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Aécio Neves lamenta morte do escritor Bartolomeu Campos de Queirós, escritor mineiro premiado no Brasil e no exterior


Fonte: Assessoria de imprensa do senador Aécio Neves

Lamento de forma especial a perda do escritor Bartolomeu Campos de Queirós. Além do grande escritor que todos conhecemos, Bartolomeu foi um querido amigo.

Sua dedicação à causa da educação merece o respeito de todos nós. Nos últimos meses, ele estava envolvido em projeto que visava estimular a leitura no Brasil.

A perda de homens da dimensão humana e intelectual de Bartolomeu Campos de Queirós deixa o país menor.”

Senador Aécio Neves

Fonte: Guilherme Freitas – O Globo

Premiado no Brasil e no exterior por sua obra infantojuvenil, autor mineiro trabalhou pela difusão da leitura

Consagrado internacionalmente como autor de livros infantojuvenis, o mineiro Bartolomeu Campos de Queirós teve o mesmo sucesso quando publicou seu primeiro romance, “Vermelho amargo” (Cosac Naify), no ano passado. Com uma prosa lírica e melancólica, o livro é narrado por um homem que revisita lembranças dolorosas da infância, quando ele e os irmãos procuravam lidar com a ausência da mãe, o alcoolismo do pai e os abusos da madrasta.

Em entrevista ao GLOBO na época do lançamento do livro, em maio, Queirós contou que, embora seja em parte autobiográfico, o romance usa a ficção para explorar a maneira como todos nós lidamos com o passado: “A memória é sempre um lugar onde o vivido e o sonhado conversam”, disse.

Autor deixa um livro inédito
Mesmo antes de “Vermelho amargo”, Queirós já tinha amplo reconhecimento, tanto no Brasil como no exterior. Publicou mais de 40 livros, entre eles “O peixe e o pássaro” (1974) e “Raul” (1978), e recebeu os mais importantes prêmios literários do país, como o Jabuti, o da Academia Brasileira de Letras, o da Fundação Nacional do Livro para Crianças e Jovens (FNLIJ), o Prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil e o Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil/Juvenil da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Foi condecorado como Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, na França, e recebeu a Medalha Rosa Branca, concedida pelo governo de Cuba.

Queirós foi também educador e teve atuação destacada na promoção da leitura entre os jovens no país. Foi um dos idealizadores do Movimento Por Um Brasil Literário, lançado em 2009 durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). O manifesto de criação do projeto, assinado por ele, declarava o desejo de fazer do Brasil “uma sociedade leitora”, através da promoção de “atividades mobilizadoras que promovam o exercício da leitura literária”.

Colaborou também com o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler), criado em 1992 e vinculado à Fundação Biblioteca Nacional (FBN). Foi ainda presidente da Fundação Clóvis Salgado/Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Cultura, em Minas Gerais.

Nascido em 1944 na cidade de Papagaio, interior de Minas Gerais, Queirós morreu na madrugada de domingo para segunda-feira, aos 67 anos, em Belo Horizonte, em decorrência de um problema nos rins. Era solteiro e não tinha filhos. A Cosac Naify anunciou que o autor deixou um livro inédito, uma narrativa breve e onírica intitulada “Elefante”, sem data de publicação definida.

Um caçador de sentidos que acreditava na força da literatura

Bartolomeu Campos de Queirós sempre escreveu em busca do sentido. Sabia que o mundo, com o avançar doido dos séculos, se deteriora e se fragmenta. Sabia que as palavras, a cada dia, dão menos conta do que vivemos. Insistiu em buscar sentidos onde a maior parte dos escritores nada mais vê que uma turvação. Viveu para isso. Com sua postura quase invisível de caçador.

Em tempos de tantos escritores céticos, ou mesmo cínicos, Bartolomeu acreditou na força – na utilidade – da literatura. Daí uma das características mais marcantes de sua escrita: a delicadeza. Sentido não é coisa que se impõe, mas algo que se colhe, como um fruto. Se você apertá-lo muito, ele pode se desfazer em suas mãos. Bartolomeu sabia disso e escrevia, antes de tudo, com prudência. E também com elegância.

Seu último romance, o esplêndido “Vermelho amargo”, é uma súmula de suas aventuras na linguagem. Sabia Bartolomeu, como está em sua ficção, que “o peso da terra é definitivo véu”. Ainda assim, humanos, temos como destino forçar essa máscara, nela fazer furos sutis de respiração. Eis a literatura, como Bartolomeu a concebia. Uma escrita discreta, feita de palavras sutis, de teimosia afetuosa e de sentimentos tímidos.

Escritores como Bartolomeu andam desarmados, com o peito exposto. Mais que o peito, o próprio coração. A escrita, em seu caso, emerge dos sentidos. Repetindo a fala de um de seus personagens, Bartolomeu “escrevia, e por isso pensava”. Ou pensava, e por isso escrevia? Seja como for, para ele a palavra jamais se separou do pensamento. O que, em nossos tempos vazios, é puro ouro.
JOSÉ CASTELLO é crítico literário

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