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“Ignorância, gastos excessivos e endividamento a juro alto jamais deram pão a ninguém”, critica Vinicius Torres em artigo


Fonte: Artigo do jornalista Vinicius Torres Freire – Folha de S.Paulo

Cultura e opulência do Brasil

Menos ignorante e desigual, mais inovador e com sorte, Brasil levaria 20 anos para ter renda de “países ricos”

Vai ser engraçado se, em fevereiro, quando sair o resultado do PIB, a gente descobrir que o Brasil não se tornou a “sexta maior potência do mundo”, à frente do Reino Unido, assunto que causa certa comoção desde anteontem, quando a notícia foi ressaltada num jornal britânico.

Bastaria uma variação contrária de décimos de PIB e de centavos na taxa de câmbio do real e da libra pelo dólar para reverter o bafafá folclórico sobre o gigante que levantou do seu berço esplêndido (nós), agora tema até de propaganda de uísque escocês (britânico, por tabela!).

Não que vá fazer diferença real. Mas não deixa de ser curioso ver como os nacionalismos (e os seus contrários) rebrotam devido apenas a ninharias midiatizadas, tais como a variação de décimos num cálculo de regra de três, o do PIB em dólar.

Nem sempre, como escreveu Paul Krugman, estatísticas econômicas são apenas um tipo tedioso de ficção científica. Rendem também cordéis psicológicos sobre delírios de grandeza. Mas passemos.

Animada, gente do governo diz ainda que o Brasil terá padrão de vida europeu em 10, 20 anos. Uhm.

Se o PIB per capita do Brasil dobrar, chegaremos à renda de “país desenvolvido”, mas ainda algo abaixo dos europeus ocidentais mais pobrezinhos. Para dobrar o PIB per capita em uma década, a economia precisa crescer a mais de 7% ao ano.

Se o prazo é 20 anos, seria preciso que o PIB crescesse mais de 4% ao ano, por duas décadas (imaginando que o aumento populacional seja algo menor que o de agora). Crescemos a 4% na média dos oito anos Lula. Mas isso é só aritmética.

Passar de economia de renda média para rica é difícil. Um empecilho seria a “armadilha da renda média”, como dizem (alguns) economistas. Empregar mão de obra barata e abundante e, em seguida, aumentar a produtividade recorrendo a tecnologias e a conhecimentos vulgarizados no mundo rico pode, em certas condições institucionais, sociais e macroeconômicas, acelerar o crescimento até o nível “médio” de renda (caso do Brasil). Daí a ladeira ficaria mais íngreme.

Não se trata, claro, de uma lei física, mas é evidente que o tropeço nesse nível de renda é comum. Há controvérsia, óbvio, sobre como sair da armadilha (e também sobre como os países cairiam nela): sobre como continuar a crescer rápido. Falta de educação, inovação, integração com o comércio mundial, regimes históricos de propriedade (falta de reforma agrária no momento certo poderia ser um problema), desigualdade, relações internacionais de poder, tudo pode ser um impeditivo -deve ser mesmo.

Acasos da história possam talvez dar um empurrão para países de renda média ricos em recursos naturais, como o Brasil: commodities e derivados estão em alta devido ao progresso da China e da Índia.

Apesar do que dizem os economistas-padrão, americanos em especial, há muita variação nas histórias e “modelos” de crescimento. Além do mais, experiências antigas em geral, americana, alemã ou coreana, são irreproduzíveis, na íntegra. Do básico, sabemos só que:

1)    Deixar a classe dos médios para a dos ricos não é fácil. Não existem várias Coreias do Sul; 2) Ignorância, gastos excessivos e endividamento a juro alto jamais deram pão a ninguém. Mas não estamos cuidando nem desse básico.

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