Início > política > Governo Dilma usa rolo compressor para impedir instalação da CPI que pretende investigar denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes

Governo Dilma usa rolo compressor para impedir instalação da CPI que pretende investigar denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes


Para salvar CPI, oposição vai buscar apoio de independentes do PMDB

Fonte: Agência Brasil

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), autor do requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes, terá que correr contra o tempo se não quiser ver arquivado o pedido. Nesta quarta-feira, com a pressão imposta pela base governista e pelos ministros, os senadores João Durval Carneiro (PDT-BA) e Ataídes de Oliveira (PSDB-TO) retiraram as assinaturas para o pedido avançar. Segundo Dias, os independentes do PMDB podem ser alternativas.

As baixas frustaram as expectativas da oposição de ontem, quando foi alcançado o número mínimo de 27 assinaturas para instalar a CPI, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez a comunicação em plenário, que deu início à tramitação da matéria, uma vez que foi encaminhada pelo presidente da sessão, Wilson Santiago (PMDB-PB), à Secretaria-Geral da Mesa Diretora para analisar se o requerimento preenche os requisitos constitucionais e regimentais.

Com as retiradas de assinaturas de dois senadores, a partir da abertura da sessão plenária de hoje, qualquer líder da base poderá pedir ao presidente da Mesa que comunique a improcedência e o arquivamento da matéria. A secretária-geral da Mesa Diretora, Claudia Lyra, disse que comunicará hoje ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), a falta de respaldo regimental e constitucional para a instalação dos trabalhos da comissão, o que embasará o presidente da sessão a arquivar a matéria.

Enquanto esses procedimentos burocráticos não forem formalizados, as 25 assinaturas ainda continuam valendo. Arquivado o pedido, o líder tucano terá que começar novamente as coletas de assinaturas se quiser instalar a CPI. Ou seja, se não quiser correr riscos, Álvaro Dias terá que conseguir pelo menos dois apoios até as 14 horas, e comunicar ao presidente da sessão. Assim, na busca por assinaturas, ele pretende se concentrar na busca por apoio do grupo independente de senadores do PMDB. No total de oito parlamentares, três peemedebistas já assinaram a lista: Pedro Simon (RS), Jarbas Vasconcelos (PE) e Roberto Requião (PR). Porém, Álvaro Dias reconhece a dificuldade de obter as duas assinaturas que faltam.

“A forma com que o governo atuou ontem para retirada das assinaturas desmente a tese de que o instrumento da CPI virou balela. Mostra também que essa história da presidente Dilma (Rousseff) de dizer que vai fazer uma faxina no governo não procede. O que ela faz é blindar os protagonistas da corrupção nos Transportes que estão fora da esfera do PR”, afirmou o líder do PSDB. Ele qualificou como “desrespeito e degradante” a atuação do governo para que senadores da base retirassem assinaturas do requerimento.

A crise no Ministério dos Transportes
Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo.

O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou “um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias”.

Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos de um filho do ministro. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente. Em seu lugar, assumiu Paulo Sérgio Passos, que era secretário-executivo da pasta e havia sido ministro interino em 2010.

Além de Nascimento, outros integrantes da pasta foram afastados ou demitidos, entre eles o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron – único indicado pelo PT na direção do órgão -, o diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e assessores de Nascimento.

Anúncios
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: