHC prevê também uma “briga interna muito forte no PSDB, entre Serra e Aécio” na corrida para 2014. Ele, no entanto, diz que o cenário estará mais claro apenas depois das eleições municipais.

Outra avaliação de FHC é que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), não está no páreo.

As declarações representam uma mudança de tom do ex-presidente.

Em maio do ano passado, em entrevista ao portal iG, FHC já havia afirmado que Aécio tinha uma vantagem sobre Serra, mas dizia que a questão não estava fechada e ainda considerava Alckmin no cenário.

A entrevista de FHC deve aumentar a tensão entre Serra e Aécio, que disputam a indicação do partido para concorrer à Presidência em 2014.

No final do ano passado, quando Aécio disse publicamente que queria disputar a Presidência em 2014, Serra rebateu pelo microblog Twitter: “Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza a oposição”.

Ao rever o desempenho tucano em 2010, FHC avalia que o PSDB cometeu “erros enormes” na campanha. Não fosse por isso, afirma, seu partido poderia ter vencido a disputa com a hoje presidente Dilma Rousseff.

“O que estou tentando dizer é que era possível ter vencido. Foi falha nossa”, diz FHC na entrevista, que foi publicada na última quinta.

O ex-presidente é então questionado se o PSDB poderia ter vencido com “o mesmo candidato”.

“Bem, talvez não”, diz.

Para FHC, um dos fatores que pesaram contra os tucanos foi o isolamento do partido, em parte provocado pelas características de Serra.

“Não formamos alianças. Foi uma espécie de arrogância. Nosso candidato estava isolado, mesmo internamente”, diz FHC, que concorda quando a entrevistadora pergunta se Serra afastou as pessoas: “Sim. E foi muito ruim”.

Procurado, Serra afirmou por meio de sua secretária que não havia lido a entrevista e não poderia comentá-la.

SONHO COM LULA

Na entrevista, FHC conta que teve um sonho recente com o ex-presidente Lula: “Sonhei que nós, Lula e eu, estávamos propondo juntos consenso nacional [risos]”.

Na vida real, o tucano propõe que o petista se afaste um pouco para permitir a chegada de novos líderes.

“Deixe-me falar sem personalizar: nos últimos 20 anos, houve apenas dois líderes”, diz, logo após concordar que ele ainda é uma das vozes mais importantes do PSDB, “pela falta de alternativas”.

FHC pondera, porém, que há uma nova geração: “É uma questão de tempo. Provavelmente, se Lula não estivesse envolvido – o mesmo se aplica a mim-, seria melhor”.

Quanto a 2014, FHC diz que ninguém sabe qual será o papel de Lula. Porém, ele afirma que o petista deve querer disputar a eleição, porque é “um animal muito competitivo, um animal político”.

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