Início > Fraude, política > Devassa no Ministério da Agricultura do Governo do PT: Técnicos da Controladoria Geral da União recolheram computadores de funcionários suspeitos de participar em fraudes em licitação

Devassa no Ministério da Agricultura do Governo do PT: Técnicos da Controladoria Geral da União recolheram computadores de funcionários suspeitos de participar em fraudes em licitação


Ministério da Agricultura é alvo de devassa

Fonte: Carolina Brígido – Agência O Globo

Técnicos da Controladoria Geral da União (CGU) recolheram ontem no Ministério da Agricultura computadores utilizados por funcionários suspeitos de integrar um esquema de fraudes em licitações. Entre as máquinas confiscadas está a do ex-secretário-executivo Milton Ortolan, que pediu demissão sábado, quando a revista “Veja” chegou às bancas com a denúncia do esquema. Segundo a reportagem, o lobista Júlio Froes teria pago propina a servidores em troca de benefícios em licitações, e Ortolan estaria envolvido.

Estão na mira da CGU servidores que lidam com licitações, contratos e convênios. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, não será investigado. Segundo o ministro da CGU, Jorge Hage, Rossi não teve seu computador apreendido por falta de indício de participação nas supostas irregularidades. Hage contou ter conversado com Rossi ontem de manhã. O colega teria se colocado à disposição para auxiliar a investigação – que ele mesmo pediu para ser instaurada.

– Do ministro, não (serão recolhidos computadores). Não há qualquer denúncia que pese sobre o ministro, pessoalmente. O recolhimento dos computadores é do pessoal que trabalha na área de licitações e de convênios, basicamente – disse Hage no Palácio do Planalto, onde assistiu à posse de Celso Amorim como ministro da Defesa.

O chefe da CGU não quis opinar sobre a gravidade das denúncias:

– Não tenho que avaliar a priori. Tenho que me manifestar depois que concluirmos a auditoria – afirmou.

Rossi teria se oferecido para ajudar investigação
Hage elogiou, porém, a postura de Rossi, que teria se oferecido para ajudar na investigação.

– O ministro Rossi me oficiou, pondo-se à disposição, colocando todos os órgãos abertos para fornecer todas as facilidades para o nosso trabalho evoluir, isso é o que importa. Eu me comuniquei com ele antes do meio-dia e informei a ele que, à tarde, nossa equipe estava indo para o ministério recolher os computadores das áreas que foram objeto de denúncia para fazer a cópia, o chamado espelhamento dos discos rígidos dos e-mails, para começar os nossos trabalhos. É um trabalho normal, como qualquer outro nessas situações – explicou.

Semana passada, a CGU abriu auditoria para investigar o Ministério da Agricultura e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) por suposto esquema de pagamentos irregulares a empresas, além de irregularidades em sentenças judiciais e na avaliação e alienação de imóveis da Conab. A denúncia foi feita à “Veja” por Oscar Jucá Neto, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O prazo para o fim dessa investigação é 30 de setembro. Com a nova denúncia, Hage anunciou que esse prazo será prorrogado, mas não soube precisar a nova data. Em resposta a parlamentares que querem sua presença no Congresso para prestar esclarecimentos, Hage disse que comparecerá quando for preciso. A decisão de abrir investigação para apurar a nova denúncia será publicada hoje no Diário Oficial da União.

Pagot diz que não cumprirá quarentena
Em outra frente, a Comissão de Ética da Presidência decidiu pedir explicações a Ortolan e a Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura dos Transportes (Dnit). Pagot afirmou que não cumprirá a quarentena para atuar no setor privado. Oscar Jucá Neto, irmão de Romero Jucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, também terá de explicar suas denúncias sobre um esquema de desvio de recursos na Conab e no Ministério da Agricultura. Jucá Neto sofreu ainda uma censura pública da comissão, por não ter apresentado a declaração confidencial de informações (DCI), obrigatória a todo funcionário nomeado. O DCI informa os bens e o patrimônio do servidor.

O presidente da Comissão de Ética, Sepúlveda Pertence, disse que o colegiado também pediu à CGU informações sobre o andamento das investigações no Ministério dos Transportes. Ele disse que qualquer sanção contra o ex-ministro Alfredo Nascimento dependerá de informações objetivas da CGU.

Rossi atribui denúncias à briga de poder entre partidos no ministério

“Há sempre uma concorrência natural por espaço”, diz ele sobre a pasta

BRASÍLIA. O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, sob pressão, tentou mostrar ontem que não tem ligação com as novas irregularidades em sua pasta e admitiu que a disputa por espaço político na Conab pode estar alimentando as denúncias. Sem responder a algumas perguntas, Rossi criticou órgãos da imprensa que, segundo ele, estariam dando espaço a pessoas e ex-funcionários que tiveram interesses contrariados. Ao sugerir disputa política no setor, o ministro se refere ao fato de que há indicações políticas na Conab feitas por pelo menos três partidos – PMDB, PT e PTB.

– Há sempre uma concorrência natural por espaço. A Conab tem diretores de vários partidos, e isso tem gerado problemas. Hoje, sinto que há uma certa dificuldade de entendimento entre os diretores – disse Rossi, em entrevista.

Ele se defendeu dizendo que abriu inquérito administrativo para apurar a denúncia, da revista “Veja”, de que o lobista Júlio Fróes teria usado sala e computadores do ministério e distribuído pacotes de dinheiro a funcionários do setor de licitações da pasta.

Rossi disse ainda que não conhecia Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitação do ministério, que admitiu à “Veja” ter recebido o pacote de dinheiro de Fróes e recusado. O ministro ponderou que havia uma disputa entre dois grupos na pasta, um ligado à gestão anterior e outro que ascendeu:

– Ele (Israel) fez acusações graves, mas precisa comprovar. Todos serão chamados, e ninguém apontou fato ilegal que eu tivesse cometido. O ônus da prova é de quem alega.

Rossi lamentou a saída de Milton Ortolan, contando que pediu que ele apenas se afastasse durante as investigações, mas que o assessor e seu amigo há 25 anos não aceitou, por ter se sentido humilhado e insultado com a reportagem. O ministro defendeu o contrato de R$9 milhões, feito pelo ministério com a Fundação São Paulo, entidade mantenedora da PUC-SP, para capacitação de funcionários da pasta.

Rossi disse que tudo foi feito dentro da lei e que a dispensa de licitação ocorreu porque o produto oferecido por eles é único.

Indagado se se sente firme no cargo, respondeu:

– A presidente Dilma tem me dado todos os motivos para que eu me sinta firme e confortável, e meu trabalho está sendo avaliado. Não tenho necessidade vital de estar aqui.

O ministro negou que haja algum tipo de orquestração política contra ele ou o PMDB, mas ponderou que o partido tem crescido em áreas importantes e que a disputa pela prefeitura de São Paulo tem criado problemas e confrontos.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: