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Crise mundial: ArcelorMittal desacelera duplicação de fábrica em João Monlevade e suspende nova linha de aço galvanizado


Desaceleração da economia, conjuntura econômica, crise econômica

Fonte: Ivo Ribeiro  – Valor Econômico

ArcelorMittal lucra menos e decide congelar projetos

Enfraquecimento do mercado europeu derrubou o lucro no terceiro trimestre em 51%, para US$ 659 milhões

A o grupo ArcelorMittal congelou o projeto de investimento no Brasil para instalação de uma nova linha de aço galvanizado no Sul do país devido á desaceleração da demanda por aço no país e ao esfriamento econômico global. O empreendimento, cujo anúncio foi feito neste ano, estava orçado em US$ 300 milhões.

Em comunicado, a subsidiária ArcelorMittal Brasil justificou a decisão dizendo que “os planos de investimentos da ArcelorMittal Vega não foram cancelados, apenas adiados”. Segundo a companhia, “trata-se de uma medida temporária, devido às condições de mercado”. “A retomada do projeto será reavaliada oportunamente”, acrescentou a nota.

Esse adiamento é o segundo feito pelo no Brasil nesta semana, tendo como justificativas a desaceleração do mercado doméstico de aço e o cenário de incertezas da economia mundial, agravados a crise financeira soberana de países europeus da zona Euro.

Com fraca demanda, o lucro do grupo europeu no terceiro trimestre teve retração de 51%, para US$ 659 milhões
Na terça-feira, o grupo informou que está desacelerando as obras de duplicação da fábrica de aços longos de João Monlevade, em Minas gerais, que tinha previsão de ficar concluída no quarto trimestre de 2012. O projeto, com investimento de US$ 1,2 bilhão, já tem 50% de suas obras realizadas.

Os dois investimentos do grupo no país somam US$ 1,5 bilhão.

A nova linha de aço plano galvanizado seria a terceira expansão da filial Vega, dedicada à produção de aços laminados a frio e revestidos. Inaugurada em 2003, essa unidade está localizada em São Francisco do Sul (SC), ao lado do porto catarinense, por onde recebe as bobinas a quente produzidas na siderúrgica da ArcelorMittal Tubarão, de Serra (ES).

A expansão foi desenhada com capacidade de 600 mil toneladas por ano de aço galvanizado, além de outras 100 mil toneladas de laminados a frio. Ou seja, a empresa teria mais 700 mil toneladas para atender o mercado nacional.

O objetivo da ArcelorMittal Tubarão, controlada de aços planos do grupo no país, era de ampliar a oferta desse tipo de aço, específico para a indústria automotiva. O plano tinha como sustentação os novos projetos de montadoras já instaladas no país (expansões e novas fábricas) e a chegada de fabricantes de automóveis, como a chinesa Chery e a coreana Hyundai.

O mercado de aço galvanizado para automóveis e bens de linha branca é considerado ‘premium’, pois trata-se de um produto nobre e de maior valor agregado. O material recebe uma cobertura de zinco que o torna protegido contra corrosão e é usado principalmente na carroceria dos veículos.

No início de 2010, no mesmo site da ArcelorMittal Vega, o grupo indo-europeu inaugurou sua segunda linha de aço galvanizado, de 400 mil toneladas, mas a expansão do mercado brasileiro se mostrou tão aquecida que atraiu a entrada de aço estrangeiro. Esse material continua com forte presença na importação.

A terceira linha ficaria pronta no fim de 2013, totalizando capacidade de 2 milhões de toneladas em Vega, das quais 75% de material galvanizado. Os mercados alvo da ArcelorMittal, além do automotivo, são os de linha branca e da construção civil.

Já a siderúrgica de Monlevade, com a essa expansão em curso, iria duplicar a capacidade de produção de aço bruto para 2,4 milhão de toneladas. A produção de fio-máquina, o produto final da usina, passaria de 1,15 milhão para 2,3 milhões de toneladas por ano a partir de 2013.

O enfraquecimento do mercado, principalmente na Europa, derrubou o lucro do grupo ArcelorMittal no terceiro trimestre em 51%, para US$ 659 milhões, conforme balanço divulgado ontem. Um ano atrás, no mesmo período, o resultado da companhia alcançara US$ 1,35 bilhão.

Comparado com o segundo trimestre deste ano, a queda da última linha do balanço foi ainda maior – 57%. O desempenho medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), ficou em US$ 2,4 bilhões, com 11,4% de acréscimo em relação ao resultado obtido no ano passado no mesmo trimestre. Todavia, ficou bem abaixo (30%) dos US$ 3,41 bilhões do período entre abril e junho.

Lakshmi Mittal, chairman e principal executivo do grupo, comentou que as incertezas na economia global aceleraram-se nas últimas semanas, impactando os níveis de confiança de seus clientes. Por conta disso, observou, o grupo passou a enfrentar no quarto trimestre pressões nas vendas e nos preços do aço. As cotações do aço no mercado internacional vêm em queda contínua e as projeções do setor indicam mais retração até janeiro.

A receita líquida da companhia somou US$ 24,2 bilhões no trimestre, com expressiva alta de 24% sobre o mesmo período de 2010, porém com leve retração, de 3,5%, na comparação com o segundo trimestre do ano: US$ 25,1 bilhões, com vendas de 21,1 milhões de toneladas de aços planos e longos. No ano, até setembro, a ArcelorMittal acumulou receita de US$ 71,5 bilhões, ante US$ 57,3 bilhões dos nove meses de 2010.

No Brasil, o grupo é o maior produtor de aço bruto, com usinas de aços planos e longos nos Estados deMinas Gerais, Espírito Santo e São Paulo e com uma unidade de laminação em Santa Catarina.

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  1. rogerio andrade pereira
    04/03/2012 às 11:56

    a arcelor mittal monlevade, são umas das poucas do mundo que tem mina de ferro própia e perto da usina,mereçendo a expansão,para duplicar sua capacidade espero que a direção reflita sobre isso e acelere mais sua expansão

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