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PMDB em Minas abandona o ‘Bloco do Eu Sozinho’ – Posições radicais de Rogério Correia (PT) e o isolamento no Governo Dilma levou partido a deixar o Minas Sem Censura


Fonte: Amanda Almeida – Estado de Minas

PMDB sai e oposição balança

Partido confirma desembarque do grupo contrário ao governo Anastasia, que integrava com o PT e o PCdoB. Proximidade das eleições e radicalismo teriam motivado a decisão

Os deputados Adalclever Lopes, Vanderlei Miranda, Antônio Júlio, Ivair Nogueira e Tadeu Martins Leite durante entrevista ontem na Assembleia

A oposição ao governo estadual perdeu força na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Depois de duas semanas de impasses, os oito deputados do PMDB oficializaram ontem a saída do grupo que formavam com o PT e o PCdoB. Na prática, isso significa que desde ontem, entre os 77 parlamentares, apenas 13 atuam necessariamente em oposição ao Palácio da Liberdade. Os peemedebistas, que antes discursavam e engrossavam movimentos contra o governador Antonio Augusto Anastasia (PSDB), assumirão uma postura de “independência”.

O bloco de oposição já havia perdido dois parlamentares na semana passada, quando o PRB anunciou a saída do grupo. Com a debandada do PMDB ontem, o bloco deixa de existir por não ter número suficiente para sua formação – são necessários no mínimo 16 parlamentares. Líderes petistas dizem que continuarão trabalhando informalmente com o PCdoB como bloco oposicionista. Com as mudanças, o até então líder da minoria, Antônio Júlio, perde o posto e torna-se líder da bancada peemedebista. Já o PT ganha duas lideranças, a da bancada e a da minoria, já que é a legenda oposicionista com mais deputados.

Desde a formação do bloco houve divergência entre os peemedebistas, sendo o deputado Vanderlei Miranda o mais resistente à união com os petistas. Antônio Júlio e Sávio Souza Cruz eram os únicos peemedebistas que insistiam na continuidade do bloco oposicionista. O então líder da minoria conseguiu adiar por duas vezes a decisão do PMDB, mas não alterou o resultado. Apesar de negar que o governo estadual tenha pressionado pela separação, Antônio Júlio confirmou que o secretário de Governo, Danilo de Castro, chegou a ligar para os parlamentares.

Seis deputados peemedebistas – apenas Bruno Siqueira e José Henrique não compareceram – deram entrevista coletiva ontem para falar sobre a saída do bloco. Anunciado como líder do PMDB, Antônio Júlio disse que o rompimento do bloco já era previsto, mas ocorreu “mais cedo do que o esperado”. “Já sabíamos que, com a aproximação das eleições municipais, ficaríamos numa posição desconfortável em cidades onde PT e PMDB disputaram vagas”, disse. Conforme vinham reclamando, os parlamentares disseram que as discussões sobre a Prefeitura de Belo Horizonte anteciparam o rompimento.

“Sabemos que a Prefeitura de BH já é um jogo jogado, em que o PSDB e o PT apoiarão a reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB). Mas esperávamos pelo menos ser chamados para uma conversa”, comentou Júlio. Entre os próprios peemedebistas, no entanto, surgem pré-candidatos à cadeira da PBH desde o início do ano. “Isso não significa que o PT não deveria ter nos tratado com carinho. Pelo contrário, até por isso deveríamos conversar sobre uma aliança, já que somos da base da presidente Dilma Rousseff (PT) no cenário nacional.” Articulações pré-eleitorais já foram motivo de rompimentos entre PT e PMDB na última legislatura. Unidas na Assembleia até julho do ano passado pela eleição de Hélio Costa (PMDB) e Patrus Ananias (PT) ao governo estadual, as legendas se separaram depois de os peemedebistas ficarem de fora da coligação proporcional para concorrer às cadeiras do Legislativo. O PT acabou se aliando em coligação ao PRB.

Os peemedebistas alegam ainda que a falta de espaço no governo federal também pesou na decisão da legenda. Segundo Antônio Júlio, o partido vai lançar um movimento pela “valorização” de Minas na gestão de Dilma Rousseff (PT). Eles pretendem apelar ao vice-presidente Michel Temer (PMDB) por mais mineiros na esfera federal.

Nos bastidores, também é apontado o descontentamento do PMDB em relação ao comportamento de deputados do PT, especialmente o líder do bloco, Rogério Correia. Eles estariam adotando uma postura radical em relação ao Palácio da Liberdade, muitas vezes com discurso de caráter pessoal. Alguns integrantes do PT já teriam sido alertados sobre o assunto, mas as reclamações não teriam surtido efeito. (Colaborou Renato Scapolatempore)

Opinião do EM

O bloco do eu sozinho
A decisão do PMDB de abandonar a parceria com o PT na Assembleia Legislativa mostra que não é possível sustentar por muito tempo uma estratégia de bloco do ‘eu sozinho’, em que posições individuais prevalecem em detrimento do interesse de um grupo. A oposição faz parte do jogo democrático, mas deve ser sempre pautada pela responsabilidade e seriedade. Como demonstrou a decisão tomada pelos peemedebistas, quem não respeita esse processo corre o risco de acabar isolado, pregando solitariamente no deserto.

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