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Vice-prefeito de BH Roberto Carvalho é suspeito de atirar contra Fernando Pimentel


Irregularidades do PT,  falta de transparência, mar de lama 

Fonte: Gerson Camarotti – O Globo

Consultoria de Pimentel já preocupa Planalto

Governo identifica ‘fogo amigo’ petista na origem das revelações; oposição tenta convocar ministro a dar explicações

BRASÍLIA. O Palácio do Planalto emitiu ontem sinais de preocupação sobre as revelações de que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, recebeu cerca de R$ 2 milhões em consultorias prestadas a empresas relacionadas com a prefeitura de Belo Horizonte, como mostram reportagens do GLOBO desde domingo. O núcleo do governo teme que Pimentel, ex-prefeito da capital mineira, “se torne a bola da vez”, com denúncias alimentadas, segundo crê a presidente Dilma Rousseff, pelo “fogo amigo” petista.

No Congresso, cresce a cobrança da oposição. Os líderes do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), e no Senado, Álvaro Dias (PR), pretendem aprovar hoje nas duas Casas requerimentos de convocação do ministro, Eles frisam que “as atividades do ministro têm fortes indícios de tráfico de influência e revelam um forte conflito de interesses”.

– É importante que o ministro Pimentel possa ter a oportunidade de se explicar e mostrar que não houve tráfico de influência – disse Nogueira.

Já o PPS protocolou pedido de explicações diretamente ao ministro: quer cópias dos contratos, quais serviços foram prestados pela empresa do ministro, a P-21, e os critérios usados para a prefeitura da capital mineira contratar a construtora Convap, uma das assessoradas pela consultoria de Pimentel.

– O ministro deve muitas explicações à sociedade. É preciso esclarecer em que circunstâncias ocorreram as consultorias, já que Pimentel se preparava para ser importante coordenador da campanha da então candidata Dilma Rousseff – disse o líder do PPS, Rubens Bueno (PR).

No governo, a ordem é tentar esvaziar o noticiário sobre o tema. A determinação de Dilma é que Pimentel preste os esclarecimentos sobre o caso.

Para amenizar o desgaste político, integrantes do Planalto ressaltaram dois pontos: os valores recebidos por Pimentel nos dois anos em que ficou sem cargo público (entre 2009 e 2010) seriam compatíveis com a remuneração de consultor; e o fato de seu trabalho de consultoria estar limitado, até agora, a Belo Horizonte, sem relação com a eleição presidencial. Apesar disso, porém, ele tinha acabado de deixar a prefeitura de BH.

Pimentel e outros petistas convenceram o Planalto que ele é alvo do “fogo amigo” petista, principalmente do grupo do vice-prefeito de BH, Roberto Carvalho. Ele e Pimentel trabalharam para que o PT apoiasse a candidatura do hoje prefeito Márcio Lacerda (PSB). Agora, Carvalho quer ser candidato a prefeito em 2012, contrariando o desejo do grupo de Pimentel.

Leia mais:  

Valor: Deputado estadual do PT de Minas, Rogério Correia, é acusado de ser o autor do ‘fogo amigo’ contra Fernando Pimentel

Ala xiita do PT de Minas comandada pelo deputado Rogério Correia é a responsável pelo “fogo amigo” contra o Ministro Fernando Pimentel 

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Ex-sócio de Pimentel era da prefeitura e continua

Otílio Prado era assessor do petista e continuou no gabinete de Márcio Lacerda em BH com salário de R$ 8,8 milBRASÍLIA e BELO HORIZONTE. Apesar de o ministro da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior,Fernando Pimentel, alegar que já estava fora da prefeitura de Belo Horizonte quando prestou serviços de consultoria, o mesmo não pode ser dito em relação ao seu sócio na P-21 Consultoria e Projetos Ltda e assessor de longa data: Otílio Prado. Exonerado por Pimentel do cargo de consultor técnico em 31 de dezembro de 2008, último dia do mandato de Pimentel como prefeito, Otílio voltou dois dias depois, pela caneta do sucessor, Márcio Lacerda (PSB), afilhado político do petista. Desde então, é assessor especial lotado no gabinete do prefeito, com salário de R$ 8.840.Como O GLOBO mostrou domingo, a empresa de Pimentel e Otílio faturou R$ 2 milhões entre 2009 e 2010 em serviços de consultoria. Do total, R$ 514 mil teriam sido pagos pela Convap, empresa de engenharia que venceria meses depois duas licitações da prefeitura de Belo Horizonte, que somam R$ 95,3 milhões.

