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Desaceleração da economia: PIB reduz ritmo de crescimento e país pode ter sobra de energia até 2015 – custo de manutenção será pago pelo consumidor


Fonte: Valor Econômico

Crescimento do PIB abaixo do esperado cria “folga” de energia

O cenário de menor crescimento da economia brasileira em 2011 e 2012 e talvez nos próximos três anos – em relação ao previsto anteriormente – pode fazer com que o Brasil chegue a 2015 com excesso na capacidade instalada de geração de energia. A desaceleração do crescimento do PIB este ano e a perspectiva de que isso se repita no próximo ano fez o consumo deste insumo crescer abaixo do projetado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), criando uma “folga” nas projeções oficiais, segundo estudo de professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nas contas da EPE, tanto o consumo de energia como o PIB cresceriam 5% em média até 2015. Este ano, a demanda por energia cresceu 3,8% até setembro e a projeção para o PIB é de uma alta de 3,2%. Para 2012, os economistas esperam crescimento de 4% para a economia brasileira, enquanto no cenário da EPE a demanda por energia se mantém em 5%.

Diante dessa realidade, o professor do Instituto de Economia da UFRJ Adilson de Oliveira, traçou cenários alternativos ao da EPE para o consumo de energia e o PIB brasileiro. Considerando um aumento do consumo de energia médio de 4% ao ano, num cenário intermediário que considera um crescimento médio do PIB um pouco abaixo de 5% até 2015, a margem de reserva de energia (capacidade de geração além da necessidade de uso) chegará a 6,6 mil megawatts (MW) médios, contra os 2,5 mil MW médios de hoje. Este e outros cenários serão apresentados amanhã no seminário “Brasil e os Temas Globais”, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), em São Paulo.

“Enquanto o consumo de energia cresce hoje perto de 3%, contra os 5% esperados, os investimentos em expansão já em andamento até 2015 vão aumentar muito a nossa margem de reserva”, diz Oliveira. Segundo ele, os padrões internacionais mostram que o limite razoável da margem de reserva em relação à capacidade de geração é de 5% a 7%. Hoje estamos em 5%, mas é possível que o país chegue em 2015 com 11,2% (no cenário mais radical traçado por Oliveira).

Para Oliveira, a capacidade elevada sem necessidade representa um custo para o país, e a mudança de cenário econômico deveria gerar uma reavaliação profunda do plano de investimento nacional em energia a partir de 2015.

“A sobra de energia proporcionada por um consumo menor permite ao governo repensar investimentos no parque hidrelétrico na Amazônia, por exemplo”, diz o professor, referindo-se a projetos polêmicos na região por entrarem em áreas de proteção ambiental.

O estudo do professor da UFRJ traça três cenários de evolução do consumo de energia elétrica de acordo com o crescimento do PIB., mas não contempla recente preocupação levantada pelo comitê de monitoramento do setor elétrico quanto ao risco de atraso de algumas obras de geração.

No primeiro cenário, mais próximo ao projetado pela EPE, considera-se um crescimento da economia de 5% ao ano e do consumo de energia de 4,5% ao ano, tendo 2011 como base. Essa evolução faria o país chegar em 2015 com uma margem de reserva de 5,5 mil MW médios, que representaria 7,7% da capacidade instalada (considerando uma capacidade de geração instalada de 71,5 mil MW médio em 2015).

No segundo cenário, trabalha-se com um crescimento da economia abaixo de 5% ao ano, e um aumento do consumo de 4% ao ano, o que levaria a margem para 6,6 mil MW médios em 2015. Por último, parte-se da premissa que o consumo crescerá apenas 3,5% ao ano, no caso de um crescimento da economia pouco acima de 3,5% ao ano, e a sobra de energia chegaria a 7,8 mil MW médios, ou 11% da capacidade instalada de geração. “Se isso ocorrer, significa deixar dinheiro parado”, diz o professor.

De acordo com o pesquisador, o custo de manter uma margem de reserva tão elevada precisará ser coberto por alguém, e uma das hipóteses é que ele seja repassado para as tarifas. “Essa sobra significa que não precisamos construir muitas novas centrais elétricas nos próximos anos, e isso dá um fôlego para se repensar o programa atual de construção de hidrelétricas”, diz Oliveira.

O crescimento do consumo de energia até setembro deste ano (3,8%) – em relação a igual período de 2010 – foi puxado pelos consumidores comerciais (6,5%), enquanto o setor industrial apresentou uma evolução mais tímida (2,8%). Segundo relatório da EPE, o desempenho do comércio reflete a demanda aquecida por bens e serviços nos país, puxada pelo desemprego em baixa e pela disponibilidade de crédito.

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