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Governo Dilma sem Integração: “Se as políticas regionais fossem mais fortes, o ministério seria mais forte”, criticou o presidente do PSDB nacional Sérgio Guerra


Sem gestão pública, Gestão Pública deficiente

Fonte: CHRISTIANE SAMARCO, JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

Integração vira ‘Ministério do Nordeste’

Pasta criada sob inspiração da ditadura militar teve 11 ministros, sendo 10 nordestinos, que privilegiaram região na condução de projetos

Inspirada no Ministério do Interior, que projetou o ministro Mário Andreazza (1918/1988) para a primeira disputa presidencial após 20 anos de ditadura militar, a pasta da Integração Nacional foi criada na forma de secretaria em 1990, virou ministério dois anos depois e, a partir daí, tornou-se um reduto nordestino na Esplanada. Dos últimos 11 ministros que por lá passaram, 10 eram do Nordeste.

A exceção foi o ex-senador Ramez Tebet (PMDB-MS), que ocupou o cargo por três meses.

O primeiro ministro da Integração Regional foi o ex-governador do Rio Grande do Norte Aluízio Alves, no governo Itamar Franco (1992/1994). Desde então, governadores e parlamentares dos vários Estados nordestinos vêm se engalfinhando não só pela cadeira de ministro, como também pelo comando das estatais vinculadas à pasta, como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs).

Para manter a influência sobre o Dnocs no governo de Dilma Rousseff, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), chegou a ameaçar até o rompimento com o novo governo. Tanto barulho fez que assegurou a permanência de seu afilhado Elias Fernandes no cargo de diretor da estatal. O orçamento do Dnocs para este ano é de cerca de R$ 1 bilhão.

A destinação de recursos do ministério para a construção de barragens, como ocorre agora na administração de Fernando Bezerra Coelho, não é novidade. Se na gestão do ministro Andreazza o Rio Grande do Norte ganhou a barragem Armando Gonçalves, com capacidade para armazenar 2,4 bilhões de litros d’água, não foi diferente nos tempos da dobradinha potiguar, com o governador Garibaldi Alves e o ministro Fernando Bezerra (homônimo do atual, ex-senador e ex-presidente da CNI), no governo Fernando Henrique.

“Esse ministério mudou a região e teve repercussão imensa no Rio Grande do Norte, com obras que mudaram a vida do povo”, recorda o agora ministro da Previdência Social, senador Garibaldi Alves (PMDB).

A grita dos nordestinos, que passaram a se mobilizar e a se organizar a partir dos Estados, criando secretarias de recursos hídricos e planos diretores de aproveitamento das águas e bacias, começou de forma mais intensa e organizada em 1982, depois dos cinco anos consecutivos de seca que traumatizaram a região. Alguns políticos lamentam a troca de nome – Desenvolvimento ou Integração Regional para Integração Nacional.

Mas não há nordestino que não defenda o ministério. “É importante que tenhamos um ministério do Nordeste e um ministro da região”, defende o líder do PSB no Senado, Antonio Carlos Valadares (SE). Segundo ele, a Integração continua sendo a pasta “do combate às desigualdades regionais”.

Até a oposição reconhece a importância do ministério, a despeito dos reparos ao governo. O presidente nacional do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), diz que as obras mais importantes do ministério são a transposição do São Francisco, que está paralisada, e a Ferrovia Transnordestina, que também não anda, diz ele. “Se as políticas regionais fossem mais fortes, o ministério seria mais forte.”

Em baixa. Disputas à parte, a Integração nunca figurou na lista dos ministérios mais importantes, exatamente pela vinculação regional ao Nordeste. Só ganhou dimensão nacional em dois momentos: sob a batuta do candidato a presidente Ciro Gomes – precisamente por se tratar de um presidenciável – e com o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), por conta do projeto da transposição e por ser ele o líder do PMDB.

Acusado de favorecer a Bahia em sua administração, Geddel lembra que aplicou recursos em projetos para conter encostas e promover drenagem em Salvador, “que é a terceira maior capital do País e é muito mais pobre que Rio, São Paulo e Belo Horizonte”. A seu ver, a Integração está longe de ter a importância de um ministério do Interior, porque seu leque de ações é estreito e os recursos para obras de prevenção estão espalhados por várias pastas. “As verbas para emergências no Sudeste estão principalmente nas Cidades. Na Integração, essa rubrica é troco.”

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