Otílio é pai de sócio da QA Consulting

Segundo fontes da prefeitura, a recondução foi um pedido de Pimentel, que queria manter os postos e a influência de seu grupo na administração municipal. Corretor de imóveis, Otílio foi levado para funções comissionadas na administração municipal pelo ex-prefeito Célio de Castro (PSB), que antecedeu a Pimentel, do qual era amigo e colaborador de campanha. Não saiu mais do gabinete e de postos- chave na prefeitura.

Com o afastamento de Castro por motivo de doença, em 2001, Otílio manteve-se na antessala de Pimentel. Além de consultor, foi assessor especial e secretário-particular do petista, além de secretário de Relações Institucionais, tendo ocupado vaga em conselhos da cidade, como o de Habitação. Dava entrevistas sobre temas importantes da administração, acompanhava o prefeito em inaugurações e negociações políticas.

Na gestão Lacerda, Otílio tem oficialmente o papel de assessor especial para movimentos sociais, recebendo e encaminhando pleitos ao prefeito, como informou a prefeitura ontem. Mais que ex-sócio, segundo aliados, é um interlocutor de Pimentel na prefeitura, cuja administração é rachada entre PSB, PT e PSDB.

Otílio é pai de Gustavo Prado, sócio da QA Consulting, empresa que pagou R$ 400 mil pela consultoria da empresa do próprio pai e de Pimentel, em 2009 e 2010. Há pelo menos três anos, sua sede é uma casa de dois andares em Carlos Prates, bairro de classe média de Belo Horizonte. A casa tem cinco salas e não há placa de identificação na fachada. Para chegar à recepção, é preciso subir uma escada até uma pequena sala, onde uma secretária atende telefones e cuida da agenda dos donos da empresa.

Lacerda: Convap ganhou licitações em disputa acirrada

A QA Consulting está registrada na Junta Comercial como microempresa (com faturamento anual de até R$ 360 mil, de acordo com a legislação). No entanto, Gustavo alega que o enquadramento é um erro da empresa de contabilidade que presta serviços para ele, e que o seu faturamento seria suficiente para justificar o pagamento ao pai e a Pimentel. Dois dias antes de pagar R$ 200 mil à P-21, a QA Consulting recebeu R$ 230 mil para prestar serviços à HAP Engenharia, uma das principais detentoras de contratos com a prefeitura na gestão Pimentel.

Durante evento oficial na tarde de ontem, Lacerda disse não haver irregularidades nos contratos assinados entre a prefeitura de Belo Horizonte sob sua gestão e a Convap. Ele negou tráfico de influência de Pimentel.

– Meias verdades às vezes são mais perigosas que meias mentiras. Não conheço contratos da empresa dele (Pimentel), isso é da vida privada dele. Mas a Convap ganhou duas licitações em disputa acirrada. Essas licitações relacionadas à Copa têm fiscalização do TCU, TCE, são transparentes, acima de qualquer suspeita – afirmou o prefeito.

Procurado na noite de ontem para dizer se via conflito de interesses no fato de um assessor lotado em seu gabinete ter contratos com uma empresa que venceu licitações milionárias na prefeitura, Lacerda não foi localizado por sua assessoria. Otílio também não
foi localizado.


