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Aquisição da Usiminas pela CSN está sob os olhares atentos do mercado, especialistas dizem que fusão seria bom para o setor


Fonte: O Tempo

CSN dá sinais ao mercado que desistiu da Usiminas

Siderurgia. Steinbruch diz que não negocia com acionistas; Nippon Steel tem prioridade

Setores sociais e econômicos de Ipatinga estão preocupados

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, evitou entrar no assunto”Usiminas” durante conversa com jornalistas, ontem, em São Paulo. Ao ser questionado sobre o andamento das negociações da CSN com a Votorantim e Camargo Corrêa, que detêm 26% da siderúrgica mineira, o executivo disse “que negociação? Não há nenhuma negociação”. Desde o início do ano, a CSN tem informado ao mercado a compra das ações da sua concorrente Usiminas em bolsa.

No dia 22 de agosto, no último informe divulgado pela companhia, a CSN já detinha a participação de 15,15% das ações preferenciais e 11,29% das ordinárias. No entanto, a ofensiva ganhou novos parâmetros quando a CSN fez uma oferta de aproximadamente R$ 5 bilhões, ainda não divulgada oficialmente, pela participação da Votorantim e Camargo. Caso as empresas aceitem vender a participação, no entanto, elas terão de oferecer a fatia ao bloco de controle e a siderúrgica japonesa, a Nippon Steel, poderá exercer o seu direito de preferência, barrando, com isso, o desejo da CSN de entrar com mais força no capital daUsiminas.

A movimentação da CSN para ampliar sua participação na composição acionária da Usiminas não alteraria o controle da empresa, que continuaria tendo a japonesa Nippon Steel como principal acionista e detentora do comando da siderúrgica.

A complexa articulação de bastidores no comando da empresa tem causado apreensão em setores econômicos das cidades do Vale do Aço, que dependem da indústria siderúrgica. A insegurança aumenta quando além das especulações sobre mudanças no quadro de controle, surgem fatos que parecem demonstrar fragilidade financeira da empresa. Apenas no último mês, foram 400 demissões em todo o Brasil, sendo 110 só em Ipatinga, principal cidade do Vale do Aço.

A Usiminas informa, no entanto, que não há nenhuma relação entre os fatos. As demissões, em volume pequeno se considerado o quadro de 30 mil trabalhadores, se devem a um reposicionamento estratégico da empresa, que recentemente anunciou que pretende priorizar a produção de aço de altíssimo valor agregado para a indústria petroquímica e investir na produção do próprio minério. Entre os funcionários desligados da empresa, a maioria, segundo o próprio sindicato local, são engenheiros aposentados que haviam sido contratados para um projeto de expansão que não saiu do papel, e terceirizados que ficaram sem função após o engavetamento da expansão.

Futuro. Embora seja clara a percepção de que o cenário internacional desfavorável seja o responsável pela pisada no freio da Usiminas, o receio de representantes de setores econômicos do Vale do Aço é que eventuais novos membros na diretoria mudem a relação da empresa com a região. “O medo é porque não conhecemos as intenções da CSN. Temos uma relação antiga com a empresa e não sabemos o que pode mudar. Isso nos deixa ansioso”, diz o diretor da Associação Comercial do município, Luis Henrique Alves.

O presidente do Sindicato do Comércio do Vale do Aço (Sindicomércio), José Maria Facundes, diz que teme por reduções na atuação social da Usiminas. “Existe uma preocupação social muito grande da empresa com a cidade e como não sabemos o que vem por aí”. Essa também é a preocupação do presidente do Sindicato dos Hoteis, Bares e Restaurantes, Benedito Pacífico da Rocha. “Temos confiança de que a empresa continuaria sendo bem administrada, mas não sabemos como seria a relação com a cidade”. (Com agências)

Player nacional
Para especialistas, fusão seria bom para o setor

O consultor em siderurgia e mineração José Mendo Mizael de Souza considera normal uma eventual fusão entre CSN e Usiminas. “Pode ser a CSN tentando entrar na Usiminas ou o contrário. Acho uma coisa absolutamente normal do mercado”, diz. Segundo ele, seria importante para o Brasil ter um “player de escala global”. Juntas, CSN e Usiminas detém cerca de 70% do mercado nacional de aço.

Já o consultor Otto Andrade, também especialista do setor, não vê benefícios na eventual entrada daCSN na Usiminas. “Não acho que nasceria uma nova empresa para atuar no mercado global, até porque seriam necessários investimentos para modernizar o parque tecnológico da Usiminas, que está muito obsoleto”.

Estratégia. Há também um forte componente político no jogo pelo controle da Usiminas. Não haveria interesse do governo federal na ampliação do controle dos japoneses da Nippon Steel na Usiminas. Isso já foi sinalizado quando, em 2009, a Vale quis vender a participação que tinha na Usiminas para a Nippon Steel e o BNDES, sócio da mineradora, foi contra. A parcela acabou nas mãos da Votorantim e da Camargo Corrêa.

Se por um lado, este é um fator que pode pesar a favor da CSN, por outro, a Usiminas já se reuniu com membros da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE) e da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda (Seae) para buscar esclarecimentos sobre as medidas antitruste, já buscando elementos para impedir a entrada da concorrente em seu núcleo de controle.

Ontem, diante das declarações de Benjamin Steinbruch, presidente da CSN, que disse não conhecer as “negociações”, as ações da Usiminas caíram 1,03% na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). (Com agências)

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