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CSN quer ampliar participação na Usiminas e parte para a compra de ações – Nippon tenta barrar avanço


Fonte: Fernanda Guimarães – O Estado de S.Paulo

Oferta da CSN por participação de 26% na Usiminas chega a R$ 5 bilhões

Proposta feita pelo empresário Benjamin Steinbruch pelas ações da Camargo Corrêa e da Votorantim chega a até R$ 39 por papel, um prêmio de 65% em relação ao fechamento de ontem na Bovespa; a sócia Nippon Steel, porém, tem direito de preferência

Depois de gastar parte do seu caixa comprando ações da Usiminas em bolsa, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) fez uma oferta de peso para levar para casa a fatia de 26% que a Camargo Corrêa e a Votorantim têm na siderúrgica mineira. A oferta se aproxima de R$ 5 bilhões. Com esse lance, Benjamin Steinbruch espera inibir a principal sócia da Usiminas, a japonesa Nippon Steel, de exercer o seu direito de preferência.

Segundo uma fonte próxima à Usiminas, a proposta da CSN para a Votorantim e Camargo Corrêa já está na mesa há algum tempo, mas as companhias ainda não decidiram se irão ou não acatar, como revelou o Estado na edição de ontem. De acordo com a fonte, a oferta está entre R$ 33 e R$ 39 por ação ordinária, o que significa um total entre R$ 4,3 bilhões e R$ 5,1 bilhões. Esses valores correspondem a um prêmio de 39,5% e 64,9%, respectivamente, em relação à cotação do fechamento de ontem.

As ações ordinárias da Usiminas fecharam ontem com alta de 7,99%, a R$ 23,65, repercutindo informação sobre a proposta da CSN. A movimentação no mercado acontece porque, em caso de troca de controle, o acionista minoritário detentor da ação ordinária tem direito ao tag along.

Apesar da recente renovação do acordo de acionistas da Usiminas, o mercado não descartou a possibilidade de Votorantim e Camargo Corrêa venderem suas participações no grupo. Caso aceitem a proposta da CSN, as empresas terão de oferecer suas ações aos demais integrantes do bloco de controle da Usiminas: Nippon Steel e Caixa dos Empregados. É nesse momento que a Nippon poderá interferir nos planos de Steinbruch, já que possui direito de preferência. Para exercer tal direito, terá de bancar a mesma oferta da CSN.

Bloqueio. Uma fonte, que pediu para não ser identificada, afirmou que a Nippon deve fazer o possível para barrar a entrada da CSN no bloco de controle da Usiminas. Exatamente pelo relacionamento ruim e por não concordarem com Steinbruch, os japoneses decidiram vender neste ano a participação que detinham na Namisa, mina de minério de ferro na qual a CSN detém 60%. “A Nippon tem caixa e não está alavancada, mas talvez tenha de engolir a CSN caso não esteja disposta a pagar o valor que está sendo oferecido”, disse a fonte. Uma alternativa da Nippon seria negociar um acordo com a Gerdau, um sócio considerado mais “palatável” (ver ao lado).

A CSN, por sua vez, tem uma situação confortável de caixa para fazer uma oferta “ousada”. No final do segundo trimestre, a posição era de R$ 11,685 bilhões.

Se for barrada pela Nippon, a CSN poderá manter a sua estratégia de comprar ações em bolsa, o que tem feito desde o início do ano – já acumulou 11,29% das ações ordinárias e 15,15% das preferenciais. Com esse volume de ações já tem direito a um assento no conselho de administração da Usiminas, mas sem acesso ao bloco de controle.

Analistas lembram que essa não seria a primeira vez que a CSN se mostraria agressiva para adquirir uma empresa. No fim de 2009, para dar continuidade à estratégia de ingressar com mais força no mercado de cimento, Steinbruch entrou em uma briga de preços com a Votorantim e Camargo Corrêa para adquirir a portuguesa Cimpor. Nessa disputa, Votorantim e Camargo saíram vitoriosas.

