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A história como ela foi: Tancredo, A Travessia – “Mineiro que é radical pode até ter nascido em Minas, mas não é mineiro”, disse o político que com sua mineirice ajudou a mudar a história do Brasil


Política da mudança e transformação

Fonte: Luis Carlos Mertem – Estado de S.Paulo

Política como arte e astúcia

Rever história de Tancredo Neves é reinventar gosto pela cidadania, diz Silvio Tendler 

Há tempos que os documentários de Sílvio Tendler deixaram de ser assunto para as editorias de cinema. “Em Utopia, coloquei uma fala da Dilma (Roussef), gravada bem antes que ela fosse candidata. E fui acusado de estar atrelando meu filme à sua campanha. Agora, dizem que estou fazendo a campanha do Aécio (Neves).” O novo documentário de Tendler, que estreia hoje, chama-se Tancredo – A Travessia. Mostra como Tancredo Neves construiu a arquitetura política que derrubou a ditadura militar no próprio colégio eleitoral que ela criou, o das eleições indiretas. Tancredo era avô de Aécio Neves – logicamente Tendler está atrelando seu filme à campanha de Aécio para ser presidente.

Dilma, Aécio. Personalidades diferentes, ligadas a partidos diferentes. “O que essa gente pensa que sou?” Tendler está louco para voltar a fazer filmes que interessem aos críticos – e às editorias de lazer e cultura.Tancredo – A Travessia começou a nascer há 26 anos, quando Tendler foi autorizado a documentar a posse de Tancredo Neves como presidente do Brasil. A posse não houve porque, a poucas horas da cerimônia, o Brasil estarrecido descobriu que o presidente eleito não tinha condições de assumir. “Ele virou personagem de uma tragédia grega”, sentencia Tendler.

Há dois anos, o projeto sobre Tancredo voltou a sua vida. Fecha o que não deixa de ser uma trilogia, iniciada por Os Anos JK, sobre a presidência de Juscelino Kubistchek, e Jango, sobre João Goulart, que virou estandarte da campanha pelas Diretas. Os Anos JK fez 800 mil espectadores, Jango passou de um milhão. Tendler foi ainda mais longe e seu documentário sobre Os Trapalhões fez estratosféricos 1,7 milhão de espectadores. Esses números superlativos pertencem a outa era. Se Tancredo fizer 100 mil espectadores, Tendler já se dará por feliz. “É a nova realidade do documentário e do mercado”, avalia.

Juntando material filmado e de arquivo, Tendler reuniu cerca de 40 horas sobre Tancredo Neves. Não foi um filme difícil de montar, pelo contrário. Durante todo o tempo, Tendler pensava em fazer justiça ao político, mas também ao homem. “Tancredo foi um grande estrategista político. Viveu vinte anos à sombra da ditadura. Tinha fama de conservador. Mas foi ele quem construiu a travessia da ditadura para a redemocratização. Tancredo garantiu a transição pacífica. E ele era um homem engraçado. Tanto quanto o político, queria servir ao homem.”

Durante as sessões do filme no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o público não resistia. Ria e chegou a aplaudir uma declaração de Tancredo – “Mineiro que é radical pode até ter nascido em Minas, mas não é mineiro”. Seu nome virou sinônimo de negociador, e nunca foi associado a denúncias de corrupção, esse flagelo que hoje, mais que nunca, assola a política, e não apenas a brasileira. Tendler conta porque isso é tão importante no momento atual. “Há uma descrença dos jovens na política e nos políticos. Mas quando eles negam sua participação política, seu engajamento, na verdade estão fazendo uma política perigosa. Tancredo é uma boa ferramenta para o jovem descobrir a arte e a esperteza, a astúcia da política.”

Tendler tem feito um trabalho de formiguinha. Ele levou o filme aos mais distantes rincões do Brasil. Só esta semana esteve em São Paulo, Ribeirão Preto, Campinas e Brasília. Os campinenses estão assistindo a uma retrospectiva de sua obra. Tendler tem muito orgulho de O Veneno Está na Sua Mesa, um documentário de 40 minutos sobre os agrotóxicos que disponibilizou na internet. “É só entrar no YouTube, digitar o título que o filme vai aparecer, com a recomendação de que sejam feitas cópias para ajudar na circulação das informações.” Tendler está envolvido em dois ou três projetos neste momento, entre eles, um filme longo sobre o Poema Sujo de Ferreira Gullar e outro sobre a luta dos advogados contra a ditadura militar.

Palavras como humanidade e conscientização não perderam o sentido para esse veterano batalhador. Ele sabe que, à margem das telas, Tancredo – A Travessia conta com as redes sociais para tentar criar um bochicho. Talvez, fora das vias tradicionais, Tancredo termine fazendo um milhão de espectadores – Veneno já fez 100 mil na rede. Tendler põe fé no filme. Muita gente já lhe disse que é seu documentário mais emocionante. Vai ser difícil ficar indiferente diante da integridade do dr. Tancredo, que recorreu à figura mítica de Tiradentes em sua campanha presidencial. Como o inconfidente, o negociador, mineiro até a medula, também era “enlouquecido por liberdade”.

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