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Sinal vermelho: 52º Congresso do Instituto Latino Americano de Ferro e Aço vai discutir impacto da crise mundial


Desindustrialização, desaceleração, redução da produção, guerra fiscal, crise mundial

Fonte:  Vera Saavedra Durão – Valor Econômico

Siderurgia debate futuro do setor em meio à crise de demanda e superoferta

O 52º Congresso do Instituto Latino Americano de Ferro e Aço (Ilafa), que começa hoje no Rio, acontece numa conjuntura em que o setor siderúrgico vem sendo afetado de forma profunda pelo esfriamento da demanda nos países desenvolvidos, abatidos pela crise da dívida, enquanto o fantasma da desindustrialização ronda os produtores latino americanos, acuados pela concorrência predatória da China, cambio sobrevalorizado e guerra fiscal no Brasil.

Marco Polo de Mello Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, disse que o congresso “vem num momento em que o mundo está de cabeça para baixo”. O evento, que conta com 800 inscritos, a maioria estrangeiros, vai fazer uma avaliação do cenário internacional e do que ocorre na região. “Recentemente um estudo contratado pelo Ilafa, feito em quatro países latino americanos – Brasil, Argentina, Colômbia e México – concluiu que o fenômeno da desindustrialização vem ocorrendo por conta das importações”. O estudo vai ser divulgado no congresso.

Segundo ele, em comum os quatro países têm o fator câmbio, importante nessas economias. “O Brasil tem um agravamento, pois além da moeda valorizada, tem a guerra fiscal entre os Estados, que é o fator mais danoso nesse momento para a produção de aço local”. “Estamos perdendo participação no PIB e é enorme a aceleração das importações na cadeia metal mecânica”, alerta o executivo.

No balanço das exportações e importações indiretas, o Brasil tinha um superávit de 2 milhões de toneladas entre o que exportava (autopeças, carros, eletrodomésticos, máquinas e equipamentos) e o que importava de aço contido nos produtos finais da cadeia metal mecânica. Este ano, diz Mello Lopes, o país vai fechar com déficit de 2 milhões de toneladas. ” A inversão é de 4 milhões de toneladas”. Este será um dos pontos principais de discussão do Ilafa, pois Argentina, Colômbia e México vivem o mesmo dilema”, prevê.

“Se somarmos o volume de importação indireta com a importação direta, vamos chegar de 7 a 8 milhões de toneladas, o que é mais do que produz a Usiminas “, comparou. Dados do INDA (Instituto das Distribuidoras de Aço) informam que este ano o Brasil vai importar indiretamente 5 milhões de toneladas. Em 2003, foi 1,1 milhão de toneladas. Em nove anos, o volume de importação de aço contido cresceu 400%.

Apesar da expectativa de uma queda das importações de aço em 2011 (em 2010 as compras externas bateram o recorde de 5,9 milhões de toneladas), os dados do INDA informam que em outubro os estoques de aço importado chegaram a um patamar normal de 2,7 meses. Mello Lopes lamenta que o pano de fundo que alimenta esse processo não tenha sofrido mudanças, o que não garante que o fato não se repita, levando em conta que há no mundo um excedente de 500 milhões de toneladas de aço. “Não houve mudança de cenário, pois o cambio continua apreciado, existe o volume excedente no mundo, a China invadindo os mercados e a guerra fiscal permanece.”

A abertura do 52º Congresso do Ilafa terá participação de Fernando Pimentel, ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e de Daniel Novegil, presidente do Ilafa e principal executivo da Tenaris /Confab.

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