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Luta pela vida: Vítima de um dos mais trágicos acidentes no Anel Rodoviário, a pequena Laura de 4 anos dá exemplo de superação


Recuperação. Aos quatro anos vítima de acidente no Anel Rodoviário dá exemplo de superação após 159 dias internada

Fonte: Jornal O Tempo

Laura começa sua nova vida
Criança não anda nem fala, mas médicos apostam em recuperação

FOTO: DANIEL IGLESIAS

Afeto. Priscila e Ricardo de Carvalho com a filha Laura pouco antes de a menina deixar o Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte

Com grave traumatismo no crânio, no abdômen e na perna esquerda, além de um profundo estado de coma, os médicos davam à pequena Laura Gibosky, 4, apenas 2% de chance de sobrevivência. Mas, ontem, a menina hospitalizada no último dia 28 de janeiro, vítima de um grave acidente no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, deixou o Hospital Felício Rocho após 159 dias de internação.

A criança demonstrou uma capacidade de recuperação que surpreendeu os médicos. Suportou cinco cirurgias e várias sessões de fisioterapia e fonoaudiologia.

Laura foi uma das vítimas do acidente que matou cinco pessoas, uma delas sua prima Ana Flávia, 2. O acidente foi provocado por um caminhão desgovernado, que arrastou 15 veículos, entre eles o carro onde estavam as crianças. O caminhoneiro Leonardo Faria Hilário, 24, responde em liberdade a processo por homicídio com dolo eventual (por assumir o risco).

Para a família de Laura, o momento é de alívio. “Vai ser muito bom passar pelo quarto dela e ver que ela está lá. Em casa, o amor será redobrado e o carinho, intensificado”, disse, emocionada, a mãe da menina, a servidora pública Priscila Gibosky Carvalho Souza, 33.

Antes de deixar o hospital, a criança recebeu o carinho dos pais e da tia Pollyanna Gibosky, que carregava no colo a boneca preferida da sobrinha. A menina foi levada de ambulância para casa, no bairro Dona Clara, na região da Pampulha, onde foi recebida com festa. “Se choramos hoje, é de alegria”, afirmou Pollyanna.

Laura ainda tem uma dura missão pela frente para recuperar a fala e a capacidade de andar. Segundo os médicos, até o momento, ela responde aos estímulos das pessoas apenas por meio do olhar.

Em casa, terá de passar por novas sessões de fonoaudiologia e fisioterapia. Para isso, o quarto da menina foi adaptado com cama hospitalar e espaço para aparelhos. Segundo o pai de Laura, Ricardo de Carvalho, 44, enfermeiros ajudarão a família 24 horas por dia. “Estamos preparados para vencer isso. A Laura se apegou no fiapinho de vida. Não é qualquer um que passa pelo que ela passou”.

Otimismo. neurocirurgião do Felício Rocho e chefe do serviço de neurocirurgia do hospital João XXIII, Rodrigo Faleiro, acompanhou a menina desde o início do tratamento. Ele acredita que Laura tem todas as possibilidades de levar uma vida normal. “Não existe nada que a impeça de andar e falar. O que falta agora é o estímulo. Temos que esperar para ver como o cérebro se recupera das lesões. Geralmente, as crianças surpreendem”, afirmou. O médico explicou que é impossível estabelecer quanto tempo a criança levará para se recuperar totalmente.
Evolução

A tragédia

Ao dar entrada no João XXIII (HPS), Laura Gibosky estava em coma profundo.

Recuperação
A menina apresentou evolução contínua do quadro de saúde. Há cerca de um mês, ela saiu do coma.

A escala de Glasgow
De 3 a 8 (coma), a pessoa não tem contato com o meio externo e respira com a ajuda de aparelhos. De 9 a 15, a pessoa não conversa, mas abre os olhos, respira sozinha e se manifesta. Laura está entre os estágios 9 e 10.

Risco
Na escala de Glasgow, que vai de 3 a 15, Laura tinha o nível mais grave (3).

2011
Número de mortes na rodovia chega a 24
Apenas neste ano, 24 pessoas morreram no Anel Rodoviário de Belo Horizonte, segundo dados da Polícia Militar Rodoviária (PMRv). Em todo o ano passado, foram registrados 39 óbitos em acidentes na rodovia.

