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Greve dos Professores em Minas tem viés político, 5 coordenadores do Sind-UTE são filiados ao PT – radicalização prejudica alunos da rede estadual


Fonte: Patrícia Aranha – Estado de Minas

Um olho na greve, outro na eleição

O PT tem ostentado a greve dos professores como instrumento da luta de oposição ao PSDB em Minas

Passeata dos professores tumultuou o trânsito no Centro de BH na semana passada. Movimento liderado pelo PT já dura 82 dias  (Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Passeata dos professores tumultuou o trânsito no Centro de BH na semana passada. Movimento liderado pelo PT já dura 82 dias
Num país que foi governado oito anos por um sindicalista que afinou seu discurso político comandando greves históricas no ABC paulista, liderar paralisações se transformou em escada para uma candidatura vitoriosa nas urnas. Em véspera de ano eleitoral, a greve dos professores estaduais, que completa 82 dias hoje (já são 50 dias letivos perdidos), tem sido acusada de ter um viés político. Cinco dos sete coordenadores do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) são filiados ao PT, entre eles a coordenadora geral Beatriz Cerqueira, cujo registro no diretório do partido em Betim é de 1999. Por enquanto, apenas a coordenadora jurídica do Sind-UTE, Lecioni Pereira Pinto, já testou os votos dos sindicalistas, candidatando-se a vereadora em Capinópolis (MG), no Triângulo Mineiro, em 2008.
No dia 9, Beatriz Cerqueira respondeu em seu blog a uma pessoa que avisou “não adianta ser candidata a deputada estadual, pois não terá apoio”, que não estava pensando nisso. “Nunca fiz essa discussão, logo, não estou pedindo apoio a ninguém”. Mas deixou aberta a possibilidade, ao comparar o salário dos professores ao dos policiais militares, que têm forte representação na Assembleia Legislativa. “Acho que votar e eleger deputados que, no exercício do mandado, prejudicam a categoria por quatro anos, é de extrema ignorância e alienação. Talvez isso ajude a explicar por que um policial militar tem um piso salarial de R$ 2.041”, argumentou.

O PT sabe muito bem a força de uma categoria que, só em Minas, tem 398 mil trabalhadores. Na última visita do ex-presidente e ex-sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva a Belo Horizonte, no dia 18, ele avisou ao ex-ministro-chefe da secretaria geral da Presidência Luiz Dulci que fazia questão de conhecer a “Bia”, a quem chamou de maior liderança sindical do país. Quem assistiu à cena conta que Beatriz Cerqueira não se fez de rogada e exigiu em público que Lula se pronunciasse sobre o movimento. Suas primeiras palavras a um auditório lotado de militantes no Colégio Pio XII foram em apoio à maior reivindicação dos professores: a aprovação do piso nacional.

“Estou sabendo que os professores estão em greve em Minas Gerais. O mais grave é que aprovamos uma lei criando o piso salarial dos professores, essa lei foi sancionada. Quando eu estava na Presidência, alguns governadores entraram na Justiça para não pagar o piso e a Justiça sentenciou que o piso é constitucional. É uma vergonha alguém dizer que não pode pagar o piso de R$1.100 para um professor”, discursou Lula. Antes, o ex-presidente havia conversado com a coordenadora do Sind-UTE e o deputado estadual Rogério Correia (ex-dirigente do mesmo sindicato) sobre a greve.

Oposição O PT tem ostentado a greve dos professores como instrumento da luta de oposição ao PSDB em Minas, que tem como governador do estado um homem que, na campanha do ano passado, por várias vezes repetiu que se orgulhava de ser filho, neto e irmão de professora. A bancada do partido na Assembleia não fala noutro assunto. No site da legenda, duas fotos dividem a atenção, a do presidente do partido, Rui Falcão, que visita o estado amanhã, e a da “marcha pela Educação”, que reuniu 9 mil pessoas em Belo Horizonte, segundo dados dos organizadores. “Os manifestantes fecharam as ruas e avenidas no entorno da Avenida Afonso Pensa por volta de duas horas. O trânsito ficou praticamente parado nas avenidas do Contorno, Amazonas, Nossa Senhora do Carmo, Cristiano Machado e Antônio Carlos”, gaba-se o partido.

No seu blog, Beatriz Cerqueira, também comemorou, desta vez, o fato de a greve ganhar repercussão nacional com uma reportagem no Jornal Nacional sobre o fato de os pais de alunos que estão sem aula pedirem a suspensão das provas do Enem.

No PT, são muitos os exemplos de sindicalistas que se elegeram, como os ex-ministros Ricardo Berzoini, da Previdência Social (ex-presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região), Miguel Rosseto, do Desenvolvimento Agrário (ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo, RS) e o próprio Dulci, que em 1979 e 1980 coordenou as primeiras grandes greves dos trabalhadores do ensino público e foi fundador e primeiro presidente (1979/82) da União dos Trabalhadores do Ensino de Minas Gerais, que se transformaria em Sind-UTE. Em Minas, o deputado estadual Rogério Correia, outro fundador do Sind-UTE, deve à categoria três mandatos de vereador em Belo Horizonte e três de deputado estadual. Outro fundador do sindicato, Carlão Pereira, foi vereador e deputado estadual.

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