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Michel Temer vira coadjuvante no Governo Dilma que isola o PMDB das principais decisões, Noblat revela que estilo da presidente vai afastar aliados


Fonte: Artigo de Ricardo Noblat – Blog do Noblat

O peso do PMDB

Que houve? Agenda cheia? Esquecimento? Descortesia calculada? Ou indo além: simplesmente desprezo? Michel Temer, 71 anos, vice-presidente da República, foi operado no último dia 3 no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, para a retirada de pedras da vesícula. Sabe o grau de atenção que lhe dedicou a presidente Dilma? Grau zero.

Temer ficou de três a quatro dias no hospital. Depois foi para sua casa na capital paulista. Enquanto se recuperava para voltar ao Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá, em Brasília, Dilma esteve duas vezes em São Paulo. Não o visitou. O mais formidável: não lhe deu um único telefonema.

Na terça-feira passada, o nome de Temer apareceu na agenda oficial de audiências concedidas por Dilma. Não foi a primeira vez que ela o recebeu. Foi a primeira vez que o nome dele ganhou espaço na agenda. Para quê? Para sugerir que Temer seria ouvido sobre a reforma ministerial.

Era só o que faltava! Temer usufrui o que o ex-general Ernesto Geisel, o penúltimo presidente da República do regime militar de 1964, chamou de “as miçangas do poder” – mas é só. Dê-se por satisfeito. Seu papel é decorativo e protocolar. Não participa de decisões relevantes – fica sabendo delas.

Dilma comunicou a Temer que a reforma se limitaria à substituição de Fernando Haddad por Aluizio Mercadante no Ministério da Educação – e de Mercadante por um técnico no Ministério da Ciência e Tecnologia. Lula fez Haddad ministro de Dilma. Tirou-o para disputar a prefeitura de São Paulo.

Não foi a reforma dos sonhos de Dilma. Nem a dos partidos. Dilma sonhou com uma reforma que implicasse a troca de ministros, a extinção pura e simples de alguns dos atuais 38 ministérios e a fusão de outros. Acabou forçada a demitir por antecipação seis ministros envolvidos com malfeitos.

Por fim, Lula (sempre ele) deteve a mão de Dilma antes que ela baixasse com o cutelo sobre o pescoço de outros auxiliares. Que diabo você imaginava fazer, Dilminha? Um assassinato em massa? Queria acabar abandonada pelos partidos reunidos com tanto trabalho para apoiá-la?

O PT quis emplacar o sucessor de Mercadante no Ministério da Ciência e Tecnologia. Aí foi Dilma que não deixou e emplacou seu próprio candidato. Dilma quis trocar Mário Negromonte, ministro de Cidades da cota do PP, por Márcio Fortes, seu queridinho. Aí foi o PP que não deixou.

Partido algum desejou tanto a reforma quanto o esvaziado PMDB, dono da segunda maior bancada de deputados federais e da primeira de senadores. O PT exibe um plantel de 13 ministros. O PMDB, de cinco – Agricultura, Minas e Energia, Previdência, Turismo e Assuntos Estratégicos.

Os cinco valem pouquíssimo. Nenhum faz política pública capaz de mudar a vida das pessoas. Ou melhor: o de Minas e Energia faz. O ministro, ali, é Edison Lobão, senador do PMDB do Maranhão. Mas o ministério é feudo de Dilma. Porque sabe disso, Lobão se dá bem com ela e sobrevive.

A maioria dos ministros não se dá bem com Dilma. Correção: Dilma não se dá bem com a maioria dos ministros. Prefere governar com os secretários-gerais dos ministérios – parcela expressiva deles escolhida por ela. Dilma escalou no mínimo quatro dos cinco secretários de ministérios do PMDB.

Cresce de forma velada a chiadeira de políticos e de partidos com a presidente. E até o PT não deixa de chiar pelos cantos. Afinal, quem gosta de ouvir desaforos? Quem tolera ser humilhado? Quem se conforma em ser mantido à distância? Nem mesmo Luiza, que estava no Canadá.

Consequências? Por enquanto nenhuma. Que Dilma continue tocando tudo ao seu modo – desde que Lula concorde, naturalmente. Com a economia nos trinques, o brasileiro está bestificado. E a popularidade de Dilma sobe como um foguete. Mais adiante…

O PMDB se dividirá. Outros partidos abandonarão o governo. E a eleição de 2014 talvez não seja tão fácil para o PT como foi a mais recente.

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