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Produção de nióbio atrai consórcio asiático que compra 15% da CBMM, operação deve ampliar produção em Araxá – Brasil tem 98% da reserva mundial


Consórcio asiático compra 15% da CBMM

Fonte: Cristiane Perini Lucchesi – Valor Econômico

Nióbio: Grupo de investidores de empresas públicas e privadas do Japão e da Coreia do Sul pagam US$ 1,8 bilhão

Um consórcio de empresas do Japão e Coreia do Sul, do setor privado e estatal, entre elas as siderúrgicas Nippon Steel e Posco, vai comprar 15% da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), controlada pela Brasil Warrants, empresa de participações da família Moreira Salles. A CBMM é a maior produtora de nióbio do mundo, mineral considerado estratégico, usado na indústria siderúrgica para aumentar a resistência e tenacidade do metal, criando ligas de grande resistência, matéria-prima para cápsulas espaciais, mísseis, foguetes e reatores nucleares.

O nióbio serve para a produção de aço inoxidável, semicondutores e é usado em oleodutos e gasodutos. O produto é tido como fundamental para a indústria bélica e espacial dos Estados Unidos, que importa do Brasil até 87% do nióbio de que necessita. O Brasil tem 98% das reservas mundiais exploráveis de nióbio.

O valor do negócio chegou a US$ 1,8 bilhão, diz a “Nikkei”, agência de notícias do Japão.

O líder da transação do lado da CBMM foi o Deutsche, segundo apurou o Valor. Procurados, a empresa e o banco não quiseram se pronunciar. Com sede em Araxá, Minas Gerais, a CBMM é a maior exportadora de nióbio do mundo, responsável por 75% do mercado mundial do produto.

Os outros investidores na CBMM são a JFE Steel, a trading Sojitz Corp. e instituições do governo do Japão e da Coréia do Sul. Vão participar a Japan Oil, Gas and Metals National Corp. (Jogmec), do governo, e o serviço de fundos de pensão na Coreia do Sul. Os japoneses vão ficar com 10% da empresa e os sul-coreanos, com 5%.

A Nippon Steel, a Posco e o resto das empresas no Japão e na Coreia do Sul vão receber em troca da participação uma porção da produção de nióbio compatível com o investimento deles. É a primeira vez que a Jogmec investe em minas de produção depois que lei que passou a tornar isso possível no Japão foi mudada, segundo a “Nikkei”.

Devido à sua importância estratégica e necessidade de crescimento, a empresa precisa investir no aumento da produção. Para captar recursos para esse fim, segundo apurou o Valor, a CBMM chegou a pensar inicialmente em fazer uma emissão inicial de ações (IPO). Mas depois optou por discutir com investidores estratégicos e acabou fechando o negócio com eles.

Em entrevista no fim do ano passado, a CBMM anunciou que pretende expandir a capacidade de produção anual de nióbio de sua unidade em Araxá para 150 mil toneladas em 2015, alta de 66% em relação à atual capacidade de 90 mil toneladas anuais. Em 2010, a produção estimada era de 62 mil toneladas, dos quais 5% são suficientes para suprir toda a demanda nacional.

Apesar da expansão, Carneiro disse, na época, que acredita que a capacidade plena de produção só será atingida em 2020, enquanto em 2015 a demanda mundial deverá elevar a produção da companhia a 110 mil toneladas anuais do nióbio.

O desconhecido metal, a não ser para os técnicos, ganhou fama no final do ano passado, depois que o site “WikiLeaks” divulgou documento secreto assinado em fevereiro de 2009 pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que mostra que alguns recursos naturais brasileiros estão em uma lista de interesses estratégicos de Washington e são considerados “vitais” para a segurança nacional americana.

O documento traz relação de cerca de 300 locais espalhados pelo mundo cuja perda “pode ter um impacto crítico na segurança econômica, saúde pública ou na segurança nacional dos EUA”. A recomendação de Hillary era para que todas as embaixadas produzissem uma lista onde há pontos “críticos de infraestrutura” e “recursos-chave” em cada país. No Brasil, as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO) estavam entre os locais listados pelo governo americano.

Foi no fim de 2006 que a Brasil Warrants comprou parte de 35% da sócia americana Molycorp (controlada pela petroleira Chevron) na CBMM e passou a ter 98,5% do capital total da empresa. Fez um bom negócio. Em 2009, a CBMM obteve receita líquida de R$ 1,91 bilhão. O resultado operacional da companhia, que tem baixo nível de endividamento, atingiu o total de R$ 1,17 bilhão, o que gerou a expressiva margem de 61%. O lucro líquido da mineradora foi de R$ 900 milhões, o que representou margem líquida de 47% no desempenho financeiro do ano de 2009.

A Brasil Warrants nasceu nos anos 50, quando a Brazilian Warrants foi adquirida pelo patriarca Walther Moreira Salles na bolsa de Londres. Na época, era uma grande fazenda em Matão (SP), de 55 mil hectares, que havia sido usada para produzir café antes da crise de 29. Logo foi nacionalizada e virou Brasil Warrants. Aos poucos, partes da fazenda foram sendo vendidas para capitalizar o Unibanco, hoje Itaú Unibanco. (Com Dow Jones Newswires)

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