Em comunicado enviado ontem à CVM, a CSN negou ter feito uma proposta formal pelas ações daUsiminas. “A companhia vem recorrentemente informando o mercado acerca das aquisições de ações ordinárias e preferenciais da Usiminas que realiza em bolsa, sempre ciente e em observância das normas aplicáveis à divulgação de atos e fatos relevantes”, disse.

A Usiminas, por sua vez, disse que “não comenta rumores de mercado”, e a Camargo Corrêa e a Votorantim afirmaram que não comentariam o assunto.

Nippon tentará barrar avanço da CSN na Usiminas

Japonesa pode chamar Gerdau para bancar a desistência de Camargo Corrêa e Votorantim

Fonte: Nivaldo Souza – Brasil Econômico

Rumores sobre uma nova investida da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na Usiminas, em uma suposta oferta de compra da participação de 25,92% detidos por Camargo Corrêa e Votorantim na fabricante mineira de aço, puxaram os papeis da empresa na BM&FBovespa. A alta foi de 7,99% no valor das ações ordinárias e de 1,96% nas preferências, encerrando a R$ 23,65 e R$ 11,95, respectivamente.

O desempenho refletiu a expectativa do mercado sobre negociações mantidas entre CSN com Camargo e Votorantim. “Todos estão esperando e a expectativa é de que isso aconteça em breve”, diz o analista Victor Penna, da BB Investimentos.

O mercado tem sinalizado que a Votorantim e a Camargo estariam dispostas a sair da Usiminas. A primeira porque a divisão de aços planos deixou de ser estratégica no seu portifólio. Para a Camargo, não seria interessante manter um ativo siderúrgico sem foco em construção civil – a expertise da Usiminas são capas para automóveis e blocos navais para embarcações petrolíferas.

Camargo e Votorantim compõem o bloco de controle da Usiminas junto com a Nippon Steel, dona de 23,74% da ações ordinárias (com direito a voto). A preços correntes de ontem, a participação delas vale R$ 3,1 bilhões.

A CSN fez cinco movimentos para entrar na Usiminas (veja gráfico abaixo). A siderúrgica comandada por Benjamin Steinbruch já controla 13,23% da ações totais da concorrente, um peso de R$ 2,3 bilhões nos R$ 18 bilhões que os papeis da Usiminas valem hoje na Bolsa. “Se a CSN comprar a participação da Camargo e Votorantim, pode ficar maior que a Nippon”, diz Pedro Galdi, da SLWCorretora.

A Nippon pode frear o avanço de Steinbruch, com quem os japoneses romperam após conflitos na mineradora Namisa. Pesa contra ele também o fato de Camargo e Votorantim terem se juntado para impedir a compra pela CSN da cimenteira portuguesa Cimpor. Os episódios fazem o mercado apostar que a Nippon, sem caixa para exercer a preferência de compra definida em acordo de acionista, pode chamar a Gerdau para cobrir uma proposta de Steinbruch.

Mercado cobra desfecho de novo acordo societário na Usiminas

Fonte: Ivo Ribeiro e Ana Paula Ragazzi – Valor Econômico

As ações ordinárias da Usiminas lideraram as altas do Ibovespa ontem, com valorização de 8%, para R$ 23,65. Voltaram ao mercado conversas sobre as investidas de Benjamin Steinbruch, dono da Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), sobre a empresa.

Os controladores da Usiminas – Nippon Steel, Camargo Corrêa e Votorantim – terão de definir o futuro societário da empresa. Já é unânime no setor siderúrgico que os constantes avanços de Steinbruch para entrar no bloco de controle da siderúrgica mineira tumultuam e afetam a credibilidade da empresa. É um problema que terá de ser solucionado e, para o bem da companhia, não pode demorar muito.

Enquanto a CSN faz suas compras na bolsa, o jogo parece estar mais favorável ao grupo Gerdau, que é visto como o contra-peso a Steinbruch e tem a simpatia da Nippon Steel para um futuro compartilhamento de gestão da Usiminas. Mas a Gerdau, depois de uma primeira avaliação de uma fusão da controlada Açominas com a Usiminas, aguarda melhores condições por parte dos japoneses. Segundo apurou o Valor, o grupo se retraiu há cerca de dois meses e não há consenso na família Gerdau sobre a viabilidade da união das empresas.

