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Em Minas, Vallourec-Sumitomo inaugura megacomplexo siderúrgico em Jaceaba de olho no mercado externo


Fonte: Marcos de Moura e Souza – Valor Econômico

Vallourec-Sumitomo usará fábrica de MG para exportação

A francesa Vallourec em parceria com a Sumitomo do Japão inauguram hoje na cidade de Jaceaba, em Minas Gerais, um megacomplexo siderúrgico que produzirá tubos para o mercado externo, sobretudo África e Oriente Médio. Os investimentos da usina da VSB, fruto da joint venture entre as duas empresas, são de R$ 5 bilhões. Com a nova fábrica, o grupo Vallourec planeja transferir parte da produção de tubos da usina do Barreiro, em Belo Horizonte (BH) e, assim, liberar espaço para fabricar mais peças que exigem tecnologia e mão de obra especializadas e cujo grande filão são os projetos do pré-sal.

De Jaceaba, prevê a VSB, sairão 1 milhão de toneladas de aço bruto anualmente, dais quais 600 mil toneladas na forma de tubos sem costura. São peças para os setores de óleo e gás principalmente que a empresa pretende vender para países africanos, entre eles Angola, Gana, Moçambique e Tanzânia e também para o Oriente Médio. As cargas serão escoadas pelo porto de Sepetiba, no Rio.

Em pleno funcionamento, a nova fábrica permitirá que a planta da Vallourec em Belo Horizonte transfira a produção de mais de 100 mil toneladas de tubos que atualmente são produzidos ali, segundo Flávio Roberto Silva de Azevedo, diretor mundial de inovação do grupo francês.

A opção pelo Brasil, segundo o presidente mundial da Vallourec, Philippe Crouzet, em entrevista ao Valor, se baseou na disponibilidade de recursos naturais em abundância, mão de obra bem treinada e a experiência prévia que a empresa tem no Brasil desde a fusão com o grupo alemão Mannesmann, ocorrida em 2000. A Rússia era a outra possibilidade. “O Brasil é o país mais competitivo do mundo no que fazemos”, ressaltou.

A Vallourec disputa mercado internacional principalmente com a japonesa – e ao mesmo tempo parceira no Brasil – Sumitomo e com a Tenaris, do grupo Techint. E centra suas críticas nas práticas das empresas chinesas de tubos, que, para o executivo francês, chegam com preços abaixo dos de mercado. A Vallourec no Brasil, junto com outras empresas, entraram com uma ação antidumping contra material chinês. “Não sou contra a competição, mas sim contra a competição injusta.” Para Crouzet, o Brasil acerta em procurar incentivar política que favoreça a produção local frente a um cenário de concorrência que a China oferece.

O pequeno município de Jeceaba foi escolhido por estar próximo à mina de ferro que hoje abastece a planta de Belo Horizonte; a cidade também é cortada por linha férrea, crucial para o escoamento da produção, além de disponibilidade de água e eletricidade para o empreendimento. Os investimentos começaram em 2008 e vão até 2012. Comparado com uma fábrica de tubos que a empresa ergue em Ohio, nos EUA, esse projeto supera em tamanho e em investimento. Nos EUA, a injeção é de US$ 650 milhões.

A nova fábrica obteve um empréstimo de R$ 400 milhões do BNDES para ser construída. E terá 1.500 postos de trabalho diretos e 1.500 indiretos. A presidente Dilma Rousseff é esperada para participar da inauguração hoje.

Para Crouzet, o empreendimento é uma mostra de que a Vallourec tem uma visão de longo prazo e otimista em relação à demanda por energia no mundo. O período de desaceleração das economias desenvolvidas não representa nesse momento risco de recessão muito menos de nova forte freada, como a de 2008/2009. “A crise é hoje mais financeira do que na economia real. O que há é menor expansão na Europa e oscilaçoes nos EUA. “Nossa visão é de longo prazo e a demanda por energia no mundo continua crescendo”, afirmou.

No Brasil, o grupo francês Vallourec tem a subsidiária V&M do Brasil, que é líder na fabricação de tubos de aço sem costura. É integrada em matéria-primas — minério de ferro e carvão vegetal. Ela opera a usina do Barreiro, com capacidade de fazer 550 mil toneladas ao ano, distribuídas em tubos petrolíferos, automotivos, estruturais e para energia e indústria.

Presente em mais de 20 países, o grupo está apto a fazer 3 milhões de toneladas de tubos por ano.

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