Pimentel vendeu lote a dono da HAP

Relação de negócios vem da época em que hoje ministro era vice-prefeito

BELO HORIZONTE. As relações entre o ministro Fernando Pimentel (PT) e o empresário Roberto Giannetti Nelson de Senna, dono da HAP Engenharia, não se resumem à amizade declarada por ambos. Em 2000, quando Pimentel era vice-prefeito de Belo Horizonte e a HAP colecionava contratos sem licitação com a administração municipal, Senna comprou um lote de Pimentel no bairro Buritis, na capital mineira, por R$ 55 mil. Em vez de registrar o ato em um dos cartórios de Belo Horizonte, os dois viajaram 136 quilômetros para registrar a escritura de compra e venda no Serviço Notarial de Papagaios, cidade de 14,1 mil habitantes no interior de Minas Gerais.

O fato chamou a atenção do Ministério Público de Minas, que obteve novo certificado da tabeliã da cidade atestando a veracidade do registro e o incluiu no inquérito que virou ação civil pública contra Senna, Pimentel e ex-dirigentes da prefeitura. A acusação é de superfaturamento de obras e desvio de recursos públicos para a campanha do petista em 2004. Para o MP, o registro distante tinha como objetivo esconder a relação entre Pimentel e o empresário.

Como noticiou O GLOBO ontem, a empresa de Pimentel, a P-21 Consultoria e Projetos, recebeu em 2009 e 2010 R$ 400 mil da QA Consulting, que pertence a um dos filhos de Otílio Prado, sócio do petista na empresa e seu assessor especial quando ele estava na prefeitura. O pagamento foi feito em duas parcelas de R$ 200 mil, a primeira paga em 19 de fevereiro de 2009, dois dias após a QA Consulting receber R$ 230 mil da HAP Engenharia para realizar serviços de “cabeamento estruturado para rede de computadores”.

Perguntada sobre o motivo de registrar a escritura de venda do lote por R$ 55 mil, em 2000, em local distante, a assessoria de Pimentel divulgou nota: “Tratou-se de procedimento legal, registrado em cartório e declarado à Receita Federal”.

Antes, a assessoria informara que a opção de registro em Papagaios teria sido ideia de Senna, em função de melhores preços cobrados pelo serviço notarial daquela cidade. Mas os custos para registro de imóveis são tabelados em Minas desde 1997. Isso significa que tanto em BH quanto em Papagaios Senna pagaria, em 2000, R$ 405,56 pela escritura de um imóvel nesse valor, segundo o Sindicato dos Oficiais de Registro de Minas.

Dois anos após comprar o lote de Pimentel, Senna o revendeu à MRV Engenharia por R$ 47,5 mil, com prejuízo de R$ 7,5 mil (13,6% do valor pago).

– Na época, o mercado estava mais estável, mas não há explicação para um imóvel baixar de preço. Desde a crise dos anos 80, isso nunca aconteceu em Belo Horizonte, ainda mais em um bairro em desenvolvimento como Buritis – diz o consultor imobiliário na região José Edmar de Faria.

Perguntado sobre por que vendeu o imóvel por um preço menor, Senna não respondeu. Não quis dizer o motivo do registro em Papagaios. E divulgou nota dizendo ser “ridícula” a acusação de que teria tentado ocultar o negócio, já que a escritura também teria sido registrada em cartório de Belo Horizonte. Mas ele não esclareceu quando isso aconteceu. (Thiago Herdy)


CORREÇÃO
Como informavam reportagens publicadas no GLOBO no domingo e na segunda-feira, o hoje ministroFernando Pimentel prestou consultorias a empresas no período imediatamente após deixar a prefeitura de Belo Horizonte, em 2009, e até 2010, quando se desligou da empresa para integrar o governo Dilma Rousseff. Na página 3 de ontem, porém, por um erro de digitação e também de atenção, foi publicado que a primeira parcela de um contrato de R$ 400 mil da consultoria de Pimentel com a QA Consulting foi paga em fevereiro de 2011, o que está errado. O certo é que R$ 200 mil foram pagos em fevereiro de 2009. E outros R$ 200 mil, em maio de 2010, como publicado.

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