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Indústria naval impulsiona economia de Ipatinga, produção de peças de navios já representa 25% faturamento das empresas da região


Economia, desenvolvimento econômico, geração de emprego

Fonte: Marcos de Moura e Souza  -Valor Economico

Mesmo sem mar, Minas já produz navios

Ipatinga – Siderúrgicas e mineradoras foram durante anos os principais clientes das empresas de metal mecânica da cidade mineira de Ipatinga e vizinhança. Nos últimos anos, no entanto, os empresários locais passaram a se entusiasmar com um novo filão: a indústria naval. Para muita gente de fora da região do chamado Vale do Aço, a aposta ainda é vista com certa incredulidade. Como é que empresas do interior de Minas podem produzir peças para navios?

Não somente estão produzindo peças como cascos inteiros. Os clientes são, sobretudo, estaleiros do Rio que montam os navios, a maioria deles, encomendados pela Petrobras. Para algumas empresas de Ipatinga, o setor naval já representa 25% de seu faturamento.

As fábricas do Vale do Aço, na região sudeste de Minas Gerais, que colocaram um pé na indústria de navios, o fizeram por puro esforço de sobrevivência. Foi durante a primeira fase da crise financeira internacional, em 2008, que alguns empresários da região, reunidos em torno do sindicato patronal, resolveram que era mais do que hora de reduzir sua dependência em relação às mineradoras e às siderúrgicas – duramente golpeadas pela paralisia global.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval 
A indústria naval surgiu como uma hipótese. Com o pré-sal e a demanda crescente do Brasil por sondas, plataformas e navios de apoio, aquele parecia um setor certo para quem tinha experiência, capacidade operacional, escala e alguma ociosidade. A hipótese estava certa.

“De 2009, quando fechamos nosso primeiro contrato, para cá, já fabricamos mais de 20 blocos [de navios]”, disse Flaviano Mirco Gaggiato, presidente da Viga, uma das empresas de Ipatinga que passaram a prestar serviços para estaleiros do Rio. Os blocos são grandes peças de aço – alguns deles medindo 30 metros por 17 metros – que formam o casco dos navios. As peças são partidas em quatro e transportadas por caminhão.

“Esses blocos estavam sendo feitos por estaleiros que ou começaram a ficar com pouco espaço para tanto trabalho ou que passaram se focar na construção final de navios”, afirmou Gaggiato. “Além disso, a demanda aumentou muito. Para cada plataforma, a Petrobras precisa de cinco navios de apoio”, completou.

A Viga produz blocos para os estaleiros STX e ETPO. Ambos no Rio. Gaggiato não divulga o faturamento da empresa, fundada pelo pai há 34 anos, mas diz que o setor naval já responde por 25% do que fatura. Em 2008 era zero.

Assim com outras empresas do Vale do Aço, a Viga não precisou fazer grandes alterações em sua linha de produção para acomodar projetos para navios. A mão de obra, o maquinário e o espaço que a empresa já dispunha para fazer, por exemplo, colunas de flotação – peças que chegam a 30 toneladas – usadas por mineradoras já davam conta do recado. Vale, ArcelorMittal, Usiminas e CSN são alguns de seus clientes tradicionais.

Neste fim de ano, no entanto, devido ao volume de pedidos, Gaggiato está investindo na ampliação de sua fábrica para deixar um setor exclusivo para a fabricação dos blocos.

Das 106 empresas associadas ao Sindicato Intermunicipal das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Vale do Aço, cerca de 20 já trabalham para a indústria naval – todas de pequeno e médio portes. Operando com um cluster, as empresas da região trabalham muitas vezes em conjunto para atender grandes contratos.

Além de Ipatinga, os municípios de Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso constituem o que se chama de Vale do Aço.

Para Jeferson Bachour, atual presidente do sindicato e diretor de outra empresa do setor de metal mecânica de Ipatinga, a Lider, o setor naval está ajudando algumas empresas da região a passarem por cima das oscilações do setor siderúrgico.

“Desde setembro, estamos sentindo que a siderurgia está desaquecendo. As vendas já caíram cerca de 15%”, disse A Lider produz peças de manutenção para as usinas, como chapas de desgaste e solos para lingotamento contínuo. E quando a produção siderúrgica diminui, cai a necessidade de reposição.

“A perda com a siderurgia é compensada pelo setor naval. As empresas que atendem aos estaleiros estão mantendo seu nível de produção”, diz Bachour, que tem liderado os movimentos entre o empresariado local para se aproximar mais da indústria naval.

Nesse ramo, sua empresa especializou-se em acessórios para embarcações como portas, janelas, balaustres, escadas etc. Seus concorrentes são estaleiros brasileiros ou empresas da Noruega, Itália, Espanha e Coreia que exportam para o Brasil. Mas em relação aos importados, os fabricantes brasileiros têm uma vantagem: a determinação do governo federal de que 70% da fabricação da indústria naval tenha conteúdo nacional.

No caso das empresas do Vale do Aço, diversas já conseguiram do governo de Minas isenção de ICMS e IPI para fabricação de componentes para a indústria naval, conta Augusto César de Barros Moreira, gestor do arranjo produtivo local do polo metal mecânico do Vale do Aço. Isso deu a elas as mesmas vantagens fiscais que as empresas do Rio já têm.

Estarem no Vale do Aço dá às empresas facilidade extra: o fato de a Usiminas estar sediada em Ipatinga. A empresa fornece aço plano para a fabricação de navios.

Os radares das empresas da região estão acionados para detectar novos possíveis negócios. Na mira estão um projeto da Petrobras no Rio para reforma de plataformas; os planos da Marinha para construção de onze embarcações; e uma aproximação com o estaleiro Promar, de Pernambuco. Segundo Bachour, o estaleiro já iniciou conversas com empresas do Vale do Aço.

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