Apesar de não apresentar números absolutos, o tenente da PMRv Geraldo Donizete revelou que a maioria dos casos é de atropelamento. Ele entende que a instalação de novos radares após a tragédia no início deste ano – hoje são 15 equipamentos ao longo de 26 km de rodovia – reduziu os acidentes.

Apesar disso, para quem já sofreu o trauma de perder um familiar na rodovia, as medidas são pouco eficientes. O aposentado Milton Vicente Sá, 54, pai de Claudiane Godim Braga, 22, que morreu em um acidente no Anel Rodoviário em maio do ano passado, disse se sentir impotente. “Somos apenas um grão. As mudanças necessárias não dependem da gente, mas ninguém faz nada”. Claudiane estava grávida de cinco meses.

Um ano e um mês após o acidente que traumatizou a família do aposentado (duas outras pessoas morreram na mesma colisão), Milton Vicente afirma ainda sofrer com as tragédias na rodovia. “Minha mulher não fala sobre o assunto. Vivemos tomando remédios. Ela sofre com cada acidente que aparece nos jornais. Só Deus para nos ajudar”. (RR)

“Nunca vamos superar a perda”

A notícia da alta de Laura Gibosky já chegou a São Paulo, onde mora a família de Ana Flávia, 2, que morreu no acidente no início deste ano.

Apesar de feliz com a alta da sobrinha, Laerte Migliorança, pai de Ana, já perdeu as esperanças de punição para os responsáveis pela tragédia.

“A saída de Laura do hospital nos conforta, mas nunca vamos superar a perda da nossa filha. Estamos cansados de cobrar atitudes e nada ser feito”. (RR)

MINI ENTREVISTA COM
“Vou lutar para que ela volte a falar. Vou viver para isso”

Mãe de Laura
Como é receber a Laura novamente em casa?

Será muito bom poder passar pelo quarto dela e ver que ela está lá. Em casa, o amor é dobrado e o carinho, intensificado. As pessoas que gostam dela poderão ir vê-la, tocá-la, brincar com ela. Com certeza, ela estará melhor.
Como foram os 159 dias de hospital?

Foram difíceis. O quarto dela era meu ponto de oração. Era ali que todo dia eu ajoelhava e pedia a Deus para trazer minha filha de volta. Para que devolvesse a ela o sorriso e que ela pudesse voltar a chamar mamãe e papai como fazia. O quarto dela em casa virou meu refúgio. Lá, minhas energias se recarregavam.

O que mudou na vida de vocês?

Nós passamos a ter uma vida em casa e outra no hospital. Estamos de licença do trabalho. Nossa vida passou a ser o CTI e o Iuri, meu outro filho, de 10 anos. Nós tentamos não modificar em nada a rotina dele. Levávamos ele para o inglês, para o futebol. Tentávamos participar de todos os torneios, ficamos felizes, junto com ele, com uma nota boa. Fizemos de tudo para ele também sentir que era amado e, ao mesmo tempo, ficávamos no hospital.

Como o Iuri reagiu?
Ele ia visitá-la e contava o dia a dia dele. Hoje (ontem) ele estava na expectativa da volta da irmã e queria saber o que poderia fazer para ajudar.

E como será daqui para frente?
Vou lutar até o fim para que a Laura consiga voltar a falar, andar e ir para escola. Vou viver para isso.

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  1. ela
    07/07/2011 às 19:27

    parabens para a pequena laura
    que Deus continue abençoando ela e toda a sua família,
    felicidades pra vocs
    boas melhoras pra vc laura

  2. maria
    27/01/2012 às 20:56

    Priscila, boa noite!
    Tenha fé; pois Jesus pode restaurar a vida da Laura e ela voltar a ser uma menina normal e feliz.. Busque ajuda na Igreja Universal do Reino de Deus, na Av. Olegário Maciel 1329 no bairro de Lourdes em BH. Quando receber as orações lá, você terá a certeza de que para Deus não existe o impossível. Visite a igreja domingo às 9,30h, levando a foto ou uma peça de roupa dela para serem consagradas. Que Deus abençoe vocês, e lhe dê força para buscar a cura da sua filha.
    Abraços!
    Maria Célia

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