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Metrô de Belo Horizonte é preterido pelo Governo do PT, liberação de recursos fica sempre na promessa – outras cidades já foram beneficiadas


Fonte: Marcelo da Fonseca – Estado de Minas

Para entrar de vez nos trilhos

Enquanto o metrô de BH aguarda a verba prometida pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, outras capitais tocam o sonho de expandir linhas com verbas já garantidas

Os quatro meses de atraso na divulgação das cidades contempladas com recursos para obras de mobilidade pouca coisa significam para a capital que espera por investimentos no metrô desde 2002, quando a última obra de ampliação foi concluída. Na semana passada, durante a passagem da presidente Dilma Rousseff por Belo Horizonte, os moradores voltaram a acreditar que a expansão do trem urbano, peça de ficção e promessas de campanha desde a década de 1980, sairá finalmente do papel. As promessas não se concretizaram, mas a cobrança continua, agora com expectativa ainda maior já que a presidente garantiu “surpresas” nas próximas semanas.

Enquanto Belo Horizonte permanece aguardando os anúncios de liberação de verbas para as novas linhas que ligariam o Barreiro ao Bairro Santa Tereza e a Savassi à Pampulha, outras cidades já estão com as ações mais avançadas. Em Salvador, capital que hoje tem o menor metrô do país, com apenas 6 quilômetros de extensão, foi anunciada há três semanas a construção de 34 quilômetros para a nova linha ferroviária. Segundo a Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia, o edital para as obras está previsto para o fim deste mês e o projeto já tem R$ 570,3 milhões liberados pelo Ministério das Cidades, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Copa. O restante dos recursos planejados para a obra virá do PAC da Mobilidade, R$ 1,6 bilhão, e mais R$ 800 milhões da iniciativa privada.

As promessas seguidas de adiamentos também são comuns para os soteropolitanos, que desde 2000, quando as obras no metrô começaram, presenciaram recorrentes atrasos, denúncias de superfaturamento e desvios. O governo estadual informou que 11 empresas já manifestaram interesse na obra e sete entregaram propostas para a construção dos trechos. Até 31 de dezembro, o governo terá contratado a empresa ou consórcio que ficará responsável pelo novo metrô de Salvador, e as obras estão planejadas para serem iniciadas no início do ano que vem.

Apesar da expectativa pela confirmação de obras que podem garantir melhorias significativas na infraestrutura das grandes cidades, a Secretaria Nacional de Transporte e Mobilidade terá uma tarefa árdua para definir quais obras serão contempladas com os recursos federais. Em nota divulgada na sexta-feira, a equipe técnica da pasta explica que as propostas entregues pelas prefeituras incluídas no PAC Mobilidade Grandes Cidades somaram R$ 42 bilhões, R$ 24 bilhões a mais do que os valores disponíveis no programa. “O adiamento da divulgação deve-se ao fato de ainda estarmos em fase de avaliação e adequação dos projetos, realizando reuniões com os governos estaduais e municipais”, justificou, em nota, o Ministério das Cidades.

NA ATIVA Cidade com maior malha ferroviária do país, São Paulo conta hoje com um metrô de mais de 70 quilômetros de extensão e já estão programadas novas ampliações. O contrato para implantação da linha 17 – Linha Ouro – do metrô – foi assinado no final de julho pelo governador Geraldo Alckmin e a previsão é de que até 2014 a primeira parte da obra seja entregue, ficando a parte final para 2015. Serão 17,8 quilômetros de monotrilhos para a nova linha, que ligará o aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária da capital paulista, com um investimento de R$ 3,1 bilhões divididos entre os governos federal, do estado e do município.

A capital carioca também já tem obras encaminhadas para as melhorias na mobilidade urbana. Dois projetos de construção de trechos do metrô visando a Olimpíada de 2016 estão à frente do cronograma estabelecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), segundo informou o governo do estado. A linha 4, que ligará Ipanema à Barra da Tijuca, é uma das intervenções mais complexas na cidade e foi avaliada em de mais de R$ 10 bilhões. A inauguração está marcada para o dia 15 de dezembro de 2015.

Marcha lenta desde o início

O metrô de Belo Horizonte começou a ser pensado na década de 1970 e até hoje não tem a extensão pretendida em seu projeto pioneiro, desenvolvido pelo Ministério dos Transportes. Ele previa uma ligação entre o Bairro São Gabriel, na Região Norte, e Betim, com um ramal Calafate/Barreiro, na capital mineira, e uma ligação até o Eldorado, em Contagem, totalizando 60 quilômetros de malha ferroviária e 22 estações.

Quarenta anos depois, o metrô da terceira maior região metropolitana do país, com cerca de 5,41 milhões de habitantes, tem quase 29 quilômetros de linha, 19 estações e transporta 140 mil passageiros por dia.

As obras foram iniciadas em 1981, com um cronograma para a conclusão, em 1986, do trecho de 37 quilômetros definido como prioritário, compreendendo os percursos Eldorado – São Gabriel, com 26,5 quilômetros de linha dupla, incluindo as ramificações do pátio de manutenção do Bairro São Gabriel e o ramal Calafate/Barreiro, com 10,5 quilômetros.

Jeitinho Desde sua concepção, a intenção era aproveitar a malha ferroviária da região metropolitana para baratear os custos, já considerados caros desde então. Os recursos para a obra deveriam vir do Programa de Mobilização Energética (PME), criado pela Comissão Nacional de Energia em 1980 para estimular o consumo de energia elétrica e reduzir a dependência do Brasil de derivados do petróleo. As construções também seriam financiadas pelo governo francês, que tinha uma linha de crédito internacional para custear esse tipo de obra no Brasil.

O financiamento francês foi cumprido conforme o previsto no projeto original, mas a contrapartida do PME não. O programa não vingou e, quatro anos depois de lançado, acabou extinto. Sem contrapartida do governo federal, as obras foram sendo roladas e acabaram totalmente paralisadas em 1987. Assim começou a saga pela implantação do metrô de Belo Horizonte e região metropolitana. Somente em 1991 elas foram retomadas, sempre a passos lentos. A última ampliação do metrô em BH foi concluída em 2002

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