O governo não quer ver a Usiminas parar nas mãos de um grupo estrangeiro. Com livre trânsito e aproximação no Planalto, Jorge Gerdau tem todo o apoio para unir os dois ativos e ser a parte brasileira no controle da empresa. As sinergias operacionais de ambas são apontadas como fatores de aumento de competitividade – desde produção de matéria-prima própria (minério de ferro) à modal logístico.

Por mais que neguem, como fizeram em comunicado conjunto em abril, Camargo e Votorantim não conseguem convencer o mercado de que vão continuar sócios da Usiminas. As duas companhias têm, juntas, 26% do capital votante da siderúrgica.

Na época, informaram que receberam “indagações de terceiros sobre eventual interesse de venda de participação acionária na companhia”. Informaram que não existia nenhuma proposta em aberto ou processo de alienação em curso. Essas indagações foram feitas por assessores financeiros da CSN. Recentemente, uma nova sondagem foi feita por Steinbruch, ao mesmo tempo que o empresário vem ampliando sua participação na Usiminas com compras na bolsa de ações ordinárias (ON, com direito a voto) e preferenciais (PN, sem direito a voto).

Após o pregão de ontem, as ONs da Usiminas valem quase o dobro (98%) do preço das PNs. Historicamente, as cotações das duas sempre foram próximas. Elas passaram a se distanciar desde que Steinbruch iniciou suas aquisições. No último comunicado divulgado, em agosto, a CSN informava ter 15,15% das PNs e 11,29% das ONs da Usiminas. Com isso, ficaram livres para circulação no mercado 78,33% das preferenciais e 12,60% das ordinárias. A liquidez das ONs, que já era pequena, ficou ainda mais reduzida e como, aparentemente, a CSN segue com interesse nas compras, o preço fica com tendência de alta.

A questão é que apenas as ONs da mineira possuem o tag along (prêmio de controle) de 80% previsto por lei. As PNs não.

No mercado, as apostas são de que a com a possível saída futura de Votorantim e Camargo do bloco de controle da Usiminas, a permanência da Nippon na empresa será suficiente para não configurar troca de controle.

No começo do ano, a CSN pagou ainda mais caro pelas ordinárias da Usiminas na bolsa e se essas ações voltarem até o nível das PNs, poderão ser uma perda de investimento. A CSN tem 13,13% do capital total da Usiminas, ou cerca de R$ 2,2 bilhões.

Em relatório, os analistas Rodrigo Barros e Silvia Baracaldo, do Deutsche Bank, avaliam que a Nippon (dona de 27,8% do capital votante) deverá exercer seu direito de preferência para a compra das fatias dos sócios. Eles lembram que a convivência com a CSN é improvável, uma vez que a Nippon recentemente encerrou uma parceria com a empresa de Steinbruch na Namisa, entre outros razões, por conta de divergências em visões estratégicas.

A grande questão, segundo o Deutsche, é se a Nippon chamará um novo sócio para o negócio.

Apesar de ninguém no mercado apostar em sua estratégia, ainda misteriosa para muitos, Steinbruch avança em sua tentativa de vir a controlar a Usiminas. Ele explica que as duas empresas terão muitos ganhos de sinergias juntas – por exemplo, uso de minério de ferro da mina Casa de Pedra, terminais portuários e acesso aos trilhos da MRS, na qual são sócias, além de complementação de mix de produtos.

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  1. Nicolla M M S A Pereira
    10/09/2011 às 17:20

    A CSN caminha em alta velocidade para controlar no Brasil mercado, siderur
    gico, industria cimenteira e com certeza o minerio de ferro.
    Camargo correia e votorantim lamentaram muito no futuro por deixarem que isto aconteça.
    Principlmente a votoratim cimentos.
    Mas para um pais que tem dado valores extremos as coisas importadas ,isto será apenas uma centralização da falencia industrial no Brasil

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